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Pâncreas

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Morfofuncional II – Anatomia /Embriologia
Pâncreas
Função
O pâncreas é uma glândula tanto exócrina quanto endócrina:
- A porção exócrina produz, por dia, 1,5 – 2L de suco pancreático que contém bicarbonato (pH aproximadamente 8) e enzimas para a clivagem de proteínas, lipídeos, carboidratos e ácidos nucleicos. A maior parte das enzimas é secretada na forma de um precursor proteico inativo e, somente pela ação da enteroquinase, uma enzima presente no epitélio intestinal e nas glândulas de Brunner do duodeno, essas enzimas são ativadas. A enteroquinase cliva o tripsinogênio e, assim, a tripsina resultante ativa os demais precursores enzimáticos.
- A porção endócrina do pâncreas é composta pelas ilhotas de Langerhans e possui a função de regular o metabolismo de glicose.
Regiões, forma e localização
O pâncreas tem 13-18 cm de comprimento e pesa 70-80 g. O órgão torna-se afilado durante seu trajeto retroperitoneal secundário, na parede posterior do abdome. Ele se projeta, desde a face côncava do duodeno, para a esquerda, ascendendo em direção ao baço. Ele é dividido em três partes:
- A cabeça do pâncreas encontra-se na curva do duodeno. A partir dela, encontra-se o processo uncinado do pâncreas que se dispõe ao redor dos vasos mesentéricos superiores (incisura pancreática) e seguem posteriormente ao pâncreas.
- O corpo do pâncreas encontra-se na altura dos corpos das 1ª – 2ª vértebras lombares. Enquanto a sua face posterior está aderida à parede posterior do abdome, a face ventral é recoberta pelo peritônio e forma a parede posterior da bolsa omental. A parte do corpo do pâncreas situada anteriormente à aorta abdominal projeta-se para a bolsa omental e é chamada túber omental. 
- A cauda do pâncreas se adelgaça, dirigindo-se ligeiramente em direção superior, do lado esquerdo, até o ligamento esplenorrenal.
O ducto pancreático principal atravessa todo o órgão e desemboca, juntamente com o ducto colédoco, na papila maior do duodeno (papila de Vater) na parte descendente do duodeno. Aí também existe a papila menor do duodeno (papila de Santorini) por onde desemboca o ducto pancreático acessório.
Obs:. Devido à desembocadura comum do ducto pancreático e do ducto colédoco, um cálculo originado da vesícula biliar, que se desloca ao longo do sistema de ductos, pode causar não somente uma estase de bile no fígado, com consequente icterícia, mas, também, uma estase da secreção pancreática ou um aumento de pressão no ducto pancreático, podendo levar a uma inflamação do pâncreas (pancreatite).
Estrutura
O pâncreas é envolvido por uma delgada cápsula fibrosa de tecido conjuntivo, que divide o parênquima em numerosos lóbulos arredondados.
Obs1:. Caso as enzimas pancreáticas sejam ativadas no próprio órgão, devido a diferentes mecanismos, durante lesão das células acinosas, pode ocorrer um quadro de pancreatite aguda. Trata-se de uma condição na qual as enzimas, ativadas no pâncreas, agridem o parênquima e, com a passagem para o sangue, também podem lesar outros órgãos. Por meio da liberação de mediadores da inflamação, ocorre um aumento da saída de fluido do sistema vascular, com o risco de choque hipovolêmico. Os sintomas característicos são intensas dores, além de náuseas, vômitos e meteorismo. Nos soro, observa-se um aumento da α-amilase e da lipase.
Obs2:. Em pacientes com diabetes melito, os níveis de glicose no sangue estão aumentados (hiperglicemia), uma vez que pouca insulina é liberada pelas células B do pâncreas endócrino, em relação à quantidade necessária. Isto se baseia, normalmente, em uma sensibilidade reduzida das células periféricas à insulina e, consequentemente, acompanhada de uma insuficiência relativa das células B (diabetes melito tipo 2), que frequentemente aparece com o avançar da idade. Em pacientes jovens trata-se, de modo geral, de uma ausência absoluta de insulina (diabetes melito tipo 1), causada por destruição das células B pancreáticas, devido à ação de auto-anticorpos. Outras causas são as doenças nas quais ocorrem lesões do pâncreas e, portanto, também das células das ilhotas. De uma forma geral, a hiperglicemia causa polidpsia, poliúria – devido à eliminação anômala da glicose na urina (glicosúria), acompanhada por diurese osmótica – e diminuição do peso corporal. Além do mais, os pacientes relatam, frequentemente, fadiga ou sonolência e diminuição da força.
Vascularização
O pâncreas é suprido pelas seguintes artérias, que formam a chamada “arcada do pâncreas”:
- Artérias pancreaticoduodenais superiores anterior e posterior, ramos da artéria gastroduodenal;
- Artéria pancreaticoduodenal inferior, ramo da artéria mesentérica superior, que se divide em ramos anterior e posterior;
Ambas as artérias pancreaticoduodenais superiores anastomosam-se na região da cabeça do pâncreas, com os ramos anterior e posterior da artéria pancreaticoduodenal inferior e forma, desse modo, uma dupla alça vascular.
A artéria esplênica, oriunda do tronco celíaco, origina, em seu trajeto, vários ramos pancreáticos. Dentre os quais os mais calibrosos são:
- Artéria pancreática dorsal, para a incisura pancreática, onde o seu ramo terminal pode formar uma anastomose com a artéria pancreaticoduodenal superior anterior;
- Artéria pancreática magna, na região da cauda, que se une a artéria pancreática inferior (ramo da artéria pancreática dorsal) na margem inferior do pâncreas e formam a artéria da cauda do pâncreas.
Como ocorre nos tecidos endócrinos ativos, as ilhotas também são envolvidas por abundantes redes capilares. No interior das ilhotas, esses capilares se alargam e se tornam capilares fenestrados. Por meio da veia porta do fígado os hormônios atingem, primeiramente, o fígado e, daí seguem para a circulação sistêmica.
O sangue oriundo do corpo e da cauda do pâncreas é drenado através das veias pancreáticas para a veia esplênica, e daí conduzido à veia porta do fígado. O sangue venoso da cabeça do pâncreas atinge a veia mesentérica superior através das veias pancreaticoduodenais e, finalmente, a veia porta do fígado.
Obs:. A artéria esplênica segue um trajeto tortuoso, ao longo da margem superior do corpo e da cauda do pâncreas; em contrapartida, a veia esplênica encontra-se em um sulco na face posterior do pâncreas, unindo-se, atrás da cabeça do pâncreas, com a veia mesentérica superior para formar a veia porta do fígado.
A linfa derivada das regiões do corpo e da cauda do pâncreas atinge os linfonodos celíacos (tronco celíaco), através do linfonodos pancreáticos superiores (artéria esplênica) e inferiores (artéria pancreática inferior). A linfa derivada da região da cabeça do pâncreas é conduzida aos linfonodos hepáticos (artéria hepática) e aos linfonodos mesentéricos superiores (artéria mesentérica superior), através dos linfonodos pancreaticoduodenais superiores e inferiores.
Inervação
Na inervação simpática, as fibras simpáticas originam-se do gânglio celíaco e seguem, ao longo da parede dos vasos sanguíneos próximos, para o pâncreas. Desse modo, a noradrenalina promove a inibição da secreção de insulina nas células endócrinas.
Na inervação parassimpática, as fibras parassimpáticas originam-se dos ramos celíacos do tronco vagal posterior. Eles seguem acompanhando os vasos sanguíneos e estimulam a secreção da insulina por meio do neurotransmissor acetilcolina.
A inervação autônoma também influencia a função secretora do pâncreas exócrino. Entre as refeições, a secreção de enzimas e de bicarbonato pelo pâncreas é amplamente reduzida. No período pós-prandial, o nervo vago proporciona um aumento da taxa de secreção.
Desenvolvimento do pâncreas
O pâncreas se origina das células derivadas de brotamentos do endoderma do intestino primitivo, na região do anel hepatopancreático.
O primórdio do pâncreas é formado a partir de duas porções, um brotamento pancreático ventral, menor, e um brotamento pancreático dorsal, maior. O brotamento dorsal se expande no interior do mesogastro dorsal; já o brotamento pancreático ventral se desenvolve nas proximidades do ducto colédoco