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historia da musica ocidenteal

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do século xvii e muitas características da música do início do período barroco começaram a manifestar-se muito antes do fim do século xvi.
Consideremos agora de que forma a evolução que se verificou entre 1450 e 1600 afectou cinco aspectos genéricos do estilo musical.
Textura -- Em finais do século xvi ainda era regra, nas obras de Palestrina, Lasso, Byrd e Gabrieli, a textura característica de partes vocais contrapontísticas similares, como o havia sido na música de Ockeghem e Josquin. É esta textura, mais do que qualquer outra feição isolada, que caracteriza a música do Renascimento. Em contrapartida, a homofonia começara a invadir todas as formas de escrita polifónica. O seu predomínio na escola veneziana é já um prenúncio da evolução ulterior.
Ritmo -- O ritmo, apoiado na alternÂncia de consonÂncia e dissonÂncia, no Âmbito do sistema modal do século xvi, tornara-se, em finais do século, relativamente regular e previsível, mesmo no estilo contrapontístico de Palestrina e em composições aparentemente tão livres como as tocatas para órgão venezianas. A barra divisória de compasso nas edições modernas de Palestrina, Gabrieli e Byrd já não é a intrusão que, por vezes, parece ser nas edições modernas de Ockeghem e Josquin. O ritmo básico da música vocal era o compasso binário alla breve, alternando também com uma pro-porção ternária ou com agrupamentos ternários dissimulados no compasso binário.
Música e letra -- A musica reservata, os matizes descritivos e expressivos do madrigal, as aberrações cromáticas de Gesualdo e as sonoridades esplendorosas dos maciços coros venezianos são outros tantos sinais da tendÊncia, nas últimas décadas do século xvi, para uma viva exteriorização expressiva no domínio musical. Esta tendÊncia é levada ainda mais longe no século xvii, tomando corpo nas novas formas da cantata e da ópera. Com o nascimento das formas instrumentais puras (ricercare, canzona e toccata), a música do Renascimento tinha já começado a transcender as palavras; esta linha evolutiva prossegue também sem quebras nas épocas ulteriores. E, por último, enquanto as canções a solo do Renascimento eram peças líricas, não muito diferentes no estilo dos madrigais, uma das principais inovações da viragem do século foi a descoberta de que a canção a solo podia ser utilizada como veículo para a expressão dramática. Os violentos estados de alma expressos por Gesualdo e Gabrieli através de um conjunto de vozes passam a exprimir-se em solos com acompanhamento instrumental.
Bibliografia
ColectÂneas de música
Edições modernas das obras completas dos compositores citados neste capítulo: Byrd: The Collected Vocal Works of William Byrd, ed. E. H. Fellowes, Londres, Stainer & Bell, 1937--1950, 20 vols., sendo os vols. 18 a 20 consagrados à música de tecla; ed. revista de T. Dart, 1970-, sob o título The Collected Works; Clemens non Papa: CMM, 4, ed. K. Ph. Bernet Kempers; G. Gabrieli: CMM, 12, ed. D. Arnold; Goudimel: Oeuvres complÍtes, ed. Henri Gagnebin, Rudolf Ha_sler, Eleanor Lawry, Gesamtausgaben 3, Brooklyn, Institute of Mediaeval Music, 1967-1983, e também H. Expert (ed.), Maetres musiciens de la Renaissance française, vols. 2, 4, 6; Guerrero: Monumentos de la Musica Espa±ola, 16 e 19, M. Querol Gavalda (ed.); Handl: Collected Edition, ed. Dragotin Cvetko, Ljubljana, 1966-, DTOe, vols. 12, 14, 30, 40, 48, 51, 52, 78, 94, 95, 118, 119; Hassler: SSmtliche Werke, ed. C. Russell Crosby, Wiesbaden, Breitkopf & HSrtel, 1961-; Lasso: SSmtliche Werke, ed. F. Haberl e A. Sandberger, Leipzig, Breitkopf & HSrtel, 1894-1927, reed. 1974, e SSmtliche Werke, neue Reihe, ed. S. Hermelink et al., Kassel, BSrenreiter, 1956-; Lechner: Werke, ed. K. Ameln, Kassel, BSrenreiter, 1954-; Le Jeune: Maetres musiciens de la Renaissance française, 11, 21, 22, 23, ed. H. Expert, e Airs, ed. D. P. Walker (AIM); Merulo: CMM, 51; Monte: Opera, Van den Borren e Nuffel (eds.), Bruges e Dusseldorf, Schwann, 1927-1939, reed. Nova Iorque, 1965, e Opera, New Complete Edition, R. B. Lenaerts (ed.), Lovaina, University Press, 1975-; Palestrina: Opera omnia, ed. Theodor de Witt, F. X. Haberl et al., Leipzig, Bretkopf & HSrtel, 1862-1903; DdT, 1, ed. H. Bellermann, 1896; Le opere complete, ed. R. Casimiri e L. Virgili, Roma, Fratelli Scalera, 1939-. A Pope Marcellus Mass (Missa do Papa Marcelo) está editada nas Norton Critical Scores, ed. L. Lockwood; H. Praetorius: DdT, 23; M. Praetorius: Gesamtausgabe der musikalischen Werke, ed. F. Blume, A. Mendelssohn, W. Gurlitt, Wolfenb_ttel, Kallmeyer, 1928-1940, 1960; Pujol: ed. AnglÍs, biblioteca de Catalunya, vols. 3, 7; Schein: SSmtliche Werke, ed. A Prufer, Leipzig: Breitkopf & HSrtel, 1901-1923, incompleta; Neue Ausgabe sSmtliche Werke, ed. A. Adrio, Kassel, BSrenreiter, 1963-; Schutz: v. a bibliografia do cap. 9; Senfl: SSmtliche Werke, Basileia, Hug, e Wolfenb_ttel, M?seler, 1937-; Sweelinck: Werken, ed. M. Seiffert, H. Gehrmann, Haia, Nijhof, e Leipzig, Breitkopf & HSrtel, 1894-1901, reed. 1968, ed. rev. e aumentada em 1943, Amsterdão, Alsbach, e Opera omnia, editio altera, ed. R. Lagas et. al., Amsterdão, Alsbach, 1957-; Victoria: Opera omnia, ed. F. Pedrell, Leipzig, Breitkopf & HSrtel, 1902-1913, reed. 1965, e Opera omnia, ed. corrigida e aumentada, ed. H. AnglÍs, Monumentos de la Música Espa±ola, 25, 26, 30, 31; Walther: SSmtliche Werke, ed. O. Schr?der, Kassel, BSrenreiter, 1953-1973; Zielenski: Opera omnia, ed. J. Berwaldt, Monumenta musicae in Polonia, ser. A, i/l, ii/2.
A Deudsche Messe de Lutero (1952) foi editada em fac-símiles pela BSrenreiter, Kassel, 1934.
O Geystliche gesangk Buchleyn, de Johann Walther, 1524, está publicado em EP, vol. 7 (ano 6).
A colectÂnea de Rhaw de 1554, Newe deudsche geistliche Gesenge CXXIII ocupa o vol. 34 de DdT.
Para a música sacra da Reforma em França e na Holanda, v. Pierre Pidoux, Le Psautier huguenot du xvie siÍcle, Basileia, BSrenreiter, 1962, e Waldo Selden Pratt, The Music of the French Psalter of 1562, Nova Iorque, Columbia University Press, 1939.
O Bay Psalm Book foi publicado em edição fac-similada pela Chicago University Press, 1956; v. também Richard G. Appel, Music of the Bay Psalm Book, 9.a ed., Brooklyn, Institute for Studies in American Music, 1975.
As composições de Andrea e Giovanni estão incluídas nos dois primeiros volumes de Istitutioni e monumenti dell'arte musicale italiana, Milão, Ricordi, 1931-1941.
Leitura aprofundada
A obra de referÊncia sobre a música sacra luterana é Friedrich Blume, Protestant Church Music, Nova Iorque, Norton, 1974.
Sobre a música inglesa de fins do século xvi e princípio do século xvii, v. Peter LeHuray, Music and the Reformation in England, 1549-1660, Nova Iorque, Oxford University Press, 1967, e E. H. Fellowes, English Cathedral Music, 5.a ed. rev., J. A. Westrup, Londres, Methuem, 1969.
Sobre a música espanhola do período abrangido por este capítulo, v. Robert Stevenson, Spanish Cathedral Music in the Golden Age, Berkeley, University of California Press, 1961.
Sobre a música sacra italiana, v. Jerome Roche, North Italian Church Music in the Age of Monteverdi, Oxford, Clarendon Press, 1984.
Waldo S. Pratt, The Music of the Pilgrims, Boston, O. Ditson, 1921, inclui uma descrição do saltério de Ainsworth; v. também Irving Lowens, "The Bay Psalm Book in 17th-century New England", JAMS, 8, 1955, 22-29.
Os artigos de NG sobre Palestrina, Lasso, Byrd e Victoria foram editados, juntamente com uma bibliografia actualizada, sob o título The New Grove High Renaissance Masters, Nova Iorque, Norton, 1984.
Palestrina
A música de Palestrina é objecto de análise minuciosa na obra de Knud Jeppesen, The Style of Palestrina and the Dissonance, 2.a ed., trad. de Edward J. Dent, Londres, Oxford University Press, 1946, e em Quentin W. Quereau, "Aspects of Palestrina's parody procedure", JM, 1, 1982, 198-216. Sobre a lenda da Missa do Papa Marcelo, v. os estudos incluídos na edição da Norton Critical Score, ed. Lewis Lockwood, Nova Iorque,