RESUMO Títulos de Crédito (Direito Empresarial Esquematizado - André Luiz Santa Cruz Ramos) - Parte 1

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#Títulos de Crédito#Endosso#Aval#protesto#Direito-Comercial
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de câmbio, nota promissória, cheque, duplicata etc) circulam mediante endosso porque todos 

eles possuem implícita a cláusula “à ordem”. Somente quando for inserida,  expressamente, a 
cláusula “não à ordem” num título de crédito é que ele não poderá circular por endosso, e sim 
por cessão civil de crédito.

Notas de aula (22/08/2013)  → Endosso
É a forma pela qual se transfere o direito de receber o valor que consta no  

título de crédito através da tradição da própria cártula. Pode ser efetuado inúmeras 
vezes, garantindo a negociabilidade do título de crédito.

No endosso aparecem duas figuras ou sujeitos da obrigação: 0 endossante, que 
garante o pagamento do título, e o endossatário, que recebe a transferência dele.

• Efeitos (2):
a) transfere a titularidade do crédito;
b) responsabiliza o endossante, passando este a ser codevedor do título (se o devedor principal 
não pagar, o endossatário poderá cobrar do endossante).

O endosso, portanto, não transfere apenas o crédito, mas também a efetiva garantia do  
seu  pagamento.  Pode  o  endosso,  todavia,  conter  a  chamada  “cláusula  sem  garantia”,  que 
exonera expressamente o endossante de responsabilidade pela obrigação constante do título.

• Modo de realização (2):
Em  princípio,  o  endosso  deve  ser  feito  no  verso do  título,  bastando  para  isso  a 

assinatura do endossante. Caso o endosso seja feito no anverso da cártula, deverá conter, além 
da assinatura do endossante, a menção expressa de que se trata de endosso.
Art. 910. O endosso deve ser lançado pelo endossante no verso ou anverso do próprio título.
§ 1o Pode o endossante designar o endossatário, e para validade do endosso, dado no verso do 
título, é suficiente a simples assinatura do endossante.
§ 2o A transferência por endosso completa-se com a tradição do título.
§ 3o Considera-se não escrito o endosso cancelado, total ou parcialmente.

• Endosso parcial ou limitado:
A legislação cambiária específica veda o endosso parcial ou limitado a certo valor da 

dívida representada no título (art. 8º, § 3º, do Decreto nº 2.044/1908),  bem como do endosso 
subordinado a alguma condição (art. 12 da Lei Uniforme), caso em que esta será considerada 
não escrita.
Art.  912.  Considera-se  não  escrita  no  endosso  qualquer  condição  a  que  o  subordine  o 
endossante.
Parágrafo único. É nulo o endosso parcial.

• Limite de número de endossos:
Em princípio não há limite quanto ao número de endossos.

• Classificação:
a) Endosso em branco: não identifica o beneficiário (endossatário). O endossante simplesmente 



assina no verso do título, sem identificar a quem está endossando. Permite que o título circule  
ao portador, pela mera tradição da cártula. O beneficiário do endosso em branco poderá (art. 14  
da Lei Uniforme e art. 913 do Código Civil):

i) transformá-lo em endosso em preto, completando-o com o seu nome ou de terceiro;
ii) endossar novamente o título, em branco ou em preto (passando a integrar a cadeia de 

codevedores,  responsabilizando-se  pelo  adimplemento  da  obrigação  constante  do 
título); 

iii) transferir o título sem praticar novo endosso, pela mera tradição da cártula.
Art.  913. O  endossatário  de  endosso  em  branco  pode  mudá-lo  para  endosso  em  preto, 
completando-o com o seu nome ou de terceiro; pode endossar novamente o título, em branco  
ou em preto; ou pode transferi-lo sem novo endosso. 
b) Endosso em preto: identifica expressamente a quem está sendo transferida a titularidade do 
crédito (endossatário). Só poderá circular novamente mediante novo endosso, em branco ou em 
preto, assumindo a responsabilidade pelo adimplemento da dívida, uma vez que deverá praticar  
novo endosso.
c) Endosso impróprio: é chamado endosso impróprio aquele que não produz normalmente os 
dois efeitos acima mencionados. Tem a finalidade apenas de legitimar a   posse   de alguém sobre   
o título, permitindo-lhe, assim, o exercício dos direitos representados na cártula, sem transferir 
o crédito.

i) endosso-mandato ou endosso-procuração: previsto no art. 18 da Lei Uniforme e art. 
917 do Código Civil.

Art. 917. A cláusula constitutiva de mandato, lançada no endosso, confere ao endossatário o 
exercício dos direitos inerentes ao título, salvo restrição expressamente estatuída. 
§ 1o O endossatário de endosso-mandato só pode endossar novamente o título na qualidade de 
procurador, com os mesmos poderes que recebeu. 
§  2o Com a  morte  ou  a  superveniente  incapacidade  do  endossante,  não  perde  eficácia  o 
endosso-mandato. 
§ 3o Pode o devedor opor ao endossatário de endosso-mandato somente as exceções que tiver  
contra o endossante. 

Por  meio  dele,  o  endossante  confere  poderes  ao  endossatário,  para  agir  como seu 
legítimo representante, exercendo em nome daquele os direitos constantes no título, podendo 
cobrá-lo, protestá-lo, executá-lo etc.

Faz-se o endosso-mandato, segundo a Lei Uniforme, mediante a colocação junto ao 
endosso, das expressões “para cobrança”, “valor a cobrar”, ou “por procuração”.

ii) Endosso-caução ou endosso-pignoratício ou endosso-garantia: previsto no art. 19 da 
Lei Uniforme e art. 918 do Código Civil.

Art. 918. A cláusula constitutiva de penhor, lançada no endosso, confere ao endossatário o 
exercício dos direitos inerentes ao título. 
§ 1o O endossatário de endosso-penhor só pode endossar novamente o título na qualidade de 
procurador. 

§ 2o Não pode o devedor opor ao endossatário de endosso-penhor as exceções que tinha contra 
o endossante, salvo se aquele tiver agido de má-fé. 

Caracteriza-se por o endossante transmitir o título como forma de garantia de uma 
dívida contraída perante o endossatário. Nesse caso, o endosso-caução é feito com o uso das  
expressões “valor em garantia”, “valor em penhor” ou outra que implique uma caução. 

O endossatário  não assume a titularidade do crédito, ficando o título em sua posse 
apenas como forma de garantia da dívida que o endossante contraiu perante ele. Dessa forma, 
caso o endossante pague a dívida, resgata o título; mas se não pagar, o endossatário poderá 
executar a dívida, passando a possuir a titularidade plena do crédito.

Obs.: endosso póstumo ou tardio → segundo o art. 20 da Lei Uniforme, o endosso poderá ser 
dado  após  o  vencimento  do  título,  produzindo  os  efeitos  de  transferência  do  crédito  e  de 
responsabilização do endossante normalmente. No entanto, o endosso posterior ao protesto por 
falta de pagamento, ou feito depois de expirado o prazo fixado para se fazer o protesto, produz 
apenas os efeitos de uma cessão civil de crédito.

Todavia, o mesmo art. 20 da Lei Uniforme estabelece a presunção de que o endosso 
sem data foi feito antes do prazo para a realização do protesto.

• Endosso x cessão civil de crédito

ENDOSSO CESSÃO CIVIL DE CRÉDITO

Ato formal que transfere os títulos à ordem. Ato  formal  que  opera  a  transferência  dos títulos não à ordem.

Submete-se às regras e princípios do  regime 
jurídico cambial. Submete-se ao regime jurídico civil.

Ato unilateral feito no próprio título (princípio 
da literalidade).

Negócio  bilateral,  formalizado  por  meio  de 
contrato ou instrumento à parte.

Acarreta a responsabilização do endossante, o 
qual  passa  a  ser  codevedor  da  dívida 
representada no título.

O cedente não assume responsabilidade pelo 
adimplemento  da  obrigação,  respondendo 
somente pela existência do crédido cedido.

Para se defender, o devedor não poderá arguir 
matérias atinentes à sua relação jurídica com o 
endossatário  (subprincípios  da  autonomia  e 
inoponibilidade  das  exceções  pessoais  aos 
terceiros de boa-fé).

O  devedor  pode  opor  contra  o  cessionário 
qualquer exceção pessoal  que tenha contra o 
cedente (art. 294, CC).



2. AVAL
 Ato cambiário pelo qual um terceiro (o avalista) se responsabiliza pelo pagamento da 

obrigação
Naiara Ferreira fez um comentário
  • Ótimo, me ajudou muito.
    • 0 aprovações
    Monique Rodrigues fez um comentário
  • Muito bom! Bem explicado e fácil de entender
    • 1 aprovações
    Carol Miranda fez um comentário
  • Tem a parte 2??
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    Ricardo Leão fez um comentário
  • Excelente resumo!!!
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