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Hipercapnia: É o aumento da concentração do CO2 no sangue arterial, considerando que os valores normais da PaCO2 estão em torno de 35 a 45 mmhg e valores abaixo dos níveis normais pode causar hipocapnia causando a depressão do centro respiratório (alcalose respiratória); e valores acima do normal pode causar hiperexcitabilidade do centro respiratório (acidose respiratória), pelo acúmulo de CO2.
Obs: A hipercapnia permissiva é usada como estratégia ventilatória na SARA, com o objetivo de aumentar o tempo inspiratório promovendo a hiperinsuflção causando a retenção de CO2 podendo-se permitir até o patamar de 120mmhg.
	
 
Complicações da hipercapnia:
Vasodilatação encefálica (edema cerebral)
Hipertensão endocraniana
Sonolência
Torpor
Coma
Vasoconstrição periférica e aumento do débito cardíaco
Aumento da pressão arterial
Aumento da pressão arterial pulmonar
Sudorese
Aumento das secreções gástricas e pulmonares
Tratamento:
Desobstrução Brônquica
Ventilação Mecânica
Fisioterapia Respiratória
Toxicidade do oxigênio
 
O dano causado pela oxigenoterapia resulta na oxidação de pontes de sulfidrilas, peroxidação de pontes duplas de lipídios e degradação de neurotransmissores no cérebro. Mesmo que a administração de oxigênio a 100% não seja acompanhada de manifestação clínica pulmonar aparente, não significa que não estejam ocorrendo lesões tóxicas. A oxigenoterapia a 100% por 3horas ou mais, diminui a depuração produzida pelo movimento mucociliar.
A oxigenoterapia em concentrações iguais ou inferiores a 40% por tempo prolongado (30 dias ou mais) não se acompanha de lesão pulmonar clinicamente aparente.Quando se usa FiO2 acima de 70% e por tempo superior a 48 – 72 horas, ocorrem lesões pulmonares observadas a anatomopatologia mais mesmo antes deste período já existe lesão à microscopia eletrônica.
Obs: O oxigênio passa a ser tóxico com FiO2 a partir de 60% pelo consenso de terapia intensiva (AMIB).
Efeitos tóxicos da oxigenoterapia
 	
Pulmão:
Diminuição da complacência pulmonar e da capacidade vital
Atelectasia
Traqueobronquite
Pulmão de choque (SARA)
No SNC:
Convulsões (com FiO2 100% durante horas e em uso hiperbárico)
Vasoconstrição arteriolar cerebral
Vasoconstrição arteriolar retiniana
Outras complicações:
Vasodilatação conjuntival (conjuntivite)
Carbonarcose
Otalgia e dor nos seios da face
Hemólise
Renal (retenção hídrica)
 
Tabela de FiO2 na Oxigenoterapia por Cateter Nasal
	Fluxo em l por min
	FiO2 média (%)
	FiO2 esperada (%)
	1
	21 a 24
	24
	2
	23 a 28
	28
	3
	27 a 34
	32
	4
	31 a 37
	36
	5 – 6
	32 a 44
	40 a 44
	> 8
	40 a 60
	> 48
A administração de oxigênio em concentrações mais altas é possível com o uso de máscaras e tendas. Com máscaras abertas a FiO2 pode-se alcançar entre 50 e 60 % e as máscaras com reservatório, quando bem ajustadas, podem chegar a valores altos de oxigênio como FiO2 de 70%. Máscaras que utilizam sistema Venturi, isto é, um alto fluxo gasoso com enriquecimento de oxigênio, e que são providas de anéis que permitem juntamente com o controle do fluxo de oxigênio, administrar FiO2 de 24, 2 8, 35 ou 40 %.
	
Em pacientes portadores de Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas com insuficiência respiratória crônica agudizada, geralmente por infecção broncopulmonar e insuficiência cardíaca, nos obesos e nos previamente hipercápnicos, a administração de oxigênio deve ser realizada com fluxos de 1 a 2 Litros por minuto, e acompanhando-se o estado mental do paciente. Em presença de depressão mental é importante determinar nova gasometria arterial para verificar se houve elevação da PaCO2 e confirmar o diagnóstico de carbonarcose. Nestes pacientes e em casos mais graves indica-se a prótese ventilatória.
Insuficiência Respiratória
Definição: É a incapacidade dos pulmões realizarem as trocas gasosas para suprir as necessidades orgânicas metabólicas, a partir de uma história clínica patológica de uma PaCO2 > 50 mmhg e uma PaO2 < 60 mmhg. A doença pode ser ou não primariamente dos pulmões. É possível que um paciente portador de pneumopatia crônica e tendo concentrações normais no sangue de oxigênio e gás carbônico, sob condições que este novo acréscimo da demanda, como é freqüente em portadores de pneumopatias obstrutiva crônica quando submetidos a atos cirúrgicos. 
Arbitrariamente o reconhecimento da insuficiência respiratória aguda é definida e baseada nas alterações da gasometria arterial, instaladas agudamente, quando a pressão arterial parcial de oxigênio for igual ou inferior a 60 mmhg e a pressão arterial parcial de gás carbônico for igual ou superior a 50 mmhg.
OBS: Não há aceitação unânime destes critérios e podem ser aceitos valores acima ou abaixo destes parâmetros.
Diagnóstico da Insuficiência Respiratória
•Critérios clínicos: Hipoxemia e Hipercapnia, critérios laboratoriais, aumento do trabalho respiratório, sudorese, taquipnéia, batimento de asa de nariz e respiração paradoxal. 
 
 Etiologia da Insuficiência Respiratória
LESÕES DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC)
•Traumatismo Crânio Encefálico
•Acidente Vascular Cerebral (isquêmico e hemorrágico)
•Infecções: Meningo-encefalites, abscessos
•Intoxicações exógenas: opiáceos, barbitúricos, diazepínicos
•Hipertensão Endocraniana
•Tumores Benignos e Malignos
•Doenças Degenerativas: esclerose em placas
LESÕES RAQUIMEDULARES
•Traumatismo Raquimedular (principalmente quando ao nível de C3, em virtude de serem acima da saída das raízes dos nervos frênicos)
•Infecções: viroses, bacterioses, mielite transversa, poliomielite.
•Tumores Benignos e Malignos
•Doenças Degenerativas	
LESÕES NEURO-MUSCULARES
•Miopatias Degenerativas
•Miastenia Gravis
•S. Guillain Barré
•Botulismo, Tétano
•Intoxicação por organofosforados
•Curarização
LESÕES DA PAREDE TORÁCICA (NÃO NEURO-MUSCULARES)
•Malformações da caixa torácica (Cifoescoliose)
•Fraturas de múltiplas costelas, fratura esternal
•Pneumotórax
•Hidrotórax
•Hemotórax
OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS
•Traumatismo facial (com lesão nasal e oral) e do pescoço
•Tumores benignos e malignos: da faringe, da laringe e da traquéia
•Edema de laringe (infecções, trauma, edema de Quincke), laringo-espasmo
•Fibrose e estenose traqueal ou laríngea pós intubação
•Compressão extrínseca da laringe e da traquéia
•Secreções retidas ou aspiradas
•Aspiração de corpo estranho
•Bronquite aguda e crônica, enfisema pulmonar
•Asma severa	
•Bronquiolite
LESÕES DO PARÊNQUIMA PULMONAR
 
•Qualquer doença com acometimento extenso dos pulmões
•Ressecções pulmonares
•Atelectasias
•Edema cardiogênico e não cardiogênico
•Inalação de gases e líquidos tóxicos
•Aspiração de vômitos
•Síndrome da membrana hialina
•SARA
•Pneumonias virais e bacterianas
•Fibroses intersticiais difusas (primárias e secundárias)
•Enfisema pulmonar
LESÕES DA VASCULARIZAÇÃO PULMONAR
•Doenças embólicas (coágulos, líquido amniótico, gordura...)
•Hipertensão pulmonar idiopática e secundária (Esquistossomose, pneumopatias extensas, vasculites...)
Classificação:
Aguda, Crônica e Crônica Agudizada.
Aguda: É aquela em que a forma de instalação ocorre nas primeiras 24 horas por uma patologia aguda ou por depressão do centro respiratório.
Exemplo: Sedação, TRM, Pós-operatório imediato, Sara, etc.
Crônica: Ocorre quando já existe uma doença de base que se caracteriza pelo aumento do trabalho respiratório e distúrbio de troca gasosa
Exemplo: DBPOC e Enfisema Pulmonar Avançado
Crônica Agudizada: O ocorre quando a doença pré-existente evolui com uma patologia de acometimento agudo (Pneumonia e Broncoespasmo)
Forma de Apresentação
Sem Fadiga ou tipo I (com diminuição da PaO2 sem alteração da PaCO2)
Com Fadiga