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A previdência social brasileira, nos regimes básicos, não tem a natureza 
contratual, uma vez que é excluída por completo a vontade do segurado. Muito 
pelo contrário. A natureza dos regimes básicos é institucional ou estatutária, já 
que o Estado, por meio de lei, utiliza-se do seu Poder de Império e cria a figura 
da vinculação automática ao sistema previdenciário, independente da vontade 
do beneficiário. 
Vamos visualizar isso em um caso prático. Imaginemos uma pessoa física 
que passa a exercer uma atividade remunerada por conta própria, por exemplo, 
um vendedor de porta em porta. 
A partir do momento em que essa pessoa passa a exercer a atividade 
remunerada, decorre a sua filiação. Ou seja, cria-se o vínculo jurídico entre a 
pessoa física e o Regime Geral de Previdência Social. Já que foi criado o vínculo 
jurídico, essa pessoa passa a ter direitos e passa a ter obrigações. Como o nosso 
regime é contributivo, a pessoa tem que passar a contribuir para o regime. 
Digamos que essa pessoa não queira? O que ela pode fazer? Resposta: 
nada!!! Como dito anteriormente, os regimes básicos de previdência social não 
possuem a natureza contratual, mas sim institucional ou estatutária. Portanto, 
essa pessoa não poderá se eximir da obrigação de contribuir para o regime. 
Nesse momento, vimos, portanto, apenas o art. 201, caput e seus incisos 
(objetivos da previdência social). Como o tema previdência social será foco de 
todo o nosso curso, não esgotaremos maiores detalhes acerca dos parágrafos 
previstos no art. 201 da CF/88, pois cada parágrafo será abordado no momento 
oportuno. 
 (Técnico do Seguro Social – INSS – 2012 – FCC) No 
tocante à Previdência Social, é correto afirmar que 
a) é organizada sob a forma de regime geral e observa critérios que preservem 
o equilíbrio financeiro 
b) é descentralizada, de caráter facultativo 
c) tem caráter complementar e autônomo 
A Previdência Social tem 
como características básicas
Organização 
estatal
Coletivo
Filiação 
compulsória
Contributivo
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d) baseia-se na constituição de reservas que garantam o benefício contratado 
e) é contributiva, de caráter obrigatório 
Comentários: 
Alternativa A - CERTA. Conforme determina o caput do art. 201 da CF/88, a 
previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter 
contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o 
equilíbrio financeiro e atuarial. 
Alternativa B - ERRADA. A previdência social é organizada na forma de regime 
geral, sendo um sistema de filiação obrigatória. A natureza jurídica da 
previdência social é institucional ou estatutária, já que o Estado, por meio de 
lei, utiliza-se de seu Poder de Império e cria a figura da vinculação automática 
ao sistema previdenciário, independente da vontade do beneficiário. A filiação é 
a criação do vínculo jurídico entre a previdência social brasileira e a pessoa 
física, de onde decorrem direitos e obrigações. Caso a pessoa exerça uma 
atividade remunerada, estará filiada automaticamente ao regime geral de 
previdência, tendo em vista que a filiação é obrigatória, independentemente da 
vontade do beneficiário. 
Alternativa C - ERRADA. O caráter complementar e autônomo se aplica a 
previdência complementar e não ao regime geral de previdência social. 
Alternativa D - ERRADA. A constituição de reservas que garantam o benefício 
contratado se aplica a previdência complementar e não ao regime geral de 
previdência social. 
Alternativa E - ERRADA. A previdência social tem o caráter contributivo e a 
filiação obrigatória. 
 
 
Os princípios específicos da Seguridade Social estão elencados no art. 194 
da CF/88. Além destes princípios, se aplicam à Seguridade Social alguns 
princípios gerais, como, por exemplo, os princípios da igualdade, legalidade e 
do direito adquirido. 
Dessa forma, serão abordados os princípios constitucionais específicos do 
sistema securitário brasileiro. 
Conforme preceitua o art. 194, § único da CF/88: “cabe ao Poder Público, 
organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos:...”. 
Percebam que a CF/88 menciona “objetivos”, ao invés de “princípios”. 
Apesar disso, estamos diante de verdadeiros princípios, tendo em vista que 
estudaremos regras que norteiam o funcionamento do sistema securitário e não 
objetivos a serem atingidos. 
3- Princípios Constitucionais da Seguridade Social 
 
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Para fins de prova, levem como se ambas as palavras (objetivos e 
princípios) fossem sinônimos. 
 
 
3.1 – Solidariedade 
O mais importante princípio norteador do sistema securitário brasileiro é 
a solidariedade, elencado no art. 3º, I da CF/88, que assim dispõe: 
“Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do 
Brasil: 
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;” 
O citado princípio busca reduzir as desigualdades sociais, permitindo que 
alguns contribuam para o sistema, para que outros, sem condições financeiras, 
estejam cobertos pela seguridade social. 
A solidariedade seria, portanto, uma pessoa contribuindo para o sistema, 
mas não apenas visando o seu próprio direito, mas sim visando o bem comum, 
ou seja, o direito dos demais. 
A pergunta que todos devem estar fazendo é a seguinte: quando nós 
estamos contribuindo para a seguridade social, não estamos contribuindo para 
nós mesmos, mas sim para ajudar a manter toda a rede protetiva? Resposta: 
sem dúvida!!! 
O Regime Geral de Previdência Social é um regime de repartição simples 
e não de capitalização. Não existe uma conta contábil na contabilidade do RGPS 
com o nome de cada beneficiário vinculando mensalmente a sua contribuição. 
Princípios 
Constitucionais
da Seguridade 
Social
Solidariedade
Universalidade do Cobertura e do Atendimento
Uniformidade e Equivalência dos Benefícios e Serviços às 
Populações Urbanas e Rurais
Seletividade e Distributividade na Prestação dos Benefícios 
e Serviços
Irredutibilidade do Valor dos Benefícios
Equidade na Forma de Participação no Custeio
Diversidade da Base de Financiamento
Caráter Democrático e Descentralizado da Administração, 
mediante Gestão Quadripartite
Preexistência do Custeio em Relação ao Benefício ou Serviço
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O que existe é que a contribuição que está sendo versada para o sistema hoje 
está sendo utilizada para pagamento dos beneficiários de hoje. 
É com base nesse princípio que uma pessoa que se aposente pelo RGPS 
e retorne a atividade é obrigado a contribuir para o sistema securitário, mesmo 
que as contribuições versadas não retornem para ele. De qualquer forma, a 
citada pessoa estará ajudando a manter toda a rede protetiva. 
Ademais, é este princípio que permite que uma pessoa se aposente por 
invalidez, sem ter qualquer contribuição versada para o sistema. 
Imaginemos, portanto, Maria, segurada empregada do RGPS, com 
apenas 21 anos de idade. Quando Maria versa as suas contribuições para o 
RGPS, está ajudando a manter toda a rede protetiva hoje. Assim, João, também 
segurado empregado do RGPS, colega de trabalho de Maria, infelizmente, se 
acidenta no 3º dia de trabalho, ficando

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