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Aula-00-Dir-Previ-TEC-INSS-Ordem-Social-Seguridade-Social-v9

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incapacitado de forma permanente para 
o seu trabalho e insuscetível de exercer outra atividade que lhe garanta a 
subsistência. João, conseguirá se aposentar por invalidez sem ter versado 
nenhuma contribuição para o sistema, tendo em vista que o RGPS é de 
repartição simples, sendo a solidariedade classificada como intergeracional e 
intrageracional. 
Intergeracional, pois as contribuições versadas por uma geração visa 
ajudar a manter os benefícios de outras gerações, assim como, intrageracional, 
pois as contribuições versadas por uma geração visa ajudar a sua própria 
geração, como é o caso de Maria, ajudando a manter o benefício de João. 
 
 
3.2 – Universalidade da Cobertura e do Atendimento 
O princípio da universalidade da cobertura e do atendimento está 
elencado no art. 194, § único, I da CF/88. 
Para entendermos melhor esse princípio vamos estudá-lo em duas 
partes: a universalidade da cobertura e a universalidade do atendimento. 
A universalidade da cobertura seria o aspecto objetivo do princípio, ou 
seja, a seguridade social visa alcançar todos os riscos sociais que possam levar 
uma pessoa a uma condição de necessidade. 
Tal princípio não é tão simples de ser atingido, tendo em vista estar 
atrelado a outros princípios, como, por exemplo, o princípio da Reserva do 
Possível (possibilidade de garantir direitos sociais dentro de possibilidades 
Solidariedade 
Intergeracional
Entre pessoas de 
gerações distintas
Solidariedade 
Intrageracional
Entre pessoas da 
mesma geração
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orçamentárias) e o princípio da preexistência do custeio em relação ao benefício 
ou ao serviço, o qual estudaremos mais a frente. 
Assim, o sistema securitário alcança os riscos sociais prementes 
(urgentes) que possam levar a pessoa à condição de necessitada, tendo em 
vista estar amarrado a questões orçamentárias. 
Já a universalidade do atendimento atingiria o aspecto subjetivo do 
princípio, ou seja, todos têm que ter acesso à seguridade social, seja nacional 
ou estrangeiro. 
Para a área de saúde, vimos que qualquer pessoa tem acesso, 
independente de contribuição. Em relação à assistência social, a regra é a 
mesma, basta que a pessoa se enquadre na condição de necessitada, ou seja, 
desde que a pessoa não tenha condição de se manter ou de ser mantida por 
sua família. Entretanto, quanto à previdência social, a pessoa deve contribuir 
para o sistema (sistema contributivo). 
Pergunta: se a pessoa exerce uma atividade remunerada, estará filiada 
ao RGPS (filiação obrigatória). Entretanto, e se a pessoa não exercer atividade 
remunerada que a enquadre como segurado obrigatório? Como ter o amparo do 
RGPS? 
Para atender ao princípio da universalidade do atendimento, foi criada a 
figura do segurado facultativo. O segurado facultativo nada mais é do que a 
pessoa acima dos 16 anos de idade que não exerce uma atividade remunerada 
que a enquadre como segurado obrigatório do RGPS. Para ter o amparo do 
RGPS, basta essa pessoa contribuir para o regime, como é o caso de uma dona 
de casa, de um estudante... 
Assim, todos passam a ter o acesso ao sistema securitário, seja no caso 
da saúde, assistência social e previdência social. 
 
 
3.3 – Uniformidade e Equivalência dos Benefícios e Serviços às 
Populações Urbanas e Rurais 
O princípio da uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às 
populações urbanas e rurais está elencado no art. 194, § único, II da CF/88. 
Universalidade da 
Cobertura
Aspecto 
Objetivo
O Quê?
Universalidade do 
Atendimento
Aspecto 
Subjetivo
Quem?
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Vamos estudar esse princípio como o anterior, ou seja, em duas partes: 
primeiro a uniformidade e depois a equivalência. 
A uniformidade seria a igualdade quanto ao aspecto objetivo, ou 
seja, nos eventos a serem cobertos. Não existem planos previdenciários 
diferenciados para as populações urbanas e rurais. 
A equivalência se refere ao valor pecuniário ou qualidade da prestação. 
Não quer dizer que os valores têm que ser idênticos. Quer dizer que, se as 
pessoas estiverem na mesma condição, não poderá ter diferenciação. Temos 
como exemplo o salário-família. Vamos imaginar que tenhamos um segurado 
empregado da área urbana e um da área rural onde ambos recebam R$ 900,00 
por mês. Ambos possuem um filho. Nessa condição cada qual fará jus a uma 
cota do salário-família no valor de R$ 26,20. Não pode haver diferenciação, visto 
que ambos estão na mesma condição. 
De qualquer forma, algumas distinções no custeio e nos benefícios entre 
urbanos e rurais são possíveis, desde que sejam justificáveis perante a isonomia 
material, e igualmente razoáveis, sem nenhuma espécie de privilégio para 
qualquer dos lados. 
O entendimento da igualdade material deve ser o de tratamento 
equânime e uniformizado de todos, bem como a sua equiparação no que diz 
respeito à possibilidade de concessão de oportunidades. Portanto, de acordo 
com esse entendimento, as oportunidades devem ser oferecidas de forma 
igualitária para todos os beneficiários. 
É o caso do segurado especial. O segurado especial é uma das 
espécies de segurado obrigatório do RGPS. Obrigatório, pois exerce 
atividade que o vincula automaticamente ao RGPS (filiação obrigatória). 
O segurado especial é o que nós chamamos de uma figura sui generis, ou 
seja, única no seu gênero. 
Tamanha diferença desse segurado obrigatório para os demais segurados 
obrigatórios é que o nosso poder constituinte resolveu defini-lo na própria 
Constituição Federal, além de determinar a forma de contribuição para o 
sistema. 
Determina a CF/88 que o segurado especial é o produtor, o parceiro, o 
meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos 
cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem 
empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a 
aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e 
farão jus aos benefícios nos termos da lei. 
Apesar de nós estudarmos os segurados especiais apenas nas nossas 
próximas aulas, alguns esclarecimentos são necessários. 
O segurado especial não é apenas o produtor, mas também cônjuge e 
filhos a partir dos 16 anos que trabalhem com o grupo familiar respectivo. 
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O grupo familiar trabalha em regime de economia familiar, ou seja, para 
a subsistência do grupo, tendo uma condição de mútua dependência e 
colaboração. 
Esse grupo familiar apenas contribui quando eles comercializam a 
produção rural. Pergunta: e se nunca comercializarem a produção rural? Quando 
irão contribuir? Resposta: nunca!!! E como fica o benefício no futuro, tendo em 
vista que o sistema é contributivo? Resposta: receberão os benefícios nos 
termos da lei. Ou seja, poderão se aposentar por idade, por exemplo, recebendo 
o valor de 1 salário mínimo. 
Percebam, portanto, que o segurado especial é uma exceção ao princípio 
da uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas 
e rurais. Entretanto, é completamente justificável e razoável a exceção, tendo 
em vista que trabalham para sobreviver. 
 
3.4 - Seletividade

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