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26 G2 - Terceirização em Logística

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TERCEIRIZAÇÃO EM LOGÍSTICA 
Alexandre da Silva Paim1 
1 - Conceitos Básicos 
Terceirização é “[..] uma associação entre uma empresa principal e uma outra (a terceira) de modo que 
aquela possa delegar a esta atividades ou processos que, embora importantes, possam ser realizados de 
forma mais eficiente por esta (especialista)” (DIAS, 1998). Este mesmo autor afirma que a terceirização 
é uma filosofia de gestão que procura direcionar toda a atenção da empresa terceirizadora para seu 
produto ou negócio (sua atividade principal ou core business). 
A quarteirização ocorre quando o gerenciamento dos terceiros passa para uma quarta empresa. 
Este gerenciamento engloba todas as atividades, serviços e fornecimentos de uma empresa que podem 
ser terceirizados. Neste processo a quarteirizadora pode fazer uso de parceiros especializados que atuam 
nos diversos setores envolvidos no processo, além de, é claro, sua própria equipe e banco de dados 
(DIAS, 1998). 
2 - O processo de terceirização 
Fleury (2004) recomenda um procedimento estruturado ao entrar no processo de terceirização: 
a) que se deseja ganhar com a contratação? 
b) Que características deve ter o terceiro? 
c) Que instrumentos gerenciais devem ser estabelecidos? 
d) Como avaliar os resultados / sucesso da operação terceirizada? 
Já Luna (2006) propõe m modelo um pouco mais detalhado baseado nas seguintes perguntas: 
a) Por que terceirizar e quais atividades são objetos de terceirização? 
b) Como avaliar se a empresa deve terceirizar? 
c) Que prestadores de serviços logísticos a empresa deve considerar na sua análise? 
d) Qual prestador de serviço é mais adequado? 
e) Quais ferramentas de controle utilizar? 
f) Como administrar a parceria ? 
g) Quando considerar a possibilidade de reintegrar as atividades? 	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
  	
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  Mestre em Ciências Empresariais, consultor e professor adjunto da Universidade Luterana do Brasil - 
ULBRA.	
  
Com relação à escolha do parceiro terceiro Novaes (2001) apresenta pontos que devem ser considerados 
antes de decidir : 
a) Compatibilidade entre o sistema de informação do terceiro e o da empresa contratante; 
b) Capacidade do terceiro em atender a demanda do contratante no que se refere a variedade de 
serviços e disponibilidade e capacitação de pessoal e ativos; 
c) Flexibilidade por parte do terceiro, permitindo que as soluções mais adequadas às necessidades 
da empresa contratante sejam propostas e implementadas; 
d) Referências de outros clientes; 
e) Reputação da empresa a ser contratada (afeta a imagem da contratante); 
f) Estabilidade/saúde financeira da empresa a ser contratada; 
g) Experiência no setor; 
h) Compatibilidade de culturas das duas empresas; 
i) Facilidade de comunicação entre as empresas; 
j) Localização geográfica; 
k) Preços dos serviços oferecidos. 
3 - A evolução dos prestadores de serviços logísticos 
Inicialmente, existiam apenas os prestadores de serviços logísticos tradicionais, que executavam uma 
única atividade logística: transporte ou armazenagem, por exemplo. 
A globalização, a internet e a disseminação do conceito de Supply Chain Management, com consequente 
aumento da competitividade, fizeram com que as empresas procurassem cada vez mais focar em seu 
negócio de modo a atingir seus objetivos estratégicos. Isto levou o mercado logístico a exigir dos 
prestadores de serviços logísticos tradicionais que passassem a ofertar um número maior de serviços 
logísticos de forma coordenada para atender às novas necessidades. Isto levou ao surgimento de 
provedores de serviços logísticos com abrangência de atuação cada vez maior como os operadores 
logísticos (Third-Party Logistics ou 3PL), os brokers logísticos e os integradores logísticos (Fourth-
Party Logistics ou 4PL). 
Inicialmente a terceirização (outsourcing, em inglês) das atividades logísticas esteve associada à 
redução de custos. Entretanto, como a atual competição tende a ser estruturada através da cadeia de 
suprimento, percebe-se um enfoque mais amplo na relação entre as partes, convergindo, cada vez mais, 
para outros objetivos estratégicos, como ampliação de mercado, melhoria no nível de serviço e na 
flexibilidade, para melhor atender as preferências do consumidor (SKJOETT-LARSEN, 2000). 
A seguir abordaremos quatro tipos de prestadores de serviço que surgiram recentemente em 
consequência, principalmente, da globalização, da internet e da disseminação do conceito de Supply 
Chain Management: o operador logístico (3PL), o broker logístico, o integrador logístico (4PL) e o 
operador de transporte multimodal (OTM). 
4 - Operador Logístico (Third-Party Logistics – 3PL) 
O termo Third-Party Logistics (3PL), segundo Gardner (apud Fleury 2001), começou a ser utilizado na 
década de 80 como sinônimo de “subcontratação de elementos do processo logístico”. Naquele período, 
foi ficando mais frequente a execução de duas ou mais atividades logísticas serem executadas de forma 
coordenada, levando autores como Sink (1997) e Berglund (1999) entre outros, a associar a expressão 
3PL a empresas com capacidade de fornecer mais de um tipo de serviço logístico de forma integrada. 
A Associação Brasileira de Movimentação e Logística (ABML) definiu, em 1999, operador logístico 
como sendo o: 
[...] fornecedor de serviços logísticos, especializado em gerenciar e executar 
todas ou parte das atividades logísticas nas várias fases da cadeia de 
abastecimento dos seus clientes, agregando valor ao produto dos mesmos, e que 
tenha competência para, no mínimo, prestar simultaneamente serviços nas três 
atividades básicas de controle de estoques, armazenagem e gestão de transportes. 
Os demais serviços que por ventura sejam oferecidos funcionam como 
diferenciais de cada operador (FLEURY; WANKE: FIGUEIREDO, 2006). 
O operador logístico se diferencia do simples prestador de serviços logísticos, pelo fato que ele oferece 
uma gama maior de atividades logísticas que são conduzidas de forma coordenada. Os prestadores de 
serviços logísticos tradicionais (PSLs) só executam enquanto que os 3PLs, além de executar, gerenciam 
as atividades. Estes normalmente fazem também atividades de análise ou de projeto e os contratos de 
serviço em geral devem durar mais de um ano. 
Os operadores logísticos desenvolvem uma ampla gama de serviços logísticos que incluem o transporte, 
a armazenagem, o gerenciamento de estoques, atividades relacionadas à informação como tracking e 
tracing, atividades que agregam valor como a montagem e instalação de produtos, só para citar as 
usuais. Lieb (1996 apud FLEURY e RIBEIRO, 2001) cita 13 tipos de serviços como sendo os mais 
comumente executados pelos 3PLs: gerenciamento de armazém, consolidação de carga, sistemas de 
informação, operação ou gerenciamento de frota, negociação de frete, seleção de transportadora, 
emissão de pedido, importação/exportação, retorno de produtos, processamento de pedido, montagem 
ou instalação de produtos, desconsolidação de produtos para clientes e reposição de estoque. 
Os 3PL podem ser classificados com base em cinco dimensões básicas: serviços oferecidos, escopo 
geográfico de atuação, tipos de indústrias que atendem, infraestrutura disponível (propriedade de ativos) 
e atividade de origem (SINK apud FLEURY e RIBEIRO, 2001). 
Africk e Calkins (1994) classificam os operadores logísticos em: baseados em ativos, baseados em 
informação e gestão e híbridos. Os operadores baseados em ativos se caracterizam por possuírem

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