MANUAL-DE-DIREITO-ADMINISTRATIVO-3---Ed-2013-

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d) Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs): o art. 58, § 3º, da Constituição
Federal autoriza a instauração, mediante requerimento de um terço dos membros da
Câmara dos Deputados ou do Senado, em conjunto ou separadamente, de comissão
parlamentar de inquérito com poderes de investigação próprios de autoridades judiciais
para apuração de fato determinado.
2.6.3.7 Lei de Improbidade Administrativa

Importante progresso na proteção da moralidade administrativa foi alcançado com a
promulgação da Lei de Improbidade Administrativa – Lei n. 8.429/92, que trata das
sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício
de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou
fundacional.

A Lei n. 8.429/92 deu contornos concretos às exigências impostas pelo princípio da
moralidade. Seu estudo detalhado será feito no capítulo sobre agentes públicos.
2.6.4 Princípio da publicidade

O princípio da publicidade pode ser definido como o dever de divulgação oficial dos
atos administrativos (art. 2º, parágrafo único, V, da Lei n. 9.784/99). Tal princípio
encarta-se num contexto geral de livre acesso dos indivíduos a informações de seu
interesse e de transparência na atuação administrativa, como se pode deduzir do
conteúdo de diversas normas constitucionais, a saber:

Vinculando publicidade com moralidade, a prova de Auditor do Tesouro elaborada pela Esaf considerou CORRETA a afirmação: “O
princípio da publicidade visa a dar transparência aos atos da administração pública e contribuir para a concretização do princípio da
moralidade administrativa”.

a) art. 5º, XXXIII: “todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de
seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no
prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja
imprescindível à segurança da sociedade e do Estado”;

b) art. 5º, XXXIV: “são a todos assegurados, independentemente do pagamento
de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra
ilegalidade ou abuso de poder; b) a obtenção de certidões em repartições públicas,
para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal”;

c) art. 5º, LXXII: “conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento
de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos
de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de
dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo”. A
impetração de habeas data é cabível quando a informação for relativa ao próprio
impetrante. Fora dessa hipótese a obtenção de informação sonegada pelo Estado pode
ser viabilizada pela utilização de mandado de segurança individual e mandado de
segurança coletivo.

Como os agentes públicos atuam na defesa dos interesses da coletividade, a



proibição de condutas sigilosas e atos secretos é um corolário da natureza
funcional de suas atividades.

Ao dever estatal de garantir a publicidade de seus atos, corresponde o direito do
administrado de ter ciência da tramitação de processos administrativos em que tenha a
condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópia de documentos neles contidos
e conhecer as decisões proferidas (art. 3º, II, da Lei n. 9.784/99).
2.6.4.1 Transparência, divulgação oficial e publicação

Resumindo as considerações anteriores, é possível concluir que o princípio da
publicidade engloba dois subprincípios do Direito Administrativo:

a) princípio da transparência: abriga o dever de prestar informações de interesse
dos cidadãos e de não praticar condutas sigilosas;

b) princípio da divulgação oficial: exige a publicação do conteúdo dos atos
praticados atentando-se para o meio de publicidade definido pelo ordenamento ou
consagrado pela prática administrativa.

Recente decisão do STF considerou que não se considera atendida a obrigação de
publicidade com a simples divulgação do ato administrativo no programa A Voz do
Brasil.

A prova de Delegado Federal/2004 elaborada pelo Cespe considerou ERRADA a afirmação: “A veiculação do ato praticado pela
administração pública na Voz do Brasil, programa de âmbito nacional, dedicado a divulgar fatos e ações ocorridos ou praticados no
âmbito dos três poderes da União, é suficiente para ter-se como atendido o princípio da publicidade”.

2.6.4.2 Objetivos da publicidade
A publicidade dos atos administrativos constitui medida voltada ao cumprimento das

seguintes finalidades:
a ) exteriorizar a vontade da Administração Pública divulgando seu conteúdo para

conhecimento público;
A prova de Assistente Jurídico do DF/Cespe considerou CORRETA a afirmação: “O princípio da publicidade relaciona-se à divulgação
oficial do ato para conhecimento público”.

b) tornar exigível o conteúdo do ato;
c) desencadear a produção de efeitos do ato administrativo;
d) permitir o controle de legalidade do comportamento.

2.6.4.3 Formas de publicidade
O modo de dar-se a publicidade varia conforme o tipo de ato. No caso dos atos

individuais, que são dirigidos a destinatário certo, ou mesmo para atos internos, a
publicidade é garantida pela simples comunicação do interessado. Exemplo:
autorização para o servidor sair mais cedo.

A prova de Auditor Fiscal do TCU feita pela Esaf considerou ERRADA a afirmação: “O princípio da publicidade impõe a publicação, em
jornais oficiais, de todos os atos da Administração”.

Quanto aos atos gerais, isto é, dirigidos a destinatários indeterminados, a publicidade
depende de publicação no Diário Oficial. Exemplo: edital convocatório para concurso
público.

A prova de Agente de Inteligência da Abin/Cespe considerou ERRADA a seguinte assertiva: “Com base no princípio da publicidade, os
atos internos da administração pública devem ser publicados no Diário Oficial”.



Também exigem publicação no Diário Oficial os atos individuais de efeitos
coletivos, que são aqueles do interesse imediato de um indivíduo, mas com
repercussão para um grupo de pessoas. Exemplo: deferimento de férias de servidor
(implica a redistribuição de tarefas a todos na repartição).
2.6.4.4 Natureza jurídica da publicação dos atos gerais

A doutrina discute a natureza jurídica do dever de publicação dos atos administrativos
gerais. A corrente majoritária (Hely Lopes Meirelles) sustenta ser condição de
eficácia do ato. Assim, por exemplo, se o governador assina decreto e deixa de enviá-lo
para publicação no Diário Oficial, o ato já existe, embora sem irradiar efeitos, exigindo
para eventual revogação a expedição de um segundo decreto voltado à extinção do
primeiro.

Para outros autores (corrente minoritária), a publicação dos atos gerais constitui
elemento de existência, de modo que antes da publicação no Diário Oficial o ato não
ingressa no mundo do direito, sendo vazio de significado jurídico. Por isso,
arrependendo-se do conteúdo de um decreto assinado, mas ainda não publicado, o
governador pode simplesmente desconsiderá-lo, inexistindo a necessidade de expedição
de outro decreto revocatório.

Adotando a visão minoritária de Celso Antônio Bandeira de Mello, a prova de Auditor Fiscal da Receita Federal feita pela Esaf considerou
CORRETA a afirmação: “Pode ser considerado como imperfeito (inexistente) o ato de nomeação de Secretário de Estado ainda não
publicado no respectivo Diário Oficial”.

Embora resulte no embaraço prático de impor a revogação de ato nunca publicado,
em concursos deve ser adotada a primeira corrente, que sustenta ser a publicação de
ato geral mera condição de eficácia.
2.6.4.5 Exceções à publicidade

O próprio texto constitucional definiu três exceções ao princípio da publicidade,
autorizando o sigilo nos casos de risco para: a) a segurança do Estado (art. 5º,
XXXIII, da CF). Exemplo: informações militares; b) a segurança da sociedade (art. 5º,
XXXIII, da CF). Exemplo:
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