Caderno Didático de Farmacologia Geral
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Caderno Didático de Farmacologia Geral


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e 
químico ou antidotismo. 
Æ Antagonismo Farmacológico Competitivo: O antagonista compete com o 
agonista pelos mesmos sítios receptores, formando com ele um complexo inativo. 
Aumentando-se a quantidade do agonista, na presença do antagonista, o primeiro 
desloca o segundo do receptor. 
Æ Antagonismo farmacológico parcial reversível: Neste antagonismo os dois 
medicamentos utilizados são agonistas, porém com capacidade diferente de desencadear 
efeitos farmacológicos, isto é, com diferentes atividades intrínseca. Portanto, o agonista 
menos eficaz nesta situação experimental atua como antagonista parcial do agonista 
principal. 
Æ Antagonismo farmacológico irreversível: Este antagonismo ocorre quando o 
antagonista se dissocia muito lentamente ou não se dissocia dos receptores. Portanto, 
mesmo aumentando a concentração do agonista na presença do antagonista, não é 
possível alcançar o efeito máximo. 
Æ Antagonismo farmacológico não-competitivo: O antagonista bloqueia em 
algum ponto a cadeia de eventos que levaria a resposta desencadeada pelo agonista. 
Portanto, não é possível desfazer o bloqueio quando se aumenta a concentração do 
agonista. 
Æ Antagonismo fisiológico ou funcional: Ocorre quando dois agonistas 
interagem em sistemas de receptores diferentes, produzem efeitos diferentes que se 
anulam. Ex. adrenalina causa vasoconstrição e a aumenta a pressão arterial, enquanto a 
histamina provoca vasodilatação e diminui a pressão arterial. 
Æ Antagonismo químico ou antidotismo: Neste antagonismo, as duas 
substâncias não reagem com os receptores do organismo, mas reagem quimicamente 
entre si em solução, antagonizando-se. 
 
7.5 - Dessensibilização e taquifilaxia 
Freqüentemente o efeito dos fármacos/drogas diminui gradualmente quando ela é 
dada continuamente ou repetidamente. Dessensibilização e taquifilaxia são termos 
sinônimos para descrever este fenômeno que freqüentemente se desenvolve no curso de 
pouco minutos. 
 O termo tolerância é usado para descrever uma diminuição mais gradual na 
responsividade da droga, levando dias ou semanas para se desenvolver. O termo 
refratariedade é algumas vezes usado, principalmente em relação à perda de eficácia 
terapêutica. Resistência às drogas é um termo usado para descrever a perda de 
efetividade de drogas antimicrobianas. 
Diferentes mecanismos podem dar origem a estes fenômenos e eles são poucos 
entendidos. Eles incluem: 
7.5.1 - Alteração nos Receptores: Entre os receptores ligados a canais iônicos, 
a dessensibilização geralmente é rápida e pronunciada. Na junção neuromuscular há 
evidências que o estado dessensibilizado é causado por uma alteração lenta na 
configuração do receptor, resultando em estreita ligação da molécula do agonista sem a 
abertura do canal iônico. A fosforilação de regiões intracelulares da proteína receptora 
constitui um segundo mecanismo mais lento pelo qual ocorre dessensibilização dos 
canais de íons. Os receptores ligados a segundos mensageiros também exibem 
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dessensibilização, como os -adrenoceptores, que dessensibilizados, são incapazes de 
ativar a adenilil ciclase, embora ele possa se ligar ao agonista. 
 
7.5.2 - Perda de Receptores: Em alguns casos, a exposição prolongada de 
agonistas resulta na redução gradual no número de receptores. Isto ocorre com os -
adrenoceptores. Em estudos de cultura de células, o número de -adrenoceptores caiu 
para cerca de 10% do normal em 8h na presença de baixa concentração de isoproterenol. 
A recuperação aos níveis normais levou vários dias. Mudanças similares foram descritas 
para vários tipos de receptores, incluindo para vários peptídeos. Acredita-se que o 
desaparecimento dos receptores para dentro da membrana celular é feito por endocitose 
de partes da membrana, um processo que também depende da fosforilação do receptor. 
Este tipo de mecanismo regulatório parece ser comum para receptores hormonais e tem 
relevância quando drogas são administradas por longos períodos. 
 
7.5.3 - Exaustão de Mediadores: Em alguns casos, a dessensibilização está 
associada com a depleção de substâncias intermediárias essenciais. Drogas como as 
anfetaminas, as quais atuam liberando noradrenalina e outras aminas do terminal 
nervoso, mostram marcada taquifilaxia porque os estoques de noradrenalina são 
depletados. 
 
7.5.4 - Aumento da Degradação Metabólica: Pode causar tolerância para 
algumas drogas como os barbitúricos. Onde a administração repetida da mesma dose da 
droga causa concentração plasmática mais baixa da mesma. 
 
7.5.5 - Adaptação Fisiológica: Pode ocorrer diminuição do efeito de um 
fármaco, devido à sua anulação por uma resposta homeostática. Por exemplo, o efeito de 
redução da pressão arterial dos diuréticos tiazídicos é limitado devido uma ativação 
gradual do sistema renina-angiotensina. Estes mecanismos homestáticos são muito 
comuns, e, quando ocorrem lentamente, os resultados consistem no desenvolvimento 
gradual de tolerância. 
É comum verificar que muitos efeitos colaterais dos fármacos tendem a diminuir, 
apesar de sua administração contínua. Podemos supor que deve estar ocorrendo uma 
adaptação fisiológica, presumivelmente associada a uma alteração da expressão gênica, 
resultando em alterações nos níveis de várias moléculas reguladoras, embora pouco se 
saiba a respeito dos mecanismos envolvidos. 
 
 
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8. EFEITOS ADVERSOS DE FÁRMACOS 
 
Æ Reações adversas - Inclui todos os efeitos indesejados de um fármaco. 
Æ Efeitos colaterais - Indica os efeitos indesejáveis que ocorrem em tecidos 
diferentes do sítio-alvo, mesmo com doses terapêuticas. 
Æ Toxicidade - Implica em efeitos de superdosagem. 
 
 Os efeitos adversos podem ser classificados em: 
Æ Efeitos Tóxicos: Dependem de quantidade excessiva de um fármaco no 
organismo, decorrente não diretamente da dose, mas sim de concentrações plasmáticas 
ou teciduais superiores às terapêuticas decorrentes de: 
- Superdosagem absoluta, que corresponde à administração excessiva do fármaco. 
- Superdosagem relativa, conseqüente a variações de disposição farmacocinética 
no organismo. 
Æ Efeitos colaterais: Ocorrem em concentrações terapêuticas, geralmente 
acometendo órgão ou sistema diverso do alvo terapêutico. 
Æ Efeitos secundários: São conseqüência da ação primária dos fármacos, ou 
seja, dependem do mesmo mecanismo de ação geradora da resposta terapêutica. 
Æ Efeitos teratogênicos: Compreendem as manifestações anormais do 
desenvolvimento fetal, geradas por fármacos administrados à gestante. O maior risco 
ocorre no primeiro trimestre de gestação. 
Æ Efeitos de hipersensibilidade: São ocasionadas por respostas anormais do 
sistema imunitário. São independentes da dose, podendo ser desencadeados por ínfimas 
quantidades de alergênicos, após uma sensibilização prévia. Exteriorizam-se de várias 
formas, classificando-se em localizadas ou sistêmicas e em imediatas ou tardias. São 
exemplos de reações alérgicas o choque anafilático, urticária, exantema, dermatite de 
contato, dentre outros. 
Æ Efeitos idiossincrásicos: Consiste numa resposta qualitativamente diferente da 
esperada na população em geral. São reações raras, independente da dose, geralmente 
associadas a variações individuais geneticamente induzidas. 
Æ Tolerância: A tolerância corresponde à necessidade de aumentar 
progressivamente as doses de certos fármacos para manter a intensidade de seus efeitos 
iniciais. Quando isto acontece o organismo precisa adaptar-se à quantidade exagerada da 
substância administrada. 
Æ Síndrome de retirada e efeito rebote: A síndrome de retirada caracteriza-se 
pelo aparecimento de manifestações clínicas em decorrência da suspensão abrupta de 
um fármaco usado em doses terapêuticas por tempo prolongado, quando a interrupção do 
uso da droga