Caderno Didático de Farmacologia Geral
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Caderno Didático de Farmacologia Geral


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\u2013 Farmacocinética: Diazepam é rapidamente absorvido após 
administração oral. O pico dos níveis plasmáticos ocorre de 30 minutos a 2 horas após 
administração oral. A droga é lentamente e incompletamente absorvida após 
administração IM. 
O Diazepam é solúvel em lipídios e largamente distribuído no organismo. Ele 
atravessa rapidamente a barreira sangue-cérebro e se liga fortemente às proteínas 
plasmáticas. Em cavalos uma concentração de 75 ng/ml, 87% da droga está ligada às 
proteínas plasmáticas. Em humanos este valor é em torno de 98-99%. 
Diazepam é metabolizado no fígado em vários metabólitos, incluindo 
desmetildiazepam (nordiazepam), temazepam, e oxazepam, sendo todos 
farmacologicamente ativos. Esses são eventualmente conjugados com ácido glicurônico e 
eliminados primariamente na urina. 
 A meia-vida aproximada do diazepam e metabólitos em cães, gatos e cavalos é: 
Diazepam - cães 7-22 hs gatos 20-50 hs cavalos 2,5- 3,2 hs homem 5,5 hs 
Nordiazepam - 3 hs 21,3 hs 30-200 hs 
 
 18.3.4 \u2013 Precauções: A injeção intravenosa de diazepam deve ser feita 
lentamente. Pode causar tromboflebite significativa. A injeção rápida em pequenos 
animais ou neonatos pode causar cardiotoxicidade secundária devido ao propileno glicol 
na formulação. 
O uso deve ser cauteloso em pacientes com doenças hepáticas ou renais, animais 
debilitados e velhos. A droga deve ser administrada em pacientes em coma, choque ou 
com depressão respiratória muito cautelosamente. Contra-indicada para pacientes com 
hipersensibilidade conhecida a droga. Diazepam tem sido implicado em causar 
anormalidades congênitas em humanos se administrado durante o primeiro trimestre de 
gestação. Em veterinária, o uso desse agente no primeiro trimestre de gestação deve 
somente ocorrer se os benefícios forem maiores que os riscos associados com seu uso. 
Benzodiazepínicos e seus metabólitos são distribuídos no leite e podem causar efeitos no 
SNC de recém -nascidos. 
 18.3.5 - Efeitos Adversos: Em cavalos, diazepam pode causar fasciculações 
musculares, ataxia e fraqueza em doses suficientes para causar sedação. Gatos podem 
apresentar mudanças no comportamento (irritabilidade, depressão). Cães podem 
apresentar respostas contraditórias (excitação do SNC) após administração de diazepam. 
Os efeitos relacionados com tranquilização e sedação são muito variáveis para cada cão. 
Devido à variação individual, diazepam não é agente sedativo ideal para esta espécie. 
 18.3.6 \u2013 Overdose: Quando administrado sozinho, overdose de diazepam causa 
depressão significativa do SNC, como confusão, coma, reflexos diminuídos. 
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Farmacologia Geral Veterinária 
 18.3.7 - Interação com Drogas: O metabolismo do diazepam pode ser 
diminuído e sedação excessiva pode ocorrer se administrado com as seguintes drogas: 
cimetidina, eritromicina, izoniazida, cetoconazole, propanolol e ácido valpróico. 
Se administrado com outros depressores do SNC (barbitúricos, narcóticos, 
anestésicos) efeitos aditivos podem ocorrer. 
Antiácidos podem diminuir a taxa, mas não a extensão da absorção oral. 
Os efeitos farmacológicos da digoxina podem ser aumentados; monitorar os níveis 
de digoxina sérica ou sintomas de toxicidade. 
Rifampicina pode induzir enzimas microssomais hepáticas e diminuir os efeitos 
farmacológicos dos benzodiazepínicos. 
 
18.4 - Agonistas Adrenérgicos 2 
 18.4.1 \u2013 Preparações: 
 Xilazina, detomidina, medetomidina e romifidina são os agonistas adrenérgicos 2 
disponíveis comercialmente. 
 18.4.2 - Mecanismo de ação: 
Os agonistas adrenérgicos 2 estimulam os receptores 2 centrais. Centralmente, 
os adrenoreceptores 2 estão localizados pré e pós-sinapticamente. Os agonistas de 
receptores 2 pré-sinápticos reduzem a liberação do transmissor (noradrenalina) dos 
terminais nervosos. 
 18.4.3 - Efeitos farmacológicos: 
 a) Efeitos no SNC: 
No cérebro são obtidos os efeitos analgésico e sedativo desses agentes e na 
medula no sítio de produção da analgesia e relaxamento muscular. 
Os agonistas adrenérgicos 2 potencializam os efeitos dos opióides, barbituratos e 
anestésicos inalatórios. 
Eles diminuem o tônus simpático. 
O efeito hipnótico das drogas parece ser resultado da ação depressora no núcleo 
cerúleo (locus cerulus). O núcleo cerúleo é o principal núcleo adrenérgico no cérebro e 
está envolvido com o controle do sono, analgesia e funções autonômicas. 
 b) Efeitos cardiovasculares: 
 - Pressão sanguínea - Quando administradas por via IV, são estimulados primeiro 
os receptores 2 periféricos, produzindo vasoconstrição e um aumento da pressão 
sanguínea inicial. A pressão retorna ao normal ou abaixo do normal devido à diminuição 
dos estímulos simpáticos do SNC e, por isso, da liberação de noradrenalina. 
 - Arritmia \u2013 Bradicardia sinusal e arritmia sinusal 
 Bloqueio atrioventricular (A-V), bloqueio sinusal e dissociação A-V podem ocorrer. 
 c) Efeitos respiratórios: 
Em cavalos com enfisema, a estimulação dos receptores 2 pré-sináptico em 
nervos colinérgicos no trato respiratório diminuem a liberação de ACh e causam 
broncodilatação. 
 d) Efeitos no TGI: 
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A xilazina pode provocar êmese em cães e gatos. O trato gastrointestinal 
subseq
e) Outros efeitos: 
 de hormônio antidiurético e conseqüente diurese 
aumen
18.4.4
üentemente diminui a motilidade. 
 
 
Diminuição da secreção
tada; hiperglicemia; hipoinsulinemia; efeito ocitócico em bovinos(xilazina); prolapso 
peniano em bovino e eqüino(xilazina); tremor muscular leve e abaixamento da cabeça em 
eqüinos(romifidina). 
 
 - Usos Terapêuticos: 
tem efeitos calmantes e relaxante muscular. Além 
disso 
administração de agonistas 2 antes da indução da anestesia reduz 
signific
Os agonistas adrenérgicos 2 
eles produzem uma analgesia transitória. Observa-se boa analgesia visceral em 
cavalos. 
A 
ativamente a dose necessária para a anestesia geral. 
 18.4.5 \u2013 Administração: 
 As espécies variam na sua suscetibilidade a esta classe de tranqüilizantes. 
 Bovinos requerem aproximadamente 1/10 da dose de xilazina. 
 18.4.6 \u2013 Reversão: 
Os efeitos adversos destas drogas podem ser revertidos pela administração de 
antago
8.5 - Xilazina 
nistas 2 como a ioimbina, tolazolina, atipamezole e piperoxam. 
 
1
 18.5.1 - Usos terapêuticos: 
na maioria das espécies. 
a regional sem fraqueza 
muscu
A xilazina produz boa sedação 
A administração epidural da xilazina produz analgesi
lar substancial em cavalos, bovinos, suínos e lhamas. 
 18.5.2 - Efeitos adversos: 
Em cavalos, a injeção intracarotídea acidental de xilazina causa convulsões e 
colaps
a causa dramática redução da tensão arterial de oxigênio. 
em gatos, cavalos, 
bovino
 ou parto prematuro se a xilazina é administrada 
o imediato. Com terapia anticonvulsivante (diazepam) e apoio às funções vitais a 
recuperação é possível. 
Em ovinos a xilazin
Em cavalos machos, ocorre relaxamento e exposição do pênis. 
Redução nos níveis plasmáticos de insulina foram encontrados 
s e cães após a administração de xilazina. As células beta pancreáticas são 
ativadas por adrenoceptores 2 , resultando na secreção de insulina. Como conseqüência 
o nível plasmático de glicose aumenta. 
Em bovinos, pode ocorrer aborto
no último trimestre de gestação, como resultado do aumento do tônus uterino. 
A xilazina pode aumentar a eliminação de urina em bovinos e pôneis. 
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Farmacologia Geral Veterinária 
 
18.6 - Detomidina 
para uso como analgésico-sedativo em eqüinos. É mais potente que 
a xilaz
18.7 - Medetomidina 
a para uso em cães e gatos, sendo cerca de 20 vezes mais 
8.8 \u2013 Romifidina 
ada em eqüinos, superando a xilazina e a acepromazina no uso 
Neuroleptoanalgesia