Caderno Didático de Farmacologia Geral
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Caderno Didático de Farmacologia Geral


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sobrevem por 
asfixia e exaustão. 
 
 20.4.2 - Tratamento do envenenamento: Primeiro deve-se prevenir o 
surgimento das convulsões (considerando que estas são reflexas, deve-se minimizar a 
estimulação); garantir a manutenção da respiração; proteger o paciente intoxicado contra 
estímulos sensoriais: luz, ruído, movimentação e frio. Após deve-se administrar via 
venosa, um barbitúrico de ação curta ou ultra-curta, na dose justo necessária para evitar 
as convulsões. Podem ser utilizados os relaxantes musculares periféricos. Atualmente, na 
espécie humana, o tratamento preconizado envolve a utilização de Diazepam, um 
benzodiazepínico utilizado habitualmente como ansiolítico, e que estimula os receptores 
da glicina, portanto atua como uma espécie de antagonista. 
 
PSICOTRÓPICOS 
 
20.5 - CATNIP \u2013 Nepeta Cataria \u2013 ERVA DOS GATOS 
É uma herbácea perene, predominante nos EUA e sul do Canadá. É encontrada 
sob a forma de folhas secas, adicionada em brinquedos ou forma de aerossol. 
É indicada para animais depressivos ou que ficam muito tempo sozinhos, 
principalmente gatos, que ficam eufóricos e gostam de cheirar e brincar com a planta. 
Sua estrutura química possui porções semelhantes a estrutura química do ácido 
lisérgico(LSD) e do tetraidocanabinol(maconha). Os animais que consomem a planta 
apresentam respostas comportamentais de prazer e repetem diariamente o consumo ou 
rolam sobre suas folhas. 
Apresentam 3 FRAÇÕES: Neutra Viscosa; Ácido Nepetálico; Nepetalactona 
(fração responsável pela ação) 
A administração prolongada interfere nos sistemas dopaminérgicos centrais 
além da possibilidade de produzir aborto. 
 
 
 
 
 
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Farmacologia Geral Veterinária 
 
21. CONTENÇÃO QUÍMICA EM RÉPTEIS 
 
 Ao optar-se pela contenção química em um procedimento de captura deve se 
considerar auxiliares no estabelecimento do fármaco e da dose a ser trabalhada. O limiar 
de segurança nesse cálculo deve levar em conta o fato de que, salvo raras exceções, o 
peso do animal é estimado antes da captura. 
 
Fatores a serem considerados 
 
 Cada espécie apresenta suas particularidades e entre essas está a maior ou menor 
sensibilidade a determinado fármaco. 
As cobras, quelônios, lagartos e jacarés são animais que não possuem mecanismo 
interno para controle de sua temperatura corpórea, estando esta na dependência da 
temperatura ambiente. São animais de baixo metabolismo, com movimentos respiratórios 
lentos, chegando a efetuar apenas um movimento por hora. O diafragma está ausente 
nas cobras e, quando presente, como no caso dos jabutis, constituí-se de fina membrana 
muscular, incapacitada para realizar as funções respiratórias como nos mamíferos. Estas 
condições fisiológicas restringem a administração de anestésicos voláteis e as 
dificuldades de contenção limitam o emprego de agentes por via intravenosa nesses 
animais. 
 As condições de saúde do animal a ser submetido a um processo anestésico 
também interferem diretamente, bem como sua condição nutricional. Animais doentes ou 
desnutridos requerem doses menores. 
 O sucesso num procedimento anestésico significa segurança para o animal, para a 
equipe envolvida e a possibilidade de efetuar o procedimento ao qual essa anestesia se 
propõe. A depressão respiratória e queda da pressão arterial são significativas, quanto 
mais demorado for o tempo de decúbito desse animal. A recomendação sempre é impedir 
o acesso à água dos animais quando forem ser anestesiados, para não haver risco de 
afogamento. 
 
Métodos de Contenção 
 
¾ Temperatura 
 Por serem animais poicilotermos, a temperatura ambiente abaixo de 10°C promove 
lassidão, e devido a esta peculiar fisiologia, os répteis, em especial o jabuti, cágado e 
tartaruga, podem ser imobilizados por hipotermia, bastando mantê-los sob temperatura de 
5°C ou menos, durante 30 minutos. Com essa técnica o metabolismo basal baixa 
profundamente a ponto de permitir intervenções cirúrgicas intracavitárias. 
¾ Gás Carbônico 
Em serpentes, principalmente as peçonhentas, é recomendado submetê-las à ação 
do gás carbônico com a finalidade de imobilização. Este gás promove profunda sedação 
de curto prazo, entretanto com tempo suficiente para administração de um agente por via 
intramuscular, para realizar extração de veneno ou outros tratamentos de curta duração. 
¾ Fármacos 
 Dentre os medicamentos parenterais, a quetamina e a tiletamina são os mais 
indicados para os répteis, necessitando doses elevadas. 
 Quetamina pode ser usada na indução de anestesia ou para procedimentos de 
curta duração. Efeitos tranqüilizantes são observados em baixas doses. Espécies 
menores podem requerer proporcionalmente doses maiores. Dosagens de 40 \u2013 100mg/Kg 
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Farmacologia Geral Veterinária 
são apropriadas para indução, enquanto 5 \u2013 30mg/Kg reduzem a agressão e diminuem os 
reflexos. A recuperação ocorre de 2 a 72 horas dependendo da dose e temperatura . A 
dose de 22 - 40 mg/Kg IM ou SC é recomendada para sedação e 55 \u2013 88mg/Kg para 
indução de anestesia para intubação. Geralmente nas doses maiores que 110mg/Kg, 
parada respiratória e queda do batimento cardíaco fazem a respiração artificial essencial. 
Indução ocorre de 10 a 30 minutos e recuperação de 24 a 90 horas. O mecanismo de 
eliminação da quetamina em répteis é desconhecido . Em cobras, tartarugas e jabutis são 
usadas dosagens de 70mg/Kg, com duração do efeito superior a 60 minutos e nos 
lagartos 35mg/Kg com mesmo tempo de duração . 
 A ação da tiletamina é similar a da quetamina, porém duas a três vezes mais 
potente o que faz o volume de administração ser menor. Tiletamina sozinha causa severa 
rigidez muscular, entretanto combinada com zolazepam, que é sinérgico, anestésico, 
analgésico e relaxante muscular causa efeitos anticonvulsivante e antidepressivo. Doses 
maiores que 88mg/Kg produz anestesia com tempo de recuperação de 22 horas. Por 
causa do rápido efeito, telazol (tiletamina-zolazepam) pode ser útil como agente 
tranqüilizante ou agente indutor para após realizar manutenção com anestésico inalatório. 
A dose de 4 \u2013 5mg/Kg IM providencia uma adequada sedação para procedimentos de 
diagnóstico e intubação . Tiletamina-zolazepam pode ser usado como indutor anestésico, 
nas doses de 3 \u2013 30mg/Kg IM . As doses de associação por via IM são dependentes do 
peso, para serpentes de 1 \u2013 6Kg varia de 22 \u2013 75mg/Kg; lagartos 0,5 \u2013 1Kg varia de 10 \u2013 
25mg/Kg e quelônios 1 -3 Kg varia de 4 -9 mg/kg . 
¾ Tranqüilizantes 
 Tranqüilizantes são aplicados como pré-anestésicos usados na indução e na 
manutenção decrescendo a quantidade de anestesia durante a mesma. Eles também 
podem ser eficazes reduzindo a excitabilidade do paciente, suavizando o período de 
indução e recuperação. 
 Fenotiazínicos: acepromazina de 0,1- 0,5 mg/Kg IM; aproximadamente 1 hora 
para prévia indução de anestesia, tem sido reportada com ação tranqüilizante; 
clorpromazina tem demonstrados efeitos similares em quelônios (10mg/Kg IM). 
 Benzodiazepínicos: diazepam com 0,22- 0,62 mg/Kg, 20 minutos antes da 
administração de succinilcolina ,para crocodilos norte americanos, resultando na sedação. 
Midazolam com 2mg/Kg também aumenta os efeitos da quetamina nas tartarugas 
Chelydra serpentina, mas falha na sedação das tartarugas Chrysemys picta. Zolazepam é 
um benzodiazepínico usado em combinação com tiletamina já descrito anteriormente. 
 
22. IMOBILIZAÇÃO QUÍMICA EM PRIMATAS SELVAGENS 
 
ANESTESIA GERAL DE UM BUGIO (Alouatta caraya) PELA ASSOCIAÇÃO DE 
CETAMINA, XILAZINA E ATROPINA COM DOSES CALCULADAS POR 
EXTRAPOLAÇÃO ALOMÉTRICA INTERESPECÍFICA 
e 
CONTENÇAO FÍSICO-QUÍMICA DO BUGIO (Alouatta fusca) 
 
 RELATO DE CASO 
 
Na medicina de animais selvagens a abordagem dos animais constitui um desafio a 
mais em relação aos animais domésticos. A contenção dos animais selvagens, tanto 
cativos quanto de vida