Caderno Didático de Farmacologia Geral
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Caderno Didático de Farmacologia Geral


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livre, pode ser realizada por meios físicos, químicos, ou associação 
de ambos. 
No primeiro relato de caso utilizou-se um bugio (Alouatta caraya), macho, adulto, 
5kg de peso, que apresentava fístula oronasal, infraorbitária associadas a doença 
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Farmacologia Geral Veterinária 
periodontal generalizada (\u201cpiorréia\u201d) que necessitaram intervenção cirúrgica composta 
principalmente por várias exodontias. O protocolo anestésico utilizado foi uma associação 
de cloridrato de cetamina 5%, cloridrato de xilazina 2% e sulfato de atropina 0,5%, com 
doses calculadas por extrapolação alométrica interespecificas usando como modelo um 
cão de 10 Kg. As doses modelo utilizadas foram de 15 mg/Kg, 2mg/Kg e 0,04 mg/Kg, 
respectivamente, para cetamina, xilazina, e atropina e as doses em ml obtidas foram na 
mesma ordem de 1,78ml, 0,6ml e 0,05ml. Depois de dosados os fármacos foram 
acondicionados em uma mesma seringa e administrados em um músculo da coxa. 
Passado os 3min o animal perdeu a reação postural e após 7min encontrava-se em plano 
anestésico com ótimo miorrelaxamento, ausência do reflexo palpebral, relaxamento anal, 
ausência de reflexo ao estímulo doloroso de pinçamento digital, manutenção da 
respiração e batimentos cardíacos. A avaliação da respiração e dos batimentos cardíacos 
foi realizada qualitativamente e a temperatura não foi aferida. O procedimento de 
exodontia e limpeza da cavidade oral durou 30min e foi encerrado ao primeiro sinal de 
superficialização anestésica, não sendo necessário reforço anestésico. Os reflexos 
palpebrais foram retomados aos 30min, a sensação dolorosa foi evidenciada aos 34min. 
O animal voltou a movimentar-se aos 40min, elevou voluntariamente a cabeça aos 65min 
e retornou a reação postural somente após 120 minutos. O protocolo injetável acima 
citado, além de ser eficiente na anestesia do animal em questão facilitou o trabalho dentro 
da boca por permitir ao cirurgião manobras com a cabeça do animal, dispensando os 
cuidados com tubos utilizados em protocolos de anestesia inalatória. 
No segundo relato de caso foi recebido no HV da UFSM, um exemplar de bugio 
(Alouatta fusca), macho, jovem, com 1Kg de peso, que apresentava na ocasião lesão 
necrótica no membro torácico direito. Ao exame clínico visual à distância observou-se 
desnutrição, desidratação e desvitalização do membro, porém, para um exame físico mais 
acurado foi planejada uma contenção físico-química. Idealizou-se esse tipo de contenção 
pois o animal estava em mau estado de saúde e uma contenção exclusivamente química 
poderia ser fatal e uma contenção física isolada poderia ser perigosa para a equipe e para 
o animal. Para contenção química utilizou-se cloridrato de cetamina 5%, associado ao 
cloridrato de xilazina 2% e sulfato de atropina 0,5%. Todas as doses forma calculadas por 
extrapolação alométrica interespecífica usando como modelo um cão de 10Kg. As doses 
modelo foram 5mg/Kg, 1mg/Kg e 0,04mg/Kg, respectivamente, para cetamina, xilazina e 
atropina e as doses em ml obtidas foram na mesma seqüência de 0,18ml, 0,09ml e 
0,015ml. As drogas foram dosadas, acondicionadas na mesma seringa e administradas 
no músculo da coxa. Seis minutos após a administração retirou-se o animal da caixa de 
contenção, avaliou-se o comportamento e atribuiu-se o estado de imobilização e 
tranquilização. Para contenção física utilizou-se somente uma focinheira utilizada 
rotineiramente em cães, aplicada na cabeça do animal. Contido a animal permitiu um 
delicado exame físico geral e especial. No exame clinico especial promoveu-se o 
pinçamento digital do membro afetado, que não resultou em reação por parte do animal, e 
o pinçamento digital em um membro sadio, o qual resultou em vocalização, foi possível 
assim diagnosticar-se o quadro de gangrena seca. Em água corrente, procedeu-se 
limpeza copiosa do membro, remoção parcial dos tecidos desvitalizados e um curativo foi 
aplicado. Após 2 dias de tratamento e melhora do quadro de saúde geral do animal, pode-
se operá-lo e a indicação cirúrgica recaiu sobre a amputação do membro. Concluiu-se 
que no animal descrito as manobras de contenção física e química associadas 
promoveram o conforto do animal, boa segurança do paciente e da equipe, a 
possibilidade de realização de procedimentos e a recuperação adequada do paciente, 
sendo esses os conceitos principais na contenção dos primatas selvagens, e que é um 
método seguro para ser utilizado em animais debilitados. 
 
 
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Relatos de caso por: 
Juliano Bolson, Méd. Vet., Esp. EQUALIS, Mestrando Cirurgia UFSM \u2013 bolsista CNPq, João 
Eduardo Schossler, Méd. Vet., Dr, Prof. Adjunto do Dep. De Clinica de Pequenos Animais, UFSM, Fabiola 
Dalmolin, Méd. Vet., Mestranda do Curso de Pós-Graduação em Medicina Veterinária, UFSM, Roberta 
Caroline Ornes, Aluna de Graduação em Medicina Veterinária da UFSM. 
 
23. CONTENÇÃO QUÍMICA DE FELINOS SELVAGENS 
 
Padronização das Técnicas de Captura e Imobilização da Onça Pintada (Panthera 
Onca) 
Dr. Sharon L. Deem 
Um importante componente do programa de conservação do jaguar (Panthera 
onca) é uma abordagem padronizada à vigilância da saúde e das doenças dos jaguares 
livres na natureza. 
Orientações padronizadas vão garantir que este programa de saúde seja 
desenvolvido de uma forma consistente através de toda a abrangência do jaguar. Muitos 
pesquisadores de campo estão atualmente imobilizando jaguares livres na natureza com 
pouca ou nenhuma experiência em práticas veterinárias, tal como anestesias e coleta de 
tecidos biológicos. Este fato sozinho já sugere a necessidade premente de diretrizes 
padronizadas para garantir a segurança e o bem estar dos jaguares sendo manuseados 
no campo. 
Para as técnicas de registro de captura e imobilização, recomenda-se utilizar um 
formulário padrão para registrar os eventos de captura e imobilização. Isto vai assegurar 
que todos os pesquisadores estejam coletando os mesmos dados em cada imobilização, 
de modo que esses dados possam ser compilados e comparados, recomenda-se para 
essa compilação o uso do software Medarks. 
Existe uma variedade de métodos de captura e imobilização para felinos livres na 
natureza. Os métodos que têm sido usados para a captura de jaguares incluem encurralar 
o animal em árvores com o auxílio de cães, e armadilhas tipo gaiolas ou caixas de 
madeira. Os dois últimos métodos podem ou não incluir uma isca para atrair o animal para 
a armadilha. Uma vez que o jaguar estiver preso na armadilha ou em cima da árvore ele 
pode ser atingido com o dardo. 
Os anestésicos somente devem ser administrados em jaguares livres na natureza 
usando-se o sistema de aplicação de droga por via remota (Remote Drug Delivery System 
\u2013 RDDS, recomendamos o uso de agulhas com colarinho de 1,5 X 30 mm ( calibre 18 X 
1¼ polegadas) para a imobilização de jaguares adultos livres na natureza. 
O método imobilização recomendado deve fornecer um plano adequado de 
anestesia para um procedimento de curta duração no animal (tais como, aplicação de 
rádio-colar, medidas morfométricas e coleta de material biológico). 
O fármaco utilizado é o telazol 4-8 mg/kg intramuscular através de dardo. Ketamina 
é usada de forma suplementar numa dose de 1-2 mg/kg, endovenosa ou intramuscular, 
conforme necessário para se manter um nível adequado de anestesia. (Ketamina 
suplementar não deveria ser aplicada por pelo menos 10 minutos após o dardo de 
telazol). Uma dose única de atropina a 0,04 mg/kg, subcutânea ou intramuscular, pode 
ser administrada se o felino apresentar salivação excessiva. 
É imperativo que haja uma observação visual e um monitoramento fisiológico das 
onças, pois durante a imobilização com telazol (e ketamina) normalmente terão a 
salivação aumentada, pálpebras abertas, rigidez muscular no corpo todo (inclusive tônus 
na mandíbula), e reflexos intactos