Caderno Didático de Farmacologia Geral
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Caderno Didático de Farmacologia Geral


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prolongado 
por perfusão contínua (Venoclise) e de grandes quantidades; Possibilidade de injetar 
substâncias que são necrosantes ou dolorosas por via SC ou IM. 
4.5.2 \u2013 Inconvenientes: É uma via perigosa, pois o medicamento chega 
rapidamente ao contato com o coração e centros nervosos; Reações anafiláticas mais 
exuberantes do que por via IM; Possibilidade de reações febris devido à presença de 
pirógenos; não se podem injetar substâncias oleosas, nem suspensões, pois há sérios 
riscos de provocar embolias (o mesmo se passa com bolhas de ar). Só pode ser efetuada 
por pessoal devidamente treinado. 
4.5.3 - Regras a observar: Além das já descritas; colocar a agulha no centro do 
vaso (para evitar a irritação ou necrose do endotélio vascular). Injetar lentamente (no caso 
de parada repentina, o cérebro recebe ainda o medicamento durante mais 10 ou 15 
segundos). No caso de substâncias muito irritantes, cáusticas ou com características 
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físico-químicas muito diferentes do sangue, fazer refluxo com grande quantidade de 
sangue para obter um efeito de diluição prévio. 
4.5.4 - Modo de administração: Administração com o auxilio de uma seringa e 
de uma agulha (comprimento médio e bisel curto). Pode-se usar duas técnicas: 
a) Introduzir a agulha diretamente em direção à veia ingurgitada (este 
ingurgitamento obtém-se por compressão venosa com o garrote), e assim que surgir um 
refluxo de sangue na seringa, aliviar o garrote e injetar lentamente. 
b) Introduzir a agulha na via subcutânea, e depois introduzir na veia, com um 
movimento lateral da agulha (a veia fica colocada entre o dedo e a agulha). Depois 
proceder como acimas descrito. 
4.5.5 - Local de administração: É variável com a espécie animal: 
a) Equídeos - V. Jugular e auricular, esta última só nos asininos. 
b) Bovinos - V. Jugular; V. epigástrica externa (fêmeas leiteiras), v. caudal medial, 
v. auricular. 
c) Suínos - Veia marginal da orelha, jugular e v. cava cranial. 
d) Ovinos - Veia Jugular. 
e) Caprinos - Veia Jugular. 
f) Canídeos e Felinos - Veia Jugular; cefálica (ou radial); Safena. 
g) Lagomorfos - Veia marginal da orelha ou jugular. 
h) Aves - Veia axilar. 
 
4.6 - Via Intratecal ou intra-raquidiana 
Normalmente a penetração de fármacos no SNC é muito lento, devido a barreira 
hematoencefálica. No entanto, quando é desejável ação local e rápida de fármacos no 
SNC, como na anestesia espinhal ou infecção aguda, geralmente costuma-se injetá-lo no 
espaço subaracnóide espinhal. O espaço peridural, utilizado em anestesia, limita a 
difusão do líquido injetado na altura de L2-L3 ou L3-L4 apenas à porção espinhal, 
diminuindo assim o risco de penetração do anestésico no encéfalo no encéfalo e 
permitindo que o liquido banhe as raízes nervosas. A formulação injetada não deve ter 
conservante, deve ser aquosa, isotônica, rigorosamente estéril e apirogênica. 
4.6.1 \u2013 Vantagens: Certeza de que o medicamento chega ao local onde 
queremos que atue (ultrapassagem da barreira hemato-encefálica). 
4.6.2 \u2013 Inconvenientes: Há uma difusão muito lenta no líquido cefalorraquidiano. 
4.6.3 - Modo de administração: A administração é feita com o auxílio de uma 
seringa e de uma agulha (comprida e de bisel longo) e/ou trocarter. Existem dois tipos de 
injeções intra-raquidianas: SUB-ARACNOIDEIA e a EPIDURAL. 
a) A via subaracnoideia é delimitada pela aracnóide e pia-máter. 
b) A epidural, no chamado espaço epidural ou peridural, entre a dura-máter e a 
parede do canal raquidiano. 
 
4.7 - Via Intraperitoneal 
4.7.1 \u2013 Vantagem: Facilidade de utilização no caso de animais comatosos, ou em 
que haja um colapso das veias. Possibilidade de injetar grandes volumes de líquido. 
Transfusões de sangue total (1) : (4). Velocidade de absorção extremamente elevada. 
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4.7.2 \u2013 Inconvenientes: Possibilidades de provocar peritonites ou perfurações de 
vísceras principalmente se a técnica não for bem executada. 
4.7.3 - Modo de administração: Usar seringa ou sistema de venoclise e agulha 
comprida, com orifícios terminais lateralizados, para evitar a sua obstrução pelo peritôneo; 
Usar trocarter em animais de maior porte. Animais colocados em decúbito lateral ou 
dorsal. 
4.7.4 - Local de administração: 
a) Equídeos \u2013 fossa do flanco esquerdo. 
b) Bovinos - flanco direito. 
c) Suínos - flanco direito. 
d) Canídeos, Felinos e Lagamorfos. - Na região atrás e ao lado do umbigo. 
e) Aves - Injeção praticada a meia distância entre o esterno e a cloaca. 
 
4.8 - Via Intramedular 
A via intramedular representa a introdução de um líquido na cavidade da medula 
óssea. 
4.8.1 \u2013 Vantagens: Permite a absorção de soluções salinas, glicosadas, soro e 
sangue total, quando não se pode utilizar outra via (p. ex. endovenosa). É a via que 
apresenta maior velocidade de absorção. Permite fazer administrações de grandes 
volumes de líquidos. 
4.8.2 \u2013 Inconvenientes: Os solutos devem ser administrados gota a gota. Há o 
perigo de se provocarem osteomielites, abscessos subcutâneos, tromboses arteriais. 
4.8.3 - Regras a observar: Antissepsia rigorosa. 
4.8.4 - Modo de administração: O primeiro passo consiste em fazer a depilação 
da zona, depois faz-se a assepsia com tintura de iodo. Faz-se a punção óssea até à 
medula e depois faz-se a administração - velocidade de administração até 60 
gotas/minuto. As agulhas podem ter um comprimento de 40 a 150 mm e um diâmetro de 
1,6 a 0,9 mm. Como medida profilática é aconselhável a injeção de antibióticos. 
4.8.5 - Local de administração: Ossos longos, como fêmur e úmero, e esterno. 
4.8.6 - Preparações medicamentosas mais utilizadas: Líquidos 
 
4.9 - Via Intra-cardíaca 
4.9.1 \u2013 Vantagens: Atuação instantânea sobre o coração, em casos de parada 
cardíaca (p. ex. adrenalina) ou na prática de eutanásia. Facilidade de colheita de sangue. 
Administração em substituição da via endovenosa em animais comatosos e ou 
hipotensos. 
4.9.2 \u2013 Inconvenientes: Possibilidades de provocar lesões do pericárdio e 
miocárdio. Necessidade de grande treino para efetuar esta via em animais com parada 
cardíaca. 
4.9.3 - Regras a observar: o animal deve estar perfeitamente imóvel (se não 
estiver comatoso, deve ser anestesiado). 
4.9.4 - Modo de administração: Administra-se com o auxilio de uma seringa e 
de uma agulha (comprida e bisel curto). Coloca-se o animal em decúbito lateral direito 
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(lado esquerdo para cima) nos CARNIVOROS e introduz-se a agulha (após desinfecção 
do local) até aparecer um refluxo de sangue. Nessa altura são perceptíveis na agulha os 
movimentos cardíacos (no caso de não haver parada cardíaca). A injeção deve ser dada 
rapidamente e retira-se logo a agulha. A presença física da agulha também funciona 
como estímulo para o inicio do movimento cardíaco. 
4.9.5 - Local de administração: Área de projeção cardíaca: 
 PUNÇÃO CARDÍACA - Rato (no lado esquerdo, no local do ápice cardíaco, 
decúbito dorsal); Cobaia (decúbito dorso lateral direito punção no lado esquerdo, ao nível 
do choque pré-cordial); Coelho (decúbito lateral direito - ao nível do choque pré-cordial); 
Cão e Gato (decúbito lateral direito - 4º espaço intercostal esquerdo); Eqüídeos - 3º e 4º 
espaço intercostal; Bovinos - 3º e 4º espaço intercostal esquerdo; Lagomorfos - 3º espaço 
intercostal esquerdo, 3 a 4 mm acima do esterno, ao nível do choque pré-cordial; Aves- 3º 
ou 4º espaço intercostal, na linha que une o esterno à articulação escápulo-umeral. 
 
4.10 - Via Intradérmica: 
Esta via destina-se a pesquisas de caráter imunológico. 
4.10.1 \u2013 Vantagens: O agente antigênico permanece no local da inoculação. 
4.10.2 - Regras a observar: Trabalhar com material esterilizado para evitar 
infecções, ou concorrências imunológicas. 
4.10.3 -