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Alessandra Furiama Morita Página 1 ANATOMIA SISTEMA URINÁRIO E RENAL Alessandra Furiama Morita Página 2 INTRODUÇÃO Os rins são órgãos vitais cuja função é a filtração do sangue e a formação da urina, que é posteriormente conduzida através dos ureteres em direção à via urinária inferior, composta pela bexiga e pela uretra. Os rins são órgãos retroperitoneais, situados na região posterior do abdome, posicionados aproximadamente na altura das décima primeira e décima segunda costelas. O rim direito está localizado mais inferior em comparação ao rim esquerdo devido à presença do fígado no lado direito, que não permite sua ascensão completa. O rim, como órgão retroperitoneal, está situado atrás do peritônio. SEGMENTAÇÃO RENAL Os rins possuem uma segmentação específica que facilita a compreensão de sua vascularização, drenagem venosa, drenagem linfática e organização dos ductos coletores. A segmentação renal é fundamental para entender as diferentes funções e áreas de responsabilidade dentro do órgão. Os rins são divididos em três principais polos: superior, médio e inferior. • POLO SUPERIOR: Inclui o segmento superior, que é visível tanto na visão anterior quanto na posterior. Este segmento é importante devido à sua relação com as glândulas suprarrenais e outras estruturas anatômicas superiores. • POLO MÉDIO: É subdividido em segmentos ântero-superior, ântero-inferior e posterior. Esta divisão detalhada permite uma melhor compreensão da organização interna do rim. Imagine o rim como um grão de feijão cortado coronalmente: a parte anterior revela os segmentos ântero-superior e ântero-inferior, enquanto a parte posterior mostra o segmento posterior.. • POLO INFERIOR: Compreende o segmento inferior, também observável em visões anteriores e posteriores. Este segmento é crucial para entender a conexão do rim com os ureteres, que transportam a urina até a bexiga. O rim possui uma borda lateral convexa e uma margem medial côncava. Na margem medial (Côncava) encontra-se o hilo renal, que é a porta de entrada e saída para vasos sanguíneos (Arteríola Aferente chega e Arteríola Eferente sai), nervos, linfáticos e ureteres. Localizada no polo superior do rim, a glândula suprarrenal. Essa glândula recebe e emite drenagem venosa diretamente para a veia renal. O rim é envolto por duas cápsulas protetoras: • Cápsula Fibrosa: Camada interna resistente que protege o parênquima renal, também chamada de cápsula renal. Alessandra Furiama Morita Página 3 • Cápsula Adiposa: Camada externa de gordura que amortece e mantém o rim na posição retroperitoneal. A arquitetura interna do rim é composta por várias estruturas que, juntas, realizam a produção e o transporte de urina. Entre essas estruturas, podemos citar: • Córtex Renal: A camada mais externa do rim, onde estão localizados os glomérulos e parte dos túbulos renais responsáveis pela filtração do sangue. • Medula Renal: Composta por várias pirâmides renais, cujas bases voltadas para o córtex e os ápices (papilas renais) direcionam a urina para os cálices menores. • Papila Renal: A papila renal no ápice da pirâmide renal facilita o gotejamento da urina para os cálices menores, evidenciando a eficiência do sistema coletor urinário. • Colunas Renais de Bertin: Extensões do córtex que separam as pirâmides renais e contêm vasos sanguíneos e túbulos. • Pirâmides Renais: Estruturas cônicas na medula renal, com ductos coletores que drenam a urina das papilas para os cálices menores. Já com relação ao hilo renal, esta estrutura consiste na região central do rim onde se encontram: • Pelve Renal: Recebe urina dos cálices maiores, que, por sua vez, são formados pela confluência dos cálices menores. • Artéria e Veia Renais: A artéria renal é posterior à veia renal, e ambas entram e saem pelo hilo. • Ureter: Tubo que transporta a urina da pelve renal para a bexiga. A gordura no hilo renal amortece e protege os vasos e ductos coletores. Alessandra Furiama Morita Página 4 RELAÇÕES ANATÔMICAS RIM DIREITO E FÍGADO: O rim direito, localizado mais inferiormente devido ao fígado, está em contato direto com a parte inferior do lobo direito hepático. Essa relação é importante para a consideração de procedimentos cirúrgicos e na avaliação de patologias hepáticas que podem impactar o rim. CÓLON ASCENDENTE E DESCENDENTE: Tanto o cólon ascendente (lado direito) quanto o cólon descendente (lado esquerdo) são retroperitoneais na sua porção posterior. Essas porções do intestino não são completamente cobertas pelo peritônio, estabelecendo uma relação direta com os rins, o que pode ter implicações em condições patológicas como abscessos retroperitoneais ou processos inflamatórios que podem se estender para o rim. VEIA CAVA INFERIOR E AORTA ABDOMINAL: Estes grandes vasos estão situados na porção central do corpo, protegidos pela coluna vertebral e pela musculatura paravertebral. A aorta abdominal fornece ramos arteriais essenciais, como as artérias renais, enquanto a veia cava inferior coleta o sangue drenado pelas veias renais. Essa proximidade garante a nutrição e a drenagem eficiente dos rins e outras estruturas abdominais. PÂNCREAS: O pâncreas tem uma relação anatômica importante com ambos os rins. A cauda do pâncreas se estende em direção ao rim esquerdo, enquanto a cabeça do pâncreas e o duodeno estão mais intimamente associados ao rim direito. Isso é relevante para entender como patologias pancreáticas, como pancreatite ou tumores pancreáticos, podem afetar a função renal devido à proximidade e possível inflamação ou compressão direta. DUODENO: Como uma estrutura retroperitoneal, o duodeno está em contato próximo com o rim direito. Problemas como úlceras duodenais podem ter implicações diretas para o rim direito devido a essa proximidade anatômica. MUSCULATURA PARA-VERTEBRAL: A musculatura que envolve a coluna vertebral também oferece proteção e suporte aos rins, além de ser um ponto de referência anatômico importante durante a realização de exames de imagem e intervenções cirúrgicas. Alessandra Furiama Morita Página 5 VASCULARIZAÇÃO RENAL A vascularização dos rins envolve uma rede organizada de artérias e veias que garantem o suprimento sanguíneo adequado e a remoção eficiente de produtos de filtração. VASCULARIZAÇÃO ARTERIAL A vascularização arterial do rim é um processo altamente organizado e essencial para a função renal, envolvendo um complexo sistema de ramificações que partem da artéria renal para nutrir o órgão e facilitar a filtração do sangue. A artéria renal entra pelo hilo renal e se divide em dois ramos principais: ramo anterior e ramo posterior. Esses ramos se segmentam para formar os ramos segmentares, que correspondem aos diferentes segmentos anatômicos do rim: • Artéria do Segmento Superior • Artéria do Segmento Ântero-Superior • Artéria do Segmento Ântero-Inferior • Artéria do Segmento Inferior • Artéria do Segmento Posterior Distalmente, esses ramos segmentares se subdividem em ramos ainda menores conforme se aproximam do córtex renal. Assim, a partir dos ramos segmentares, for- mam-se as artérias interlobares, que seguem entre as pirâmides renais. As artérias interlobares, ao alcançarem a junção córtico-medular, formam as artérias arqueadas. Essas artérias, por sua vez, emitem ramos menores conhecidos como artérias inter- lobulares, que se dirigem diretamente ao córtex renal. As artérias interlobulares se ramificam em arteríolas aferentes, que fornecem sangue aos glomérulos, unidades funcionais do rim onde ocorre a filtração do sangue. Após a filtração, o sangue é coletado pelas arteríolas eferentes, que contribuem para a rede de capilares peritubulares ou se ramificam em vasa recta na medula renal. A artéria renal também emite ramos que nutrem o polo inferior da glândula suprar- renal, proporcionando um suprimento sanguíneoessencial para sua função hormonal. Além disso, a porção superior do ureter, próxima ao rim, também recebe ramos da artéria renal. Esta vascularização é crucial para a saúde e funcionalidade do ureter, facilitando o transporte de urina para a bexiga. Alessandra Furiama Morita Página 6 DRENAGEM VENOSA A drenagem venosa do rim acompanha a vascularização arterial em um padrão semelhante. O sangue filtrado é coletado pelas veias interlobulares, que se juntam para formar as veias arqueadas e, posteriormente, as veias interlobares. Essas veias convergem para formar a veia renal, que, por fim, drena para a veia cava inferior. Algumas.diferenças estruturais entre as veias renais direita e esquerda incluem: • Veia Renal Direita: Curta e diretamente conectada à veia cava inferior devido à proximidade do rim direito. • Veia Renal Esquerda: Mais longa, atravessando a linha média e passando sob a artéria mesentérica superior antes de drenar na veia cava inferior. Assim, condições como trombose da artéria mesentérica superior podem gerar compressão da veia renal esquerda e afetar a drenagem venosa do rim esquerdo. • Drenagem das Veias Gonadais: A veia gonadal esquerda (testicular ou ovariana) drena para a veia renal esquerda, enquanto a veia gonadal direita drena diretamente para a veia cava inferior. DRENAGEM LINFÁTICA A drenagem linfática dos rins é um processo complexo que envolve a coleta de linfa de diferentes regiões do rim e o direcionamento dessa linfa para os linfonodos e estruturas linfáticas maiores. Os vasos linfáticos do córtex renal emitem ramos que se estendem em direção à região medular. Esses ramos formam vasos linfáticos medulares que transportam a linfa primeiramente para os linfonodos peri-hilares, que estão localizados ao redor do hilo renal. Esses linfonodos peri-hilares estão associados à veia cava inferior e à aorta. Após passar pelos linfonodos peri-hilares, a drenagem linfática continua em direção à cisterna do quilo e ao ducto torácico, estruturas que desempenham papéis fundamentais na condução da linfa para a circulação sistêmica. Além disso, há uma via de drenagem que segue em direção à pelve, onde a linfa é coletada pelos linfonodos ilíacos comuns, e, em seguida, pelos linfonodos ilíacos externos e internos. Por fim, os linfonodos retroperitoneais, localizados na região posterior do ab- dome, também recebem a linfa drenada dos rins. Esses linfonodos são cruciais para a filtragem e condução da linfa na região retroperitoneal, completando assim o circuito de drenagem linfática dos rins. Alessandra Furiama Morita Página 7 INERVAÇÃO A inervação dos rins é um processo complexo que envolve uma rede de nervos provenientes de diferentes plexos nervosos e nervos específicos. Os rins recebem inervação do plexo celíaco, do plexo mesentérico superior e dos nervos esplâncnicos maiores e menores. Essa inervação inclui tanto fibras do sistema nervoso simpático quanto do parassimpático. O sistema simpático desempenha um papel crucial no controle da filtração renal, influenciando a vasoconstrição e a vasodilatação das arteríolas aferentes. Através desse controle, o sistema nervoso simpático pode aumentar ou diminuir a taxa de filtração glomerular, ajustando assim a quantidade de sangue que é filtrada pelos rins. Por outro lado, o sistema nervoso parassimpático também contribui para a regulação da função renal, embora de maneira menos direta que o sistema simpático. Juntos, esses sistemas garantem que os rins possam ajustar sua função conforme as necessidades do corpo, mantendo o equilíbrio dos fluidos e a excreção de resíduos de forma eficiente REFERÊNCIAS 1. Sabiston Tratado de Cirurgia. 19ª ed. 2. Sobotta. Atlas de Anatomia Humana. 21ª ed. 2000. 3. Netter FH. Atlas de Anatomia Humana. 5ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2011. Alessandra Furiama Morita Página 8 INTRODUÇÃO A ANATOMIA DO SISTEMA URINÁRIO BEXIGA A bexiga urinária, um órgão muscular oco situado na cavidade pélvica, desempenha um papel crucial no sistema urinário, para o armazenamento temporário e excreção da urina, além de ter a função de se destacar pela capacidade de se adaptar a diferentes volumes líquido, devido a sua notável elasticidade. Em sua forma vazia, apresenta-se mais esférica, expandindo-se para uma forma oval ao se encher, estendendo-se até a cavidade abdominal. Anatomicamente, a bexiga está localizada atrás da sínfise púbica, com variações em suas relações anatômicas entre homens e mulheres. Nos homens, encontra-se adjacente à próstata, enquanto nas mulheres, situa-se anteriormente ao útero e à vagina. Esta proximidade com outras estruturas pélvicas é crucial para entender como doenças da bexiga podem influenciar ou ser influenciadas por órgãos vizinhos. A parede da bexiga é composta por múltiplas camadas, cada uma desempenhando funções específicas. A mucosa, revestida por epitélio de transição, permite a expansão e contração do órgão. A camada muscular, conhecida como músculo detrusor, é responsável pela micção. As camadas externas, serosa e adventícia, fornecem suporte estrutural adicional. A capacidade normal da bexiga varia entre 300 a 500 ml, embora possa se expandir além disso em certas condições. Sua principal função é armazenar a urina produzida pelos rins, controlando a sua liberação em um processo que envolve tanto mecanismos voluntários quanto involuntários, regulados pelo sistema nervoso. Alessandra Furiama Morita Página 9 ESTRUTURA ANATÔMICA DA BEXIGA URINÁRIA A estrutura anatômica é complexa e multifacetada, desempenhando um papel vital no armazenamento temporário e na excreção da urina. Esta estrutura é composta por várias camadas e componentes distintos, cada um com funções específicas que garantem o funcionamento eficiente da bexiga. CAMADAS DA PAREDE DA BEXIGA 1. MUCOSA: A camada mais interna da bexiga é revestida por um epitélio de transição, que é notável por sua capacidade de se expandir e contrair. Esta elasticidade permite que a bexiga acomoda diferentes volumes de urina sem sofrer danos. 2. SUBMUCOSA: Situada logo abaixo da mucosa, a submucosa é uma camada de tecido conjuntivo que suporta a mucosa, fornecendo elasticidade e resistência. 3. MUSCULAR (MÚSCULO DETRUSOR): Esta camada é composta principalmente pelo músculo detrusor, que é crucial para o processo de micção. Quando relaxado, permite o armazenamento de urina; quando contraído, facilita a excreção da urina. Nos Homens, tem a função de impedir o refluxo do sêmen. 4. SEROSA E ADVENTÍCIA: A camada mais externa da bexiga é a serosa, uma membrana lisa que cobre a parte superior da bexiga. Nas áreas onde a bexiga está em contato direto com outros órgãos pélvicos, esta camada é substituída pela adventícia, uma camada de tecido conjuntivo que ajuda a fixar a bexiga no lugar. ESTRUTURAS ADICIONAIS • TRÍGONO DA BEXIGA: Uma área triangular na base da bexiga, formada pelos orifícios dos ureteres e a abertura interna da uretra. Esta região é importante para a função urinária e é um local comum para infecções entre outros problemas urológicos. • URETERES: Dois tubos que transportam a urina dos rins para a bexiga. Eles entram na bexiga de forma oblíqua, o que ajuda a prevenir o refluxo da urina. • URETRA: O canal pelo qual a urina é excretada do corpo. A estrutura da uretra varia entre homens e mulheres, sendo mais longa nos homens. Alessandra Furiama Morita Página 10 RELAÇÕES ANATÔMICAS DA BEXIGA EM HOMENS 1. ANTERIORMENTE: A bexiga está posicionada atrás da sínfise púbica. Quando cheia, pode expandir-se para a cavidade abdominal anterior. 2. POSTERIORMENTE: A bexiga é adjacente ao reto. Entre a bexiga e o reto, encontram-se o vesículas seminais e a parte superior da próstata. 3. SUPERIORMENTE: A bexiga é coberta pelo peritônio e está relacionada com o intestino delgado, que pode repousar sobreela quando a bexiga está cheia. 4. INFERIORMENTE: A base da bexiga está em contato direto com a próstata. RELAÇÕES ANATÔMICAS DA BEXIGA EM MULHERES 1. ANTERIORMENTE: Assim como nos homens, a bexiga está atrás da sínfise púbica e pode expandir-se para a cavidade abdominal anterior. 2. POSTERIORMENTE: A bexiga é adjacente à vagina e ao colo do útero. Esta relação é importante, especialmente em procedimentos cirúrgicos e no contexto de doenças como prolapsos. 3. SUPERIORMENTE: A bexiga é coberta pelo peritônio e está relacionada com o útero e, em alguns casos, com o intestino delgado.’' 4. INFERIORMENTE: A base da bexiga está sobre o assoalho pélvico e a musculatura do esfíncter uretral. Alessandra Furiama Morita Página 11 VASCULARIZAÇÃO DA BEXIGA A bexiga recebe sangue de várias artérias, que se originam principalmente da artéria ilíaca interna, e o sangue é drenado por um conjunto de veias que acompanham estas artérias. ARTÉRIAS DA BEXIGA 1. ARTÉRIA VESICAL SUPERIOR: Esta é a principal fonte de suprimento sanguíneo para a bexiga. Origina-se da artéria ilíaca interna e irriga a parte superior e posterior da bexiga. 2. ARTÉRIA VESICAL INFERIOR: Embora não esteja presente em todos os indivíduos, quando existe, fornece sangue para a base e o pescoço da bexiga. Em homens, também fornece sangue para a próstata. 3. ARTÉRIAS UTERINAS (EM MULHERES): Em mulheres, as artérias uterinas fornecem ramos adicionais para a bexiga, especialmente na região do trígono vesical. 4. ARTÉRIAS OBTURATÓRIAS, UMBILICAIS E PUDENDAS INTERNAS: Estas artérias podem também fornecer ramos colaterais para a bexiga. VEIAS DA BEXIGA O sangue venoso da bexiga é drenado pelo plexo venoso vesical, que circunda o órgão. Este plexo está em comunicação direta com as veias ilíacas internas. Em homens, o plexo venoso vesical também recebe sangue da próstata, e em mulheres, está relacionado com o plexo venoso uterino. Alessandra Furiama Morita Página 12 DRENAGEM LINFÁTICA DA BEXIGA A drenagem linfática da bexiga começa com os linfonodos vesicais laterais e pré- laterais. Estes linfonodos estão localizados próximos à bexiga e são os primeiros a receber a linfa drenada das partes lateral e anterior da bexiga. Após isso, a linfa é encaminhada para os linfonodos ilíacos internos. A próxima etapa da drenagem linfática envolve o transporte da linfa dos linfonodos ilíacos internos para os linfonodos ilíacos comuns. Finalmente, a linfa da bexiga, agora filtrada através dos linfonodos vesicais, ilíacos. internos e comuns, é direcionada para a cisterna do quilo. INERVAÇÃO DA BEXIGA A inervação da bexiga é um aspecto fundamental da sua funcionalidade, envolvendo uma complexa rede de nervos que controlam tanto o armazenamento quanto a excreção da urina. Esta inervação é predominantemente autonômica, envolvendo componentes tanto simpáticos quanto parassimpáticos, além de uma componente somática. INERVAÇÃO AUTÔNOMICA SISTEMA NERVOSO SIMPÁTICO: Origina-se dos segmentos toracolombares da medula espinhal (T10-L2). As fibras simpáticas inervam principalmente o colo da bexiga e o esfíncter uretral interno. A ativação simpática promove a retenção de urina ao relaxar o músculo detrusor e contrair o esfíncter interno, impedindo a passagem de urina. SISTEMA NERVOSO PARASSIMPÁTICO: Origina-se dos segmentos sacrais da medula espinhal (S2-S4), conhecidos como nervos pélvicos. As fibras parassimpáticas inervam o músculo detrusor da bexiga. A ativação parassimpática estimula a contração do músculo detrusor, facilitando a micção, e relaxa o esfíncter interno. Alessandra Furiama Morita Página 13 INERVAÇÃO SOMÁTICA • Nervo Pudendo (S2-S4): • Este nervo fornece inervação somática ao esfíncter uretral externo. • Permite o controle voluntário sobre a micção, possibilitando a contração e relaxamento do esfíncter externo. ☛SAIBA MAIS! Reflexos da Micção A micção é controlada por reflexos coordenados entre a medula espinhal e o cérebro. Quando a bexiga atinge uma certa capacidade, receptores de estiramento na parede da bexiga enviam sinais para a medula espinhal, que, por sua vez, envia sinais de volta para a bexiga, estimulando sua contração. Este reflexo pode ser modulado voluntariamente pelo controle cortical. REFERÊNCIAS Moore KL, Dalley AF, Agur AMR. Anatomia orientada para a clínica. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023. Netter FH. Atlas de anatomia humana. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022. Paulsen F, Waschke J. Sobotta: atlas de anatomia humana: órgãos internos. 25. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2022. Alessandra Furiama Morita Página 14 ANATOMIA DOS URETERES ANATOMIA MACRÓSCOPICA O ureter é um ducto muscular retroperitoneal responsável por conduzir a urina da pelve renal até a bexiga urinária. Em continuidade com as estruturas excretoras do rim, o ureter se origina na pelve renal, que, por sua vez, é formada pela união dos cálices renais maiores. Estes resultam da confluência de diversos cálices renais menores, que coletam a urina diretamente das papilas renais, localizadas nas extremidades das pirâmides medulares. A papila renal, situada no ápice de cada pirâmide, é a estrutura através da qual a urina é excretada no cálice menor. Esse processo se dá de forma sequencial e anatômica: PAPILA → CÁLICE MENOR → CÁLICE MAIOR → PELVE RENAL → URETER. A pelve renal atua como uma espécie de funil, que direciona o fluxo urinário para o ureter, sendo essa transição geralmente localizada no hilo renal. O ureter apresenta, em média, 25 a 30 cm de comprimento e percorre um trajeto descendente até a bexiga, passando por estruturas abdominais e pélvicas. Sua anatomia pode ser dividida em duas porções principais: uma abdominal, que se estende desde o hilo renal até a borda da pelve, e uma pélvica, que segue até o interior da bexiga. Durante esse trajeto, o ureter cruza diversas estruturas importantes, sendo constantemente moldado pela anatomia ao seu redor. Do ponto de vista estrutural, o ureter é um tubo de paredes espessas, com camadas musculares dispostas em orientação longitudinal e circular, capazes de gerar ondas peristálticas que impulsionam a urina em direção à bexiga, mesmo contra a gravidade. Internamente, é revestido por um epitélio de transição (urotélio), especializado para suportar a variação de volume e o contato com a urina. Alessandra Furiama Morita Página 15 PONTOS DE ESTREITAMENTO O ureter apresenta três pontos de estreitamento anatômico, que são áreas naturalmente mais estreitas do seu trajeto e que, por isso, estão mais sujeitas à obstrução por cálculos urinários ou à compressão extrínseca. Esses estreitamentos possuem importante relevância clínica e cirúrgica, especialmente na urologia e radiologia. O primeiro ponto de estreitamento localiza-se na junção ureteropélvica (JUP), que é a transição entre a pelve renal e o início do ureter propriamente dito. Trata-se do ponto mais proximal do ureter e, frequentemente, representa o local inicial de impacto de cálculos que descem do rim. O segundo estreitamento ocorre quando o ureter cruza os vasos ilíacos comuns, geralmente à altura da bifurcação entre a artéria ilíaca comum em ilíacas interna e ex- terna. Nessa região, o ureter atravessa o estreito da pelve, onde pode ser comprimido pelo pulso arterial ou por estruturas adjacentes, sendo também um ponto de impacto recorrente em obstruções mecânicas. O terceiro e mais distal ponto de estreitamento é a junção ureterovesical (JUV), onde o ureter penetra na parede posterior da bexiga urinária, em um trajeto oblíquo. Esse percurso intramural atua como uma válvula funcional, impedindo o refluxo vesicoureteral, ou seja, o retorno da urina da bexiga para o ureter durante a micção. Essa função é fundamental para a proteção do trato urinário superior contra infecções ascendentes e aumento da pressão intravesical.Alessandra Furiama Morita Página 16 VASCULARIZAÇÃO ARTERIAL A vascularização arterial do ureter é complexa e segmentar, refletindo seu longo trajeto retroperitoneal. A porção superior do ureter, correspondente à região próxima à pelve renal, é irrigada principalmente por ramos ureterais provenientes das artérias renais. Esses vasos geralmente emergem da artéria renal principal ou de seus ramos segmentares, estendendo-se até o início do ureter e frequentemente acompanhando os vasos que. irrigam a pelve renal. Na porção média do ureter, a irrigação se dá através de ramos diretos da aorta abdominal, além de contribuições das artérias gonadais (testiculares nos homens e ovarianas nas mulheres). Esses ramos seguem o trajeto longitudinal do ureter, geralmente em um padrão em rede, e são essenciais para a manutenção da integridade funcional do segmento médio. Já a porção pélvica do ureter, que inclui o segmento terminal até sua entrada na bexiga urinária, é irrigada por ramos das artérias ilíacas internas. Entre os principais vasos envolvidos estão a artéria vesical inferior, a artéria uterina (nas mulheres), a artéria vaginal, e a artéria retal média. Essas artérias emitem ramos ureterais ascendentes, que se anastomosam com os ramos descendentes vindos da região superior, formando uma rica rede vascular ao longo do ureter. É importante ressaltar que os ramos arteriais que irrigam o ureter penetram lateralmente, o que possui implicações cirúrgicas relevantes, especialmente em procedimentos pélvicos ou urológicos, nos quais a preservação da irrigação ureteral é fundamental para evitar necrose isquêmica ou estenose do ducto DRENAGEM VENOSA A drenagem venosa do ureter acompanha de forma geral o padrão da vascularização arterial, com disposição segmentar e drenagem para veias distintas conforme a topografia do ducto. Essa drenagem ocorre através de plexos venosos e veias satélites que seguem os mesmos trajetos dos vasos arteriais correspondentes, convergindo para veias maiores nas regiões abdominal e pélvica. A porção superior do ureter, localizada junto ao hilo renal, drenam predominantemente para as veias renais, tanto à direita quanto à esquerda, as quais se esvaziam na veia cava inferior. Esse segmento pode ainda apresentar drenagem acessória para as veias gonadais (testicular ou ovariana), especialmente em casos de variações anatômicas. Alessandra Furiama Morita Página 17 Na porção média do ureter, a drenagem venosa é mais variável, envolvendo tanto as veias gonadais quanto ramos que se dirigem diretamente à veia cava inferior ou a veias lombares. Essa porção representa uma zona de convergência, em que o retorno venoso pode seguir trajetos diferentes a depender da anatomia individual. A porção pélvica do ureter, por sua vez, drena para os plexos venosos da pelve, incluindo o plexo venoso vesical, o plexo venoso uterino ou vaginal (nas mulheres) e o plexo venoso retal. Esses plexos se comunicam entre si e direcionam o retorno venoso, majoritariamente, para as veias ilíacas internas, compondo a drenagem final dessa região. DRENAGEM LINFÁTICA A drenagem linfática do ureter acompanha seu trajeto segmentar e retroperitoneal, sendo realizada por vasos linfáticos que seguem paralelos ao trajeto dos vasos sanguíneos e convergem para diferentes grupos de linfonodos regionais ao longo de seus percurso. Na porção superior, que inclui a transição com a pelve renal, os vasos linfáticos drenam predominantemente para os linfonodos lombares, também conhecidos como linfonodos para-aórticos e intercavais, situados ao redor da aorta abdominal e da veia cava inferior. Esses linfonodos recebem a linfa não apenas do ureter proximal, mas também do rim, da glândula suprarrenal e das estruturas retroperitoneais adjacentes. Ao longo da porção média do ureter, os vasos linfáticos continuam drenando para os linfonodos lombares e, secundariamente, para os linfonodos ilíacos comuns, à medida que o ureter se aproxima da pelve. Essa drenagem intermediária é variável e pode se sobrepor com a das regiões superior e inferior, formando uma rede linfática interconectada que acompanha os principais vasos retroperitoneais. Na porção inferior, já no interior da pelve, a linfa do ureter é drenada principalmente para os linfonodos ilíacos internos e externos, além dos linfonodos obturatórios. Essa região apresenta importante interconexão com os sistemas linfáticos da bexiga urinária, reto órgãos genitais, permitindo a drenagem cruzada entre essas estruturas. Tal comunicação é relevante na disseminação de processos inflamatórios ou neoplásicos pélvicos. Alessandra Furiama Morita Página 18 INERVAÇÃO A inervação do ureter é realizada por fibras autonômicas simpáticas e parassimpáticas, que acompanham seu trajeto ao longo do retroperitônio e da pelve, originando-se de plexos nervosos viscerais localizados próximos aos grandes vasos abdominais e às vísceras pélvicas. Na porção superior e média, a inervação simpática é proveniente principalmente do plexo renal, do plexo aórtico abdominal e do plexo mesentérico superior, os quais rece- bem fibras pré-ganglionares dos nervos esplâncnicos torácicos, especialmente o nervo esplâncnico maior (originado entre os níveis T10 e T12 da medula espinal). Essas fibras simpáticas percorrem os vasos renais e a aorta abdominal, distribuindo-se ao longo do ureter e contribuindo para o controle do tônus muscular liso e da peristalse ureteral. Já na porção inferior, localizada na pelve, o ureter é inervado principalmente por ramos dos plexos hipogástricos superior e inferior, os quais incluem fibras simpáticas e parassimpáticas. A inervação parassimpática é fornecida pelos nervos esplâncnicos pélvicos, oriundos dos segmentos S2 a S4 da medula espinal. Essas fibras atuam promovendo o relaxamento da musculatura lisa e modulando os reflexos viscerais relacionados à micção. As fibras sensitivas que transmitem aferências viscerais, incluindo estímulos dolorosos, seguem predominantemente as vias simpáticas até os níveis toracolombares da medula (T11 a L2). Por isso, a dor ureteral costuma irradiar para regiões como o flanco, o quadrante inferior do abdome e a região inguinal, especialmente durante eventos como a obstrução por cálculos. Alessandra Furiama Morita Página 19 APLICAÇÃO EM EXAMES DE IMAGEM O conhecimento aprofundado da anatomia dos ureteres é fundamental para a correta interpretação dos exames de imagem, sendo essencial tanto na prática clínica quanto no contexto cirúrgico. Os ureteres, por serem estruturas tubulares e retroperitoneais, exigem métodos específicos para serem adequadamente visualizados, e a escolha do exame ideal depende do contexto clínico, da suspeita diagnóstica e da disponibilidade de recursos. A ultrassonografia das vias urinárias é utilizada como exame de triagem inicial, em casos de dor lombar, suspeita de obstrução ou infecção urinária. Embora o ureter, em condições normais, não seja diretamente visível ao ultrassom, ele pode ser identificado quando dilatado, como ocorre nos quadros de hidroureter ou hidronefrose. O exame permite avaliação detalhada do rim, com distinção entre córtex, pirâmides medulares e sistema coletor, possibilitando a detecção de alterações que secundariamente afetam o ureter, como cálculos obstrutivos ou alterações anatômicas na pelve renal. A urografia excretora, também chamada de pielografia intravenosa, consiste em uma radiografia contrastada do abdome, realizada após a administração intravenosa de contraste iodado. Esse contraste é filtrado pelos rins e excretado pelos ureteres, permitindo a visualização sequencial de toda a via urinária, desde os cálices renais até a bexiga. Esse exame fornece um traçado anatômico detalhado do ureter, evidenciando sua continuidade, seu trajeto sinuoso, os três pontosde estreitamento fisiológico e possíveis áreas de obstrução, estenose ou deslocamento por massas adjacentes. Além desses métodos, a tomografia computadorizada (TC), especialmente com protocolo de urotomografia, tem se tornado um dos principais exames para a avaliação de uropatias. A TC permite identificar cálculos, dilatações, massas, anomalias congênitas e processos inflamatórios com alta resolução, mesmo em fases iniciais. A ressonância magnética (RM), menos utilizada de rotina, é uma opção valiosa em pacientes com contraindicação ao contraste iodado ou à radiação, permitindo a análise anatômica com excelente detalhamento, especialmente em crianças, gestantes e populações vulneráveis. Alessandra Furiama Morita Página 20 REFERÊNCIAS 1. Moore KL, Dalley AF, Agur AMR. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2014. Alessandra Furiama Morita Página 21 ANATOMIA DAS VIAS URINÁRIAS: URETRA INTRODUÇÃO À ANATOMIA DA URETRA A uretra é um tubo muscular essencial no sistema urinário, responsável pela drenagem da urina da bexiga para o exterior do corpo. A compreensão da sua anatomia, vascularização, drenagem linfática e inervação é crucial para o diagnóstico e tratamento de diversas condições urológicas. URETRA MASCULINA A uretra masculina é uma estrutura tubular longa, medindo entre 18 e 20 cm, que se estende desde o óstio interno da uretra na bexiga urinária até o óstio externo da uretra na extremidade do pênis. Desempenha funções vitais, servindo como via de saída tanto para a urina quanto para o sêmen. A uretra masculina é dividida em quatro porções distintas: intramural (ou pré-prostática), prostática, membranosa e esponjosa (ou peniana). PORÇÃO INTRAMURAL A porção intramural, ou pré-prostática, possui aproximadamente 1 cm de comprimento e se estende do colo da bexiga até a próstata. Esta seção é circundada pelo esfíncter interno da uretra, que é involuntário e presente apenas em indivíduos do sexo masculino. PORÇÃO PROSTÁTICA A porção prostática, com cerca de 3 cm de comprimento, estende-se da base até o ápice da próstata. É mais larga na sua porção média e contém diversas estruturas importantes. A crista uretral, uma crista mediana que se projeta no lúmen da uretra, é uma dessas estruturas. Ao lado da crista uretral encontram-se os seios prostáticos, que são depressões rasas contendo os orifícios dos ductos prostáticos responsáveis pela drenagem do fluido prostático. O colículo seminal, ou verumontanum, é uma eminência arredondada situada no meio da crista uretral, possuindo o orifício do utrículo prostáticom(remanescente Alessandra Furiama Morita Página 22 embriológico do canal uterovaginal) e as aberturas dos ductos ejaculatórios, que transportam o sêmen das vesículas seminais para a uretra. PORÇÃO MEMBRANOSA A porção membranosa da uretra, com cerca de 2 cm de comprimento, estende-se do ápice da próstata até o bulbo do pênis. Esta é a porção menos dilatável e mais estreita da uretra. É circundada pelo músculo esfíncter externo da uretra, que é voluntário e presente tanto em homens quanto em mulheres, controlando o ato de micção. Além disso, envolve as glândulas bulbouretrais (ou de Cowper), localizadas póstero -lateralmente a esta porção da uretra, cujos ductos se abrem na uretra esponjosa. PORÇÃO ESPONJOSA A porção esponjosa, ou peniana, é a mais longa, medindo aproximadamente 15 cm e se estendendo do bulbo do pênis até o óstio uretral externo. Esta porção contém os óstios dos ductos das glândulas bulbouretrais, que contribuem para a lubrificação do canal uretral durante a excitação sexual. Também apresenta as glândulas uretrais (de Littré), pequenas glândulas mucosas que ajudam na secreção de muco, e as lacunas uretrais (de Morgagni), depressões na parede da uretra esponjosa que podem atuar como locais de acúmulo de secreções. A porção esponjosa possui duas dilatações do lúmen: a dilatação intrabulbar, proximal, na região do bulbo do pênis, e a fossa navicular, distal, próxima ao óstio uretral externo. Alessandra Furiama Morita Página 23 URETRA FEMININA A uretra feminina é uma estrutura tubular relativamente curta, medindo aproximadamente 4 cm de comprimento e cerca de 6 mm de diâmetro. Ela se estende desde o óstio interno da uretra, localizado na bexiga urinária, até o óstio externo da uretra, situado no vestíbulo da vagina. Anatomicamente, a uretra feminina está posicionada anteriormente à vagina, com seu eixo correndo paralelamente a esta. A uretra feminina apresenta várias características anatômicas importantes. Uma delas é a crista uretral, que é uma prega epitelial localizada na parede posterior do canal uretral. Outro aspecto relevante da uretra feminina são as glândulas uretrais, também conhecidas como glândulas de Skene. Estas glândulas são homólogas à próstata masculina e desempenham funções importantes na lubrificação do trato urinário e na proteção contra infecções. IRRIGAÇÃO ARTERIAL URETRA MASCULINA A vascularização arterial da uretra masculina é complexa e varia ao longo de suas diferentes porções: prostática, membranosa e peniana. Porções Prostática e Membranosa • ARTÉRIA VESICAL INFERIOR: A porção mais proximal da uretrab masculina, que inclui a uretra prostática e a uretra membranosa, é principalmente suprida pela artéria vesical inferior. Esta artéria origina-se da artéria ilíaca interna e emite ramos uretrais que também nutrem a bexiga na sua porção inferior. • RAMOS URETRAIS: Esses ramos uretrais são responsáveis pela irrigação direta da uretra prostática e membranosa, garantindo a nutrição adequada dessas estruturas. PORÇÃO PENIANA • ARTÉRIA PROFUNDA DO PÊNIS: A uretra peniana recebe suprimento sanguíneo da artéria profunda do pênis, que é um ramo da artéria pudenda interna. Esta artéria corre ao longo dos corpos cavernosos e é essencial para a ereção peniana, além de nutrir a uretra peniana. • ARTÉRIA DORSAL DO PÊNIS: Outra fonte importante de vascularização para a uretra peniana é a artéria dorsal do pênis, também um ramo da artéria pudenda interna. Esta artéria percorre a superfície dorsal do pênis, fornecendo sangue às estruturas superficiais, incluindo a uretra. Alessandra Furiama Morita Página 24 URETRA FEMININA A vascularização arterial da uretra feminina também é derivada de várias fontes, refletindo a complexidade e a importância desta estrutura na anatomia feminina. PORÇÃO PROXIMAL • ARTÉRIA VESICAL INFERIOR: Semelhante à uretra masculina, a porção mais proximal da uretra feminina, próxima à bexiga, recebe suprimento sanguíneo da artéria vesical inferior. Esta artéria fornece ramos que irrigam tanto a bexiga quanto a porção proximal da uretra. PORÇÃO DISTAL • ARTÉRIA PUDENDA INTERNA: A porção mais distal da uretra feminina é irrigada pela artéria pudenda interna. Esta artéria, também originada da artéria ilíaca interna, emite ramos que vascularizam o assoalho pélvico e a uretra distal, garantindo suprimento sanguíneo adequado para essas áreas. A artéria pudenda interna é fundamental para a função e a saúde das estruturas genitais e urinárias femininas. Alessandra Furiama Morita Página 25 DRENAGEM VENOSA URETRA MASCULINA A drenagem venosa da uretra masculina é realizada através de um sistema complexo de veias que se interconectam para garantir o retorno eficaz do sangue ao coração. Esse sistema envolve principalmente o plexo venoso vesical e a veia pudenda interna, entre outras estruturas. PLEXO VENOSO VESICAL • O plexo venoso vesical é uma rede de veias localizada na região pélvica que drena o sangue da bexiga urinária e das partes adjacentes da uretra. Este plexo é particularmente importante na drenagem da uretra prostática e membranosa. As veias do plexo vesical são responsáveis por coletar o sangue venoso da uretra e transportá-lo para veias maiores, comoas veias ilíacas internas. • Veia Pudenda Interna. A veia pudenda interna é outro componente crucial na drenagem venosa da uretra masculina, especialmente da porção peniana. Esta veia recebe sangue de várias veias penianas, incluindo a veia profunda do pênis e a veia dorsal do pênis, que também contribuem para a drenagem do corpo esponjoso e da uretra peniana. A veia pudenda interna, em última análise, drena para a veia ilíaca interna, facilitando o retorno venoso ao coração. Alessandra Furiama Morita Página 26 URETRA FEMININA A uretra feminina, embora mais curta que a masculina, possui um sistema de drenagem venosa igualmente complexo e eficiente. A drenagem venosa adequada é essencial para prevenir congestão e possíveis complicações urológicas. PLEXO VENOSO VESICAL Semelhante à uretra masculina, a uretra feminina também drena para o plexo venoso vesical. Este plexo coleta o sangue venoso da porção proximal da uretra feminina e da bexiga, encaminhando-o para veias maiores na pelve. A eficácia deste sistema é vital para a função normal da uretra e para evitar condições como varizes uretrais. VEIA PUDENDA INTERNA A drenagem venosa da porção distal da uretra feminina é majoritariamente feita através da veia pudenda interna. Esta veia drena o sangue das estruturas do assoalho pélvico e das genitálias externas, incluindo a uretra distal. Assim como na anatomia masculina, a veia pudenda interna desempenha um papel fundamental na drenagem eficiente da uretra feminina. DRENAGEM LINFÁTICA A drenagem linfática da uretra masculina é realizada por meio de uma rede complexa de vasos linfáticos que seguem diferentes trajetos dependendo da porção da uretra em questão. Alessandra Furiama Morita Página 27 URETRA MASCULINA PORÇÃO PROSTÁTICA LINFONODOS ILÍACOS INTERNOS: A porção prostática da uretra drena principalmente para os linfonodos ilíacos internos. Esta drenagem é crucial para a resposta imunológica e a detecção precoce de patologias, como câncer de próstata. LINFONODOS ILÍACOS COMUNS E EXTERNOS: Após passar pelos linfonodos ilíacos internos, a linfa pode continuar para os linfonodos ilíacos comuns e externos, seguindo o trajeto de grandes vasos sanguíneos, como a veia cava e a aorta. PORÇÃO PENIANA • LINFONODOS INGUINAIS SUPERFICIAIS: A uretra peniana, localizada no pênis, drena predominantemente para os linfonodos inguinais superficiais. Estes linfonodos são fundamentais na resposta imune local e na detecção de infecções ou malignidades. no pênis e na uretra distal. • LINFONODOS ILÍACOS EXTERNOS: Após os linfonodos inguinais superficiais, a drenagem linfática pode seguir para os linfonodos ilíacos externos, conectando-se com a drenagem linfática do membro inferior e outras áreas pélvicas. Alessandra Furiama Morita Página 28 URETRA FEMININA A drenagem linfática da uretra feminina também envolve uma rede complexa e efi- ciente de vasos linfáticos, que garantem a manutenção da saúde urogenital e a resposta imunológica adequada. PORÇÃO PROXIMAL • LINFONODOS ILÍACOS INTERNOS: A porção proximal da uretra feminina, próxima à bexiga, drena para os linfonodos ilíacos internos. Estes linfonodos são essenciais para a filtragem da linfa proveniente da bexiga e das estruturas adjacentes. PORÇÃO DISTAL • LINFONODOS INGUINAIS SUPERFICIAIS: Semelhante à uretra peniana no homem, a porção distal da uretra feminina drena para os linfonodos inguinais superficiais. Estes linfonodos são importantes para a resposta imunológica local e na proteção contra infecções ou tumores na região genital externa. • LINFONODOS ILÍACOS EXTERNOS: A drenagem linfática da porção distal da uretra feminina também pode seguir para os linfonodos ilíacos externos, integrando-se com a drenagem linfática de outras estruturas pélvicas e dos membros inferiores. INERVAÇÃO DA URETRA URETRA MASCULINA A uretra masculina recebe inervação de várias fontes nervosas, que garantem tanto a funcionalidade quanto a sensibilidade do canal uretral. PLEXO PROSTÁTICO O plexo prostático, derivado do plexo hipogástrico inferior, é o principal responsável pela inervação da porção mais proximal da uretra masculina. Este plexo fornece fibras autonômicas que regulam a função da uretra prostática. Alessandra Furiama Morita Página 29 NERVO PUDENDO O nervo pudendo, originado das raízes sacrais (S2-S4), é crucial na inervação da porção distal da uretra. Este nervo fornece inervação sensorial e motora ao esfíncter externo da uretra, permitindo o controle voluntário da micção. Ele também inerva a pele e estruturas adjacentes, proporcionando sensibilidade tátil e dolorosa. NERVOS CAVERNOSOS Os nervos cavernosos, ramos do plexo prostático, desempenham um papel importante na função erétil, inervando o tecido erétil do pênis. Além disso, contribuem para a inervação da uretra peniana, facilitando a sensibilidade e a resposta erétil. URETRA FEMININA A inervação da uretra feminina também é multifacetada, com vários plexos e nervos desempenhando papéis específicos na função e sensibilidade uretral. • • • PLEXO URETRAL VAGINAL O plexo uretral vaginal, parte do plexo hipogástrico inferior, é uma fonte significativa de inervação para a porção proximal da uretra feminina. Este plexo fornece fibras nervosas que contribuem para o controle autonômico da uretra e do assoalho pélvico. PLEXO VESICAL O plexo vesical, também derivado do plexo hipogástrico inferior, fornece inervação tanto à bexiga quanto à uretra proximal. Este plexo é essencial para a coordenação entre a bexiga e a uretra durante a micção. Alessandra Furiama Morita Página 30 ‘ NERVO PUDENDO Assim como no sexo masculino, o nervo pudendo (S2-S4) desempenha um papel crucial na inervação da uretra feminina, pois fornece inervação sensorial e motora ao esfíncter externo da uretra e às estruturas perineais, permitindo o controle voluntário da micção e fornecendo sensibilidade tátil e dolorosa à uretra e áreas adjacentes. REFERÊNCIAS 1. Moore KL, Dalley AF, Agur AMR. Anatomia Orientada para a Clínica. 8ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2018. 2. Netter FH. Atlas de Anatomia Humana. 7ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2019. 3. STANDRING, S. Gray’s Anatomia: A Base Anatômica da Prática Clínica, 40ª edição, 2010. Alessandra Furiama Morita Página 31