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SP3 - Entrando na escuridão.
H1 - Luz é uma onda eletromagnética, que pode sofrer reflexão ou refração,
que entra no nosso olho através da córnea e inverte no humor aquoso, sendo
projetada na retina. Essa imagem é identificada por receptores que
reconhecem frequências e mandam uma resposta através do nervo óptico
para o sistema nervoso. No entanto, essa imagem pode ser afetada quando se
tem alguma doença como diabetes e hipertensão, ou no caso de uma
distorção na córnea. Muitas vezes, essa disfunção pode gerar amaurose, por
conta do tecido lesionado, necessitando de políticas públicas para deficientes
visuais.
P1: Caracterize a luz e suas propriedades.
Luz é uma forma de radiação eletromagnética cuja frequência é visível ao olho
humano. A luz pode propagar-se no vácuo com velocidade de aproximadamente
300 mil km/s. As frequências de luz que são visíveis ao olho humano são chamadas
de espectro visível, essas ondas têm comprimentos entre 400 nm e 700 nm.
Ondas eletromagnéticas que apresentam frequências menores que a da luz visível
são chamadas de infravermelho, enquanto as que apresentam frequências maiores
são chamadas de ultravioleta.
Conceito de Luz
A luz já foi estudada e interpretada de diversas formas, entre algumas de suas
descrições podemos ressaltar a geométrica, a ondulatória e a corpuscular.
➔ Geométrica: A luz pode ser representada por retas, comumente chamadas de
raios de luz. Um conjunto de raios de luz, por sua vez, é chamado de feixe.
Para a óptica geométrica, a luz propaga-se somente em linha reta. A
interpretação geométrica da luz é capaz de explicar o funcionamento de
lentes e espelhos.
➔ Ondulatória: A luz é capaz de propagar-se no espaço, transportando energia
consigo. A frequência da luz, nesse caso, diz respeito ao número de
oscilações realizadas pelos campos elétrico e magnético, a cada segundo.
De acordo com a natureza ondulatória, a luz propaga-se em uma direção
perpendicular ao campo eletromagnético que a origina. A descrição
eletromagnética da luz também explica o surgimento dos fenômenos de
interferência, difração, refração e polarização, por exemplo.
As ondas eletromagnéticas são formadas por campos elétricos e magnéticos.
➔ Corpuscular: A luz é formada por um grande número de partículas dotadas
de movimento linear, porém sem massa, chamadas de fótons. Esse tipo de
interpretação também é capaz de explicar os fenômenos citados
anteriormente, bem como alguns fenômenos quânticos, como o efeito
fotoelétrico.
Características da Luz
➔ Entre as características da luz, podemos ressaltar algumas das mais
importantes:
➔ Intensidade: A intensidade da luz mede a quantidade de energia que ela
irradia, a cada segundo, por unidade de área.
➔ Frequência: A frequência da luz mede a quantidade de oscilações que ela
sofre a cada segundo.
➔ Polarização: A polarização é determinada pelo ângulo de vibração do campo
elétrico que forma a luz.
Fontes de Luz
Qualquer corpo capaz de emanar luz pode ser considerado uma fonte de luz.
Existem fontes de luz primárias e secundárias:
➔ Primárias: são capazes de produzir a sua própria luz, também são chamadas
de corpos luminosos. Exemplo: fósforo aceso, Sol, lâmpada acesa.
➔ Secundárias: são capazes de apenas refletirem a luz que incide sobre elas,
também são conhecidas como corpos iluminados. Exemplo: parede
iluminada, nuvens, pessoas.
Emissão de Luz
A luz emitida pelas fontes primárias pode ser produzida por diferentes processos.
Podemos classificar os processos de emissão de luz em: luminescentes e
termoluminescentes.
➔ Luminescência: são todos os processos de emissão de luz motivados por
algum tipo de excitação que não a excitação térmica. Dentre os processos de
luminescência, podemos destacar a fotoluminescência (emissão de luz após
a absorção de fótons), responsável pela fluorescência e fosforescência,
bioluminescência etc.
➔ Termoluminescência: é a emissão de luz em razão da excitação térmica. Com
o aquecimento, os átomos têm seus elétrons excitados. No processo de
relaxação, esses elétrons emitem luz. Exemplo: emissões de corpo negro,
como carvão aquecido em brasa.
Propriedades da Luz
1. Princípio da propagação retilínea da luz
2. Princípio da reversibilidade dos raios de luz
3. Princípio da independência dos raios de luz
Os raios de luz seguem os seguintes princípios ao serem emitidos sobre um objeto:
Reflexão: Se o objeto for opaco, pode ser especular ou difuso. Especular o ângulo
do raio de incidência é igual ao ângulo do raio refletido. Se for difuso, os raios de luz
divergirão em várias direções.
Absorção: Em quase todos os casos, principalmente se o objeto for preto aí todos
os comprimentos de ondas serão absorvidos, e transformados em calor. Todos os
objetos opacos, translúcidos ou mesmo transparentes, absorvem ou refletem
alguma quantidade de calor. Quanto mais absorve, mais escuro é o objeto, e
quantos mais refletem mais claro.
Transmissão: Ocorre no meio translúcido ou transparente. Sempre alguma luz é
refletida, por mínimo que seja, ou não seriam visíveis os objetos. Transparentes não
ocorre desvio dos raios luminosos, ao contrário do translúcido.
Os objetos ao transmitirem ou refletirem a luz solar, só não fazem em quantidades,
mas também em qualidades. Significa que, de acordo com suas propriedades
físico-químicas, refletem ou transmitem determinados comprimentos de ondas,
adquirindo cores próprias.
Refração: Se a luz incidir em ângulo sobre uma superfície transmissora, passando
para outro meio de índice de refração (n) diferente, utiliza-se a fórmula de Snell,
Dispersão: Ocorre em todos os casos com exceção do raio laser, pois a luz saída
de uma fonte tende a sempre a se dispersar em todas as direções, o que explica o
fenômeno das sombras não definidas.
A luz visível é apenas uma parte do espectro eletromagnético. Isso significa que
diversas outras frequências, como as mais próximas, o infravermelho e o
ultravioleta, apesar de não serem visíveis, por vezes alteram cor e contraste na
imagem. Por isso é recomendável a utilização de filtros durante filmagens exteriores
com a luz solar.
A luz, tendo massa, pode alterar qualitativamente uma estrutura qualquer, isso
significa que a luz não é apenas um estado energético, é uma entidade híbrida que
combina matéria e energia, transportando uma informação.
Interferência: É o fenômeno que representa a superposição de duas ou mais ondas
em um mesmo ponto. Podendo ser classificada em interferência construtiva, quando
as ondas possuem as mesmas fases, e interferência destrutiva não possuem a
mesma fase.
Difração: Denomina-se difração o desvio sofrido por ondas ao passarem por um
obstáculo, tal como as bordas de uma fenda em um anteparo.
Efeito Fotoelétrico: É a emissão de elétrons de um material, geralmente metálico,
quando ele é submetido à radiação eletromagnética.
P2: Descreva a anatomia do sistema visual. (Olho, músculo, glândulas,
inervação)
Ossos que Formam a Órbita
Esses ossos se articulam entre si para formar uma cavidade piramidal com a base
direcionada anteriormente e o ápice direcionado posteriormente.
1. Frontal: Forma o teto da órbita. Ele se articula com o osso zigomático
lateralmente e com os ossos nasais e lacrimais medialmente. A porção orbital
do frontal também abriga a glândula lacrimal na sua fossa lacrimal.
2. Maxila: Constitui o assoalho da órbita. Também participa da formação da
borda inferior e da parede medial. A maxila se articula com o zigomático
lateralmente e com os ossos lacrimal e palatino.
3. Zigomático: Forma a parede lateral e parte da borda inferior da órbita. Ele
também se articula com o osso frontal superiormente e com a maxila
inferiormente.
4. Esfenóide: Contribui significativamente para a parede posterior e parte lateral
da órbita. O esfenóide possui duas partes importantes:
➔ Asa Maior: contribuiV1 divide as imagens em componentes básicos,
como bordas, linhas e ângulos, para começar a formar uma "imagem" do que
está sendo visto.
➔ Mapeamento retinotópico: O V1 mantém uma representação retinotópica, ou
seja, a forma como a imagem é representada no V1 é uma reprodução
(mesmo que mais simplificada) da maneira como as imagens são captadas
pela retina.
7. Vias Visuais Secundárias: Dorsal e Ventral
Após o processamento inicial no V1, a informação visual segue para duas vias
visuais secundárias que são responsáveis por diferentes aspectos da percepção
visual:
Via Dorsal ("Onde")
➔ A via dorsal é responsável pelo processamento espacial e pela percepção do
movimento. Ela é muitas vezes chamada de via do "onde" porque ajuda a
identificar a localização e o movimento dos objetos no espaço.
➔ Essa via segue do V1 para áreas no lobo parietal, como a área 5 e 7, e é
crucial para tarefas como a navegação no espaço e a coordenação de
movimentos em relação ao ambiente.
Via Ventral ("O quê")
➔ A via ventral é responsável pela identificação de objetos e pela percepção de
formas, cores e detalhes. Ela é chamada de via do "o quê" porque permite o
reconhecimento de objetos e suas características detalhadas.
➔ Ela segue do V1 para áreas no lobo temporal, como a área fusiforme, que é
especialmente importante no reconhecimento de faces (área fusiforme de
face).
8. Integração e Percepção Consciente
● Córtex Visual Associativo: Após a análise no V1 e a distribuição das
informações para as vias dorsal e ventral, as áreas associativas no córtex
visual (V2, V3, V4, etc.) processam a informação de maneira ainda mais
complexa, ajudando a integrar os diferentes aspectos da visão, como
movimento, profundidade, cores e objetos.
● Percepção Consciente: Por fim, as informações visuais são processadas e
integradas em uma percepção consciente da imagem. Isso significa que o
cérebro forma uma "representação mental" do que estamos vendo,
permitindo o reconhecimento e a interação com o ambiente visual.
Resumo da Via Visual
1. Retina: As células fotorreceptoras (bastonetes e cones) captam a luz e
convertem-na em sinais elétricos.
2. Nervo Óptico: Os sinais são enviados para o cérebro através do nervo
óptico.
3. Quiasma Óptico: Parte das fibras nervosas se cruzam, garantindo que as
informações de ambos os olhos sejam processadas nos hemisférios opostos.
4. Trato Óptico: O nervo óptico continua como trato óptico e leva as
informações até o corpo geniculado lateral no tálamo.
5. Corpo Geniculado Lateral (CGL): O tálamo processa as informações e as
envia para o córtex visual primário.
6. Córtex Visual Primário (V1): O processamento inicial ocorre no V1, onde as
imagens são divididas em componentes básicos.
7. Vias Dorsal e Ventral: As informações seguem para duas vias secundárias:
a via dorsal para processamento espacial e a via ventral para o
reconhecimento de objetos.
8. Integração e Percepção Consciente: As áreas associativas no cérebro
processam as informações visuais de maneira mais complexa, formando a
percepção visual.
P7: Caracterize miopia, hipermetropia, astigmatismo, presbiopia, glaucoma,
catarata, daltonismo e retinopatia diabética e seus tratamentos.
Acomodação e o ponto próximo de visão. Uma superfície que se curva para fora,
como a superfície de uma bola, é chamada de convexa. Quando a superfície de
uma lente é convexa, essa lente irá refratar os raios de luz incidentes entre si, de
modo que eles eventualmente se cruzem. Se a superfície de uma lente se curva
para dentro, como o interior de uma bola oca, diz-se que a lente é côncava e faz
com que os raios de luz sejam refratados um para longe do outro. A lente do olho é
convexa em suas superfícies anterior e posterior, e seu poder de foco aumenta à
medida que sua curvatura torna-se maior. Quando o olho está focando um objeto
próximo, a lente fica mais curvada, causando maior refração dos raios de luz. Esse
aumento na curvatura da lente para visão de perto é denominado acomodação. O
ponto próximo de visão é a distância mínima do olho que um objeto pode ser
claramente focado com acomodação máxima.
Como ocorre a acomodação? Quando você
está vendo objetos distantes, o músculo ciliar
do corpo ciliar está relaxado e a lente está
mais achatada porque é esticada em todas
as direções por fibras zonulares tensas.
Quando você vê um objeto próximo, o
músculo ciliar se contrai, o que puxa o
processo ciliar e a corioide para frente em
direção à lente. Essa ação libera a tensão na
lente e nas fibras zonulares. Por ser elástica,
a lente torna-se mais esférica (mais
convexa), o que aumenta seu poder de
focalização e causa maior convergência dos
raios de luz. As fibras parassimpáticas do
nervo oculomotor (III) inervam o músculo
ciliar do corpo ciliar e, portanto, fazem a
mediação do processo de acomodação.
A acomodação é controlada por nervos parassimpáticos. A musculatura ciliar é
controlada quase completamente por sinais transmitidos pelos nervos
parassimpáticos para o olho através do terceiro par de nervos cranianos (nervo
oculomotor) provenientes do núcleo do III par craniano, no tronco encefálico. A
estimulação dos nervos parassimpáticos contrai os dois conjuntos de fibras da
musculatura ciliar, o que relaxa os ligamentos do cristalino, permitindo, então, que
ele se torne mais abaulado e aumente sua potência refrativa. Com essa potência
refrativa aumentada, o olho focaliza os objetos mais proximamente do que quando o
olho tem uma potência refrativa menor. Consequentemente, à medida que um
objeto distante se move em direção ao olho, o número de impulsos parassimpáticos
que incidem sobre a musculatura ciliar precisa aumentar progressivamente para que
o olho mantenha o objeto em foco constante. A estimulação simpática tem um efeito
adicional no relaxamento da musculatura ciliar, mas esse efeito é tão fraco que
quase não exerce nenhum papel no mecanismo da acomodação normal.
Miopia
Na miopia, ou “vista curta,” quando o músculo ciliar está completamente relaxado,
os raios de luz provenientes de objetos distantes são focalizados à frente da retina.
Essa condição geralmente se deve a um globo ocular anatomicamente muito
alongado, mas também pode ocorrer como resultado de uma potência refrativa
excessiva no sistema de lentes do olho.
Não existe nenhum mecanismo pelo qual o olho consiga reduzir a força de sua lente
para um nível inferior ao daquela que existe quando o músculo ciliar se encontra
completamente relaxado. Em uma pessoa com miopia não há nenhum mecanismo
para focalizar objetos distantes de maneira nítida na retina. No entanto, à medida
que um objeto se move para mais próximo do olho da pessoa, ele finalmente chega
perto o suficiente para que a imagem consiga ser focalizada. Então, quando o objeto
fica ainda mais próximo do olho, a pessoa pode usar o mecanismo de acomodação
para manter a imagem claramente focalizada. Uma pessoa míope tem um “ponto
distante” de limite definido para uma visão nítida.
Se as superfícies refrativas do olho tiverem potência refrativa demais, como
acontece na miopia, essa potência refrativa excessiva pode ser neutralizada pela
colocação de uma lente esférica côncava em frente ao olho, que divergirá os raios.
➔ A miopia é um erro refrativo comum no qual a pessoa tem dificuldade para
enxergar objetos distantes, mas pode ver bem de perto. Isso ocorre porque a
luz que entra no olho não é focada corretamente na retina.
➔ Causas: O olho é mais longo do que o normal (eixo anteroposterior); A
curvatura da córnea é excessiva, fazendo com que os raios de luz se
concentrem antes de atingir a retina
➔ Tratamentos: Óculos ou lentes de contato (lentes divergentes/côncavas
ajudam a desviar os raios de luz para que eles se concentrem corretamente
na retina); Cirurgia refrativa (LASIK ou PRK); Implantes de lente intraocular
Hipermetropia
Hipermetropia, também conhecida como “hiperopia”, geralmente sedeve a um
globo ocular anatomicamente muito curto ou, eventualmente, a um sistema de
lentes muito fraco. Nessa condição, os raios de luz paralelos não são
suficientemente curvados pelo sistema de lentes relaxado para chegarem ao foco
no momento em que alcançam a retina. Para superar essa anormalidade, o músculo
ciliar deve se contrair para aumentar a força da lente. Ao usar o mecanismo de
acomodação, uma pessoa hipermetrope é capaz de focalizar objetos distantes na
retina. Se a pessoa tiver usado apenas uma pequena quantidade de força da
musculatura ciliar para acomodar objetos distantes, ela ainda terá muito poder
acomodativo para focalizar objetos cada vez mais próximos ao olho, de maneira
nítida, até que o músculo ciliar seja contraído no seu limite. Na idade avançada,
quando o cristalino se torna “presbiope”, uma pessoa hipermetrope com frequência
não consegue acomodar suficientemente o cristalino para focalizar até mesmo
objetos distantes, e muito menos para objetos próximos.
Em uma pessoa que apresenta hipermetropia – isto é, com um sistema de lentes
muito fraco –, a visão anormal pode ser corrigida pelo acréscimo de potência
refrativa por meio do uso de uma lente convexa em frente ao olho.
➔ A hipermetropia é o oposto da miopia. A pessoa com hipermetropia tem
dificuldade em ver objetos próximos, pois a imagem é focada atrás da retina.
➔ Causas: O olho é mais curto do que o normal; A curvatura da córnea é plana,
ou seja, a luz não se concentra corretamente sobre a retina.
➔ Tratamentos: Óculos ou lentes de contato (lentes convergentes/convexas
ajudam a concentrar os raios de luz corretamente na retina); Cirurgia refrativa
(LASIK ou PRK); Implantes de lente intraocular
Astigmatismo
Astigmatismo é um erro refrativo do olho que faz com que a imagem visual em um
plano seja focalizada em uma distância diferente da do plano em ângulo reto. O
astigmatismo geralmente decorre de uma curvatura de córnea muito grande em um
plano do olho. Um exemplo de uma lente astigmática seria uma superfície de lente
como a de um ovo posicionado lateralmente em relação à luz que chega. O grau de
curvatura no plano pelo eixo maior do ovo não é tão grande quanto o grau de
curvatura no plano pelo menor eixo.
Como a curvatura da lente astigmática ao longo de um plano é menor do que a
curvatura ao longo do outro plano, os raios de luz que atingem as porções
periféricas da lente em um plano não se curvam tanto quanto os raios que atingem
as porções periféricas do outro plano.
O poder de acomodação do olho pode não ser capaz de compensar o astigmatismo
porque, durante a acomodação, a curvatura do cristalino se altera de maneira quase
igual em ambos os planos; assim, no astigmatismo, cada um dos dois planos requer
um grau diferente de acomodação. Portanto, sem o auxílio de óculos, uma pessoa
com astigmatismo nunca enxerga em foco nítido.
Correção do astigmatismo com uma lente cilíndrica. Pode-se considerar que um
olho astigmático apresenta um sistema de lentes constituído de duas lentes
cilíndricas de diferentes forças e posicionadas em ângulo reto entre si. Para corrigir
o astigmatismo, o procedimento habitual é encontrar, por tentativa e erro, uma lente
esférica que corrija o foco em um dos dois planos da lente astigmática. Então,
utiliza-se uma lente cilíndrica adicional para corrigir o erro remanescente no plano
restante. Para se fazer isso, é preciso determinar o eixo e a potência da lente
cilíndrica necessária.
➔ O astigmatismo é um erro refrativo causado pela curvatura irregular da
córnea ou do cristalino. Em vez de ter uma forma arredondada, a córnea ou o
cristalino pode ser mais oval, o que faz com que a luz seja focada em vários
pontos ao invés de um único ponto na retina.
➔ Causas: Curvatura irregular da córnea ou cristalino; Pode ser congênito ou
adquirido devido a lesões, cirurgia ou doenças oculares.
➔ Tratamentos: Óculos ou lentes de contato cilíndricas; Cirurgia refrativa
(LASIK); Lentes intraoculares astigmáticas
Presbiopia
É a perda da acomodação do cristalino. À medida que uma pessoa envelhece, o
cristalino fica maior e mais denso e se torna muito menos elástico, parcialmente
pela progressiva desnaturação de suas proteínas. Portanto, a capacidade do
cristalino de alterar seu formato diminui com a idade. O poder de acomodação é
reduzido de cerca de 14 dioptrias, observado na infância, para menos de 2 dioptrias,
quando a pessoa chega aos 45 a 50 anos de idade, e quase 0 dioptria, aos 70 anos
de idade. A partir de então, o cristalino fica quase totalmente sem acomodação, uma
condição conhecida como presbiopia. Ao se alcançar o estado de presbiopia, cada
olho permanecerá focalizado permanentemente para uma distância quase
constante; essa distância depende das características físicas dos olhos de cada
pessoa. Os olhos não conseguem mais acomodar a visão tanto para perto quanto
para longe. Para ver claramente, a distância ou de perto, uma pessoa idosa precisa
usar óculos bifocais, com o segmento superior focalizado para a visão a distância e
o segmento inferior focalizado para perto (p. ex., para leitura).
➔ A presbiopia é uma condição relacionada à idade que afeta a capacidade do
olho de focar objetos próximos, devido à perda de elasticidade do cristalino.
➔ Causas: Com o envelhecimento, o cristalino perde sua flexibilidade e não
consegue mais alterar sua forma com facilidade, prejudicando a visão de
perto.
➔ Tratamentos: Óculos de leitura ou lentes bifocais/multifocais; Lentes de
contato multifocais ou de leitura; Cirurgia refrativa ou lentes intraoculares
Glaucoma
O “glaucoma” causa elevação da pressão intraocular e é uma importante causa de
cegueira. Glaucoma, uma das causas mais comuns de cegueira, é uma doença
ocular na qual a pressão intraocular se torna patologicamente alta, algumas vezes
se elevando de forma aguda a 60 a 70 mmHg. Pressões acima de 25 a 30 mmHg
também provocam perda de visão quando mantidas por longos períodos. Pressões
extremamente altas podem causar cegueira em poucos dias ou até horas. À medida
que a pressão se eleva, os axônios do nervo óptico sofrem compressão onde eles
saem do globo ocular, no disco óptico. Acredita-se que essa compressão bloqueie o
fluxo axônico de citoplasma dos corpos celulares neuronais da retina nas fibras do
nervo óptico que correm para o cérebro. O resultado é a falta de nutrição adequada
das fibras, o que, por fim, provoca a morte das fibras envolvidas. É possível que a
compressão da artéria da retina, que entra no globo ocular pelo disco óptico,
também se some ao dano neuronal por meio da redução da nutrição à retina. Na
maioria dos casos de glaucoma, a pressão anormalmente alta resulta da resistência
aumentada ao fluxo de saída de líquido que passa pelos espaços trabeculares para
o canal de Schlemm ao nível da junção iridocorneal. Por exemplo, na inflamação
ocular aguda, leucócitos e detritos teciduais podem bloquear esses espaços
trabeculares e provocar uma elevação aguda da pressão intraocular. Em condições
crônicas, especialmente em pessoas idosas, a oclusão fibrosa dos espaços
trabeculares parece ser a mais provável causa do glaucoma.
O glaucoma pode, algumas vezes, ser tratado com colírios que contêm um fármaco
que se difunde no globo ocular e é capaz de reduzir a secreção, ou de aumentar a
absorção, do humor aquoso. Quando a terapia medicamentosa falha, pode-se
utilizar técnicas operatórias para reduzir a pressão com eficácia, por meio da
abertura dos espaços das trabéculas ou criação de canais para permitir que o
líquido flua diretamente do espaço líquido do globo ocular para o espaço
subconjuntival fora dele.
➔ O glaucoma é um grupo de doenças oculares que danificam o nervo óptico,
muitas vezes devido ao aumento da pressão intraocular. Isso pode levar à
perda permanente de visão se não for tratado.
➔ Causas: Aumento da pressão intraocular devido a um desequilíbrio na
produção edrenagem do fluido ocular; Fatores genéticos, idade avançada,
histórico familiar e doenças como diabetes podem aumentar o risco.
➔ Tratamentos: Medicamentos (colírios); Cirurgia a laser (pode ser realizada
para melhorar o fluxo do fluido ocular); Cirurgia convencional-trabeculectomia
(cria uma nova via de drenagem para o fluido ocular)
Catarata
Áreas opacas no cristalino. “Catarata” é uma anormalidade ocular especialmente
comum e que ocorre principalmente em pessoas idosas. A catarata é uma área (ou
áreas) enevoada ou opaca no cristalino. No primeiro estágio de formação da
catarata, as proteínas em algumas das fibras do cristalino se tornam desnaturadas.
Posteriormente, essas mesmas proteínas se coagulam (solidificam), formando áreas
opacas onde existiam fibras de proteína transparentes normais.
Quando uma catarata obscurece a transmissão de luz de maneira tão intensa que
compromete gravemente a visão, a condição pode ser corrigida por remoção
cirúrgica do cristalino. Quando o cristalino é removido, o olho perde grande parte de
sua potência refrativa, que deve ser substituída pela colocação de uma lente
convexa poderosa à frente do olho; outra possibilidade terapêutica é implantar uma
lente artificial de material sintético no olho, em substituição ao cristalino removido.
➔ A catarata é a opacificação do cristalino, que afeta a transparência e a
capacidade de focar a luz na retina, resultando em visão embaçada.
➔ Causas: Envelhecimento natural do cristalino; Traumas, doenças oculares ou
sistêmicas (como diabetes), e uso prolongado de certos medicamentos
(como corticoides).
➔ Tratamento: Cirurgia de catarata
Daltonismo
Daltonismo para vermelho-verde. Quando um único grupo de cones receptivos à cor
está faltando no olho, a pessoa é incapaz de distinguir algumas cores de outras. Por
exemplo, na Figura 51.10 é possível ver que as cores verde, amarelo, laranja e
vermelho, que estão entre os comprimentos de onda de 525 e 675 nanômetros,
normalmente são distinguidas entre si pelos cones vermelho e verde. Se qualquer
um desses cones estiver faltando, a pessoa não conseguirá usar esse mecanismo
para distinguir essas quatro cores; a pessoa será especialmente incapaz de
distinguir vermelho de verde e, dessa forma, será considerada com daltonismo para
vermelho-verde.
Uma pessoa com deficiência de cones vermelhos têm uma condição chamada de
protanopia; o espectro visual geral é encurtado de maneira bastante evidente na
extremidade do comprimento de onda longo, em virtude da falta de cones
vermelhos. Já uma pessoa com daltonismo com deficiência de cones verdes tem
uma condição chamada deuteranopia; essa pessoa tem uma largura espectro-visual
perfeitamente normal porque os cones vermelhos estão disponíveis para detectar os
comprimentos de onda longa da cor vermelha. No entanto, uma pessoa com
deuteranopia consegue distinguir apenas 2 ou 3 tons diferentes, enquanto outra
com visão normal enxerga 7 tons distintos.
O daltonismo para vermelho-verde é um distúrbio genético que ocorre quase
exclusivamente em indivíduos do sexo masculino. Ou seja, os genes no
cromossomo X feminino codificam os cones respectivos. Ainda assim, o daltonismo
quase nunca ocorre em indivíduos do sexo femininos porque, tendo dois
cromossomos X, ao menos um deles quase sempre possui um gene normal para
cada tipo de cone. Como os indivíduos do sexo masculino têm apenas um
cromossomo X, o gene ausente pode levar ao daltonismo. Como o cromossomo X
nos indivíduos do sexo masculino são sempre herdados da mãe, nunca do pai, o
daltonismo é passado de mãe para filho e a mãe é considerada uma portadora de
daltonismo. Cerca de 8% das mulheres são portadoras de daltonismo.
Fraqueza para o azul. A ausência somente dos cones azuis é mais rara, embora tais
pessoas possam estar sub-representadas, sendo incluídas em uma condição
geneticamente herdada denominada fraqueza para o azul.
➔ O daltonismo é uma condição hereditária que afeta a percepção das cores.
As pessoas com daltonismo têm dificuldades para distinguir certas cores,
especialmente vermelho e verde.
➔ Causas: Deficiência nos cones da retina, especificamente nas células
responsáveis pela percepção de certas cores; Hereditário, ligado ao
cromossomo X (portanto, mais comum em homens).
➔ Tratamentos: Óculos ou lentes especiais; Treinamento de identificação de
cores.
Retinopatia Diabética
A retinopatia diabética é uma lesão da retina (estrutura transparente e sensível à
luz, localizada na parte posterior do olho) que tem como causa o diabetes.
Manifestações da retinopatia diabética incluem microaneurismas, hemorragia
intrarretiniana, exsudatos, edema e isquemia maculares, neovascularização,
hemorragia vítrea e descolamento da retina de tração. Às vezes, os sintomas só se
desenvolvem no final da doença. O diagnóstico é por fundoscopia; detalhes
adicionais são elucidados por retinografia colorida, angiofluoresceinografia e
tomografia de coerência óptica. O tratamento engloba o controle da glicemia e da
pressão arterial. Tratamentos oculares por fotocoagulação a laser da retina, injeção
intravítrea de medicamentos do anti-fator de crescimento endotelial vascular (p. ex.,
aflibercepte, ranibizumabe, bevacizumabe), corticoides intraoculares, vitrectomia ou
uma combinação destes.
➔ A retinopatia diabética é uma complicação do diabetes que afeta os vasos
sanguíneos da retina, podendo causar danos à visão. É uma das principais
causas de cegueira entre adultos.
➔ Causas: O diabetes mal controlado leva ao aumento do açúcar no sangue,
que danifica os vasos sanguíneos da retina, resultando em inchaço,
hemorragias e, em casos graves, perda de visão.
➔ Tratamentos: Controle rigoroso do diabetes; Tratamento a
laser-fotocoagulação (para selar os vasos sanguíneos danificados); Injeções
de medicamentos anti-VEGF (para reduzir o inchaço e prevenir a formação
de novos vasos sanguíneos); Cirurgia
P8: Explique os principais exames oftalmológicos (fundoscopia e de
contraste).
Fundoscopia (ou Oftalmoscopia)
O que é a Fundoscopia?
A fundoscopia (ou oftalmoscopia) é um exame que permite observar o interior do
olho, mais especificamente a fundo de olho, que inclui a retina, o nervo óptico, os
vasos sanguíneos e a mácula. Este exame é essencial para detectar várias
condições oculares e sistêmicas, como glaucoma, retinopatia diabética,
degeneração macular, entre outras.
Como é realizado?
➔ O exame é realizado com o uso de um instrumento chamado oftalmoscópio,
que é um aparelho com uma luz que permite ao médico visualizar a parte
posterior do olho.
➔ O oftalmologista pode pedir que você dilate a pupila, usando colírios
especiais, para facilitar a visualização da retina e do nervo óptico.
➔ Após a dilatação, o médico examina a retina, observando sua cor, a presença
de lesões ou sangramentos, além dos vasos sanguíneos que irrigam essa
área.
➔ O exame pode ser realizado de forma direta ou indireta, dependendo do tipo
de oftalmoscópio utilizado.
O que é observado no fundo de olho?
➔ Nervo óptico (disco óptico): O médico observa a cor e o formato do nervo
óptico para verificar se há sinais de glaucoma ou outros problemas.
➔ Retina: São observadas manchas, descolamentos, hemorragias, inchaços ou
alterações nas áreas da retina que podem indicar doenças como retinopatia
diabética ou degeneração macular.
➔ Mácula: Região central da retina responsável pela visão detalhada. Lesões
nesta área podem levar à perda de visão central.
➔ Vasos sanguíneos: O exame permite verificar o calibre e a integridade dos
vasos sanguíneos da retina, identificando possíveis doenças, como
hipertensão ou diabetes.
Indicações:
➔ Glaucoma: Para verificar o estado do nervo óptico.
➔ Retinopatia diabética: Para observar possíveis danos nos vasos sanguíneos
da retina.
➔ Degeneração macular relacionada à idade: Para detectar alterações na
mácula.
➔ Hipertensãoarterial: Para avaliar alterações nos vasos sanguíneos
retinianos.
➔ Infecções oculares e inflamações: Como uveíte e toxoplasmose ocular.
Benefícios:
➔ Detecta doenças oculares e sistêmicas precocemente.
➔ Não invasivo, sendo um exame rápido e eficaz.
➔ Permite o diagnóstico de várias doenças que podem ser tratadas de forma
mais eficaz quando detectadas precocemente.
Exame de Contraste (Angiofluoresceinografia e Tomografia de Coerência
Óptica)
O que é o Exame de Contraste?
Existem diferentes tipos de exames de contraste utilizados na oftalmologia, sendo
os dois mais comuns a angiofluoresceinografia e a tomografia de coerência
óptica (OCT). Esses exames fornecem imagens detalhadas do fundo do olho e são
especialmente úteis para a análise de doenças da retina e da coroide.
a) Angiofluoresceinografia
Este exame é utilizado para visualizar os vasos sanguíneos da retina e da coroide, a
fim de detectar alterações nas suas estruturas ou fluxo sanguíneo. Ele envolve a
injeção de um corante fluorescente, chamado fluoresceína, na corrente sanguínea.
O corante passa pelos vasos sanguíneos dos olhos e, quando iluminado por uma
luz especial, emite fluorescência, permitindo ao médico observar as imagens
detalhadas da circulação ocular.
Como é realizado?
1. Injeção do corante fluoresceínico: O médico injeta uma substância
fluorescente na veia do braço do paciente.
2. Captura de imagens: Utilizando uma câmera especial, o oftalmologista faz
uma série de imagens do fundo de olho enquanto o corante circula pelo
sistema vascular ocular.
3. Análise das imagens: As imagens geradas permitem observar se há
vazamentos de fluido ou sangue dos vasos retinianos, que podem ser
indicativos de doenças como retinopatia diabética, degeneração macular,
entre outras.
Indicações:
➔ Retinopatia diabética: Para avaliar o grau de danos nos vasos sanguíneos da
retina.
➔ Degeneração macular: Para monitorar as alterações nos vasos sanguíneos
da mácula.
➔ Oclusão venosa ou arterial retiniana: Para verificar bloqueios nos vasos
sanguíneos.
➔ Neovascularização: Para verificar a presença de novos vasos sanguíneos
anormais, como em casos de degeneração macular ou retinopatia diabética.
Benefícios:
➔ Detecta com precisão alterações nos vasos sanguíneos e no fluxo sanguíneo
retiniano.
➔ Ajuda no diagnóstico e no monitoramento de doenças retinianas.
➔ Permite o planejamento do tratamento adequado, como a administração de
medicamentos para bloquear o crescimento de novos vasos sanguíneos.
b) Tomografia de Coerência Óptica (OCT)
A Tomografia de Coerência Óptica (OCT) é uma tecnologia de imagem não invasiva
que usa a luz para capturar imagens detalhadas das camadas da retina, incluindo a
mácula e o nervo óptico. Ele é comparado a uma "ultrassonografia com luz",
fornecendo cortes transversais da retina em alta resolução.
Como é realizado?
➔ O paciente é posicionado em frente ao equipamento OCT, e o exame é feito
sem a necessidade de contato direto com o olho.
➔ A luz infravermelha é projetada sobre a retina, e o aparelho captura imagens
em alta resolução das várias camadas da retina e do nervo óptico.
➔ O exame é rápido e geralmente indolor.
Indicações:
➔ Degeneração macular: Para analisar a integridade da mácula e identificar
lesões ou acúmulos de fluido.
➔ Glaucoma: Para medir a espessura da retina e do nervo óptico, ajudando a
detectar danos causados pelo aumento da pressão ocular.
➔ Retinopatia diabética: Para monitorar edemas e alterações nas camadas da
retina.
➔ Edema macular: Para verificar o acúmulo de fluido na mácula, como em
casos de diabetes ou retinite.
Benefícios:
➔ Imagens de alta resolução e alta definição das camadas da retina.
➔ Diagnóstico precoce e monitoramento de doenças retinianas e do nervo
óptico.
➔ Não invasivo e sem dor, com alta precisão para monitoramento de doenças
crônicas oculares.
https://donatoholhos.com/conheca-os-principais-exames-oftalmologicos/
P9: Qual a relação da diabetes e hipertensão com o sistema óptico?
Nos olhos, o diabetes e a hipertensão podem lesionar principalmente a circulação
de sangue na retina, levando a quadros de edema retiniano, micro aneurismas,
micro hemorragias, alterações no nervo óptico, fenômenos tromboembólicos,
hemorragia vítrea e até descolamento de retina.
Essa série de alterações pode levar o paciente a um quadro de cegueira
irreversível. O diabetes e a hipertensão não controlados podem também contribuir
para o agravamento dos quadros de glaucoma, catarata, estrabismo e outras
doenças oculares.
Todos os pacientes hipertensos e/ou diabéticos devem ser submetidos a avaliações
oftalmológicas rotineiras. Por meio de exames adequados como medida da
capacidade visual, estudo da movimentação ocular, medida da pressão intraocular e
principalmente por meio do exame de mapeamento de retina (fundo de olho), o
médico oftalmologista auxilia no diagnóstico precoce, controle e evolução dessas
doenças.
Além de cuidar dos olhos, o oftalmologista oferece informações importantíssimas
aos médicos que fazem o controle e tratamento medicamentoso do diabetes e da
hipertensão.
https://donatoholhos.com/conheca-os-principais-exames-oftalmologicos/
O exame de fundo de olho consegue avaliar as lesões oculares provocadas
pela diabetes e pela hipertensão. Além de verificar a saúde ocular é uma
forma indireta de avaliar a circulação de outros órgãos que podem estar
comprometidos pelas doenças.
O exame de fundo de olho alterado, com hemorragias e aneurismas, por
exemplo, pode indicar que outros órgãos também podem sofrer alterações
vasculares semelhantes.
Diabetes e o Sistema Óptico
A diabetes mellitus é uma doença crônica que afeta o metabolismo da glicose,
levando a níveis elevados de açúcar no sangue. Se não for bem controlada, a
diabetes pode afetar diversos órgãos e sistemas, incluindo os olhos.
Complicações oculares associadas à diabetes:
● Retinopatia Diabética:
○ O que é? A retinopatia diabética é uma das complicações mais
comuns da diabetes, causada por danos aos vasos sanguíneos da
retina devido aos altos níveis de glicose no sangue.
○ Como afeta? Com o tempo, os altos níveis de glicose causam lesões
nos vasos sanguíneos da retina, levando a hemorragias, vazamentos
de fluido e até o crescimento de novos vasos sanguíneos
(neovascularização), que são fracos e podem sangrar.
○ Sintomas: Perda de visão, manchas ou flutuadores na visão, visão
turva, dificuldade em enxergar à noite.
○ Tratamento: Controle rigoroso da glicemia, fotocoagulação a laser,
injeções intraoculares de medicamentos anti-VEGF (para reduzir o
crescimento de novos vasos) e, em casos mais avançados, cirurgia.
● Edema Macular Diabético:
○ O que é? O edema macular diabético ocorre quando a área central da
retina, a mácula, acumula fluido devido ao vazamento de fluidos dos
vasos sanguíneos danificados.
○ Como afeta? A mácula é responsável pela visão central e detalhada,
essencial para tarefas como leitura e reconhecimento facial. O
acúmulo de fluido pode causar perda de visão central.
○ Tratamento: Injeções de medicamentos anti-VEGF ou corticosteroides,
fotocoagulação a laser, controle rigoroso da glicose.
● Catarata Diabética:
○ O que é? A diabetes também está associada ao aumento da
incidência de catarata, uma condição onde o cristalino do olho torna-se
opaco, prejudicando a visão.
○ Como afeta? A catarata causa visão turva e embaçada, e pode
progredir rapidamente em pessoas com diabetes mal controlada.
○ Tratamento: A única forma de tratar a catarata é através de cirurgia
para remoção do cristalino opaco e substituição por uma lente
intraocular.
● Glaucoma:
○ O que é? O glaucoma é uma doença ocular que afeta o nervo óptico,
geralmente devido ao aumento da pressão intraocular.
○ Como afeta? Pacientes diabéticos têm um risco aumentado de
desenvolver glaucoma, em particular o glaucoma de ângulo fechado e
o glaucoma de ângulo aberto.
○ Tratamento:O tratamento do glaucoma envolve medicamentos para
reduzir a pressão ocular, tratamento a laser ou cirurgia, dependendo
do tipo e da gravidade.
Hipertensão e o Sistema Óptico
A hipertensão arterial (pressão alta) é uma condição na qual a pressão sanguínea
nas artérias é constantemente elevada. A pressão alta pode danificar os vasos
sanguíneos em diversas partes do corpo, incluindo os olhos, levando a
complicações oculares significativas.
Complicações oculares associadas à hipertensão:
● Retinopatia Hipertensiva:
○ O que é? A retinopatia hipertensiva é uma condição em que os vasos
sanguíneos da retina se tornam danificados devido ao aumento da
pressão arterial.
○ Como afeta? A hipertensão crônica pode causar espessamento e
estreitamento dos vasos sanguíneos da retina, além de danos aos
vasos menores, levando a hemorragias, edema (acúmulo de fluido) e
alteração na cor da retina. Em estágios mais avançados, pode ocorrer
o aparecimento de exsudatos (depósitos de lipídios) e danos ao nervo
óptico.
○ Sintomas: Em estágios iniciais, pode não haver sintomas. Nos casos
mais graves, pode ocorrer perda de visão.
○ Tratamento: O tratamento foca no controle rigoroso da pressão arterial.
Em alguns casos, a fotocoagulação a laser pode ser necessária para
tratar hemorragias ou exsudatos.
● Edema de Papila (Papiledema):
○ O que é? O papiledema é o inchaço do nervo óptico causado pelo
aumento da pressão intracraniana. Embora não seja causado
diretamente pela hipertensão, ela pode contribuir para o aumento da
pressão no cérebro, resultando em papiledema.
○ Como afeta? O papiledema pode levar à perda de visão,
principalmente se a pressão intracraniana não for controlada.
○ Tratamento: O tratamento envolve a identificação e o controle da
causa subjacente, como a redução da pressão arterial e o controle de
qualquer aumento de pressão intracraniana.
● Glaucoma Hipertensivo:
○ O que é? A hipertensão ocular, caracterizada por um aumento da
pressão intraocular, pode ocorrer em pessoas com hipertensão arterial
e aumentar o risco de desenvolver glaucoma, uma condição que
danifica o nervo óptico.
○ Como afeta? A pressão elevada no olho pode danificar as fibras do
nervo óptico, levando à perda de visão periférica e, eventualmente,
cegueira.
○ Tratamento: O controle rigoroso da pressão ocular e arterial, além de
medicamentos para reduzir a pressão intraocular.
● Aterosclerose Retiniana:
○ O que é? Aterosclerose é o endurecimento e o estreitamento das
artérias, e pode afetar os vasos sanguíneos da retina, resultando em
uma redução do fluxo sanguíneo e oxigenação para a retina.
○ Como afeta? Pode levar a danos na retina e comprometer a visão,
resultando em retinopatia hipertensiva.
○ Tratamento: O tratamento visa controlar a hipertensão para reduzir o
risco de danos adicionais aos vasos sanguíneos da retina.
Relação entre Diabetes, Hipertensão e Saúde Ocular
A combinação de diabetes e hipertensão pode aumentar o risco de complicações
oculares de forma sinérgica. Quando um paciente apresenta ambas as condições,
os danos aos vasos sanguíneos da retina (retinopatia diabética e retinopatia
hipertensiva) podem ocorrer de forma mais rápida e severa, levando a complicações
mais graves, como:
● Acúmulo de fluido na retina (edema macular).
● Crescimento anormal de novos vasos sanguíneos (neovascularização), o que
pode resultar em hemorragias ou descolamento da retina.
● Aumento do risco de glaucoma e catarata.
Prevenção e Tratamento:
● Controle rigoroso da glicemia (no caso da diabetes) e da pressão arterial é
fundamental para prevenir ou minimizar as complicações oculares.
● Exames oftalmológicos regulares são essenciais para a detecção precoce de
danos aos olhos e para o tratamento precoce das complicações.
● Medicamentos e cirurgia podem ser necessários dependendo da gravidade
das complicações oculares. O controle de ambas as condições é a chave
para preservar a visão a longo prazo.
P10: Explique o mecanismo de ação do colírio bloqueador beta adrenérgico.
Mecanismos de ação dos betabloqueadores
Os betabloqueadores agem bloqueando os receptores beta-adrenérgicos, inibindo
as respostas cronotrópicas, inotrópicas e vasoconstritoras causadas pelas
catecolaminas, epinefrina e norepinefrina. Quando esses neurotransmissores se
ligam aos receptores na membrana celular, gera um aumento da concentração de
AMPc, que transmite sua informação às células alvo. Assim, o efeito final da
ativação do receptor depende da sua localização e do tipo de receptor (β1 ou β2).
Os colírios bloqueadores beta-adrenérgicos são amplamente utilizados no
tratamento de condições oculares, principalmente para o controle do glaucoma e da
hipertensão ocular. Esses medicamentos atuam diminuindo a pressão intraocular
(PIO), que é fundamental no manejo do glaucoma, uma doença que causa danos ao
nervo óptico devido ao aumento da pressão no interior do olho.
Mecanismo de Ação dos Colírios Bloqueadores Beta-Adrenérgicos
Receptores Beta-Adrenérgicos e Localização no Olho
O sistema nervoso simpático, que é responsável pela resposta de "luta ou fuga",
libera neurotransmissores como a adrenalina (epinefrina) e a noradrenalina
(norepinefrina). Esses neurotransmissores se ligam a receptores beta-adrenérgicos
localizados em vários tecidos do corpo, incluindo o olho. Existem dois tipos
principais de receptores beta-adrenérgicos: beta-1 e beta-2.
➔ Receptores Beta-1: Localizados principalmente no coração.
➔ Receptores Beta-2: Encontrados em vários tecidos, incluindo o olho,
especialmente na câmara anterior do olho e na coróide.
No olho, os receptores beta-2 são importantes porque estão envolvidos na produção
do humor aquoso (o fluido que preenche a câmara anterior do olho) e no fluxo de
fluido para fora do olho.
Como o Bloqueio Beta-2 Afeta a Pressão Intraocular?
O bloqueio dos receptores beta-2 no olho tem um efeito direto na produção e
drenagem do humor aquoso. O mecanismo pode ser explicado da seguinte forma:
➔ Redução da produção de humor aquoso: Normalmente, a estimulação dos
receptores beta-2 aumenta a produção de humor aquoso pelos processos
ciliares (estruturas dentro do olho que produzem o fluido). Ao bloquear esses
receptores, os colírios beta-adrenérgicos diminuem a produção de humor
aquoso, o que, por sua vez, reduz a pressão dentro do olho.
➔ Aumento do escoamento de humor aquoso: Embora a principal ação dos
beta-bloqueadores seja a redução da produção do humor aquoso, alguns
estudos sugerem que eles também podem aumentar o escoamento do fluido
através do sistema de drenagem escleral (um caminho alternativo para a
drenagem do humor aquoso), embora essa ação seja menos pronunciada.
Efeito Final: Redução da Pressão Intraocular (PIO)
O efeito final do bloqueio beta-adrenérgico é uma diminuição na pressão intraocular
(PIO), que é crucial no tratamento do glaucoma. No glaucoma, o aumento da PIO
pode danificar o nervo óptico, levando à perda de visão. Ao reduzir a produção do
humor aquoso, os bloqueadores beta-adrenérgicos ajudam a evitar danos ao nervo
óptico, estabilizando a visão.
Exemplos de Colírios Beta-Bloqueadores
Alguns dos colírios mais comuns que contêm bloqueadores beta-adrenérgicos
incluem:
➔ Timolol: É um dos beta-bloqueadores mais usados para reduzir a PIO no
tratamento do glaucoma.
➔ Levobunolol e Metipranolol também são exemplos de colírios
beta-bloqueadores utilizados para o mesmo fim.
Esses medicamentos podem ser administrados de uma a duas vezes por dia,
dependendo da formulação e da recomendação médica.
Efeitos Colaterais Comuns:
Embora os colírios beta-bloqueadores sejam eficazes, eles podem causar efeitos
colaterais, especialmente em pacientes com condições pré-existentes. Alguns dos
efeitos colaterais incluem:
➔ Bradicardia (diminuição da frequência cardíaca): Como os bloqueadores beta
agem em receptores do coração, eles podem reduzir a frequência cardíaca, o
que é problemáticopara pessoas com bradicardia ou problemas cardíacos.
➔ Hipotensão (pressão arterial baixa): Também devido à ação nos receptores
beta no coração e vasos sanguíneos, pode ocorrer uma redução na pressão
arterial.
➔ Problemas respiratórios: O bloqueio beta-2 pode causar constrição dos
brônquios, o que pode agravar condições respiratórias, como asma e doença
pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
➔ Efeitos oculares locais: Pode causar sensação de queimação, olho seco,
coceira ou vermelhidão no olho.
Contraindicações:
➔ Pacientes com asma ou outras doenças respiratórias graves devem evitar o
uso de colírios beta-bloqueadores, pois o bloqueio dos receptores beta-2
pode causar broncoespasmo (estreitamento das vias aéreas).
➔ Pacientes com bradicardia ou com histórico de problemas cardíacos, como
insuficiência cardíaca, devem usar com cautela, já que a redução da
frequência cardíaca pode agravar essas condições.
Conclusão:
Os colírios bloqueadores beta-adrenérgicos atuam principalmente reduzindo a
produção de humor aquoso e, em menor grau, aumentando o seu escoamento,
resultando em uma redução da pressão intraocular. Isso é particularmente útil no
tratamento do glaucoma e da hipertensão ocular, ajudando a prevenir danos ao
nervo óptico e a preservar a visão. No entanto, como qualquer medicamento, eles
devem ser usados com cautela, especialmente em pacientes com problemas
respiratórios ou cardíacos, e sob supervisão médica regular.
P11: Qual a legislação brasileira para os deficientes visuais?
Constituição Federal de 1988
A Constituição Brasileira de 1988 é o marco principal para os direitos das pessoas
com deficiência no país, assegurando, em seus artigos, a igualdade de direitos e a
proteção contra discriminação.
➔ Art. 5º - Princípio da igualdade: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção
de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros,
residentes no País, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade."
➔ Art. 23 e Art. 227: Tratam das responsabilidades do Estado em promover
políticas públicas para garantir a cidadania plena a todas as pessoas com
deficiência.
➔ Art. 203: O sistema de seguridade social inclui a assistência social a pessoas
com deficiência.
Direitos Garantidos pela Constituição:
➔ Direito à igualdade e à não discriminação.
➔ Acessibilidade e inclusão social, garantindo que pessoas com deficiência
visual possam ter acesso a transporte, educação e serviços públicos.
➔ Acesso ao trabalho e à educação inclusiva, como um direito fundamental.
Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015)
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), também conhecida
como Estatuto da Pessoa com Deficiência, foi sancionada em 2015 e é a legislação
mais abrangente para a proteção das pessoas com deficiência no Brasil, incluindo
as pessoas com deficiência visual.
Principais pontos da LBI relacionados aos deficientes visuais:
● Acessibilidade: A LBI garante o direito à acessibilidade física, atitudinal,
comunicacional e digital, exigindo que espaços públicos e privados,
transporte, serviços e produtos sejam acessíveis a pessoas com deficiência
visual.
○ Art. 63: Estabelece que os órgãos e entidades devem garantir o uso de
tecnologias assistivas e de recursos como leitura em braille,
audiodescrição e tecnologias de apoio para que as pessoas com
deficiência visual possam acessar as informações e realizar suas
atividades cotidianas.
● Educação Inclusiva: A LBI assegura o direito de pessoas com deficiência
visual a acesso ao ensino regular, com recursos de acessibilidade e apoio
pedagógico especializado.
○ Art. 28: Trata da educação inclusiva e da oferta de matérias acessíveis
como braille e leitura de livros didáticos em formato adequado.
● Apoio no Trabalho: A legislação prevê adaptações no ambiente de trabalho e
políticas públicas de emprego para garantir a inclusão das pessoas com
deficiência visual no mercado de trabalho.
○ Art. 34: Estabelece que a pessoa com deficiência tem direito a
trabalhar em condições de igualdade e com as adaptações
necessárias.
● Transportes e Serviços Públicos: A lei garante acessibilidade nos transportes
e exige que os serviços públicos sejam adequados para o atendimento das
pessoas com deficiência visual.
○ Art. 44: Determina que os meios de transporte e os locais de
circulação pública sejam acessíveis, como a instalação de sinalizações
em braille, placas com contraste e tamanho de fonte legível, e
audiodescrição.
● Tecnologias Assistivas: A LBI assegura que as pessoas com deficiência
visual tenham acesso a tecnologias assistivas que possam facilitar o seu
cotidiano, como softwares de leitura de tela, impressoras braille, entre outros
recursos.
Lei de Cotas (Lei 8.213/1991)
A Lei 8.213/1991, conhecida como a Lei de Cotas, é uma legislação importante para
promover a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Ela
determina que empresas com 100 ou mais funcionários devem reservar uma
porcentagem de suas vagas para pessoas com deficiência, incluindo aquelas com
deficiência visual.
Art. 93 - Lei 8.213/1991:
➔ Empresas com 100 a 200 empregados devem reservar 2% de suas vagas
para pessoas com deficiência.
➔ Empresas com 201 a 500 empregados devem reservar 3%.
➔ Empresas com 501 a 1.000 empregados devem reservar 4%.
➔ Empresas com mais de 1.000 empregados devem reservar 5%.
A lei visa garantir que as pessoas com deficiência tenham acesso ao mercado de
trabalho em condições de igualdade.
Lei 10.098/2000 - Acessibilidade
A Lei 10.098/2000 trata da acessibilidade de pessoas com deficiência em espaços
públicos e privados. Ela visa garantir o direito de ir e vir das pessoas com deficiência
visual e de outros tipos de deficiência.
Principais aspectos da Lei 10.098/2000:
➔ Acessibilidade nos meios de transporte: A lei exige que os meios de
transporte coletivo, como ônibus e metrôs, sejam adaptados para permitir a
mobilidade das pessoas com deficiência visual, com uso de sinalizações
sonoras e dispositivos de apoio como barras de apoio e placas em braille.
➔ Acessibilidade no espaço urbano: Estabelece a obrigatoriedade de calçadas
acessíveis, sinalizações sonoras e caminhos táteis para facilitar a locomoção
de pessoas com deficiência visual.
Decreto 5.296/2004
O Decreto 5.296/2004 regulamenta a Lei 10.098/2000 e estabelece normas gerais
de acessibilidade, especificando requisitos de acessibilidade em edificações,
espaços públicos e meios de transporte.
Pontos relevantes do Decreto 5.296/2004 para deficientes visuais:
● Equipamentos e recursos para deficientes visuais: O decreto determina que
devem ser oferecidos recursos como tabelas em braille, sinalizações sonoras
e sistemas de leitura tátil.
● Acessibilidade em espaços públicos: Os espaços devem contar com
caminhos táteis e sonoros que orientem o deslocamento das pessoas com
deficiência visual.
Lei do cão-guia
A Lei nº 11.126/2005 assegura à pessoa com deficiência visual acompanhada de
cão-guia o direito de ingressar e de permanecer com o animal em todos os meios de
transporte e em estabelecimentos abertos ao público, de uso público e privados de
uso coletivo.
Lei de cotas
A Lei 8.213/1991 determina que a empresa com 100 ou mais empregados está
obrigada a preencher, de 2% a 5% dos seus cargos, com beneficiários reabilitados
ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas, na seguinte proporção: 2%
quando se tem até 200 empregados; 3% quando for de 201 a 500; 4% quando for
de 501 a 1000; e 5% quando tiver de 1001 em diante.
Lei de Braille
A Lei nº 4.169/1962 oficializa e obriga o uso, em todo o território nacional, as
convenções Braille, para uso na escrita e leitura dos cegos, e o Código de
Contrações e Abreviaturas Braille.
Lei de isenção de IPI
A Lei nº 8.989/1995 garante que pessoas com deficiência física, visual, auditivae
mental severa ou profunda e pessoas com transtorno do espectro autista,
diretamente ou por intermédio de seu representante legal, fiquem isentos do
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Sendo os automóveis de passageiros
de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a 2.000 cm³
de, no mínimo, 4 (quatro) portas, inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a
combustível de origem renovável, sistema reversível de combustão ou híbrido e
elétricos.
Lei de Acessibilidade
O Decreto-lei nº 5.296/2004 estipula prazos e regulamenta o atendimento às
necessidades específicas de pessoas com deficiência, no que concerne a projetos
de natureza arquitetônica e urbanística, de comunicação e informação, de
transporte coletivo, bem como a execução de qualquer tipo de obra com destinação
pública ou coletiva.
Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Plano Viver sem
Limite
O Decreto nº 7.612/2011 institui o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com
Deficiência – Plano Viver sem Limite, com a finalidade de promover, por meio da
integração e articulação de políticas, programas e ações, o exercício pleno e
equitativo dos direitos das pessoas com deficiência, nos termos da Convenção
Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo
Facultativo. Este plano atua nos eixos de acesso à educação, atenção à saúde,
inclusão social e acessibilidade.
P12: Caracterize os campos visuais e suas alterações.
Os campos visuais se referem à área total que uma pessoa pode ver quando olha
para frente sem mover os olhos ou a cabeça. Eles são essenciais para a percepção
do ambiente ao nosso redor e para a execução de atividades cotidianas, como ler,
dirigir e até mesmo caminhar. As alterações nos campos visuais podem indicar
problemas com a saúde ocular, neurológica ou mesmo sistêmica.
O que é o Campo Visual?
O campo visual é a área percebida pelos olhos quando a cabeça e os olhos
permanecem fixos. Ele é dividido em várias regiões, como:
➔ Campo visual monocular: O que cada olho individualmente consegue ver.
➔ Campo visual binocular: A sobreposição dos campos visuais de ambos os
olhos, permitindo uma visão estereoscópica (profundidade).
➔ Campo visual periférico: Refere-se à visão que temos nas extremidades do
campo visual, ou seja, o que vemos fora do ponto central de fixação.
A área central da visão é chamada de fovea, localizada na mácula da retina, e é
responsável pela visão detalhada e precisa. A periferia, em contrapartida, é
responsável pela detecção de movimento e pela percepção geral do ambiente, mas
com menor resolução.
Exame do Campo Visual
O exame do campo visual é realizado para detectar e caracterizar alterações na
visão periférica e central, como aquelas associadas ao glaucoma, lesões cerebrais,
neuropatias e outras condições.
O exame de campo visual pode ser feito de diversas formas, sendo as mais
comuns:
➔ Perimetria: Um exame realizado em consultórios oftalmológicos que mapeia o
campo visual do paciente, geralmente utilizando um dispositivo
computadorizado.
➔ Teste de confrontação: Um exame mais simples, feito pelo médico durante a
consulta, que verifica as áreas de visão periférica do paciente com base na
comparação da percepção visual entre o examinador e o paciente.
Alterações nos Campos Visuais
Alterações nos campos visuais podem ser indicativas de diversas condições
oculares e neurológicas. A seguir, apresento algumas das alterações mais comuns:
a) Escotomas
Escotoma é a perda de uma parte do campo visual, resultando em uma "mancha
cega" que pode ser central ou periférica. Pode ser causada por várias condições,
como:
➔ Neuropatia óptica (inflamação ou dano no nervo óptico).
➔ Degeneração macular.
➔ Lesões cerebrais ou tumores.
O escotoma pode ser descrito como um ponto ou área em que a visão é borrada,
distorcida ou inexistente.
b) Hemianopia
Hemianopia é a perda de metade do campo visual, podendo ser de um dos olhos ou
de ambos. Ela pode ocorrer em várias formas:
➔ Hemianopia homônima: Perda de metade do campo visual do mesmo lado
em ambos os olhos. Pode ser esquerda ou direita. Normalmente, é causada
por lesões no cérebro, particularmente nos lobos occipitais ou no trato óptico.
➔ Hemianopia binasal: Perda da visão nas regiões nasais (perto do nariz) de
ambos os olhos, que pode ocorrer devido a compressões na parte do cérebro
responsável pelo processamento da visão.
➔ Hemianopia bitemporal: Perda da visão nas partes temporais (laterais) dos
campos visuais de ambos os olhos. Isso pode ser causado por lesões no
quiasma óptico, como em tumores da hipófise.
c) Quadrantopsia
A quadrantopsia é a perda de uma parte do campo visual em um quadrante (uma
quarta parte) do campo visual. Pode afetar a parte superior ou inferior do campo
visual e está associada a lesões cerebrais específicas ou problemas no nervo
óptico.
d) Glaucoma
No glaucoma, uma das principais causas de alterações no campo visual, há uma
redução progressiva do campo visual periférico (visão lateral), geralmente
começando nas regiões inferior e nasal. Se não tratado, o glaucoma pode levar à
perda da visão central, resultando em cegueira irreversível. Essa condição é
causada por um aumento da pressão intraocular, o que danifica as fibras do nervo
óptico.
e) Deficiência de Visão Binocular
A deficiência de visão binocular ocorre quando há dificuldades de integração dos
campos visuais dos dois olhos, o que pode resultar em problemas com a percepção
de profundidade e a capacidade de perceber distâncias. Isso pode ser causado por:
➔ Estrabismo (quando os olhos não estão alinhados corretamente).
➔ Amblyopia (ou "olho preguiçoso", quando um olho não se desenvolve
adequadamente).
f) Deficiência de Visão Central
A perda de visão central ocorre quando a área central do campo visual é afetada. A
degeneração macular é uma das principais causas dessa alteração, que
compromete a visão detalhada e impede a leitura, reconhecimento de rostos e
outras atividades que dependem da visão central. Pode ser acompanhada de
escotomas centrais (áreas cegas no centro da visão).
g) Anopsia
Anopsia é a ausência completa da visão em parte ou em todo o campo visual de um
olho. Isso pode ocorrer devido a lesões severas na retina, no nervo óptico ou no
sistema nervoso central.
Causas das Alterações no Campo Visual
As alterações no campo visual podem ter várias causas, incluindo:
➔ Doenças oculares: Como glaucoma, catarata, degeneração macular,
retinopatia diabética e neuropatias ópticas.
➔ Doenças neurológicas: Como tumores cerebrais, acidente vascular cerebral
(AVC), esclerose múltipla, neuropatias ópticas e lesões cerebrais.
➔ Doenças sistêmicas: Como diabetes, hipertensão e doenças autoimunes, que
podem afetar a retina ou o nervo óptico.
➔ Traumas: Lesões nos olhos ou na cabeça que afetam a visão ou as vias
visuais.
➔ Fatores genéticos: Algumas condições genéticas, como a retinite pigmentosa,
podem causar alterações progressivas no campo visual.
Tratamento das Alterações no Campo Visual
O tratamento depende da causa subjacente das alterações no campo visual.
Algumas abordagens incluem:
➔ Tratamento do glaucoma: Com medicamentos (colírios) para reduzir a
pressão intraocular ou, em casos graves, cirurgia.
➔ Correção de problemas refrativos: Com óculos ou cirurgia para corrigir erros
de refração, como miopia, hipermetropia e astigmatismo.
➔ Tratamento da degeneração macular: Usando medicamentos intravítreos
(anti-VEGF) e terapia a laser.
➔ Tratamento da neuropatia óptica: Dependendo da causa, pode envolver
medicamentos anti-inflamatórios ou antibióticos, dependendo da etiologia.
➔ Reabilitação visual: Para pessoas com perda de campo visual significativa,
pode ser necessária a reabilitação com recursos de tecnologia assistiva,
como leitores de tela, dispositivos de ampliação e treinamento de mobilidade.
https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/multimedia/table/tipos-de-defeito-no-campo-visual
https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/multimedia/table/tipos-de-defeito-no-campo-visual
https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/multimedia/table/tipos-de-defeito-no-campo-visual
P13: Descrever as vias sensoriais que partem da retina, mas que não são
relacionadas com a função visual (4 vias).
Essas outras vias são relacionadas a reflexos e a regulação de funções biológicas,
como o ritmo circadiano e a constrição da pupila, e não são diretamente
responsáveis pela visão.
Via Retinohipotalâmica (Reflexo Pupilar e Ritmo Circadiano)
A via retinohipotalâmica é uma via sensorial que transmite informações da retina
diretamente para o hipotálamo, sem passar pelo tálamo. Essa via não está
envolvida na percepção visual, mas tem funções importantes na regulação de
diversos processos fisiológicos:
➔ Ritmo circadiano: A retina contém células ganglionares especiais chamadas
células ganglionares retinianas fotosensíveis (que contêm o pigmento
melanopsina) que são sensíveis à luz, especialmente à luz azul. Essas
células transmitem informações ao núcleo supraquiasmático (NSQ) do
hipotálamo, que é o principal regulador do ritmo circadiano (ciclo de 24 horas
de sono e vigília). A luz, através dessa via, ajuda a ajustar os ritmos
biológicos do corpo à alternância dia-noite.
➔ Reflexo pupilar: As células ganglionares retinianas também desempenham
um papel na regulação do reflexo pupilar (contração ou dilatação da pupila
em resposta à luz). Essas vias ajudam a ajustar o diâmetro da pupila para
controlar a quantidade de luz que entra nos olhos, otimizando a visão em
diferentes condições de iluminação.
Via Retinotectal (Reflexos Visuais e Orientação Espacial)
A via retinotectal transmite sinais da retina para o tecto superior (ou colículo
superior) no cérebro, uma estrutura localizada no tronco encefálico. O colículo
superior é responsável por diversas funções motoras relacionadas à visão, mas
também está envolvido em reflexos visuais e controle motor que não envolvem a
percepção consciente da visão.
➔ Movimentos oculares automáticos: O colículo superior é uma área crucial
para a coordenação de movimentos reflexos, como os movimentos sacádicos
(movimentos rápidos dos olhos) e o reflexo de orientação (movimento dos
olhos e da cabeça em direção a estímulos visuais ou auditivos).
➔ Reflexos visuais: A via retinotectal está associada ao processamento rápido
de estímulos visuais que desencadeiam respostas motoras rápidas, como
desviar-se de um objeto em movimento ou reagir a mudanças súbitas no
ambiente, sem a necessidade de processamento consciente visual.
Via Retinopontina (Controle da Atenção e Movimento dos Olhos)
A via retinopontina conecta a retina ao tronco encefálico, especificamente à ponte,
uma estrutura que faz parte do cérebro médio e é envolvida no controle dos
movimentos dos olhos. Essa via também não tem a ver com a percepção visual
consciente, mas contribui para a regulação do comportamento motor relacionado à
visão.
➔ Movimentos sacádicos e de rastreamento: As vias retinopontinas ajudam a
coordenar movimentos oculares rápidos (sacádicos) e lentos (movimentos de
rastreamento) que são essenciais para a exploração visual do ambiente.
Esses movimentos são automáticos e baseados na informação visual
recebida pela retina.
➔ Atenção visual: A via também está envolvida na atenção visual, ajudando o
sistema a focar em estímulos visuais importantes, permitindo que os olhos se
movam de forma rápida e precisa em direção a pontos de interesse.
Via Retinovascular (Controle do Tônus Vascular Ocular)
Embora a principal função da retina seja a percepção visual, ela também está
envolvida na regulação do fluxo sanguíneo para o olho e seus tecidos. A via
retinovascular é responsável pela modulação da circulação sanguínea ocular, em
resposta a estímulos visuais e condições ambientais.
➔ Controle do tônus vascular: A retina pode regular o fluxo sanguíneo ocular
em resposta a mudanças nas condições de luz e em processos internos do
corpo, como durante atividades que envolvem o aumento da pressão ocular.
Essa regulação ajuda a manter a homeostase ocular e a saúde dos vasos
sanguíneos na retina, prevenindo danos.
➔ Estímulos e adaptações vasculares: Em situações de luz intensa ou fraca, a
via retinovascular pode modificar o tônus dos vasos sanguíneos da retina
para melhorar o fornecimento de oxigênio e nutrientes, ajustando a perfusão
sanguínea e, consequentemente, a visão.
P14: Explique a função de absolutamente todas as estruturas que compõem o
sistema visual.
Já respondido!
P15: Explique a relação da visão com o equilíbrio.
A relação entre visão e equilíbrio é essencial para nossa capacidade de manter a
estabilidade corporal e a orientação espacial. A visão desempenha um papel crucial
na percepção do ambiente ao nosso redor, ajudando a coordenar os movimentos e
a manter o equilíbrio, especialmente quando estamos em movimento ou em
situações de instabilidade. Essa interação é mediada por uma rede complexa de
sistemas sensoriais e neurológicos.
Sistema Vestibular: O Papel do Equilíbrio
O sistema vestibular está localizado no ouvido interno, dentro dos ossos temporais.
Ele é responsável por perceber os movimentos da cabeça e a posição do corpo no
espaço. O sistema vestibular é composto por duas partes principais:
➔ Canal semicircular: Detecta movimentos de rotação da cabeça.
➔ Órgãos otolíticos (utrículo e sáculo): Detectam movimentos lineares, como
aceleração ou desaceleração, e a gravidade (posição da cabeça em relação
ao solo).
Esses sinais vestibulares são enviados para o cérebro, onde são processados,
permitindo que o corpo ajuste sua posição para manter o equilíbrio.
Sistema Proprioceptivo: Sentidos Corporais e Percepção de Posição
O sistema proprioceptivo é composto por receptores sensoriais presentes nos
músculos, articulações e pele, que nos permitem perceber a posição e o movimento
do corpo no espaço. Esses receptores detectam o alongamento muscular, a pressão
articular e a deformação da pele, enviando sinais para o cérebro sobre a posição do
corpo em relação ao solo.
Embora o sistema vestibular e proprioceptivo sejam os principais responsáveis pelo
equilíbrio, a visão também desempenha um papel fundamental nesse processo,
servindo como uma referência adicional e coordenadora para a orientação do corpo
no espaço.
A Visão como Referência para o Equilíbrio
A visão fornece informações cruciais sobre o ambiente, como a posição dos objetos
e a orientação espacial. Quando estamos em movimento ou em um ambiente
instável, a visão ajuda a complementar as informações fornecidas pelo sistema
vestibular e proprioceptivo, garantindo que possamos reagir de maneira adequada
às mudanças no ambiente.
Como a visão contribui para o equilíbrio:
➔ Referência espacial: A visão nos ajuda a perceber a posição de objetos fixos
ao nosso redor, como paredes, móveis e o chão, o que ajuda a manter a
orientação espacial e a detectar deslocamentos do corpo ou alterações no
ambiente. Se a visão é perturbada (como em condições de baixa iluminação
ou em ambientes muito instáveis), o equilíbrio pode ser comprometido.
➔ Correção de movimento: A visão é essencial para corrigir os movimentos
corporais em tempo real. Por exemplo, quando estamos andando ou
correndo, o sistema visual monitora o movimento do corpo em relação ao
ambiente, permitindo ajustes finos para garantir que não percamos o
equilíbrio.
➔ Controle da postura: O cérebro utiliza as informações visuais para manter a
postura adequada. Quando olhamos para a frente e vemos uma linha do
horizonte ou um ponto de referência fixo, nosso cérebro utiliza essa
informação para manter a postura estável e evitar quedas.
Integração Sensoriais: Como o Corpo Mantém o Equilíbrio
O cérebro recebe informações simultâneasde três sistemas principais:
1. Sistema vestibular: Detecta os movimentos da cabeça e a gravidade.
2. Sistema proprioceptivo: Informa sobre a posição e movimento do corpo no
espaço.
3. Sistema visual: Fornece dados sobre a posição dos objetos ao redor e as
condições do ambiente.
Essas informações são integradas no cérebro, especialmente no cerebelo, que
coordena os sinais para ajustar a postura e os movimentos. Se algum desses
sistemas falhar ou fornecer informações contraditórias, o equilíbrio pode ser afetado.
Por exemplo, quando estamos em movimento, o sistema vestibular detecta a
mudança de posição da cabeça, mas a visão nos oferece uma referência estática do
ambiente. Se a visão estiver comprometida (em um ambiente muito escuro, por
exemplo), o sistema vestibular e proprioceptivo precisam trabalhar de forma mais
intensa para manter o equilíbrio, o que pode ser mais desafiador.
Disfunção nos Sistemas de Equilíbrio e Visão
A perda da visão ou de informações visuais pode afetar gravemente o equilíbrio,
como observado em condições que afetam a visão, como catarata, degeneração
macular ou outras doenças oculares. Quando a visão está comprometida, o cérebro
depende mais do sistema vestibular e proprioceptivo, mas, sem a visão, pode ser
mais difícil fazer ajustes rápidos e precisos.
Além disso, doenças vestibulares (como vertigem ou labirintite) também podem
interferir na capacidade do corpo de manter o equilíbrio, mesmo que a visão e a
propriocepção estejam intactas.
Exemplo de Experimentos e Situações:
➔ Testes de equilíbrio em ambientes escuros: Se uma pessoa for colocada em um
ambiente sem luz e tiver que caminhar, a dificuldade em manter o equilíbrio será
maior devido à falta de informações visuais, mesmo que o sistema vestibular esteja
funcionando normalmente. Nesse cenário, o cérebro precisa confiar mais nas
informações do sistema proprioceptivo e vestibular.
➔ Movimento da cabeça e visão: Quando uma pessoa gira a cabeça rapidamente, o
sistema vestibular detecta esse movimento e o cérebro faz ajustes para manter o
equilíbrio. Ao mesmo tempo, a visão também contribui, ajudando a estabilizar o
campo visual e a corrigir a orientação do corpo.
➔ Doenças como a síndrome de Ménière ou a labirintite: Essas condições, que afetam
o sistema vestibular, podem causar vertigem (sensação de que o ambiente está
girando) e perda do equilíbrio. Quando isso ocorre, mesmo a visão não é suficiente
para corrigir a percepção espacial, levando a dificuldades na coordenação motora e
ao aumento do risco de quedas.para a parede lateral da órbita
➔ Asa Menor: forma parte da parede posterior e contém o canal óptico,
por onde o nervo óptico e a artéria oftálmica passam
5. Lacrimal: Pequeno osso localizado na parte anterior da parede medial da
órbita. Ele contribui para a formação do canal nasolacrimal, que drena as
lágrimas para a cavidade nasal.
6. Etmóide: Forma a maior parte da parede medial da órbita. O etmoide é
extremamente fino e contém as células etmoidais, que são cavidades aéreas
no interior do osso.
7. Palatino: Contribui minimamente para a órbita, formando uma pequena
porção da parede posterior inferior.
Conteúdo da Órbita
1. Bulbo do olho (globo ocular): O globo ocular ocupa o centro da órbita. Ele é
composto por várias camadas de tecidos:
- Esclera: a camada externa branca do olho, que é rígida e proporciona
forma e proteção
- Coróide: camada vascular que nutre o olho
- Retina: camada mais interna, responsável pela captação de luz e
transformação em sinais nervosos
2. Nervo óptico (nervo craniano II): O nervo óptico emerge do globo ocular e
passa pelo canal óptico no esfenóide, transmitindo informações visuais da
retina para o cérebro.
3. Músculos extrínsecos do bulbo do olho: São seis
músculos que controlam o movimento do globo
ocular:
➔ Reto Superior: eleva o olho
➔ Reto Inferior: abaixa o olho
➔ Reto Medial: move o olho em direção ao
nariz (adução)
➔ Reto Lateral: move o olho para longe do
nariz (abdução)
➔ Oblíquo Superior: gira o olho para baixo e para fora
➔ Oblíquo Inferior: gira o olho para cima e para fora
Esses músculos estão inervados principalmente pelos nervos cranianos III
(oculomotor), IV (troclear) e VI (abducente).
4. Fáscia Orbital: Uma bainha de tecido conjuntivo que envolve o bulbo ocular e
os músculos, ajudando a proteger e sustentar essas estruturas.
5. Vasos Sanguíneos:
➔ Artéria Oftálmica: um ramo da artéria carótida interna que fornece
sangue para o olho e estruturas orbitais
➔ Veias Oftálmicas: drenam o sangue da órbita para o seio cavernoso
6. Gordura Orbital: Um tecido adiposo que preenche os espaços da órbita,
proporcionando suporte e amortecimento ao globo ocular.
1. Glândula Lacrimal: Localizada na parte superior lateral da órbita, dentro de
uma depressão no osso frontal. Ela produz as lágrimas, que lubrificam e
protegem a superfície do olho.
2. Saco Lacrimal: Situado na porção medial da órbita, na fossa lacrimal do osso
lacrimal. Ele coleta as lágrimas da superfície ocular e as drena através do
ducto nasolacrimal para o nariz.
Funções Gerais da Órbita
➔ Proteção: a estrutura óssea protege o olho contra traumas externos
➔ Movimento: os músculos extrínsecos permitem movimentos precisos do
globo ocular
➔ Lubrificação: as glândulas e o sistema lacrimal garantem a hidratação da
superfície ocular.
➔ Transmissão Visual: o nervo óptico conduz as informações visuais captadas
pela retina para o cérebro, possibilitando a visão
Bulbo do Olho
O bulbo do olho (ou globo ocular) é uma estrutura esférica localizada dentro da
órbita, sendo responsável pela captação de estímulos luminosos e pela conversão
dessas informações em sinais neurais que são transmitidos ao cérebro para
interpretação visual. Ele é composto por várias camadas e estruturas especializadas
que trabalham em conjunto para permitir a visão.
Principais Estruturas do Bulbo do Olho:
1. Túnicas do Globo Ocular
O bulbo do olho possui três camadas concêntricas chamadas túnicas ou
camadas:
I. Túnica Fibrosa (externa): A camada mais externa e resistente,
formada por duas partes:
➔ Esclera: parte branca e opaca do olho que proporciona forma,
proteção e serve de ponto de inserção para os músculos
extrínsecos do olho; ela cobre a maior parte do globo ocular
➔ Córnea: parte transparente e anterior do olho, responsável pela
refração inicial da luz que entra no olho; a córnea é avascular,
mas possui uma grande quantidade de nervos, o que a torna
extremamente sensível ao toque
II. Túnica Vascular (intermediária): Também conhecida como úvea, é
composta por três estruturas:
➔ Coróide: camada altamente vascularizada e pigmentada,
localizada logo abaixo da esclera; a coróide fornece nutrientes e
oxigênio à retina
➔ Corpo Ciliar: uma estrutura em forma de anel que contém o
músculo ciliar, responsável pela acomodação do cristalino
(focagem); o corpo ciliar também contém os processos ciliares,
que produzem o humor aquoso
➔ Íris: a parte colorida do olho, localizada entre a córnea e o
cristalino; a íris contém um orifício central chamado pupila, que
regula a quantidade de luz que entra no olho; a contração e
dilatação da pupila são controladas por dois músculos: esfíncter
da pupila (contrai a pupila) e dilatador da pupila (dilata a pupila).
III. Túnica Nervosa (interna): A camada mais interna do olho,
representada pela retina, que é responsável pela captação da luz e
pela conversão dessa luz em impulsos nervosos.
➔ Retina: camada sensível à luz que contém células
fotorreceptoras (cones e bastonetes), os bastonetes são
responsáveis pela visão em baixa luminosidade, enquanto os
cones são responsáveis pela visão de cores e detalhes finos; a
retina possui várias camadas de células que processam a
informação visual antes de enviá-la para o cérebro através do
nervo óptico; uma parte crucial da retina é a mácula, onde há a
maior concentração de cones e que é responsável pela visão
central detalhada
➔ Disco Óptico (ponto cego): é a região onde as fibras nervosas
da retina se unem para formar o nervo óptico. Não possui
fotorreceptores, por isso não capta luz
2. Meios Refrativos
Os meios refrativos do bulbo ocular são transparentes e permitem a
passagem e a refração da luz até a retina:
➔ Córnea: já descrita como parte da túnica fibrosa, é o principal meio
refrativo do olho, responsável por aproximadamente dois terços da
capacidade de refração
➔ Humor Aquoso: um líquido claro e aquoso que preenche as câmaras
anterior e posterior do olho (entre a córnea e a íris, e entre a íris e o
cristalino, respectivamente); o humor aquoso é produzido pelos
processos ciliares e mantém a pressão intraocular, além de nutrir as
estruturas avasculares, como a córnea e o cristalino
➔ Cristalino: uma lente biconvexa e transparente localizada atrás da íris
é presa ao corpo ciliar por meio de ligamentos suspensores (zonas
ciliares); cristalino é altamente elástico e muda de forma para focalizar
a luz na retina (processo de acomodação)
➔ Humor Vítreo: uma substância gelatinosa e transparente que preenche
o espaço entre o cristalino e a retina; o humor vítreo ajuda a manter a
forma do globo ocular e proporciona suporte à retina
3. Câmaras do Olho
O interior do bulbo ocular é dividido em três câmaras:
I. Câmara Anterior: espaço entre a córnea e a íris, preenchido pelo
humor aquoso
II. Câmara Posterior: espaço entre a íris e o cristalino, também
preenchido por humor aquoso
III. Câmara Vítrea: espaço maior, entre o cristalino e a retina, preenchido
pelo humor vítreo
4. Nervo Óptico
O nervo óptico (nervo craniano II) emerge do disco óptico na retina e
transporta os impulsos nervosos da retina para o cérebro. O nervo óptico é
composto por mais de um milhão de fibras nervosas e se conecta à parte
posterior do bulbo ocular. Ele atravessa a órbita e entra no crânio pelo canal
óptico, onde suas fibras se cruzam parcialmente no quiasma óptico antes de
atingir o cérebro.
5. Plexo venoso e vasos sanguíneos
A irrigação do olho é feita principalmente pela artéria oftálmica, um ramo da
artéria carótida interna. Esta artéria dá origem a várias outras, como a artéria
central da retina, que nutre a retina. O retorno venoso se dá pelasveias
oftálmicas, que drenam o sangue da órbita para o seio cavernoso.
Funções do Bulbo do Olho
➔ Captação e Refração da Luz: as estruturas transparentes do olho, como a
córnea e o cristalino, refratam a luz, concentrando-a na retina
➔ Conversão da Luz em Impulsos Nervosos: a retina transforma os estímulos
luminosos em impulsos nervosos que são enviados ao cérebro para
interpretação visual
➔ Ajuste da Entrada de Luz: a íris regula o tamanho da pupila, controlando a
quantidade de luz que entra no olho
➔ Acomodação: o cristalino ajusta sua forma para focalizar objetos a diferentes
distâncias
(Olho, músculo, glândulas, inervação)
RESUMINDO
Órgãos
Córnea: É a camada transparente na frente do olho que ajuda a focar a luz que
entra no olho. Ela desempenha um papel importante na refração da luz.
Íris: É a parte colorida do olho e controla a quantidade de luz que entra na pupila,
regulando seu tamanho em resposta à luz (contração e dilatação).
Pupila: É a abertura no centro da íris que permite a passagem da luz para o interior
do olho.
Cristalino (Lente): O cristalino é responsável pelo foco das imagens na retina. Ele
muda de forma para focar objetos distantes ou próximos, um processo chamado de
acomodação.
Retina: A retina contém células fotossensíveis (cones e bastonetes) que convertem
a luz em impulsos elétricos que são enviados ao cérebro através do nervo óptico.
A retina possui duas áreas principais:
➔ Mácula: Região da retina responsável pela visão central e detalhada.
➔ Disco óptico: Onde os nervos do olho se juntam para formar o nervo óptico. É
conhecido como o "ponto cego", porque não há células fotossensíveis nessa
área.
Nervo Óptico: Transmite os impulsos nervosos da retina para o cérebro, onde as
imagens são processadas.
Esclera: A esclera é a camada externa e resistente do olho que fornece suporte
estrutural e proteção.
Câmara Anterior: Contém o fluido aquoso (humor aquoso) que nutre as estruturas
do olho, como a córnea e a lente.
Câmara Posterior: Também contém humor aquoso e está situada entre a íris e o
cristalino.
Corpo Vítreo: O corpo vítreo é uma substância gelatinosa que preenche o interior do
olho e ajuda a manter sua forma esférica. Ele também mantém a retina em posição.
Pálpebra: As pálpebras protegem o olho, evitando que partículas estranhas entrem
em contato com a córnea e a conjuntiva. Elas também ajudam a distribuir as
lágrimas sobre a superfície ocular, garantindo a lubrificação e evitando o
ressecamento.
Carúncula Lacrimal: A carúncula lacrimal é uma pequena elevação de tecido
localizada no canto interno do olho (no canto medial da pálpebra inferior). Ela
contém glândulas que produzem secreções oleosas e mucosas que ajudam a
manter a umidade ocular.
Canal Lacrimal: O canal lacrimal é responsável por drenar as lágrimas que se
acumulam nos olhos, levando-as até a cavidade nasal. Isso evita que as lágrimas
transbordam do olho e mantêm a umidade ocular controlada.
Corpo Ciliar: O corpo ciliar é responsável pela produção do humor aquoso (o fluido
que nutre o olho) e pela acomodação do cristalino. Ele contém os músculos ciliares
que ajustam a forma do cristalino para focar objetos em diferentes distâncias.
Fóvea: A fóvea é a área da retina onde a visão central e detalhada ocorre. Ela
possui uma alta concentração de cones, que são células fotossensíveis
responsáveis pela percepção de cores e detalhes finos.
Canal Hialóide: O canal hialóide é uma estrutura vestigial, ou seja, uma parte do
olho que é remanescente do desenvolvimento embrionário. Ele conecta o vítreo
(corpo vítreo) ao disco óptico, mas, em adultos, normalmente está obstruído.
Coróide: A coróide é uma camada do olho localizada entre a retina e a esclera e tem
a função de nutrir a retina com oxigênio e nutrientes. Além disso, ajuda a manter a
temperatura da retina estável.
Mácula Lútea: A mácula lútea é a região da retina responsável pela visão central e
detalhada, especialmente na percepção de cores e detalhes finos.
Músculos
Músculos Extraoculares (Responsáveis pelos movimentos oculares):
Músculo Reto Superior: Ele eleva o olho, ou seja, permite que o olho olhe para cima.
Músculo Reto Inferior: Ele abaixa o olho, permitindo que o olho olhe para baixo.
Músculo Reto Medial: Ele move o olho para dentro, em direção ao nariz, o que é
chamado de adução.
Músculo Reto Lateral: Ele move o olho para fora, em direção à têmpora, o que é
chamado de abdução.
Músculo Oblíquo Superior: Esse músculo ajuda a girar o olho para baixo e para fora,
ou seja, permite que olhemos para baixo e para o lado.
Músculo Oblíquo Inferior: Esse músculo gira o olho para cima e para fora,
permitindo que o olho olhe para cima e para o lado.
Outros Músculos Importantes Relacionados ao Olho:
Músculo Orbicular dos Olhos: Este músculo circunda a órbita e é responsável pelo
fechamento das pálpebras, ajudando na proteção dos olhos e na distribuição das
lágrimas sobre a superfície ocular.
Músculo Levantador da Pálpebra Superior: Ele é responsável pela elevação da
pálpebra superior, permitindo a abertura do olho.
Glândulas
Glândulas Lacrimais: As glândulas lacrimais são responsáveis pela produção das
lágrimas, que têm a função de manter o olho úmido, proteger contra infecções,
remover partículas estranhas e fornecer nutrientes à córnea.
Glândulas de Meibômio (ou Glândulas Tarsais): As glândulas de Meibômio
produzem uma secreção oleosa que forma a camada lipídica da película lacrimal.
Isso ajuda a evitar que as lágrimas evaporem muito rapidamente, mantendo o olho
lubrificado e protegendo contra o ressecamento.
Glândulas Conjuntivais: Essas glândulas também ajudam a produzir uma pequena
quantidade de secreção mucosa que contribui para a formação da película lacrimal
e ajuda a manter a superfície ocular úmida.
Glândulas de Zeiss: As glândulas de Zeiss são glândulas sebáceas que produzem
uma secreção oleosa para lubrificar os cílios e as bordas das pálpebras, prevenindo
a secagem e a irritação dessa área.
Glândulas de Moll: As glândulas de Moll são glândulas sudoríparas modificadas que
secretam um fluido aquoso e ajudam a manter a umidade da pálpebra.
Glândulas Lacrimais Acessórias: Além da glândula lacrimal principal, existem
glândulas lacrimais menores localizadas em várias partes da conjuntiva, que ajudam
na produção de lágrimas, especialmente em casos de maior necessidade de
lubrificação (por exemplo, ao chorar).
Glândulas de Harder (ou Glândulas Lacrimais de Harder): Essas glândulas são
encontradas em algumas espécies de mamíferos, mas em humanos sua função é
muito reduzida ou inexistente. Elas estavam associadas à produção de secreção
lacrimal na parte interna do canto ocular (próximo à carúncula lacrimal).
Glândulas de Wolfring: As glândulas de Wolfring são glândulas lacrimais acessórias,
responsáveis pela produção de uma quantidade menor de lágrimas, principalmente
em momentos de necessidade menor de lubrificação, como ao piscar.
Inervação
Nervo Óptico (II): O nervo óptico é responsável pela condução dos impulsos
nervosos gerados pela retina até o cérebro. Ele transmite as informações visuais
que são processadas pelo córtex visual no cérebro, permitindo a percepção das
imagens.
Nervo Oculomotor (III): O nervo oculomotor é responsável pela inervação de vários
músculos extraoculares, que controlam os movimentos do globo ocular. Além disso,
ele também controla a contração da pupila e a acomodação do cristalino.
➔ Inervação Motora: Ele inerva os músculos reto superior, reto inferior, reto
medial, oblíquo inferior (que são músculos extraoculares), além de controlar a
elevação da pálpebra superior.
➔ Função Autônoma: O nervo oculomotor também contém fibras
parassimpáticas que inervam o músculo esfíncter da pupila, controlando a
constrição da pupila (miose), e o músculo ciliar, que é responsável pela
acomodação (ajuste da lente parafocar objetos próximos ou distantes).
Nervo Troclear (IV): O nervo troclear é responsável pela inervação do músculo
oblíquo superior, que move o olho para baixo e para fora.
➔ Inervação Motora: Inerva o músculo oblíquo superior.
Nervo Abducente (VI): O nervo abducente é responsável pela inervação do músculo
reto lateral, que move o olho para fora (abdução).
➔ Inervação Motora: Inerva o músculo reto lateral.
Nervo Trigêmeo (V): Embora o nervo trigêmeo (principalmente seu ramo oftálmico)
não seja responsável pelos movimentos oculares, ele tem uma função sensitiva
importante na área ocular. Ele transmite informações sensoriais da córnea,
conjuntiva e outras estruturas oculares até o cérebro.
➔ Ramo Oftálmico (V1): O ramo oftálmico do nervo trigêmeo é responsável pela
inervação sensitiva da parte superior da face, incluindo a córnea, a pálpebra
superior e a parte anterior da conjuntiva. Ele transmite a sensação de dor,
temperatura e toque da região ocular para o cérebro.
Nervo Facial (VII): O nervo facial não tem uma função direta nos movimentos
oculares, mas ele está envolvido no controle das glândulas lacrimais, sendo
responsável pela secreção lacrimal (produção das lágrimas).
➔ Inervação: O nervo facial, por meio de seu ramo grande nervo petroso, inerva
as glândulas lacrimais, permitindo a produção de lágrimas para lubrificar e
proteger a superfície ocular.
P3: Qual o princípio de formação de imagem no olho?
O princípio de formação da imagem no olho está baseado em como a luz entra no
olho, passa por várias estruturas e é finalmente focada na retina, onde é convertida
em sinais nervosos que são enviados ao cérebro para criar a percepção visual.
1. A Luz Entra no Olho:
➔ Reflexão e Refração: Quando a luz atinge o olho, ela é refletida e refratada
(desviada) pelas diferentes estruturas ópticas do olho. A luz visível (do
ambiente ao redor) entra através da córnea, que é a primeira estrutura
responsável pela refração da luz. A córnea faz com que a luz seja
direcionada para o interior do olho, já começando a formar a imagem.
2. Córnea e Câmera Anterior:
➔ Córnea: A córnea é a principal responsável pela refração inicial da luz, devido
à sua forma e à diferença de índice de refração entre ela e o ar. Ela desvia a
luz para que ela entre no olho e se direcione para o centro da pupila.
➔ Câmara Anterior: A luz então passa pela câmara anterior (o espaço entre a
córnea e a íris), que contém o humor aquoso. Este fluido mantém a pressão
ocular e também contribui para o transporte de nutrientes e remoção de
resíduos.
3. Pupila e Íris:
➔ A pupila é a abertura central da íris, que é o músculo colorido do olho. A
pupila regula a quantidade de luz que entra no olho. Em condições de baixa
luminosidade, a pupila dilata (aumenta), permitindo que mais luz entre. Em
alta luminosidade, ela se contrai (diminui), reduzindo a quantidade de luz que
chega à retina.
➔ O processo de dilatação e contração da pupila é controlado pelo sistema
nervoso autônomo, de modo a proteger a retina e otimizar a visão em
diferentes condições de iluminação.
4. Lente (Cristalino) e Acomodação:
➔ Após passar pela pupila, a luz chega ao cristalino, que é uma lente flexível
localizada logo atrás da íris. O cristalino é responsável por focar a luz
corretamente na retina, ajustando sua forma para distâncias diferentes —
esse processo é chamado de acomodação.
➔ Quando o olho olha para objetos próximos, os músculos ciliares ao redor do
cristalino o tornam mais curvo (aumentando seu poder de refração). Para
objetos distantes, o cristalino fica mais plano, com menos poder de refração.
5. Corpo Vítreo:
➔ Depois de passar pelo cristalino, a luz atravessa o corpo vítreo, que é uma
substância gelatinosa que preenche a cavidade interna do olho e mantém a
sua forma. O corpo vítreo não altera a trajetória da luz, mas ajuda a manter a
estrutura ocular.
6. Retina:
➔ Formação da Imagem: A luz finalmente chega à retina, que é uma camada
sensível à luz no fundo do olho, onde ocorre a formação da imagem. A retina
é composta por células fotossensíveis chamadas cones (responsáveis pela
percepção de cores e visão detalhada) e bastonetes (responsáveis pela visão
em baixa luminosidade).
➔ Quando a luz atinge essas células, ela é convertida em impulsos elétricos
que viajam pelos nervos ópticos até o cérebro. A imagem formada na retina é
invertida (de cabeça para baixo e invertida lateralmente) devido à refração da
luz pelas estruturas do olho, mas o cérebro processa a imagem de forma
correta.
7. Nervo Óptico e Processamento Visual:
➔ Nervo Óptico: Após a conversão dos sinais pela retina, eles são enviados ao
cérebro por meio do nervo óptico. As fibras nervosas da retina se agrupam
para formar o nervo óptico, que transmite as informações visuais para o
cérebro.
➔ Córtex Visual: No cérebro, a informação visual é processada no córtex visual,
localizado no lobo occipital, onde a imagem é interpretada e percebida.
Resumo do Processo de Formação da Imagem no Olho:
1. Luz entra no olho através da córnea e é refratada.
2. A luz passa pela pupila, cuja abertura é controlada pela íris.
3. A luz é então refratada pelo cristalino (lente), ajustando o foco para diferentes
distâncias.
4. A luz segue para o corpo vítreo, atravessando-o até atingir a retina.
5. Células fotossensíveis na retina (cones e bastonetes) convertem a luz em
sinais elétricos.
6. Os sinais são enviados pelo nervo óptico ao cérebro, onde a imagem é
processada e interpretada.
Esse é o processo básico de formação de imagem no olho. Embora a imagem seja
invertida na retina, o cérebro é capaz de corrigir essa inversão e gerar uma
percepção visual correta do ambiente.
A imagem formada na retina está “de cabeça pra baixo”! Isso porque ela é resultado
do seguinte processo: o cristalino, uma lente biconvexa, interfere no caminho da luz
e faz seus raios se aproximarem, tipo uma lupa. Então, é formada uma imagem real
e invertida do objeto, que fica localizada exatamente sobre a retina. Feito isso, tal
imagem é enviada ao cérebro pelo nervo óptico e, após várias trocas nervosas, ele
decodifica a informação recebida e reinverte a imagem.
Assim, a visão está relacionada ao trabalho em conjunto de diversas partes do olho
e do sistema nervoso para detectar padrões luminosos. Os raios recebidos são
transformados em imagem pela recepção da luz através dos cones e bastonetes,
duas células que se diferem tanto no formato quanto na função.
Os cones, como o próprio nome sugere, têm
formato conífero, e são responsáveis pela visão
colorida em três tipos: aqueles correspondentes à
luz vermelha, à luz verde e à luz azul, sendo que
todas as outras cores decodificadas pelo cérebro
são misturas destas três. Embora reconheçam
cores, essas células não funcionam bem em
ambientes com pouca luminosidade, esta é uma
tarefa para os bastonetes! Eles, por sua vez, têm
forma de bastão e são mais sensíveis nesta
recepção, porque reconhecem variações de
intensidade luminosa. Pelo fato de não serem
sensíveis às cores, a visão em locais com pouca luz é em tons de cinza. Além disso,
os bastonetes são responsáveis pela visão periférica e noturna ou em ambientes
com baixa iluminação.
O olho humano é capaz de reconhecer, quando em plenas condições, somente
parte da informação da luz, essa que chamamos de
luz visível. O espectro visível corresponde ao
intervalo que vai das cores violeta até o vermelho e
compõe uma pequena parte do espectro da luz –
também chamado de espectro eletromagnético ou
radiação. Ele é composto por outros tipos de luzes,
como as ondas de rádio, infravermelho, ultravioleta,
raio-x e gama.
Na primeira etapa da via visual, a luz proveniente
do meio externo entra no olho. Contudo, antes de
chegar à retina, a luz sofre desvio de duas
maneiras. Primeiro, a quantidade de luz chega aos
fotorreceptores é modulada por modificações no
diâmetroda pupila. Segundo, a luz é focalizada por
meio de alterações na forma da lente.
Refração de raios de luz. Quando os raios de luz
que atravessam uma substância transparente
(como o ar) passam para uma segunda substância
transparente com uma densidade distinta (como a
água), eles se curvam na junção entre as duas
substâncias. Essa curvatura é chamada de
refração. À medida que os raios de luz entram no
olho, sofrem refração nas superfícies anterior e
posterior da córnea. Ambas as superfícies da lente
do olho refratam ainda mais os raios de luz para
que eles entrem com o foco exato na retina.
As imagens focadas na retina são invertidas (de cabeça para baixo). Elas também
sofrem reversão da direita para a esquerda; isto é, a luz do lado direito de um objeto
atinge o lado esquerdo da retina e vice-versa. A razão pela qual o mundo não
parece invertido e revertido é que o encéfalo “aprende” cedo na vida a coordenar
imagens visuais com as orientações dos objetos. O encéfalo armazena as imagens
invertidas e revertidas que adquirimos quando alcançamos e tocamos objetos pela
primeira vez e interpreta essas imagens visuais como estando corretamente
orientadas no espaço.
P4: Caracterize a transdução do impulso visual.
A fototransdução é o processo pelo qual a energia da luz é convertida em um
potencial receptor no segmento externo de um fotorreceptor. Na maioria dos
sistemas sensitivos, a ativação de um receptor sensitivo por seu estímulo adequado
desencadeia um potencial receptor despolarizante. No sistema visual, contudo, a
ativação de um fotorreceptor por seu estímulo adequado (luz) causa um potencial
receptor hiperpolarizante. Igualmente surpreendente é que, quando o fotorreceptor
está em repouso – ou seja, no escuro –, a célula está relativamente despolarizada.
Para entender como ocorre a fototransdução, você deve primeiro examinar a
operação de um fotorreceptor na ausência de luz:
1. No escuro, o cis-retinal é a forma do retinal associada ao fotopigmento do
fotorreceptor. As moléculas de fotopigmento estão presentes nas membranas
do disco do segmento externo do fotorreceptor.
2. Outra ocorrência importante na escuridão é que há uma alta concentração de
GMP cíclica (GMPc, sigla em inglês para cyclic guanosine monophosphate)
no citosol do segmento externo do fotorreceptor. Isso deve-se à produção
contínua de GMPc pela enzima guanilato ciclase na membrana do disco.
3. Depois de produzido, a GMP liga-se à membrana do segmento externo e
abre canais de cátions não seletivos nessa membrana. Esses canais
dependentes de GMPc permitem principalmente a entrada de íons Na+ na
célula.
4. O influxo de Na+, denominado corrente escura, despolariza o fotorreceptor.
Como resultado, no escuro, o potencial de membrana de um fotorreceptor é
de cerca de −40 mV. Isso é muito mais próximo de zero do que o potencial de
membrana de repouso de um neurônio típico de −70 mV.
5. A despolarização no escuro espalha-se do segmento externo para o terminal
sináptico, que contém canais de Ca2+ dependentes de voltagem em sua
membrana. A despolarização mantém esses canais abertos, permitindo a
entrada de Ca2+ na célula. A entrada de Ca2+, por sua vez, desencadeia a
exocitose das vesículas sinápticas, o que resulta na liberação tônica de
grandes quantidades de neurotransmissor do terminal sináptico. O
neurotransmissor em bastonetes e cones é o aminoácido glutamato (ácido
glutâmico). Nas sinapses entre bastonetes e algumas células bipolares, o
glutamato é um neurotransmissor inibitório: desencadeia potenciais
pós-sinápticos inibitórios (PPSIs) que hiperpolarizam as células bipolares e
as impedem de enviar sinais para as células ganglionares.
A absorção de luz e a isomerização da retina iniciam mudanças químicas no
segmento externo do fotorreceptor que permitem a fototransdução:
1. Quando a luz atinge a retina, o cis-retinal sofre isomerização em trans-retinal.
2. A isomerização do retinal causa a ativação de uma proteína G conhecida
como transducina, que está localizada na membrana do disco.
3. A transducina, por sua vez, ativa uma enzima denominada GMPc
fosfodiesterase, que também está presente na membrana do disco.
4. Uma vez ativada, a GMPc fosfodiesterase degrada a GMPc. A quebra de
GMPc reduz a concentração de GMPc no citosol do segmento externo.
5. Como resultado, o número de canais abertos dependentes de GMPc na
membrana do segmento externo é reduzido e o influxo de Na+ diminui.
6. A diminuição do influxo de Na+ faz com que o potencial de membrana caia
para cerca de −65 mV, produzindo assim um potencial receptor
hiperpolarizante.
7. A hiperpolarização espalha-se do segmento externo para o terminal sináptico,
causando uma diminuição no número de canais abertos de Ca2+
dependentes de voltagem. A entrada de Ca2+ na célula é reduzida, o que
diminui a liberação do neurotransmissor do terminal sináptico. Luzes fracas
causam potenciais receptores pequenos e breves que desligam parcialmente
a liberação de neurotransmissores; luzes mais brilhantes provocam
potenciais receptores maiores e mais longos que desligam a liberação de
neurotransmissores mais amplamente. Portanto, a luz excita as células
bipolares que fazem sinapse com os bastonetes, desligando a liberação de
um neurotransmissor inibitório. As células bipolares excitadas
subsequentemente estimulam as células ganglionares a formar potenciais de
ação em seus axônios.
Lembre-se de que os discos de bastonetes formam-se por pinçamento da
membrana plasmática do segmento externo; nos cones, os discos são contínuos
com a membrana do segmento externo. Sendo assim, nos bastonetes, as moléculas
de fotopigmento, a transducina, a GMPc fosfodiesterase e o guanilato ciclase estão
localizados em uma membrana diferente dos canais dependentes de GMPc; nos
cones, todas essas proteínas estão localizadas na mesma membrana.
Processamento do estímulo visual na retina
Dentro do extrato neural da retina, determinadas características do estímulo visual
são aprimoradas, ao passo que outras podem ser descartadas. O sinal de estímulo
de várias células pode convergir para um número menor de neurônios
pós-sinápticos (convergência) ou divergir para um grande número (divergência). No
geral, a convergência predomina: existem apenas 1 milhão de células ganglionares,
mas 126 milhões de fotorreceptores no olho humano.
Quando os potenciais receptores surgem nos segmentos externos de bastonetes e
cones, espalham-se pelos segmentos internos até os terminais sinápticos.
Moléculas de neurotransmissores liberadas por bastonetes e cones induzem
potenciais graduados locais em células bipolares e em células horizontais. Entre 6 e
600 bastonetes fazem sinapses com uma única célula bipolar na camada sináptica
externa da retina; um cone faz mais sinapses com uma única célula bipolar. A
convergência de muitos bastonetes em uma única célula bipolar aumenta a
sensibilidade à luz da visão dos bastonetes, mas borra levemente a imagem
percebida. A visão do cone, embora menos sensível, é mais nítida por causa das
sinapses individuais entre os cones e suas células bipolares.
A atividade sináptica entre fotorreceptores e células bipolares é influenciada por
células horizontais. Tais células formam sinapses com fotorreceptores e têm apenas
efeitos indiretos nas células bipolares. Em áreas adjacentes da retina, um
fotorreceptor geralmente forma uma sinapse excitatória com uma célula horizontal, e
a célula horizontal, por sua vez, forma uma sinapse inibitória com os terminais
pré-sinápticos de outro fotorreceptor. Dessa forma, um fotorreceptor pode excitar a
célula horizontal, que pode então inibir o outro fotorreceptor, diminuindo a
quantidade de neurotransmissor liberada em uma célula bipolar. Portanto, as células
horizontais podem transmitir sinais inibitórios direcionados lateralmente para os
fotorreceptores, o que ajuda a melhorar o contraste visual entreáreas adjacentes da
retina.
A atividade sináptica entre as células bipolares e as células ganglionares é
influenciada pelas células amácrinas. As células amácrinas transmitem sinais
inibitórios direcionados lateralmente (inibição lateral) em sinapses formadas com
células bipolares e células ganglionares. Existem muitos tipos diferentes de células
amácrinas, com uma variedade de funções. Dependendo de quais células
amácrinas estão envolvidas, elas podem responder a uma mudança no nível de
iluminação na retina, ao início ou deslocamento de um sinal visual ou ao movimento
de um sinal visual em uma determinada direção.
A transdução do impulso visual é o processo pelo qual a luz, captada pelo olho, é
convertida em sinais elétricos que podem ser interpretados pelo cérebro. Esse
processo ocorre na retina, através das células fotorreceptoras (bastonetes e cones).
Vamos detalhar isso passo a passo!
1. Captação da Luz pelos Fotorreceptores
Na retina, os fotorreceptores (bastonetes e cones) são as células especializadas
que respondem à luz e iniciam a transdução do estímulo visual. A transdução
acontece de forma diferente para bastonetes e cones, mas ambos têm um
mecanismo básico semelhante, que envolve a absorção de fótons de luz e a
conversão dessa energia em sinais elétricos.
➔ Bastonetes: São mais sensíveis à luz e responsáveis pela visão em
condições de baixa luminosidade (visão escotópica). Eles não percebem
cores e são mais eficazes para detectar contrastes e movimentos.
➔ Cones: São responsáveis pela percepção das cores e pela visão em alta
definição (visão fotópica). Existem três tipos de cones, cada um sensível a
uma faixa diferente de comprimentos de onda (azul, verde e vermelho).
2. A Absorção de Luz pelos Fotorreceptores
➔ Retinal e Opsina: O processo de transdução começa quando a luz atinge as
células fotorreceptoras, especificamente nas estruturas chamadas opsinas
(proteínas sensíveis à luz). As opsinas se ligam a um cromóforo chamado
retinal, que é derivado da vitamina A. Quando a luz incide sobre o retinal, ele
sofre uma mudança conformacional, de uma forma chamada 11-cis-retinal
para all-trans-retinal. Isso ativa uma cascata de eventos bioquímicos.
➔ Ativação da Transdução: Quando o retinal se converte em all-trans-retinal, ele
se dissocia da opsina, ativando a proteína G chamada transducina, que é
crucial para o próximo passo do processo.
3. Cascata de Sinalização: A Transdução do Estímulo
A ativação da transducina desencadeia uma série de reações químicas dentro da
célula fotorreceptora. Aqui estão os principais eventos:
➔ Ativação da fosfodiesterase (PDE): A transducina ativa a enzima
fosfodiesterase (PDE), que tem a função de degradar o cGMP (c-guanosina
monofosfato), uma molécula que mantém os canais iônicos da célula
fotorreceptora abertos em condições de escuridão.
➔ Fechamento dos Canais Iônicos: O cGMP mantém os canais iônicos
(principalmente os de sódio) abertos, permitindo a entrada de sódio e a
despolarização da célula. Quando a PDE degrada o cGMP, o nível dessa
molécula diminui e, como resultado, os canais iônicos se fecham.
➔ Hiperpolarização da Membrana: Com o fechamento dos canais iônicos, a
célula fotorreceptora sofre uma hiperpolarização, ou seja, sua membrana se
torna mais negativa. Esse processo é fundamental porque a hiperpolarização
da célula fotorreceptora vai gerar a modulação da liberação de
neurotransmissores.
4. Transmissão do Impulso Nervoso
Agora que a célula fotorreceptora se hiperpolariza, a quantidade de glutamato, o
principal neurotransmissor liberado pelas células fotorreceptoras, diminui. O
glutamato tem um efeito inibitório nas células bipolares da retina, então a diminuição
de glutamato permite a excitação das células bipolares, que transmitem o sinal para
as células ganglionares. Vamos ver como isso acontece:
➔ Células Bipolares: As células bipolares recebem os sinais das células
fotorreceptoras. Se o glutamato diminui, as células bipolares se desinibem e
começam a se despolarizar. Dependendo da célula bipolar, ela pode excitar
ou inibir as células ganglionares.
➔ Células Ganglionares: As células bipolares formam sinapses com as células
ganglionares. Quando a célula bipolar despolariza, ela libera
neurotransmissores (como o glutamato) que excitam as células ganglionares.
O impulso nervoso é então transmitido através do nervo óptico para o
cérebro.
5. Codificação da Imagem: O Processo Visual Posterior
Os impulsos elétricos gerados pelas células ganglionares viajam pelo nervo óptico
até o cérebro, onde o processamento visual continua. Como mencionado
anteriormente, esses sinais passam pelo quiasma óptico, onde ocorre a troca de
informações entre os dois hemisférios cerebrais, e seguem para o corpo geniculado
lateral no tálamo, e depois para o córtex visual (localizado no lobo occipital), onde a
imagem será interpretada.
Resumo da Transdução Visual:
1. Absorção de luz: A luz é absorvida pelos fotorreceptores (bastonetes ou
cones), onde a molécula de retinal sofre uma mudança conformacional que
ativa a opsina.
2. Ativação da transducina: A mudança conformacional do retinal ativa a
proteína G chamada transducina.
3. Cascata de sinalização: A transducina ativa a fosfodiesterase (PDE), que
quebra o cGMP, levando ao fechamento de canais iônicos e à
hiperpolarização da célula fotorreceptora.
4. Modulação de neurotransmissores: A hiperpolarização da célula
fotorreceptora diminui a liberação de glutamato, permitindo a excitação das
células bipolares, que por sua vez estimulam as células ganglionares.
5. Transmissão para o cérebro: O impulso gerado pelas células ganglionares é
transmitido para o cérebro através do nervo óptico e, posteriormente,
processado no córtex visual.
P5: Caracterize os receptores morfologicamente.
A retina é a parte do olho sensível à luz e contém (1) os cones, que são
responsáveis pela visão em cores; e (2) os bastonetes, que podem detectar luz
fraca e são responsáveis, principalmente, pela visão em preto e branco e em baixa
luminosidade. Quando bastonetes e cones são excitados, ocorre transmissão de
sinais inicialmente através das sucessivas camadas de neurônios na retina e,
finalmente, para as fibras do nervo óptico e o córtex cerebral. Neste capítulo,
explicaremos os mecanismos pelos quais os bastonetes e os cones detectam luz e
cor e convertem a imagem visual em sinais no nervo óptico.
A retina é composta de dez camadas ou divisões. A Figura 51.1 mostra os
componentes funcionais da retina, que estão dispostos em camadas ou divisões, de
fora para dentro, na ordem: (1) camada pigmentar; (2) camada fotorreceptora
contendo bastonetes e cones que se projetam para a camada pigmentar; (3)
membrana limitante externa; (4) camada nuclear externa contendo os corpos
celulares dos bastonetes e dos cones; (5) camada plexiforme externa; (6) camada
nuclear interna; (7) camada plexiforme interna; (8) camada ganglionar; (9) camada
de fibras do nervo óptico; e (10) membrana limitante interna.
Depois que a luz atravessa o sistema de lentes do olho e o humor vítreo, ela chega
na retina através olho; ou seja, a luz passa primeiro pelas células ganglionares e,
em seguida, através das camadas plexiforme e nuclear antes de, por fim, chegar à
camada de células fotossensíveis (bastonetes e cones) localizados por toda a
extensão da margem externa da retina. Essa distância tem espessura de muitas
centenas de micrômetros; a acuidade visual é reduzida por causa dessa passagem
através desse tecido não homogêneo. No entanto, na região da fóvea central da
retina, as camadas internas são deslocadas lateralmente para diminuir essa perda
de acuidade.
Região da fóvea da retina e sua importância para a acurácia visual. A fóvea é
uma área diminuta no centro da retina; ela ocupa uma área total um pouco maior
que 1 milímetro quadrado. É especialmente importante para a visão acurada e
detalhada.A fóvea central é quase inteiramente composta de cones. Esses cones
têm uma estrutura especial que auxilia na detecção de detalhes na imagem visual –
ou seja, os cones da fóvea apresentam corpos celulares especialmente longos e
delgados, o que os distingue dos cones bem maiores localizados mais
perifericamente na retina. Além disso, na região da fóvea, os vasos sanguíneos,
células ganglionares, camadas de células nucleares internas e as camadas
plexiformes são todas deslocadas para um lado, em vez de repousarem diretamente
no topo dos cones, o que permite que a luz passe sem obstáculos até os cones.
Bastonetes e cones são componentes essenciais dos fotorreceptores. O
segmento externo do cone tem um formato cônico. Em geral, os bastonetes são
mais estreitos e mais longos do que os cones, mas isso nem sempre ocorre.
Os principais segmentos funcionais dos cones e dos bastonetes são mostrados na
Figura 51.3: (1) o segmento externo; (2) o segmento interno; (3) o núcleo; e (4) o
corpo sináptico. A substância química sensível à luz se encontra no segmento
externo. No caso dos bastonetes, essa substância fotoquímica é a rodopsina; nos
cones, é uma das três substâncias fotoquímicas “de cores”, geralmente chamadas
simplesmente de pigmentos de cores, que funcionam quase exatamente da mesma
maneira que a rodopsina, exceto por diferenças na sensibilidade espectral.
Nas Figuras, observe o grande número de discos presentes nos segmentos
externos dos bastonetes e dos cones. Cada disco é, na realidade, uma dobra da
membrana celular. Existem mais de 1.000 discos em cada bastonete ou cone.
A rodopsina e os pigmentos de cores são proteínas conjugadas. Elas são
incorporadas às membranas dos discos na forma de proteínas transmembrana. As
concentrações desses pigmentos fotossensíveis nos discos são tão grandes que os
pigmentos por si sós constituem cerca de 40% de toda a massa do segmento
externo.
O segmento interno dos bastonetes e dos cones contém o citoplasma usual, com
organelas citoplasmáticas. As mitocôndrias são especialmente importantes, uma
vez que, como será explicado adiante, exercem o relevante papel de fornecer
energia para a função dos fotorreceptores.
O corpo sináptico é a porção do bastonete ou do cone que se conecta aos
neurônios subsequentes, às células horizontais e bipolares, que representam os
estágios seguintes na cadeia responsável pela visão.
Camada pigmentar da retina. O pigmento preto melanina na camada (estrato)
pigmentar impede o reflexo da luz por todo o globo ocular, o que é extremamente
importante para a visão nítida. Esse pigmento desempenha no olho a mesma
função que o preto tem no interior do fole de uma câmera. Sem isso, os raios de luz
seriam refletidos em todas as direções dentro do globo ocular, o que provocaria uma
iluminação difusa da retina, em vez de produzir o contraste normal entre pontos
claros e escuros, requisito necessário para formar imagens precisas.
A importância da melanina na camada pigmentar é bem ilustrada pela ausência
desse pigmento em pessoas com albinismo (ausência congênita do pigmento
melanina em todas as partes do corpo). Quando uma pessoa com albinismo entra
em uma sala clara, a luz que atinge a retina é refletida em todas as direções no
interior do globo ocular pelas superfícies não pigmentadas da retina e pela esclera
subjacente, fazendo com que um simples e discreto ponto de luz, que normalmente
excitaria apenas alguns poucos bastonetes ou cones, seja refletido em todas as
partes e excite muitos receptores. Portanto, a acuidade visual da pessoa com
albinismo, mesmo com a melhor correção óptica, dificilmente é melhor do que
20/100 a 20/200, em vez dos valores normais de 20/20.
A camada pigmentar também armazena grandes quantidades de vitamina A. Essa
vitamina A é transportada livremente através das membranas celulares dos
segmentos externos de bastonetes e cones, que estão entremeados no pigmento. A
vitamina A, como será discutido mais adiante, é uma precursora importante das
substâncias fotossensíveis dos bastonetes e cones.
FOTOQUÍMICA DA VISÃO
Bastonetes e cones contêm substâncias químicas que se decompõem quando são
expostas à luz e, nesse processo, excitam as fibras do nervo óptico. A substância
química sensível à luz presente nos bastonetes é chamada rodopsina; nos cones,
as substâncias químicas sensíveis à luz, chamadas de pigmentos dos cones ou
pigmentos de cores, têm composições apenas um pouco diferentes da composição
da rodopsina.
O que é a Rodopsina?
A rodopsina é um pigmento visual encontrado nos bastonetes, que são as células
fotossensíveis da retina responsáveis pela visão em baixa luminosidade (visão
escotópica). A rodopsina é composta por duas partes principais:
1. Opsina: Uma proteína que atua como um receptor sensível à luz.
2. Retinal: Um cromóforo derivado da vitamina A, que é a parte do pigmento
que absorve a luz.
Quando a luz atinge a rodopsina, o retinal sofre uma mudança conformacional que
desencadeia um processo bioquímico que resulta na transdução do sinal visual, ou
seja, na conversão de um estímulo luminoso em um sinal elétrico que pode ser
interpretado pelo cérebro.
Como a Rodopsina Funciona na Transdução do Impulso Visual?
1. Absorção da Luz e Mudança Conformacional do Retinal
○ Quando a luz incide sobre a rodopsina presente nos bastonetes, ela é
absorvida pela molécula de retinal. O retinal está inicialmente na forma
11-cis-retinal (em uma configuração específica).
○ A luz faz com que o retinal sofra uma mudança conformacional de
11-cis-retinal para all-trans-retinal. Essa mudança estrutural no retinal
causa uma mudança na estrutura da opsina (a proteína associada ao
retinal).
2. Ativação da Transducina
○ A mudança conformacional da opsina (devido à conversão do retinal)
ativa uma proteína G chamada transducina, que é encontrada na
membrana dos bastonetes.
○ A transducina, uma vez ativada, ativa a fosfodiesterase (PDE), uma
enzima crucial na cascata de sinalização.
3. Degradação do cGMP
○ A fosfodiesterase degrada a molécula de cGMP (c-guanosina
monofosfato), que é um mensageiro intracelular que mantém os canais
iônicos (principalmente canais de sódio) abertos.
○ Quando o cGMP é degradado, os canais de sódio fecham. Isso leva à
hiperpolarização da célula fotorreceptora (bastonete).
4. Hiperpolarização e Redução na Liberação de Glutamato
○ Com o fechamento dos canais de sódio, a célula hiperpolariza (fica
mais negativa internamente).
○ A hiperpolarização diminui a liberação de glutamato, um
neurotransmissor excitador, pelas células fotorreceptoras.
5. Modulação das Células Bipolares
○ O glutamato é importante para a modulação das células bipolares da
retina. Quando a liberação de glutamato diminui devido à
hiperpolarização, as células bipolares são desinibidas, ou seja,
começam a se despolarizar.
○ Esse sinal de despolarização é transmitido para as células
ganglionares da retina, que geram um potencial de ação, transmitindo
a informação visual para o cérebro por meio do nervo óptico.
Comparação com os Pigmentos dos Cones
Nos cones, a situação é um pouco diferente, mas a ideia básica de transdução
permanece a mesma. Os cones possuem pigmentos sensíveis à luz, mas em vez da
rodopsina, eles contêm pigmentos específicos para cores (chamados de fotopsinas).
Existem três tipos principais de cones, cada um com uma fotopsina diferente
sensível a diferentes faixas de comprimento de onda de luz (vermelho, verde e
azul), permitindo a percepção de cores.
A estrutura básica de como a luz ativa os pigmentos nos cones é semelhante ao
que acontece nos bastonetes com a rodopsina. Quando a luz atinge a fotopsina, ela
também causa uma mudança conformacional no cromóforo (retinal) ligado a ela,
ativando uma cascata de sinalização que resulta na transdução do sinal visual. A
principal diferença é que os cones são especializados para a visão em alta luz e
percepçãode cores, enquanto os bastonetes são especializados para a visão em
condições de pouca luz e sensibilidade ao contraste.
Resumo da Ação da Rodopsina:
1. Absorção de luz: A luz converte o retinal de 11-cis para all-trans.
2. Ativação da transducina: A mudança conformacional do retinal ativa a
transducina.
3. Ativação da fosfodiesterase: A transducina ativa a fosfodiesterase, que
degrada o cGMP.
4. Fechamento dos canais de sódio: A degradação do cGMP fecha os canais de
sódio, resultando em hiperpolarização.
5. Redução do glutamato: A hiperpolarização diminui a liberação de glutamato,
o que modula a atividade das células bipolares e gera um sinal que é
transmitido ao cérebro.
A rodopsina é fundamental para a visão em ambientes com pouca luz, e sua ação é
uma parte crítica da transdução visual que permite ao cérebro interpretar os
estímulos luminosos como imagens.
P6: Caracterize a via óptica.
A via visual é o caminho percorrido pela informação visual de bastonetes e cones
para a parte do cérebro onde ocorre o processamento. Os axônios das células
ganglionares da retina formam o nervo óptico (II), que fornece a resposta da retina
para o encéfalo. Os nervos ópticos (II) passam pelo quiasma óptico (um
cruzamento, como na letra X), um ponto de cruzamento dos nervos ópticos. Alguns
axônios cruzam para o lado oposto, mas outros permanecem não cruzados. Depois
de atravessar o quiasma óptico, os axônios, agora parte do trato óptico, entram no
encéfalo e a maioria deles termina no núcleo geniculado lateral do tálamo. Nesse
lugar, eles fazem sinapse com neurônios cujos axônios formam as radiações
ópticas, que se projetam para o córtex visual primário nos lobos occipitais do
cérebro e a percepção visual começa. Algumas das fibras dos tratos ópticos
terminam nos colículos superiores, os quais controlam os músculos extrínsecos do
bulbo ocular, e nos núcleos pré-tectais, que controlam os reflexos pupilares e de
acomodação.
Tudo o que pode ser visto por um olho é o campo visual desse olho. Como
observado anteriormente, em humanos, os olhos estão localizados anteriormente na
cabeça, assim, os campos visuais sobrepõem-se consideravelmente. Temos visão
binocular em razão da grande região onde os campos visuais dos dois olhos se
sobrepõem – o campo visual binocular. O campo visual de cada olho é dividido em
duas regiões: a metade nasal (central) e a metade temporal (periférica). Para cada
olho, os raios de luz de um objeto na metade nasal do campo visual caem na
metade temporal da retina, já os raios de luz de um objeto na metade temporal
caem na metade nasal da retina. A informação visual da metade direita de cada
campo visual é transmitida para o lado esquerdo do encéfalo, por outro lado, a
informação visual da metade esquerda de cada campo visual é transmitida para o
lado direito:
1. Os axônios de todas as células ganglionares da retina em um olho saem do
bulbo ocular no disco óptico e formam o nervo óptico desse lado.
2. No quiasma óptico, os axônios da metade temporal de cada retina não se
cruzam, mas continuam diretamente para o núcleo geniculado lateral do
tálamo do mesmo lado.
3. Em contraste, os axônios da metade nasal de cada retina cruzam o quiasma
óptico e continuam até o tálamo oposto.
4. Cada trato óptico consiste em axônios cruzados e não cruzados que se
projetam do quiasma óptico para o tálamo de um lado.
5. Axônios colaterais (ramos) das células ganglionares da retina projetam-se
para o mesencéfalo, onde participam de circuitos neurais que controlam a
constrição das pupilas em resposta à luz e à coordenação dos movimentos
da cabeça e dos olhos. Os axônios colaterais também estendem-se ao
núcleo supraquiasmático do hipotálamo, que estabelece padrões de sono e
outras atividades que ocorrem em um ritmo circadiano ou diário em resposta
a intervalos de luz e escuridão.
6. Os axônios dos neurônios talâmicos formam as radiações ópticas à medida
que se projetam do tálamo para o córtex visual primário no lobo occipital do
cérebro do mesmo lado.
A chegada de impulsos nervosos no córtex visual primário permite que você
perceba a luz. O córtex visual primário tem um mapa do espaço visual: cada região
dentro do córtex recebe o estímulo de uma parte diferente da retina, que, por sua
vez, recebe os sinais de uma parte específica do campo visual. Uma grande
quantidade de área cortical é dedicada ao estímulo da porção do campo visual que
atinge a mácula. Lembre-se de que a mácula contém a fóvea, a parte da retina com
a maior acuidade visual. Quantidades relativamente menores de áreas corticais são
dedicadas às porções do campo visual que atingem as partes periféricas da retina.
O estímulo do córtex visual primário é transmitido para a área de associação visual
no lobo occipital; há também áreas nos lobos parietal e temporal que recebem e
processam os estímulos visuais; para simplificação, essas áreas serão
consideradas como uma extensão da área de associação visual. Essa área de
associação processa ainda o estímulo visual para fornecer padrões visuais mais
complexos, como a posição tridimensional, a forma geral, o movimento e a cor.
Além disso, a área de associação visual armazena memórias visuais e relaciona
experiências visuais passadas e presentes, o que nos permite reconhecer o que
estamos vendo. Por exemplo: a área de associação visual permite que você
reconheça um objeto como um lápis apenas olhando para ele.
Os sinais nervosos visuais partem das retinas através dos nervos ópticos. No
quiasma óptico, as fibras do nervo óptico das metades nasais cruzam para o lado
oposto, onde se unem as fibras das retinas temporais opostas para formar os tratos
ópticos. As fibras de cada trato óptico fazem, então, sinapse no núcleo geniculado
dorsolateral do tálamo e, a partir desse ponto, as fibras geniculocalcarinas passam,
por meio da radiação óptica (também chamada de trato geniculocalcarino) para o
córtex primário visual na área da fissura calcarina do lobo occipital medial.
As fibras visuais também se projetam para diversas áreas mais antigas do cérebro:
(1) dos tratos ópticos para o núcleo supraquiasmático do hipotálamo,
presumivelmente para controlar os ritmos circadianos que sincronizam diversas
alterações fisiológicas do organismo que ocorrem com a noite e o dia; (2) para os
núcleos pré-tectais no mesencéfalo, para desencadear movimentos reflexos dos
olhos e focalizar objetos de importância e ativar o reflexo pupilar à luz; (3) para o
colículo superior do mesencéfalo, para controlar os movimentos direcionais rápidos
dos dois olhos; e (4) para o núcleo geniculado ventrolateral do tálamo e regiões
basais adjacentes do cérebro, provavelmente para auxiliar no controle de algumas
funções comportamentais.
Assim, as vias visuais podem ser divididas grosseiramente em um sistema antigo
(sistema paleovisual), que segue para o mesencéfalo e base do prosencéfalo, e um
sistema novo (sistema neovisual), para a transmissão direta de sinais visuais para o
córtex visual localizado nos lobos occipitais. Em humanos, o sistema novo é
responsável pela percepção de praticamente todos os aspectos da forma visual,
cores e outros tipos de visão consciente. Em muitos animais primitivos, no entanto,
até mesmo a forma visual é detectada pelo sistema antigo, usando o colículo da
mesma maneira que o córtex visual é usado nos mamíferos.
Trajeto da Via Óptica
1º - Fotorreceptores
Estrutura dos fotorreceptores de bastonetes e cones. Os segmentos internos
contêm a maquinaria metabólica para a síntese de fotopigmentos e produção de
ATP.
Os fotopigmentos estão inseridos nos discos de membrana ou dobras dos
segmentos externos. Novos discos nos bastonetes e novas dobras nos cones
formam-se na base do segmento externo. Células epiteliais pigmentadas fagocitam
os antigos discos e dobras quese desprendem da extremidade distal dos
segmentos externos.
2º - Células Bipolares
Processamento do estímulo visual na retina. Dentro do extrato neural da retina,
determinadas características do estímulo visual são aprimoradas, ao passo que
outras podem ser descartadas. O sinal de estímulo de várias células pode convergir
para um número menor de neurônios pós-sinápticos (convergência) ou divergir para
um grande número (divergência). No geral, a convergência predomina: existem
apenas 1 milhão de células ganglionares, mas 126 milhões de fotorreceptores no
olho humano.
Quando os potenciais receptores surgem nos segmentos externos de bastonetes e
cones, espalham-se pelos segmentos internos até os terminais sinápticos.
Moléculas de neurotransmissores liberadas por bastonetes e cones induzem
potenciais graduados locais em células bipolares e em células horizontais. Entre 6 e
600 bastonetes fazem sinapses com uma única célula bipolar na camada sináptica
externa da retina; um cone faz mais sinapses com uma única célula bipolar. A
convergência de muitos bastonetes em uma única célula bipolar aumenta a
sensibilidade à luz da visão dos bastonetes, mas borra levemente a imagem
percebida. A visão do cone, embora menos sensível, é mais nítida por causa das
sinapses individuais entre os cones e suas células bipolares.
A atividade sináptica entre fotorreceptores e células bipolares é influenciada por
células horizontais. Tais células formam sinapses com fotorreceptores e têm apenas
efeitos indiretos nas células bipolares. Em áreas adjacentes da retina, um
fotorreceptor geralmente forma uma sinapse excitatória com uma célula horizontal, e
a célula horizontal, por sua vez, forma uma sinapse inibitória com os terminais
pré-sinápticos de outro fotorreceptor. Dessa forma, um fotorreceptor pode excitar a
célula horizontal, que pode então inibir o outro fotorreceptor, diminuindo a
quantidade de neurotransmissor liberada em uma célula bipolar. Portanto, as células
horizontais podem transmitir sinais inibitórios direcionados lateralmente para os
fotorreceptores, o que ajuda a melhorar o contraste visual entre áreas adjacentes da
retina.
A atividade sináptica entre as células bipolares e as células ganglionares é
influenciada pelas células amácrinas. As células amácrinas transmitem sinais
inibitórios direcionados lateralmente (inibição lateral) em sinapses formadas com
células bipolares e células ganglionares. Existem muitos tipos diferentes de células
amácrinas, com uma variedade de funções. Dependendo de quais células
amácrinas estão envolvidas, elas podem responder a uma mudança no nível de
iluminação na retina, ao início ou deslocamento de um sinal visual ou ao movimento
de um sinal visual em uma determinada direção.
3º - Células Ganglionares da Retina
O corpo celular das células ganglionares faz sinapse com as células bipolares, seu
axônio forma o nervo óptico e dá início a via óptica.
Resumo do Trajeto da Via Óptica
1. Fotorreceptores (cones e bastonetes) na retina geram sinais elétricos
2. Células Bipolares (1º neurônio) transmitem sinais para as Células
Ganglionares (2º neurônio).
3. Os axônios das células ganglionares formam o nervo óptico
4. Na quiasma óptica, os axônios do campo nasal cruzam; os do campo
temporal permanecem ipsilaterais
5. O trato óptico leva informações ao Núcleo Geniculado Lateral (3º neurônio)
6. Projeções do NGL vão para o córtex visual primário (V1).
Nervo óptico e Cruzamento Contralateral
A via visual é o caminho percorrido
pela informação visual de bastonetes
e cones para a parte do cérebro onde
ocorre o processamento. Os axônios
das células ganglionares da retina
formam o nervo óptico (II), que
fornece a resposta da retina para o
encéfalo.
Os nervos ópticos (II) passam pelo
quiasma óptico (um cruzamento,
como na letra X), um ponto de
cruzamento dos nervos ópticos.
Alguns axônios cruzam para o lado
oposto, mas outros permanecem não
cruzados. Depois de atravessar o
quiasma óptico, os axônios, agora
parte do trato óptico, entram no
encéfalo.
Temos visão binocular em razão da
grande região onde os campos visuais
dos dois olhos se sobrepõem – o
campo visual binocular. O campo
visual de cada olho é dividido em duas regiões: a metade nasal (central) e a metade
temporal (periférica).
A informação visual da metade direita de cada campo visual é transmitida para o
lado esquerdo do encéfalo, por outro lado, a informação visual da metade esquerda
de cada campo visual é transmitida para o lado direito.
Depois de atravessar o quiasma óptico, os axônios, agora parte do trato óptico,
entram no encéfalo e a maioria deles termina no núcleo geniculado lateral do
tálamo. Nesse lugar, eles fazem sinapse com neurônios cujos axônios formam as
radiações ópticas, que se projetam para o córtex visual primário nos lobos occipitais
do cérebro e a percepção visual começa.
Os axônios dos neurônios talâmicos formam as radiações ópticas à medida que se
projetam do tálamo para o córtex visual primário no lobo occipital do cérebro do
mesmo lado.
RESUMÃO
1. Início da Via Visual: A Retina
A transdução visual começa na retina, que contém as células fotorreceptoras
(bastonetes e cones). Cada fotorreceptor capta a luz e converte a energia luminosa
em sinais elétricos. Esses sinais são processados nas camadas da retina e
enviados para as células ganglionares, que formam o nervo óptico.
➔ Células ganglionares: São as células da retina responsáveis por enviar os
sinais para o cérebro. Seus axônios se agrupam para formar o nervo óptico.
➔ Disco óptico (ponto cego): A partir das células ganglionares, os axônios se
agrupam no disco óptico e deixam a retina, formando o nervo óptico. Este
ponto é chamado de "ponto cego", pois não há células fotossensíveis na área
onde o nervo deixa a retina.
2. O Nervo Óptico
O nervo óptico transporta os sinais visuais da retina para o cérebro. Cada olho tem
um nervo óptico, e ambos se encontram na base do cérebro, no quiasma óptico.
3. O Quiasma Óptico
No quiasma óptico, as fibras do nervo óptico provenientes de cada olho se cruzam
de forma parcial. Ou seja, as fibras da metade nasal de cada retina (a parte mais
próxima ao nariz) cruzam para o lado oposto, enquanto as fibras da metade
temporal (a parte mais distante do nariz) continuam no mesmo lado.
➔ Por que isso é importante? Esse cruzamento garante que as informações
visuais de ambos os olhos sejam processadas no hemisfério cerebral oposto.
Isso ajuda a integrar a visão de ambos os olhos e a formar uma percepção
mais precisa do espaço (visão estereoscópica ou tridimensional).
4. O Trato Óptico
Após o quiasma óptico, os nervos óticos continuam como tratos ópticos. O trato
óptico leva as informações visuais até o corpo geniculado lateral no tálamo. A partir
daqui, as informações são enviadas para o córtex visual, onde ocorre a percepção
consciente da visão.
5. Corpo Geniculado Lateral (CGL)
O corpo geniculado lateral (CGL) é uma estrutura localizada no tálamo, uma região
do cérebro que serve como "estação de retransmissão" para informações
sensoriais. O CGL tem 6 camadas e recebe sinais visuais de cada olho de forma
separada, com algumas informações de cada campo visual (direito e esquerdo)
sendo projetadas para o lado oposto do cérebro.
O CGL processa inicialmente as informações visuais, como contraste, movimento e
outras características mais simples, e as envia para o córtex visual primário (V1), no
lobo occipital, onde ocorre a interpretação mais detalhada da imagem visual.
6. Córtex Visual Primário (V1)
O córtex visual primário (V1) está localizado no lobo occipital do cérebro e é o
primeiro local onde as informações visuais chegam para serem processadas. Ele é
responsável por realizar a análise básica das imagens. Aqui, as informações sobre
cores, formas, movimentos e bordas são extraídas.
➔ Processamento inicial: O