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DIREITO ADMINISTRATIVO
Conceitos, Evolução Histórica, Fontes, Métodos e Critérios
Interpretativos
Administração Pública, Agentes Públicos, Poder de Polícia
Processo Administrativo, Bens Públicos, Improbidade
Administrativa
Lei de Acesso à Informação e Lei Geral de Proteção de Dados
Material Completo com Questões de Concursos
2025
Direito Administrativo
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Sumário
1. Direito Administrativo: Conceito, Evolução Histórica e Fontes
2. Administração Pública
3. Agentes Públicos
4. Poder de Polícia
5. Processo Administrativo
6. Bens Públicos
7. Improbidade Administrativa
8. Lei de Acesso à Informação
9. Lei Geral de Proteção de Dados
10. Questões de Concursos
Direito Administrativo
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Direito Administrativo: Conceitos
Básicos
Conceito
O Direito Administrativo é a esfera do Direito Público Interno que, mediante regras e
princípios exclusivos, regulamenta o exercício da função administrativa que é
exercida por agentes públicos, órgãos públicos, pessoas jurídicas de Direito Público,
em outras palavras, pela Administração Pública.
A finalidade do Direito Administrativo é proteger o interesse público, o que não deve
ser confundido com o interesse estatal, uma vez que o poder público pode agir em
prejuízo da coletividade.
Evolução Histórica
O Direito Administrativo tem sua origem na França, no século XVIII e no início do
século XIX, sendo reconhecido como um ramo autônomo do direito no início do
processo de desenvolvimento do Estado de Direito, baseado no princípio da
legalidade e da separação de poderes.
Devido ao desenvolvimento do Estado de Direito e sua decorrente necessidade de
garantir segurança na relação entre Administração Pública e os administrados, foi
necessário criar ramos autônomos do direito para que fosse possível regular essa
relação.
Assim, restou ao Direito Administrativo delimitar funções e organizar as ideias
governamentais, tendo como objetivo assegurar os direitos consequentes da
referida relação, garantindo assim os interesses de forma geral da coletividade,
chamados hoje de interesse público.
O Direito Administrativo originou-se em um período pós-revolucionário, com o
Estado de Direito, época a qual era tomada pela revolta presente em relação às
ideias políticas que eram juridicamente aceitas.
A ideia que fundamenta a aplicação de Direito Administrativo foi inicialmente a
'puissance publique', isto é, o poder do Estado em face dos administrados. Em
Direito Administrativo
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seguida, Leon Duguit, tentando substituir pela ideia de serviço público, atribuiu a
este a base do Direito Administrativo pelo fato de serem serviços indispensáveis
prestados pelo Estado com a finalidade de suprir as necessidades gerais da
sociedade.
Com uma crescente discussão sobre o referido entendimento, chegou-se à
conclusão de que não somente o poder, mas também os deveres, eram a base do
Direito Administrativo, já que estes correspondiam às funções do Estado de Direito,
isto é, garantir a proteção dos direitos coletivos e individuais.
Hoje em dia, entende-se que o poder é o ato de cumprir um dever, e o dever é
aquela ordem expressa nos textos de lei.
Fontes do Direito Administrativo
O Direito Administrativo possui como fonte principal a legislação e a constituição.
No entanto, muito do que é estudado nessa área do Direito advém da doutrina,
sobretudo diante da importância da discussão sobre os impactos dos princípios e
dos poderes administrativos.
Portanto, pode-se mencionar como fontes do Direito Administrativo:
Normas: Constituição Federal, leis, decretos, regulamentos, instruções
normativas, etc.
Jurisprudência: Decisões dos tribunais que interpretam e aplicam as normas
administrativas.
Doutrina: Estudos e teorias desenvolvidos por juristas e especialistas na área.
Costumes: Práticas reiteradas que, embora não escritas, são aceitas como
normas de conduta.
Métodos e Critérios Interpretativos
A interpretação no Direito Administrativo segue métodos e critérios específicos,
considerando sua natureza e finalidade:
Método Sistemático: Interpreta as normas administrativas considerando o
ordenamento jurídico como um todo, especialmente os princípios
constitucionais.
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Direito Administrativo
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Método Teleológico: Busca a finalidade da norma administrativa,
considerando o interesse público como objetivo primordial.
Método Histórico-Evolutivo: Considera a evolução histórica das instituições
administrativas e a adaptação das normas às novas realidades sociais.
Critério da Supremacia do Interesse Público: As normas administrativas
devem ser interpretadas de modo a privilegiar o interesse coletivo sobre o
individual.
Critério da Legalidade Administrativa: A interpretação deve respeitar os
limites impostos pela lei, considerando que a Administração só pode fazer o
que a lei autoriza.
Critério da Razoabilidade e Proporcionalidade: A interpretação deve buscar
soluções razoáveis e proporcionais, evitando excessos.
Objeto de Estudo do Direito Administrativo
Atualmente, predomina-se a definição do objeto do Direito Administrativo pelo
critério funcional, sendo a esfera do direito que "estuda a disciplina normativa da
função administrativa, independentemente de quem esteja encarregado de exercê-
la: Executivo, Legislativo, Judiciário ou particulares mediante delegação estatal".
São as normas administrativas, sendo aplicadas por quem tem competência para
exercê-las, seja no desempenho de funções típicas ou atípicas. Resumidamente, o
objeto de estudo é a Administração Pública, que é entendida como função
administrativa ou como organização administrativa, órgãos públicos e pessoas
jurídicas.
Relação com Outros Ramos do Direito
O Direito Administrativo mantém relações importantes com outros ramos do Direito:
Direito Constitucional: É a base do Direito Administrativo, pois estabelece os
princípios fundamentais da Administração Pública e a organização do Estado.
Direito Civil: Muitos institutos do Direito Administrativo têm origem no Direito
Civil, como a teoria dos contratos, embora com adaptações específicas.
Direito Penal: Relaciona-se principalmente no que tange aos crimes contra a
Administração Pública e à responsabilidade penal dos agentes públicos.
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Direito Administrativo
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Direito Financeiro e Tributário: Vincula-se ao Direito Administrativo na gestão
dos recursos públicos e na atividade financeira do Estado.
Direito Processual: Estabelece procedimentos para o controle judicial dos
atos administrativos e para o processo administrativo.
Direito do Trabalho: Relaciona-se no que diz respeito aos servidores públicos
celetistas e às relações de trabalho na Administração Pública.
Direito Ambiental: Conecta-se ao Direito Administrativo no exercício do poder
de polícia ambiental e na gestão dos recursos naturais.
Princípios do Direito Administrativo
Princípios Constitucionais Expressos (Art. 37 da CF/88)
Princípio da Legalidade: A Administração Pública só pode fazer o que a lei
autoriza. Seus atos devem estar sempre pautados na legislação.
Princípio da Impessoalidade: Os atos administrativos devem ter como
finalidade o interesse público, e não o próprio ou de um conjunto de pessoas
amigas. O interesse deve ser impessoal.
Princípio da Moralidade: O administrador deve, além de seguir o que a lei
determina, pautar sua conduta na moral comum, fazendo o que é honesto,
justo e mais útil ao interesse público.
Princípio da Publicidade: Obrigação de dar publicidade aos atos, contratos
ou instrumentos jurídicos da Administração Pública, conferindo transparência
e possibilidade de controle.
Princípio da Eficiência: Os agentes públicos devem agir com rapidez,
perfeição e rendimento. A Administração Pública deve estar atenta às suas
estruturas e organizações, evitando a manutenção de órgãos/entidadesPerda da função pública
Suspensão dos direitos políticos até 12 (doze) anos
Pagamento de multa civil equivalente ao valor do dano
Proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por
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intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não
superior a 12 (doze) anos
3. Para Atos que Atentam Contra os Princípios da Administração
Pública (Art. 11)
Ressarcimento integral do dano, se houver
Perda da função pública
Suspensão dos direitos políticos até 4 (quatro) anos
Pagamento de multa civil de até 24 (vinte e quatro) vezes o valor da
remuneração percebida pelo agente
Proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por
intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não
superior a 4 (quatro) anos
Prescrição
A Lei 14.230/21 trouxe importantes alterações no regime de prescrição dos atos de
improbidade administrativa:
"Art. 23. A ação para a aplicação das sanções previstas nesta Lei prescreve
em 8 (oito) anos, contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de
infrações permanentes, do dia em que cessou a permanência."
Anteriormente, o prazo prescricional variava conforme o tipo de vínculo do agente
com a Administração Pública, sendo de até 5 anos após o término do exercício de
mandato, cargo em comissão ou função de confiança.
Procedimento Administrativo e Judicial
Procedimento Administrativo
Quando há indícios de ato de improbidade administrativa, a autoridade que
conhecer dos fatos deve representar ao Ministério Público competente, para as
providências necessárias, conforme o artigo 7º da Lei 8.429/92, com redação dada
pela Lei 14.230/21.
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Ação de Improbidade Administrativa
A ação para a aplicação das sanções por ato de improbidade administrativa será
proposta exclusivamente pelo Ministério Público, conforme o artigo 17 da Lei
8.429/92, com redação dada pela Lei 14.230/21.
O procedimento seguirá o rito comum previsto no Código de Processo Civil, com
algumas peculiaridades previstas na própria Lei de Improbidade Administrativa.
Jurisprudência Relevante
A aplicação da Lei de Improbidade Administrativa tem sido objeto de diversos
julgados pelos tribunais superiores. Alguns entendimentos consolidados incluem:
Necessidade de demonstração do elemento subjetivo (dolo) para configuração
de atos de improbidade que atentam contra os princípios da Administração
Pública
Impossibilidade de responsabilização objetiva em ações de improbidade
administrativa
Necessidade de demonstração de efetivo prejuízo ao erário nos atos previstos
no artigo 10
Aplicação do princípio da proporcionalidade na dosimetria das sanções
Importância do Combate à Improbidade
Administrativa
O combate à improbidade administrativa é fundamental para:
Garantir a moralidade e a probidade na Administração Pública
Proteger o patrimônio público e social
Assegurar a eficiência dos serviços públicos
Fortalecer a confiança da sociedade nas instituições públicas
Promover a cultura de integridade no serviço público
A Lei de Improbidade Administrativa, mesmo com as alterações trazidas pela Lei
14.230/21, continua sendo um importante instrumento de controle da
Administração Pública e de responsabilização dos agentes que praticam atos
ímprobos.
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Lei Federal nº 12.527/2011 - Lei de
Acesso à Informação (LAI)
Conceito e Definição
A Lei nº 12.527/2011, conhecida como Lei de Acesso à Informação (LAI), regulamenta
o direito fundamental de acesso à informação previsto na Constituição Federal,
especificamente no inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º
do art. 216 da Constituição Federal.
A LAI estabelece que qualquer pessoa física ou jurídica pode solicitar e receber
informações públicas produzidas ou custodiadas pelos órgãos e entidades públicos.
Além disso, a lei também garante o direito de acesso às informações produzidas ou
custodiadas pelas entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recurso
público para a realização de ações de interesse público.
Histórico e Vigência
A Lei de Acesso à Informação foi publicada no dia 18 de novembro de 2011, mas só
entrou em vigor 180 (cento e oitenta) dias depois, ou seja, em 16 de maio de 2012. A
data da publicação e da vigência da LAI representam um marco para a cultura da
transparência e para o controle social no Brasil.
Objetivos e Princípios
Os procedimentos previstos na Lei de Acesso à Informação destinam-se a assegurar
o direito fundamental de acesso à informação e devem ser executados em
conformidade com os princípios básicos da administração pública e com as
seguintes diretrizes, conforme o artigo 3º:
Observância da publicidade como preceito geral e do sigilo como exceção
Divulgação de informações de interesse público, independentemente de
solicitações
Utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da
informação
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Direito Administrativo
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Fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência na administração
pública
Desenvolvimento do controle social da administração pública
Abrangência
A Lei de Acesso à Informação aplica-se a:
Órgãos públicos integrantes da administração direta dos Poderes Executivo,
Legislativo, incluindo as Cortes de Contas, e Judiciário e do Ministério Público
Autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia
mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União,
Estados, Distrito Federal e Municípios
Entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos públicos
diretamente do orçamento ou mediante subvenções sociais, contrato de
gestão, termo de parceria, convênios, acordo, ajustes ou outros instrumentos
congêneres
Conceitos Fundamentais
A Lei de Acesso à Informação estabelece alguns conceitos fundamentais em seu
artigo 4º:
Informação: dados, processados ou não, que podem ser utilizados para
produção e transmissão de conhecimento, contidos em qualquer meio,
suporte ou formato
Documento: unidade de registro de informações, qualquer que seja o suporte
ou formato
Informação sigilosa: aquela submetida temporariamente à restrição de
acesso público em razão de sua imprescindibilidade para a segurança da
sociedade e do Estado
Informação pessoal: aquela relacionada à pessoa natural identificada ou
identificável
Tratamento da informação: conjunto de ações referentes à produção,
recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, transporte,
transmissão, distribuição, arquivamento, armazenamento, eliminação,
avaliação, destinação ou controle da informação
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Disponibilidade: qualidade da informação que pode ser conhecida e utilizada
por indivíduos, equipamentos ou sistemas autorizados
Autenticidade: qualidade da informação que tenha sido produzida, expedida,
recebida ou modificada por determinado indivíduo, equipamento ou sistema
Integridade: qualidade da informação não modificada, inclusive quanto à
origem, trânsito e destino
Primariedade: qualidade da informação coletada na fonte, com o máximo de
detalhamento possível, sem modificações
Transparência Ativa e Passiva
A Lei de Acesso à Informação estabelece duas formas de transparência:
Transparência Ativa
É a divulgação de dados por iniciativa do próprio setor público, ou seja, quando são
tornadas públicas informações, independente de requerimento, utilizando
principalmente a Internet.
Um exemplo de transparência ativa são as seções "Acesso à Informação" dos sites
dos órgãos e entidades. Os portais de transparência e de dados abertos também são
exemplos disso.A divulgação proativa de informações de interesse público, além de facilitar o acesso
das pessoas e de reduzir o custo com a prestação de informações, evita o acúmulo
de pedidos de acesso sobre temas semelhantes.
De acordo com o artigo 8º da LAI, é dever dos órgãos e entidades públicas promover,
independentemente de requerimentos, a divulgação em local de fácil acesso, no
âmbito de suas competências, de informações de interesse coletivo ou geral por
eles produzidas ou custodiadas.
Na divulgação dessas informações, deverão constar, no mínimo:
Registro das competências e estrutura organizacional, endereços e telefones
das respectivas unidades e horários de atendimento ao público
Registros de quaisquer repasses ou transferências de recursos financeiros
Registros das despesas
Informações concernentes a procedimentos licitatórios, inclusive os
respectivos editais e resultados, bem como a todos os contratos celebrados
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Dados gerais para o acompanhamento de programas, ações, projetos e obras
de órgãos e entidades
Respostas a perguntas mais frequentes da sociedade
Transparência Passiva
É a disponibilização de informações públicas em atendimento a demandas
específicas apresentadas como pedidos de informação por pessoa física ou jurídica.
No âmbito do Poder Executivo Federal, todas essas solicitações devem ser
registradas no sistema Fala.BR (trata-se de uma Plataforma Integrada de Ouvidoria e
Acesso à Informação).
Conforme o artigo 10 da LAI, qualquer interessado poderá apresentar pedido de
acesso a informações aos órgãos e entidades públicas, por qualquer meio legítimo,
devendo o pedido conter a identificação do requerente e a especificação da
informação requerida.
Para o acesso a informações de interesse público, a identificação do requerente não
pode conter exigências que inviabilizem a solicitação. Além disso, são vedadas
quaisquer exigências relativas aos motivos determinantes da solicitação de
informações de interesse público.
Procedimento de Acesso à Informação
O acesso a informações públicas é assegurado mediante:
Criação de serviço de informações ao cidadão, nos órgãos e entidades do
poder público, em local com condições apropriadas para:
Atender e orientar o público quanto ao acesso a informações
Informar sobre a tramitação de documentos nas suas respectivas unidades
Protocolizar documentos e requerimentos de acesso a informações
Realização de audiências ou consultas públicas, incentivo à participação
popular ou a outras formas de divulgação
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Prazos
O órgão ou entidade pública deverá autorizar ou conceder o acesso imediato à
informação disponível. Não sendo possível conceder o acesso imediato, o órgão ou
entidade que receber o pedido deverá, em prazo não superior a 20 (vinte) dias:
Comunicar a data, local e modo para se realizar a consulta, efetuar a
reprodução ou obter a certidão
Indicar as razões de fato ou de direito da recusa, total ou parcial, do acesso
pretendido
Comunicar que não possui a informação, indicar, se for do seu conhecimento,
o órgão ou a entidade que a detém, ou, ainda, remeter o requerimento a esse
órgão ou entidade, cientificando o interessado da remessa de seu pedido de
informação
O prazo referido poderá ser prorrogado por mais 10 (dez) dias, mediante justificativa
expressa, da qual será cientificado o requerente.
Recursos
No caso de indeferimento de acesso a informações ou às razões da negativa do
acesso, poderá o interessado interpor recurso contra a decisão no prazo de 10 (dez)
dias a contar da sua ciência.
O recurso será dirigido à autoridade hierarquicamente superior à que exarou a
decisão impugnada, que deverá se manifestar no prazo de 5 (cinco) dias.
Classificação de Informações
A Lei de Acesso à Informação prevê algumas hipóteses em que o acesso à
informação pode ser restringido:
1. Documento Preparatório (art. 7 - § 3º)
São aqueles documentos que contêm restrição temporária até que haja uma
posição final (decisão administrativa) sobre o assunto que é objeto do documento
ou do processo. Nesses casos, o órgão pode negar o acesso à informação,
explicando ao requerente que a informação poderá ser disponibilizada após a
conclusão do ato administrativo.
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2. Hipótese de Sigilo com Base em Legislação Específica (art. 22)
São aquelas informações protegidas por outras legislações, tais como os sigilos
bancário, fiscal, segredo de justiça, segredo industrial, sigilo empresarial, sigilo
decorrente de risco à competitividade e à governança empresarial, sigilo das
Sociedades Anônimas, dentre outras.
3. Informação Classificada nos Termos da LAI (art. 23 e 24)
São aquelas informações cuja divulgação possa colocar em risco a segurança da
sociedade (vida, segurança, saúde da população), bem como colocar em risco a
segurança de altas autoridades nacionais ou estrangeiras e de seus familiares ou do
Estado (soberania nacional, relações internacionais, atividades de inteligência,
operações estratégicas das Forças Armadas).
Conforme o risco que sua divulgação pode proporcionar à sociedade ou ao Estado,
a informação pública pode ser classificada como:
Ultrassecreta: prazo de segredo de 25 anos (renovável uma única vez por até
25 anos)
Secreta: prazo de segredo de 15 anos
Reservada: prazo de segredo de 5 anos
Ao término do prazo de classificação ou do evento que ensejou a classificação, a
informação passa a ser, automaticamente, passível de acesso público.
4. Informações Pessoais Sensíveis
São aquelas que se referem à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem. Como
exemplo, pode-se citar informações sobre origem racial ou étnica, convicção
religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso,
filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou
biométrico, quando vinculado a um indivíduo.
As informações pessoais podem ser acessadas pelos próprios indivíduos. Terceiros
poderão acessá-la apenas em casos excepcionais previstos na Lei, como:
Mediante o consentimento expresso do seu titular
Independentemente do consentimento do titular, para:
Prevenção e diagnóstico médico, quando a pessoa estiver física ou legalmente
incapaz
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Realização de estatísticas e pesquisas científicas de evidente interesse público
ou geral
Cumprimento de ordem judicial
Defesa de direitos humanos
Proteção do interesse público e geral preponderante
Responsabilidades e Sanções
A Lei de Acesso à Informação estabelece responsabilidades para agentes públicos
ou militares que:
Recusarem-se a fornecer informação requerida nos termos da Lei, retardarem
deliberadamente o seu fornecimento ou fornecê-la intencionalmente de forma
incorreta, incompleta ou imprecisa
Utilizarem indevidamente, subtraírem, destruírem, inutilizarem, desfigurarem,
alterarem ou ocultarem, total ou parcialmente, informação que se encontre
sob sua guarda ou a que tenha acesso ou conhecimento em razão do exercício
das atribuições de cargo, emprego ou função pública
Agirem com dolo ou má-fé na análise das solicitações de acesso à informação
Divulgarem ou permitirem a divulgação ou acessarem ou permitirem acesso
indevido à informação sigilosa ou informação pessoal
Impuserem sigilo à informação para obter proveito pessoal ou de terceiro, ou
para fins de ocultação de ato ilegal cometido por si ou por outrem
Ocultarem da revisão de autoridade superior competente informação sigilosa
para beneficiar a si ou a outrem, ou em prejuízo de terceiros
Destruírem ou subtraírem, por qualquer meio, documentos concernentes a
possíveis violações de direitos humanos por parte de agentes do Estado
As condutas acima descritas podem configurar, no mínimo, infraçãoadministrativa,
que será punida com, no mínimo, suspensão, segundo os critérios nela
estabelecidos. Além disso, podem configurar improbidade administrativa e até
mesmo crime, dependendo da gravidade da conduta.
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Regulamentação
A Lei de Acesso à Informação contém dispositivos de aplicação imediata a todos os
órgãos e entidades, bem como dispositivos que necessitam de regulamentação
específica por cada Poder e Ente da Federação.
No âmbito do Poder Executivo Federal, a regulamentação específica da Lei de
Acesso à Informação ocorreu com a publicação do Decreto nº 7.724, em 16 de maio
de 2012, que estabeleceu os procedimentos para a garantia do acesso à informação
e para a classificação de informações sob restrição de acesso.
Importância da Lei de Acesso à Informação
A Lei de Acesso à Informação representa um importante avanço na consolidação do
regime democrático brasileiro, ampliando a participação cidadã e fortalecendo os
instrumentos de controle da gestão pública. Ela estabelece que o acesso à
informação pública é a regra, e o sigilo, a exceção.
Ao estabelecer este marco regulatório, o Brasil deu um importante passo para a
consolidação do seu regime democrático, ampliando a participação cidadã e
possibilitando o aprimoramento da gestão pública. A LAI coloca o Brasil em sintonia
com o direito de acesso à informação pública, já reconhecido por organismos
internacionais como um direito humano fundamental.
A implementação da Lei de Acesso à Informação significa um importante passo para
a democracia brasileira e um marco para a transparência pública no país. Ela
representa a consolidação de um dos direitos básicos do cidadão: o direito à
informação.
Direito Administrativo
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Lei Federal nº 13.709/2018 - Lei Geral de
Proteção de Dados Pessoais (LGPD)
Conceito e Definição
A Lei nº 13.709/2018, conhecida como Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais
(LGPD), dispõe sobre o tratamento de dados pessoais, inclusive nos meios digitais,
por pessoa natural ou por pessoa jurídica de direito público ou privado, com o
objetivo de proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e o livre
desenvolvimento da personalidade da pessoa natural.
A LGPD estabelece regras sobre como os dados pessoais devem ser coletados,
tratados, armazenados e compartilhados, além de definir os direitos dos titulares
desses dados e as obrigações das organizações que os tratam.
Histórico e Vigência
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais foi sancionada em 14 de agosto de 2018,
tendo sofrido alterações pela Lei nº 13.853/2019, que criou a Autoridade Nacional de
Proteção de Dados (ANPD). A LGPD entrou em vigor em setembro de 2020, com
exceção das sanções administrativas, que passaram a vigorar em agosto de 2021.
A LGPD foi inspirada no Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) da União
Europeia, mas possui características próprias adaptadas à realidade brasileira.
Fundamentos
De acordo com o artigo 2º da LGPD, a disciplina da proteção de dados pessoais tem
como fundamentos:
O respeito à privacidade
A autodeterminação informativa
A liberdade de expressão, de informação, de comunicação e de opinião
A inviolabilidade da intimidade, da honra e da imagem
O desenvolvimento econômico e tecnológico e a inovação
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A livre iniciativa, a livre concorrência e a defesa do consumidor
Os direitos humanos, o livre desenvolvimento da personalidade, a dignidade e
o exercício da cidadania pelas pessoas naturais
Abrangência e Aplicabilidade
A LGPD aplica-se a qualquer operação de tratamento realizada por pessoa natural
ou por pessoa jurídica de direito público ou privado, independentemente do meio,
do país de sua sede ou do país onde estejam localizados os dados, desde que:
A operação de tratamento seja realizada no território nacional
A atividade de tratamento tenha por objetivo a oferta ou o fornecimento de
bens ou serviços ou o tratamento de dados de indivíduos localizados no
território nacional
Os dados pessoais objeto do tratamento tenham sido coletados no território
nacional
A lei não se aplica ao tratamento de dados pessoais:
Realizado por pessoa natural para fins exclusivamente particulares e não
econômicos
Realizado para fins exclusivamente jornalísticos, artísticos ou acadêmicos
Realizado para fins exclusivos de segurança pública, defesa nacional,
segurança do Estado ou atividades de investigação e repressão de infrações
penais
Provenientes de fora do território nacional e que não sejam objeto de
comunicação ou uso compartilhado com agentes de tratamento brasileiros
Conceitos Fundamentais
A LGPD estabelece diversos conceitos fundamentais em seu artigo 5º, entre os quais
destacam-se:
Dado pessoal: informação relacionada a pessoa natural identificada ou
identificável
Dado pessoal sensível: dado pessoal sobre origem racial ou étnica, convicção
religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter
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religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado
genético ou biométrico, quando vinculado a uma pessoa natural
Dado anonimizado: dado relativo a titular que não possa ser identificado,
considerando a utilização de meios técnicos razoáveis e disponíveis na ocasião
de seu tratamento
Banco de dados: conjunto estruturado de dados pessoais, estabelecido em
um ou em vários locais, em suporte eletrônico ou físico
Titular: pessoa natural a quem se referem os dados pessoais que são objeto de
tratamento
Controlador: pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, a quem
competem as decisões referentes ao tratamento de dados pessoais
Operador: pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, que
realiza o tratamento de dados pessoais em nome do controlador
Encarregado: pessoa indicada pelo controlador e operador para atuar como
canal de comunicação entre o controlador, os titulares dos dados e a
Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD)
Tratamento: toda operação realizada com dados pessoais, como as que se
referem a coleta, produção, recepção, classificação, utilização, acesso,
reprodução, transmissão, distribuição, processamento, arquivamento,
armazenamento, eliminação, avaliação ou controle da informação,
modificação, comunicação, transferência, difusão ou extração
Princípios
De acordo com o artigo 6º da LGPD, as atividades de tratamento de dados pessoais
deverão observar a boa-fé e os seguintes princípios:
Finalidade: realização do tratamento para propósitos legítimos, específicos,
explícitos e informados ao titular, sem possibilidade de tratamento posterior
de forma incompatível com essas finalidades
Adequação: compatibilidade do tratamento com as finalidades informadas ao
titular, de acordo com o contexto do tratamento
Necessidade: limitação do tratamento ao mínimo necessário para a realização
de suas finalidades, com abrangência dos dados pertinentes, proporcionais e
não excessivos em relação às finalidades do tratamento de dados
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Livre acesso: garantia, aos titulares, de consulta facilitada e gratuita sobre a
forma e a duração do tratamento, bem como sobre a integralidade de seus
dados pessoais
Qualidade dos dados: garantia, aos titulares, de exatidão, clareza, relevância
e atualização dos dados, de acordo com a necessidade e para o cumprimento
da finalidade de seu tratamento
Transparência: garantia, aos titulares, de informações claras, precisas e
facilmente acessíveis sobre a realização do tratamento e os respectivos
agentes de tratamento, observados os segredos comercial e industrial
Segurança: utilização de medidas técnicas e administrativas aptas a proteger
os dados pessoais de acessosnão autorizados e de situações acidentais ou
ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou difusão
Prevenção: adoção de medidas para prevenir a ocorrência de danos em
virtude do tratamento de dados pessoais
Não discriminação: impossibilidade de realização do tratamento para fins
discriminatórios ilícitos ou abusivos
Responsabilização e prestação de contas: demonstração, pelo agente, da
adoção de medidas eficazes e capazes de comprovar a observância e o
cumprimento das normas de proteção de dados pessoais e, inclusive, da
eficácia dessas medidas
Bases Legais para o Tratamento de Dados
A LGPD estabelece que o tratamento de dados pessoais somente poderá ser
realizado nas seguintes hipóteses (artigo 7º):
Mediante o fornecimento de consentimento pelo titular
Para o cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador
Pela administração pública, para o tratamento e uso compartilhado de dados
necessários à execução de políticas públicas
Para a realização de estudos por órgão de pesquisa
Quando necessário para a execução de contrato ou de procedimentos
preliminares relacionados a contrato do qual seja parte o titular
Para o exercício regular de direitos em processo judicial, administrativo ou
arbitral
Para a proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiro
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Direito Administrativo
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Para a tutela da saúde, exclusivamente, em procedimento realizado por
profissionais de saúde, serviços de saúde ou autoridade sanitária
Quando necessário para atender aos interesses legítimos do controlador ou de
terceiro
Para a proteção do crédito
Para o tratamento de dados pessoais sensíveis, a LGPD estabelece hipóteses mais
restritas, previstas no artigo 11.
Direitos dos Titulares
A LGPD confere aos titulares de dados pessoais diversos direitos, que estão previstos
principalmente no artigo 18:
Confirmação da existência de tratamento: o titular tem direito à confirmação
sobre a existência de um tratamento de seus dados por um controlador
Acesso aos dados: o titular tem direito ao livre acesso aos seus próprios dados
pessoais
Correção de dados pessoais: o titular possui o direito à correção de seus
dados pessoais que estejam incorretos, incluindo a atualização dos dados e a
inserção de novos dados ao tratamento
Anonimização, bloqueio ou eliminação: o titular pode solicitar a
anonimização, o bloqueio ou a eliminação de dados desnecessários,
excessivos ou tratados em desconformidade com a lei
Portabilidade: o titular tem direito à portabilidade dos dados a outro
fornecedor de serviço ou produto
Eliminação dos dados: o titular pode solicitar a eliminação dos dados
pessoais tratados com base no consentimento
Revogação do consentimento: o titular pode revogar o consentimento a
qualquer momento, sem necessidade de fundamentação
Informação sobre compartilhamento: o titular tem direito a informações
sobre as entidades com as quais seus dados foram compartilhados
Revisão de decisões automatizadas: o titular pode solicitar a revisão de
decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado de
dados pessoais que afetem seus interesses
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Direito Administrativo
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Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD)
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) é o órgão da administração
pública responsável por zelar, implementar e fiscalizar o cumprimento da LGPD em
todo o território nacional. Suas principais atribuições incluem:
Zelar pela proteção dos dados pessoais
Elaborar diretrizes para a Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da
Privacidade
Fiscalizar e aplicar sanções em caso de tratamento de dados realizado em
descumprimento à legislação
Promover o conhecimento das normas e das políticas públicas sobre proteção
de dados pessoais
Estimular a adoção de padrões para serviços e produtos que facilitem o
exercício de controle dos titulares sobre seus dados pessoais
Elaborar estudos sobre as práticas nacionais e internacionais de proteção de
dados pessoais e privacidade
Editar regulamentos e procedimentos sobre proteção de dados pessoais e
privacidade
Sanções Administrativas
Em caso de descumprimento da LGPD, a ANPD pode aplicar as seguintes sanções
administrativas (artigo 52):
Advertência, com indicação de prazo para adoção de medidas corretivas
Multa simples, de até 2% do faturamento da empresa, grupo ou conglomerado
no Brasil no seu último exercício, excluídos os tributos, limitada, no total, a R$
50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) por infração
Multa diária, observado o limite total mencionado no item anterior
Publicização da infração após devidamente apurada e confirmada a sua
ocorrência
Bloqueio dos dados pessoais a que se refere a infração até a sua regularização
Eliminação dos dados pessoais a que se refere a infração
Suspensão parcial do funcionamento do banco de dados a que se refere a
infração pelo período máximo de 6 (seis) meses, prorrogável por igual período
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Direito Administrativo
62
Suspensão do exercício da atividade de tratamento dos dados pessoais a que
se refere a infração pelo período máximo de 6 (seis) meses, prorrogável por
igual período
Proibição parcial ou total do exercício de atividades relacionadas a tratamento
de dados
Medidas de Segurança e Boas Práticas
A LGPD estabelece que os agentes de tratamento devem adotar medidas de
segurança, técnicas e administrativas aptas a proteger os dados pessoais de acessos
não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração,
comunicação ou qualquer forma de tratamento inadequado ou ilícito.
Entre as boas práticas recomendadas estão:
Implementação de políticas de privacidade e proteção de dados
Mapeamento dos fluxos de dados pessoais na organização
Realização de avaliação de impacto à proteção de dados pessoais
Adoção de medidas de segurança da informação
Capacitação de colaboradores sobre proteção de dados
Designação de um encarregado pelo tratamento de dados pessoais (DPO -
Data Protection Officer)
Importância da LGPD no Direito Administrativo
A LGPD tem grande relevância para o Direito Administrativo, especialmente porque:
Estabelece regras específicas para o tratamento de dados pessoais pela
Administração Pública
Cria a ANPD como órgão da administração pública responsável pela
fiscalização da lei
Impõe obrigações aos órgãos públicos quanto à transparência e segurança no
tratamento de dados
Estabelece a necessidade de observância dos princípios da administração
pública no tratamento de dados
Prevê a responsabilização de agentes públicos pelo descumprimento da lei
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Direito Administrativo
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A LGPD dialoga diretamente com a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011),
estabelecendo um equilíbrio entre o direito à informação e o direito à privacidade e
proteção de dados pessoais.
Relação com Outros Ramos do Direito
A LGPD possui interfaces com diversos ramos do Direito, como:
Direito Constitucional: por tratar da proteção de direitos fundamentais como
privacidade e liberdade
Direito Civil: ao regular relações entre particulares no tratamento de dados
pessoais
Direito do Consumidor: ao estabelecer regras para o tratamento de dados em
relações de consumo
Direito Digital: por regular aspectos do tratamento de dados em meios digitais
Direito Penal: ao prever a possibilidade de responsabilização criminal em
casos de violações graves
Desafios na Implementação da LGPD
A implementação da LGPD enfrenta diversos desafios, entre os quais:
Adaptação das organizações públicas e privadas às exigências da lei
Desenvolvimento de uma cultura de proteção de dados na sociedade brasileira
Capacitação de profissionais especializados em proteção de dados
Estruturação e fortalecimento da ANPD
Harmonização da LGPD com outras legislaçõesnacionais e internacionais
sobre proteção de dados
Jurisprudência e Casos Relevantes
Por ser uma legislação relativamente recente, a jurisprudência sobre a LGPD ainda
está em formação. No entanto, já existem decisões judiciais que aplicam os
princípios e regras da lei em casos concretos, especialmente em relação a:
Vazamentos de dados pessoais
Uso indevido de dados para marketing direto
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Direito Administrativo
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Compartilhamento não autorizado de dados
Falhas de segurança no armazenamento de dados
Descumprimento dos direitos dos titulares
Conclusão
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais representa um marco na proteção da
privacidade e dos dados pessoais no Brasil, estabelecendo regras claras para o
tratamento de dados por organizações públicas e privadas. Sua implementação
adequada é fundamental para garantir o respeito aos direitos dos titulares e para
promover uma cultura de proteção de dados na sociedade brasileira.
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Direito Administrativo
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Questões de Concursos - Direito
Administrativo para Guardas Municipais
Direito Administrativo: Conceito e Fontes
Questão 1: (Guarda Municipal - 2024) O Direito Administrativo é o ramo do direito
público que estuda os princípios e normas jurídicas que disciplinam a atividade
administrativa do Estado. Sobre as fontes do Direito Administrativo, assinale a
alternativa INCORRETA:
a) A lei é considerada a principal fonte do Direito Administrativo, em razão do
princípio da legalidade.
b) A jurisprudência, embora não seja fonte formal do Direito Administrativo, tem
importante papel na interpretação e aplicação das normas administrativas.
c) Os costumes não são considerados fontes do Direito Administrativo, uma vez que
este ramo do direito se baseia exclusivamente em normas escritas.
d) A doutrina contribui para a formação do Direito Administrativo ao sistematizar
conceitos e princípios.
e) Os princípios gerais do direito são fontes supletivas do Direito Administrativo.
Resposta: C
Explicação: Os costumes são considerados fontes do Direito Administrativo, embora
com menor relevância em comparação com a lei. Em determinadas situações,
práticas administrativas reiteradas e aceitas pela coletividade podem ser
reconhecidas como fontes do Direito Administrativo, especialmente quando não há
norma legal específica sobre determinado assunto.
Administração Pública
Questão 2: (Guarda Municipal - 2023) Sobre a organização administrativa brasileira,
analise as afirmativas abaixo:
Direito Administrativo
66
I - A centralização administrativa ocorre quando o Estado executa suas tarefas por
meio de órgãos e agentes integrantes da Administração Direta.
II - Na desconcentração administrativa, há distribuição de competências dentro da
mesma pessoa jurídica, criando-se uma relação de coordenação entre os órgãos.
III - A descentralização administrativa caracteriza-se pela transferência da execução
de atividades para outras pessoas jurídicas, mantendo-se o vínculo de subordinação
com a Administração Central.
Está(ão) correta(s):
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e II.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
Resposta: C
Explicação: As afirmativas I e II estão corretas. A centralização administrativa ocorre
quando o Estado executa suas tarefas diretamente, por meio de órgãos e agentes da
Administração Direta. A desconcentração administrativa consiste na distribuição de
competências dentro da mesma pessoa jurídica, criando-se uma relação de
coordenação e hierarquia entre os órgãos. A afirmativa III está incorreta porque na
descentralização administrativa, embora haja transferência da execução de
atividades para outras pessoas jurídicas, estabelece-se uma relação de controle
(tutela administrativa) e não de subordinação com a Administração Central.
Questão 3: (Guarda Municipal - 2024) Sobre a Administração Pública Direta e
Indireta, assinale a alternativa correta:
a) As autarquias são pessoas jurídicas de direito privado, criadas por lei específica
para desempenhar atividades típicas da Administração Pública.
b) As empresas públicas possuem personalidade jurídica de direito público e
patrimônio próprio, sendo criadas por lei para explorar atividade econômica.
c) As sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado,
constituídas sob a forma de sociedade anônima, com participação obrigatória do
Poder Público no capital e na direção.
Direito Administrativo
67
d) As fundações públicas são sempre pessoas jurídicas de direito privado,
independentemente da área de atuação definida em lei.
e) Os órgãos públicos possuem personalidade jurídica própria, o que lhes confere
capacidade processual para defender seus interesses em juízo.
Resposta: C
Explicação: A alternativa C está correta. As sociedades de economia mista são
pessoas jurídicas de direito privado, constituídas sob a forma de sociedade
anônima, com participação obrigatória do Poder Público no capital e na direção. As
demais alternativas contêm erros: as autarquias são pessoas jurídicas de direito
público (não privado); as empresas públicas possuem personalidade jurídica de
direito privado (não público); as fundações públicas podem ser de direito público ou
privado, dependendo da lei que as instituir; e os órgãos públicos não possuem
personalidade jurídica própria.
Agentes Públicos
Questão 4: (Guarda Municipal - 2023) Sobre os agentes públicos, assinale a
alternativa correta:
a) Os servidores públicos estatutários possuem vínculo contratual com a
Administração Pública, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
b) Os empregados públicos são contratados sob o regime estatutário, com
estabilidade garantida após três anos de efetivo exercício.
c) Os cargos em comissão são de livre nomeação e exoneração, destinados apenas
às atribuições de direção, chefia e assessoramento.
d) Os agentes políticos são servidores públicos concursados que exercem funções
nos altos escalões da Administração Pública.
e) Os servidores temporários são contratados mediante concurso público para
atender a necessidade temporária de excepcional interesse público.
Resposta: C
Explicação: A alternativa C está correta. Os cargos em comissão são de livre
nomeação e exoneração, destinados apenas às atribuições de direção, chefia e
assessoramento, conforme previsto na Constituição Federal. As demais alternativas
contêm erros: os servidores estatutários possuem vínculo institucional (não
Direito Administrativo
68
contratual) regido por estatuto próprio; os empregados públicos são contratados
sob regime celetista (CLT); os agentes políticos exercem funções governamentais,
normalmente por mandato ou nomeação, não necessariamente por concurso; e os
servidores temporários são contratados por processo seletivo simplificado (não
concurso público).
Questão 5: (Guarda Municipal - 2024) Sobre o regime jurídico dos servidores
públicos, analise as afirmativas abaixo:
I - A estabilidade é adquirida pelos servidores nomeados para cargo de provimento
efetivo em virtude de concurso público, após três anos de efetivo exercício e
aprovação em avaliação especial de desempenho.
II - O servidor público estável somente perderá o cargo em virtude de sentença
judicial transitada em julgado, mediante processo administrativo em que lhe seja
assegurada ampla defesa ou mediante procedimento de avaliação periódica de
desempenho.
III - A vacância do cargo público decorrerá exclusivamente de exoneração, demissão,
promoção e aposentadoria.
Está(ão) correta(s):
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e II.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
Resposta: C
Explicação: As afirmativas I e II estão corretas, pois refletemo disposto na
Constituição Federal sobre a estabilidade do servidor público e as hipóteses de
perda do cargo. A afirmativa III está incorreta, pois a vacância do cargo público pode
decorrer também de outras situações além das mencionadas, como falecimento,
readaptação, posse em outro cargo inacumulável e outras previstas em lei.
Direito Administrativo
69
Poder de Polícia
Questão 6: (Guarda Municipal - 2023) O poder de polícia é uma das prerrogativas da
Administração Pública. Sobre esse tema, assinale a alternativa correta:
a) O poder de polícia é indelegável, não podendo ser exercido por pessoas jurídicas
de direito privado, mesmo que integrantes da Administração Indireta.
b) O poder de polícia administrativa tem caráter exclusivamente preventivo, não
podendo a Administração Pública aplicar sanções aos administrados.
c) A cobrança de taxa pelo exercício do poder de polícia é inconstitucional, por violar
o princípio da supremacia do interesse público.
d) Segundo o Código Tributário Nacional, considera-se poder de polícia a atividade
da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou
liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse
público.
e) O poder de polícia é exercido exclusivamente pelos órgãos de segurança pública,
como as polícias civil e militar.
Resposta: D
Explicação: A alternativa D está correta, pois reproduz o conceito de poder de
polícia previsto no art. 78 do Código Tributário Nacional. As demais alternativas
contêm erros: o poder de polícia pode ser delegado a pessoas jurídicas de direito
público da Administração Indireta (como autarquias); o poder de polícia tem caráter
preventivo e repressivo; a cobrança de taxa pelo exercício do poder de polícia é
constitucional, desde que efetivamente exercido; e o poder de polícia administrativa
é exercido por diversos órgãos da Administração Pública, não apenas pelos órgãos
de segurança pública.
Questão 7: (Guarda Municipal - 2024) Sobre os atributos do poder de polícia,
assinale a alternativa INCORRETA:
a) A discricionariedade é um atributo do poder de polícia que permite à
Administração Pública, dentro dos limites da lei, escolher a oportunidade e
conveniência para o exercício desse poder.
b) A autoexecutoriedade permite que a Administração Pública execute suas
decisões por meios próprios, sem necessidade de autorização judicial prévia.
Direito Administrativo
70
c) A coercibilidade é o atributo que torna obrigatório o ato de polícia, podendo a
Administração Pública utilizar a força, se necessário, para seu cumprimento.
d) A presunção de legitimidade dos atos de polícia administrativa é absoluta, não
admitindo prova em contrário pelo administrado.
e) O poder de polícia pode ser vinculado ou discricionário, dependendo da previsão
legal específica para cada situação.
Resposta: D
Explicação: A alternativa D está incorreta, pois a presunção de legitimidade dos atos
de polícia administrativa é relativa (juris tantum), admitindo prova em contrário
pelo administrado. As demais alternativas estão corretas, pois descrevem
adequadamente os atributos do poder de polícia: discricionariedade (dentro dos
limites legais), autoexecutoriedade (execução por meios próprios), coercibilidade
(uso da força, se necessário) e a possibilidade de ser vinculado ou discricionário,
conforme a previsão legal.
Processo Administrativo
Questão 8: (Guarda Municipal - 2023) Sobre o processo administrativo disciplinar,
assinale a alternativa correta:
a) O processo administrativo disciplinar é dispensável para a aplicação de qualquer
penalidade a servidor público, bastando a constatação da infração pela autoridade
competente.
b) A sindicância é procedimento que sempre antecede o processo administrativo
disciplinar, sendo obrigatória em todos os casos de apuração de irregularidades no
serviço público.
c) No processo administrativo disciplinar, é assegurado ao servidor o direito à ampla
defesa e ao contraditório, com a utilização dos meios e recursos admitidos em
direito.
d) As penalidades de advertência e suspensão por até 90 dias podem ser aplicadas
diretamente pela autoridade competente, sem necessidade de processo
administrativo disciplinar.
e) A comissão de processo administrativo disciplinar deve ser composta por três
servidores estáveis, sendo permitida a participação de servidores de nível
hierárquico inferior ao do acusado.
Direito Administrativo
71
Resposta: C
Explicação: A alternativa C está correta, pois no processo administrativo disciplinar
é assegurado ao servidor o direito à ampla defesa e ao contraditório, conforme
previsto na Constituição Federal e na Lei nº 8.112/90. As demais alternativas contêm
erros: o processo administrativo disciplinar é indispensável para aplicação de
penalidades mais graves; a sindicância não é obrigatória antes do PAD; as
penalidades mais graves exigem PAD; e a comissão deve ser composta por
servidores estáveis de nível hierárquico igual ou superior ao do acusado.
Questão 9: (Guarda Municipal - 2024) De acordo com a Lei nº 9.784/1999, que regula
o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, assinale a
alternativa correta:
a) O processo administrativo pode iniciar-se apenas de ofício, sendo vedada a
provocação do interessado.
b) Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada, salvo
quando a lei expressamente exigir.
c) A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi
atribuída como própria, sendo absolutamente vedada a delegação.
d) O interessado poderá, mediante manifestação escrita, desistir do processo, mas
isso não impede a Administração de prosseguir se o interesse público assim o exigir.
e) A motivação dos atos administrativos é facultativa, ficando a critério da
autoridade competente decidir sobre sua necessidade.
Resposta: D
Explicação: A alternativa D está correta, pois segundo a Lei nº 9.784/1999, o
interessado poderá desistir do processo, mas a Administração pode prosseguir se
houver interesse público. As demais alternativas contêm erros: o processo
administrativo pode iniciar-se de ofício ou a pedido do interessado; os atos não
dependem de forma determinada, salvo exigência legal; a competência é
irrenunciável, mas pode ser delegada em algumas situações; e a motivação dos atos
administrativos é obrigatória, salvo exceções legais.
Bens Públicos
Questão 10: (Guarda Municipal - 2023) Sobre os bens públicos, assinale a
alternativa correta:
Direito Administrativo
72
a) Os bens públicos de uso comum do povo, como ruas e praças, podem ser
alienados livremente pela Administração Pública, independentemente de
desafetação prévia.
b) Os bens públicos dominicais são aqueles utilizados pela Administração Pública
para a prestação de serviços públicos, como os edifícios das repartições públicas.
c) Os bens públicos de qualquer natureza são impenhoráveis, não podendo ser
objeto de penhora, mesmo após regular processo de desapropriação.
d) Os bens públicos de uso especial são aqueles destinados à utilização geral pelos
administrados, como os rios e mares.
e) Os bens públicos dominicais constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de
direito público, como objeto de direito pessoal ou real de cada uma dessas
entidades.
Resposta: E
Explicação: A alternativa E está correta, pois os bens públicos dominicais
constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de
direito pessoal ou real, não estando afetados a uma finalidade pública específica. As
demais alternativas contêm erros: os bens de uso comum do povo não podem ser
alienados sem prévia desafetação; os bens de uso especial (não os dominicais) são
utilizados para prestação de serviçospúblicos; os bens públicos são impenhoráveis
enquanto mantiverem essa qualidade; e os bens de uso comum do povo (não os de
uso especial) são destinados à utilização geral.
Questão 11: (Guarda Municipal - 2024) Sobre as características dos bens públicos,
assinale a alternativa INCORRETA:
a) A inalienabilidade dos bens públicos é relativa, pois eles podem ser alienados
desde que observados os requisitos legais, como a desafetação, quando necessária.
b) A impenhorabilidade impede que os bens públicos sejam objeto de penhora,
mesmo que a Fazenda Pública seja devedora em processo judicial.
c) A imprescritibilidade significa que os bens públicos não podem ser adquiridos por
usucapião, conforme previsto na Constituição Federal.
d) A não onerabilidade impede absolutamente que os bens públicos sejam gravados
com ônus reais, como hipoteca ou penhor, em qualquer circunstância.
Direito Administrativo
73
e) Os bens públicos são insuscetíveis de usucapião, independentemente de sua
classificação como de uso comum do povo, de uso especial ou dominicais.
Resposta: D
Explicação: A alternativa D está incorreta, pois a não onerabilidade dos bens
públicos, embora seja regra geral, comporta exceções. Em determinadas situações,
bens públicos dominicais podem ser gravados com ônus reais, como no caso de
garantia em contratos de financiamento específicos autorizados por lei. As demais
alternativas estão corretas, pois descrevem adequadamente as características dos
bens públicos: inalienabilidade relativa, impenhorabilidade, imprescritibilidade e
insuscetibilidade de usucapião.
Improbidade Administrativa
Questão 12: (Guarda Municipal - 2023) Sobre a Lei de Improbidade Administrativa
(Lei nº 8.429/1992, com as alterações da Lei nº 14.230/2021), assinale a alternativa
correta:
a) Constitui ato de improbidade administrativa qualquer conduta que cause prejuízo
ao erário, independentemente da presença de dolo ou culpa do agente público.
b) As sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa podem ser aplicadas
mesmo que não ocorra dano ao patrimônio público ou enriquecimento ilícito do
agente.
c) A Lei de Improbidade Administrativa aplica-se exclusivamente aos servidores
públicos efetivos, não alcançando agentes políticos e particulares.
d) Para a configuração dos atos de improbidade administrativa que importem em
enriquecimento ilícito, é necessária a comprovação do dolo específico do agente.
e) O prazo prescricional para as ações de improbidade administrativa é de 3 (três)
anos, contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de infrações permanentes,
do dia em que cessou a permanência.
Resposta: D
Explicação: A alternativa D está correta, pois com as alterações trazidas pela Lei nº
14.230/2021, para a configuração dos atos de improbidade administrativa que
importem em enriquecimento ilícito, é necessária a comprovação do dolo
específico. As demais alternativas contêm erros: após a reforma, não se admite mais
a modalidade culposa; é necessário que ocorra dano ao patrimônio público ou
Direito Administrativo
74
enriquecimento ilícito; a lei aplica-se a qualquer agente público e também a
particulares que induzam ou concorram para a prática do ato; e o prazo
prescricional atual é de 8 anos, não 3 anos.
Questão 13: (Guarda Municipal - 2024) Sobre as sanções previstas na Lei de
Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992, com as alterações da Lei nº
14.230/2021), assinale a alternativa correta:
a) A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos são sanções que só
podem ser executadas após o trânsito em julgado da sentença condenatória.
b) A proibição de contratar com o Poder Público pode ser aplicada pelo prazo
máximo de 10 (dez) anos.
c) O ressarcimento integral do dano, quando houver, não é considerado uma
sanção, mas sim uma consequência necessária do ato de improbidade.
d) A multa civil pode ser fixada em até 100 (cem) vezes o valor da remuneração
recebida pelo agente público, independentemente do tipo de ato de improbidade
praticado.
e) As sanções de perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio e
de ressarcimento integral do dano podem ser aplicadas independentemente das
demais cominações legais.
Resposta: A
Explicação: A alternativa A está correta, pois de acordo com a Lei nº 8.429/1992,
com as alterações da Lei nº 14.230/2021, a perda da função pública e a suspensão
dos direitos políticos só podem ser executadas após o trânsito em julgado da
sentença condenatória. As demais alternativas contêm erros: a proibição de
contratar com o Poder Público pode ser aplicada pelo prazo máximo de 14 anos
(não 10); o ressarcimento integral do dano é considerado uma sanção; a multa civil
tem limites diferentes conforme o tipo de ato de improbidade; e as sanções não
podem ser aplicadas de forma independente, devendo seguir os critérios de
dosimetria previstos na lei.
Lei de Acesso à Informação
Questão 14: (Guarda Municipal - 2023) Sobre a Lei de Acesso à Informação (Lei nº
12.527/2011), assinale a alternativa correta:
Direito Administrativo
75
a) A Lei de Acesso à Informação aplica-se exclusivamente aos órgãos públicos da
administração direta, não alcançando as entidades privadas sem fins lucrativos que
recebam recursos públicos.
b) As informações pessoais relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem das
pessoas têm seu acesso restrito pelo prazo máximo de 5 (cinco) anos,
independentemente de classificação de sigilo.
c) A negativa de acesso às informações objeto de pedido, quando não
fundamentada, sujeitará o responsável a medidas disciplinares, nos termos da lei.
d) Os órgãos e entidades públicas devem divulgar em local de fácil acesso
informações de interesse coletivo por eles produzidas ou custodiadas, sendo
facultativa a divulgação em sítios oficiais da internet.
e) O acesso à informação classificada como sigilosa cria para o requerente a
obrigação de ressarcir os custos de reprodução, mesmo quando comprovar situação
de pobreza.
Resposta: C
Explicação: A alternativa C está correta, pois segundo a Lei nº 12.527/2011, a
negativa de acesso às informações objeto de pedido, quando não fundamentada,
sujeitará o responsável a medidas disciplinares. As demais alternativas contêm
erros: a Lei de Acesso à Informação aplica-se também às entidades privadas sem
fins lucrativos que recebam recursos públicos; as informações pessoais têm acesso
restrito por até 100 anos (não 5); a divulgação em sítios oficiais da internet é
obrigatória, não facultativa; e o acesso à informação é gratuito, salvo reprodução de
documentos, sendo dispensado o ressarcimento para quem comprovar situação de
pobreza.
Questão 15: (Guarda Municipal - 2024) Sobre a classificação de informações
sigilosas prevista na Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), assinale a
alternativa correta:
a) As informações podem ser classificadas como ultrassecretas, secretas ou
reservadas, com prazos máximos de restrição de acesso de 25, 15 e 5 anos,
respectivamente.
b) A classificação de informação em qualquer grau de sigilo deverá ser formalizada
em decisão que conterá apenas o assunto sobre o qual versa a informação e o prazo
do sigilo.
Direito Administrativo
76
c) A classificação das informações como ultrassecretas é de competência exclusiva
do Presidente da República, não podendo ser delegada a outras autoridades.
d) Transcorrido o prazo de classificação ou consumado o evento que defina seu
termo final, a informação permanecerá com acesso restrito por mais 5 (cinco) anos.
e) A autoridade máxima de cada órgão ou entidade pública pode classificar
informações em qualquer grau de sigilo, independentemente de seu cargo ou
função.
Resposta: A
Explicação: A alternativaA está correta, pois de acordo com a Lei nº 12.527/2011, as
informações podem ser classificadas como ultrassecretas (25 anos), secretas (15
anos) ou reservadas (5 anos). As demais alternativas contêm erros: a decisão de
classificação deve conter diversos elementos além do assunto e prazo; a
classificação como ultrassecreta não é exclusiva do Presidente da República;
transcorrido o prazo de classificação, a informação torna-se automaticamente de
acesso público; e nem todas as autoridades podem classificar informações em
qualquer grau de sigilo, havendo limitações conforme o cargo.
Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais
Questão 16: (Guarda Municipal - 2023) Sobre a Lei Geral de Proteção de Dados
Pessoais (Lei nº 13.709/2018), assinale a alternativa correta:
a) A LGPD aplica-se a qualquer operação de tratamento de dados pessoais realizada
por pessoa natural ou jurídica, exceto quando realizada para fins exclusivamente
jornalísticos ou acadêmicos.
b) O consentimento do titular é a única base legal que autoriza o tratamento de
dados pessoais, sendo indispensável em todas as situações.
c) Os dados pessoais sensíveis podem ser tratados nas mesmas condições dos
dados pessoais comuns, não havendo restrições adicionais previstas na lei.
d) A LGPD não se aplica ao tratamento de dados pessoais realizado por órgãos
públicos, que seguem exclusivamente as regras da Lei de Acesso à Informação.
e) O tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes pode ser realizado
livremente, sem necessidade de consentimento específico dos pais ou responsáveis.
Resposta: A
Direito Administrativo
77
Explicação: A alternativa A está correta, pois a LGPD aplica-se a qualquer operação
de tratamento de dados pessoais, com exceções para tratamento realizado para fins
exclusivamente particulares, jornalísticos, artísticos, acadêmicos, segurança
pública, defesa nacional, entre outros. As demais alternativas contêm erros: o
consentimento é apenas uma das bases legais para tratamento de dados; os dados
sensíveis têm proteção especial; a LGPD aplica-se também aos órgãos públicos; e o
tratamento de dados de crianças deve ser realizado com consentimento específico
dos pais ou responsáveis.
Questão 17: (Guarda Municipal - 2024) Sobre os princípios previstos na Lei Geral de
Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018), assinale a alternativa INCORRETA:
a) O princípio da finalidade estabelece que o tratamento de dados deve ser
realizado para propósitos legítimos, específicos, explícitos e informados ao titular.
b) O princípio da adequação determina que o tratamento de dados deve ser
compatível com as finalidades informadas ao titular.
c) O princípio da necessidade limita o tratamento ao mínimo necessário para a
realização de suas finalidades.
d) O princípio da transparência garante aos titulares informações claras e acessíveis
sobre o tratamento de seus dados.
e) O princípio da responsabilização dispensa os agentes de tratamento de adotar
medidas para comprovar a observância das normas de proteção de dados, bastando
a boa-fé no tratamento.
Resposta: E
Explicação: A alternativa E está incorreta, pois o princípio da responsabilização e
prestação de contas exige que os agentes de tratamento adotem medidas eficazes e
capazes de comprovar a observância e o cumprimento das normas de proteção de
dados, não os dispensando dessa obrigação. As demais alternativas estão corretas,
pois descrevem adequadamente os princípios da finalidade, adequação,
necessidade e transparência previstos na LGPD.
Questões Gerais de Direito Administrativo
Questão 18: (Guarda Municipal - 2023) Sobre os princípios da Administração
Pública, assinale a alternativa correta:
Direito Administrativo
78
a) O princípio da legalidade estabelece que o administrador público pode fazer tudo
aquilo que a lei não proíbe, assim como ocorre nas relações entre particulares.
b) O princípio da impessoalidade determina que a atuação do administrador
público deve ser direcionada para o interesse público, sendo vedado o tratamento
diferenciado baseado em critérios pessoais.
c) O princípio da moralidade administrativa não possui força normativa própria,
servindo apenas como diretriz interpretativa para os demais princípios.
d) O princípio da publicidade pode ser afastado em qualquer situação, a critério do
administrador público, quando entender conveniente para o interesse da
Administração.
e) O princípio da eficiência foi introduzido na Constituição Federal pela Emenda
Constitucional nº 45/2004, conhecida como "Reforma do Judiciário".
Resposta: B
Explicação: A alternativa B está correta, pois o princípio da impessoalidade
determina que a atuação do administrador público deve ser direcionada para o
interesse público, vedando tratamento diferenciado baseado em critérios pessoais.
As demais alternativas contêm erros: o princípio da legalidade estabelece que o
administrador só pode fazer o que a lei autoriza; o princípio da moralidade possui
força normativa própria; o princípio da publicidade só pode ser afastado nas
hipóteses legais; e o princípio da eficiência foi introduzido pela EC nº 19/1998
(Reforma Administrativa), não pela EC nº 45/2004.
Questão 19: (Guarda Municipal - 2024) Sobre os atos administrativos, assinale a
alternativa correta:
a) A presunção de legitimidade dos atos administrativos é absoluta, não admitindo
prova em contrário.
b) A autoexecutoriedade é atributo presente em todos os atos administrativos,
permitindo sua execução direta pela Administração Pública, independentemente de
autorização judicial.
c) A revogação do ato administrativo é realizada pelo Poder Judiciário quando
constatado vício de legalidade, produzindo efeitos retroativos.
d) A convalidação é o ato administrativo pelo qual é suprido o vício existente em um
ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado.
Direito Administrativo
79
e) Os atos administrativos discricionários não estão sujeitos ao controle judicial
quanto aos seus elementos vinculados, como competência e finalidade.
Resposta: D
Explicação: A alternativa D está correta, pois a convalidação é o ato administrativo
pelo qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data
em que este foi praticado. As demais alternativas contêm erros: a presunção de
legitimidade é relativa; a autoexecutoriedade não está presente em todos os atos
administrativos; a revogação é realizada pela própria Administração por motivos de
conveniência e oportunidade, com efeitos ex nunc; e os atos discricionários estão
sujeitos ao controle judicial quanto aos seus elementos vinculados.
Questão 20: (Guarda Municipal - 2023) Sobre a responsabilidade civil do Estado,
assinale a alternativa correta:
a) O Brasil adota a teoria da irresponsabilidade estatal, segundo a qual o Estado não
responde pelos danos causados por seus agentes a terceiros.
b) A responsabilidade civil do Estado é sempre subjetiva, dependendo da
comprovação de dolo ou culpa do agente público que causou o dano.
c) A responsabilidade civil do Estado é objetiva, baseada na teoria do risco
administrativo, que admite excludentes de responsabilidade, como força maior,
caso fortuito ou culpa exclusiva da vítima.
d) As pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos não
respondem objetivamente pelos danos que seus agentes causarem a terceiros.
e) O agente público causador do dano responde diretamente perante o terceiro
prejudicado, não cabendo ação regressiva por parte do Estado.
Resposta: C
Explicação: A alternativa C está correta, pois o Brasil adota a teoria do risco
administrativo, segundo a qual a responsabilidade civil do Estado é objetiva,
independentementede dolo ou culpa, mas admite excludentes de
responsabilidade. As demais alternativas contêm erros: o Brasil não adota a teoria
da irresponsabilidade estatal; a responsabilidade civil do Estado é objetiva, não
subjetiva; as pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos
respondem objetivamente; e o terceiro prejudicado deve acionar o Estado, que
poderá mover ação regressiva contra o agente público em caso de dolo ou culpa.
Direito Administrativo
80
	DIREITO ADMINISTRATIVO
	Sumário
	Direito Administrativo: Conceitos Básicos
	Conceito
	Evolução Histórica
	Fontes do Direito Administrativo
	Métodos e Critérios Interpretativos
	Objeto de Estudo do Direito Administrativo
	Relação com Outros Ramos do Direito
	Princípios do Direito Administrativo
	Princípios Constitucionais Expressos (Art. 37 da CF/88)
	Outros Princípios Doutrinários
	Poderes do Direito Administrativo
	Principais Leis do Direito Administrativo
	Administração Pública
	Conceito
	Organização Administrativa
	Administração Direta
	Administração Indireta
	1. Autarquias
	2. Fundações Públicas
	3. Empresas Públicas
	4. Sociedades de Economia Mista
	Centralização e Descentralização
	Centralização
	Descentralização
	Concentração e Desconcentração
	Concentração
	Desconcentração
	Principais Diferenças entre Administração Direta e Indireta
	Agentes Públicos
	Conceito
	Classificação dos Agentes Públicos
	1. Agentes Políticos
	2. Agentes Administrativos
	a) Servidores Públicos
	b) Empregados Públicos
	c) Agentes Temporários
	3. Agentes Honoríficos
	4. Agentes Delegados
	5. Agentes Credenciados
	Regime Jurídico dos Servidores Públicos
	Provimento
	Vacância
	Remoção, Redistribuição e Substituição
	Direitos e Vantagens
	Vencimento e Remuneração
	Vantagens
	Férias e Licenças
	Deveres e Responsabilidades
	Deveres
	Responsabilidades
	Processo Administrativo Disciplinar
	Fases do Processo Administrativo Disciplinar
	Penalidades Disciplinares
	Poder de Polícia
	Conceito
	Classificação do Poder de Polícia
	Poder de Polícia Preventivo e Repressivo
	Poder de Polícia Originário e Delegado
	Poder de Polícia Administrativa e Judiciária
	Características do Poder de Polícia
	1. Discricionariedade
	2. Auto-executoriedade
	3. Coercibilidade
	Fundamentos Jurídicos do Poder de Polícia
	Fundamento Constitucional
	Fundamento Legal
	Princípios Aplicáveis
	Instrumentos do Poder de Polícia
	Fiscalização
	Normatização
	Sanções
	Limites ao Exercício do Poder de Polícia
	Controle Judicial
	Restrições ao Poder Discricionário
	Proibição de Delegação Plena
	Exemplos Práticos de Poder de Polícia
	Interesse Público no Poder de Polícia
	Regularidade do Exercício do Poder de Polícia
	Conclusão
	Processo Administrativo
	Conceito e Legislação
	Princípios do Processo Administrativo
	Processo Administrativo Disciplinar
	Conceito e Fundamento Legal
	Obrigatoriedade de Apuração
	Fases do Processo Administrativo Disciplinar
	Comissão Processante
	Prazos no Processo Administrativo Disciplinar
	Afastamento Preventivo
	Sindicância Administrativa
	Conceito e Finalidade
	Resultados Possíveis da Sindicância
	Prazo da Sindicância
	Obrigatoriedade de Processo Disciplinar
	Diferenças entre Sindicância e Processo Administrativo Disciplinar
	Penalidades Disciplinares
	Prescrição da Ação Disciplinar
	Revisão do Processo
	Importância do Processo Administrativo
	Bens Públicos
	Conceito e Definição
	Classificação dos Bens Públicos
	1. Bens de Uso Comum do Povo
	2. Bens de Uso Especial
	3. Bens Dominicais
	Características dos Bens Públicos
	1. Inalienabilidade
	2. Impenhorabilidade
	3. Imprescritibilidade
	4. Não Onerabilidade
	Afetação e Desafetação
	Afetação
	Desafetação
	Uso dos Bens Públicos por Particulares
	1. Uso Normal
	2. Uso Anormal
	a) Autorização de Uso
	b) Permissão de Uso
	c) Concessão de Uso
	d) Concessão de Direito Real de Uso
	Aquisição e Alienação de Bens Públicos
	Aquisição
	Alienação
	Bens Públicos na Constituição Federal
	Bens da União (art. 20)
	Bens dos Estados (art. 26)
	Importância dos Bens Públicos
	Improbidade Administrativa
	Conceito e Definição
	Evolução Legislativa
	Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/92)
	Nova Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 14.230/21)
	Sujeitos da Improbidade Administrativa
	Sujeito Ativo
	Sujeito Passivo
	Tipos de Atos de Improbidade Administrativa
	1. Atos que Importam Enriquecimento Ilícito (Art. 9º)
	2. Atos que Causam Prejuízo ao Erário (Art. 10)
	3. Atos que Atentam Contra os Princípios da Administração Pública (Art. 11)
	Principais Alterações Trazidas pela Lei 14.230/21
	1. Exclusão da Forma Culposa
	2. Necessidade de Demonstração de Perda Real
	3. Mudanças no Rito Processual
	Sanções por Atos de Improbidade Administrativa
	1. Para Atos que Importam Enriquecimento Ilícito (Art. 9º)
	2. Para Atos que Causam Prejuízo ao Erário (Art. 10)
	3. Para Atos que Atentam Contra os Princípios da Administração Pública (Art. 11)
	Prescrição
	Procedimento Administrativo e Judicial
	Procedimento Administrativo
	Ação de Improbidade Administrativa
	Jurisprudência Relevante
	Importância do Combate à Improbidade Administrativa
	Lei Federal nº 12.527/2011 - Lei de Acesso à Informação (LAI)
	Conceito e Definição
	Histórico e Vigência
	Objetivos e Princípios
	Abrangência
	Conceitos Fundamentais
	Transparência Ativa e Passiva
	Transparência Ativa
	Transparência Passiva
	Procedimento de Acesso à Informação
	Prazos
	Recursos
	Classificação de Informações
	1. Documento Preparatório (art. 7 - § 3º)
	2. Hipótese de Sigilo com Base em Legislação Específica (art. 22)
	3. Informação Classificada nos Termos da LAI (art. 23 e 24)
	4. Informações Pessoais Sensíveis
	Responsabilidades e Sanções
	Regulamentação
	Importância da Lei de Acesso à Informação
	Lei Federal nº 13.709/2018 - Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)
	Conceito e Definição
	Histórico e Vigência
	Fundamentos
	Abrangência e Aplicabilidade
	Conceitos Fundamentais
	Princípios
	Bases Legais para o Tratamento de Dados
	Direitos dos Titulares
	Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD)
	Sanções Administrativas
	Medidas de Segurança e Boas Práticas
	Importância da LGPD no Direito Administrativo
	Relação com Outros Ramos do Direito
	Desafios na Implementação da LGPD
	Jurisprudência e Casos Relevantes
	Conclusão
	Questões de Concursos - Direito Administrativo para Guardas Municipais
	Direito Administrativo: Conceito e Fontes
	Administração Pública
	Agentes Públicos
	Poder de Polícia
	Processo Administrativo
	Bens Públicos
	Improbidade Administrativa
	Lei de Acesso à Informação
	Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais
	Questões Gerais de Direito Administrativoque
não atendam às necessidades da população.
Outros Princípios Doutrinários
Princípio da Proporcionalidade: Adequação entre os meios empregados e os
fins objetivados, buscando a medida mais adequada ao interesse público.
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Direito Administrativo
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Princípio da Subsidiariedade: O Estado atua, sobremodo, na área de Direito
Público e, excepcionalmente, no Direito Privado.
Princípio da Segurança Jurídica: Relaciona-se com a estabilidade das ações e
decisões tomadas em face de normas até então consolidadas.
Poderes do Direito Administrativo
Os poderes administrativos surgem com a Administração e se apresentam conforme
as demandas dos serviços, os interesses e os fins públicos, os quais devem atingir:
Poder Hierárquico: É o que dispõe o Executivo para organizar e distribuir as
funções de seus órgãos, estabelecendo a relação de subordinação entre o
servidor do seu quadro de pessoal.
Poder Disciplinar: Exercido no âmbito dos órgãos e serviços da Administração,
é considerado como supremacia especial do Estado.
Poder Regulamentar: É o poder do chefe de executivo de explicar, de detalhar
a lei para sua correta execução, ou ainda de expedir decretos autônomos sobre
matéria de sua competência ainda não disciplinada por lei.
Poder de Polícia: Atividade da administração pública que consiste em
condicionar e restringir o exercício dos direitos individuais, tais como
propriedade e a liberdade, em benefício do interesse público.
Poder Normativo: Envolve a edição pela Administração Pública de atos com
efeitos gerais e abstratos, como decretos regulamentares, instruções
normativas, regimentos, resoluções e deliberações.
Principais Leis do Direito Administrativo
As leis que regulam o Direito Administrativo são várias. Não há, portanto, um código,
como acontece no Direito Civil e no Direito Penal. Entre as principais leis, podemos
citar as seguintes:
Lei nº 8.112/1990: Dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis
da União, fundações públicas federais e autarquias.
Lei nº 8.429/1992: Trata da improbidade administrativa.
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Direito Administrativo
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Lei nº 8.666/1993: Institui normas sobre licitações e contratos da
Administração Pública.
Lei nº 10.520/2002: Institui o pregão como modalidade de licitação para a
aquisição de bens e serviços comuns.
Lei nº 11.079/2004: Institui normas gerais para a licitação e a contratação de
parceria público-privada no âmbito da administração pública.
Lei nº 12.462/2011: Institui o Regime Diferenciado de Contratações Públicas
(RDC).
Lei nº 8.987/1995: Dispõe sobre o regime de concessão e permissão da
prestação de serviços públicos.
Lei nº 9.784/1999: Regula o processo administrativo no âmbito da
Administração Pública Federal.
Lei nº 12.527/2011: Lei de Acesso à Informação.
Lei nº 13.709/2018: Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
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Direito Administrativo
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Administração Pública
Conceito
A Administração Pública pode ser entendida como o conjunto de órgãos, serviços e
agentes do Estado, bem como das demais pessoas coletivas públicas que
asseguram a satisfação das necessidades coletivas variadas, tais como a segurança,
a cultura, a saúde e o bem-estar das populações.
O Estado, para realizar a sua função administrativa, que consiste em atender
concretamente os interesses da coletividade, pode organizar-se
administrativamente da forma e modo que melhor lhe aprouver, sujeito apenas às
limitações e princípios constitucionais.
Na tradição do Direito Administrativo Brasileiro, adota-se uma organização
administrativa do Estado a partir da divisão de sua Administração Pública em
Administração Direta (composta de órgãos públicos despersonalizados) e
Administração Indireta (composta de entidades jurídicas dotadas de personalidade
jurídica própria).
Organização Administrativa
Administração Direta
A administração direta é constituída pelos órgãos relacionados aos entes da
federação, como a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, por
exemplo. Eles estão subordinados ao chefe do poder ao qual pertencem.
Alguns exemplos desses órgãos são: - Presidência da República (nível federal) -
Assembleia Legislativa (nível estadual) - Câmara dos Vereadores (nível municipal) -
Secretarias - Ministérios - Tribunais
Administração Indireta
A administração indireta pode ser entendida como o conjunto de órgãos que
prestam serviços públicos, ligados à administração direta, com CNPJ próprio.
Direito Administrativo
9
Para os órgãos desse tipo de administração não existe uma hierarquia ou um
controle hierárquico. Assim, essas entidades estão subordinadas ao controle do
Estado.
A administração indireta é composta por:
1. Autarquias
Instituídas por lei, com autonomia administrativa e financeira, mas sujeitas ao
controle do Estado. São pessoas jurídicas de Direito Público.
Exemplos: - Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) - Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS) - Banco Central do Brasil (BACEN) - Universidades Federais -
Conselhos Profissionais
2. Fundações Públicas
Criadas por lei, podem ser entidades de Direito Público ou privado. Sua atividade
deve ser de interesse público e não pode ter fins lucrativos.
Exemplos: - Fundação Nacional do Índio (FUNAI) - Fundação Oswaldo Cruz
(FIOCRUZ) - Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
3. Empresas Públicas
Pessoas jurídicas de Direito Privado, criadas por autorização legal e administradas
pelo poder público, com capital exclusivamente público.
Exemplos: - Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) - Caixa Econômica
Federal - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA)
4. Sociedades de Economia Mista
Pessoas jurídicas de Direito Privado, criadas sob a forma de sociedade anônima e
compostas por capital público e privado, sendo o controle acionário do Poder
Público.
Exemplos: - Banco do Brasil - Petrobras - Eletrobras
Direito Administrativo
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Centralização e Descentralização
Na organização de sua Administração, o Estado pode adotar basicamente as
seguintes formas de realização da função administrativa: "centralização",
"descentralização", "concentração" e "desconcentração".
Centralização
A função administrativa é realizada de forma centralizada quando ela é
desempenhada diretamente pela própria entidade estatal (União, Estados, Distrito
Federal e Municípios), por meio de seus vários órgãos e agentes públicos. Nessa
forma de atuação, temos a Administração Pública direta, que é o próprio Estado.
Características da centralização: - O Estado executa diretamente suas tarefas - Há
uma relação de hierarquia entre os órgãos - Não há transferência de competências
para outras pessoas jurídicas - Há unidade de comando
Descentralização
A função administrativa é realizada de forma descentralizada quando a entidade
estatal a exerce, não diretamente, mas de forma indireta, por meio de entidades
administrativas que cria para esse fim específico e que integrarão a sua
Administração Pública indireta (são as autarquias, fundações governamentais,
empresas públicas, sociedade de economia mista e consórcios públicos).
Características da descentralização: - Transferência da atividade administrativa para
outra pessoa jurídica - Criação de entidades com personalidade jurídica própria -
Pode ocorrer por outorga (criação por lei) ou delegação (contrato ou ato
administrativo) - Não há relação de hierarquia, mas sim de controle (tutela
administrativa)
Concentração e Desconcentração
Concentração
Na concentração, a função administrativa é exercida no âmbito interno de cada
entidade (política ou administrativa), por apenasum órgão público, sem qualquer
divisão.
Direito Administrativo
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Características da concentração: - Centralização das competências em um único
órgão - Ausência de distribuição interna de competências - Estrutura administrativa
simples e unitária
Desconcentração
Na desconcentração, a função administrativa é exercida também no âmbito interno
de cada entidade (política ou administrativa), porém por mais de um órgão público,
que divide competências.
Características da desconcentração: - Distribuição interna de competências entre
órgãos da mesma pessoa jurídica - Mantém-se a relação hierárquica - Pode ocorrer
em razão da matéria (por assunto), do grau hierárquico ou do território - É uma
técnica administrativa para desafogar o exercício da função administrativa
É importante deixar claro que a "descentralização" não se confunde com a
"desconcentração". Tanto uma quanto outra são formas de distribuição de
competências. Contudo, na descentralização essa distribuição se dá externamente,
ou seja, de uma entidade para outra, pressupondo, portanto, duas pessoas jurídicas
distintas. Já na desconcentração, a distribuição de competências ocorre
internamente, dentro da própria entidade com competência para desempenhar a
função, entre os seus próprios órgãos.
Principais Diferenças entre Administração Direta e
Indireta
Entre as maiores diferenças da administração pública direta e indireta estão:
Formação: A administração direta é formada pelos próprios entes federativos,
enquanto a indireta é composta por entidades criadas pelos entes federativos.
Personalidade Jurídica: Na administração direta, os órgãos não possuem
personalidade jurídica própria, utilizando a personalidade jurídica do ente
federativo. Na indireta, as entidades possuem personalidade jurídica própria.
Natureza Jurídica: A administração direta é sempre de direito público. A
indireta pode ser de direito público (autarquias e fundações públicas de direito
público) ou de direito privado (empresas públicas, sociedades de economia
mista e fundações públicas de direito privado).
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Direito Administrativo
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Criação: Os órgãos da administração direta são criados por lei. As entidades da
administração indireta são criadas ou autorizadas por lei.
Controle: Na administração direta há controle hierárquico. Na indireta há
controle finalístico ou tutela administrativa.
Responsabilidade Civil: Na administração direta, a responsabilidade é
objetiva e direta. Na indireta, a responsabilidade também é objetiva, mas cada
entidade responde com seu próprio patrimônio.
Resumindo, a administração direta corresponde à prestação dos serviços públicos
diretamente pelo próprio Estado e seus órgãos, enquanto a indireta refere-se ao
serviço prestado por pessoa jurídica criada pelo poder público para exercer tal
atividade.
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Direito Administrativo
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Agentes Públicos
Conceito
Agentes públicos são todas as pessoas físicas que prestam serviços ao Estado e às
pessoas jurídicas da Administração Indireta. Conforme a definição de Maria Sylvia
Zanella Di Pietro, agente público é "toda pessoa física que presta serviços ao Estado
e às pessoas jurídicas da Administração Indireta".
O conceito de agente público também está previsto em legislações importantes:
Lei 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos):
"indivíduo que, em virtude de eleição, nomeação, designação, contratação ou
qualquer outra forma de investidura ou vínculo, exerce mandato, cargo,
emprego ou função em pessoa jurídica integrante da Administração Pública."
Lei 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa): "agente político, o
servidor público e todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem
remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer
outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas
entidades referidas no art. 1º desta Lei."
Classificação dos Agentes Públicos
A classificação que atualmente prevalece é a de Hely Lopes Meirelles, que divide os
agentes públicos em 5 tipos:
1. Agentes Políticos
São aqueles detentores dos maiores cargos da República e que, inclusive, possuem
previsão constitucional. Incluem:
Cargos eletivos: Presidente, Governador, Prefeito, Deputados, Senadores,
Vereadores
Auxiliares imediatos: Ministros e Secretários
Membros do Poder Judiciário: Ministros, Desembargadores e Juízes
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Membros do Ministério Público: Promotores e Procuradores de Justiça e da
República
Membros dos Tribunais de Contas
Membros de carreiras de Estado com funções diplomáticas
2. Agentes Administrativos
Subdividem-se em três grupos:
a) Servidores Públicos
São aqueles detentores de cargos efetivos ou em comissão
Os de cargos efetivos são aprovados em concurso público
Os de cargos em comissão são livremente nomeados para exercício de função
de chefia, assessoramento ou direção
Submetem-se ao regime jurídico estatutário (vínculo de natureza legal)
No caso dos servidores federais, o regime é disciplinado pela Lei 8.112/90
b) Empregados Públicos
São aqueles detentores de empregos públicos
Aprovados em processos seletivos
Submetem-se tanto a normas de direito público quanto a normas de direito
privado
São regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)
Também chamados de "servidores celetistas"
Possuem vínculo de natureza contratual
Integram, principalmente, as empresas estatais (empresas públicas e
sociedades de economia mista)
c) Agentes Temporários
Contratados por tempo determinado para atender a necessidade temporária
de excepcional interesse público (art. 37, IX, da CF)
Possuem vínculo de natureza contratual, porém não celetista
Submetem-se a regime jurídico especial
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3. Agentes Honoríficos
São aqueles que, mesmo sem vínculo com a Administração, atuam em prol da
coletividade e do interesse público
Normalmente não recebem contraprestação pecuniária
Exemplos: mesário nas eleições, jurado no Tribunal do Júri, integrantes dos
Conselhos Tutelares
4. Agentes Delegados
Atuam, por meio de "delegação", em nome da Administração Pública
Casos de descentralização por delegação (ou colaboração)
Incluem concessionários e permissionários de obras e serviços públicos
Tanto pessoas jurídicas privadas quanto pessoas físicas podem ser
enquadradas nesse conceito
5. Agentes Credenciados
São aqueles que representam o Poder Público em determinadas ocasiões e,
para tanto, percebem remuneração
Exemplo: atleta, médico, professor contratado pela Administração para
representá-la em uma conferência internacional
Regime Jurídico dos Servidores Públicos
O regime jurídico dos servidores públicos é o conjunto de regras referentes a todos
os aspectos da relação entre o servidor público e a Administração. No âmbito
federal, esse regime é disciplinado pela Lei nº 8.112/1990, que dispõe sobre o
regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das
fundações públicas federais.
Provimento
Provimento é o ato de preenchimento de cargo público. Segundo a Lei 8.112/90, são
formas de provimento de cargo público:
Nomeação: pode ser em caráter efetivo (cargo isolado de provimento efetivo
ou de carreira) ou em comissão (cargos de confiança, de livre exoneração)
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Direito Administrativo
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Promoção: é a passagem do servidor para cargo de nível mais elevado dentro
da mesma carreira
Readaptação: é a investidura do servidor em cargo de atribuições e
responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua
capacidade física ou mental
Reversão: é o retorno à atividade de servidor aposentado
Aproveitamento: é o retorno à atividade de servidor em disponibilidade
Reintegração: é a reinvestidura do servidor estávelno cargo anteriormente
ocupado, quando invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou
judicial
Recondução: é o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado
Vacância
A vacância do cargo público decorre de:
Exoneração: pode ser a pedido do servidor ou de ofício (nos casos de não
satisfação das condições do estágio probatório ou quando se tratar de cargo
em comissão)
Demissão: é a penalidade aplicada ao servidor em razão de infração
disciplinar grave
Promoção: quando o servidor passa a ocupar cargo de nível mais elevado
Readaptação: quando o servidor é investido em cargo de atribuições e
responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua
capacidade física ou mental
Aposentadoria: pode ser por invalidez, compulsória ou voluntária
Posse em outro cargo inacumulável: quando o servidor toma posse em outro
cargo público que não pode ser acumulado com o anterior
Falecimento: com a morte do servidor, o cargo fica vago
Remoção, Redistribuição e Substituição
Remoção: é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do
mesmo quadro, com ou sem mudança de sede
Redistribuição: é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou
vago no âmbito do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do
mesmo Poder
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Direito Administrativo
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Substituição: os servidores investidos em cargo ou função de direção ou
chefia e os ocupantes de cargo de Natureza Especial terão substitutos
indicados no regimento interno ou, no caso de omissão, previamente
designados pelo dirigente máximo do órgão ou entidade
Direitos e Vantagens
Os servidores públicos possuem diversos direitos e vantagens, entre os quais:
Vencimento e Remuneração
Vencimento: é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público, com
valor fixado em lei
Remuneração: é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens
pecuniárias permanentes estabelecidas em lei
Vantagens
As vantagens podem ser:
Indenizações: ajuda de custo, diárias, transporte, auxílio-moradia
Gratificações e Adicionais: retribuição pelo exercício de função de direção,
chefia e assessoramento; gratificação natalina; adicional por tempo de serviço;
adicional pelo exercício de atividades insalubres, perigosas ou penosas;
adicional pela prestação de serviço extraordinário; adicional noturno;
adicional de férias; outros, relativos ao local ou à natureza do trabalho
Licenças: por motivo de doença em pessoa da família; por motivo de
afastamento do cônjuge ou companheiro; para o serviço militar; para atividade
política; para capacitação; para tratar de interesses particulares; para
desempenho de mandato classista; entre outras
Afastamentos: para servir a outro órgão ou entidade; para exercício de
mandato eletivo; para estudo ou missão no exterior; para participação em
programa de pós-graduação stricto sensu no país
Férias e Licenças
O servidor tem direito a 30 dias de férias por ano, que podem ser acumuladas,
até o máximo de dois períodos, no caso de necessidade do serviço
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Direito Administrativo
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As licenças são concedidas nos casos previstos em lei, como por motivo de
doença, para capacitação, para tratar de interesses particulares, entre outros
Deveres e Responsabilidades
Deveres
São deveres do servidor público:
Exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo
Ser leal às instituições a que servir
Observar as normas legais e regulamentares
Cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais
Atender com presteza ao público em geral
Levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao
conhecimento da autoridade superior
Zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público
Guardar sigilo sobre assunto da repartição
Manter conduta compatível com a moralidade administrativa
Ser assíduo e pontual ao serviço
Tratar com urbanidade as pessoas
Representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder
Responsabilidades
O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de
suas atribuições:
Responsabilidade Civil: decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou
culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros
Responsabilidade Penal: abrange os crimes e contravenções imputadas ao
servidor, nessa qualidade
Responsabilidade Administrativa: resulta de ato omissivo ou comissivo
praticado no desempenho do cargo ou função
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Direito Administrativo
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Processo Administrativo Disciplinar
O processo administrativo disciplinar é o instrumento destinado a apurar
responsabilidade de servidor por infração praticada no exercício de suas
atribuições, ou que tenha relação com as atribuições do cargo em que se encontre
investido.
Fases do Processo Administrativo Disciplinar
Instauração: com a publicação do ato que constitui a comissão
Inquérito Administrativo: compreende instrução, defesa e relatório
Julgamento: a autoridade julgadora proferirá a sua decisão
Penalidades Disciplinares
As penalidades disciplinares são:
Advertência: aplicada por escrito, nos casos de violação de proibição
constante do art. 117, incisos I a VIII e XIX, e de inobservância de dever
funcional
Suspensão: aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com
advertência e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração
sujeita a penalidade de demissão
Demissão: aplicada nos casos de crime contra a administração pública,
abandono de cargo, inassiduidade habitual, improbidade administrativa, entre
outros
Cassação de aposentadoria ou disponibilidade: aplicada quando o servidor,
na atividade, praticou infração punível com demissão
Destituição de cargo em comissão ou função comissionada: aplicada nos
casos de infração sujeita às penalidades de suspensão e de demissão
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Direito Administrativo
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Poder de Polícia
Conceito
O poder de polícia é uma das prerrogativas fundamentais do Estado para garantir o
ordenamento jurídico e o bem-estar da coletividade. Essa atribuição permite que a
administração pública imponha limites e restrições aos direitos individuais em
nome do interesse público.
De acordo com o artigo 78 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966):
"Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que,
limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a
prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público
concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina
da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas
dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à
tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos
individuais ou coletivos."
"Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia
quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei
aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de atividade
que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder."
Em síntese, o poder de polícia é a faculdade da administração pública de restringir
direitos individuais para garantir a ordem pública, a segurança e o bem-estar
coletivo. Essa função decorre do princípio da supremacia do interesse público sobre
o privado e se expressa na imposição de limites e condicionantes para o exercício de
certas atividades.
Classificação do Poder de Polícia
O poder de polícia pode ser classificado sob diferentes aspectos, levando em
consideração sua forma de manifestação e os órgãos responsáveis por sua
execução.
Direito Administrativo
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Poder de Polícia Preventivo e Repressivo
Preventivo: Consiste nas ações voltadas para evitar infrações antes que elas
ocorram. Exemplos incluem a exigência de licenças e autorizações paradeterminadas atividades.
Repressivo: Atua sobre infrações já cometidas, aplicando sanções como
multas, advertências e interdições.
Poder de Polícia Originário e Delegado
Originário: Exercido diretamente pelo Estado por meio de órgãos da
administração pública.
Delegado: Realizado por entidades privadas autorizadas por lei a executar
atividades fiscalizatórias, mas sem poder de aplicar sanções, pois a imposição
de penalidades é indelegável.
Poder de Polícia Administrativa e Judiciária
Administrativa: Executada pelo Poder Executivo, visando regulamentar e
fiscalizar atividades privadas em prol da coletividade.
Judiciária: Exercida pelo Poder Judiciário, voltada para a repressão de crimes
e infrações penais.
Características do Poder de Polícia
O poder de polícia possui características específicas que o distinguem de outras
prerrogativas da Administração Pública:
1. Discricionariedade
A discricionariedade é a margem de liberdade que a lei confere à Administração
para decidir, diante do caso concreto, sobre a conveniência e oportunidade de agir,
bem como sobre o conteúdo, a forma e a intensidade da ação. No entanto, essa
discricionariedade não é absoluta, estando sempre limitada pela lei e pelos
princípios administrativos.
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Direito Administrativo
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2. Auto-executoriedade
A auto-executoriedade é a possibilidade que tem a Administração de, com os
próprios meios, executar as suas decisões, sem precisar recorrer previamente ao
Poder Judiciário. Essa característica se desdobra em dois aspectos:
Exigibilidade: Possibilidade de a Administração tomar decisões executórias,
sem necessidade de autorização judicial prévia.
Executoriedade: Possibilidade de a Administração executar materialmente
suas decisões, inclusive mediante o uso da força, se necessário.
3. Coercibilidade
A coercibilidade é a imposição coativa das medidas adotadas pela Administração. O
ato de polícia é imperativo e obrigatório para seu destinatário, admitindo até o
emprego da força pública para seu cumprimento, quando resistido pelo
administrado.
Fundamentos Jurídicos do Poder de Polícia
O poder de polícia é sustentado por diversas bases no ordenamento jurídico, e sua
execução deve sempre observar os princípios constitucionais e administrativos.
Fundamento Constitucional
A Constituição Federal estabelece a competência dos entes federativos para legislar
sobre matérias relacionadas à ordem pública, meio ambiente, segurança e outros
temas necessários para a organização da sociedade.
O artigo 5º, inciso XXII, que garante o direito à propriedade, correlaciona-se
diretamente ao poder de polícia, pois o exercício pleno da propriedade pode ser
relativizado por regulamentações que buscam atender ao interesse social.
Fundamento Legal
O poder de polícia encontra respaldo em normas infraconstitucionais, como o
Código Tributário Nacional (CTN), que define os limites da polícia administrativa no
artigo 78, além de outras leis específicas que regulamentam atividades suscetíveis
de controle estatal.
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Direito Administrativo
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Princípios Aplicáveis
O exercício do poder de polícia deve observar os princípios fundamentais do Direito
Administrativo, tais como:
Legalidade: Deve ser exercido conforme a lei.
Razoabilidade e Proporcionalidade: As restrições impostas devem ser
adequadas e proporcionais ao interesse público visado.
Finalidade Pública: Não pode ser utilizado para interesses privados ou
arbitrariamente.
Impessoalidade e Moralidade: A fiscalização e as sanções não podem ter
caráter discriminatório ou abusivo.
Instrumentos do Poder de Polícia
A administração pública se vale de diversos meios para executar o poder de polícia e
garantir a ordem pública.
Fiscalização
Os órgãos administrativos fiscalizam atividades privadas para assegurar o
cumprimento da legislação, como ocorre em inspeções sanitárias, ambientais e
urbanísticas.
Normatização
A regulamentação de atividades específicas é um dos instrumentos do poder de
polícia, garantindo que certas práticas sejam realizadas conforme critérios técnicos
e legais. As normas podem estabelecer requisitos para concessão de alvarás,
licenças e autorizações.
Sanções
Quando há descumprimento das regras, as autoridades podem aplicar penalidades,
que variam de advertências formais até cassação de autorizações. A gradação das
sanções deve seguir critérios de proporcionalidade.
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Direito Administrativo
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Limites ao Exercício do Poder de Polícia
Apesar da sua importância, o exercício do poder de polícia não pode ser ilimitado,
devendo respeitar direitos fundamentais e garantias do cidadão.
Controle Judicial
Excessos e abusos cometidos no exercício do poder de polícia podem ser
contestados judicialmente por meio de ações como mandado de segurança e ações
anulatórias.
Restrições ao Poder Discricionário
Embora a administração pública tenha certa discricionariedade ao regulamentar e
fiscalizar atividades, essa atuação deve estar sempre fundamentada na
razoabilidade e dentro dos preceitos legais.
Proibição de Delegação Plena
A doutrina e a jurisprudência entendem que atividades essencialmente estatais,
como imposição de sanções e aplicação de multas, não podem ser delegadas a
entidades privadas.
Exemplos Práticos de Poder de Polícia
O poder de polícia se manifesta em diversas situações do cotidiano administrativo:
Fiscalização sanitária: Inspeção de estabelecimentos comerciais para
verificar condições de higiene e salubridade.
Controle ambiental: Exigência de licenciamento ambiental para atividades
potencialmente poluidoras.
Regulação urbanística: Concessão de alvarás de construção e fiscalização de
obras.
Controle de trânsito: Imposição de limites de velocidade, fiscalização e
aplicação de multas.
Vigilância sanitária: Controle da qualidade de alimentos, medicamentos e
outros produtos.
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Direito Administrativo
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Defesa do consumidor: Fiscalização de práticas comerciais abusivas.
Regulação econômica: Controle de preços em situações específicas, como
tabelamento de tarifas de serviços públicos.
Interesse Público no Poder de Polícia
O artigo 78 do CTN enumera certos interesses públicos primaciais que justificam o
exercício do poder de polícia:
Segurança
Higiene
Ordem
Costumes
Disciplina da produção e do mercado
Atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização
Tranquilidade pública
Respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos
Essa lista não é taxativa, podendo incluir outros interesses protegidos pela lei, como
a boa-fé dos indivíduos ou do público em geral.
Regularidade do Exercício do Poder de Polícia
Conforme o parágrafo único do artigo 78 do CTN, o exercício do poder de polícia é
considerado regular quando:
É desempenhado pelo órgão competente
Ocorre nos limites da lei aplicável
Observa o devido processo legal
Não há abuso ou desvio de poder (quando se trata de atividade discricionária)
O processo legal mencionado deve ser entendido no mesmo sentido do "due
process of law" de ingleses e americanos, garantindo que o poder de polícia seja
exercido com respeito aos direitos fundamentais dos cidadãos.
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Direito Administrativo
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Conclusão
O poder de polícia no Direito Administrativo é um instrumento essencial para o
funcionamento do Estado e para a garantia da ordem pública. No entanto, sua
aplicação deve ser equilibrada, respeitando princípios jurídicos e evitando abusos
que possam comprometer direitos individuais.
O dinamismo da sociedade moderna exige que o poder de polícia esteja em
constante evolução, adaptando-se às novas demandas e buscando formas mais
eficazes e justas de regulamentação e fiscalização.
Direito Administrativo
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Processo Administrativo
Conceitoe Legislação
O processo administrativo consiste na sequência de atividades realizadas pela
Administração Pública com o objetivo final de dar efeito a algo previsto em lei. É a
forma como o Poder Público opera e toma as decisões necessárias para continuar
funcionando.
No Brasil, o processo administrativo é regulado principalmente pela Lei nº
9.784/1999, conhecida como Lei de Processo Administrativo (LPA), que estabelece
normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração
Federal direta e indireta.
Conforme o artigo 1º da Lei nº 9.784/99:
"Esta Lei estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no
âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial,
à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos
fins da Administração."
O processo administrativo serve para tornar as decisões administrativas do Poder
Público previsíveis, organizadas e estruturadas, de forma que as competências dos
órgãos, entidades e autoridades sejam claras e eficientes.
Princípios do Processo Administrativo
De acordo com o artigo 2º da Lei nº 9.784/99, a Administração Pública obedecerá,
dentre outros, aos seguintes princípios:
Legalidade: A Administração deve atuar conforme a lei e o Direito.
Finalidade: Atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou
parcial de poderes ou competências.
Motivação: Indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem
a decisão.
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Direito Administrativo
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Razoabilidade e Proporcionalidade: Adequação entre meios e fins, vedada a
imposição de obrigações em medida superior àquelas estritamente
necessárias.
Moralidade: Atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé.
Ampla Defesa e Contraditório: Garantia dos direitos à comunicação, à
apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de
recursos.
Segurança Jurídica: Respeito às situações jurídicas consolidadas.
Interesse Público: Objetividade no atendimento do interesse público, vedada
a promoção pessoal de agentes ou autoridades.
Eficiência: Busca por resultados satisfatórios, com o menor dispêndio de
recursos possível.
Processo Administrativo Disciplinar
Conceito e Fundamento Legal
O Processo Administrativo Disciplinar (PAD) é um instrumento pelo qual a
administração pública exerce seu poder-dever para apurar as infrações funcionais e
aplicar penalidades aos seus agentes públicos e àqueles que possuem uma relação
jurídica com a administração.
O PAD é regulamentado pela Lei nº 8.112/1990, que instituiu o Regime Jurídico dos
Servidores da Administração Federal, especificamente nos artigos 143 a 182.
Conforme o artigo 143 da Lei nº 8.112/90:
"A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é
obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou
processo administrativo disciplinar, assegurada ao acusado ampla
defesa."
Obrigatoriedade de Apuração
A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a
promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo
administrativo disciplinar, assegurada ao acusado ampla defesa.
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Direito Administrativo
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As denúncias sobre irregularidades serão objeto de apuração, desde que
contenham a identificação e o endereço do denunciante e sejam formuladas por
escrito, confirmada a autenticidade. Quando o fato narrado não configurar evidente
infração disciplinar ou ilícito penal, a denúncia será arquivada, por falta de objeto.
Fases do Processo Administrativo Disciplinar
O processo disciplinar se desenvolve nas seguintes fases:
Instauração: Com a publicação do ato que constituir a comissão.
Inquérito Administrativo: Que compreende instrução, defesa e relatório.
Julgamento: Fase final em que a autoridade competente profere a decisão.
Comissão Processante
O processo disciplinar será conduzido por comissão composta de três servidores
estáveis designados pela autoridade competente, que indicará, dentre eles, o seu
presidente, que deverá ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nível,
ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do indiciado.
A Comissão exercerá suas atividades com independência e imparcialidade,
assegurado o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da
administração.
Prazos no Processo Administrativo Disciplinar
O prazo para a conclusão do processo disciplinar não excederá 60 (sessenta) dias,
contados da data de publicação do ato que constituir a comissão, admitida a sua
prorrogação por igual prazo, quando as circunstâncias o exigirem.
Afastamento Preventivo
Como medida cautelar e a fim de que o servidor não venha a influir na apuração da
irregularidade, a autoridade instauradora do processo disciplinar poderá
determinar o seu afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 60 (sessenta)
dias, sem prejuízo da remuneração.
O afastamento poderá ser prorrogado por igual prazo, findo o qual cessarão os seus
efeitos, ainda que não concluído o processo.
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Direito Administrativo
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Sindicância Administrativa
Conceito e Finalidade
A sindicância é um procedimento administrativo sumário, de caráter investigativo,
que visa apurar a existência de irregularidades no serviço público e sua possível
autoria. Pode ser considerada uma fase preliminar do processo administrativo
disciplinar, embora possa resultar em penalidades leves.
Resultados Possíveis da Sindicância
Da sindicância poderá resultar:
Arquivamento do processo: Quando não for constatada irregularidade ou não
for determinada a autoria.
Aplicação de penalidade de advertência ou suspensão de até 30 dias:
Quando a infração for de menor gravidade.
Instauração de processo disciplinar: Quando a infração for grave e puder
resultar em penalidades mais severas.
Prazo da Sindicância
O prazo para conclusão da sindicância não excederá 30 (trinta) dias, podendo ser
prorrogado por igual período, a critério da autoridade superior.
Obrigatoriedade de Processo Disciplinar
Sempre que o ilícito praticado pelo servidor ensejar a imposição de penalidade de
suspensão por mais de 30 (trinta) dias, de demissão, cassação de aposentadoria ou
disponibilidade, ou destituição de cargo em comissão, será obrigatória a
instauração de processo disciplinar.
Diferenças entre Sindicância e Processo
Administrativo Disciplinar
| Aspecto | Sindicância | Processo Administrativo Disciplinar |
|---------|-------------|-------------------------------------| | Natureza | Investigativa, podendo
ser punitiva em casos leves | Punitiva | | Finalidade | Apurar existência de
irregularidade e autoria | Apurar responsabilidade de servidor por infração | | Prazo |
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Direito Administrativo
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30 dias, prorrogáveis por igual período | 60 dias, prorrogáveis por igual período | |
Penalidades aplicáveis | Advertência ou suspensão de até 30 dias | Todas as
penalidades previstas na lei | | Comissão | Pode ser conduzida por um ou mais
servidores | Obrigatoriamente conduzida por comissão de três servidores estáveis | |
Formalidade | Procedimento mais simples | Procedimento mais rigoroso e formal |
Penalidades Disciplinares
As penalidades disciplinares previstas na Lei nº 8.112/90 são:
Advertência: Aplicada por escrito, nos casos de violação de proibição
constante do art. 117, incisos I a VIII e XIX, e de inobservância de dever
funcional.
Suspensão: Aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com
advertência e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração
sujeita a penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias.
Demissão: Aplicada nos casos de:
Crime contra a administração pública
Abandono de cargo
Inassiduidade habitual
Improbidade administrativa
Incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição
Insubordinação grave emserviço
Ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular
Aplicação irregular de dinheiros públicos
Revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo
Lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional
Corrupção
Acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas
Transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117
Cassação de aposentadoria ou disponibilidade: Aplicada quando o servidor,
na atividade, praticou infração punível com demissão.
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Destituição de cargo em comissão: Aplicada nos casos de infração sujeita às
penalidades de suspensão e de demissão.
Prescrição da Ação Disciplinar
A ação disciplinar prescreverá:
Em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de
aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão;
Em 2 (dois) anos, quanto à suspensão;
Em 180 (cento e oitenta) dias, quanto à advertência.
O prazo de prescrição começa a correr da data em que o fato se tornou conhecido.
Os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-se às infrações disciplinares
capituladas também como crime.
Revisão do Processo
O processo disciplinar poderá ser revisto, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício,
quando se aduzirem fatos novos ou circunstâncias suscetíveis de justificar a
inocência do punido ou a inadequação da penalidade aplicada.
Em caso de falecimento, ausência ou desaparecimento do servidor, qualquer
pessoa da família poderá requerer a revisão do processo. No caso de incapacidade
mental do servidor, a revisão será requerida pelo respectivo curador.
No processo revisional, o ônus da prova cabe ao requerente. A simples alegação de
injustiça da penalidade não constitui fundamento para a revisão, que requer
elementos novos, ainda não apreciados no processo originário.
Importância do Processo Administrativo
O processo administrativo é fundamental para:
Garantir a legalidade das ações do Estado: Assegura que as decisões
administrativas sejam tomadas conforme a lei.
Proteger os direitos dos administrados: Garante o direito à ampla defesa e
ao contraditório.
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Direito Administrativo
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Promover a eficiência administrativa: Estabelece procedimentos
padronizados para a tomada de decisões.
Assegurar a transparência: Permite o controle das ações administrativas pela
sociedade.
Prevenir arbitrariedades: Limita o poder discricionário da Administração
Pública.
O processo administrativo, portanto, é um instrumento essencial para o
funcionamento do Estado Democrático de Direito, garantindo que as decisões
administrativas sejam tomadas de forma justa, transparente e eficiente.
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Direito Administrativo
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Bens Públicos
Conceito e Definição
De acordo com o artigo 98 do Código Civil, "são públicos os bens do domínio
nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os
outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem".
Segundo Hely Lopes Meirelles, bens públicos são "todas as coisas corpóreas ou
incorpóreas, imóveis, móveis ou semoventes, créditos, direitos e ações que
pertençam, a qualquer título, às entidades estatais, autárquicas, fundacionais e
paraestatais".
Portanto, os bens públicos são aqueles que pertencem às pessoas jurídicas de
direito público interno, como a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios,
as autarquias e as fundações públicas. Esses bens estão sujeitos a um regime
jurídico específico, diferente daquele aplicável aos bens privados.
Classificação dos Bens Públicos
O Código Civil, em seu artigo 99, classifica os bens públicos em três categorias:
1. Bens de Uso Comum do Povo
São aqueles destinados ao uso indistinto de toda a população, sem necessidade de
autorização prévia. Exemplos: rios, mares, estradas, ruas, praças, parques públicos.
Características principais: - Utilização imensurável: todos têm acesso,
independentemente de autorização - Geralmente abrangem locais abertos à
utilização pública - Em regra, não há cobrança de taxa pelo uso, embora o artigo 103
do Código Civil permita que o uso comum dos bens públicos seja gratuito ou
retribuído, conforme estabelecido legalmente
2. Bens de Uso Especial
São aqueles destinados a serviço ou estabelecimento da administração pública.
Exemplos: edifícios onde funcionam repartições públicas, escolas, hospitais,
universidades, museus, teatros públicos, veículos oficiais.
Direito Administrativo
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Características principais: - Utilizados pela Administração Pública para o
desenvolvimento de suas atividades e serviços - Estão afetados a uma destinação
pública específica - Integram o aparelhamento administrativo do Estado - O uso é
restrito à finalidade específica a que se destinam
3. Bens Dominicais
São aqueles que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público,
como objeto de direito pessoal ou real, mas que não estão afetados a uma
finalidade pública específica. Exemplos: terras devolutas, prédios públicos
desativados, bens móveis inservíveis.
Características principais: - Não possuem destinação pública definida - São
considerados bens desafetados - Podem ser alienados, observadas as exigências
legais - Representam o patrimônio disponível do Estado
Características dos Bens Públicos
Os bens públicos possuem características específicas que os diferenciam dos bens
privados, garantindo sua proteção e preservação para o interesse público:
1. Inalienabilidade
A inalienabilidade significa que os bens públicos não podem ser vendidos ou
transferidos enquanto mantiverem sua afetação pública. Conforme o artigo 100 do
Código Civil, "os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são
inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei
determinar".
Os bens dominicais, por sua vez, podem ser alienados, desde que observados os
seguintes requisitos: - Avaliação prévia - Existência de lei que autorize a alienação -
Desafetação (quando necessária) - Licitação prévia (leilão para bens móveis e
concorrência para bens imóveis)
2. Impenhorabilidade
Os bens públicos não podem ser penhorados, ou seja, não podem ser objeto de
constrição judicial para garantia de dívidas. Esta característica decorre do artigo 100
da Constituição Federal, que estabelece o regime de precatórios para pagamento de
dívidas judiciais da Fazenda Pública.
Direito Administrativo
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A impenhorabilidade visa garantir a continuidade dos serviços públicos, impedindo
que a execução de dívidas comprometa o funcionamento da Administração Pública.
3. Imprescritibilidade
Os bens públicos não podem ser adquiridos por usucapião, independentemente do
tempo de posse exercida sobre eles. Esta característica está expressamente prevista
na Constituição Federal (artigos 183, §3º e 191, parágrafo único) e no Código Civil
(artigo 102).
A imprescritibilidade protege o patrimônio público contra a perda da propriedade
pelo não exercício do direito durante certo lapso temporal.
4. Não Onerabilidade
Os bens públicos não podem ser gravados com ônus reais, como hipoteca, penhor
ou anticrese. Isso significa que não podem ser dados em garantia para satisfação de
credores em caso de inadimplemento de obrigações.
Esta característica decorre da impenhorabilidade e da inalienabilidade, pois seria
incoerente permitir a constituição de garantias reais sobre bens que não podem ser
alienados ou penhorados.
Afetação e Desafetação
A afetação é o ato ou fato pelo qual um bem público é destinado a uma finalidade
pública específica (uso comum do povo ou uso especial). Já a desafetação é o
processo inverso, pelo qual um bem público perde sua destinação pública.
Afetação
Pode ser expressa (pormeio de lei ou ato administrativo) ou tácita (pelo uso
efetivo do bem para finalidade pública)
Transforma um bem dominical em bem de uso comum do povo ou de uso
especial
Submete o bem a um regime jurídico mais restritivo
Desafetação
Geralmente exige lei específica
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Direito Administrativo
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Transforma um bem de uso comum do povo ou de uso especial em bem
dominical
É requisito para a alienação de bens públicos
Submete o bem a um regime jurídico menos restritivo
Uso dos Bens Públicos por Particulares
O uso de bens públicos por particulares pode ocorrer de diferentes formas:
1. Uso Normal
É o uso conforme a destinação principal do bem, sem necessidade de
consentimento especial do Poder Público. Exemplo: transitar por uma rua ou praça.
2. Uso Anormal
É o uso que extrapola a destinação principal do bem, exigindo consentimento
especial do Poder Público. Pode ocorrer por meio de:
a) Autorização de Uso
Ato administrativo unilateral, discricionário e precário
Concedida no interesse predominante do particular
Pode ser revogada a qualquer tempo, sem indenização
Exemplo: autorização para instalação de barraca em feira livre
b) Permissão de Uso
Ato administrativo unilateral, discricionário, mas com maior estabilidade
Concedida no interesse predominante do público
Pode ser revogada por razões de interesse público, geralmente com
indenização
Exemplo: permissão para uso de box em mercado público
c) Concessão de Uso
Contrato administrativo
Maior estabilidade jurídica
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Direito Administrativo
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Estabelece obrigações recíprocas
Exemplo: concessão de uso de espaço em aeroporto para estabelecimento
comercial
d) Concessão de Direito Real de Uso
Contrato que transfere direitos reais sobre o bem
Utilizada principalmente para fins de urbanização, industrialização, edificação,
cultivo ou interesse social
Regulada pelo Decreto-Lei nº 271/1967
Aquisição e Alienação de Bens Públicos
Aquisição
Os bens públicos podem ser adquiridos por: - Compra - Doação - Dação em
pagamento - Permuta - Desapropriação - Usucapião (apenas em relação a bens
particulares) - Acessão - Sucessão
Alienação
A alienação de bens públicos dominicais deve observar os requisitos do artigo 17 da
Lei nº 8.666/93: - Interesse público devidamente justificado - Avaliação prévia -
Licitação (dispensada em casos específicos) - Autorização legislativa para bens
imóveis
Bens Públicos na Constituição Federal
A Constituição Federal de 1988 estabelece diversos bens públicos pertencentes à
União (art. 20), aos Estados (art. 26) e ao Distrito Federal e Municípios (por exclusão).
Bens da União (art. 20)
Terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras
Lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio
Ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países
Praias marítimas e ilhas oceânicas
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Direito Administrativo
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Recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva
Mar territorial
Terrenos de marinha e seus acrescidos
Potenciais de energia hidráulica
Recursos minerais, inclusive os do subsolo
Cavidades naturais subterrâneas
Sítios arqueológicos e pré-históricos
Terras tradicionalmente ocupadas pelos índios
Bens dos Estados (art. 26)
Águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito
Áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio
Ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União
Terras devolutas não compreendidas entre as da União
Importância dos Bens Públicos
Os bens públicos desempenham papel fundamental na sociedade, pois:
Permitem a prestação de serviços públicos essenciais
Garantem o acesso da população a espaços de uso comum
Constituem patrimônio coletivo da sociedade
Servem como instrumento para políticas públicas
Representam fonte de receitas para o Estado (no caso dos bens dominicais)
A gestão adequada dos bens públicos é essencial para garantir sua preservação e
utilização eficiente, sempre em prol do interesse público.
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Improbidade Administrativa
Conceito e Definição
A improbidade administrativa é todo ato realizado por agente público que fira os
princípios fundamentais da Administração Pública, sendo esses a legalidade, a
impessoalidade, a moralidade, a publicidade e a eficiência.
Os princípios que regem a Administração Pública brasileira estão previstos na
Constituição Federal de 1988, especificamente no artigo 37 do texto, que traz:
"Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:"
A improbidade administrativa, que pode ser traduzida como a desonestidade
daquele que exerce função na Administração Pública, também possui previsão
constitucional para sua punição, dentro do próprio artigo 37, em seu parágrafo 4º:
"§ 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão
dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos
bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei,
sem prejuízo da ação penal cabível."
Por ser uma norma constitucional de eficácia limitada, há a necessidade de uma lei
específica que apresente como será definida a improbidade administrativa e quais
são as punições previstas para tais atos.
Evolução Legislativa
Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/92)
No dia 2 de junho de 1992, o então presidente Fernando Collor sancionou a Lei
8.429, que ficou conhecida como a Lei de Improbidade Administrativa (LIA) ou Lei do
Colarinho Branco, que definia os atos e punições àqueles que exercessem seus
cargos públicos com má-fé.
Direito Administrativo
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A razão da existência da Lei de Improbidade Administrativa se dá pelo princípio de
que todo o agente público deve trabalhar na Administração Pública com boa-fé e
honestidade, procurando atender ao interesse público, e não a interesses próprios
ou escusos.
Dessa forma, a lei procurava punir não só aquele que utilizava de seu cargo para
obter algum tipo de vantagem ilícita para si ou para outrem, mas punia também
aquele que se omitia e não agia em situações onde o bem público ou a integridade
da Administração Pública se encontravam em risco.
Nova Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 14.230/21)
Sancionada em dezembro de 2021, a nova Lei de Improbidade Administrativa (Lei
14.230/21) impacta diretamente a conceituação e tipificação da improbidade
administrativa. Por meio da nova lei, mais de 20 artigos são modificados ou
revogados. E muitos dos trechos que sofreram alterações, como é o caso do Art. 1º,
por exemplo, versam justamente sobre a definição do ato ilícito.
Sujeitos da Improbidade Administrativa
Sujeito Ativo
De acordo com o artigo 2º da Lei 8.429/92, com redação dada pela Lei 14.230/21,
considera-se agente público:
"Art. 2º Para os efeitos desta Lei, consideram-se agente público o agente
político, o servidor público e todo aquele que exerce, ainda que
transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação,
designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou
vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades referidas no
art. 1º desta Lei."
Além disso, conforme o parágrafo único do artigo 2º:
"Parágrafo único. No que se refere a recursos de origem pública, sujeita-
se às sanções previstas nesta Lei o particular, pessoa física ou jurídica,
que celebra com a administração pública convênio, contrato de repasse,
contrato de gestão, termo de parceria, termo de cooperação ou ajuste
administrativo equivalente."
Direito Administrativo
42Sujeito Passivo
São sujeitos passivos dos atos de improbidade administrativa, conforme o artigo 1º
da Lei 8.429/92:
A administração direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
Empresas incorporadas ao patrimônio público
Entidades para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra
com mais de 50% do patrimônio ou da receita anual
Entidades que recebam subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício,
de órgão público
Tipos de Atos de Improbidade Administrativa
A Lei 8.429/92, com as alterações trazidas pela Lei 14.230/21, classifica os atos de
improbidade administrativa em três categorias:
1. Atos que Importam Enriquecimento Ilícito (Art. 9º)
São os atos que resultam em vantagem patrimonial indevida em razão do exercício
de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas entidades públicas. Após a
Lei 14.230/21, o artigo 9º passou a exigir a prática de ato doloso para configuração
deste tipo de improbidade:
"Art. 9º Constitui ato de improbidade administrativa importando em
enriquecimento ilícito auferir, mediante a prática de ato doloso, qualquer
tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo,
de mandato, de função, de emprego ou de atividade nas entidades
referidas no art. 1º desta Lei, e notadamente:"
Exemplos: - Receber dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra vantagem
econômica, direta ou indireta, a título de comissão, percentagem, gratificação ou
presente - Aceitar emprego, comissão ou exercer atividade de consultoria ou
assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser
atingido ou amparado por ação ou omissão do agente público - Perceber vantagem
econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba pública de qualquer
natureza - Adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato, cargo,
emprego ou função pública, bens de qualquer natureza cujo valor seja
desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente público
1. 
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2. Atos que Causam Prejuízo ao Erário (Art. 10)
São os atos que causam lesão ao erário por ação ou omissão, dolosa, que enseje
perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens
ou haveres das entidades públicas. Com a Lei 14.230/21, foi excluída a possibilidade
de configuração por conduta culposa:
"Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao
erário qualquer ação ou omissão dolosa, que enseje, efetiva e
comprovadamente, perda patrimonial, desvio, apropriação,
malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades
referidas no art. 1º desta Lei, e notadamente:"
Exemplos: - Facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente -
Permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço
superior ao de mercado - Realizar operação financeira sem observância das normas
legais e regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea - Frustrar a
licitude de processo licitatório ou de processo seletivo para celebração de parcerias
com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los indevidamente, acarretando
perda patrimonial efetiva - Ordenar ou permitir a realização de despesas não
autorizadas em lei ou regulamento
3. Atos que Atentam Contra os Princípios da Administração Pública
(Art. 11)
São os atos que violam os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e
lealdade às instituições. Com a Lei 14.230/21, passou a ser exigida a ação ou
omissão dolosa:
"Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra
os princípios da administração pública a ação ou omissão dolosa que
viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade,
caracterizada por uma das seguintes condutas:"
Exemplos: - Revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das
atribuições e que deva permanecer em segredo, propiciando beneficiamento por
informação privilegiada ou colocando em risco a segurança da sociedade e do
Estado - Negar publicidade aos atos oficiais, exceto em razão de sua
imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado ou de outras
hipóteses instituídas em lei - Frustrar, em ofensa à imparcialidade, o caráter
concorrencial de concurso público, de chamamento ou de procedimento licitatório,
com vistas à obtenção de benefício próprio, direto ou indireto, ou de terceiros -
Direito Administrativo
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Deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo, desde que disponha das
condições para isso, com vistas a ocultar irregularidades - Nomear cônjuge,
companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro
grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica
investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento (nepotismo)
Principais Alterações Trazidas pela Lei 14.230/21
1. Exclusão da Forma Culposa
Em linhas gerais, a principal modificação trazida pela lei é a necessidade da forma
dolosa para que se caracterize a improbidade. Além disso, o dolo genérico perde
espaço, e passa a ser preciso que se demonstre dolo específico.
Na prática, significa que condutas culposas, como a imprudência, imperícia e
negligência, deixam de ser consideradas improbidade.
2. Necessidade de Demonstração de Perda Real
Ademais, agora, é preciso que se demonstre a perda real de patrimônio, e não
apenas o dolo genérico e presumido.
Por conta disso, alguns atos previstos em lei tiveram sua redação modificada, para
tornar esse aspecto claro. É o caso do inciso VIII, do Art. 10, cuja redação final, dada
pela nova lei de improbidade, é:
"VIII – frustrar a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo
para celebração de parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou
dispensá-los indevidamente, acarretando perda patrimonial efetiva;"
3. Mudanças no Rito Processual
A Lei de Improbidade Administrativa (LIA) sancionada em 1992 previa que a ação de
improbidade administrativa, em seu rito ordinário, poderia ser proposta tanto pelo
Ministério Público, quanto pela pessoa jurídica.
Com a nova lei de improbidade (Lei 14.230/92), essa previsão é alterada, passando a
dar exclusividade ao MP, conforme segue:
"Art. 17. A ação para a aplicação das sanções de que trata esta Lei será
proposta pelo Ministério Público e seguirá o procedimento comum
Direito Administrativo
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previsto na Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo
Civil), salvo o disposto nesta Lei."
Por outro lado, a novíssima lei acrescenta uma espécie de "notificação" ao MP, nos
seguintes termos:
"Art. 7º Se houver indícios de ato de improbidade, a autoridade que
conhecer dos fatos representará ao Ministério Público competente, para
as providências necessárias."
Sanções por Atos de Improbidade Administrativa
As sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de improbidade
administrativa estão previstas no artigo 12 da Lei 8.429/92, com redação dada pela
Lei 14.230/21. As penas variam conforme a gravidade do ato praticado:
1. Para Atos que Importam Enriquecimento Ilícito (Art. 9º)
Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio
Perda da função pública
Suspensão dos direitos políticos até 14 (quatorze) anos
Pagamento de multa civil equivalente ao valor do acréscimo patrimonial
Proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por
intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não
superior a 14 (quatorze) anos
2. Para Atos que Causam Prejuízo ao Erário (Art. 10)
Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer
esta circunstância
Ressarcimento integral do dano

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