5 Sistema Digestório.

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#Semiologia Veterinária

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e ocasionalmente fa-
~;e. Pode ser acompanhado de dor à palpação, 
_^r.do a causa primária envolve trauma, infla-
ução ou infecção. Os acúmulos decorrentes da 
r^trução dos duetos salivares usualmente são 
:bolores. Nos casos mais graves, é comum a 
_'_>rrência de sinais relacionados à doença oral í 
como disfagia, engasgos e dispneia. 

Sob condições normais, a única glândula pal-
jcivel, devido a sua cápsula fibrosa, é a mandibu-
hr. Quando alteradas, todas podem estar aumen-
tadas à palpação. 

O diagnóstico clínico da sialocele é baseado 
r. ± história, nos sinais clínicos, na inspeção e na 
palpação, que podem inclusive indicar causa 
primária do processo (inflamatório, infeccioso, 
Traumático). 

O aumento unilateral abaixo da mandíbula 
_ere sialocele cervical, enquanto a sialocele 
faríngea pode comprometer a deglutição.  

O diagnóstico de rânulas (acúmulo de saliva 
sob a língua) é feito pela inspeção da mucosa da 
rirte inferior da língua (Fig. 5.52). 

O aumento da glândula zigomática pode pro-
vocar a rotação anormal do globo ocular (estra-
bismo). 

A aspiração do líquido acumulado no sub-
cutâneo, utilizando-se agulha hipodérmica fina, 
pode ser útil no diagnóstico. Em geral, o fluido 
apresenta consistência viscosa ou mucóide, 
podendo ser claro ou castanho. A presença de 
sangue e/ou exsudato pode ser decorrente da 
manipulação excessiva da região, do trauma 
durante a colheita ou oriundo de inflamação e/ 
ou infecção. 

A avaliação citológica ou histopatológica pode 
ser importante no diagnóstico de neoplasias e o 
cultivo microbiológico pode ser necessário em 
casos de origem infecciosa. 

 

Figura 5.57 - Rânula (seta) em cão (Cortesia: Dr. Rubem 

Bittencourt Jr., Vet Clinic, RJ). 

Esôfago 

Anatomia e Fisiologia 

O esôfago é um tubo composto por quatro 
camadas distintas de tecido (adventícia, muscu-
lar, submucosa e camada mucosa). No cão, a camada 
muscular é composta inteiramente por músculo 
estriado, ao passo que, no gato, seu terço distai é 
composto por musculatura lisa. Sua função básica 
é o transporte de ingesta e líquidos da cavidade 
oral ao estômago. 

Anatomicamente, o esôfago é dividido em 
três seções: cervical, torácica e abdominal. O 
esôfago cervical tem início dorsal à cartilagem 
cricóide da laringe e acompanha a traquéia ao 
longo do pescoço pelo seu lado esquerdo. Che-
gando ao tórax assume uma posição simétrica e 
dorsal à traquéia. A porção torácica do esôfago 
segue pelo mediastino, prosseguindo além da 
bifurcação traqueal e passando sobre o coração 
antes de penetrar no hiato diafragmático, forman-
do a curta porção abdominal.  

uadro 5.22 - Principais observações a serem feitas no exame da cavidade oral. 

Hálito: normal, odor ácido ou azedo (possível má digestão); urêmico (doença renal); pútrido (resíduos alimentares,  

cáries, gastrite, etc.); odor de maçã verde (cetoacidose).  

Mucosa oral: coloração, umidade, presença de lesões (ulcerações), corpos estranhos, massas. 

Gengivas: inflamação, ulceração, corpos estranhos ou massas. 

Dentes: posicionamento, oclusão, coloração, qualidade do esmalte, presença de fraturas ou cálculos (tártaro).  

Língua: mobilidade, consistência, presença de lesões, massas, corpo estranho na base da língua. 

Palato duro ou mole: presença de lesões, corpos estranhos, palato mole excessivamente longo, fissura palatina.  

Faringe e tonsilas: inflamação, secreção purulenta, massas, corpos estranhos, simetria. 

 

 



202    Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico  

O esôfago é limitado em cada uma de suas 
extremidades por esfíncteres. O esfíncter esofá-
gico superior separa o esôfago cervical da orofa-
ringe, controlando a passagem do bolo alimentar, 
impedindo o refluxo esofagofaríngeo e a aspira-
ção de ingesta. O esfíncter esofágico inferior, ou 
gastresofágico, tem a função de prevenir o reflu-
xo de conteúdo gástrico para o esôfago. 

A inervação esofágica é feita por nervos sim-
páticos c vagos, incluindo os ramos laríngeos re-
correntes, sendo a inervação vagai a mais impor-
tante. Essa inervação desencadeia contrações 
musculares fortes e coordenadas que propelem o 
bolo alimentar pelo esôfago até o estômago. 

A deglutição é controlada por neurônios 
motores e sensoriais. Após a preensão do alimen-
to, músculos da faringe e base da base da língua 
empurram o alimento da faringe caudal por con-
trole voluntário. Nesse ponto, fibras sensórias da 
faringe respondem à presença do bolo induzindo 
a contração involuntária dos músculos faríngeos 
e o relaxamento do esfíncter esofágico superior. 

Após a deglutição, o esfíncter se contrai e as 
ondas pcristálticas progressivas movem o bolo 
alimentar pelo esôfago. 

A contração esofágica iniciada pela deglutição 
é chamada de peristalse primária, porém essas ondas 
peristálticas não são capazes de transportar todo o 
bolo alimentar pelo estômago. Dá-se início, então, 
à peristalse secundária. Ocorre, nesse momento, a 
contração progressiva do esôfago por meio do 
estímulo de receptores esofágicos sensoriais que 
detectam a distensão do lúmen e promovem o 
relaxamento do esfíncter esofágico inferior, per-
mitindo que o alimento adentre o estômago. 

Os distúrbios do esôfago podem ser dividi-
dos em três categorias: distúrbios de motilidade, 
obstrutivos ou inflamatórios e/ou degenerativos. 
Os que ocorrem com mais frequência em cães e 
gatos são distúrbios de motilidade, que incluem 
o mcgaesôfago congénito ou adquirido e a disau-
tonomia. Os distúrbios obstrutivos podem ser 
adquiridos (corpos estranhos, estenoses, neopla-
sias), congénitos (anomalias vasculares anelares) 
e. por fim, secundários a inflamações ou proces-
sos degenerativos (esofagite, refluxo gastresofágico, 
hérnia de hiato, divertículos e fístulas). 

Anamnese e Exame Físico 

Animais com distúrbios esofágicos apresen-
tam regurgitação, disfagia, odinofagia, deglutições 
repetidas, engasgos e salivação excessiva. A ex- 

tensão da lesão, sua cronicidade e a presença de 
problemas secundários influenciam na quantida-
de e gravidade desses sinais. Nos casos mais gra-
ves, podem ocorrer sinais de doença respiratória, 
como dispneia, tosse e secreção nasal. 

Sinais de desnutrição, como emagrecimento 
progressivo acompanhado de apetite voraz, usual-
mente são vistos nas doenças esofágicas obstru-
tivas (corpos estranhos como ossos, por exemplo). 

Tendo em vista que a disfunção esofágica pode 
ter origem neurológica, deve-se também pesqui-
sar o contato ou a ingestão de substâncias tóxicas 
(chumbo) e mesmo doenças infecciosas como 
botulismo ou cinomose. 

A história e a descrição dos sintomas devem 
elucidar a habilidade do animal em se alimentar 
(preensão e deglutição do alimento), a origem da 
disfagia e sua relação com a alimentação (se ocor-
re logo após a ingestão de líquidos ou sólidos e 
quanto tempo depois). 

Causas congénitas são suspeitas em filhotes 
que manifestam os sintomas de doença esofágica 
logo após o desmame, principalmente em cães 
de raças predispostas, como dobermann pinscher, 
por exemplo. 

A condição física do animal, que pode variar de 
normal, emaciada, até caquética, indica o tempo 
de evolução e a gravidade da doença. 

A sialorréia pode ser evidente, devendo sempre 
ser diferenciada dos processos de origem oral ou 
gástricos, e cursa com náusea e/ou vómito. Hipertcrmia 
e depressão sugerem infecção ou inflamação grave. 

O exame físico direto do esôfago deve incluir 
a inspeção e palpação das regiões oral e faríngea, 
visto que o esôfago normal pode ser palpado na 
região cervical esquerda, no sulco jugular. 

O deslocamento dorsal da cabeça do animal 
permite melhor palpação da estrutura assim como 
melhor visualização de eventuais deformidades. 

Em casos de dilatação esofágica, a oclusão das 
narinas e a compressão do tórax podem eviden-