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A guerra do chaco e implicações geopoliticas

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A Guerra do Chaco foi um conflito que se iniciou na região do Chaco Boreal, na fronteira do Paraguai e Bolívia, e é limitado pelo Rio Paraguai. Foi um conflito regional que tomou proporções internacionais, com envolvimento dos EUA, Grã Betanha, Liga das Nações, uma grande petrolífera norte-americana e os países mais poderosos da região, Argentina e Brasil. A Guerra do Chaco virou um conflito geopolítico na visão militarista brasileira.
Logo depois do fim da Guerra do Paraguai, a Argentina reivindicou a posse da região, por pressões do império brasileiro, que ainda ocupava militarmente a região, levou a questão à arbitragem do presidente norte americano Rutherford Hayes, que optou por dar a região ao Paraguai. A Bolívia se apresenta como um terceiro interessado na região e se diz injustiçado com a decisão, Hayes não volta atrás e justifica que arbitrou apenas a questão entre o Paraguai e Argentina e que agora a Bolívia deveria discutir seus direitos com Assunção.
A partir de então, começa uma intensa discussão diplomática entre os dois países, o Paraguai coloca uma intensa exploração de empresas estrangeiras e nacionais na região, isso leva a movimentações políticas internas entre os dois países, no lado paraguaio, acusações de antinacionalismo por partidos da oposição, na Bolívia, a histórica divisão do país entre leste e oeste se fortalece. 
Em 1920, a gigante Standart Oil encontra reservas de petróleo na região do Chaco, o conflito entre as duas nações se intensifica. A Argentina apoiava fortemente o Paraguai, tinha grandes laços econômicos no país, a região paraguaia era considerada uma extensão argentina, o líder nacionalista argentino também não gostava da idéia de se ter empresas norte americanas com livre acesso na região, apoiado pela Inglaterra, Buenos Aires apoiou publicamente os interesses paraguaios e passou a fortalecer seu exercíto, a Standart Oil, que tinha o apoio boliviano passou a dar grandes empréstimos ao país para investir na indústria bélica, o senado americano descobre e condena publicamente a petrolífera, bloqueando os empréstimos, por fim, a região fica como estava, em posse paraguaia, sem grandes modificações se comparado ao período antes da guerra
O Brasil, apesar de usar apenas a diplomacia no conflito, acaba assumindo um lado ao permitir a circulação de armas bolivianas no seu território. Na mesma época, a geopolítica aparece no cenário mundial, com a teoria do heartland, região que seria o coração do mundo, onde quem o dominasse, dominaria o mundo, que, segundo Mackinder estaria localizado na região do leste europeu, parte da Ásia e oriente médio. No meio militar brasileiro surge Mario Travassos, com a teoria do heartland sulamericano, para ele, a Bolívia assumiria esse papel na região, já que estava numa posição privilegiada, com ligação ao Prata e a Amazônia, a partir de então o conflito ganha uma nova cara para o Brasil e os militares passam a criticar a posição diplomática brasileira, já que a mesma não explorava o quanto devia a situação. Para os militares, a Argentina estava muito próximo a região do heartland sulamericano com suas ferrovias que cortava a região e todo o seu território e facilitava o escoamento das riquezas por ali, acreditava-se que se os avanços argentinos continuassem o Brasil perderia sua importância geopolítica na região para a rival Argentina, e por isso deveria entrar no conflito do Chaco de forma mais incisiva. A Escola Militar Brasileira chegou a analise a entrada do Brasil na guerra, o que se constatou foi a inferioridade brasileira perante o poder bélico da Argentina e uma possível união hispânica contra o Brasil, os militares acreditavam que o ressentimento da região do Prata com o Brasil pelo desmembramento do seu território poderia tornar uma aliança “anti-Brasil” possível naquele contexto, onde se firmaria Argentina-Uruguai-Paraguai contra nós, em contrapartida, esperava-se uma união de Peru-Chile-Bolívia contra os interesses platinos que poderia favorecer o Brasil. 
Para não deixar a Argentina crescer no subcontinente, os militares brasileiros propôs que o Estado agisse para conte-la, aumentando a participação econômica do Brasil na Bolívia. Acreditavam que a estratégia do império de defender o escoamento da produção boliviana pelo Prata era ruim no contexto do heartland, pois a Argentina aumentaria os laços comerciais com a Bolívia e o tornaria mais dependente, para o Brasil o que deveria se fazer era o contrario, puxando o escoamento do país para a região brasileira pelo porto de Santos e conseguiríamos reduzir os avanços geopolíticos argentinos, mas ainda precisaríamos investir no nosso exército, pois estávamos em posição de desvantagem.
Esteve claro que a posição de neutralidade brasileira na Guerra do Chaco era artificial, mas o Brasil pouco ousou na resolução diplomática do conflito e na iminência de sair ileso perdeu espaço para a Argentina que lutou objetivamente pelos seus interesses. O Brasil, depois da incrível vitoria sobre a Guerra do Paraguai confirmou seu poderia no subcontinente, mas isso a fez ter uma posição esnobe em relação aos conflitos regionais e passou a se abster excessivamente, sua intenção de crescer na diplomacia mundial fez com que minimizasse os interesses regionais, deixando um eco de poder que foi encapado pela então rival Argentina, o conflito do Chaco e a teoria de Travassos fez o Brasil rever suas posições na America do Sul e ter uma visão de rivalidade com os argentinos que podemos constatar ate os dias de hoje.

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