Aula 3 - APRESENTAÇÃO
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isso se tornou um verdadeiro 1º de abril, já que o produto estrangeiro inglês chegava muito mais barato no Brasil.
O Direito na Colônia: da Decadência do Sistema à Independência do Brasil
Era interessante a condição do Brasil depois da transmigração da Família Real portuguesa, não se podia mais afirmar que o Brasil era colônia, mas não tinha havido a preocupação de dizer o que era o país. Com certeza não era independente, mas então como qualificar?

Somente após sete anos nessa condição de \u201csei lá o quê\u201d jurídico que o governo de D. João decidiu tomar providências e definir a condição jurídica do que apenas era chamado, oficialmente de Sede do Governo. Mas por que tanta demora? Por que não definir de imediato? Por que manter tudo provisório mesmo no primeiro ato que abriu os portos brasileiros?

O Direito na Colônia: da Decadência do Sistema à Independência do Brasil
A resposta é simples: elevar o Brasil a Reino seria colocá-lo como igual a Portugal, seria dar-lhe um status jurídico que não poderia ser retirado, seria assinar um papel que afirmaria que o Brasil jamais poderia voltar à condição de colônia.

Mas não havia muito como evitar, o Brasil não era colônia desde 1808 e daqui saíam as decisões que interferiam em todos os domínios portugueses, mesmo no território da antiga metrópole. Era necessário tornar essa situação de fato em uma situação de direito. O que faltava era o aval legal da Lei Portuguesa. Isso foi feito pela Carta de Lei de 16 de dezembro de 1815 que elevava o Brasil a Reino Unido de Portugal e Algarves.

O Direito na Colônia: da Decadência do Sistema à Independência do Brasil
Fatores externos que tendem a enfraquecer as bases do sistema colonial:
Políticos: independência das Colônias Inglesas da América do Norte e Revolução Francesa;
Econômicos: Revolução Industrial e o surgimento de ideia de livre comércio com o paulatino abandono de princípios mercantilistas;
Ideológicos: eclosão dos ideais iluministas.
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Estrutura Judiciária Brasileira no Final do Período Colonial
A Justiça Brasileira, no fim do período colonial, possuía seus magistrados e tribunais próprios, mas com as instâncias recursais derradeiras instaladas em Portugal, estruturando-se da seguinte forma:

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JUSTIÇA BRASILEIRA NO PERÍODO COLONIAL
1ªInstância
Juiz de Vintena
Juiz de paz para os lugares com mais de 20 famílias, decidindo verbalmente pequenas causas cíveis, sem direito a apelação ou agravo (nomeado por um ano pela Câmara Municipal)
 
Juiz Ordinário
Eleito na localidade, para as causas comuns.
 
Juiz de Fora
Nomeado pelo rei, para garantir a aplicação das leis gerais (substituía o ouvidor da comarca).
2ªInstância
Relação da Bahia
Fundada em 1609, como tribunal de apelação (de 1609 a 1758, teve 168 desembargadores)
 
Relação do Rio de Janeiro
Fundada em 1751, como tribunal de apelação
3ªInstância
Casa da Suplicação
Tribunal supremo de uniformização da interpretação do direito português, em Lisboa.
 
Desembargo do Paço
Originariamente fazia parte da Casa da Suplicação, para despachar as matérias reservadas ao rei, tornou-se corte autônoma em 1521, como tribunal de graça para clemência nos casos de penas de morte e outras.
 
Mesa da Consciência e Ordens
Para as questões relativas às ordens religiosas e de consciência do rei (instância única).
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Com a vinda da família real ao Brasil em 1808, a Relação do Rio de Janeiro foi transformada em Casa da Suplicação para todo o Reino, com 23 desembargadores (Alvará de 10 de maio de 1808), criando-se, então, as Relações do Maranhão, em 1812, e de Pernambuco, em 1821.
Como órgãos superiores das jurisdições especializadas, foram instituídos nessa época:
Conselho Supremo Militar (Alvará de 1 de abril de 1808);
Mesa do Desembargo do Paço e da Consciência e Ordens (Alvará de 22 de abril de 1808);

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Juiz Conservador da Nação Britânica (Decreto de 4 de maio de 1808), como garantia de foro privilegiado para os súditos ingleses, sendo exercido por um juiz brasileiro, mas eleito pelos ingleses residentes no Brasil e aprovado pelo embaixador britânico (foi mantido após a independência brasileira, como parte do tratado de reconhecimento da independência pela Inglaterra, sendo extinto pela Lei de 7 de dezembro de 1831);

Intendente Geral de Polícia (Alvará de 10 de maio de 1808), com jurisdição sobre os juízes criminais, que recorriam para ele, podendo prender e soltar presos para investigação;

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O século XVIII, no Império Português, foi marcado por três reinados:

o de D. João V \u2013 de 1707 a 1750.

o de D. José I \u2013 de 1750 a 1777.

o de Dª Maria I \u2013 de 1777 a 1816.

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O reinado de D. José I se confunde com a atuação de seu ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal.

Durante o reinado de D. José I, a Coroa Portuguesa buscou a realização de algumas reformas econômicas, administrativas e jurídicas que permitissem a adaptação do império colonial à nova realidade que se impunha, na segunda metade do século XVIII, às monarquias européias nos campos político, econômico e social.

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A administração do Marquês de Pombal buscou tornar a administração portuguesa mais eficiente e procurou introduzir modificações no relacionamento entre a Metrópole e a Colônia.
Buscou-se também coibir o contrabando do ouro e diamantes e melhorar a arrecadação tributária \u2013 ao mesmo tempo, a administração pombalina procurou tornar a Metrópole menos dependente das importações de produtos industrializados, incentivando a instalação de manufaturas em Portugal e no Brasil.

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O programa econômico de Pombal foi parcialmente frustrado pela depressão de alguns dos principais produtos coloniais - a crise do açúcar do início da segunda metade do século XVIII e a queda da produção de ouro a partir de 1760, juntamente com o crescimento das despesas do governo (reconstrução de Lisboa destruída por um terremoto em 1755 e as guerras contra a Espanha pelo controle da região que se estende de S.Paulo ao Rio da Prata).

Do ponto de vista da organização judicial na Colônia, em 1751 foi criado o Tribunal da Relação do Rio de Janeiro, formado por dez desembargadores e presidido pelo Governador da Capitania do Rio de Janeiro e em 1765 foram criadas as Juntas de Justiça, onde quer que existissem ouvidores de capitania.

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As leis pátrias, oriundas do rei-legislador, ganharam importância com a Lei da Boa Razão e passaram a ser mais relevantes do que o direito romano, o qual só era utilizado diretamente em situações excepcionais e dentro dos limites traçados em 1769.

Os juristas sentiram dificuldades para aplicar as leis pátrias em primeiro lugar; a pouca importância conferida a essas leis até 1769 era referendada por uma formação universitária de cunho romanista e canônica. Três anos depois da Lei da Boa Razão, contudo, promulgaram-se os Estatutos da Universidade de Coimbra, reformados justamente com a intenção de preparar os juristas para essa nova realidade do Direito Português.

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Do ponto de vista da legislação, a promulgação da \u201clei da boa razão\u201d em 1769, visava submeter todas as leis e costumes vigentes em Portugal e nas colônias ao crivo da \u201cboa razão\u201d (interpretação dos juristas leais ao regime);

A reforma dos Estatutos da Universidade de Coimbra em 1772 e a constituição de uma Junta do Novo Código, prenunciavam,