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ANA PAULA BOTAZOLI DESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO CRÍTICO SOBRE AS PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS, POR MEIO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, E SEUS IMPACTOS SOBRE O SER HUMANO E A SOCIEDADE OCIDENTAL CONTEMPORÂNEA. Sorocaba 2025 ANA PAULA BOTAZOLI DESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO CRÍTICO SOBRE AS PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS, POR MEIO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, E SEUS IMPACTOS SOBRE O SER HUMANO E A SOCIEDADE OCIDENTAL CONTEMPORÂNEA. Trabalho apresentado para obtenção de média na disciplina Projeto Integrado do curso de Superior de tecnologia em Gestão Pública de saúde da Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Sorocaba 2025 Sumário 1 INTRODUÇÃO 4 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 10 REFERÊNCIAS 11 1 INTRODUÇÃO A Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa futurista e já faz parte do presente. Da personalização de conteúdos educacionais à tradução automática de textos, seu alcance não para de crescer. Estimativas globais apontam que, até 2030, a IA pode gerar até US$ 15 trilhões em valor econômico. Mas esse número por si só não responde à pergunta mais importante: quem terá acesso a esse valor e de que forma ele será distribuído na sociedade? Os resultados do uso da tecnologia refletem escolhas humanas: como projetamos, para quem destinamos e em quais contextos aplicamos cada solução. Por isso, pensar na IA como ferramenta de equidade significa olhar para além do potencial econômico e perguntar: que soluções de impacto ela pode, de fato, ajudar a resolver? Quando orientada para o interesse público, a Inteligência Artificial pode se tornar uma aliada poderosa em desafios sociais complexos. O país já conta, inclusive, com iniciativas nacionais que integram a IA às políticas educacionais. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA 2024–2028) prevê o uso de sistemas de tutoria inteligente em matemática, recursos adaptativos para alfabetização e ferramentas de monitoramento de trajetórias estudantis, sempre com o objetivo de apoiar professores e melhorar a aprendizagem. No Piauí, o tema foi incorporado à grade obrigatória do ensino fundamental, tornando o estado pioneiro no ensino de IA para crianças e adolescentes, em uma experiência reconhecida pela UNESCO como um avanço significativo para a educação do século XXI. Esses exemplos revelam que, quando conectada às necessidades reais das pessoas, a Inteligência Artificial tem o potencial de reduzir desigualdades e gerar valor social. O desafio, no entanto, é garantir que tais iniciativas não sejam exceção, mas parte de uma estratégia estruturada de inovação voltada ao bem comum. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA De acordo com Norvig e Russell (2010), os primeiros pesquisadores da área de inteligência artificial tinham a convicção de que poderiam desenvolver programas capazes de solucionar qualquer questão que um ser humano fosse capaz de resolver. No entanto, essas crenças eram demasiado otimistas, pois a complexidade dos problemas do mundo real, a diversidade do conhecimento humano e a imprecisão e incerteza dos dados tornam a tarefa de programar um computador para replicar o raciocínio humano bastante desafiadora. Desde seu surgimento até o presente, a inteligência artificial (IA) tem evoluído através de diversas etapas ao longo das últimas décadas. Conforme descrito no artigo de Goodfellow l. (2016), a IA pode ser dividida em três períodos principais: entre 1950 e1980, predominavam sistemas fundamentados em regras simbólicas e lógica formal. De 1980 a 2010, ocorreu uma mudança para abordagens que utilizam aprendizado de máquina e redes neurais artificiais. A terceira fase, iniciada no começo da década de2010, é caracterizada pela aplicação de técnicas de deep learning. Dessa forma, compreende-se que a inteligência artificial atua como um agente de mudança no cenário empresarial, influenciando diversas áreas. Sua utilização nas organizações tem possibilitado a automação de processos, a análise extensiva dedados, decisões mais eficazes e a customização de serviços, entre outras vantagens. É importante destacar que, à medida que os estudos sobre Inteligência Artificial avançam, ocorre um aumento significativo na utilização dessa tecnologia em diversos setores. Isso resulta tanto no surgimento de novas empresas quanto na melhoria das já existentes. Segundo Fernandes e Pereira (2020), a IA está transformando os modelos de negócios na era da digitalização. Os autores afirmam que a IA pode agregar valorem vários setores ao automatizar processos, aprimorar a tomada de decisões e gerar insights a partir de grandes volumes de dados (Fernandes e Pereira, 2020).A inteligência artificial (IA) tem exercido uma influência considerável nas áreas de recursos humanos e gerenciamento de projetos, introduzindo diversas transformações e oportunidades. No campo da gestão de pessoas, a IA tem transformado as práticas convencionais, permitindo a melhoria dos processos decisões, a automação de atividades repetitivas e a análise preditiva de desempenho. Neste contexto podemos citar Sistemas de triagem automatizada de currículos, a IA tem sido amplamente utilizada para otimizar o processo de recrutamento e seleção, ferramentas de triagem automatizada de currículos são um exemplo claro disso. Essas ferramentas utilizam algoritmos de aprendizado de máquina para analisar grandes volumes de currículos, identificando as competências e experiências que mais se alinham com as necessidades da vaga. A automação desse processo reduz significativamente o tempo que os recrutadores gastam na triagem inicial, permitindo que se concentrem em entrevistas e avaliações mais profundas dos candidatos. De acordo com um estudo realizado pela Harvard Business Review, empresas que adotam soluções de IA na contratação reportam uma melhora de até 35% na qualidade dos novos funcionários, além de uma redução significativa no tempo de preenchimento de vagas. Outra aplicação relevante da IA na gestão de pessoas é o uso de plataformas de feedback contínuo que analisam o desempenho dos funcionários em tempo real. Essas ferramentas coletam dados de múltiplas fontes, como avaliações de colegas, feedback de supervisores e métricas de desempenho, utilizando algoritmos de IA para gerar insights sobre o desempenho e desenvolvimento dos colaboradores. Essa abordagem não só aumenta o engajamento dos funcionários, mas também torna o processo de desenvolvimento mais dinâmico e adaptável. Neste cenário Silva, Oliveira e W.D Júnior (2019), colaboram dizendo que o êxito das empresas está ligado à colaboração entre pessoas e tecnologia. É crucial que essas organizações compreendam essa importância e se esforcem para melhorar suas abordagens nesse aspecto. A combinação entre o capital humano e as inovações tecnológicas favorece o desenvolvimento e o alcance de objetivos, tornando as instituições mais produtivas e criativas. É fundamental destacar que, apesar das muitas vantagens que a inteligência artificial oferece, ela também enfrenta questões desafiadoras ligadas à ética, diversidade, inclusão e transparência. Para assegurar uma implementação eficiente da IA na administração de recursos humanos, é necessário investir não apenas em tecnologia, mas também na formação e adaptação dos colaboradores, além de adotar uma postura ética e consciente para potencializar os ganhos dessa transformação tecnológica. Nesse âmbito os sistemas de IA utilizados para recrutamento podem analisar currículos e perfis de candidatos, mas existe o risco de que esses algoritmos perpetuem preconceitos e discriminações. Por exemplo, se um modelo de IA for treinado com dados que historicamente favorecem determinados grupos demográficos, ele pode automaticamente excluir candidatos de minorias, resultando em um ambiente de trabalho homogêneo e menos inclusivo. Para garantir a ética e a diversidade nesse processo, é fundamental que as empresas adotem práticas de auditoria e revisão dos algoritmos utilizados. Isso inclui a diversificação dos conjuntos de dados detreinamento, garantindo que eles reflitam um espectro amplo de habilidades e experiências de diferentes grupos. Outro fator considerável é que as ferramentas de IA que avaliam o desempenho dos colaboradores e fazem recomendações de promoção podem apresentar vieses se não forem cuidadosamente projetadas. Se esses sistemas se basearem em métricas que desconsideram as contribuições qualitativas de certos colaboradores, ou se não forem ajustados para levar em conta as diversas realidades e contextos dos funcionários, pode resultar em um ambiente de trabalho injusto. Para abordar essas questões, as empresas devem implementar uma abordagem ética na criação e uso dessas ferramentas, estabelecendo diretrizes claras que priorizem a transparência nos critérios de avaliação. A aplicação da inteligência artificial no campo do Direito Penal suscita preocupações acerca de seu impacto na proteção dos direitos fundamentais e na privacidade dos indivíduos. Embora a automação de procedimentos no sistema judicial, por meio da IA, possa proporcionar maior eficiência e clareza, é fundamental assegurar a não discriminação, a proteção das informações pessoais, a transparência nas decisões e o controle do usuário, a fim de garantir um julgamento justo que respeite os direitos individuais. A discussão sobre a utilização da inteligência artificial (IA) no direito penal e no processo penal é uma questão complexa que envolve a análise de vetores da política criminal moderna, especialmente no que se refere à proporcionalidade e à garantia de não discriminação. A IA tem se tornado uma ferramenta cada vez mais presente no sistema de justiça, com aplicações que variam desde a análise de dados para a predição de crimes até a automação de processos legais. No entanto, sua implementação levanta preocupações éticas e jurídicas, especialmente no que diz respeito à discriminação e à proporcionalidade das penas. O desenvolvimento do pensamento crítico em relação às perspectivas tecnológicas, especialmente através da Inteligência Artificial, envolve a análise de seus impactos e desafios na sociedade contemporânea. Aqui estão algumas considerações e exemplos que podem ajudar a esclarecer essa questão: Automação de Processos: A IA tem sido usada para automatizar tarefas administrativas e operacionais, como triagem de currículos e agendamento de entrevistas, o que permite que os profissionais de RH se concentrem em funções mais estratégicas. Isso melhora a eficiência e reduz o erro humano. Análise Preditiva de Desempenho: Ferramentas de IA conseguem analisar grandes volumes de dados de desempenho dos funcionários, facilitando a identificação de padrões e a previsão de tendências de produtividade. Isso ajuda na criação de planos de desenvolvimento pessoal e selecionamento dentro de uma organização. Transparência e Decisões Automatizadas: As decisões tomadas por sistemas de IA devem ser transparentes e compreensíveis para garantir que os indivíduos possam entender como e por que as decisões são tomadas, permitindo questionar julgamentos e tomarem decisões informadas. Diversidade e Inclusão nas Equipes de IA: Segundo o artigo 20 da Resolução nº 332/2020 do CNJ, é fundamental que as equipes de desenvolvimento de IA sejam diversas em termos de gênero, raça, etnia e outros critérios para assegurar que os sistemas desenvolvidos sejam livres de preconceitos e atendam uma ampla gama de necessidades sociais e culturais. IA no Direito Penal e Processo Penal a Garantia de Não Discriminação: Para garantir a não discriminação no uso de IA no sistema judiciário, é essencial implementar algoritmos transparentes que sejam constantemente auditados para evitar preconceitos preconcebidos. Isso pode incluir a criação de comissões de revisão ética para monitorar e avaliar o impacto de novas tecnologias judiciais. Segurança de Dados e Privacidade: A proteção dos dados pessoais usados pelos sistemas de IA é crucial. Isso envolve o uso de tecnologias de criptografia avançada e políticas rigorosas de proteção de dados para assegurar a privacidade dos indivíduos. Capacitação Contínua: Profissionais devem ser treinados regularmente para acompanhar as mudanças tecnológicas e as novas ferramentas de IA que podem ser incorporadas em suas práticas diárias, garantindo que façam uso ético e eficiente dessas tecnologias. Abordagem Crítica e Informada: Os alunos e futuros profissionais devem ser incentivados a desenvolver uma abordagem crítica e informada sobre o uso da IA sempre considerando seus potenciais benefícios e riscos éticos, sociais e econômicos. Dessa forma, podem propor melhorias e inovações que promovam uma sociedade mais equilibrada e justa CONSIDERAÇÕES FINAIS O desenvolvimento do pensamento crítico sobre as perspectivas tecnológicas, especialmente no contexto da inteligência artificial (IA), é fundamental para compreendermos os impactos profundos que essas inovações têm sobre o ser humano e a sociedade ocidental contemporânea. A IA está redefinindo a maneira como interagimos, trabalhamos e nos relacionamos, trazendo tanto oportunidades quanto desafios. Primeiramente, é fundamental reconhecer que a IA promete avanços significativos em diversas áreas, como saúde, educação e produtividade, porém, essa transformação não vem sem seus dilemas éticos e sociais, a utilização da IA levanta questões sobre privacidade, segurança e a potencial desigualdade gerada pela automação de empregos. Essas preocupações exigem uma análise crítica e um debate público que incluam diversas vozes e perspectivas. Além disso, a dependência crescente da IA pode levar a uma erosão das habilidades críticas e analíticas dos indivíduos, uma vez que a tecnologia pode facilitar respostas rápidas, mas não necessariamente reflexivas. Outro aspecto importante é a questão da transparência e da responsabilidade nas decisões tomadas por algoritmos. A falta de entendimento sobre como as máquinas fazem escolhas pode levar a um ceticismo crescente em relação à tecnologia. A promoção de uma maior transparência nos processos de IA é necessária para reconstruir a confiança nas instituições e nos sistemas que dependem dessas tecnologias. É notório que o pensamento crítico em relação à inteligência artificial deve ser uma prioridade para a sociedade contemporânea, as habilidades de questionamento, análise e compreensão dos impactos da tecnologia é essencial para garantir que ela seja utilizada de maneira ética e benéfica. O futuro da interação humana com a IA deve ser moldado por um diálogo inclusivo e informativo que priorize os valores humanos e a dignidade, assegurando que a tecnologia sirva ao bem comum e não apenas a interesses particulares. REFERÊNCIAS BRASIL. CNJ. Painel analytics. Disponível em: <https://paineisanalytics.cnj.jus.br/single/?appid=9e4f18ac-e253-4893-8ca1-b81d8af59ff6&sheet=b8267e5a-1f1f-41a7-90ff-d7a2f4ed34ea&lang=pt-BR&theme=IA_PJ&opt=ctxmenu,currsel&select=language,BR - Acesso em: 31 out. 2024. GOODFELLOW, I.; BENGIO, Y.; COURVILLE, A. Deep Learning. Cambridge: MIT Press, 2016. NORVIG, P.; RUSSELL, S. Artificial Intelligence: A Modern Approach. Prentice Hall, 3rd ed., 2010. RUSSELL, Stuart. Inteligência Artificial A Nosso Favor - Como manter o controle sobre a tecnologia. São Paulo: Companhia das Letras, 2021. SILVA, N.G.; Oliveira, W.D.; Júnior, F.T.A. Inteligência Artificial e Sua Relação com Recursos Humanos. Revista de Empreendedorismo e Gestão de Micro e Pequenas Empresas, v. 4, n. 1, p. 58-66, jan./abr. 2019. image1.png