Logo Passei Direto
Buscar

processo-penal-prisoes-parte-01 (2)

Ferramentas de estudo

Questões resolvidas

CAIU NO MPE-GO-2024-FGV: Maria, após ser agredida e ameaçada por João, companheiro de longa data, conseguiu fugir, logrando êxito em localizar, nas proximidades, uma viatura da Polícia Militar, ocasião em que narrou o ocorrido. Em assim sendo, os policiais militares se dirigiram ao domicílio do casal e prenderam o agente em flagrante, encaminhando-o à Delegacia de Polícia especializada. Na sequência, João foi direcionado ao sistema prisional para a realização da audiência de custódia. Nesse cenário, considerando as disposições da Resolução no 213/2015 do Conselho Nacional de Justiça sobre a audiência de custódia, assinale a afirmativa correta.
A) Proferida a decisão que resultar no relaxamento da prisão em flagrante, na concessão da liberdade provisória sem ou com a imposição de medida cautelar alternativa à prisão, ou quando determinado o imediato arquivamento do inquérito, a autoridade policial será cientificada e, se a vítima de violência doméstica e familiar contra a mulher não estiver presente na audiência, deverá, em até vinte e quatro horas, contadas da expedição do alvará de soltura, ser notificada da decisão, sem prejuízo da intimação do seu advogado ou do seu defensor público.
B) A ata da audiência conterá, apenas e resumidamente, a deliberação fundamentada do magistrado quanto à legalidade e à manutenção da prisão, cabimento de liberdade provisória sem ou com a imposição de medidas cautelares diversas da prisão, considerando-se o pedido de cada parte, como também, em caso da constatação de indícios de tortura e maus tratos, a expedição de ofício, com cópia dos autos, ao órgão ao qual estão vinculados os agentes públicos executores da prisão.
C) Proferida a decisão que resultar no relaxamento da prisão em flagrante, na concessão da liberdade provisória sem ou com a imposição de medida cautelar alternativa à prisão, ou quando determinado o imediato arquivamento do inquérito, a pessoa presa em flagrante delito será colocada em liberdade em até vinte e quatro horas, mediante a expedição de alvará de soltura, e será informada sobre seus direitos e obrigações, salvo se, por outro motivo, tenha que continuar presa.
D) Concluída a audiência de custódia, cópia da sua ata será entregue à pessoa presa em flagrante delito, ao Defensor e ao Ministério Público, tomando-se a ciência de todos, e apenas o auto de prisão em flagrante, com antecedentes e cópia da ata, seguirá para livre distribuição.
E) A oitiva do preso será registrada, preferencialmente, em mídia, como também haverá a formalização de termo de manifestação de pessoa presa ou do conteúdo das postulações das partes, ficando arquivada na unidade responsável pela audiência de custódia.

Em se tratando das prisões cautelares, assinale a opção CORRETA:
a) Não se pode justificar a prisão preventiva para a garantia de ordem pública com fundamento em atos infracionais.
b) O juiz pode declarar de ofício a prisão preventiva durante a ação penal, desde que estejam presentes os pressupostos e requisitos da decretação da medida.
c) Não cabe a decretação de prisão preventiva quando da prática de contravenção penal no âmbito da violência doméstica.
d) O juiz que decretou a prisão preventiva bem como todos os demais tribunais por onde o feito estiver em curso precisam revisar, a cada 90 dias, a necessidade de sua manutenção, mediante decisão fundamentada de ofício, sob pena de tornar a prisão ilegal.
e) A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça unificou o entendimento de que o Juiz pode converter a prisão em flagrante em prisão preventiva de ofício, não havendo a obrigatoriedade do requerimento do Ministério Público ou da representação da autoridade policial.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Questões resolvidas

CAIU NO MPE-GO-2024-FGV: Maria, após ser agredida e ameaçada por João, companheiro de longa data, conseguiu fugir, logrando êxito em localizar, nas proximidades, uma viatura da Polícia Militar, ocasião em que narrou o ocorrido. Em assim sendo, os policiais militares se dirigiram ao domicílio do casal e prenderam o agente em flagrante, encaminhando-o à Delegacia de Polícia especializada. Na sequência, João foi direcionado ao sistema prisional para a realização da audiência de custódia. Nesse cenário, considerando as disposições da Resolução no 213/2015 do Conselho Nacional de Justiça sobre a audiência de custódia, assinale a afirmativa correta.
A) Proferida a decisão que resultar no relaxamento da prisão em flagrante, na concessão da liberdade provisória sem ou com a imposição de medida cautelar alternativa à prisão, ou quando determinado o imediato arquivamento do inquérito, a autoridade policial será cientificada e, se a vítima de violência doméstica e familiar contra a mulher não estiver presente na audiência, deverá, em até vinte e quatro horas, contadas da expedição do alvará de soltura, ser notificada da decisão, sem prejuízo da intimação do seu advogado ou do seu defensor público.
B) A ata da audiência conterá, apenas e resumidamente, a deliberação fundamentada do magistrado quanto à legalidade e à manutenção da prisão, cabimento de liberdade provisória sem ou com a imposição de medidas cautelares diversas da prisão, considerando-se o pedido de cada parte, como também, em caso da constatação de indícios de tortura e maus tratos, a expedição de ofício, com cópia dos autos, ao órgão ao qual estão vinculados os agentes públicos executores da prisão.
C) Proferida a decisão que resultar no relaxamento da prisão em flagrante, na concessão da liberdade provisória sem ou com a imposição de medida cautelar alternativa à prisão, ou quando determinado o imediato arquivamento do inquérito, a pessoa presa em flagrante delito será colocada em liberdade em até vinte e quatro horas, mediante a expedição de alvará de soltura, e será informada sobre seus direitos e obrigações, salvo se, por outro motivo, tenha que continuar presa.
D) Concluída a audiência de custódia, cópia da sua ata será entregue à pessoa presa em flagrante delito, ao Defensor e ao Ministério Público, tomando-se a ciência de todos, e apenas o auto de prisão em flagrante, com antecedentes e cópia da ata, seguirá para livre distribuição.
E) A oitiva do preso será registrada, preferencialmente, em mídia, como também haverá a formalização de termo de manifestação de pessoa presa ou do conteúdo das postulações das partes, ficando arquivada na unidade responsável pela audiência de custódia.

Em se tratando das prisões cautelares, assinale a opção CORRETA:
a) Não se pode justificar a prisão preventiva para a garantia de ordem pública com fundamento em atos infracionais.
b) O juiz pode declarar de ofício a prisão preventiva durante a ação penal, desde que estejam presentes os pressupostos e requisitos da decretação da medida.
c) Não cabe a decretação de prisão preventiva quando da prática de contravenção penal no âmbito da violência doméstica.
d) O juiz que decretou a prisão preventiva bem como todos os demais tribunais por onde o feito estiver em curso precisam revisar, a cada 90 dias, a necessidade de sua manutenção, mediante decisão fundamentada de ofício, sob pena de tornar a prisão ilegal.
e) A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça unificou o entendimento de que o Juiz pode converter a prisão em flagrante em prisão preventiva de ofício, não havendo a obrigatoriedade do requerimento do Ministério Público ou da representação da autoridade policial.

Prévia do material em texto

estava na Resolução 213 do CNJ e foi positivado em nossa legislação pela Lei nº 13.964/2019. 
CHEGADA DO 
APF AO 
JUDICIÁRIO
RELAXAR A 
PRISÃO
CONVERTER EM 
PREVENTIVA
CONCEDER L.P 
COM OU SEM 
FIANÇA
O QUE O JUIZ 
PODERÁ FAZER?
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
25 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
Por fim, e não menos importante, anotem em seus cadernos que o posicionamento do STJ é no sentido 
de que na ocorrência de autuação de crime em flagrante, ainda que seja dispensável ordem judicial para a 
apreensão de telefone celular, as mensagens armazenadas no aparelho estão protegidas pelo sigilo 
telefônico, que compreende igualmente a transmissão, recepção ou emissão de símbolos, caracteres, 
sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza, por meio de telefonia fixa ou móvel 
ou, ainda, por meio de sistemas de informática e telemática. STJ. 5ª Turma. RHC 67.379-RN, Rel. Min. 
Ribeiro Dantas, julgado em 20/10/2016 (Info 593). 
 
O STF também tem o mesmo posicionamento, no sentido de que sem prévia autorização judicial, são 
nulas as provas obtidas pela polícia por meio da extração de dados e de conversas registradas no 
WhatsApp presentes no celular do suposto autor de fato delituoso, ainda que o aparelho tenha sido 
apreendido no momento da prisão em flagrante. STJ. 6ª Turma. RHC 51.531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, 
julgado em 19/4/2016 (Info 583). 
 
Em resumo: 
 
a) Na prisão em flagrante pode apreender o celular do autor? PODE. 
b) Na prisão em flagrante pode apreender o celular do autor e também acessar os dados contidos 
nele? NÃO; É PRECISO TER AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PRÉVIA. Na prática, o policial apreende o celular e o 
aparelho fica acautelado no inquérito; enquanto isso, o delegado representa pela quebra do sigilo. 
 
A Lei nº 12.965/2014 (Marco Civil da Internet), que regulamenta os direitos e deveres para o uso da 
internet no Brasil, protege as conversas armazenadas, conforme se observa em seu art. 7º, III: 
 
Art. 7º O acesso à internet é essencial ao exercício da cidadania, e ao usuário são 
assegurados os seguintes direitos: 
III - inviolabilidade e sigilo de suas comunicações privadas armazenadas, salvo por 
ordem judicial. 
 
Por outro lado, se o juiz determinou a busca e apreensão de telefone celular ou smartphone do 
investigado, é lícito que as autoridades tenham acesso aos dados armazenados no aparelho apreendido, 
especialmente quando a referida decisão tenha expressamente autorizado o acesso a esse conteúdo. STJ. 5ª 
Turma. RHC 75.800-PR, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 15/9/2016 (Info 590). 
 
O STF também decidiu que sem autorização judicial ou fora das hipóteses legais, é ilícita a prova obtida 
mediante abertura de carta, telegrama, pacote ou meio análogo. STF. Plenário. RE 1116949, Rel. Min. Marco 
Aurélio, Rel. p/ Acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 18/08/2020 (Repercussão Geral – Tema 1041) (Info 
993). 
 
Falamos praticamente tudo sobre prisão em flagrante, agora trataremos sobre a prisão preventiva. 
 
 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
26 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
DA PRISÃO PREVENTIVA 
 
A prisão preventiva é tema crucial em provas para de Ministério Público, por isso devemos ficar 
atentos a inúmeros detalhes. Trataremos aqui com vocês o indispensável para sua prova, sem arrodeio. 
 
Com o pacote anticrime (Lei nº 13.964/2019), o magistrado também não poderá decretar a prisão 
preventiva de ofício na fase processual, notadamente pela adoção, em nosso ordenamento jurídico, do 
sistema acusatório. 
 
Com as alterações dos arts. 282, § 4º, e 311 do CPP pela Lei n. 13.964/2019 (Lei 
Anticrime), que entrou em vigor em 23/1/2020, não pode mais o juiz, de ofício, 
converter a prisão em flagrante em preventiva com fundamento no art. 310, II, 
do CPP, sendo indispensável para tanto o prévio requerimento do Ministério 
Público, do querelante ou de seu assistente, ou representação da autoridade 
policial. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC n. 624.218/RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, 
julgado em 20/4/2021. STJ. 6ª Turma. HC n. 638.655/SC, Rel. Min. Laurita Vaz, 
julgado em 5/4/2022. STJ. 3ª Seção. RHC n. 131.263/GO, Rel. Min. Sebastião Reis 
Júnior, julgado em 24/2/2021. 
 
Veja como era o art. 311 e como ficou após a Lei Anticrime: 
 
COMO ERA COMO FICOU 
Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial 
ou do processo penal, caberá a prisão preventiva 
decretada pelo juiz, de ofício, se no curso da ação 
penal, ou a requerimento do Ministério Público, do 
querelante ou do assistente, ou por representação 
da autoridade policial. 
Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial 
ou do processo penal, caberá a prisão preventiva 
decretada pelo juiz, a requerimento do Ministério 
Público, do querelante ou do assistente, ou por 
representação da autoridade policial. 
 
CAIU NO MPE-PE-2022-FCC: Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão 
preventiva decretada pelo juiz, a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por 
representação da autoridade policial. 32 
 
Em fevereiro de 2021, a Terceira Seção do STJ pôs fim à divergência que havia entre a 5a e a 6a Turmas, 
prevalecendo entendimento da 5ª Turma no sentido de proibir que a CONVERSÃO ocorra sem manifestação 
do Ministério Público ou da autoridade policial. 
 
Essa decisão do STJ seguiu o posicionamento do STF (2a Turma) de 06 de outubro de 2020, segundo o 
qual o magistrado competente não pode converter, ex officio, a prisão em flagrante em prisão preventiva 
no contexto da audiência de custódia, pois essa medida de conversão depende, necessariamente, de 
representação da autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público. 
 
32 CERTO. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
27 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
 Nesse sentido o voto condutor do Ministro Celso de Mello no Habeas Corpus (HC) 188.888/MG, que 
assim estabelece: 
 
“A reforma introduzida pela Lei nº 13.964/2019 (“Lei Anticrime”) modificou a 
disciplina referente às medidas de índole cautelar, notadamente aquelas de caráter 
pessoal, estabelecendo um modelo mais consentâneo com as novas exigências 
definidas pelo moderno processo penal de perfil democrático e assim preservando, 
em consequência, de modo mais expressivo, as características essenciais inerentes 
à estrutura acusatória do processo penal brasileiro. 
 
– A Lei nº 13.964/2019, ao suprimir a expressão “de ofício” que constava do art. 
282, §§ 2º e 4º, e do art. 311, todos do Código de Processo Penal, vedou, de forma 
absoluta, a decretação da prisão preventiva sem o prévio “requerimento das partes 
ou, quando no curso da investigação criminal, por representação da autoridade 
policial ou mediante requerimento do Ministério Público” (grifei), não mais sendo 
lícita, portanto, com base no ordenamento jurídico vigente, a atuação “ex officio” 
do Juízo processante em tema de privação cautelar da liberdade. 
 
O STF também reconheceu, neste caso, a impossibilidade jurídica de o magistrado, mesmo fora do 
contexto da audiência de custódia, decretar, de ofício, a prisão preventiva de qualquer pessoa submetida 
a atos de persecução criminal (inquérito policial, procedimento de investigação criminal ou processo judicial), 
"tendo em vista asinovações introduzidas nessa matéria pela recentíssima Lei nº 13.964/2019 (“Lei 
Anticrime”), que deu particular destaque ao sistema acusatório adotado pela Constituição, negando ao Juiz 
competência para a imposição, ex officio, dessa modalidade de privação cautelar da liberdade individual do 
cidadão (CPP, art. 282, §§ 2º e 4º, c/c art. 311)", pontuo Celso de Mello.33 
 
É bom lembrar que no julgado do STF, que foi um dos últimos antes do Ministro Celso de Mello se 
aposentar (deixou saudades), ele lembrou que grandes doutrinadores brasileiros, mesmo sob a égide da Lei 
nº 12.403/2011, já sustentavam a absoluta impossibilidade de conversão da prisão em flagrante em 
preventiva sem anterior requerimento do Ministério Público ou sem prévia representação da autoridade 
policial: 
 
“(..) o Juiz não pode converter a prisão em flagrante em prisão preventiva de 
ofício. Não se trata de mera ‘manutenção’ da prisão em flagrante, mas sim da 
conversão – o próprio legislador utiliza esta expressão –, que significa 
literalmente mudar, transformar, transmudar, comutar, substituir. Assim, há a 
mudança do título prisional, ou seja, da prisão em flagrante – que já esvaiu sua 
função – para a prisão preventiva, que possui requisitos e condições de 
admissibilidade próprios, além de finalidade distinta. Na verdade, são medidas 
completamente díspares, tanto ontológica quanto funcionalmente. Sem 
requerimento do MP haveria, portanto, iniciativa e atuação proativa do 
 
33 Voto disponível em: http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/HC188888acordao.pdf. Acesso em: 03/02/2021. 
http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/HC188888acordao.pdf
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
28 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
magistrado. Tanto existe esta iniciativa que há uma nova decisão, prolatada pelo 
magistrado. O que o juiz pode fazer sem provocação é o controle da legalidade, que 
é automático e deflui de sua função constitucional. Porém, caso não haja pedido do 
MP, o juiz deve liberar em seguida, sendo inadmissível a decretação da prisão 
preventiva sem requerimento, pois, do contrário, estaria dando causa a uma 
nova medida, sem autorização constitucional e legal para tanto. Não bastasse, a 
conversão de ofício traz maiores riscos de violação inútil da liberdade do detido, 
uma vez que o magistrado poderia converter em prisão preventiva em situações 
nas quais o MP entende que não há elementos para imputar ou em que a 
qualificação do fato não admite a decretação da prisão preventiva, à luz do art. 
313. Além de trazer riscos para a imparcialidade do juiz, sem qualquer razão 
relevante que justifique a exceção ao princípio do sistema acusatório na fase de 
investigação, pode prejudicar a estratégia da investigação. (...).” (grifei) 34 
 
 Em resumo de sua decisão, ainda no HC 188.888/MG, pontua o Ministro Celso de Mello: 
 
“Em suma: tornou-se inadmissível, em face da superveniência da Lei no 
13.964/2019 (“Lei Anticrime”), a conversão, “ex officio”, da prisão em flagrante em 
preventiva, pois a decretação dessa medida cautelar de ordem pessoal dependerá, 
sempre, do prévio e necessário requerimento do Ministério Público, do seu 
assistente ou do querelante (se for o caso), ou, ainda, de representação da 
autoridade policial na fase pré-processual da “persecutio criminis”, sendo certo, 
por tal razão, que, em tema de privação e/ou de restrição cautelar da liberdade, não 
mais subsiste, em nosso sistema processual penal, a possibilidade de atuação “ex 
officio” do magistrado processante”. 
 
CAIU NO MPE-BA-2023-CESPE: Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal caberá prisão 
preventiva decretada pelo juiz, a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por 
representação da autoridade policial.35 
 
CAIU NO MPE-SP-2023-VUNESP: O juiz poderá, de ofício, em qualquer fase do processo, decretar a prisão 
preventiva do acusado, desde que devidamente fundamentada, revisando-a a cada 90 (noventa) dias.36 
 
 
34 (ANDRÉ NICOLITT, “Manual de Processo Penal”, p. 783, 6a ed., 2016, RT; AURY LOPES JR., “Direito Processual Penal”, p. 635, item n. 
4.7, 13a ed., 2016, Saraiva; FERNANDO DA COSTA TOURINHO FILHO, “Código de Processo Penal Comentado”, vol. 1/914, 14a ed., 
2012, Saraiva; RENATO BRASILEIRO DE LIMA, “Código de Processo Penal Comentado”, p. 866/867, item n. 3.3, 2a ed., 2017, 
JusPODIVM; SILVIO MACIEL, “Prisão e Medidas Cautelares – Comentários à Lei 12.403, de 4 de maio de 2011”, coordenado por Luiz 
Flávio Gomes e Ivan Luís Marques, p. 145, 3a ed., 2012, RT, v.g.), como se vê, p. ex., do precioso trabalho de ANDREY BORGES DE 
MENDONÇA (“Prisão Preventiva na Lei 12.403/2011 – Análise de Acordo com Modelos Estrangeiros e com a Convenção Americana de 
Direitos Humanos”, p. 404/405, item n. 3.3, 2016, JusPODIVM) 
35 CERTO. 
36 ERRADO. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
29 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
CAIU NO MPE-PE-2022-FCC: Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão 
preventiva decretada pelo juiz, de ofício, se no curso da ação penal, ou a requerimento do Ministério Público, 
do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial. 37 
 
CAIU NO MPE-AC-2022-CESPE: A prisão preventiva pode ser decretada de ofício pelo juiz, desde que ocorra 
durante a ação penal. 38 
 
Mas, atenção! No informativo 725, STJ proferiu o seguinte posicionamento: 
 
A determinação do magistrado pela cautelar máxima, em sentido diverso do 
requerido pelo Ministério Público, pela autoridade policial ou pelo ofendido, não 
pode ser considerada como atuação ex officio. RHC 145.225-RO, Rel. Min. Rogerio 
Schietti Cruz, Sexta Turma, por maioria, julgado em 15/02/2022. 
 
Significa dizer que se o Ministério Público pedir a aplicação de medida cautelar diversa da prisão e o 
Magistrado decretar prisão preventiva, ou seja, a cautelar máxima, segundo o STJ, não se trata de atuação de 
ofício vedada pelo ordenamento jurídico. 
 
Vale lembrar, ainda, que neste mesmo informativo, o STJ mencionou que a Lei Maria da Penha não é 
uma exceção, isto é, também é vedada a conversão da prisão preventiva de ofício nos crimes da Lei 
11.340/06, havendo revogação tácita do art.20 dessa lei. 
 
CAIU NO MPE-AM-2023-CESPE: A prática de contravenção penal, no âmbito de violência doméstica, não é 
motivo idôneo para justificar a prisão preventiva do autor desse tipo de infração, mesmo em caso de 
descumprimento da medida protetiva imposta a ele.39 
 
Porém a 5ª Turma do STJ, em agosto de 2022, posicionou-se no sentido contrário, entendendo pela 
vedação de aplicação de medida mais gravosa (ex: prisão preventiva) quando requerida medida cautelar 
diversa da prisão. Vejamos a explicação de Márcio Cavalcante40: 
 
Se o MP pediu a aplicação de medida cautelar diversa da prisão, o juiz está autorizado a decretar a prisão? 
5ª Turma: NÃO 
Se o requerimento do Ministério Público limita-se à aplicação de medidas cautelares ao preso em flagrante, é 
vedado ao juiz decretar a medida mais gravosa - prisão preventiva -, por configurar uma atuação de ofício. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 754506-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 16/08/2022 (Info 
746). 
 
 
37 ERRADO. 
38 ERRADO. 
39 CERTO. 
40 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Se o MP pediu a aplicação de medida cautelar diversa da prisão, o juiz está autorizado a 
decretar a prisão?. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
.Acesso em: 
15/03/2023 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
30 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
6ª Turma: SIM 
A determinação do magistrado pela cautelar máxima, em sentido diverso do requerido pelo Ministério Público, 
pela autoridade policial ou pelo ofendido, não pode ser considerada como atuação ex officio. 
STJ. 6ª Turma. RHC 145.225-RO, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 15/02/2022 (Info 725). 
 
Depois da Lei nº 13.964/2019(Pacote Anticrime), ainda é possível que o juiz, de ofício, converta a prisão 
em flagrante em prisão preventiva? 
NÃO. Antes da Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime), a jurisprudência entendia que o juiz, após receber o 
auto de prisão em flagrante, poderia, de ofício, converter a prisão em flagrante em prisão preventiva. 
Ocorre que a Lei nº 13.964/2019 revogou os trechos do CPP que previam a possibilidade de decretação da 
prisão preventiva ex officio. 
Em suma: 
Após o advento da Lei nº 13.964/2019, não é mais possível a conversão da prisão em flagrante em preventiva 
sem provocação por parte ou da autoridade policial, do querelante, do assistente, ou do Ministério Público, 
mesmo nas situações em que não ocorre audiência de custódia. 
A Lei nº 13.964/2019, ao suprimir a expressão “de ofício” que constava do art. 282, § 2º, e do art. 311, ambos 
do CPP, vedou, de forma absoluta, a decretação da prisão preventiva sem o prévio requerimento das partes 
ou representação da autoridade policial. 
Logo, não é mais possível, com base no ordenamento jurídico vigente, a atuação ‘ex officio’ do Juízo 
processante em tema de privação cautelar da liberdade. 
STJ. 3ª Seção. RHC 131.263, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 24/02/2021 (Info 686). 
STF. 2ª Turma. HC 188888/MG, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 6/10/2020 (Info 994). 
 
Imagine agora a seguinte situação hipotética: 
João foi preso em flagrante. 
Logo em seguida, ele foi levado para a audiência de custódia. 
O Ministério Público pugnou pela concessão da liberdade provisória mediante a aplicação de cautelares 
diversas da prisão, dentre elas o recolhimento domiciliar. 
Contudo, a juíza que presidia a audiência entendeu que estavam presentes os requisitos do art. 312 do CPP e 
decretou a prisão preventiva (medida extrema / cautelar máxima) de João. 
A Defensoria Pública, presente na audiência, protestou afirmando que a magistrada agiu de ofício ao decretar 
a prisão preventiva, considerando que o MP pediu apenas medidas cautelares diversas da prisão. Para a 
Defensora, houve atuação de ofício, em contrariedade às mudanças trazidas pelo Pacote Anticrime. 
A magistrada respondeu que não estava decidindo de ofício. “O Ministério Público requereu a aplicação de 
medidas cautelares diversas da prisão. Logo, ele pediu a aplicação de medidas cautelares. Eu só estou 
decretando uma medida cautelar diversa daquela que o Parquet requereu. Desse modo, estou agindo 
mediante requerimento da acusação.” 
 
E para complementar, trouxemos uma tabela41 para melhor visualização: 
 
41 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Se o MP pediu a aplicação de medida cautelar diversa da prisão, o juiz está autorizado a 
decretar a prisão?. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 
15/03/2023 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
31 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
 
Se o Ministério Público pediu a aplicação de medida cautelar diversa da prisão, o juiz está autorizado a 
decretar a prisão sob o argumento de que se trata de uma espécie de medida cautelar? 
5ª Turma: NÃO 6ª Turma: SIM 
Se o requerimento do Ministério Público limita-se 
à aplicação de medidas cautelares ao preso em 
flagrante, é vedado ao juiz decretar a medida mais 
gravosa - prisão preventiva -, por configurar uma 
atuação de ofício. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 754.506-MG, Rel. Min. 
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 
16/08/2022 (Info 746). 
A determinação do magistrado pela cautelar máxima, 
em sentido diverso do requerido pelo Ministério 
Público, pela autoridade policial ou pelo ofendido, não 
pode ser considerada como atuação ex officio. 
STJ. 6ª Turma. RHC 145.225-RO, Rel. Min. Rogerio 
Schietti Cruz, julgado em 15/02/2022 (Info 725). 
A reforma introduzida pela Lei nº 13.964/2019, 
preservando e valorizando as características 
essenciais da estrutura acusatória do processo 
penal brasileiro, modificou a disciplina das 
medidas de natureza cautelar, especialmente as de 
caráter processual, estabelecendo um modelo 
mais coerente com as características do moderno 
processo penal. 
O art. 310 e os demais dispositivos do CPP devem 
ser interpretados privilegiando o regime do 
sistema acusatório vigente em nosso país, nos 
termos da Constituição Federal, que outorgou ao 
Parquet a relevante função institucional de 
“promover, privativamente, a ação penal pública” 
(art. 129, I, CF/88). 
Assim, a despeito da manifestação do Ministério 
Público em audiência de custódia, a prisão que 
venha a ser decretada por Magistrado, à revelia de 
um requerimento expresso nesse sentido, 
configura uma atuação de ofício em contrariedade 
ao que dispõe a nova regra processual penal. 
Não se desconhece a existência do RHC 145.225-
RO, precedente da 6ª Turma acerca do tema. 
Ocorre que, neste julgado, houve 2 votos 
divergentes, demonstrando não se tratar de tema 
pacífico. 
Assim, tratando-se de pedido do Ministério Público 
limitado à aplicação de medidas cautelares ao 
preso em flagrante, é vedado ao juiz decretar a 
A decisão que decreta a prisão preventiva, desde que 
precedida da necessária e prévia provocação do 
Ministério Público, formalmente dirigida ao Poder 
Judiciário, mesmo que o magistrado decida pela 
cautelar pessoal máxima, por entender que apenas 
medidas alternativas seriam insuficientes para 
garantia da ordem pública, não deve ser considerada 
como de ofício. 
Isso porque uma vez provocado pelo órgão ministerial 
a determinar uma medida que restrinja a liberdade do 
acusado em alguma medida, deve o juiz poder agir de 
acordo com o seu convencimento motivado e analisar 
qual medida cautelar pessoal melhor se adequa ao 
caso. 
Impor ou não cautelas pessoais, de fato, depende de 
prévia e indispensável provocação. Entretanto, a 
escolha de qual delas melhor se ajusta ao caso 
concreto há de ser feita pelo juiz da causa. Entender 
de forma diversa seria vincular a decisão do Poder 
Judiciário ao pedido formulado pelo Ministério 
Público, de modo a transformar o julgador em mero 
chancelador de suas manifestações, ou de lhe 
transferir a escolha do teor de uma decisão judicial. 
Saliente-se que esse é igualmente o posicionamento 
adotado quando o Ministério Público pugna pela 
absolvição do acusado em alegações finais ou 
memoriais e, mesmo assim, o magistrado não é 
obrigado a absolvê-lo, podendo agir de acordo com 
sua discricionariedade. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
32 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
medida mais gravosa, a prisão preventiva, por 
configurar uma atuação de ofício. 
Vale ressaltar que o fato de o Ministério Público, 
no julgamento do habeas corpus contra a 
decisão,ter se manifestado favoravelmente à 
manutenção da prisão preventiva, não tem o 
condão de suprir/sanara ilegalidade da prisão 
decretadade ofício em primeiro grau, 
considerando que o habeas corpus é uma ação de 
manejo exclusivo da defesa em benefício do réu. 
Dessa forma, a determinação do magistrado, em 
sentido diverso do requerido pelo Ministério Público, 
pela autoridade policial ou pelo ofendido, não pode 
ser considerada como atuação ex officio, uma vez que 
lhe é permitido atuar conforme os ditames legais, 
desde que previamente provocado, no exercício de 
sua jurisdição. 
 
CAIU NO MPE-RS-2023-Banca Própria: Em se tratando de prisão temporária, a manifestação ministerial de 
que trata o §1º , do art. 2º , da Lei no 7.960/89, quando contrária à representação da autoridade policial, torna 
inadmissível sua decretação. 42 
 
Imagine agora que o juízo decrete a prisão de ofício e em seguida o MP ou a autoridade policial 
requer a decretação da prisão preventiva. Nesse caso, o vício estaria sanado? 
 
Inicialmente, o STJ entendeu que sim. Se, após a decretação, a autoridade policial ou o Ministério 
Público requererem a prisão, o vício de ilegalidade que maculava a custódia é suprido (convalidado) e a 
prisão não será relaxada. Isso porque, revogar a prisão preventiva seria inútil, considerando que tanto a 
autoridade policial, como o Ministério Público entendem que é caso de prisão preventiva. Logo, bastaria ao 
juízo decretar mais uma vez a prisão preventiva, amparado dessa vez nos pedidos do MP ou da autoridade 
policial (AgRg RHC 136.708/MS). 
 
No entanto, o STJ decidiu posteriormente que a prisão preventiva decretada de ofício permanece 
sendo ilegal mesmo quando o MP opina contrariamente ao pedido de revogação feito pela defesa, ou seja, a 
manifestação posterior do MP pela manutenção da prisão preventiva não sanaria o vício inicial da 
decretação da prisão preventiva de ofício. De acordo com o STJ, a prisão é ilegal posto que, no caso analisado, 
não houve requerimento de prisão preventiva pelo MP, mas apenas parecer pelo indeferimento do pedido de 
relaxamento de prisão sob alegação de ausência de modificação na situação fática (HC 757.812/TO). 
 
 Outra situação: caso o MP tenha requerido a decretação da prisão preventiva e o juízo a tenha 
decretado, mas posteriormente o MP pede a revogação dessa prisão, o juízo está obrigado a revogar? 
NÃO. 3. Prisão preventiva decretada a pedido do Ministério Público, que, posteriormente requer a sua 
revogação. Alegação de que o magistrado está obrigado a revogar a prisão a pedido do Ministério Público. 4. 
Muito embora o juiz não possa decretar a prisão de ofício, o julgador não está vinculado a pedido 
formulado pelo Ministério Público. 5. Após decretar a prisão a pedido do Ministério Público, o magistrado 
não é obrigado a revogá-la, quando novamente requerido pelo Parquet. (...) STF. 2ª Turma. HC 203.208 
AgR. Entender de forma diversa seria vincular a decisão do Poder Judiciário ao pedido formulado pelo 
 
42 ERRADO. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
33 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
Ministério Público, de modo a transformar o julgador em mero chancelador de suas manifestações, ou de lhe 
transferir a escolha do teor de uma decisão judicial. 
 
 Dando continuidade, vejam o que estabelece o art. 312 do CPP, também alterado pela Lei Anticrime: 
 
COMO ERA COMO FICOU 
Art. 312. A prisão preventiva poderá ser 
decretada como garantia da ordem pública, da 
ordem econômica, por conveniência da instrução 
criminal, ou para assegurar a aplicação da lei 
penal, quando houver prova da existência do 
crime e indício suficiente de autoria. 
Parágrafo único. A prisão preventiva também 
poderá ser decretada em caso de 
descumprimento de qualquer das obrigações 
impostas por força de outras medidas cautelares 
(art. 282, § 4º). (Incluído pela Lei nº 12.403, de 
2011). 
Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada 
como garantia da ordem pública, da ordem econômica, 
por conveniência da instrução criminal ou para 
assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova 
da existência do crime e indício suficiente de autoria e 
de perigo gerado pelo estado de liberdade do 
imputado. 
§ 1º A prisão preventiva também poderá ser decretada 
em caso de descumprimento de qualquer das 
obrigações impostas por força de outras medidas 
cautelares. 
§ 2º A decisão que decretar a prisão preventiva deve 
ser motivada e fundamentada em receio de perigo e 
existência concreta de fatos novos ou 
contemporâneos que justifiquem a aplicação da 
medida adotada. 
 
SE LIGA NA JURIS: A periculosidade do agente e a intimidação de testemunha justificam a decretação da 
prisão preventiva para garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal 
Caso concreto: o juiz decretou a prisão preventiva do paciente, suspeito de ser o mandante do homicídio de 
sua ex-companheira. A custódia foi determinada em razão da periculosidade social do paciente, evidenciada 
pela gravidade concreta da conduta, porque por ciúmes teria mandado assassinar sua ex-companheira e seu 
atual companheiro e, para isso, contou com o auxílio de uma terceira pessoa, a qual teria ficado responsável 
por intermediar a contratação dos pistoleiros. Soma-se a isso, a notícia de que o paciente estaria coagindo 
testemunhas. 
A notícia de perturbação no curso da persecução penal tolhendo, de qualquer forma, a atuação da testemunha 
em sua ampla liberdade de prestar declarações acerca dos fatos em apuração, é motivo suficiente para a 
decretação da prisão preventiva para conveniência da instrução criminal. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 735745-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 27/9/2022 (Info 
Especial 10). 43 
 
 
43 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A periculosidade do agente e a intimidação de testemunha justificam a decretação da prisão 
preventiva para garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 
15/03/2023 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
34 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
Perceba que a lei nova, em seu caput, traz os dois pressupostos para decretação da prisão preventiva: 
o fumus comissi delitici (prova da materialidade e indícios suficientes de autoria) e o periculum libertatis (o 
perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado). 
 
Além disso, o art. 312, §2º, CPP, passou a prever expressamente que a decisão que decretar a prisão 
preventiva deve ser motivada e fundamentada em receio de perigo e existência concreta de fatos novos ou 
contemporâneos que justifiquem a aplicação da medida adotada. Em outras palavras, a prisão processual 
exige a contemporaneidade dos fatos justificadores dos riscos que se pretende evitar com o cárcere. Por isso, 
o STJ vem entendendo que a decretação, bem como a manutenção, da prisão preventiva exige a 
contemporaneidade delitiva (HC 732.420). 
 
No mesmo sentido, o STJ entendeu que, se o crime ocorreu há quase um ano, não há 
contemporaneidade para a prisão preventiva fundamentada na gravidade concreta do fato. Ora, se o crime é 
concretamente grave ao ponto de abalar a ordem pública, a prisão preventiva deve ser decretada logo após 
sua prática. Se passar muito tempo, quase um ano, é porque não havia cautelaridade (STJ, AgRg no HC 
748.026). 
 
SE LIGA NA JURIS: Na análise do cabimento da prisão preventiva de pessoas em situação de rua, além dos 
requisitos previstos no CPP, o magistrado deve observar as recomendações da Resolução CNJ 425/2021 
O CNJ editou a Resolução nº 425/2021, que instituiu,no âmbito do Poder Judiciário, a Política Nacional Judicial 
de Atenção a Pessoas em Situação de Rua e suas interseccionalidades. 
Na análise do cabimento da prisão preventiva de pessoas em situação de rua, além dos requisitos legais 
previstos no CPP, o magistrado deve observar as recomendações constantes da Resolução, e, caso sejam 
fixadas medidas cautelares alternativas, deve-se optar por aquela que melhor se adequa a realidade da 
pessoa em situação de rua, em especial quanto à sua hipossuficiência, hipervulnerabilidade, 
proporcionalidade da medida diante do contexto e trajetória de vida, além das possibilidades de 
cumprimento. 
No caso dos autos, o réu – pessoa em situação de rua –, teve a prisão preventiva decretada porque descumpriu 
medida cautelar alternativa fixada anteriormente pelo juízo, consistente no comparecimento para dormir em 
abrigo municipal. 
A questão referente a pessoas em situação de rua é complexa, demanda atuação conjunta e intersetorial, e o 
cárcere, em situações como a que se apresenta nos autos, não se mostra como solução adequada. Cabe aos 
membros do Poder Judiciário, ainda que atuantes somente no âmbito criminal, um olhar atento a questões 
sociais atinentes aos réus em situação de rua, com vistas à adoção de medidas pautadas sempre no princípio 
da legalidade, mas sem reforçar a invisibilidade desse grupo populacional. 
Diante disso, o STJ concedeu o habeas corpus para tornar sem efeito a prisão e as medidas cautelares 
impostas. 
STJ. 6ª Turma. HC 772380-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 08/11/2022 (Info 757). 44 
 
44 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Na análise do cabimento da prisão preventiva de pessoas em situação de rua, além dos 
requisitos previstos no CPP, o magistrado deve observar as recomendações da Resolução CNJ 425/2021. Buscador Dizer o Direito, 
Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 
15/03/2023 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
35 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
 Vejam, ainda, as alterações ocorridas no art. 313 e 315 do CPP: 
 
COMO ERA O ART. 313 COMO FICOU O ART. 313 
Sem correspondência 
Foi acrescentado o § 2º 
§ 2º Não será admitida a decretação da prisão 
preventiva com a finalidade de antecipação de 
cumprimento de pena ou como decorrência 
imediata de investigação criminal ou da 
apresentação ou recebimento de denúncia. 
 
COMO ERA O ART. 315 COMO FICOU O ART. 315 
Art. 315. A decisão que decretar, substituir ou 
denegar a prisão preventiva será sempre motivada. 
Art. 315. A decisão que decretar, substituir ou 
denegar a prisão preventiva será sempre motivada e 
fundamentada. 
§ 1º Na motivação da decretação da prisão 
preventiva ou de qualquer outra cautelar, o juiz 
deverá indicar concretamente a existência de fatos 
novos ou contemporâneos que justifiquem a 
aplicação da medida adotada. 
§ 2º Não se considera fundamentada qualquer 
decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou 
acórdão, que: 
I - limitar-se à indicação, à reprodução ou à paráfrase 
de ato normativo, sem explicar sua relação com a 
causa ou a questão decidida; 
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, 
sem explicar o motivo concreto de sua incidência no 
caso; 
III - invocar motivos que se prestariam a justificar 
qualquer outra decisão; 
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos 
no processo capazes de, em tese, infirmar a 
conclusão adotada pelo julgador; 
V - limitar-se a invocar precedente ou enunciado de 
súmula, sem identificar seus fundamentos 
determinantes nem demonstrar que o caso sob 
julgamento se ajusta àqueles fundamentos; 
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, 
jurisprudência ou precedente invocado pela parte, 
sem demonstrar a existência de distinção no caso 
em julgamento ou a superação do entendimento. 
 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
36 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
O artigo 315 do CPP copiou a estrutura do artigo 489, §1º, do CPC, indicando como uma decisão que 
decreta a prisão preventiva deve ser fundamentada. De se notar que essas balizas são aplicáveis a toda e 
qualquer decisão penal, incluindo as sentenças, e não apenas as decisões que decretam prisão preventiva. 
 
Caso o juízo não fundamente adequadamente a decisão que revisa a necessidade de prisão 
preventiva, a prisão se torna ilegal ou o juízo deve apenas ser obrigado a proferir nova decisão 
devidamente fundamentada? O STF entendeu que outra decisão deve ser proferida, ou seja, não é caso 
de relaxamento da prisão (RHC 214.145). A toda evidência, a decisão do STF contraria o disposto no p. único 
do art. 316 do CPP. Ora, a decisão que não está fundamentada adequadamente implica na ilegalidade da 
prisão, razão pela qual essa deve ser relaxada, e não dada nova oportunidade à fundamentação da referida 
decisão pelo juízo que a prolatou. 
 
O art. 316 do CPP também sofreu uma significativa alteração, ao estabelecer, em seu parágrafo único, 
que decretada a prisão preventiva, deverá o órgão emissor da decisão revisar a necessidade de sua 
manutenção a cada 90 (noventa) dias, mediante decisão fundamentada, de ofício, sob pena de tornar a 
prisão ilegal. Trata-se da chamada revisão periódica dos requisitos da prisão preventiva. 
 
O STF, no HC 179859 AgR/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 3/3/2020 (Info 968), lembrou que 
a existência desse substrato empírico mínimo, apto a lastrear a medida extrema, deverá ser regularmente 
apreciado por meio de decisão fundamentada: 
 
“A prisão preventiva é decretada sem prazo determinado. Contudo, o CPP agora 
prevê que o juízo que decretou a prisão preventiva deverá, a cada 90 dias, proferir 
uma nova decisão analisando se ainda está presente a necessidade da medida. Isso 
significa que a manutenção da prisão preventiva exige a demonstração de fatos 
concretos e atuais que a justifiquem. A existência desse substrato empírico 
mínimo, apto a lastrear a medida extrema, deverá ser regularmente apreciado 
por meio de decisão fundamentada. A esse respeito, importante mencionar 
também o § 2º do art. 312 do CPP, inserido pelo Pacote Anticrime: “A decisão que 
decretar a prisão preventiva deve ser motivada e fundamentada em receio de perigo 
e existência concreta de fatos novos ou contemporâneos que justifiquem a aplicação 
da medida adotada.” STF. 2a Turma. HC 179859 AgR/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, 
julgado em 3/3/2020 (Info 968).” 
 
Nesse ensejo, o STJ consolidou o entendimento de que a revisão periódica da prisão preventiva (CPP, 
art. 316, parágrafo único), não se aplicaria à fase recursal (5ª Turma, AgRg no HC 569.701, Rel. Min. Ribeiro 
Dantas, 09.06.2020 e 6ª Turma, HC 589.544, Relatoria Ministra Laurita Vaz, 08.09.2020). Contudo, como 
veremos abaixo, há o Enunciado 19 da I Jornada de Direito Penal e Processo Penal do CJF/STJ - realizada 
nos dias 10 a 14 de agosto de 2020 em sentido contrário. 
 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
37 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
CAIU NO MPE-RS-2023-Banca Própria: Até que sobrevenha trânsito em julgado da decisão condenatória, o 
decreto de prisão preventiva deve ser reexaminado a cada 90 (noventa) dias no tocante à necessidade de sua 
manutenção.45 
 
JORNADAS DE DIREITO E PROCESSO PENAL: 
 
Enunciado 19 da I Jornadade Direito Penal e Processo Penal do CJF/STJ - realizada nos dias 10 a 14 de 
agosto de 2020: Cabe ao Tribunal no qual se encontra tramitando o feito em grau de recurso a reavaliação 
periódica da situação prisional do acusado, em atenção ao parágrafo único do art. 316 do CPP, mesmo que a 
ordem de prisão tenha sido decretada pelo Magistrado de primeiro grau. 
 
Enunciado 31 da I Jornada de Direito Penal e Processo Penal do CJF/STJ - realizada nos dias 10 a 14 de 
agosto de 2020: A decisão de revisão periódica da prisão preventiva deve analisar de modo motivado, ainda 
que sucinto, se as razões que a fundamentaram se mantêm e se não há excesso de prazo, sendo vedada a 
mera alusão genérica à não alteração do quadro fático. 
 
Na verdade, as medidas cautelares (a prisão preventiva é uma espécie de cautelar) são decretadas 
com base na cláusula rebus sic stantibus. Assim, há uma nítida necessidade de o magistrado analisar se ainda 
estão presentes os requisitos autorizadores, consubstanciados no fumus comissi delicti e pelo periculum 
libertatis (ou periculum in mora). Com a nova lei, deverá ser realizada a análise em até 90 dias, sob pena de 
relaxamento por ilegalidade. Entendam que a lei não trouxe um tempo máximo de duração para a prisão 
preventiva; a lei tão somente positivou a obrigação de que essa cautelar seja revista periodicamente. Ressalta-
se que antes do pacote anticrime o CNJ, por meio de mutirões, já estabelecia a necessidade de revisão de 
prisões cautelares. 
 
 Para o STF, o transcurso do prazo previsto no parágrafo único do art. 316 do Código de Processo Penal 
(revisão periódica da prisão preventiva) não acarreta, automaticamente, a revogação da prisão preventiva 
e, consequentemente, a concessão de liberdade provisória. STF. Plenário. ADI 6581/DF e ADI 6582/DF, Rel. 
Min. Edson Fachin, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgados em 8/3/2022 (Info 1046). 
 
Recentemente, o STJ decidiu que não cabe revisão periódica da prisão preventiva no que tange a 
presos foragidos. Isso porque a finalidade da lei é evitar o grave constrangimento sofrido pelos presos 
preventivos esquecidos no sistema prisional. Não haveria, portanto, prejuízo ao acusado foragido em não 
ter sua decisão que decretou a prisão preventiva reavaliada a cada 90 dias, já que ele não está preso. Ao revés, 
a princípio, os fundamentos da prisão, garantia da aplicação da lei e garantia da instrução, encontram-se 
presentes enquanto o acusado estiver foragido: 
 
“Quando o acusado encontrar-se foragido, não há o dever de revisão ex officio da 
prisão preventiva, a cada 90 dias, exigida pelo art. 316, parágrafo único, do Código 
de Processo Penal. A finalidade do dispositivo é a de evitar o gravíssimo 
constrangimento experimentado por quem está com efetiva restrição à sua 
 
45 ERRADO. STJ afirma que a necessidade de revisão somente se aplica às instâncias ordinárias e não às instâncias extraordinárias. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
38 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
liberdade. Somente o gravíssimo constrangimento causado pela efetiva prisão 
justifica o elevado custo despendido pela máquina pública com a promoção desses 
numerosos reexames impostos pela lei. Não seria razoável ou proporcional obrigar 
todos os Juízos criminais do país a revisar, de ofício, a cada 90 dias, todas as prisões 
preventivas decretadas e não cumpridas, tendo em vista que, na prática, há réus que 
permanecem foragidos por anos. Soma-se a isso o fato de que, se o acusado – que 
tem ciência da investigação ou processo e contra quem foi decretada a prisão 
preventiva – encontra-se foragido, já se vislumbram, antes mesmo de qualquer 
reexame da prisão, fundamentos para mantê-la – quais sejam, a necessidade de 
assegurar a aplicação da lei penal e a garantia da instrução criminal –, os quais, aliás, 
conservar-se-ão enquanto perdurar a condição de foragido do acusado. Assim, 
pragmaticamente, parece pouco efetivo para a proteção do acusado, obrigar o Juízo 
processante a reexaminar a prisão, de ofício, a cada 90 dias, nada impedindo, 
contudo, que a defesa protocole pedidos de revogação ou relaxamento da 
custódia, quando entender necessário.” STJ. 5ª Turma. RHC 153.528-SP, Rel. Min. 
Ribeiro Dantas, julgado em 29/03/2022 (Info 731). 
 
CAIU NO MPE-AC-2022-CESPE: O transcurso do prazo de 90 dias, sem que haja expressa renovação do 
mandado de prisão, torna automaticamente ilegal a prisão. 46 
 
CAIU NO MPE-GO-2022-FGV: Sobre a prisão preventiva, é correto afirmar que: 
A) a gravidade em abstrato do crime constitui uma das fundamentações idôneas para a decretação ou 
manutenção da custódia cautelar; 
B) a periculosidade do agente não constitui uma das fundamentações idôneas para a decretação ou 
manutenção da custódia cautelar; 
C) a necessidade de interromper a atuação de organização criminosa não constitui uma das fundamentações 
idôneas para a decretação ou manutenção da custódia cautelar; 
D) a inobservância do prazo nonagesimal previsto no parágrafo único do Art. 316 do Código de Processo Penal 
não implica automática revogação da prisão preventiva, devendo o juiz ser instado a reavaliar a legalidade e a 
atualidade de seus fundamentos; 
E) a inobservância do prazo nonagesimal previsto no parágrafo único do Art. 316 do Código de Processo Penal 
não implica automática revogação da prisão preventiva, desde que o Ministério Público se manifeste pela 
manutenção da custódia cautelar.47 
 
IMPORTANTE: Em agosto de 2023 a 2ª Turma do STF permitiu a participação de réus foragidos em audiência 
de instrução por videoconferência (HC 227671). Antes disso, havia decisão STJ em sentido contrário. 
#NOTÍCIA48 
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) referendou medida liminar concedida pelo ministro 
Edson Fachin que havia permitido que dois acusados de tráfico de drogas foragidos participassem, por 
videoconferência, da audiência de instrução e julgamento na ação penal a que respondem. O 
 
46 ERRADO. 
47 Gabarito: D. 
48 Disponível em: https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=511947&ori=1 
https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=511947&ori=1
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
39 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
entendimento é de que as garantias constitucionais do contraditório, da ampla defesa, da eficiência e da 
celeridade processuais devem ser preservadas. 
A decisão se deu no exame do Habeas Corpus (HC) 227671, impetrado pela defesa dos acusados, na sessão 
virtual finalizada em 7/8/2023. O juízo de primeira instância e o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte 
(TJ-RN) haviam negado a participação dos acusados, sob o argumento de que mandados de prisão preventiva 
expedidos contra eles estavam pendentes de cumprimento. Em seguida, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) 
rejeitou habeas corpus. No STF, a defesa reiterou o pedido. 
Audiência 
Na decisão referendada pela Turma, o ministro Edson Fachin avaliou que o fato de os acusados não se 
apresentarem à Justiça não significa renúncia tácita ao direito de participar da audiência de instrução, ainda 
que de maneira virtual. O relator explicou que, na audiência presencial, o acusado tem o direito de comparecer 
espontaneamente ao ato. Assim, o comparecimento à audiência virtual também deve ser facultado aos réus, 
para que possam acompanhar depoimentos e exercer a autodefesa. 
Devido processo legal 
Fachin ressaltou que o devido processo legal se pauta no contraditório e na ampla defesa, visando garantir 
aos acusados o direitobi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
No entanto, gente, para a decretação da prisão preventiva são necessários, além desses requisitos do 
312, os requisitos do 313 do CPP. 
 
Vejam que o art. 313 afirma que “nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da 
prisão preventiva”: 
 
 I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos; 
II - se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o 
disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal; 
III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo 
ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência; 
 
CAIU NO MPE-AC-2022-CESPE: Em nenhuma hipótese é permitida prisão preventiva caso a pena máxima do 
crime seja inferior ou igual a 4 anos.51 
 
Com o “Pacote Anticrime”, o art. 313 ganhou um § 2º, cuja redação aduz que não será admitida a 
decretação da prisão preventiva com a finalidade de antecipação de cumprimento de pena ou como 
decorrência imediata de investigação criminal ou da apresentação ou recebimento de denúncia, o que 
reforça o caráter cautelar da prisão preventiva (e nunca de “prisão-pena”). 
 
CAIU NO MPE-AC-2022-CESPE: A prisão preventiva poderá ser decretada com a finalidade de antecipação do 
cumprimento da pena.52 
 
Permita-me lembrá-los que também será admitida a prisão preventiva, segundo o CPP, quando houver 
dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-
la, devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese 
recomendar a manutenção da medida. 
 
Essa é a única hipótese de cabimento de prisão preventiva admissível tanto para crimes dolosos como 
crimes culposos. Nessa hipótese, a prisão preventiva tem um marco temporal definido, porque ela só poderá 
durar até o momento em que se realizar a identificação civil ou criminal do preso. Portanto, uma vez 
identificada a pessoa, deverá haver a soltura do preso. 
 
CAIU NO MPE-AC-2022-CESPE: Caberá prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da 
pessoa.53 
 
O art. 314 também é claro ao pontuar que a prisão preventiva em nenhum caso será decretada se o 
juiz verificar pelas provas constantes dos autos ter o agente praticado o fato nas condições previstas nos casos 
de excludentes de ilicitude. Essa proibição tem uma natureza lógica, pois se ausente o elemento “ilicitude” 
na conduta, a rigor, não há nem ao menos crime na situação concreta. 
 
51 ERRADO. 
52 ERRADO. 
53 CERTO. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
43 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
SE LIGA NA JURIS: Não cabe a decretação de prisão preventiva amparada apenas na ausência de localização 
do réu, sem a demonstração de outros elementos que justifiquem a necessidade da segregação cautelar. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 170.036-MG, Rel. Min. João Batista Moreira (Desembargador convocado do TRF 
da 1ª Região), julgado em 21/11/2023 (Info 16 – Edição Extraordinária). 
 
Por fim, o juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no correr do processo, verificar a falta de motivo 
para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. 
 
CAIU NO MPDFT-2021-Banca Própria: Em se tratando das prisões cautelares, assinale a opção CORRETA: 
A) Não se pode justificar a prisão preventiva para a garantia de ordem pública com fundamento em atos 
infracionais. 
B) O juiz pode declarar de ofício a prisão preventiva durante a ação penal, desde que estejam presentes os 
pressupostos e requisitos da decretação da medida. 
C) Não cabe a decretação de prisão preventiva quando da prática de contravenção penal no âmbito da 
violência doméstica. 
D) O juiz que decretou a prisão preventiva bem como todos os demais tribunais por onde o feito estiver em 
curso precisam revisar, a cada 90 dias, a necessidade de sua manutenção, mediante decisão fundamentada 
de ofício, sob pena de tornar a prisão ilegal. 
E) A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça unificou o entendimento de que o Juiz pode converter a 
prisão em flagrante em prisão preventiva de ofício, não havendo a obrigatoriedade do requerimento do 
Ministério Público ou da representação da autoridade policial.54 
 
LAWFARE NO PROCESSO PENAL 
 
Tema recente e pode ser cobrado em provas do MP. O termo "lawfare" é uma junção das palavras 
"law" (lei) e "warfare" (guerra) e refere-se ao uso do sistema legal e processos judiciais como uma forma de 
“guerra política” ou estratégia para atingir objetivos políticos, muitas vezes às custas da justiça e do devido 
processo legal. Embora o conceito não tenha sido criado para o processo penal, atualmente a expressão 
lawfare tem sido utilizada nesta seara quando utilizam-se do direito penal e do processo penal como uma 
ferramenta para perseguir opositores/inimigos. Isso pode envolver acusações criminais infundadas, abuso do 
processo legal, manipulação de evidências e interferência indevida no sistema de justiça. 
 
Vejamos o que diz a doutrina: 
 
“O termo Lawfare deita raiz no Direito Internacional. Surge com mais força no 
contexto da Guerra ao Terror americana, em que conceito jurídico como o de 
combatente ilegal será manipulado para fins de legitimação dos ataques preventivos 
americanos ao Afeganistão e ao Iraque. Hodiernamente, em temos jurídicos, tem 
sido utilizado como sinônimo de utilização do Direito Penal e do Direito Processual 
Penal como instrumentos de perseguição a determinado inimigo, individual ou 
 
54 Gabarito: C. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
44 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
coletivo, declarado ou não. Não deixa de ser, de certo modo, manifestação do 
famigerado Direito Penal do Inimigo. 
 
Nesse sentido, colacionamos artigo (Geraldo Carreiro de Barros Filho; Athena de 
Albuquerque Farias; Gislene Farias de Oliveira) que resume o tema: 
 
“O termo Lawfare foi popularizado nos Estados Unidos pelo Major General da Força 
Aérea Americana, Charles Dunlap em 2001, engendrando desde então uma difusão 
indeterminada do seu significado. O termo “lawfare” não tem definição fixa, mas 
passou a ser entendido de forma geral como: “O uso indevido da lei como substituto 
dos meios militares tradicionais para alcançar objetivos militares”. Lawfare está 
preocupado com a instrumentalização ou politização da lei para alcançar um efeito 
tático, operacional ou estratégico. No âmbito propriamente político e das leis, é uma 
expressão que faz referência ao fenômeno do uso abusivo e superficial do direito, 
nacional ou internacional, como forma de se atingirem objetivos militares, 
econômicos e políticos, eliminando, deslegitimando ou incapacitando um inimigo. 
Lawfare pode ser concebido como o termo que define o uso do Direito para 
deslegitimar ou incapacitar um inimigo. Tendo então suas características ou táticas 
já reconhecidas pela comunidade jurídica internacional, quais sejam: a) A 
manipulação do sistema legal. b) Dar aparência de legalidade para perseguições 
políticas. c) A utilização de processos judiciais sem qualquer mérito, sem conteúdo, 
com acusações frívolas. d) Abuso do direito para danificar e para deslegitimar um 
adversário. e) Promoção de ação judicial para descredibilizar o oponente. f) 
Tentativa de influenciara opinião pública. g) Utilização da lei para obter publicidade 
negativa ou opressiva. h) Judicialização da política: a lei como instrumento para 
conectar meios e fins políticos. i) A promoção da desilusão popular. j) A crítica 
àqueles que usam o direito internacional e os processos judiciais para fazer 
reinvindicações contra o Estado. k) A utilização do direito como forma de 
constranger e punir o adversário. l) Acusação das ações dos inimigos como imorais 
e ilegais, com o fim de frustrar objetivos contrários. 
 
A palavra Lawfare é a junção das palavras americanas law, que significa lei, e warfare, 
que significa conflito armado, guerra. Lawfare então faz referência ao uso da lei 
como arma de guerra. Assim, convidando ao exercício hermenêutico, diz ser o abuso 
das leis e dos sistemas próprios do Ordenamento jurídico com intuitos bélicos ou 
políticos. Quais sejam tais esforços de entendimentos exemplificados nos processos 
legais com violações intimidadoras, frustrantes dos empenhos dos oponentes; 
trazendo à seara jurídica um novo adjetivo: campo de batalha legal. O site 
lawfareproject.org se refere aos fins políticos do Lawfare de forma aversiva: Lawfare 
significa o uso da lei como uma arma de guerra. Denota o abuso das leis ocidentais 
e sistemas judiciais para conseguir fins militares estratégicos ou políticos. Lawfare é 
inerentemente negativa. Não é uma coisa boa. É o oposto da busca de justiça. É a 
apresentação de processos judiciais frívolos e mau uso de processos legais para 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
45 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
intimidar e frustrar adversários no teatro de guerra. Lawfare é o novo campo de 
batalha legal (THE LAWFARE PROJECT, 2016). Ainda no sentido de arma de guerra, 
Susan Tiefenbrun (2010)1 define o fenômeno como sendo: “uma arma projetada 
para destruir o inimigo através do uso, mau uso e abuso do sistema legal e dos meios 
de comunicação, para levantar o clamor público contra aquele inimigo”. Como 
ressalta Dunlap Jr. (2001), preceptor do termo, são violações legais reais, percebidas 
ou até mesmo orquestradas e empregadas como um meio de confronto não usual.” 
55 
 
É isso, pessoal. Até a parte 02. Bom descanso. 
 
55 Disponível em: https://www.emagis.com.br/area-gratuita/polemico/lawfare-e-processo-penal/. 
https://www.emagis.com.br/area-gratuita/polemico/lawfare-e-processo-penal/inocentes e, ainda, proteção a 
crianças e adolescentes que tenham cometido atos infracionais. “Em todas essas 
 
3 É importante que você lembre que o dispositivo não poderia ter sido declarado inconstitucional, já que a norma que o instituiu (CPP) 
é anterior à Constituição. Neste caso, a norma foi declarada não recepcionada pela Constituição através de ADPF. 
4 Disponível em: https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=504930&ori=1 
https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=504930&ori=1
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
5 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
hipóteses, busca-se conferir maior proteção à integridade física e moral de presos 
que, por suas características excepcionais, estão em situação mais vulnerável”, 
observou. 
Medida discriminatória 
Contudo, a seu ver, esse raciocínio não se aplica à prisão especial para quem tem 
diploma universitário. “Trata-se, na realidade, de uma medida discriminatória, que 
promove a categorização de presos e que, com isso, ainda fortalece desigualdades, 
especialmente em uma nação em que apenas 11,30% da população geral tem ensino 
superior completo e em que somente 5,65% dos pretos ou pardos conseguiram 
graduar-se em uma universidade”. Ou seja, “a legislação beneficia justamente 
aqueles que já são mais favorecidos socialmente, os quais já obtiveram um privilégio 
inequívoco de acesso a uma universidade”. 
Bacharelismo 
O ministro lembrou o fenômeno do bacharelismo no Brasil, em que a posse de um 
título acadêmico legitimava o exercício da autoridade. A seu ver, ainda persiste, na 
sociedade brasileira, um ranço ideológico desse fenômeno. “A extensão da prisão 
especial a essas pessoas caracteriza verdadeiro privilégio que, em última análise, 
materializa a desigualdade social e o viés seletivo do direito penal e malfere preceito 
fundamental da Constituição que assegura a igualdade entre todos na lei e perante 
a lei”, concluiu. 
 
DA PRISÃO EM FLAGRANTE 
 
O art. 301 prevê que qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão 
prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito. 
 
Há muita polêmica sobre a real natureza jurídica da prisão em flagrante. No entanto, prevalece que 
a prisão em flagrante é uma medida pré-cautelar, porque ela antecede uma deliberação cautelar por parte 
da autoridade judiciária, com base no art. 310 do CPP. Porém, há uma corrente minoritária no sentido de que 
se trata de um ato administrativo. Por fim, há ainda um resquício doutrinário no sentido de que a prisão em 
flagrante seria uma medida cautelar. 
 
As formas de flagrante estão previstas no art. 302 do CPP: 
 
Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem: 
I - está cometendo a infração penal (FLAGRANTE PRÓPRIO) 
II - acaba de cometê-la; (FLAGRANTE PRÓPRIO) 
III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça 
presumir ser autor da infração; (FLAGRANTE IMPRÓPRIO) 
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor 
da infração. (FLAGRANTE FICTO OU PRESUMIDO) 
 
 Em resumo, para que vocês possam visualizar: 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
6 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
FORMAS DE FLAGRANTE 
PRÓPRIO Está cometendo a infração penal ou acaba de cometê-la; 
IMPRÓPRIO 
É perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, 
em situação que faça presumir ser autor da infração; 
O “logo após” deve ser um curto intervalo de tempo suficiente para que os agentes 
de segurança tomem conhecimento da existência do crime e passem a investigar o 
paradeiro do suposto autor da infração. Não há um lapso temporal fixo que 
caracterize esse logo após. Por sua vez, a perseguição deve ser ininterrupta, 
independentemente do tempo que ela dure, conforme artigo 290, §1º, do CPP; 
PRESUMIDO OU 
FICTO 
É encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam 
presumir ser ele autor da infração; 
De acordo com uma parte da doutrina, esse termo “logo depois” é diferente do 
“logo após” previsto para o flagrante impróprio ou imperfeito, sendo mais longo 
que este último. Já uma segunda parte da doutrina entende que é a mesma coisa, 
um curto espaço de tempo; a diferença entre os flagrantes é que, no flagrante 
presumido, não há perseguição; 
PREPARADO 
É ilegal. Enunciado de Súmula 145: Não há crime, quando a preparação do 
flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação. 
Ora, se todas as precauções foram observadas para que o delito não se consumasse, 
então o crime é impossível, pois a obtenção do resultado é absolutamente inviável; 
DIFERIDO 
Não tem previsão no CPP, mas sim na legislação esparsa. É a chamada ação 
controlada, em que os policiais retardam o flagrante para obter mais provas do 
crime. 
Na Lei nº 12.850/13 – Lei de Organização Criminosa, não se exige autorização 
judicial, apenas comunicação PRÉVIA ao juízo competente; 
Na Lei de Drogas, a ação controlada depende de prévia AUTORIZAÇÃO judicial. 
Na Lei de Lavagem de Capitais, o Pacote Anticrime incluiu o cabimento da ação 
controlada, a qual independe de autorização judicial. (HC 512.290/RJ, j. 
18/08/2020). 
 
CAIU NO MPE-PR-2023-Banca Própria: Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa: 
I. Quando um agente policial, de forma insidiosa, provoca o agente à prática de um delito, ao mesmo tempo 
que toma providências para que o crime não se consume, temos o chamado flagrante preparado. 
II. Quando um agente policial tem notícias de que uma infração penal será cometida e passa a monitorar a 
atividade do agente de forma a aguardar o melhor momento para executar a prisão, temos o chamado crime 
de ensaio. 
III. Quando um fato típico não foi praticado pelo suposto infrator, mas foi praticado por um agente policial 
com o objetivo de incriminá-lo falsamente, temos o chamado flagrante urdido. 
IV. Quando um agente policial, de forma insidiosa, fabrica provas de um crime inexistente para incriminar 
falsamente uma pessoa, temos o chamado crime putativo por obra do agente provocador. 
V. Quando um agente é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam 
presumir ser ele autor da infração, temos o chamado flagrante presumido ou imperfeito. 
A) Apenas as assertivas I, III e IV estão incorretas. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
7 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
B) Apenas as assertivas III, IV e V estão corretas. 
C) Apenas as assertivas II, IV e V estão incorretas. 
D) Apenas as assertivas II e IV estão corretas. 
E) Apenas as assertivas I, III e V estão corretas.5 
 
CAIU NO MPE-BA-2023-CESPE: Considera-se em flagrante delito quem: esteja cometendo a infração penal, 
tenha acabado de cometê-la; seja perseguido, logo após a infração, pela autoridade, pelo ofendido ou por 
qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser aquele o autor da infração ou seja encontrado, logo depois 
da infração, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele o autor da infração.6 
 
CAIU NO MPE-SC-2023-CESPE: Admite-se a prisão em flagrante quando, logo após o fato delituoso, o 
ofendido, avistando o autor da infração, persegue-o sem interrupção, embora, depois, o perca de vista. 7CAIU NO MPE-BA-2018-CEFET: A Sra. Mimosa compareceu à Delegacia Especializada no Atendimento à 
Mulher (DEAM) e narrou para a Delegada de Polícia plantonista, Dra. Nativa, que sofre abuso sexual por parte 
de seu genitor, desde a sua adolescência. Embora, atualmente, casada, com 21 anos de idade, continua 
recebendo esporadicamente mensagens do seu pai por meio do aplicativo WhatsApp, ameaçando de publicar, 
nas redes sociais, fotos íntimas da mesma (já que ao longo dos anos da adolescência foi obrigada a posar nua 
enquanto ele a fotografava), pois trata-se de um fotógrafo profissional. 
A autoridade policial propôs à Sra. Mimosa a instalação de um software no seu celular que permite o 
monitoramento da localização da vítima, além de retransmitir, para o celular da delegada de polícia, todo 
conteúdo das mensagens enviadas para o aparelho de celular da indigitada vítima. 
Assim, no dia 1º de dezembro de 2018, o genitor de Mimosa lhe enviou mensagens acompanhadas das fotos 
íntimas, determinando que a sua filha comparecesse ao seu estúdio fotográfico às 18 horas, com pretensão 
de manter com ela relação sexual. 
Ao visualizar as mensagens, Dra. Nativa orientou que a vítima, Sra. Mimosa, atendesse ao convite do seu 
genitor, no horário definido, pois estaria monitorada, e lá deveria agir naturalmente. Assim, a Sra. Mimosa fez. 
Enquanto isso, a Delegada determinou que agentes da Polícia Civil se posicionassem no entorno do imóvel 
onde funcionava o estúdio. 
Ao ouvirem os gritos de socorro da Sra. Mimosa, os agentes policiais arrombaram a porta e encontraram a 
vítima de calcinha e sutiã, com as vestes rasgadas e o agressor totalmente despido. Foi dada voz de prisão. 
Conforme a doutrina, a situação ilustra uma hipótese de 
A) flagrante ficto. 
B) quase flagrante. 
C) flagrante esperado. 
D) flagrante controlado. 
E) flagrante provocado.8 
 
 
5 Gabarito: C. 
6 CERTO. 
7 CERTO. 
8 Gabarito: C. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
8 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
Antes de entrarmos propriamente em detalhes sobre o flagrante, precisamos tratar obrigatoriamente 
sobre a audiência de custódia. 
 
AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA 
 
Com certeza vocês já ouviram falar bastante sobre audiência de custódia, porque de fato vocês como 
Promotores de Justiça farão MUITO. Essa audiência nasce de uma necessidade, oriunda de decisões 
internacionais, do direito de todas as pessoas presas de serem conduzidas (levadas), - sem demora (CNJ e CPP 
adotaram o prazo máximo de 24h, de acordo com a Resolução nº 213 e art. 310 do CPP), - à presença de uma 
autoridade judicial. 
 
Inicialmente, saibam que a audiência de custódia HOJE, após a Lei nº 13.964/2019, tem previsão legal, 
convencional e também em Resolução do CNJ. 
 
Nessa audiência será analisado se os direitos fundamentais da pessoa presa foram respeitados (ex.: se 
não houve tortura), se a prisão em flagrante foi legal ou se deve ser relaxada (art. 310, I, do CPP) e se a prisão 
cautelar (antes do trânsito em julgado) deve ser decretada (art. 310, II) ou se o preso poderá receber a 
liberdade provisória (art. 310, III) ou medida cautelar diversa da prisão (art. 319), como bem assevera Márcio 
Cavalcante.9 
 
OBS.: A Resolução n° 221/2020 do CNMP dispõe sobre a atuação do Ministério Público na audiência de 
custódia, incorpora as providências de investigação referentes ao Protocolo de Istambul, da Organização das 
Nações Unidas (ONU) e dá outras provdidêncisa. É interessante vocês, futuras e futuros Promotores de Justiça 
conhecerem. https://www.cnmp.mp.br/portal/images/Resolucoes/Resoluo-n-221.pdf 
 
Vale observar que não cabe discussão de culpa ou dilação probatória na audiência de custódia. Não 
é possível a adoção de abreviamentos procedimentais, haja vista que o Juízo apenas verificará, de forma 
imediata, a forma da prisão, a garantia dos direitos e necessidade ou não da manutenção da prisão daquela 
pessoa. 
 
A audiência de custódia deve ser realizada também em caso de cumprimento de mandado de 
prisão preventiva ou apenas após prisão em flagrante? 
 
O STJ decidiu no AgRg no RHC 140.995 que a audiência de custódia só deve ser realizada para presos 
em flagrante, tratando-se da única hipótese prevista. Com isso, o STJ negou a realização do ato em prisão 
decorrente de mandado. No entanto, na Reclamação 29.303, o STF determinou a realização das audiências 
de custódia em todas as modalidades prisionais, inclusive temporárias, preventivas e definitivas. Não bastasse 
isso, a CADH, no art. 7.5, impõe a realização de audiência de custódia para toda pessoa presa, e não apenas 
para os presos em flagrante. Ainda, a decisão do STJ ignorava a Resolução 213/2015 do CNJ, que determina 
 
9 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A falta da audiência de custódia enseja nulidade da prisão preventiva? O preso deverá ser 
colocado em liberdade? Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/05ae14d7ae387b93370d142d82220f1b. Acesso em: 
03/02/2021. 
https://www.cnmp.mp.br/portal/images/Resolucoes/Resoluo-n-221.pdf
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/05ae14d7ae387b93370d142d82220f1b
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
9 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
a realização de audiência de custódia para as prisões decorrentes de mandado de prisão, com as alterações 
trazidas pela Resolução 562/2024: 
 
Art. 13. A audiência de custódia também se realizará, no prazo previsto no art. 1º, 
em relação às pessoas presas em decorrência de cumprimento de mandado de 
prisão cautelar ou definitiva, ou de alimentos, aplicando-se, no que couber, os 
procedimentos previstos nesta Resolução. (redação dada pela Resolução n. 562, de 
3.6.2024) 
 Na Resolução 562/2024 do CNJ sobre o Juiz das Garantias, foi estabelecido que a comunicação da 
prisão em flagrante à autoridade judicial, que se dará por meio do encaminhamento do auto de prisão em 
flagrante, e a verificação formal de sua regularidade, não suprem a realização da audiência de custódia 
presencial. 
 
No entanto, excepcionalmente, segundo a Resolução, a audiência de custódia poderá ser realizada por 
meio de videoconferência, que será justificada pela autoridade judiciária competente em cada caso concreto, 
com registro na respectiva ata, em caso de: 
§ 9º (...) 
I – calamidade pública ou crise sanitária; e 
II – manifesta impossibilidade de apresentação presencial da pessoa presa, dentro 
do prazo legal para a realização da audiência de custódia. 
§ 10 Na hipótese do parágrafo anterior, a participação da pessoa custodiada 
ocorrerá, preferencialmente, em unidade judiciária, em sala equipada para a 
audiência por videoconferência, com adequada conexão de internet. 
§ 11 A realização da audiência de custódia por videoconferência pressupõe a adoção 
dos meios necessários para garantir a incolumidade física e psicológica do 
custodiado, com a ausência da equipe policial responsável por sua prisão ou pela 
investigação, devendo ser adotadas as seguintes medidas, dentre outras: 
I – garantia do direito de entrevista prévia e reservada entre o preso e a defesa 
técnica, tanto presencialmente quanto por videoconferência, telefone ou qualquer 
outro meio de comunicação; 
II – realização de exame de corpo de delito presencialmente, com a juntada do laudo 
aos autos antes da realização da audiência para análise da autoridade judicial, a fim 
de averiguar a integridade física do custodiado; 
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
10 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
III – garantia de privacidade à pessoa custodiada na sala em que se realizar a 
videoconferência, devendo permanecer sozinha durante a realização de sua oitiva, 
ressalvada a presença da defesa técnica, conforme inciso VI; 
IV – utilização concomitante de mais de uma câmara ou de câmera 360 graus no 
recinto em que se encontrar o preso no momento da realização de assentada, de 
modo a permitir a visualização integral do espaço; 
V – existência de câmera externa à qual o juiz das garantias tenha acesso, com o 
objetivo de monitorar a entrada e a saída do preso na sala em que será realizada a 
audiência por videoconferência; e 
VI – direito à presença do advogado, advogada, defensor ou defensora na sala em 
que se encontrar a pessoa custodiada. 
Nos termos da jurisprudência do STJ, a audiência de custódia deve ser realizada na localidade em que 
ocorreu a prisão. Contudo, há peculiaridades que não podem ser ignoradas, notadamente em razão da 
celeridade que deve ser empregada em casos de análise da legalidade da prisão em flagrante. No caso, como 
o investigado já foi conduzido à Comarca do Juízo que determinou a busca e apreensão, há aparente conexão 
probatória com outros casos e prevenção daquele Juízo, de forma que não se mostra razoável determinar o 
retorno do investigado para análise do auto de prisão em flagrante, notadamente em razão da celeridade que 
deve ser empregada em casos de análise da legalidade da custódia. 
 
“Não se mostra razoável, para a realização da audiência de custódia, determinar o 
retorno de investigado à localidade em que ocorreu a prisão quando este já tenha 
sido transferido para a comarca em que se realizou a busca e apreensão. CC 
182.728-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, Terceira Seção, por unanimidade, julgado em 
13/10/2021, DJe 19/10/2021. 
 
CAIU NO MPE-MS-2022-AOCP: Não se mostra razoável, para a realização da audiência de custódia, 
determinar o retorno de investigado à localidade em que ocorreu a prisão quando este já tenha sido 
transferido para a comarca em que se realizou a busca e apreensão.10 
 
CAIU NO MPE-PR-2019-Banca Própria: Se o autor do fato criminoso, sendo perseguido, passar ao território 
de outro município ou comarca, o executor da prisão em flagrante poderá efetuar-lhe a prisão no lugar onde 
o alcançar, apresentando-o imediatamente à autoridade local, que, depois de lavrado, se for o caso, o auto de 
flagrante, providenciará para a remoção do preso.11 
 
 
 
 
10 CERTO. 
11 CERTO. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
11 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA NO PLANO INTERNACIONAL 
 
Pois bem. Antes de vermos alguns detalhes sobre a audiência de custódia no Pacote Anticrime, é de 
absoluta importância que estudemos a audiência de custódia de suas nuances no plano internacional. 
 
A CADH prevê, em seu art. 7.5, que “Toda pessoa presa, detida ou retida deve ser conduzida, sem 
demora, à presença de um juiz ou outra autoridade autorizada por lei a exercer funções judiciais (...)” 
 
Trata-se, sem dúvidas, da previsão convencional da audiência de custódia. Nesse ponto, é importante 
dizer que no Caso Velásquez Rodriguez vs Honduras, a Corte IDH considerou que a prisão ou a detenção de 
uma pessoa sem a sua condução, sem demora, à presença de uma autoridade judicial, consiste em privação 
arbitrária de liberdade e dificulta os meios adequados para se controlar a legalidade da prisão (Caio Paiva e 
Thimotie Aragon, 2020, p. 60/61). 
 
A audiência de custódia se aplica não apenas ao processo penal, como já estamos acostumados a ler, 
mas também quando da apreensão (e não prisão) de adolescentes quando de práticas infracionais. Nesse 
sentido a doutrina: 
 
(...) Com muito mais razão, a audiência de custódia deve ser aplicada na apreensão 
de adolescentes infratores ou em conflito com a lei, quando a sua realização deverá 
ocorrer em prazo ainda mais rápido. Assim, os artigos 171 e 175 do ECA devem 
passar por um controle de convencionalidade, extraindo-se deles uma interpretação 
que possibilite a máxima efetividade dos direitos humanos”.12 
 
Além disso, no “Caso Acosta Calderón vs Equador”, a Corte IDH entendeu que o simples conhecimento 
por parte de um juiz de que uma pessoa está detida, não satisfaz a garantia do art. 7.5 da Convenção 
Americana de Direitos Humanos (audiência de custódia), já que o detido deve comparecer pessoalmente e 
apresentar sua declaração ante o juiz ou autoridade competente. Neste Caso submetido à apreciação da 
Corte, o senhor Acosta Calderón foi apresentado a um “agente fiscal do Ministério Público”, entendendo a 
Corte IDH que não restou observado o art. 7.5 da CADH, tendo em vista que este agente fiscal não tinha 
poderes de autoridades judiciárias. 
 
Um ponto curioso enfrentado pela Corte IDH, no “Caso Chaparro Álvarez e Lapo Inniguez vs Equador” 
foi o seguinte: se no local e no exato momento da prisão houver um magistrado, mesmo assim há necessidade 
de haver uma audiência de custódia? A resposta é positiva. Nesse sentido traz Caio Paiva e Thimotie Aragon: 
 
“A Corte IDH enfrentou um tema inusitado sobre audiência de custódia no 
julgamento do “Caso Chaparro Álvarez e Lapo Inniguez vs Equador”, pois o Estado 
alegrou que cumpriu o art. 7.5 da CADH, e isso porque a juíza da causa esteve 
presente no momento das detenções, e exerceu um controle judicial direto. A Corte 
 
12 PAIVA, Caio. HEEMANN, Thimotie Aragon. Jurisprudência Internacional de Direitos Humanos. 3. ed. Belo Horizonte. Editora CEI, 
2020, p. 80. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
12 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
IDH não acolheu esse argumento e afirmou que “ainda que a presença da juíza possa 
ser qualificada como uma garantia adicional, não é suficiente por si só para satisfazer 
a exigência do art. 75 de “ser levado” ante um juiz. A autoridade judicial deve ouvir 
pessoalmente o detido e valorar todas as explicações que este lhe proporcione para 
decidir se procede a liberação ou a manutenção da privação da liberdade”. (...)”13 
 
 Para fins de aprofundamento, é muito interessante sabermos o conceito de “GUANTANAMIZAÇÃO 
DO PROCESSO PENAL”, expressão trazida pelo Juiz da Corte IDH García Ramíres no Caso Tibi vs Equador14, 
expressão utilizada: 
 
(...) “para designar um movimento de autoritarismo e de arbitrariedade que propõe 
a derrogação ou a suspensão de direitos e garantias no marco da luta contra crimes 
graves. Nas palavras de García Ramíres, “A persistência de antigas formas de 
criminalidade, a aparição de novas expressões de delinquência, o assédio do crime 
organizado, a extraordinária virulência de certos delitos de suma gravidade – assim, 
o terrorismo e o narcotráfico – têm determinado uma sorte de “exasperação ou 
desesperação” que é a má conselheira: sugere abandonar os progressos e retornar a 
sistemas ou medidas que já mostraram suas enormes deficiências éticas e práticas. 
Numa de suas versões extremas, este abandono tem gerado o fenômeno como a 
“guantanamização” do processo penal, ultimamente questionada pela 
jurisprudência da própria Suprema Corte de Justiça dos Estados Unidos”.15 
 
Não é demais reforçar que foi no “Caso Jailton Neri vs Brasil” que a Comissão Interamericana de 
DireitosHumanos (e não a Corte IDH) responsabilizou o Brasil pela primeira vez por violação ao direito à 
audiência de custódia. 
 
“A Comissão conclui que Jailton Neri da Fonseca foi privado de sua liberdade de 
forma ilegal, sem que houvesse existido causa alguma para sua detenção nem 
alguma situação de flagrante. Não foi levado sem demora ante um juiz. Não teve 
direito a recorrer a um Tribunal competente (...)” 
 
 Por fim, no Pacto Internacional de Direitos Civil e Políticos da ONU, há uma previsão muito importante 
no art. 9.3 sobre o que conhecemos hoje como “audiência de custódia”, vejam: 
 
3. Qualquer pessoa presa ou encarcerada em virtude de infração penal deverá ser 
conduzida, sem demora, à presença do juiz ou de outra autoridade habilitada por 
lei a exercer funções judiciais e terá o direito de ser julgada em prazo razoável ou 
de ser posta em liberdade. A prisão preventiva de pessoas que aguardam 
julgamento não deverá constituir a regra geral, mas a soltura poderá estar 
 
13 PAIVA, Caio. HEEMANN, Thimotie Aragon. Jurisprudência Internacional de Direitos Humanos. 3. ed. Belo Horizonte. Editora CEI, 
2020, p. 197. 
14 Sentença do Caso disponível em: http://www.corteidh.or.cr/docs/casos/articulos/seriec_114_esp.pdf. Acesso em: 03/02/2021. 
15 PAIVA, Caio. HEEMANN, Thimotie Aragon. Op. cit., 2020, p. 134/135. 
http://www.corteidh.or.cr/docs/casos/articulos/seriec_114_esp.pdf
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
13 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
condicionada a garantias que assegurem o comparecimento da pessoa em questão 
à audiência, a todos os atos do processo e, se necessário for, para a execução da 
sentença. 
 Sobre o tema, e aprofundando ainda mais, saibam que o Comitê da ONU editou o Comentário Geral 
nº 35/2014 sobre o tema “Liberdade e segurança pessoais”, em que afirma que a audiência de custódia se 
aplica no contexto de processos penais ordinários, dos processos penais militares e em outros regimes 
especiais nos quais seja possível impor sanções penais. 
 
AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA NO PACOTE ANTICRIME 
 
Com a Lei nº 13.964/2019, o art. 287 do CPP foi alterado a fim de incluir expressamente a audiência 
de custódia em alguns dispositivos16: 
 
COMO ERA O ART. 287 COMO FICOU O ART. 287 
Art. 287. Se a infração for inafiançável, a falta de 
exibição do mandado não obstará à prisão, e o 
preso, em tal caso, será imediatamente 
apresentado ao juiz que tiver expedido o 
mandado. 
Art. 287. Se a infração for inafiançável, a falta de 
exibição do mandado não obstará a prisão, e o 
preso, em tal caso, será imediatamente 
apresentado ao juiz que tiver expedido o mandado, 
para a realização de audiência de custódia. 
 
CAIU NO MPE-AM-2023-CESPE: Em quaisquer circunstâncias, a falta de exibição do mandado obsta a prisão 
cautelar.17 
 
O legislador trouxe outros detalhes sobre a audiência de custódia, alterando substancialmente o art. 
310 do CPP: 
 
COMO ERA COMO FICOU 
Art. 310. Ao receber o auto de prisão em 
flagrante, o juiz deverá fundamentadamente: 
I - relaxar a prisão ilegal; ou 
II - converter a prisão em flagrante em 
preventiva, quando presentes os requisitos 
constantes do art. 312 deste Código, e se 
revelarem inadequadas ou insuficientes as 
medidas cautelares diversas da prisão; ou 
III - conceder liberdade provisória, com ou sem 
fiança. 
Parágrafo único. Se o juiz verificar, pelo auto de 
prisão em flagrante, que o agente praticou o fato 
Art. 310. Após receber o auto de prisão em flagrante, no 
prazo máximo de até 24 (vinte e quatro)18 horas após a 
realização da prisão, o juiz deverá promover audiência 
de custódia com a presença do acusado, seu advogado 
constituído ou membro da Defensoria Pública e o 
membro do Ministério Público, e, nessa audiência, o juiz 
deverá, fundamentadamente: 
I - relaxar a prisão ilegal; ou 
II - converter a prisão em flagrante em preventiva, 
quando presentes os requisitos constantes do art. 312 
deste Código, e se revelarem inadequadas ou 
 
16 A audiência de custódia tinha previsão apenas na Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH) e no Pacto Internacional de 
Direitos Civis e Políticos, além da Resolução nº 213/2015 do CNJ. 
17 ERRADO. 
18 Foi positivado o prazo previsto na Resolução 213 do CNJ. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
14 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
nas condições constantes dos incisos I a III do 
caput do art. 23 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de 
dezembro de 1940 - Código Penal, poderá, 
fundamentadamente, conceder ao acusado 
liberdade provisória, mediante termo de 
comparecimento a todos os atos processuais, 
sob pena de revogação. 
insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão; 
ou 
III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. 
§ 1º Se o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, 
que o agente praticou o fato em qualquer das condições 
constantes dos incisos I, II ou III do caput do art. 23 do 
Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código 
Penal), poderá, fundamentadamente, conceder ao 
acusado liberdade provisória, mediante termo de 
comparecimento obrigatório a todos os atos 
processuais, sob pena de revogação. 
§ 2º Se o juiz verificar que o agente é reincidente ou 
que integra organização criminosa armada ou milícia, 
ou que porta arma de fogo de uso restrito, deverá 
denegar a liberdade provisória, com ou sem medidas 
cautelares. 
§ 3º A autoridade que deu causa, sem motivação 
idônea, à não realização da audiência de custódia no 
prazo estabelecido no caput deste artigo responderá 
administrativa, civil e penalmente pela omissão. 
§ 4º Transcorridas 24 (vinte e quatro) horas após o 
decurso do prazo estabelecido no caput deste artigo, a 
não realização de audiência de custódia sem 
motivação idônea ensejará também a ilegalidade da 
prisão, a ser relaxada pela autoridade competente, sem 
prejuízo da possibilidade de imediata decretação de 
prisão preventiva.19 
 
O Ministro Fux, na ADI 6299 MC / DF, suspendeu a eficácia do artigo 310, §4º, Código de Processo 
Penal (ilegalidade da prisão pela não realização da audiência de custódia no prazo de 24 horas), sob os 
seguintes argumentos: 
 
(a1) A ilegalidade da prisão como consequência jurídica para a não realização da 
audiência de custódia no prazo de 24 horas fere a razoabilidade, uma vez que 
desconsidera dificuldades práticas locais de várias regiões do país, bem como 
dificuldades logísticas decorrentes de operações policiais de considerável porte. A 
categoria aberta “motivação idônea”, que excepciona a ilegalidade da prisão, é 
demasiadamente abstrata e não fornece baliza interpretativa segura para aplicação 
do dispositivo; 
 
 
19 Cuidado, pois, como veremos, o STF suspendeu a eficácia do art. 310, § 4º, cuja redação havia sido dada pelo Pacote Anticrime. 
A decisão foi do Ministro Fux na ADI 6299 MC/DF. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848.htm#art23i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848.htm#art23i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848.htm#art23i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art23i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art23i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art23i
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
15 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.(a2) Medida cautelar concedida, para suspensão da eficácia do artigo 310, §4º, do 
Código de Processo Penal (Inconstitucionalidade material). 
 
Depois de mais de 02 anos com a redação de vários dispositivos suspensos pelo STF, em 24 de agosto 
de 2023, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Rosa Weber, finalmente proclamou o 
resultado do julgamento das quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade que questionavam algumas das 
alterações no Código de Processo Penal (CPP) pelo Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019). 
 
O Tribunal, por maioria, nos termos do voto do relator julgou parcialmente procedente as ações 
diretas de inconstitucionalidade e fixou, entre outras teses, as seguintes: 
 
(...) Por unanimidade, atribuir interpretação conforme ao caput do art. 310 do 
CPP, alterado pela Lei nº 13.964/2019, para assentar que o juiz, em caso de urgência 
e se o meio se revelar idôneo, poderá realizar a audiência de custódia por 
videoconferência; 
 
(...) Por unanimidade, atribuir interpretação conforme ao § 4º do art. 310 do CPP, 
incluído pela Lei nº 13.964/2019, para assentar que a autoridade judiciária deverá 
avaliar se estão presentes os requisitos para a prorrogação excepcional do prazo ou 
para sua realização por videoconferência, sem prejuízo da possibilidade de 
imediata decretação de prisão preventiva; 
 
CAIU NO MPE-SC-2021-CESPE: A não realização de audiência de custódia acarreta, por si só, a nulidade da 
conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva pelo juiz.20 
 
 
Dando continuidade, vamos conversar sobre alguns aspectos importantes previstos na Resolução 213 
editada pelo CNJ. 
 
Inicialmente, ela prevê que toda pessoa presa em flagrante delito, independentemente da motivação 
ou natureza do ato, seja obrigatoriamente apresentada, em até 24 horas da comunicação do flagrante, à 
autoridade judicial competente, e ouvida sobre as circunstâncias em que se realizou sua prisão ou apreensão. 
 
Art. 1º Determinar que toda pessoa presa em flagrante delito, independentemente 
da motivação ou natureza do ato, seja obrigatoriamente apresentada, em até 24 
(vinte e quatro) horas da prisão em flagrante, à autoridade judicial competente, para 
realização de audiência de custódia, pública e oral, para o controle da legalidade da 
prisão. (redação dada pela Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
 Vale aduzir, também, que o Supremo Tribunal Federal, por relatoria do Ministro Marco Aurélio, deferiu 
liminar para determinar que o Tribunal de Justiça de Goiás observe o prazo máximo de 24 horas, contado a 
 
20 ERRADO. 
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
16 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
partir do momento da prisão, para promover audiências de custódia, inclusive nos fins de semana, feriados 
ou recesso forense.21 
 
Beleza. 
 
Mas quem se considera “autoridade” para fins da Resolução? 
 
§ 2º Entende-se por autoridade judicial competente o juiz das garantias, observado 
o disposto nas leis de organização judiciária locais ou, salvo omissão, definida por 
ato normativo do Tribunal de Justiça, Tribunal de Justiça Militar, Tribunal Regional 
Federal, Tribunal Regional Eleitoral ou do Superior Tribunal Militar que instituir as 
audiências de apresentação, incluído o juiz plantonista. (redação dada pela 
Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
O art. 8º da Resolução é bem importante: 
 
Art. 8º A audiência de custódia será realizada com o escopo de garantir os direitos 
fundamentais da pessoa presa, na sua presença, de seu advogado ou advogada 
constituída ou membro da Defensoria Pública e do Ministério Público, na qual o juiz 
deverá: (redação dada pela Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
I – certificar-se de que a pessoa presa se encontra calçada e adequadamente vestida, 
considerando a temperatura e clima locais, conforme Manual de Proteção Social na 
Audiência de Custódia, se necessário determinando à autoridade competente o 
fornecimento de vestuário e calçado compatíveis; (redação dada pela Resolução n. 
562, de 3.6.2024) 
II – certificar-se, com apoio da equipe especializada em proteção social (Serviço de 
Atendimento à Pessoa Custodiada), se a pessoa custodiada apresenta indícios de 
transtorno mental ou qualquer forma de deficiência psicossocial, adotando os 
procedimentos previstos na Resolução CNJ nº 487/2023 quando identificados estes 
indícios ou situações de crise em saúde mental; (redação dada pela Resolução n. 
562, de 3.6.2024) 
III – consultar se a pessoa presa é migrante, se é indígena, se é fluente na língua 
portuguesa ou se deseja ser tratada por nome social, de acordo com sua identidade 
de gênero; (redação dada pela Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
IV – esclarecer as razões pelas quais a pessoa está sendo investigada e sobre o 
objetivo da audiência de custódia, ressaltando as questões que serão analisadas, em 
linguagem acessível; (redação dada pela Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
 
21 Reclamação 25.891 
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/4960
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
17 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
V – assegurar que a pessoa presa não esteja algemada, salvo em casos de resistência 
e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, 
devendo a excepcionalidade ser justificada por escrito e, nesse caso, serão 
observados os princípios da legalidade, necessidade e proporcionalidade, em 
especial sobre o tipo e a técnica de aplicação do instrumento de 
contenção; (redação dada pela Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
VI – dar ciência sobre seu direito de permanecer em silêncio; (redação dada pela 
Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
VII – entrevistar a pessoa presa, formulando questões sobre: (redação dada pela 
Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
a) se lhe foi dada ciência e efetiva oportunidade de exercício dos direitos 
constitucionais inerentes à sua condição, particularmente o direito de consultar-se 
com advogado, advogada, defensor ou defensora pública, o de ser atendido por 
médico e o de comunicar-se com seus familiares; (redação dada pela Resolução n. 
562, de 3.6.2024) 
b) se lhe foi fornecida água potável e alimentação no período de espera entre a 
prisão e a audiência; (redação dada pela Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
c) a qualificação da pessoa presa, incluindo nome, nacionalidade, idade, 
autodeclaração de gênero e raça/cor e outras informações pertinentes, como 
gravidez, existência de filhos ou dependentes sob os seus cuidados, histórico de 
saúde, incluídos os transtornos mentais e medicamentos de uso contínuo, utilização 
excessiva de álcool e drogas, situação de moradia, trabalho e estudo, a fim de 
analisar o cabimento da concessão da liberdade provisória, com ou sem medida 
cautelar, assim como encaminhamento assistencial voluntário. (redação dada pela 
Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
d) as circunstâncias da abordagem policial, prisão ou apreensão, a fim de verificar 
sua legalidade e a subsunção a alguma das hipóteses de flagrante delito 
estabelecidas no art. 302, do Código de Processo Penal; (redação dada pela 
Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
e) o tratamento recebido em todos os locaispor onde passou antes da apresentação 
à audiência, questionando sobre eventual tortura e maus tratos, para a adoção das 
providências cabíveis; (redação dada pela Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
f) a realização de exame de corpo de delito, determinando-a em caso de ausência 
ou insuficiência dos registros, se tiver ocorrido na presença de agente policial, bem 
como quando a alegação de tortura e maus tratos se referir a momento posterior 
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
18 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
ao exame efetuado, observando-se a Resolução CNJ nº 414/2021, quanto à 
formulação de quesitos ao perito; (redação dada pela Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
VIII – adotar as providências a seu cargo para sanar as irregularidades; (redação dada 
pela Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
IX – após a oitiva da pessoa presa, o juiz deferirá ao Ministério Público e à defesa 
técnica, nesta ordem, perguntas compatíveis com a natureza do ato, sem relação 
com o mérito da causa, permitindo-lhes, em seguida, requerer: (redação dada pela 
Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
a) o relaxamento da prisão em flagrante; (redação dada pela Resolução n. 562, de 
3.6.2024) 
b) o arquivamento do inquérito policial, se for o caso, sendo vedada a apreciação da 
matéria por juiz ou juíza plantonista; (redação dada pela Resolução n. 562, de 
3.6.2024) 
c) a concessão da liberdade provisória com ou sem aplicação de medida cautelar 
diversa da prisão, prevista no art. 319 do Código de Processo Penal; (redação dada 
pela Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
d) a decretação de prisão preventiva; (redação dada pela Resolução n. 562, de 
3.6.2024) 
e) a adoção de outras medidas necessárias à preservação de direitos da pessoa 
presa, incluindo encaminhamentos voluntários às políticas de proteção social; 
e (redação dada pela Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
f) a adoção de medidas de proteção ou de assistência à vítima, podendo encaminhá-
la ao Núcleo de Atendimento de Assistência Social do juízo, se houver. (redação dada 
pela Resolução n. 562, de 3.6.2024) 
A Resolução também aduz que a audiência de custódia será realizada na presença do Ministério 
Público22 e da Defensoria Pública, caso a pessoa detida não possua defensor constituído no momento da 
lavratura do flagrante. 
 
IMPORTANTE: É vedada a presença dos agentes policiais responsáveis pela prisão ou pela investigação 
durante a audiência de custódia. Isso porque, como um dos objetivos da audiência é verificar se o preso teve 
seus direitos violados, a presença dos policiais provavelmente faria com que o preso se sentisse constrangido 
em seu depoimento (efeito psicológico pela simples presença dos policiais, ainda que estes nada dissessem 
ou nada fizessem). Lembram da sobrevitimização (ou revitimização)? 
 
22 A Resolução 221/2020-CNMP dispõe sobre a atuação do membro do Ministério Público nas audiências de custódia. 
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5601
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
19 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
ATENÇÃO: tenham em mente de uma forma muito clara que a audiência de custódia NÃO SERVE para 
produção de provas e/ou coleta de indícios; em suma, não se presta a discutir o mérito do caso. Portanto, a 
competência do juiz que preside esse ato é bem restrita e essas limitações devem ser observadas sob pena de 
nulidade. 
 
CAIU NO MPE-RS-2023-Banca Própria: Os agentes policiais podem efetuar prisão fora da competência 
territorial do juiz que expediu o mandado, mesmo que este não esteja registrado no Conselho Nacional de 
Justiça.23 
 
Dando continuidade, após a oitiva da pessoa presa em flagrante delito, o juiz deferirá ao Ministério 
Público e à defesa técnica, nesta ordem, reperguntas compatíveis com a natureza do ato, devendo indeferir 
as perguntas relativas ao mérito dos fatos que possam constituir eventual imputação, permitindo-lhes, 
em seguida, requerer: I - o relaxamento da prisão em flagrante; II - a concessão da liberdade provisória sem 
ou com aplicação de medida cautelar diversa da prisão; III - a decretação de prisão preventiva; IV - a adoção 
de outras medidas necessárias à preservação de direitos da pessoa presa. 
 
No tocante à ata da audiência, esta conterá apenas e resumidamente, a deliberação fundamentada 
do magistrado quanto à legalidade e manutenção da prisão, cabimento de liberdade provisória sem ou com a 
imposição de medidas cautelares diversas da prisão, considerando-se o pedido de cada parte, como também 
as providências tomadas, em caso da constatação de indícios de tortura e maus tratos. 
 
Proferida a decisão que resultar no relaxamento da prisão em flagrante, na concessão da liberdade 
provisória sem ou com a imposição de medida cautelar alternativa à prisão, ou quando determinado o 
imediato arquivamento do inquérito, a pessoa presa em flagrante delito será prontamente colocada em 
liberdade, mediante a expedição de alvará de soltura, e será informada sobre seus direitos e obrigações, salvo 
se por outro motivo tenha que continuar presa. 
 
Importante mencionar que segundo a nova redação dada pela Resolução nº 254, de 4.9.2018, a 
autoridade policial será cientificada e se a vítima de violência doméstica e familiar contra a mulher não 
estiver presente na audiência, deverá, antes da expedição do alvará de soltura, ser notificada da decisão, 
sem prejuízo da intimação do seu advogado ou do seu defensor público. 
 
IMPORTANTE: A aplicação da medida cautelar diversa da prisão prevista no art. 319, inciso IX (monitoração 
eletrônica), do Código de Processo Penal, será excepcional e determinada apenas quando demonstrada a 
impossibilidade de concessão da liberdade provisória sem cautelar ou de aplicação de outra medida 
cautelar menos gravosa, sujeitando-se à reavaliação periódica quanto à necessidade e adequação de sua 
manutenção, sendo destinada exclusivamente a pessoas presas em flagrante delito por crimes dolosos 
puníveis com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos ou condenadas por outro 
crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 64 do 
Código Penal, bem como pessoas em cumprimento de medidas protetivas de urgência acusadas por23 CERTO. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
20 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
crimes que envolvam violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo 
ou pessoa com deficiência, quando não couber outra medida menos gravosa. 
 
CAIU NO MPE-GO-2024-FGV: Maria, após ser agredida e ameaçada por João, companheiro de longa data, 
conseguiu fugir, logrando êxito em localizar, nas proximidades, uma viatura da Polícia Militar, ocasião em que 
narrou o ocorrido. 
Em assim sendo, os policiais militares se dirigiram ao domicílio do casal e prenderam o agente em flagrante, 
encaminhando-o à Delegacia de Polícia especializada. Na sequência, João foi direcionado ao sistema prisional 
para a realização da audiência de custódia. 
Nesse cenário, considerando as disposições da Resolução nº 213/2015 do Conselho Nacional de Justiça sobre 
a audiência de custódia, assinale a afirmativa correta. 
A) Proferida a decisão que resultar no relaxamento da prisão em flagrante, na concessão da liberdade 
provisória sem ou com a imposição de medida cautelar alternativa à prisão, ou quando determinado o 
imediato arquivamento do inquérito, a autoridade policial será cientificada e, se a vítima de violência 
doméstica e familiar contra a mulher não estiver presente na audiência, deverá, em até vinte e quatro horas, 
contadas da expedição do alvará de soltura, ser notificada da decisão, sem prejuízo da intimação do seu 
advogado ou do seu defensor público. 
B) A ata da audiência conterá, apenas e resumidamente, a deliberação fundamentada do magistrado quanto 
à legalidade e à manutenção da prisão, cabimento de liberdade provisória sem ou com a imposição de medidas 
cautelares diversas da prisão, considerando-se o pedido de cada parte, como também, em caso da constatação 
de indícios de tortura e maus tratos, a expedição de ofício, com cópia dos autos, ao órgão ao qual estão 
vinculados os agentes públicos executores da prisão. 
C) Proferida a decisão que resultar no relaxamento da prisão em flagrante, na concessão da liberdade 
provisória sem ou com a imposição de medida cautelar alternativa à prisão, ou quando determinado o 
imediato arquivamento do inquérito, a pessoa presa em flagrante delito será colocada em liberdade em até 
vinte e quatro horas, mediante a expedição de alvará de soltura, e será informada sobre seus direitos e 
obrigações, salvo se, por outro motivo, tenha que continuar presa. 
D) Concluída a audiência de custódia, cópia da sua ata será entregue à pessoa presa em flagrante delito, ao 
Defensor e ao Ministério Público, tomando-se a ciência de todos, e apenas o auto de prisão em flagrante, com 
antecedentes e cópia da ata, seguirá para livre distribuição. 
E) A oitiva do preso será registrada, preferencialmente, em mídia, como também haverá a formalização de 
termo de manifestação de pessoa presa ou do conteúdo das postulações das partes, ficando arquivada na 
unidade responsável pela audiência de custódia.24 
 
 Avançando, imagine agora que não houve audiência de custódia e, apesar dos esforços defensivos, a 
prisão do acusado não foi relaxada pelo Tribunal e pelo STJ. Finalmente, o caso chegou à apreciação do STF, 
mas já havia sido realizada até mesmo audiência de instrução. Diante disso, questiona-se: A superveniência 
da realização da audiência de instrução e julgamento não torna superada a alegação de ausência de 
audiência de custódia? 
 
 
24 Gabarito: D. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
21 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
 Esse tema é polêmico. O STF já se debruçou sobre caso semelhante e, na ocasião, prevaleceu o 
entendimento de que: A superveniência da realização da audiência de instrução e julgamento não torna 
superada a alegação de ausência de audiência de custódia. Isso porque as audiências de custódia e de 
instrução e julgamento ostentam finalidades sistêmicas completamente diferentes. Mesmo que a prisão do 
acusado fosse debatida em audiência de instrução, o tema seria analisado de forma incidental, ao passo que, 
na audiência de custódia, a análise da prisão é o cerne. Além disso, aceitar a tese de que a audiência de 
instrução torna superada a ausência de audiência de custódia enfraquece este instituto e pode transmitir a 
mensagem de que sua realização é dispensável (STF, HC 202579 AgR/ES e HC 202700 AgR/SP). 
 
CAIU NO MPE-MS-2018-Banca Própria: A superveniência do decreto de prisão preventiva a embasar a 
custódia cautelar não é suficiente para superar a ausência de realização da audiência de custódia, causando 
constrangimento ilegal à manutenção da prisão.25 
 
Também é importante saber que o STF, no julgamento do HC 157306, julgado em 25/09/2018, 
reconheceu que a decisão na audiência de custódia que determina o relaxamento da prisão em flagrante sob 
o argumento de que a conduta praticada é atípica não faz coisa julgada:26 
 
(...) 6. In casu, o juízo plantonista apontou a atipicidade da conduta em sede de 
audiência de apresentação, tendo o Tribunal de origem assentado que “a 
pretensa atipicidade foi apenas utilizada como fundamento opinativo para o 
relaxamento da prisão da paciente e de seus comparsas, uma vez que o MM. Juiz 
de Direito que presidiu a audiência de custódia sequer possuía competência 
jurisdicional para determinar o arquivamento dos autos. Por se tratar de mero 
juízo de garantia, deveria ter se limitado à regularidade da prisão e mais nada, 
porquanto absolutamente incompetente para o mérito da causa. Em função 
disso, toda e qualquer consideração feita a tal respeito – mérito da infração penal 
em tese cometida – não produz os efeitos da coisa julgada, mesmo porque de 
sentença sequer se trata”. 7. O trancamento da ação penal por meio de habeas 
corpus é medida excepcional, somente admissível quando transparecer dos autos, 
de forma inequívoca, a inocência do acusado, a atipicidade da conduta ou a extinção 
da punibilidade. (...) (HC 157306, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado 
em 25/09/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-043 DIVULG 28-02-2019 PUBLIC 01-
03-2019). 
 
O STF já decidiu que a audiência de custódia (ou de apresentação) constitui direito público subjetivo, 
de caráter fundamental, assegurado por convenções internacionais de direitos humanos a que o Estado 
brasileiro aderiu, já incorporadas ao direito positivo interno (Convenção Americana de Direitos Humanos 
e Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos). Traduz prerrogativa não suprimível assegurada a 
qualquer pessoa. Sua imprescindibilidade tem o beneplácito do magistério jurisprudencial (ADPF 347 MC) e 
 
25 ERRADO. 
26 Justamente pelo fato de que a audiência de custódia não possui como objetivo a produção de elementos materiais em relação ao 
crime. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
22 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
do ordenamento positivo doméstico (Lei nº 13.964/2019 e Resolução 213/2015 do CNJ). STF. HC 188888/MG, 
Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 6/10/2020 (Info 994). 
 
No entanto, após o estudo da audiência de custódia, voltemos a tratar sobre a situação de flagrante, 
que estávamos comentando lá em cima. 
 
Doutrinariamente, o flagrante é dividido em etapas. Há a prisão-captura; prisão-documentação e 
prisão-cárcere. TODOS os crimes podem ensejar a prisão em flagrante na fase da captura,inclusive aqueles 
delitos de menor potencial ofensivo. A diferença é que, nestes últimos, a fase da documentação se encerrará 
com a elaboração do termo circunstanciado e, aceitando os termos, não haverá a fase do cárcere. 
 
Continuemos. 
 
Segundo o art. 303 do CPP, nas infrações permanentes27, entende-se o agente em flagrante delito 
enquanto não cessar a permanência. 
 
E quanto aos crimes habituais? Há entendimento que não cabe prisão em flagrante de crime habitual, 
pois não cabe tentativa, já que para sua configuração deve existir uma série reiterada de atos. Se o agente é 
surpreendido praticando apenas 1 ato, será um indiferente penal. Entretanto, outra corrente admite sim, 
desde que no momento da prisão haja prova segura da habitualidade28. 
 
Além disso, apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o condutor e colherá, desde 
logo, sua assinatura, entregando a este cópia do termo e recibo de entrega do preso. Em seguida, 
procederá à oitiva das testemunhas que o acompanharem e ao interrogatório do acusado sobre a imputação 
que lhe é feita, colhendo, após cada oitiva suas respectivas assinaturas, lavrando, a autoridade, afinal, o auto. 
 
Anote-se que a falta de testemunhas da infração não impedirá o auto de prisão em flagrante; mas, 
nesse caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos duas pessoas que hajam testemunhado a 
apresentação do preso à autoridade. Além disso, quando o acusado se recusar a assinar, não souber ou 
não puder fazê-lo, o auto de prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas, que tenham ouvido sua 
leitura na presença deste. 
 
CAIU NO MPE-PE-2022-FCC: Quando o acusado se recusar a assinar, não souber ou não puder fazê-lo, o auto 
de prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas, que Ihe tenham ouvido a leitura na presença do 
acusado, do condutor e das testemunhas.29 
 
ALERTA: uma importante inovação incluída pela Lei nº 13.257/2016 (Estatuto da Primeira Infância) foi a de 
que pela lavratura do auto de prisão em flagrante deverá constar a informação sobre a existência de filhos, 
 
27 Infração permanente é aquela cujo momento consumativo se prolonga no tempo de acordo com a vontade do agente. 
28 HABEAS CORPTJS. PREVENTIVA. Para subsistência do flagrante, em crime habitual, exige- se comprovação da habitualidade na 
lavratura do auto. Delito do art. 229 CP. Palavra da ré-paciente, confirmatória do funcionamento regular da boate, havendo ratificação 
testemunhal. Instrução regular, em obediência aos prazos legais. Habeas denegado. (Habeas Corpus Nº 70002358299, Oitava Câmara 
Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Tupinambá Pinto de Azevedo, Julgado em 25/04/2001). 
29 ERRADO. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
23 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos 
cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa. Essa informação obrigatoriamente deverá constar no APF, 
pois a tutela de direito nesse caso é, primordialmente, a dos filhos, que podem ver-se desassistidos dada 
a prisão da pessoa responsável por eles. 
 
Informação também valiosa é a prevista no art. 306, em que a prisão de qualquer pessoa e o local onde 
se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e à família do preso 
ou à pessoa por ele indicada. O § 1º prevê que em até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, 
será encaminhado ao juiz competente o auto de prisão em flagrante e, caso o autuado não informe o nome 
de seu advogado, cópia integral para a Defensoria Pública. No mesmo prazo, será entregue ao preso, mediante 
recibo, a nota de culpa, assinada pela autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condutor e os das 
testemunhas. 
 
Em resumo: 
 
COMUNICAÇÃO DA PRISÃO ENCAMINHAMENTO DO APF NOTA DE CULPA 
A prisão de qualquer pessoa e o 
local onde se encontre serão 
comunicados imediatamente 
ao juiz competente, ao 
Ministério Público e à família do 
preso ou à pessoa por ele 
indicada. 
Em até 24 (vinte e quatro) horas após a 
realização da prisão, será encaminhado 
ao juiz competente o auto de prisão 
em flagrante e, caso o autuado não 
informe o nome de seu advogado, cópia 
integral para a Defensoria Pública. 
Em até 24h será entregue ao 
preso, mediante recibo, a 
nota de culpa, assinada pela 
autoridade, com o motivo da 
prisão, o nome do condutor e 
os das testemunhas. 
 
O que deve fazer o magistrado, ao receber o auto de prisão em flagrante que acabamos de ver? 
 
Ele terá 3 opções, segundo o art. 310 do CPP: 
 
Primeiro, relaxar a prisão, se esta tiver sido ilegal (com tortura, violação a algum direito fundamental 
etc.). 
 
 Segundo, converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos constantes 
do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da 
prisão; ou30. 
 
 A decisão que decreta a prisão preventiva pode ser proferida apenas de forma oral em audiência 
de custódia? Não, o STJ entendeu que a decretação da prisão preventiva apenas de forma oral na audiência 
de custódia é ilegal. Essa decisão viola o artigo 5º, LXI, CF, que exige que a ordem de prisão seja escrita e 
 
30 Esse dispositivo deve ser relido com cautela. Isso porque com a nova sistemática prevista na Lei nº 13.964/2019, qualquer prisão, 
seja durante a investigação, seja durante a ação penal, dependerá de pedido de órgão/pessoas/instituições a que a lei processual 
atribui a referida função, como o MP, a vítima e seus sucessores, assistente de acusação e autoridade policial. Assim, em um primeiro 
momento, nos parece que a decretação da preventiva depende de pedido expresso do MP. Caso contrário, haverá nítida violação ao 
sistema acusatório. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
24 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
fundamentada. Não bastasse isso, o art. 283 do CPP estabelece que ninguém pode ser preso senão por ordem 
escrita e fundamentada (HC 748.034/SP). 
 
Terceiro, conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. 
 
 
 
Recorde-se, mais uma vez, da nova redação dada ao art. 310 do CPP: 
 
Art. 310. Após receber o auto de prisão em flagrante, no prazo máximo de até 24 
(vinte e quatro)31 horas após a realização da prisão, o juiz deverá promover 
audiência de custódia com a presença do acusado, seu advogado constituído ou 
membro da Defensoria Pública e o membro do Ministério Público, e, nessa 
audiência, o juiz deverá, fundamentadamente: 
 
I - relaxar a prisão ilegal; ou 
 
II - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos 
constantes do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes 
as medidas cautelares diversas da prisão; ou 
 
III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. 
 
Pessoal, CUIDADO: relaxamento de prisão é para quando esta for ILEGAL; já a concessão de liberdade 
provisória é para os casos em que a pessoa possa responder ao processo em liberdade. Nessa esteira, a 
liberdade será plena, quando não for imposta nenhuma medida cautelar ou então será uma liberdade 
limitada, dada a necessidade de cumprimento da cautelar diversa da prisão. 
 
Ainda: tenham em mente que a prisão em flagrante será convertida em prisão preventiva quando não 
for possível a efetividade de medidas cautelares. Trata-se, portanto, de última ratio – haja vista a importância 
do bem jurídico da liberdade. 
 
 
31 Mais uma vez lembro que este prazobi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
No entanto, gente, para a decretação da prisão preventiva são necessários, além desses requisitos do 
312, os requisitos do 313 do CPP. 
 
Vejam que o art. 313 afirma que “nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da 
prisão preventiva”: 
 
 I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos; 
II - se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o 
disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal; 
III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo 
ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência; 
 
CAIU NO MPE-AC-2022-CESPE: Em nenhuma hipótese é permitida prisão preventiva caso a pena máxima do 
crime seja inferior ou igual a 4 anos.51 
 
Com o “Pacote Anticrime”, o art. 313 ganhou um § 2º, cuja redação aduz que não será admitida a 
decretação da prisão preventiva com a finalidade de antecipação de cumprimento de pena ou como 
decorrência imediata de investigação criminal ou da apresentação ou recebimento de denúncia, o que 
reforça o caráter cautelar da prisão preventiva (e nunca de “prisão-pena”). 
 
CAIU NO MPE-AC-2022-CESPE: A prisão preventiva poderá ser decretada com a finalidade de antecipação do 
cumprimento da pena.52 
 
Permita-me lembrá-los que também será admitida a prisão preventiva, segundo o CPP, quando houver 
dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-
la, devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese 
recomendar a manutenção da medida. 
 
Essa é a única hipótese de cabimento de prisão preventiva admissível tanto para crimes dolosos como 
crimes culposos. Nessa hipótese, a prisão preventiva tem um marco temporal definido, porque ela só poderá 
durar até o momento em que se realizar a identificação civil ou criminal do preso. Portanto, uma vez 
identificada a pessoa, deverá haver a soltura do preso. 
 
CAIU NO MPE-AC-2022-CESPE: Caberá prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da 
pessoa.53 
 
O art. 314 também é claro ao pontuar que a prisão preventiva em nenhum caso será decretada se o 
juiz verificar pelas provas constantes dos autos ter o agente praticado o fato nas condições previstas nos casos 
de excludentes de ilicitude. Essa proibição tem uma natureza lógica, pois se ausente o elemento “ilicitude” 
na conduta, a rigor, não há nem ao menos crime na situação concreta. 
 
51 ERRADO. 
52 ERRADO. 
53 CERTO. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
43 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
SE LIGA NA JURIS: Não cabe a decretação de prisão preventiva amparada apenas na ausência de localização 
do réu, sem a demonstração de outros elementos que justifiquem a necessidade da segregação cautelar. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 170.036-MG, Rel. Min. João Batista Moreira (Desembargador convocado do TRF 
da 1ª Região), julgado em 21/11/2023 (Info 16 – Edição Extraordinária). 
 
Por fim, o juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no correr do processo, verificar a falta de motivo 
para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. 
 
CAIU NO MPDFT-2021-Banca Própria: Em se tratando das prisões cautelares, assinale a opção CORRETA: 
A) Não se pode justificar a prisão preventiva para a garantia de ordem pública com fundamento em atos 
infracionais. 
B) O juiz pode declarar de ofício a prisão preventiva durante a ação penal, desde que estejam presentes os 
pressupostos e requisitos da decretação da medida. 
C) Não cabe a decretação de prisão preventiva quando da prática de contravenção penal no âmbito da 
violência doméstica. 
D) O juiz que decretou a prisão preventiva bem como todos os demais tribunais por onde o feito estiver em 
curso precisam revisar, a cada 90 dias, a necessidade de sua manutenção, mediante decisão fundamentada 
de ofício, sob pena de tornar a prisão ilegal. 
E) A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça unificou o entendimento de que o Juiz pode converter a 
prisão em flagrante em prisão preventiva de ofício, não havendo a obrigatoriedade do requerimento do 
Ministério Público ou da representação da autoridade policial.54 
 
LAWFARE NO PROCESSO PENAL 
 
Tema recente e pode ser cobrado em provas do MP. O termo "lawfare" é uma junção das palavras 
"law" (lei) e "warfare" (guerra) e refere-se ao uso do sistema legal e processos judiciais como uma forma de 
“guerra política” ou estratégia para atingir objetivos políticos, muitas vezes às custas da justiça e do devido 
processo legal. Embora o conceito não tenha sido criado para o processo penal, atualmente a expressão 
lawfare tem sido utilizada nesta seara quando utilizam-se do direito penal e do processo penal como uma 
ferramenta para perseguir opositores/inimigos. Isso pode envolver acusações criminais infundadas, abuso do 
processo legal, manipulação de evidências e interferência indevida no sistema de justiça. 
 
Vejamos o que diz a doutrina: 
 
“O termo Lawfare deita raiz no Direito Internacional. Surge com mais força no 
contexto da Guerra ao Terror americana, em que conceito jurídico como o de 
combatente ilegal será manipulado para fins de legitimação dos ataques preventivos 
americanos ao Afeganistão e ao Iraque. Hodiernamente, em temos jurídicos, tem 
sido utilizado como sinônimo de utilização do Direito Penal e do Direito Processual 
Penal como instrumentos de perseguição a determinado inimigo, individual ou 
 
54 Gabarito: C. 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
44 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
coletivo, declarado ou não. Não deixa de ser, de certo modo, manifestação do 
famigerado Direito Penal do Inimigo. 
 
Nesse sentido, colacionamos artigo (Geraldo Carreiro de Barros Filho; Athena de 
Albuquerque Farias; Gislene Farias de Oliveira) que resume o tema: 
 
“O termo Lawfare foi popularizado nos Estados Unidos pelo Major General da Força 
Aérea Americana, Charles Dunlap em 2001, engendrando desde então uma difusão 
indeterminada do seu significado. O termo “lawfare” não tem definição fixa, mas 
passou a ser entendido de forma geral como: “O uso indevido da lei como substituto 
dos meios militares tradicionais para alcançar objetivos militares”. Lawfare está 
preocupado com a instrumentalização ou politização da lei para alcançar um efeito 
tático, operacional ou estratégico. No âmbito propriamente político e das leis, é uma 
expressão que faz referência ao fenômeno do uso abusivo e superficial do direito, 
nacional ou internacional, como forma de se atingirem objetivos militares, 
econômicos e políticos, eliminando, deslegitimando ou incapacitando um inimigo. 
Lawfare pode ser concebido como o termo que define o uso do Direito para 
deslegitimar ou incapacitar um inimigo. Tendo então suas características ou táticas 
já reconhecidas pela comunidade jurídica internacional, quais sejam: a) A 
manipulação do sistema legal. b) Dar aparência de legalidade para perseguições 
políticas. c) A utilização de processos judiciais sem qualquer mérito, sem conteúdo, 
com acusações frívolas. d) Abuso do direito para danificar e para deslegitimar um 
adversário. e) Promoção de ação judicial para descredibilizar o oponente. f) 
Tentativa de influenciara opinião pública. g) Utilização da lei para obter publicidade 
negativa ou opressiva. h) Judicialização da política: a lei como instrumento para 
conectar meios e fins políticos. i) A promoção da desilusão popular. j) A crítica 
àqueles que usam o direito internacional e os processos judiciais para fazer 
reinvindicações contra o Estado. k) A utilização do direito como forma de 
constranger e punir o adversário. l) Acusação das ações dos inimigos como imorais 
e ilegais, com o fim de frustrar objetivos contrários. 
 
A palavra Lawfare é a junção das palavras americanas law, que significa lei, e warfare, 
que significa conflito armado, guerra. Lawfare então faz referência ao uso da lei 
como arma de guerra. Assim, convidando ao exercício hermenêutico, diz ser o abuso 
das leis e dos sistemas próprios do Ordenamento jurídico com intuitos bélicos ou 
políticos. Quais sejam tais esforços de entendimentos exemplificados nos processos 
legais com violações intimidadoras, frustrantes dos empenhos dos oponentes; 
trazendo à seara jurídica um novo adjetivo: campo de batalha legal. O site 
lawfareproject.org se refere aos fins políticos do Lawfare de forma aversiva: Lawfare 
significa o uso da lei como uma arma de guerra. Denota o abuso das leis ocidentais 
e sistemas judiciais para conseguir fins militares estratégicos ou políticos. Lawfare é 
inerentemente negativa. Não é uma coisa boa. É o oposto da busca de justiça. É a 
apresentação de processos judiciais frívolos e mau uso de processos legais para 
EXTENSIVO MPE 
 
 
 
 
 
 
45 
RUMO AO MP 
PROCESSO PENAL 
Atualizado em 01/01/25 
 
M
at
er
ia
l p
ro
du
zid
o 
pe
lo
 G
ru
po
 E
du
ca
ci
on
al
 R
DP
 I 
Pr
oi
bi
da
 a
 c
irc
ul
aç
ão
 n
ão
 a
ut
or
iza
da
, s
ob
 p
en
a 
de
 v
io
la
çã
o 
de
 d
ire
ito
s 
au
to
ra
is.
 
intimidar e frustrar adversários no teatro de guerra. Lawfare é o novo campo de 
batalha legal (THE LAWFARE PROJECT, 2016). Ainda no sentido de arma de guerra, 
Susan Tiefenbrun (2010)1 define o fenômeno como sendo: “uma arma projetada 
para destruir o inimigo através do uso, mau uso e abuso do sistema legal e dos meios 
de comunicação, para levantar o clamor público contra aquele inimigo”. Como 
ressalta Dunlap Jr. (2001), preceptor do termo, são violações legais reais, percebidas 
ou até mesmo orquestradas e empregadas como um meio de confronto não usual.” 
55 
 
É isso, pessoal. Até a parte 02. Bom descanso. 
 
55 Disponível em: https://www.emagis.com.br/area-gratuita/polemico/lawfare-e-processo-penal/. 
https://www.emagis.com.br/area-gratuita/polemico/lawfare-e-processo-penal/

Mais conteúdos dessa disciplina