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Processo de Número: 0000000000000000000 Larissa Souza, 27 anos, engenheira, Brasileira, Residente no bairro da Guanabara, Rua Magalhães Nº 534, CEP: 67067-301, vem, respeitosamente, perante a Vossa Excelência, representada por seu patrono, ajuizar AÇÃO INDENIZATÓRIA POR DANOS MORAIS CAUSADOS POR VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E ABUSO PSICOLÓGICO. EXCELENTÍSSIMO SR. DR. JUÍZ DE DIREITO 3º VARA CÍVEL DA COMARCA DE ANANINDEUA Em face de HOSPITAL SAÚDE DO BEM, sociedade empresária, inscrita no CNPJ n.º xx.xxx.xxx/0001-xx, com sede no Bairro Coqueiro, Cidade Nova 5 nº 127, Ananindeua/PA, e o faz pelas razões de fato e de direito a seguir aduzidas: https://www.jusbrasil.com.br/processos/290504031/peca-peticao-inicial-acao-indenizacao-por-dano-moral-contra-hospital-santa-julia-1157621277 https://www.jusbrasil.com.br/processos/290504031/peca-peticao-inicial-acao-indenizacao-por-dano-moral-contra-hospital-santa-julia-1157621277 https://www.jusbrasil.com.br/processos/290504031/peca-peticao-inicial-acao-indenizacao-por-dano-moral-contra-hospital-santa-julia-1157621277 https://www.jusbrasil.com.br/processos/290504031/peca-peticao-inicial-acao-indenizacao-por-dano-moral-contra-hospital-santa-julia-1157621277 Larissa, mulher grávida, 27 anos, assistida pelo plano de saúde do HOSPITAL SAÚDE DO BEM, da qual a contratante a menos de 90 dias incorreu em trabalho de parto em sua 36º semana gestacional. Contudo, até então a mesma furtou-se a realizar Pré-Natal e o acompanhamento de seu período gestacional. Entretanto, no primeiro mês da contratação do plano de saúde, consultou-se junto ao medico obstetra, momento no qual relatou sua intenção em dar a luz de parto normal (humanizado) Após 1 hora, em razão da demora e preocupada com o seu filho, utilizou palavras de baixo calão em face da equipe médica que a assistia no local, os quais agiram com impaciência e ,reciprocamente, usaram palavras de baixo calão. Na visão de Larissa, a HUMILHARAM. Larissa, por sua vez, ratificou que sua opção seria por PARTO NORMAL. Contudo, mesmo após esse registro, Larissa sofreu com a MANOBRA DE KRISTELLER (aplicação de pressão na região superior do útero com objetivo de facilitar a saída do bebê) Em razão do trabalho de parto, ocorrendo muitas contrações, procurou a Urgência e Emergência do Hospital, no qual foi recebida e direcionada para o setor de triagem, sendo assistida pelo medico de plantão ( NÃO OBSTETRA). O parto não evoluiu e o médico optou por realizar o parto por meio da cesariana. Nota-se que, no procedimento, o médico usou ocitocina a pedido da paciente. O parto durou mais de 10 horas e, após o procedimento cirúrgico da cesariana, o feto veio a ÓBITO. Processo de Número: 0000000000000000000 DOS FATOS 01 02 03 04 05 06 07 DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DADOS Processo de Número: 0000000000000000000 -ABUSO PSICOLÓGICO -DANOS MORAIS -NEGLIGÊNCIA MÉDICA Lei 14.132/2021 inseriu no Código Penal Brasileiro o artigo 147-B,que traz a figura do crime de violência psicológica contra a mulher. O Conselho Federal de Medicina define como erro médico a conduta, com negligência, imprudência ou imperícia, praticada pelo médico, que gera um dano ao paciente, de ordem moral e/ou física. Art.927. Aquele que, por ato ilícito (arts.186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. OMS recomenda que os índices estejam entre 10 a 15% como medida de segurança. PARTOS NORMAIS 44% CESARIANAS 56% PARTOS NORMAIS 12% CESARIANAS 88% SISTEMA PÚBLICOSISTEMA PARTICULAR BRASIL É O CAMPEÃO MUNDIAL DE CIRURGIAS CESARIANAS FONTE: DADOS DO MIN. DA SAÚDE DE 2013 A 2016 DOS PEDIDOS Processo de Número: 000000000000000000 0 RELATO: RESPONSABILIDADE CIVIL – DANO MORAL - VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA. Direito ao parto humanizado é direito fundamental. Direito da apelada à assistência digna e respeitosa durante o parto que não foi observado. As mulheres tem pleno direito à proteção no parto e de não serem vítimas de nenhuma forma de violência ou discriminação. Privação do direito à acompanhante durante todo o período de trabalho de parto. Ofensas verbais. Contato com filho negado após o nascimento deste. Abalo psicológico in re ipsa. Recomendação da OMS de prevenção e eliminação de abusos, desrespeito e maus-tratos durante o parto em instituições de saúde. Prova testemunhal consistente e uniforme acerca do tratamento desumano suportado pela parturiente. Cada parturiente deve ter respeitada a sua situação, não cabendo a generalização pretendida pelo hospital réu, que, inclusive, teria que estar preparado para enfrentar situações como a ocorrida no caso dos autos. Paciente que ficou doze horas em trabalho de parto, para só então ser encaminhada a procedimento cesáreo. Apelada que teve ignorada a proporção e dimensão de suas dores. O parto não é um momento de "dor necessária". Dano moral mantido. Quantum bem fixado, em razão da dimensão do dano e das consequências advindas. Sentença mantida. Apelo improvido. (TJ-SP XXXXX20158260082 SP XXXXX-07.2015.8.26.0082, Relator: Fábio Podestá, Data de Julgamento: 11/10/2017, 5ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 11/10/2017) . Tipos de violência obstétrica: • Xingamentos, humilhações, comentários constrangedores em razão da cor, da raça, da etnia, da religião, da orientação sexual, da idade, da classe social, do número de filhos etc; • Manobra de Kristeller, desaconselhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS - Recomendação 40 de 2018) em virtude da dor e danos psicológicos causados na parturiente e risco de danos físicos ao feto; • Não permitir que a mulher escolha sua posição de parto, obrigando-a a parir deitada com a barriga para cima e pernas levantadas; • Negar anestesia, inclusive no parto normal; • Cirurgia cesariana desnecessária e sem informar à mulher sobre seus riscos. Que sejam condenados ao pagamento indenizatório de caráter pedagógico punitivo pela VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA, ABUSO PSICOLÓGICO E DANO MORAL sofrido pela parte autora, no montante de R$ 100.000,00 (cem mil reais) , conforme a Constituição Federal e o Código Civil; Que sejam condenados ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios na importância de 20% (vinte por cento) do valor da causa/ condenação. DIANTE O EXPOSTO, REQUER: Que a presente Ação seja recebida, processada e julgada procedente em favor da requerente e que, ao final, os requeridos sejam julgados e condenados; Com total provimento da ação ordinária, ao Hospital Saúde do Bem , disponibilizar 20 (vinte) consultas com psicólogo (na importância de 300 reais por consulta). Nesses termos, respeitosamente, pede e aguarda Deferimento. Ananindeua/PA, 13 de Novembro de 2023.