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Profa. Dra. Camile de Barros Lopes NEOPLASIAS BENIGNAS E DISTÚRBIOS POTENCIALMENTE MALIGNOS • Número constante de células no organismo • Morte = proliferação Homeostase Apoptose Crescimento Proliferação E quando houver desequilíbrio? Doenças degenerativas Câncer Classificação do Câncer • - - - De acordo com os tecidos e os tipos celulares que derivam: Carcinomas: Derivados de células epiteliais; São os tipos mais frequente (80% dos cânceres) Sarcomas: Derivados de tecido conjuntivo ou Leucemias e linfomas: Derivadas de células Melanomas: Derivados de melanócitos - musculares; hematopoiética O que define que uma célula é cancerosa? Controle do ciclo celular e Câncer • • • As células cancerosas não obedecem às restrições que asseguram que as células sobrevivam e proliferam apenas quando necessário. Alterações nos genes que controlam o crescimento e a divisão celular. Neoplasia: Multiplicação anormal de células de um tecido. • Tumor benigno Duas propriedades: células. Tumor maligno (Câncer) • • Reproduzem desobedecendo aos limites da divisão celular; ✓ Invadem e colonizam regiões normalmente destinadas a outras ✓ Biologia do Câncer • •Tumor benigno: Uma célula anormal cresce e prolifera de forma descontrolada. As células neoplásicas não se tornam invasivas; Tumor maligno (Câncer): Células anormais adquirem a capacidade de invadir outros tecidos; Metástases; Mais difícil de inradicar. ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ Remoção cirúrgica do tumor. Tumor benigno vsTumor maligno Tumor benigno vsTumor maligno Fatores genéticos Fatores epigenéticos Fatores ambientais Câncer CÂNCER Caracteriza-se como uma doença genética e epigenéticas desencadeada por alterações em genes específicos do controle celular, associados aos fatores ambientais, que resultam um fenótipo proliferativo em um emaranhado de células heterogêneas. O mau funcionamento do ciclo celular são resultados de eventos mutacionais somáticos acumulativos, revelados por alterações moleculares, bioquímicas e traços celulares que conferem capacidades adquiridas e vantagens proliferativas. A divisão de uma célula com mais frequência do que o normal dá origem a uma população de células em proliferação descontrolada e forma uma massa de células ou tumor. CÂNCER Tecido normal; Tecido displásico (alteração morfológica) Tecido metaplásico (substituição celular); Carcinoma in situ (localizado); Câncer invasivo (membrana basal). Esporádico 90-95% Hereditário – 5-10% Tipos de câncer Mutação somática= câncer esporádico Mutação germinativa = Câncer hereditário MITOSE MEIOSE Cel somáticas Cel germinativas Câncer esporádico Câncer hereditário MUTAÇÃO Tipos de câncer Esporádico Hereditário •Mais frequente •Surgimento tardio •Heterogeneidade genética •Agressão crônica •Doença única •Menos frequente •Surgimento precoce •Poucas alterações genéticas e muito significante •Múltiplas doenças Tipos de câncer Hereditário Esporádico Etapas da carcinogênese CARCINÓGENO Químico Físico Biológico Células iniciadas Alterações nos genes da célula. Morfologia celular normal Lesão pré-neoplásica novas mutações Expansão clonal Transformação Celular apoptose evolui involui Invasibilidade Heterogeneidade celular / microambiente • Perda de E-caderinas: Tumor maligno -Metástases • EMT (Transição epitélio-mesenquimal): Mudança do fenótipo epitelial para mesenquimal . Tumor maligno -Metástases Câncer: Acúmulo de mutações Carcinógenos - fatores ambientais • Químico • Físico • Biológico E qual a contribuição da genética? 1. Genes supressores tumorais; 2. Oncogenes; 3. Reparo do DNA. Fatores genéticos Fatores epigenéticos 1. Modificação das Histonas - Metilação -Acetilação 2. Imprinting genômico 3. MicroRNAs Supressores tumorais • Genes que retardam a divisão celular para reparar erros do DNA ou indicam quando as células devem morrer (apoptose). • Os genes supressores tumorais suprimem a formação de tumores controlando o crescimento celular. • A principal função dos supressores tumorais é prevenir a formação do tumor. • Algumas proteínas já foram identificadas e atuam como repressoras da divisão celular e são codificadas pelos genes supressores tumorais. • As mutações de perda de função resultam na inativação do supressor tumoral e levam a proliferação celular descontrolada. • Ex.: Rb, p53, BRCA1, BRCA2, etc. Proto-oncogenes • Proteínas que favorecem/permitem o ciclo celular • Codificam proteínas reguladoras essenciais para a proliferação celular normal. • Controlam o crescimento e a diferenciação celular. • Quando sofre mutações ou existe muitas cópias do mesmo originam os oncogenes. • Ex.: CDKs e Ciclinas, MYC, RAS Oncogene (acelerador) X Supressor tumoral (break) • O processo de malignização de uma célula normal tem origem na ativação de oncogenes e/ou na inativação de genes supressores de tumor; • As proteínas que induzem a proliferação celular são codificadas por proto-oncogenes. Tais genes só são expressos em certos momentos do desenvolvimento do indivíduo, mas podem sofrer mutações que os tornam ativos; nesse caso passam a ser oncogenes; • Esses proto-oncogenes podem se transformar em oncogenes por uma mutação na seqüência do DNA, pela transferência (translocação) do gene para outro local do genoma ou amplificação do gene. • A maioria dos oncogenes atua em mutação de ganho de função que levam a desregulação do controle do ciclo celular. Essas mutações são somáticas e levam a cânceres esporádicos. Reparo do DNA • Mutações podem afetar as vias de regulação do crescimento e diferenciação celular; • Susceptibilidade a quebras cromossômicas induzidas por raios X, luz ultravioleta e certos agentes químicos. • Nos genes de reparo do DNA os defeitos herdados levam uma alta freqüência de mutações somáticas, que ao afetarem as vias que regulam a proliferação celular, ocasionando o surgimento do tumor. NEOPLASIAS BENIGNAS TUMORES BENIGNOS • As células do tumor são iguais ao tecido de origem - ocorre apenas mitose das células. • Pode ou não ter componente inflamatório. Quanto ao tecido de origem: • Origem epitelial: papiloma • Origem conjuntiva: fibroma • Origem de tecido conjuntivo especializado - hemangioma (vasos sanguineos) - linfangioma (vasos linfáticos) - Lipoma (tecido adiposo) - Osteoma(tecido ósseo) • Origem muscular - Rabdomioma (músculo estriado) - Leiomioma (músculo liso) – Mais frequente em mucosa jugal, gengiva, palato, lábio e língua. Características clínicas: •Crescimento exofítico* , pediculado , superfície com projeções digitiformes ou verrucóides , com intensa queratinização de superfície(podendo apresentar áreas esbranquiçadas). Papiloma * Padrão de crescimento de um tumor ou ferimento que se projeta para fora da superfície do tecido Diagnóstico diferencial: •Verruga vulgar (ocorre na pele e é causada pelo vírus HPV) •Condiloma acuminado(verruga sexualmente transmissível pelo vírus HPV) Tratamento: •Cirúrgico com remoção total Papiloma Histopatológico: o Observa-se o epitélio de revestimento formando projeções digitiformes que são sustentadas por um delicado estroma fibroso, com vasos. o A natureza pediculada da lesão poderá ser visualizada. o Apresenta hiperqueratinização proeminente Papiloma – Mais frequente em mucosa jugal , língua , mucosa alveolar e lábio. Características clínicas: • Crescimento focal bem circunscrito de tecido conjuntivo fibroso semelhante à mucosa , podendo apresentar-se mais claro devido a menor quantidade de vasos; • Consistente à palpação; • Pode ser séssil ou pediculado Fibroma Tratamento: •Cirúrgico com remoção total e margem de segurança. – Constituído por células adiposas maduras com variável quantidade de fibras colágenas e vasos; - Mais frequente em língua , lábio e mucosajugal. Características clínicas: •Consistência gelatinosa •Epitélio de revestimento íntegro e liso •Mucosa de revestimento normal e coloração amarelada •Em solução formol a 10% eles não afundam. Lipoma Tratamento: •Cirúrgico com rara recidiva Histopatológico: o Composta por adipócitos maduros que pouco se diferenciam microscopicamente do tecido adiposo normal circunjacente; o Usualmente, a neoplasia é bem circunscrita e pode apresentar uma fina cápsula fibrosa; Lipoma – Proliferação de vasos sanguíneos, mais comuns em recém nascidos e na infância. Pode ser: •Hamartoma- a lesão tende a regredir ou mesmo desaparecer; •Neoplasia verdadeira- a lesão têm um novo surto de crescimento e não regride. •Mais frequente em língua , mucosa jugal, lábio e intra ósseo. Hemangioma Características clínicas: •Coloração azulada; •Vitroscopia positiva. Tratamento: • Laser, crioterapia, cirúrgico •Em toda lesão intra óssea devemos fazer uma punção antes da intervenção para sabermos se trata-se de um hemangioma intra ósseo. Hemangioma – Apresenta grandes nódulos profundos, pois ocorre uma proliferação dos vasos linfáticos; - Mais frequente em língua (macroglossia) , lábio (macroqueilia) e linfonodos da região. Características clínicas: •Aspecto de vesícula •Sensação de creptação à palpação Tratamento: •Cirúrgico. Linfangioma Histopatológico: o Demonstra espaços vasculares dilatados, de tamanhos variados, revestidos por células endoteliais achatadas, contendo material proteináceo no seu interior. o Os vasos parecem dissecar a lâmina própria superficial que dá sustentabilidade ao epitélio de revestimento, levando a sua atrofia. Linfangioma DISTÚRBIOS POTENCIALMENTE MALIGNOS Queilite actínica Alterações de mucosa brancas ➢ Em decorrência da ação dos raios solares; ➢Possibilidade de transformação maligna (12% a 20%) em carcinoma; ➢Observa-se mais em homens, acima dos 40 anos de idade, leucodérmicos; ➢Manifesta-se na semimucosa labial inferior, devido à exposição crônica que esta área sofre pela incidência direta da radiação ultravioleta UVA e UVB; Queilite actínica Alterações de mucosa brancas ➢ Lesões brancas hiperqueratóticas, com descamação, fissuras, erosões e ulcerações. Queilite actínica Alterações de mucosa brancas ➢Diagnóstico: por aspectos clínicos, citologia esfoliativa e biopsia incisional ou excisional, conforme o caso. ➢Diagnóstico diferencial: engloba outros tipos de queilites (esfoliativa, glandular, apostematosa, granulomatosa), líquen plano e lúpus eritematoso crônico discoide. ➢Tratamento: quimioterapia local, cirurgia cruenta – vermelhectomia; e mais atualmente com laser de CO2 com melhor prognóstico, eletrocautério e criocirurgia; ➢Prevenção: protetores solares, chapéus de abas largas, cremes e batons fotoprotetores. Queilite actínica Alterações de mucosa brancas Histopatológico: hiperqueratose; displasia e atipia epitelial; acantose e camada basal plana, atrofia epitelial; infiltrado inflamatório e vasodilatação. Elastose solar: áreas basofílicas amorfas no tecido conjuntivo, onde as fibras colágenas perdem a suas características usuais. Queilite actínica Leucoplasia Alterações de mucosa brancas Leucoplasia é uma lesão branca que não pode ser removida por simples raspagem e que clínica e histologicamente não se assemelha a nenhuma outra lesão. OMS Se após eliminarmos todos os fatores irritativos crônicos locais a lesão regredir, passamos a denomina-la de queratose irritativa. Nos casos em que a lesão permanece mesmo após eliminarmos todos os fatores de risco, ou recidivar após sua remoção, ou não regredir após instituição da terapêutica ou, ainda, se não encontrarmos justificativa para sua presença (idiopática), ficamos, então, com o diagnóstico de leucoplasia como lesão com potencial de transformação maligna. Estomatologicamente Leucoplasia Alterações de mucosa brancas ➢ Cerca de 4 a 6% sofrerão transformação maligna para carcinoma epidermoide, sem tempo previsto para que isso ocorra; ➢Acomete mais o homem, na proporção 9:1; ➢ Acima dos 40 anos; ➢ Localizando-se principalmente em semimucosa labial, inferior, língua, assoalho, comissura labial e palato duro. Leucoplasia Alterações de mucosa brancas ➢ A leucoplasia ocorre principalmente em fumantes adultos, sendo classificada como homogênea e não homogênea. Enquanto a primeira apresenta placas uniformemente brancas, planas e finas (Figuras 1 e 2), na variante não homogênea observam-se áreas eritematosas, salpicadas, nodulares ou verrucosas (Figura 3). A leucoplasia verrucosa proliferativa é um subtipo caracterizado pela presença de lesões múltiplas, resistentes ao tratamento e com elevado índice de transformação maligna. Essa transformação maligna nesse subtipo ocorre principalmente na gengiva. Leucoplasia Alterações de mucosa brancas ➢ Aspectos clínicos: maculosa, queratótica e verrucosa; Homogênea ou pontilhada. Leucoplasia Alterações de mucosa brancas ➢ Aspectos clínicos: maculosa, queratótica e verrucosa; Homogênea ou pontilhada. Leucoplasia Alterações de mucosa brancas ➢ Aspectos clínicos: maculosa, queratótica e verrucosa; Homogênea ou pontilhada. Eritroleucoplasia. Lesão mista, branca e vermelha, de margem lateral de língua. A biópsia revelou presença de um carcinoma in situ. Leucoplasia Alterações de mucosa brancas ➢Diagnóstico: biopsia incisional precedida da citologia esfoliativa; - Teste de azul de toluidina; ➢ Diagnóstico diferencial: líquen plano, candidíase pseudomembranosa aguda e lúpus eritematoso crônico discoide. Leucoplasia Alterações de mucosa brancas ➢Tratamento: Histopatológico: atipia celular (leve, moderada ou intensa) - remoção total da lesão. - Terapêutica: excisão cirúrgica cruenta, eletrocautério ou criocirurgia; Laser de CO2 cirúrgico; - Tratamento com vitamina A (queratolítico); - Infecção pela C.albicans – antifúngico. ➢ Acompanhar o paciente a cada 3 ou 6 meses por toda a vida. Histopatológico: o Hiperqueratose o Acantose o Atrofia epitelial o Variável infiltrado inflamatório crônico é observado no tecido conjuntivo subjacente. Leucoplasia Câncer oral Introdução • Carcinoma de Células Escamosas Oral, carcinoma Epidermóide e Carcinoma Espinocelular Oral; • Tipo mais comum de câncer bucal (90–95% dos casos); • Origina-se do epitélio escamoso estratificado; • Diagnóstico precoce é determinante para o prognóstico. Carcinoma Espinocelular Oral Etiologia • Neoplasia maligna de origem epitelial • Alterações genéticas em queratinócitos expostos a carcinógenos • Mutações nos genes p53 e RAS • Progressão: hiperplasia → displasia → carcinoma in situ → invasivo Fatores de Risco • Tabagismo e etilismo (efeito sinérgico) • HPV 16 e 18 • Exposição solar (lábio inferior) • Má higiene bucal, trauma crônico, próteses mal adaptadas • Fatores genéticos e imunossupressão Localizações Mais Comuns • Margem lateral da língua • Assoalho bucal • Região retromolar • Mucosa jugal • Lábio inferior Características Clínicas • Lesão ulcerada, endurecida e indolor • Bordas elevadas e infiltradas • Aspecto leucoplásico, eritroplásico ou misto • Adenomegalia cervical frequente • Evolução lenta, porém invasiva Características Histológicas • Ilhas e cordões de células escamosas atípicas invadindo o conjuntivo • Perda da polaridade e pleomorfismo nuclear • Pérolas de queratina e pontes intercelulares • Classificação: bem, moderadamente ou pouco diferenciado Diagnóstico • Exame clínico detalhado • Biópsia incisional (padrão-ouro) • Citologia esfoliativa, imuno-histoquímica, tomografia e ressonância • Avaliação linfonodal e de metástases Estadiamento e Prognóstico • Sistema TNM • Depende do tamanho tumoral, linfonodos e metástases • Sobrevida em 5 anos: 60–70% em casos precoces • Pior prognóstico: língua e assoalho bucal Tratamento • Cirurgiacom margens de segurança • Esvaziamento cervical quando indicado • Radioterapia adjuvante • Quimioterapia (cisplatina, 5-FU) • Terapias-alvo (cetuximabe) • Reabilitação funcional e estética Prevenção e Diagnóstico Precoce • Campanhas de detecção precoce • Cessação de tabaco e álcool • Exame periódico da mucosa bucal • Educação em saúde para profissionais e população Conclusão • Doença prevenível e tratável se diagnosticada precocemente • Cirurgião-dentista é essencial no diagnóstico inicial • Conhecimento clínico e histopatológico é fundamental Referências • • Neville BW et al. Patologia Oral e Maxilofacial, 5ª ed. • • Warnakulasuriya S. Oral Oncology, 2020 • • INCA, 2024 • • Silverman S. Oral Cancer, 2019 Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37 Slide 38 Slide 39 Slide 40 Slide 41 Slide 42 Slide 43 Slide 44 Slide 45 Slide 46 Slide 47 Slide 48 Slide 49 Slide 50 Slide 51 Slide 52 Slide 53 Slide 54 Slide 55 Slide 56 Slide 57 Slide 58 Slide 59: Introdução Slide 60: Etiologia Slide 61: Fatores de Risco Slide 62: Localizações Mais Comuns Slide 63: Características Clínicas Slide 64 Slide 65: Características Histológicas Slide 66: Diagnóstico Slide 67: Estadiamento e Prognóstico Slide 68: Tratamento Slide 69: Prevenção e Diagnóstico Precoce Slide 70: Conclusão Slide 71: Referências