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📌 RESUMO — Resolução CFP nº 002/2003 A Resolução CFP nº 002/2003 define as normas para produção, avaliação, validação, comercialização e uso dos testes psicológicos no Brasil. Ela garante que o uso desses instrumentos siga critérios técnicos e éticos, assegurando qualidade científica e proteção ao usuário. 1. Conceito e Finalidade dos Testes Psicológicos Os testes psicológicos são considerados instrumentos de avaliação ou mensuração de características psicológicas e são de uso exclusivo do psicólogo conforme a Lei 4.119/62. Eles se baseiam em procedimentos padronizados para observar comportamentos, respostas e características como: · atenção, · memória, · cognição, · motivação, · personalidade, · psicomotricidade, · afetividade. 🔍 Exemplo: Um psicólogo pode usar um teste projetivo (como HTP) para compreender aspectos da personalidade ou um teste objetivo como o Teste de Atenção Concentrada em concursos públicos. 2. Princípios Éticos e Direitos Humanos A resolução reforça que os testes devem: ✔ respeitar o Código de Ética Profissional do Psicólogo; ✔ considerar aspectos culturais e socioeconômicos; ✔ evitar viés discriminatório. 🚫 Proibido: · criar instrumentos que reforcem preconceito, ideologias políticas, religiosas ou discriminação sexual/étnica; · usar testes como forma de punição, tortura ou opressão. 🔍 Exemplo: Não é permitido validar um teste de "adequação moral" baseado em parâmetros religiosos ou ideológicos. 3. Requisitos Técnicos Obrigatórios para Testes Psicológicos A resolução define o que todo teste deve apresentar para ser aprovado. Esses requisitos variam conforme o tipo: A) Testes Objetivos (escala, inventários, múltipla escolha) Devem conter: · Fundamentação teórica clara (construto e definição operacional) · Estudos de validade e precisão · Dados psicométricos dos itens · Sistema de correção e interpretação · Manual completo para uso técnico. Exemplo: Um inventário de ansiedade deve explicar qual tipo de ansiedade mede (estado/traço), apresentar amostra de padronização, confiabilidade e instruções claras. B) Testes Projetivos Semelhantes aos objetivos, mas incluem: · maior detalhamento da avaliação interavaliadores (confiabilidade entre aplicadores); · justificativa clara sobre o método interpretativo usado. Exemplo: No Rorschach, se duas pessoas aplicarem e escores forem diferentes, o teste não atende ao requisito de consistência avaliativa. 4. Procedimento de Avaliação dos Testes pelo CFP Todo teste passa por: 1. Recebimento e registro 2. Análise técnica e psicométrica por especialistas 3. Parecer (favorável ou desfavorável) 4. Direito a recurso 5. Avaliação final pelo plenário do CFP Se aprovado, entra na lista de testes em condições de uso. 🔍 Exemplo real: Um novo teste de função executiva poderia ser rejeitado se sua amostra de padronização incluísse apenas pessoas do Sul do Brasil, ignorando diferenças regionais. 5. Revisão Obrigatória dos Testes Os dados psicométricos precisam ser revisados regularmente: · Padronização: a cada máximo 15 anos · Validade e precisão: a cada máximo 20 anos Se não revisar → perde condição de uso. 🔍 Exemplo: Um teste criado em 2005 sem revisão até 2025 deve ser suspenso, pois o perfil brasileiro mudou (educação, cultura, tecnologia). 6. Responsabilidades dos Envolvidos · Autores e editoras devem garantir atualização técnica. · Psicólogos usuários devem adquirir apenas testes aprovados e utilizados conforme manual. 7. Controle de Comercialização Somente psicólogos com CRP ativo podem comprar testes. As editoras devem registrar: · nome do psicólogo comprador, · número do CRP, · número de série do material. 8. Fiscalização e Penalidades O uso de testes não autorizados é considerado falta ética e pode resultar em: · notificação; · apreensão de materiais; · processo ético; · responsabilização civil. 🔍 Exemplo: Usar um teste baixado de PDF da internet e aplicar em seleção de emprego → infração grave. 📌 Em resumo… A resolução garante que os testes psicológicos no Brasil sejam: ✔ cientificamente validados ✔ revisados periodicamente ✔ protegidos eticamente E estabelece que somente testes aprovados pelo CFP podem ser usados para tomada de decisão psicológica. 📌 RESOLUÇÃO CFP Nº 06/2019 — Resumo Explicativo A Resolução nº 06/2019 define como psicólogas(os) devem produzir documentos escritos no exercício profissional. Ela padroniza linguagem, estrutura, finalidade e responsabilidade ética, garantindo rigor técnico, proteção ao usuário e coerência com os direitos humanos. 🧭 1. Propósito da Resolução O documento surgiu porque psicólogos atuam em múltiplos contextos (clínicos, jurídicos, educacionais, organizacionais, socioassistenciais etc.), e os órgãos solicitantes (juiz, escola, empresa, SUS) exigem informações escritas de forma técnica e ética. Objetivo central: padronizar o que é permitido, como registrar e como comunicar informações psicológicas. 🧠 2. Princípios que orientam a elaboração de documentos A resolução organiza três conjuntos de princípios: ✔ A) Técnicos · O documento deve representar fielmente a atuação profissional. · Deve expressar dados reais, fundamentados em métodos reconhecidos (entrevista, testes, protocolos). · Deve considerar fatores sociais e históricos que influenciam o sujeito. 🔍 Exemplo: Se um relatório escolar menciona dificuldades de concentração, é necessário indicar se isso está relacionado a contexto familiar, metodologia escolar, sofrimento psíquico, etc., e não assumir automaticamente "TDAH". ✔ B) Linguagem Técnica · Deve ser objetiva, formal, escrita na terceira pessoa e seguindo a norma culta. · Evitar descrições literais de sessão (a menos que tecnicamente justificado). 🔍 Exemplo inadequado: “Na sessão de 3/09 ela chorou muito e disse que sentia vergonha”. 🔍 Versão adequada: “A usuária apresentou sofrimento emocional relacionado à autopercepção, manifestado com choro ao abordar o tema.” ✔ C) Princípios Éticos · Devem seguir o Código de Ética. · Preservação rigorosa do sigilo. · Documento deve respeitar direitos humanos e jamais reforçar preconceitos estruturais. 🔍 Exemplo proibido: Registrar "preferência sexual anormal", "família disfuncional por ser homoafetiva" ou diagnósticos sem base empírica. 📂 3. Tipos de Documentos Regulamentados A resolução define 5 modalidades: Documento Tem diagnóstico? Traz conclusão técnica? Finalidade principal Declaração ❌ Não ❌ Não Confirmar presença ou acompanhamento Atestado Psicológico ✔ Quando cabível ✔ Certificar condição psicológica constatada Relatório Psicológico ❌ Não ✔ (descritiva) Informar processo realizado Laudo Psicológico ✔ Sim ✔ (decisiva) Responder demanda avaliativa Parecer Psicológico ❌ (não é avaliação) ✔ Análise de questão específica Responder dúvida técnica e fundamentar decisão 📝 1) Declaração Documento simples usado para informar participação ou comparecimento. Não pode incluir descrição psicológica. 🔍 Exemplo real: “Declara-se que João Silva compareceu a atendimento psicológico no dia 15/02/2024, às 14h.” 🩺 2) Atestado Psicológico Certifica estado psicológico, baseado em avaliação. Pode afirmar aptidão ou incapacidade para atividade. 🔍 Exemplo: "Após avaliação psicológica, atesta-se que Maria está temporariamente incapaz de exercer atividades laborais por sintomas compatíveis com Transtorno Depressivo Episódico." 📘 3) Relatório Psicológico Relato detalhado do processo, sem objetivo diagnóstico. Descreve demanda, procedimentos, análise e conclusão. 🔍 Exemplo: Uso em CREAS, CAPS, escolas, abrigos, clínicas. 📑 4) Laudo Psicológico Documento mais completo e formal. Resultado de avaliação psicológica com finalidade clara e tomada de decisão. 🔍 Exemplos de uso: · CNH · porte de arma · perícias judiciais · concursos públicos · processos de guarda Inclui hipótese diagnóstica, prognóstico, encaminhamentos e referências utilizadas. 🧾 5) Parecer Psicológico É uma opinião técnica fundamentada, geralmente sobre outro documento ou situação. Não envolve avaliação direta da pessoa.🔍 Exemplo: Um juiz solicita parecer sobre a validade de um laudo de outro profissional. 🔒 4. Regras sobre Guarda e Destino · Devem ser guardados por mínimo 5 anos (físicos ou digitais). · Entrega deve ocorrer em entrevista devolutiva. · É obrigatório registro de recebimento (protocolo). ⏳ 5. Prazo de validade Todo documento deve indicar prazo de validade, pois fenômenos psicológicos são dinâmicos. 🔍 Exemplo: “Este laudo tem validade de 6 meses, considerando mudanças no desenvolvimento infantil.” 💬 6. Entrevista Devolutiva Obrigatória na entrega de relatório e laudo; recomendada nos demais. Isso evita interpretações erradas e garante transparência ética. 🎯 Em resumo… A Resolução CFP nº 06/2019 define o que pode, o que não pode, como escrever e como entregar documentos psicológicos. Seu foco é: · rigor científico, · linguagem técnica, · responsabilidade ética, · respeito aos direitos humanos · e proteção social do sujeito. 📌 DOCUMENTOS PSICOLÓGICOS — O QUE CADA UM É, COMO SE USA E EXEMPLOS 1 Declaração Psicológica 📍 Documento curto, simples e direto 📍 Apenas confirma um fato ou situação observada pelo psicólogo 📍 Não apresenta análise aprofundada 📌 Quando usar? · Comprovar comparecimento em atendimento · Atestar que a pessoa está em acompanhamento psicológico · Confirmar participação em grupo, oficinas, intervenções 📝 Exemplo de objetivo: Declarar que fulana está em acompanhamento psicológico semanal desde março de 2024. ❌ Não pode conter: · Diagnóstico detalhado · Interpretações clínicas sensíveis 2 Atestado Psicológico 📍 Documento com base técnica que justifica ausência ou limitação temporária por motivo psicológico 📍 Pode referir incapacidade ou restrição para atividades específicas 📌 Quando usar? · Afastamento do trabalho por sofrimento psíquico · Solicitação de prova substitutiva por ansiedade incapacitante · Redução de carga horária temporária por crise emocional 🧠 Inclui: · Motivo do afastamento (sem expor detalhes desnecessários) · Prazo da recomendação · Relação com atividade prejudicada 📌 Exemplo técnico: Recomenda-se afastamento do trabalho por 10 dias devido a alterações emocionais que comprometem o desempenho seguro da função. ⚠️ Não se escreve: “Ansiedade generalizada grave — risco de surto.” Sempre proteger a privacidade do paciente. 3 Relatório Psicológico 📍 Documento mais detalhado sobre um processo de acompanhamento 📍 Descreve o histórico, procedimentos e encaminhamentos 📌 Partes essenciais: · Identificação · Motivo da demanda · Procedimentos realizados (sessões, entrevistas, dinâmicas) · Observações significativas · Intervenções aplicadas · Resultados parciais · Recomendações ou encaminhamentos 📌 Quando usar? · Encaminhar o paciente para outro serviço · Comunicar situação à rede de proteção (ex.: Conselho Tutelar) · Resumo formal de tratamento para escola, judiciário etc. 📝 Exemplo: Identifica dificuldades de interação social e encaminha para avaliação psiquiátrica. 4 Laudo Psicológico 📍 Documento técnico e conclusivo, baseado em avaliação psicológica estruturada 📍 Contém análise, interpretação e diagnóstico, quando pertinente 📌 Inclui: · Fundamentação teórica · Descrição de testes aplicados e resultados · Discussão e conclusões 📌 Quando usar? · Processos judiciais (guarda, medida protetiva, adoção) · Avaliações para concursos, CNH, porte de arma · Investigação de transtornos com finalidade específica ⚠️ Exige alto rigor técnico e responsabilidade ética 🧠 Exemplo: Conclui-se que o avaliado apresenta déficits atencionais significativos compatíveis com TDAH, sugerindo acompanhamento multiprofissional. 5 Parecer Psicológico 📍 Documento onde o psicólogo emite uma opinião técnica sobre uma questão específica 📍 Baseado em análise de informações (não necessariamente avaliação própria) 📌 Quando usar? · Manifestação profissional em processos judiciais · Avaliação técnica de documentos ou situações · Comissões e consultorias (ex.: parecer sobre práticas institucionais) 🧐 Diferença para Laudo: Laudo Parecer Resultado de testes e avaliação direta Resposta argumentativa a uma questão Produz conhecimento sobre o sujeito Produz opinião técnica sobre o tema 📌 Exemplo: Considera-se inadequada a prática punitiva adotada pela instituição, pois fere princípios éticos e psicológicos do desenvolvimento infantil. Tabela-resumo para consulta rápida Documento Extensão Finalidade Pode ter diagnóstico? Declaração Curta Comprovar um fato Não Atestado Curta Justificar limitação/afastamento Pode mencionar necessidade Relatório Média Informar processo vivenciado Raramente (não é foco) Laudo Longa Concluir avaliação psicológica Sim, se necessário Parecer Média/longa Opinar tecnicamente sobre algo Pode, com justificativa ⭐ Dicas Éticas Gerais ✔ Sigilo e proteção da intimidade ✔ Linguagem clara, sem jargões desnecessários ✔ Informar apenas o necessário à finalidade ✔ Sempre arquivar cópia em prontuário ✔ Consentimento informado para compartilhamento 📌 Resumo estrutural e interpretativo do capítulo 1 Propósito do capítulo O capítulo tem como objetivo analisar os dados do CensoPsi 2022, destacando como psicólogas(os) no Brasil se identificam teoricamente e o que essa distribuição revela sobre o cenário epistemológico da Psicologia no país. 2 Psicologia como campo de tensões científicas A Psicologia é apresentada como uma área marcada por debates internos sobre seu status científico, diferentemente de outras ciências sociais mais estabilizadas em termos epistemológicos. Exemplo prático: · Na Sociologia, há autores-base consolidados (Durkheim, Weber, Marx). · Na Psicologia, convivem Freud, Skinner, Rogers, Vygotsky, Beck — sem uma hierarquia consensual. A Psicanálise é usada como símbolo dessa tensão: — nasceu fora da universidade e recusa o modelo científico tradicional, mas ao mesmo tempo tentou se legitimar cientificamente. 3 Conceito central: Dispersão do saber O texto se apoia em Garcia-Roza, que descreve a Psicologia como um campo disperso, plural e fragmentado. A ideia chave é: Não existe uma “Psicologia”, mas psicologias. Essa dispersão não deve ser vista como fraqueza científica, mas como riqueza plural de modos de compreender o humano. Exemplo: Enquanto a Análise do Comportamento explica ansiedade como comportamento reforçado e mantido pelo ambiente, a Gestalt entende como interrupção fenomenológica do contato, e a Psicanálise como sintoma do inconsciente. Nenhuma anula a outra — coexistem. 4 Coexistência teórica no Brasil A tabela apresentada revela que todas as grandes abordagens estão distribuídas pelo país, com variações pequenas — mostrando que não há um polo teórico dominante regional. Distribuição ilustrativa (exemplo interpretado da tabela): Abordagem Presença nacional aproximada Psicanalítica Alta (predomina no Sul e Sudeste) Cognitivista Moderada e estável nacionalmente Comportamental Forte no Nordeste e Centro-Oeste Humanista/Fenomenológica Distribuição equilibrada Essa distribuição reforça a ideia de pluralidade histórica, formativa e institucional. 5 O processo histórico da dispersão O capítulo mostra que a psicologia científica no Brasil não surgiu pronta: foi importada, adaptada e transformada. Primeiros influenciadores citados: Wundt, Ribot, Janet, William James. Caminho histórico simplificado: 1. Entrada via medicina → Psicologia como ciência da mente ligada à neurologia e psiquiatria. 2. Expansão universitária → Cursos formam psicólogos com referenciais múltiplos. 3. Clínicas, escolas e saúde pública → Demandas sociais ampliam pluralidade. 4. Globalização acadêmica → terapias cognitivo-comportamentais, ACT, DBT, narrativas, críticas, práticas decoloniais. 6 A questão da coerência teórica O capítulo discute se o fato de psicólogos misturarem abordagens é um sincretismo inválido ou uma prática adaptativa. Interpretação do texto: 👉 A mistura sem fundamentação epistemológica pode gerar incoerência. 👉 Mas a articulação intencional e crítica pode gerar inovação. Exemplo: ❌ Erro comum:usar conceitos psicanalíticos (ego, inconsciente) com protocolos TCC sem reconhecer incompatibilidade filosófica. ✔️ Uso coerente: integrar Humanismo + ACT porque ambas partem da experiência subjetiva e agência humana. 7 Conclusão do capítulo A principal defesa é: ➡️ A pluralidade teórica é constitutiva da Psicologia brasileira, não um defeito. Essa diversidade reflete: · história de apropriações múltiplas, · demandas sociais complexas, · interdisciplinaridade permanente. A Psicologia não precisa (nem deve) buscar uma teoria única totalizante, mas desenvolver ética, rigor e reflexão crítica sobre suas escolhas epistemológicas. ✨ Em uma frase final: O capítulo sustenta que a Psicologia brasileira é marcada pela diversidade teórica, territorial e histórica — e que essa dispersão, longe de ser caos, é sinal de vitalidade, complexidade e potência no modo como respondemos ao humano. 🧩 Capítulo 18 — Condições de Trabalho: indicadores de precarização no exercício da Psicologia 🔍 1. Introdução — por que falar de precarização? O capítulo começa situando a precarização do trabalho como um fenômeno crescente mundialmente — e não exclusivo da Psicologia. Precarização, aqui, significa um conjunto de condições laborais marcadas por: · instabilidade; · baixa remuneração; · vínculos frágeis; · ausência de proteção social. Os autores destacam que a expansão desse modelo atinge diferentes profissões, mas na Psicologia assume contornos particulares devido à forma como o campo se estruturou historicamente — fragmentado, com forte presença do setor privado e atuação individualizada. 📌 2. Fatores estruturais que alimentam a precarização A precarização é entendida como efeito combinado de processos econômicos, políticos e formativos. Embora os trechos específicos de indicadores não estejam totalmente exibidos no recorte, o texto indica que essa análise se baseia no Censo Psi, o que inclui variáveis como salários, jornada e regimes de contratação. Exemplos usuais no contexto descrito: Situação Resultado prático Psicóloga atuando como PJ em clínicas Sem FGTS, férias ou licença remunerada Multiplas fontes de renda Jornada fragmentada e exaustiva Trabalho voluntário para adquirir experiência Normalização da não remuneração Esses exemplos refletem modelos já naturalizados no campo, especialmente entre recém-formados. ⚠️ 3. Indicadores de precarização analisados no Censo Ainda que não listados linha a linha no resultado parcial, o capítulo se propõe a analisar: · Tipo de vínculo (formal, autônomo, voluntário) · Carga horária vs. remuneração · Acúmulo de funções · Educação continuada como requisito não financiado · Distribuição regional da precarização Esses indicadores revelariam que parte significativa da categoria não possui condições estáveis de trabalho, reforçando desigualdade entre subcampos (clínica x organizacional x políticas públicas). 🧠 4. Consequências subjetivas e identitárias A precarização não é apenas material: ela impacta: · autoestima profissional, · sentimento de pertencimento, · motivação e permanência na área. Exemplo prático: uma psicóloga atendendo por R$ 30 por sessão numa clínica-escola privada pode sentir-se substituível, desvalorizada e incapaz de sustentar-se na profissão. Isso impacta diretamente a qualidade da oferta psicológica e o acesso da população a serviços dignos. 🎯 5. Conclusão do capítulo A precarização é vista como um desafio urgente para a Psicologia brasileira e demanda: · políticas institucionais de valorização, · promoção de condições dignas de exercício, · ampliação das políticas públicas de saúde mental. O capítulo convida a categoria a repensar o que significa exercer Psicologia quando os próprios trabalhadores não têm garantidos direitos básicos. ✊ Capítulo 24 — Direitos Humanos e a Psicologia no Brasil 🔍 1. Introdução — por que direitos humanos dizem respeito à Psicologia? O capítulo afirma que os direitos humanos entraram oficialmente no sistema Conselhos a partir de 1997, tornando-se pauta permanente. A justificativa apresentada é simples e potente: 👉 Não há cuidado psicológico que não seja também intervenção sobre dignidade humana. 📌 2. Psicologia como prática ética e política Os autores defendem que a atuação da Psicologia deve estar alinhada ao compromisso democrático e ético, tanto em práticas micropolíticas (no consultório, escolas, instituições), quanto macropolíticas (políticas públicas, defesa de populações vulneráveis). Exemplos: Contexto Exigência ética Atender mulher vítima de violência não culpabilizar, considerar contexto patriarcal Avaliação psicológica em concurso garantir critérios justos e antidiscriminatórios Clínica com adolescentes trans evitar práticas patologizantes 🧩 3. Interseccionalidade como base epistemológica O capítulo destaca que pensar direitos humanos sem considerar desigualdades estruturais é insuficiente. A interseccionalidade, especialmente oriunda do feminismo negro, é apontada como fundamento necessário para analisar complexidades de opressão. Exemplo direto: Uma mulher negra pobre e com deficiência não enfrenta a mesma realidade que uma mulher branca cis de classe média. 📊 4. Dados do Censo PSI sobre direitos humanos O texto apresenta como o Censo investigou: · o que psicólogas(os) sabem sobre direitos humanos, · em que fase da formação isso foi aprendido, · se existe atuação concreta nesse campo. Esses dados ajudam a mapear lacunas e avanços na formação da categoria. 🕊️ 5. Direitos humanos como construção histórica e não como dado natural O capítulo reforça que os direitos humanos não são naturais, mas resultado de lutas sociais e contextos históricos. Exemplo citado: · Décadas de 60–70: movimentos ligados à Igreja progressista, sindicatos e resistência à ditadura militar foram determinantes na consolidação da pauta. 🎯 6. Conclusão do capítulo O texto convoca a Psicologia a assumir seu lugar na defesa dos direitos humanos e alerta: 👉 A prática psicológica pode produzir ou violar direitos humanos. Portanto, é função da categoria: · denunciar desigualdades, · promover justiça social, · fortalecer políticas públicas. ✨ Síntese Final Integrada Ambos os capítulos dialogam entre si: ✔ A precarização denuncia fragilidade no campo profissional. ✔ A defesa dos direitos humanos exige psicólogas(os) fortalecidos, críticos e politicamente implicados. Em outras palavras: Não é possível defender direitos humanos quando a própria categoria trabalha em condições indignas.