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🧠 RESUMO COMPLETO – Construção de Testes Psicológicos A construção de instrumentos psicológicos é um processo estruturado que envolve teoria, definição clara do que se quer medir, elaboração rigorosa de itens e validação empírica. O objetivo final é criar uma medida capaz de representar com precisão um construto psicológico, garantindo validade, confiabilidade e aplicabilidade. 🔹 1. Papel da Teoria na Construção de Testes Embora em Psicologia nem sempre existam teorias totalmente consolidadas para certos fenômenos, o processo começa reunindo toda evidência conceitual e empírica disponível. 📌 Conceito chave: Construto 👉 Um construto é uma característica psicológica abstrata que não pode ser observada diretamente (ex.: inteligência verbal, ansiedade, assertividade). Exemplo: Mesmo sem uma teoria totalmente fechada sobre “ansiedade em policiais”, pode-se usar pesquisas existentes e observações comportamentais para elaborar um modelo inicial. 🔹 2. O que medimos na Psicologia? Não medimos diretamente o fenômeno psicológico (ex.: depressão, memória, agressividade), mas seus atributos observáveis — comportamentos, respostas cognitivas, emocionais ou fisiológicas. 📌 Conceito: Atributo 👉 São manifestações mensuráveis do construto. Exemplo: Para medir ansiedade não se mede “ansiedade em si”, mas indicadores como: · tensão muscular · taquicardia · dificuldade de relaxar · preocupações frequentes 🔹 3. Elementarização dos Processos Cognitivos Esse conceito se refere a dividir fenômenos mentais complexos em partes menores e mensuráveis. Autores como Sternberg, Newell e Simon defendem que processos cognitivos podem ser analisados em níveis distintos de detalhe. Exemplo: Resolver um problema matemático pode ser analisado como: · nível macro: compreender → planejar → executar · nível micro: identificar números → selecionar operadores → estimar resultado 🔹 4. Seleção do Objeto Psicológico Antes de criar qualquer instrumento, é preciso determinar com precisão o que será medido. Exemplo: "Desenvolvimento cognitivo" é amplo. O pesquisador deve especificar: · linguagem · memória · percepção · atenção 🔹 5. Dimensionalidade O atributo pode ser: Tipo Definição Exemplo Unidimensional Construto com apenas uma característica dominante Velocidade de processamento Multidimensional Construto composto por várias facetas Inteligência verbal → compreensão + fluência Essa identificação é essencial, pois determina quantas escalas e itens serão necessários. 🔹 6. Definição dos Construtos Existem dois tipos essenciais: Tipo Significado Função Definição Constitutiva (Teórica) Explica conceitualmente o construto “O que é?” Definição Operacional Tradução do conceito em comportamentos mensuráveis “Como medir?” Exemplo aplicado ao construto inteligência verbal: · Constitutiva: capacidade de compreender e manipular linguagem. · Operacional: recontar uma frase com as próprias palavras. 🔹 7. Operacionalização do Construto (Criação de Itens) Depois da definição operacional, começam a ser criados os itens (perguntas ou tarefas). 🧰 Fontes para elaboração dos itens · revisão de literatura · entrevistas com população-alvo · listagem de comportamentos associados 🔹 8. Critérios Essenciais para Construção de Itens Critério Explicação Exemplo inadequado → adequado Comportamentalidade O item deve refletir ações observáveis "Entenda o texto" → "Resuma o texto" Objetividade Testes de aptidão têm respostas corretas; personalidade não — Simplicidade Uma ideia por item “Eu gosto de feijão porque é saudável e gostoso” → “Eu gosto de feijão” Clareza Frases diretas, evitar negações “Não me sinto feliz” → “Sinto-me infeliz” Relevância Deve medir o construto e não algo relacionado Ler em voz alta ≠ compreensão verbal Precisão Deve representar nível do traço Itens fáceis → médios → difíceis Variedade Variar formulações “Eu costumo...”, “Frequentemente...” Neutralidade (modalidade) Evitar termos extremos “Meus pais são importantes” (≠ são tudo para mim) Tipicidade Linguagem coerente ao construto — Credibilidade Item deve ser realista evitar exemplos fantasiosos 🔹 9. Público-Alvo e Contexto Itens devem considerar faixa-etária, escolaridade, cultura e linguagem acessível. 📌 Evitar: · gírias · regionalismos · termos técnicos 🔹 10. Continuidade e Distribuição da Dificuldade (Continuum) Uma boa escala deve conter: · itens fáceis (muitos respondem positivamente) · itens moderados · itens difíceis (poucos respondem positivamente) Isso evita: Problema Significado efeito teto tudo muito fácil efeito chão tudo muito difícil 🔹 11. Escalas Likert e Cuidados Se a escala já mede frequência (Nunca → Sempre), não repetir frequência no item. Exemplo certo: ✔ “Tenho medo que algo ruim aconteça.” errado: “Com que frequência tenho medo que algo ruim aconteça?” 🔹 12. Construção de Muitos Itens Inicialmente A versão final sempre será reduzida após: · revisão por especialistas · análise com população-alvo · análises estatísticas (ex.: análise fatorial, TRI) 📌 Conclusão Construir um instrumento de medida psicológico é um processo complexo e planejado que exige: · fundamentação teórica · definição clara de construto · elaboração rigorosa de itens · adequação ao público-alvo · análise estatística e validação Sempre partimos do abstrato → operacional → mensurável, transformando características invisíveis da mente em indicadores confiáveis. 🧠 RESUMO — Adaptação de Instrumentos Psicológicos O material apresenta os fundamentos e passos essenciais para a adaptação transcultural de instrumentos psicológicos, discutindo quando é mais adequado adaptar ou construir uma nova medida, suas vantagens e desvantagens, e o passo a passo metodológico necessário para manter rigor científico. 🔹 1. Construir ou Adaptar? — Quando escolher cada caminho O processo de escolha depende de fatores como disponibilidade de instrumentos, qualidade psicométrica existente e adequação cultural. ✔️ Construção de instrumento (quando usar): Segundo a autora, construir um instrumento é indicado quando: · não há instrumentos adequados para o construto · os instrumentos existentes não apresentam boas evidências psicométricas · não existe acesso gratuito ao teste · o construto é novo ou culturalmente específico 📌 Conceito: Propriedades psicométricas São indicadores de qualidade do instrumento — validade, confiabilidade e sensibilidade. ✔️ Adaptação de instrumento (quando usar): Adaptação é recomendada quando já existe um instrumento válido, confiável e adequado ao construto, mas precisa ser utilizado em outra cultura ou idioma. Critérios favoráveis: · itens adaptáveis ao novo contexto cultural · instrumento já possui validação teórica e estatística · possibilidade de comparações internacionais 📌 Comparações transculturais Permite pesquisas internacionais com dados comparáveis. 🔹 2. Vantagens e Desvantagens A autora apresenta uma tabela comparativa: Processo Vantagens Desvantagens Adaptação + rápida e simples; permite comparações transculturais risco de perda de significado dos itens; dificuldade em validar conteúdo adaptado; pode exigir pagamento de direitos autorais Construção aborda especificidades culturais; autonomia total processo mais longo; menor comparabilidade internacional 🔹 3. Etapas da Adaptação — Passo a Passo A autora descreve seis etapas principais. 1️⃣ Tradução · deve ser realizada por tradutores bilíngues independentes · não é apenas tradução literal: exige compreensão do construto psicológico 📌 Conceito: Equivalência Semântica Significa preservar o mesmo significado da frase original, não necessariamente as mesmas palavras. 2️⃣ Síntese das versões As traduções são comparadas levando em conta: · equivalência semântica (significado das palavras) · equivalência idiomática (expressões típicas culturais) · equivalência conceitual (o construto existe na cultura?) · equivalência contextual e linguística 📌 Aqui, design instrucional e linguagem devem se ajustarao público-alvo. 3️⃣ Avaliação por juízes especialistas É uma revisão técnica realizada por especialistas da área, avaliando: · clareza · relevância · adequação cultural · estrutura do instrumento 📌 Conceito: Juízes (ou experts) Pesquisadores com experiência teórica e prática no construto mensurado ou na avaliação psicológica. 4️⃣ Avaliação pelo público-alvo Essa etapa verifica se o instrumento é compreensível para quem irá respondê-lo. Pode ser feita por: · entrevista cognitiva · roda de conversa · aplicação seguida de discussão 📌 Importante: ainda não há análise estatística nessa fase. 5️⃣ Tradução reversa (Back-translation) Consiste em traduzir a versão adaptada novamente para o idioma original, feita por outros tradutores. Objetivos: · verificar se o significado original foi preservado · permitir avaliação pelo autor do instrumento (quando possível) 📌 Crítica apontada no texto: A tradução reversa pode não fazer sentido quando o instrumento foi muito modificado para ajustes culturais. 6️⃣ Estudo Piloto É a primeira aplicação real do instrumento adaptado. Serve para: · detectar problemas no formato · avaliar compreensão dos itens · identificar possíveis revisões antes da fase estatística 📌 Tipos de piloto mencionados: Tipo Vantagens Limitações Qualitativo avalia compreensão e clareza não testa psicometria Quantitativo oferece indicadores preliminares tamanho da amostra pode distorcer resultados 🔹 4. Análises posteriores (mencionadas) Após o piloto, entram análises psicométricas como: · análise fatorial exploratória (AFE) · análise fatorial confirmatória (AFC) · validação baseada em invariância 📌 Invariância de medida Indica se o instrumento mede o mesmo construto da mesma forma em diferentes grupos culturais. 🔹 5. Objetivo Final da Adaptação Garantir que a versão traduzida seja: · culturalmente apropriada · estatisticamente válida · psicologicamente equivalente à original · compreensível para o público-alvo 📌 Síntese Final O que o capítulo ensina Explicação resumida Quando adaptar Quando já existe instrumento adequado Quando construir Quando não existe alternativa válida Processo da adaptação rigoroso, sistemático e multiprofissional Papel principal da adaptação preservar o significado psicológico original 🧠 RESUMO - TESTES NEUROPSICOLÓGICOS CITADOS 📌 1. FDT (Five-Digit Test) — Teste dos Cinco Dígitos 🧩 O que ele mede? O FDT avalia principalmente: · Funções executivas · Atenção · Controle inibitório · Velocidade de processamento · Flexibilidade cognitiva 👉 É considerado uma alternativa ao Stroop Test, porém sem depender de leitura avançada, o que o torna mais inclusivo. 📍 Etapas do FDT O teste possui quatro partes, cada uma mais complexa: Etapa Nome O que faz Exemplo 1. Leitura Reading A pessoa apenas lê números impressos Ex.: 4 – dizer "quatro" 2. Contagem Counting Ignora o número escrito e conta quantos números aparecem Ex.: "444" → resposta = "três" 3. Escolha (ou "Inibição") Choosing Deve dizer o número escrito e não quantos tem — o inverso da etapa 2 Ex.: "3333" → resposta "três" 4. Alternância Shifting Alterna entre ler e contar conforme regras pré-definidas Exemplo muda conforme o estímulo 📌 Essa alternância testa flexibilidade cognitiva — habilidade de alternar regras mentais. 🧮 Como é pontuado? · O critério principal é tempo de execução em segundos · Erros também são contabilizados · Autocorreções não contam como erro Exemplo de pontuação: Resposta Conta como erro? errou e não percebeu ✔️ sim errou e corrigiu imediatamente ❌ não pausou muito ou travou ✔️ registrado como comportamento relevante 📊 Tabela de referência do FDT As tabelas apresentam: · tempos esperados por faixa etária/escolaridade · percentis · interpretação (normal, abaixo do esperado, déficit) Exemplo simplificado: Se um adulto leva 50s e a média é 30s, ele pode estar no percentil 10, indicando desempenho inferior esperado. 📌 2. Teste RAVLT (Rey Auditory-Verbal Learning Test) 👉 Também conhecido como “Teste das Palavras”. 🧩 O que mede? · Memória episódica · Aprendizagem verbal · Estratégias de recuperação de informação · Interferência retroativa/proativa 📌 Sempre aplicado individualmente, apesar de algumas turmas conhecerem coletivamente. 🧪 Como funciona? 1. O aplicador lê uma lista de 15 palavras 2. A pessoa repete o que lembrar 3. Isso se repete por 5 tentativas (A1–A5) 4. Depois aplica-se uma segunda lista (B) — interferência 5. A pessoa tenta lembrar novamente a primeira lista (A6) 6. Após 20–30min, há recordação tardia (A7) 7. Opcionalmente aplica-se o reconhecimento (identificar palavras entre distratoras) Exemplo: 📜 Lista A (chunking possível → categorias semânticas: frutas, objetos etc.) 📌 3. Complexo de Rey (Rey-Osterrieth Complex Figure Test) 🧩 O que mede? Depende da forma de aplicação: Condição Mede principalmente Cópia imediata habilidades visuoconstrutivas, planejamento, organização perceptual Recordação imediata memória de curto prazo Recordação tardia (20–30min) memória de longo prazo episódica Reprodução com pistas recursos compensatórios 🎨 Como funciona a tarefa? 1. A pessoa copia a figura complexa 2. Usa-se lápis de cor para identificar a ordem de traçado → cada cor representa uma sequência construtiva 📌 Quem controla os lápis? → O examinador, entregando um de cada vez, respeitando o ritmo da execução. ⏱ Existe tempo de troca das cores? → Não. Vai do julgamento clínico do aplicador. 📌 4. Teste ReVerbal Esse não é um teste formal clássico, mas está ligado a tarefas que avaliam: · Controle inibitório · Processamento verbal · Flexibilidade linguística · Velocidade de acesso lexical 📌 Geralmente usado em triagem ou parte de bateria cognitiva complementar. Exemplo: 🗣 Aplicador diz: "Quando eu disser ANIMAL, você diz uma fruta; quando eu disser FRUTA, você diz uma cor." 🧠 5. Testes Individuais x Coletivos Teste Forma correta FDT Individual Complexo de Rey Individual RAVLT Individual ReVerbal Individual (pode ser adaptado em triagem) 📌 A aplicação em grupo do RAVLT na turma foi apenas demonstrativa, não válida como avaliação. 📌 Resumo Final – O que cada teste mede Teste Principais funções avaliadas FDT Funções executivas, atenção, flexibilidade cognitiva, tempo de processamento ReVerbal Processamento verbal, inibição, fluência Teste de 5 Dígitos Mesmo que FDT (são o mesmo teste) Complexo de Rey Memória visual, planejamento, organização e memória curta/longo prazo RAVLT Memória verbal episódica, aprendizagem e recuperação Chunking é uma estratégia cognitiva usada pelo cérebro para agrupar informações em blocos menores e mais significativos, facilitando o armazenamento e a recuperação da memória. 📌 Por que isso existe? Porque o cérebro tem limites de armazenamento imediato na memória de curto prazo (conhecida como working memory). Em média, conseguimos manter 7±2 unidades de informação — segundo Miller (1956). Quando agrupamos informações em blocos maiores, usamos menos unidades na memória de trabalho, tornando o processamento mais eficiente. 🧠 Exemplo simples: Sem chunking: 5 4 8 2 0 1 9 → Parece aleatório e difícil de memorizar. Com chunking: 548-201-9 Agora a informação é percebida em três blocos, não sete números soltos. 🍎 Exemplo com palavras (tipo RAVLT): Lista original: maçã, pêssego, televisão, banana, guarda-chuva, melão, rádio Com chunking por categoria semântica: · Frutas: maçã, banana, pêssego, melão · Objetos: televisão, rádio, guarda-chuva ➡️ Agora a memória não precisa guardar 7 coisas, mas 2 grupos com subitens. 📚 Exemplo com números grandes (vida real): Número de cartão: 4782993475126238 Sem chunking → quase impossível memorizar. Com chunking: 4782 9934 7512 6238 Agora se torna mais parecido com quatro unidades, não dezesseis. 🔧 Chunking em testes neuropsicológicos Teste Como aparece o chunking RAVLT o participante agrupa palavras sem perceber, geralmente por categorias (animais, cores, objetos) FDT menos relacionadoao chunking, mais ao controle inibitório Complexo de Rey chunking ocorre quando a pessoa organiza a figura por partes estruturais (ex.: primeiro o retângulo, depois cruz interna, depois detalhes) 🧠 Por que é importante clinicamente? Porque indivíduos com: · TDAH · demências · lesões frontais · transtornos do desenvolvimento podem ter dificuldade em fazer chunking espontaneamente — o que afeta memória, organização e aprendizado. Na avaliação, observar o chunking ajuda a entender estratégias cognitivas além do desempenho bruto. Resumo em uma frase: Chunking é transformar muitas informações pequenas em poucas unidades maiores e significativas para facilitar a memória. 🧠 1. FDT — FIVE DIGIT TEST (Teste dos Cinco Dígitos) 📌 Definição O FDT é um teste neuropsicológico inspirado no Stroop Test, utilizado para avaliar: · Funções executivas (inibição, flexibilidade cognitiva) · Atenção seletiva e sustentada · Velocidade de processamento · Controle inibitório Ele mede a habilidade da pessoa de resistir a respostas automáticas e aplicar regras novas, mais complexas. 🧪 Aplicação 📍 Material: folha com estímulos (dígitos repetidos), lápis e cronômetro. 📍 Aplicação individual. 📍 O examinador explica a tarefa antes de cada etapa. O teste possui 4 etapas: Etapa Nome O que o examinando faz 1 Reading / Leitura Ler o número impresso (ex.: 4 → “quatro”) 2 Counting / Contagem Contar quantas vezes o número aparece (ex.: 444 → “três”) 3 Choosing (Inhibition) Dizer o número impresso, mesmo quando a contagem seria automática (oposto da etapa 2) 4 Shifting (Alternância) Alternar entre ler e contar conforme regras visuais estabelecidas ⏱ O examinador cronometra cada etapa separadamente. Erros e autocorreções devem ser anotados. 🧮 Correção A pontuação considera: · Tempo total em segundos · Quantidade de erros · Autocorreções (não contam como erro, mas são observações clínicas) 📊 Tabelas normativas classificam o desempenho em: Percentil Interpretação 50–75 Adequado 25–49 Abaixo da média