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Emergências clínicas Emergências clínicas, sintomatologia e protocolos. Assistência de enfermagem às emergências cardiovasculares, respiratórias, neurológicas, renais e metabólicas. Prof. Luciano Godinho Almuinha Ramos 1. Itens iniciais Propósito A unidade de urgência e emergência é um setor bastante complexo. O enfermeiro que atua no setor de urgência e emergência precisa estar atento às alterações das funções vitais dos pacientes e, ainda, implementar protocolos de atendimento atualizados. Objetivos Reconhecer a importância e as etapas da assistência de enfermagem em emergências cardiovasculares. Reconhecer a importância e as etapas da assistência de enfermagem em emergências respiratórias. Reconhecer a importância e as etapas da assistência de enfermagem em emergências neurológicas. Reconhecer a importância e as etapas da assistência de enfermagem em emergências renais e metabólicas. Introdução O paciente de urgência e emergência é aquele que se encontra em uma situação de gravidade, na qual os parâmetros de seus sinais vitais, assim como um ou mais órgãos, podem estar comprometidos. A assistência a esses pacientes e a tomada de decisão adequada tornam-se fundamentais para o restabelecimento das funções vitais desses indivíduos. Com o número crescente de pacientes em fase aguda que procuram os serviços de urgência e emergência, é importante compreender os agravos cardiovasculares, pulmonares, neurológicos, metabólicos e renais, além dos protocolos de atendimento e dos principais cuidados de enfermagem. Sendo assim, é imprescindível conhecer esses protocolos e orientar os pacientes, proporcionando-lhes uma assistência individualizada e qualificada pela equipe multidisciplinar e de enfermagem. • • • • 1. Assistência de enfermagem em emergências cardiovasculares Arritmias cardíacas O enfermeiro, sendo um dos profissionais responsáveis no serviço de classificação de risco em urgência e emergência, deve reconhecer os principais agravos em saúde, saber avaliá-los, além de interagir com a equipe multidisciplinar para a melhor tomada de decisão. A decisão adotada vai depender do que esse profissional identificou nos pacientes, na porta de entrada dos serviços de urgência e emergência, e também em qualquer unidade de atendimento em saúde, em relação aos principais acometimentos cardiovasculares. Esses agravos podem estar relacionados a diversos fatores, como situações socioeconômicas, culturais, ou até mesmo influenciados por doenças crônicas não transmissíveis. Quando tratamos de emergências clínicas cardiovasculares, podemos relacionar algumas das principais, identificadas nos serviços de urgência e emergência, como: arritmias cardíacas; hipertensão arterial sistêmica; síndromes coronarianas; e choque. Em relação a emergências cardiovasculares, é preciso entender primeiramente a condução elétrica cardíaca. A geração de impulso elétrico rítmico que ocasiona contrações cardiovasculares no coração se inicia no nódulo sinoatrial, que é considerado o marcapasso natural do coração. O estímulo sequencial localiza-se no nódulo atrioventricular, onde o estímulo elétrico irá se propagar aos ventrículos, por intermédio das fibras de Purkinje e pelos feixes de His (GUYTON, 2020, p. 385). Veja a imagem a seguir. Condução elétrica cardíaca. Os principais problemas ocorridos devido à falência da condução são classificados como: taquiarritmias e bradiarritmias, relacionadas à frequência de contração; estáveis e instáveis, relacionadas aos sinais e sintomas; e ventriculares e supraventriculares, quando relacionadas aos locais onde ocorrem (no caso, átrios e ventrículos). O enfermeiro consegue identificar essas arritmias em um eletrocardiograma (ECG). Em se tratando das arritmias relativas ao aumento da frequência de contração, podemos citar os problemas relacionados ao nódulo sinoatrial, mais especificamente a taquicardia sinusal, a arritmia sinusal e os ritmos atriais não sinusais. Veja a seguir. 1 Taquicardia sinusal Ocorre um aumento da frequência cardíaca, ocasionado por situações de ansiedade, estresse, mas também por insuficiências cardíacas ou embolias pulmonares. 2 Arritmias sinusais Podem ser ocasionadas por variações da frequência cardíaca, com aumento e redução dessa frequência durante o processo de inspiração e expiração; podem, ainda, estar relacionadas ao acúmulo de placas de ateroma na corrente circulatória, assim como à hipertensão intracraniana. 3 Ritmos atriais não sinusais Podemos observar a taquicardia supraventricular paroxística, o flutter atrial e a fibrilação atrial. Esses casos exigem condutas e avaliações imediatas na abordagem aos pacientes. De acordo com Tobase e Tomasini (2017, p. 120), podemos ver: Taquicardia paroxística supraventricular Ocorre aumento da frequência de modo uniforme, entre 160 e 220 batimentos por minuto, que se inicia e termina de forma súbita. Ela ocorre devido a situações de estresse, ingestão de drogas lícitas e ilícitas ou até mesmo sobrecargas funcionais do músculo cardíaco. Flutter atrial Ocorrem contrações regulares, porém em ritmo acelerado, em torno de 240 a 300 batimentos por minuto. Fibrilação atrial (FA) Ocorre uma arritmia cardíaca mais frequente, uma completa desorganização da atividade elétrica dos átrios, causando uma perda da contração atrial. Geralmente esse quadro está associado a doenças como diabetes, hipertensão arterial, acidente vascular, insuficiência cardíaca e idade. Já na diminuição da frequência, podemos encontrar as bradicardias sinusais e os bloqueios atrioventriculares de 1º, 2º e 3º graus. Podem estar relacionadas ao uso de medicamentos, exercícios e atividades hormonais. Veja a seguir. As bradicardias sinusais, numa redução da frequência abaixo de 60 batimentos por minuto (bpm), podem ser causadas por defeitos cardíacos hereditários, disfunções do nódulo sinoatrial, envelhecimento natural, cicatrização tecidual pós-infarto agudo. Os principais sinais e sintomas ocasionados podem ser desmaios, tontura, cansaço extremo e falta de ar. Nos bloqueios atrioventriculares temos: 1º grau Caracterizado pelo retardo do sinal elétrico, com intervalo PR maior do que 0,2 segundos. 2º grau Ocorre com um aumento progressivo do intervalo PR, até o momento em que o batimento atrial não é conduzido e não ocorre o complexo QRS. 3º grau Não existe comunicação elétrica entre os átrios e ventrículos; sendo assim, não há relação entre as ondas P e os complexos QRS. O tratamento, nesses casos, geralmente é um implante de marcapasso. O tratamento para essas bradiarritmias instáveis é a administração de atropina e, caso necessário, a colocação de um marcapasso transvenoso e a administração de medicamentos como dopamina e epinefrina. Em se tratando de instabilidade, isso pode ocorrer devido ao baixo débito cardíaco, com aumento da frequência cardíaca acima de 100 bpm. Esse débito diminuído pode ocasionar hipotensão arterial, alterações do nível de consciência, oligúria, pulso filiforme e extremidades frias. O enfermeiro consegue identificar essas apresentações por meio do exame físico minucioso, avaliando cada etapa de abordagem do processo de enfermagem. Uma das situações dessa instabilidade pode ser corrigida mediante a manobra vasovagal, com massagem do seio carotídeo, revertendo assim frequências superiores a 100 bpm. Oligúria Diminuição do volume urinário abaixo de 400ml em 24h. Atenção Esse procedimento é contraindicado para pacientes idosos, pelo risco de desprendimento de placas de ateroma na corrente circulatória. O enfermeiro também pode avaliar a administração medicamentosa no controle destas arritmias. Medicamentos como propranolol, adenosina, lidocaína ou verapamil, assim como anticoagulantes, auxiliam na prevenção, principalmente do flutter atrial. Os ritmos ventriculares também precisam ser avaliados, pois podem ocasionar a taquicardia ventricular sem pulso (TVSP) ou a fibrilação ventricular (FV), ritmos cardíacos que traduzem uma parada cardiorrespiratória (PCR). Oa neutralização de ácidos e bases, deslocando-os dentro do organismo, entre líquidos e nos espaços intra e extracelulares. É um sistema extremamente rápido e eficaz; contudo, não remove os ácidos do organismo, apenas movimenta-os de um lugar mais concentrado para um de menor concentração. Se o agravo causador do problema permanece, o desequilíbrio entre ácidos e bases se instala, gerando dois tipos mais comuns: o desequilíbrio primário ou simples e o desequilíbrio misto. No desequilíbrio primário, o pH se altera por conta de um único sistema corporal (respiratório ou metabólico). Já no distúrbio misto ocorre a alteração do pH e de dois sistemas orgânicos, em proporção. No distúrbio primário, encontramos a acidose metabólica, acidose respiratória, a alcalose metabólica e a alcalose respiratória. O valor do pH sanguíneo na dosagem laboratorial normal está em torno de 7,35 a 7,45. Quando os valores estão abaixo desse parâmetro, podemos dizer que o paciente está com acidose. Quando está acima, podemos identificar uma alcalose. O enfermeiro está capacitado a identificar essas alterações, que podem ocorrer de modo metabólico e respiratório. Veja a tabela a seguir. Tabela: Características dos distúrbios ácido-base primários. Guyton; Hall, 2020, p. 1248. Veja a seguir um pouco mais sobre cada uma das alterações. Acidose metabólica No caso da acidose metabólica, o pH está com valores abaixo da média estipulada, causado principalmente por queda na concentração sanguínea de HCO3-, por aumento em sua produção ou perdas excessivas de bases, como o bicarbonato. As principais causas da acidose metabólica encontrada nos serviços de emergência podem ser diabetes, fome prolongada, alcoolismo, diminuição da oferta de oxigênio sanguíneo devido ao choque, sepse ou convulsões, intoxicações com metanol e salicilatos, insuficiência renal aguda e rabdomiólise. Na unidade de urgência e emergência, o enfermeiro precisa estar atento aos sinais e sintomas mais comuns, como hiperventilação, respiração de Kussmaul, hálito cetônico, dispneia, hipotensão arterial, cefaleia, arritmias cardíacas e alterações neurológicas, como confusão e coma. Esse profissional precisa estar atento à oferta de O2 para o paciente, ao controle na administração de soluções contendo HCO3- , à avaliação laboratorial de rotina e ao controle dos sinais vitais. Alcalose metabólica Na alcalose metabólica, o pH está acima dos valores médios (> 7,45), ocasionado pelo aumento na concentração sanguínea do bicarbonato (HCO3-). Sua apresentação é bem similar aos distúrbios eletrolíticos, como a hipocalemia, hipomagnesemia e até mesmo a hipovolemia. Sinais e sintomas que mais acometem os pacientes são os espasmos musculares involuntários, as câimbras, tetania, convulsões e alterações do estado sensorial. Para esse agravo, é necessária a correção da alcalinização sanguínea. Pode ser realizada com a reposição de K+ (nos casos de hipocalemia), reposição de solução fisiológica ou de expansores plasmáticos (em casos de hipovolemia). Em situações de aumento na secreção gástrica, como vômitos e drenagens, podem ser utilizados medicamentos inibidores de secreção gástrica. Nas situações de maior gravidade, a diálise renal pode ser utilizada, com a finalidade de remover o excesso do íon bicarbonato, como também de corrigir o cloreto na corrente sanguínea. Acidose respiratória Quando o problema gerador do aumento da acidez é causado pelo déficit no funcionamento respiratório, pode ocorrer a acidose respiratória, em que o pH diminui em valores abaixo de 7,35, devido ao aumento na pressão de CO2, provocada por problemas causadores de hipoventilação, dificultando a eliminação desse gás. Nos distúrbios patológicos, o enfermeiro pode identificar, no exame físico, situações agudas, como confusão, agitação psicomotora devido à hipóxia, aumento da pressão intracraniana (PIC), arritmias e hipertensão arterial. Em casos mais tardios, a tentativa de compensação do quadro pode ser feita com taquidispneia e hipotensão arterial. O tratamento para esse agravo consiste na correção do padrão respiratório, com administração de oxigênio para reversão dos quadros de hipóxia. A instalação de uma via aérea definitiva pode ser necessária, com o controle e a observação constantes dos padrões respiratórios durante a permanência nessa situação. Alcalose respiratória Na alcalose respiratória, o pH aumenta em valores acima de 7,45, por causa da redução na pressão de CO2 devido à hiperventilação ocasionada por patologias ou tratamentos (como o utilizado na redução da pressão intracraniana). O paciente pode apresentar alteração do nível de consciência, parestesias, convulsões, arritmias ventriculares e atriais, além de excessivo estímulo neuromuscular, chegando até ao coma. Os problemas causadores da alcalose metabólica podem ser gerados por vários sistemas orgânicos, como a hipóxia (em altitudes elevadas ou insuficiências cardíacas congestivas), insuficiência hepática, infecções por germes gram-negativos, tumores, traumas, ajustes inadequados do ventilador mecânico, gravidez (com o aumento do hormônio progesterona), doenças pulmonares (embolia pulmonar, fibrose, edema e pneumonia). Nas emergências clínicas o enfermeiro precisa ter conhecimento dos parâmetros eletrolíticos para supervisionar a correção do distúrbio com oxigenoterapia, e até mesmo orientar o paciente na realização de exercícios respiratórios para minimizar a ansiedade e o desconforto ventilatório. DISTÚRBIO pH HCO3 - PaCO2 Acidose metabólica 7,45 > 26 Normal Acidose respiratória 45mmHg) Alcalose respiratória > 7,45 Normal Baixa (na filtração glomerular, com possível insuficiência renal instalada. Da mesma forma, alguns medicamentos podem comprometer o funcionamento renal. 5. Conclusão Considerações finais As variações na fisiologia devido ao agravo de doenças ou utilização contínua de terapias podem causar transtornos cardiovasculares, respiratórios, neurológicos, renais e metabólicos. Essas situações, se não forem bem abordadas nos serviços de pronto atendimento, podem evoluir com gravidade e até com risco de morte. A avaliação feita pelo enfermeiro, assim como a adoção das etapas do processo de enfermagem – coleta de dados, histórico, exame físico, diagnóstico de enfermagem, implementação e avaliação –, facilitam a interpretação de problemas apresentados pelo paciente que busca uma unidade de urgência e emergência. Trabalhando em conjunto com a equipe multidisciplinar, e adotando as condutas assertivas, certamente o profissional estará colaborando para oferecer ao paciente as melhores condições de atendimento. Podcast Neste podcast, você ouvirá sobre como o enfermeiro lida com as emergências clínicas atualmente. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + No portal regional da Biblioteca Virtual em Saúde, pesquise o artigo “Recomendações para o atendimento de pacientes suspeitos ou confirmados COVID-19, pelas equipes de enfermagem de serviços de emergência (pré-hospitalar fixo e intra-hospitalar)”. No mesmo portal, leia o artigo intitulado “Eletrocardiograma na prática do enfermeiro em urgência e emergência”, de Lívia da Silva Firmino dos Santos e outros. Referências AMERICAN HEART ASSOCIATION. Destaques das diretrizes da AHA 2020 para RCP e ACE – USA, 2020. In: Emergency Cardiovascular Care Programs, 2020. BRASIL. Avaliação e conduta da epilepsia na atenção básica e na urgência e emergência [recurso eletrônico]. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. 17 p. BRUNTON, L.L.; CHABNER, B.A.; KNOLLMANN, B.C. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & Gilman [recurso eletrônico]. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012. CHANES, M. SAE descomplicada. 1. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2018. GUYTON, A.C.; HALL, J. E. Tratado de fisiologia médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2020 JAMESON, J. L. et al. Medicina interna de Harrison. 20. ed. Porto Alegre: e-PUB, 2020. MARTINS, H. S.; DAMASCENO, M. C. de T.; AWADA, S. B. Pronto -socorro: medicina de emergência. São Paulo: Manole, 2013. MURAKAMI, B. M.; SANTOS, E. R. dos. Enfermagem em terapia intensiva. São Paulo: Manole, 2015. PORTO, C. C. Semiologia médica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. QUILICI, A. P.; TIMERMAN, S. BLS: primeiro atendimento na emergência para profissionais da saúde. São Paulo: Manole, 2011. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. 7ª. diretriz brasileira de hipertensão arterial. In: Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 107, n. 3, 2017. TOBASE, L.; TOMAZINI, E. A. S. Urgências e emergências em enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. VIANA, R. A. P. P.; WHITAKER, I. Y.; ZANEI, S. S. V. Enfermagem em terapia intensiva: práticas e vivências [recurso eletrônico]. Porto Alegre: Artmed, 2020. Emergências clínicas 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Assistência de enfermagem em emergências cardiovasculares Arritmias cardíacas Taquicardia sinusal Arritmias sinusais Ritmos atriais não sinusais Taquicardia paroxística supraventricular Flutter atrial Fibrilação atrial (FA) 1º grau 2º grau 3º grau Atenção Hipertensão arterial sistêmica Atenção Urgência hipertensiva Emergência hipertensiva Nitroprussiato de sódio Nitroglicerina Hidralazina Metoprolol Esmolol Furosemida Síndromes coronarianas agudas Definitivamente anginosa Provavelmente anginosa Provavelmente não anginosa Definitivamente não anginosa Morfina Oxigênio Nitrato AAS (Aspirina) Betabloqueador Choque Atenção Hipovolêmico Cardiogênico Obstrutivo Distributivo Circulation Airway Breathing Desfibrilation Choque hipovolêmico Choque séptico Choque anafilático Cuidados de enfermagem ao paciente em emergências cardiológicas Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Identificação das arritmias cardíacas Conteúdo interativo Hipertensão arterial sistêmica Conteúdo interativo Síndromes coronarianas nas urgências e emergências Conteúdo interativo Principais tipos de choque nas urgências e emergências Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. Assistência de enfermagem em emergências respiratórias Insuficiência respiratória Tipo 1 ou hipoxêmica Tipo 2 ou hipercápna Saiba mais Asfixia Por confinamento Por gases Mecânica por constrição do pescoço Por sufocação Por queda de língua Por obstáculos mecânicos Leve ou parcial Grave ou total Cuidados de enfermagem ao paciente em emergências respiratórias Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Identificação da insuficiência respiratória aguda Conteúdo interativo Asfixia nas urgências e emergências Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Assistência de enfermagem em emergências neurológicas. Crise epilética Focais Multifocais Mioclônicas Crise parcial simples Crise parcial complexa Crise tônico-clônica generalizada Mal epilético Atenção Acidente vascular cerebral Isquêmico (AVCi) Hemorrágico (AVCh) Atenção 10 minutos 25 minutos 45 minutos 60 minutos 3 horas Risco de lesão Processo de pensamento perturbado Risco de aspiração Comunicação verbal prejudicada Perfusão tissular cerebral ineficaz Cuidados de enfermagem ao paciente em emergências neurológicas. Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Identificação da crise epilética Conteúdo interativo Acidente vascular cerebral Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Assistência de enfermagem em emergências renais e metabólicas Emergências renais Calculose renal Saiba mais Atenção Insuficiência renal aguda Pré-renal Intrarrenal Pós-renal Saiba mais Saiba mais Saiba mais Distúrbios no equilíbrio ácido básico Sistema respiratório Sistema renal Sistema tampão Acidose metabólica Alcalose metabólica Acidose respiratória Alcalose respiratória Emergências metabólicas Conteúdo interativo Vem que eu te explico! A calculose renal nos serviços de emergência Conteúdo interativo Insuficiência Renal Conteúdo interativo Problemas no equilíbrio ácido-básico Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 5. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referênciasenfermeiro precisa ter atenção durante todo o processo, incluindo a coleta de dados, a realização do exame físico, a interpretação do ECG. A administração de terapia medicamentosa associada ou não a cardioversão elétrica (CVE), ou até mesmo com a desfibrilação, pode auxiliar tanto no atendimento pré- hospitalar como no intra-hospitalar, salvaguardando a saúde do paciente assistido. O atendimento do enfermeiro ao paciente com arritmia cardíaca visa obter dados sobre o início dos sinais e sintomas, além de garantir uma via aérea pérvia para a respiração adequada, o monitoramento dos sinais vitais, a confecção de um acesso venoso pérvio para a administração medicamentosa, a coleta laboratorial para identificação de distúrbios no equilíbrio ácido básico, e auxiliar na realização de exames de imagem, para a ilustração mais precisa do agravo. Esquema de atendimento pré-hospitalar na arritmia. Hipertensão arterial sistêmica A pressão arterial é a força lateral sobre as paredes de uma artéria, exercida pelo sangue pulsando pela pressão do coração. Ela é determinada pela relação PA=DC x RP, onde: PA é a pressão arterial, DC é o débito cardíaco e RP é a resistência periférica (POTTER, 2017, p. 495). Essa pressão depende do débito cardíaco. O volume aumentado em um vaso sanguíneo, que é considerado um espaço fechado, eleva a pressão naquele local. Conforme o débito cardíaco se eleva, mais sangue é bombeado, aumentando mais a PA. A resistência periférica também é um valor em que a PA é dependente. O tamanho dos vasos sanguíneos (artérias e veias) se ajusta para acomodar o volume interno de sangue. A pressão arterial varia entre um máximo no pico da contração ventricular (sistólica) e um mínimo no final do relaxamento dos ventrículos (diastólica). Atenção Nas verificações da pressão sanguínea, é interessante saber que não existe um valor “normal” para a pressão e, na verdade, deveríamos nos referenciar à pressão arterial sistêmica, em vez do primeiro termo. Os valores normais referenciados giram em torno de 120/80 mmHg. No entanto, as pressões da maioria de indivíduos saudáveis giram em torno de 100/60 e 140/90 mmHg, em uma única medida. Esses valores podem diminuir durante os exercícios ou até mesmo aumentar, em exercícios extenuantes. A pressão arterial média durante um ciclo cardíaco é determinada pela seguinte equação: PAM=DC x RVP, onde RVP é a resistência vascular periférica. A classificação da pressão arterial para adultos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2017), é: CLASSIFICAÇÃO PAS* (mmHg) PAD**(mmHg) Normal ≤ 120 ≤ 80 Pré-hipertensão 121-139 81-89 Hipertensão estágio 1 140-159 90-99 Hipertensão estágio 2 160-179 100-109 Hipertensão estágio 3 ≥ 180 ≥ 110 *Pressão arterial sistólica/ **Pressão arterial diastólica Tabela: Classificação da pressão arterial (PA), de acordo com a medida casual, em maiores de 18 anos. Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2017. De acordo com essa mesma instituição, a hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica de múltiplos fatores, que pode não estar associada a sintomas e é caracterizada pela elevação sustentada dos níveis de pressão sistólica (PAS), acima ou igual a 140 mmHg, e/ou diastólica (PAD), acima ou igual a 90 mmHg. Além de ser considerada uma das doenças mais frequentes na sociedade, trata-se de uma patologia com alto índice de complicações que levam os indivíduos a procurar os serviços de atendimento de urgência no país (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2017, p. 5). Veja a seguir sobre urgência e emergência hipertensiva. 1 Urgência hipertensiva Elevação da PAD: PAD ≥ 120 mmHg sem lesão de órgãos-alvo. Risco potencial à vida. Redução gradativa da PA nas primeiras 24 horas, geralmente com o uso de medicamentos por via oral. • • • 2 Emergência hipertensiva Síndromes coronarianas agudas (SCA), encefalopatia hipertensiva, acidente vascular cerebral (AVC), edema agudo pulmonar (EAP) e síndrome HELLP. Risco iminente de morte. Redução imediata da PA em minutos ou poucas horas, com administração de medicamentos por via endovenosa. O enfermeiro pode identificar essas variações pressóricas por meio da coleta de dados, de exame físico, além de outros recursos, como exames laboratoriais (hemograma completo, ureia, creatinina, sódio, potássio, magnésio, marcadores enzimáticos), de imagem (RX de tórax e ultrassonografia), além do eletrocardiograma. A discussão com a equipe multidisciplinar pode ser realizada, com a sugestão de exames complementares (ecocardiograma transesofágico e tomografia computadorizada). O tratamento medicamentoso da hipertensão tem o intuito de diminuir os níveis pressóricos considerados graves para a saúde do paciente. Essa redução precisa ser gradativa, para que não ocorram desregulações vasculares, isquemias, sobrecargas coronarianas e até mesmo renais. O profissional enfermeiro pode monitorar esses valores por meio da monitorização não invasiva, ou com o uso de aparelho esfigmomanômetro, acompanhado de estetoscópio. Muitos medicamentos são utilizados em serviços de urgência e emergência, como o captopril, inibidor da enzima de conversão da angiotensina e que possui apresentações de 12,5mg até 50mg via oral, com ação em até 15 minutos e duração de 4 a 6 horas ou a clonidina, um simpaticolítico com apresentações via orais de 0,2 a 0,8mg, com ação de 30 minutos a 2 horas e duração de 6 a 8 horas (BRUNTON; CHABNER; KNOLLMANN, 2012, p. 721). Conheça a seguir alguns medicamentos utilizados em emergências hipertensivas. Nitroprussiato de sódio Dose: 0,25 a 10mg/kg/min (IV). Ação: Imediata. Efeitos adversos: náusea, vômito, intoxicação por cianeto, hipotensão grave. Nitroglicerina Dose: 5 a 100mg/min (IV). Ação: 2 a 5min. Efeitos adversos: cefaleia e taquicardia. • • • • • • • • • Hidralazina Dose: 10 a 20mg (IV)/ 10 a 50mg (IM). Ação: 10 a 20min/20 a 30min. Efeitos adversos: taquicardia, cefaleia, vômito e angina. Metoprolol Dose: 5mg (IV): repetir a cada 10min. Até 20mg, se necessário. Ação: 5 a 10min. Efeitos adversos: bradicardia, bloqueio atrioventricular (BAV), insuficiência cardíaca e broncoespasmo. Esmolol Dose: Dose de ataque: 500mg/kg (IV)/Dose de manutenção: 25 a 50mg/kg/min Ação: 1 a 2min. Efeitos adversos: náusea, vômito, BAV 1º grau, broncoespasmo e hipotensão. Furosemida Dose: 20 a 60mg (IV), repetir após 30min. Ação: 2 a 5min. Efeitos adversos: hipopotassemia. Os pacientes atendidos nas unidades de urgência e emergência, que estabilizam e são liberados para casa, precisam ser reavaliados em unidades básicas de saúde ou até mesmo em unidades especializadas, visando a continuidade da assistência. E o enfermeiro é um dos profissionais fundamentais para tal ação. Síndromes coronarianas agudas Quando falamos sobre síndromes coronarianas agudas (SCA), precisamos observar principalmente as patologias isquêmicas do coração que podem causar dor torácica no paciente. Esse tipo de dor de origem cardíaca pode estar relacionado à angina e ao infarto agudo do miocárdio, podendo gerar diversos agravos à saúde do paciente, até mesmo a morte. Veja mais a seguir sobre a classificação da dor torácica, segundo o tipo de dor e as características do quadro clínico. • • • • • • • • • • • • Definitivamente anginosa As manifestações permitem o diagnóstico das SCA, independentemente dos resultados dos exames. Localização: dor/desconforto retroesternal ou precordial. Características: opressão, queimação ou mal-estar inespecífico, geralmente precipitado por esforço físico, estresse acompanhado de agitação, sudorese e palidez. Irradiação: mandíbula, face interna dos braços, ombros e costas, com duração de alguns minutos. Melhora: é aliviada em menos de 10 minutos, com repouso ou uso de nitratos. Provavelmente anginosa As características da dor são a principal hipótese da SCA, porém requer confirmação por exame. Características do quadro: tem a maioria, mas não todas, as características da dordefinitivamente anginosa. Provavelmente não anginosa As características indicam SCA como principal hipótese, porém são necessários exames complementares. Características do quadro: tem poucas características da dor definitivamente anginosa (dor atípica, sintomas de equivalente anginoso). Definitivamente não anginosa Não tem nenhuma característica da dor anginosa, sendo fortemente indicativa de diagnóstico não cardiológico. Durante a admissão, o enfermeiro pode identificar, por intermédio do exame físico e da realização de um ECG, o que não pode ocorrer em um período maior que 10 minutos da avaliação inicial. A coleta de dados é importante como fatores predisponentes, história pregressa patológica, assim como a localização e intensidade da dor, traçam a conduta a ser seguida para o acompanhamento do indivíduo. O enfermeiro também pode realizar a coleta laboratorial, com dosagem dos marcadores de enzimas cardíacas, que podem ser usadas como marcadores de necrose miocárdica. Enzimas como troponina, CK-MB massa e mioglobina auxiliam a complementar, juntamente com o ECG, a avaliação diagnóstica da SCA. A partir desses exames, as síndromes coronarianas agudas podem ser classificadas como angina instável, infarto agudo com supradesnivelamento do seguimento ST (devido à modificação que ocorre na linha de base do ECG), e infarto agudo sem supradesnivelamento do seguimento ST. • • • • O tratamento desse quadro tem o intuito de reverter a isquemia e o comprometimento da área de necrose no músculo cardíaco. Dos medicamentos utilizados, entre os mais importantes na atuação contra esse agravo, podemos utilizar como direcionamento a sigla mnemônica “MONAB”: morfina, oxigênio, nitrato, aspirina e betabloqueador. Veja mais sobre eles a seguir. 1 Morfina Funciona como um analgésico opioide potente, diminuindo a pré-carga do ventrículo esquerdo e aumentando a captação de oxigênio pelos tecidos. Cuidados de enfermagem: atentar para a intoxicação analgésica (hipotensão, depressão respiratória, vômitos intensos). 2 Oxigênio Limita a lesão isquêmica miocárdica, evitando o aumento da elevação do segmento ST no ECG. Cuidados de enfermagem: administrar por máscara ou cânula nasal, de 2-4 litros/minuto. 3 Nitrato Representado pelo medicamento dinitrato de isossorbida, ou até mesmo a nitroglicerina, promovem a vasodilatação coronariana, melhorando a perfusão cardíaca. Cuidados de enfermagem: não administrar nos casos de pressão arterial sistólica menor que 90mmHg, bradicardia severa, taquicardia, infarto agudo do miocárdio do ventrículo direito suspeito. 4 AAS (Aspirina) A aspirina visa inibir a agregação plaquetária, impedindo a oclusão das artérias coronárias por trombos. Cuidados de enfermagem: contraindicado em casos de desordens hemorrágicas, úlcera péptica, hipersensibilidade e hepatopatia grave. 5 Betabloqueador Previnem o reinfarto, assim como a extensão da lesão, reduzem a pós-carga ventricular e a isquemia pós-infarto. Cuidados de enfermagem: não realizar nestes casos: frequência cardíaca abaixo de 60bpm, pressão sistólica abaixo de 100mmHg, intervalo PR do ECG maior que 0,24 segundos, bloqueios atrioventriculares de 2º e 3º graus e disfunção ventricular grave. Choque Quando ocorre uma incapacidade do coração em prover oxigênio e nutrientes através de seu sistema circulatório, podemos dizer que o paciente se encontra em estado de choque. Esse agravo pode ocorrer por um débito cardíaco inadequado, causando impedimento ao coração de bombear sangue para o corpo. Atenção Para que o sistema cardiovascular funcione adequadamente, é necessário que o coração mantenha o bombeamento de sangue, e que esse volume bombeado seja suficiente para preencher os vasos, com manutenção do calibre, se ajustando às condições fisiológicas normais. Qualquer falha ocorrida nesse sistema provoca diminuição da perfusão tecidual, levando o paciente a desenvolver o quadro de choque. O choque pode ser caracterizado em quatro tipos: de volume ou hipovolêmico; cardiogênico; obstrutivo; e distributivo. O choque distributivo abrange os choques anafilático (alérgico), séptico e o neurogênico. Durante avaliação nos serviços de pronto atendimento, o enfermeiro pode encontrar mais de um tipo de choque ocorrendo de forma simultânea (TOBASE; TOMASINI, 2017, p. 125). Veja a seguir. Hipovolêmico Ocorre a diminuição de volume circulante. Etiologia: hemorragias, acidentes, traumas, ferimentos, queimadura extensa e desidratação (diarreia e vômito). Apresentação clínica: sudorese, pele fria e pegajosa, palidez, pressão arterial convergente, hipotensão arterial, retardo no enchimento capilar, alterações no padrão respiratório, alterações no padrão de consciência, diminuição do débito urinário, falência hepática. Cardiogênico Ocorre falha da força contrátil cardíaca. Etiologia: IAM, angina, cardiomiopatia, valvulopatia, tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo, medicamentos e trauma. Apresentação clínica: sudorese, pele fria e pegajosa, palidez, pressão arterial convergente, hipotensão arterial, retardo no enchimento capilar, alterações no padrão respiratório, alterações no padrão de consciência, diminuição do débito urinário, falência hepática. Obstrutivo Ocorre um impedimento mecânico do fluxo sanguíneo nos órgãos. Etiologia: trombose venosa profunda, embolia, pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco, fraturas de ossos longos e trauma. Apresentação clínica: sudorese, pele fria e pegajosa, palidez, pressão arterial convergente, hipotensão arterial, retardo no enchimento capilar, alterações no padrão respiratório, alterações no padrão de consciência, diminuição do débito urinário, falência hepática. Distributivo Ocorre alteração do tônus vasomotor das arteríolas e inadequação na distribuição de volume sanguíneo. Etiologia: Choque anafilático: reação a medicamentos, hemotransfusão, picadas de insetos, vacinas e alimentos. Choque séptico: infecção e sepse. Choque neurogênico: TCE, TRM e aumento da pressão intracraniana. Apresentação clínica: pele quente, seca e de cor rosada. Em uma abordagem ao choque, o enfermeiro precisa reconhecer a etiologia, para um atendimento adequado ao paciente. Inicialmente, no atendimento pré-hospitalar, esse profissional pode avaliar a cena, estabelecendo segurança para sua atuação. Em seguida, de acordo com o protocolo da American Heart Association (AHA), deve realizar o protocolo clínico CABD – que significa: Circulation É a checagem do pulso e circulação geral. Airway É a abertura de vias aéreas, facilitando a entrada de ar nos pulmões e, assim, a troca gasosa. Breathing É a avaliação da respiração checando a entrada e a saída de ar nos pulmões. Desfibrilation É a aplicação do desfibrilador externo automático (DEA). Na avaliação secundária, de acordo com a mesma instituição, o enfermeiro realiza o procedimento cuja sigla mnemônica é AMPLA (alergias; medicamentos em uso; passado ou histórico clínico de saúde; líquidos e alimentos ingeridos; ambientes e eventos relacionados à complicação). A verificação dos sinais vitais também é realizada, assim como, se possível, a verificação do teste de glicemia capilar, ou haemoglucotest. A investigação da etiologia do choque também é recomendada durante as avaliações primária e secundária. • • • O paciente necessita da oferta de oxigênio o quanto antes, evitando quadros como hipóxia tecidual. Com a garantia da via respiratória pérvia e oxigenada, o controle de sangramentos (se presentes), o monitoramento dos sinais vitais, a oximetria de pulso e o ECG, o profissional enfermeiro pode realizar a punção venosa periférica ou, na impossibilidade desta, a punção intraóssea, garantindo acesso vascular para a administração de medicamentos. A prevenção de perda de calor também é necessária, com a realização de aquecimento corporal com cobertor ou manta térmica. O transporte para a unidade de atendimento hospitalar precisa ser breve. Nos casos de choque em ambiente intra-hospitalar, além darealização das avaliações primária e secundária, o paciente precisa ser atendido na sala de trauma, e a via respiratória pérvia e o suporte ventilatório são recomendados. A verificação dos sinais vitais, oximetria de pulso, realização de ECG, e realização de acesso venoso com coleta laboratorial para posterior análise e interpretação são ações que o enfermeiro pode executar, salvaguardando a vida do paciente. Além disso, veja as abordagens indicadas nos casos a seguir. Choque hipovolêmico Pode ser aplicada a sondagem vesical de demora com realização de balanço hídrico, e a passagem de uma sonda nasogástrica em sifonagem, controlando as perdas volumétricas. Choque séptico A observação da prescrição medicamentosa de soroterapia é a administração de antibioticoterapia. Choque anafilático A recomendação é a administração de epinefrina IM a cada 5 a 10 minutos, variando de 1/3 a 1/2 de ampola, por via intramuscular. Os pacientes nessas situações precisam estar monitorados, de preferência em unidades de terapia intensiva ou semi-intensiva. Cuidados de enfermagem ao paciente em emergências cardiológicas Neste vídeo, você será apresentado aos tipos principais das emergências cardiovasculares, assim como o atendimento específico para estes agravos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Identificação das arritmias cardíacas Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Hipertensão arterial sistêmica Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Síndromes coronarianas nas urgências e emergências Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Principais tipos de choque nas urgências e emergências Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Um paciente pode apresentar sangramento por vômito (hematêmese), em decorrência de uma hemorragia digestiva alta. O tipo de choque que está ligado a esse agravo é A hipovolêmico B neurogênico C anafilático D cardiogênico E séptico A alternativa A está correta. O choque hipovolêmico é caracterizado pela perda volumétrica de sangue ou plasma, causando incapacidade do organismo de prover oxigênio e nutrientes aos tecidos. A perda de sangue pode ser considerada perda volumétrica importante. Questão 2 A monitorização em uma emergência cardíaca é fundamental e o enfermeiro deve estar atento a toda e qualquer alteração nos parâmetros; assim, as condutas se tornam mais assertivas. O dispositivo utilizado pelo enfermeiro para a interpretação de arritmias cardíacas é A enzimas cardíacas B ecocardiograma C eletrocardiograma D teste de esforço E prova de função respiratória A alternativa C está correta. O eletrocardiograma (ECG) é o exame indicado para identificar ritmos cardíacos alterados, por meio do traçado eletrocardiográfico. Com ele o enfermeiro consegue identificar alterações de ritmos, assim como os atrasos na condução do impulso elétrico pelo coração através das fibras nervosas cardíacas. 2. Assistência de enfermagem em emergências respiratórias Insuficiência respiratória Quando falamos dos agravos respiratórios nas unidades de urgência e emergência, podemos identificar dois tipos principais, que são: a insuficiência respiratória e a asfixia. Essas complicações, se não abordadas de maneira correta, podem ocasionar problemas na troca gasosa pulmonar, impedindo o indivíduo de captar o oxigênio e difundi-lo pelos tecidos. Esse agravo pode ser entendido como a incapacidade do aparelho respiratório em ofertar as concentrações de oxigênio aos tecidos, assim como da eliminação do dióxido de carbono para o meio externo. Tal incapacidade pode levar o indivíduo a uma parada respiratória e, consequentemente, a uma parada cardíaca, já que o tecido muscular cardíaco entrará em falência devido a uma hipoxemia, e, em seguida, em necrose. Essa insuficiência pode ser classificada como: Hipoxemia Diminuição da concentração de oxigênio sanguíneo. Tipo 1 ou hipoxêmica Quando a pressão parcial de oxigênio alveolar se encontra abaixo de 60mmHg, e pode ocorrer na presença de exsudatos, transudatos, processos infecciosos e septicemia. Tipo 2 ou hipercápna A hipoventilação pode ocasionar uma pressão de oxigênio maior do que 50mmHg, ocorrendo com a diminuição da frequência respiratória, cansaço respiratório e aumento do espaço morto anatômico. O desenvolvimento dessa patologia pode ser de forma intrapulmonar, com a ocorrência de processos infecciosos, por edema agudo pulmonar (EAP), doença pulmonar obstrutiva crônica – bronquite, bronquiolite e enfisema pulmonar –, embolia pulmonar, além da síndrome da angústia respiratória aguda. No caso de desenvolvimento de forma extrapulmonar, destacam-se as alterações no sistema nervoso central, mais especificamente no centro de controle respiratório, ocasionadas por algum trauma cranioencefálico, acidentes vasculares cerebrais, uso de substâncias psicoativas, intoxicações exógenas e até mesmo meningites. Edema agudo pulmonar Acúmulo de líquido no espaço pulmonar. Saiba mais Embolia pulmonar: Obstrução do fluxo vascular nos vasos que levam e trazem sangue ao pulmão. Oxigenoterapia. Com relação à faixa etária, o tipo hipoxêmico ocorre mais em crianças, e está ligado a problemas durante o nascimento, tamanho das vias respiratórias, massa muscular do diafragma que é mais reduzida, além do desenvolvimento precoce pulmonar. Já nos idosos, relaciona-se a problemas cardiovasculares, como a insuficiência cardíaca congestiva (ICC), ou ainda a problemas infecciosos (pneumonia), obstrutivos (embolia pulmonar), ou processos inflamatórios crônicos (doença pulmonar obstrutiva crônica) (TOBASE; TOMASINI, 2017, p. 135). Os problemas oriundos da insuficiência respiratória podem ser manifestados pela utilização da musculatura acessória, por aumento do volume de secreções, aumento na frequência respiratória, alterações relacionadas ao aumento da acidez sanguínea, cianose das extremidades, aumento da frequência cardíaca, além de alterações neurológicas, como agitação psicomotora e confusão mental. Para a interpretação desse agravo, a equipe multidisciplinar pode utilizar-se do exame físico associado aos exames radiológicos e laboratoriais. Situações mais específicas podem requerer o uso de tomografia computadorizada, exame mais detalhado para a obtenção de um diagnóstico fechado. Esse exame pode demandar o uso de contraste venoso, para melhor visualização das estruturas que fazem parte do aparelho respiratório. No tratamento da insuficiência respiratória, o objetivo é restabelecer a função respiratória, com a correta absorção do oxigênio e eliminação satisfatória do gás carbônico. A utilização de dispositivos de baixo fluxo e alto fluxo tem a função de ofertar as concentrações ideais de oxigênio por via inalatória. Se o desconforto respiratório é mais grave, haverá necessidade de dispositivos de pressão positiva contínua nas vias respiratórias, como é o caso do CPAP, com o objetivo de melhorar a capacidade residual funcional e a oxigenação. Se a opção for a regulação dos gradientes de pressão inspiratória e expiratória, o dispositivo de escolha é a máscara de pressão positiva binível, ou BIPAP. Veja na imagem a seguir o uso do CPAP. Mulher com máscara CPAP para melhorar a oxigenação. Diante de uma resposta ineficaz aos dispositivos de pressão positiva, de baixo e alto fluxo, pode ser necessária a colocação de uma cânula supraglótica, ou até mesmo um tubo orotraqueal. Esses procedimentos evitam o risco de aspiração de conteúdo gástrico, direcionam uma ventilação positiva com 100% de fluxo de oxigênio para os pulmões, além de permitirem um repouso no aparelho respiratório, em função de fadiga muscular causada pela insuficiência respiratória. Ao tratamento mecânico pode ser conjugada a terapêutica medicamentosa. O enfermeiro necessita conhecer os principais tipos de medicamentos, além de seus efeitos no organismo ena área respiratória. Os medicamentos mais utilizados para facilitar a entrada de ar nos pulmões são os broncodilatadores, que podem ser administrados tanto por via inalatória como parenteral. Outros grupos medicamentosos também são utilizados, como os corticoides, antibióticos, diuréticos, além de sedativos. DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM RESULTADOS INTERVENÇÕES PRINCIPAIS Troca de gases prejudicada Equilíbrio acidobásico e eletrolítico adequado - Controle acidobásico, controle de eletrólitos, interpretação de dados laboratoriais Manutenção da troca gasosa e ventilação - Oxigenoterapia e monitoramento respiratório Perfusão tissular pulmonar eficaz Controle acidobásico: acidose e alcalose respiratória; cuidados na embolia; regulação hemodinâmica Perfusão tissular periférica ineficaz Adequação do fluxo sanguíneo pelos pequenos vasos das extremidades para manter a função tissular - Cuidados circulatórios - Controle do choque cardiogênico e reanimação cardiopulmonar Débito cardíaco diminuído Adequação do volume de sangue ejetado do ventrículo esquerdo para manter a pressão de perfusão sistêmica Controle do choque cardiogênico, regulação hemodinâmica, controle acidobásico Tabela: Diagnósticos de enfermagem e intervenções em caso de insuficiência respiratória. Tobase; Tomasini, 2017, p. 138. No atendimento pré-hospitalar em casos de insuficiência respiratória, o enfermeiro deve sempre avaliar a segurança da cena, evitando assim riscos desnecessários a sua própria vida e aos outros profissionais que o auxiliam. As avaliações primária e secundária são importantes para identificação dos principais agravos relacionados à insuficiência respiratória (avaliação da frequência respiratória, expansibilidade e simetria torácica, além de uso de musculatura acessória e cianose de extremidades). A permeabilidade da via aérea precisa ser realizada, assim como a monitorização dos sinais vitais. O enfermeiro pode, se necessário, realizar a punção venosa periférica ou, se houver dificuldade, a punção intraóssea, para administração de medicações que auxiliem no trabalho ventilatório (QUILICI; TIMERMAN, 2011, p. 79). No atendimento hospitalar, o paciente precisa ser atendido na sala de trauma, um local específico, que contém todo o material necessário para a abordagem. A compreensão da etiologia da insuficiência respiratória é necessária, para uma melhor abordagem à vítima. As avaliações primária e secundária continuam sendo necessárias, além do posicionamento do paciente em decúbito elevado. A via respiratória precisa estar pérvia, com oxigenoterapia necessária e suporte ventilatório. A monitorização do paciente precisa ser realizada, além da verificação dos sinais vitais e controle da oximetria de pulso. O enfermeiro deve providenciar um acesso venoso calibroso e a coleta de sangue para avaliação laboratorial. Esse acesso será utilizado para a realização de terapia farmacológica de suporte, como corticoides, broncodilatadores, soluções e analgesia. Exames diagnósticos podem ser utilizados para a monitorização da situação, como a radiografia de tórax e tomografia, se necessário. Caso o paciente obtenha melhora no padrão respiratório, pode ser liberado para o domicílio, com orientações de acompanhamento ambulatorial. Por outro lado, se ocorre agravamento do quadro, a instalação de dispositivos como sonda vesical de demora, a realização de balanço hídrico e do ECG podem ser necessários. O paciente também pode ser transferido para uma unidade de terapia intensiva, para melhor observação. Asfixia Quando uma pessoa tem algum bloqueio da ventilação, causando prejuízo na oxigenação tecidual, dificuldade de fala e de respiração – que inclui o sinal universal provocado por engasgo (o indivíduo traz as duas mãos na altura do pescoço, indicando que está com dificuldade para respirar) –, ela está passando por um caso de asfixia, situação bem comum nos casos de urgência e emergência. Veja a imagem a seguir. Bloqueio na respiração. Nesses casos, o bloqueio da respiração pode ser ocasionado por causas externas, como a obstrução por corpo estranho, gases incompatíveis com a vida, obstrução do fluxo de ar, assim como por fatores individuais, como queda do nível de consciência e patologias com perda de funções de controle cognitivo e de deglutição. Veja a seguir os tipos de asfixia. Por confinamento Ocorre quando a concentração de oxigênio do ambiente atinge níveis muito baixos, podendo chegar a valores incompatíveis com a vida. Por gases Ocorre quando a concentração de gases irrespiráveis atinge limites de tolerância acima da normalidade, sendo considerados tóxicos. Mecânica por constrição do pescoço Ocorre nas seguintes situações: Enforcamento: interrupção da entrada do ar atmosférico nas vias respiratórias em decorrência da constrição cervical por um laço fixo, com o próprio corpo da vítima agindo como força ativa. Estrangulamento: a interrupção se dá por um laço acionado por uma força estranha, com constrição da circulação encefálica e compressão do feixe nervoso. Esganadura: constrição do pescoço pelas mãos e consequente obstrução da passagem de ar atmosférico pelas vias respiratórias. Por sufocação Ocorre nas seguintes situações: Sufocação direta pela obstrução mecânica de segmento da árvore respiratória ou em decorrência da oclusão da boca e narinas com auxílio de almofadas, travesseiros, lenços ou outros instrumentos. Sufocação indireta pelo impedimento da expansão torácica pelas próprias costelas, músculos, nervos ou outras situações ambientais. Por queda de língua Ocorre geralmente em pessoas não responsivas, em razão do relaxamento dos músculos, inclusive a língua; quando flácida, impede a passagem de ar. Por obstáculos mecânicos Ocorre quando há impedimento da permeabilidade das vias respiratórias ou alvéolos pulmonares por corpos estranhos como moedas, brinquedos, pedaços de alimentos, entre outros. O tratamento para esse agravo é realizar a desobstrução da via aérea, permitindo assim que o fluxo de ar seja restabelecido. O comprometimento da via respiratória vai depender da causa da asfixia, como foi descrito. Quando a asfixia se dá por confinamento e por presença de gases tóxicos, a necessidade de movimentar a vítima para um local em que haja ventilação adequada é necessário. A avaliação da cena é importante para que o enfermeiro que esteja prestando socorro não seja uma segunda vítima desse agravo. No caso de obstrução por constrição do pescoço e por sufocação, a descompressão da área precisa ser realizada, para que o fluxo de ar seja restabelecido, assim como a oxigenação tecidual. Essa situação pode ocorrer em acidentes traumáticos, desabamento de estruturas, além de lutas corpo a corpo. • • • • • Cânula de Guedel. A asfixia por queda de língua pode ocorrer devido a uma condição de perda da consciência: a musculatura da língua obstrui a via respiratória, mais especificamente a entrada de ar pela glote, impedindo a entrada de ar para os pulmões. Nesses casos, um material que pode ser utilizado para evitar o rebaixamento da língua é a cânula de Guedel – ela evita que o paciente se asfixie pela própria língua, além de facilitar a aspiração das vias aéreas, se necessário. Para o correto posicionamento da cânula de Guedel, primeiro é necessário medi-la. Para isso, coloca-se a cânula em paralelo com a face do indivíduo em que será colocada a cânula e, em seguida, mede-se o dispositivo desde a comissura labial até o lóbulo da orelha. Vale lembrar que existem diversos tamanhos do dispositivo – para adultos e pediátricos – e essa medição se faz necessária para que na colocação não haja aumento da obstrução da via aérea. Veja a seguir. Posicionamento da cânula de Guedel. Os casos de obstrução por obstáculos mecânicos, como corpos estranhos, ocorrem na maioria das vezes em ambientes extra-hospitalares. Acontecem em situações diversas, como alimentação, e em brincadeiras com pequenos objetos. Podem ocorrer tanto em adultos como em crianças pequenas,e, para isso, existem técnicas de desobstrução das vias respiratórias adequadas a cada faixa etária. Quanto à classificação, a obstrução pode se apresentar como: Leve ou parcial Nesses casos, ainda existe a passagem de ar e o paciente apresenta tosse e dificuldade respiratória. Grave ou total Nesses casos, a passagem de ar é nula ou mínima, impedindo a troca de gases no nível alveolar. A tosse pode ser fraca e silenciosa, há ocorrência de cianose de extremidades, além de sinais de angústia respiratória e ruídos respiratórios estridentes (TOBASE; TOMASINI, 2017, p. 135). No caso dos adultos, a conduta a ser realizada pelo enfermeiro consiste na execução da manobra de Heimilich, que faz elevação do diafragma, aumentando a pressão na via respiratória e forçando o ar no interior dos pulmões, o que favorece o estímulo de uma tosse artificial e a eliminação do objeto para a área externa. Para tal manobra, o enfermeiro deve se colocar atrás da pessoa com a obstrução e localizar o ponto médio entre o apêndice xifoide e a cicatriz umbilical. Os braços do socorrista devem contornar a cintura da vítima e, com a mão fechada em punho e o polegar voltado para a região abdominal no ponto médio, ele deve iniciar a compressão com movimentos para dentro e para cima, simulando a letra “J”. Esse movimento deve ser executado até a saída do corpo estranho, ou interrompido se a vítima parar de responder. Veja a imagem a seguir. Manobra de desobstrução de via aérea em adultos. Em situações específicas, como em gestantes ou obesos, as compressões devem ser realizadas em movimento único para dentro, na parte central do tórax, similar ao local de realização das compressões cardiopulmonares. Em crianças pequenas, a manobra deve ser feita como nos adultos, porém, o socorrista precisa estar na mesma altura da criança, necessitando ajoelhar-se. Manobra de desobstrução de via aérea em crianças. Em bebês e recém-nascidos, o enfermeiro deve realizar a inspeção da cavidade, na tentativa de localizar o objeto que esteja causando a obstrução respiratória. Em seguida, deve apoiar o lactente em seu próprio antebraço, voltando a face do bebê para baixo, com a cabeça mais abaixo que o tronco, promovendo ao mesmo tempo a abertura das vias aéreas com o apoio dos dois dedos da mão na face do lactente. Após isso, deve-se efetuar cinco golpes no dorso, na região entre as escápulas. Na sequência, transferir o lactente para o outro antebraço, com o apoio da cabeça mais abaixo que o tórax, e fazer cinco compressões torácicas no mesmo local de realização da ressuscitação cardiopulmonar (RCP). Essa manobra precisa ser repetida até a saída do corpo estranho ou não responsividade do lactente. . Passo 1 da manobra de desobstrução de via aérea em recém-nascidos. Passo 2 da manobra de desobstrução de via aérea em recém-nascidos. Caso o indivíduo adulto esteja inconsciente após a tentativa de desobstrução da via aérea, o enfermeiro pode deitá-lo no chão ou em uma superfície rígida e solicitar o acionamento do serviço de suporte de emergência. Em seguida, deve iniciar manobras de RCP sem checagem do pulso. Caso esteja sozinho, a manobra de RCP deve ser iniciada o quanto antes. Durante a abertura das vias aéreas na manobra, esse profissional deve observar a possível saída do corpo estranho. No indivíduo pediátrico, nessas mesmas condições (irresponsividade), o procedimento é o mesmo; o que difere é a técnica de RCP. Cuidados de enfermagem ao paciente em emergências respiratórias Neste vídeo, você conhecerá os tipos principais das emergências respiratórias, assim como o atendimento específico para estes agravos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Identificação da insuficiência respiratória aguda Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Asfixia nas urgências e emergências Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Um adulto asfixiado torna-se não responsivo enquanto você lhe aplica a manobra de Heimlich. Você coloca a vítima no chão e pede para alguém acionar o sistema de atendimento de emergência local. O que você deve fazer em seguida? A Realizar a manobra de elevação da língua e mandíbula, e fazer uma varredura digital durante pelo menos dois minutos. B Iniciar RCP e, quando abrir as vias aéreas, procurar e remover o objeto (caso esteja visível) antes de aplicar as ventilações de resgate. C Continuar a manobra de Heimlich até o objeto ser eliminado da via aérea da vítima e depois iniciar os passos da RCP. D Deixar a vítima deitada em decúbito dorsal e aguardar a saída espontânea do corpo estranho. E Realizar apenas ventilação pulmonar, preferencialmente a respiração boca a boca. A alternativa B está correta. Se a vítima perder a consciência em decorrência de obstrução grave das vias aéreas, o socorrista deverá imediatamente iniciar a RCP e pedir para alguém ativar o serviço de emergência. Estudos prospectivos mostraram que o aumento efetivo da pressão nas vias aéreas pode ser gerado por meio das compressões torácicas em relação às compressões abdominais. Questão 2 Quando construímos um diagnóstico de enfermagem, sempre o interligamos a um fator relacionado. Entre as opções a seguir, assinale a que representa o fator relacionado mais provável para a construção do diagnóstico “troca gasosa prejudicada”: A Aumento da pressão arterial sistêmica. B Ferimento em região posterior sacral. C Má alimentação. D Dificuldade no controle do sono e repouso. E Alteração na eliminação do dióxido de carbono. A alternativa E está correta. A insuficiência respiratória pode ser ocasionada por fatores que impedem a troca de oxigênio pelo gás carbônico, que ocorre nos alvéolos pulmonares. Fatores relacionados com o processo ventilatório são mais específicos na geração da dificuldade de entrada e saída de ar nos pulmões. 3. Assistência de enfermagem em emergências neurológicas. Crise epilética As emergências neurológicas são complicações que podem gerar várias sequelas nos indivíduos. Quanto mais tempo perdido, mais área isquêmica esse sistema pode sofrer; os agravos precisam ser atendidos de imediato, para salvaguardar a vida do paciente. Neste módulo serão abordadas as emergências neurológicas mais comuns nos serviços de urgência e emergência: as crises epiléticas e o acidente vascular cerebral. Um dos papéis mais importantes do sistema nervoso é o controle que ocorre nos neurônios motores e sensitivos, levando e trazendo informações para diversas partes e funções do organismo. Quando essas funções ou informações geram um espasmo agudo, irregular, de forma anormal, podemos caracterizar essa situação como uma crise epilética. A duração de uma crise epilética pode ser de aproximadamente em 1 minuto, tendo perda do nível de consciência ou não. De acordo com o Ministério da Saúde, trata-se de uma doença neurológica que pode ter prevenção e controle em mais de 70% dos casos, que, se não tratados, podem provocar traumatismos ou mesmo levar o indivíduo à morte. A crise epilética, em sua forma mais comum de apresentação, é a convulsão. Outros casos podem causar perda de sentidos como paladar, olfato, percepções sensoriais, além de alterações no comportamento, como ausência e inquietude (BRASIL, 2018, p.5). São diversas as causas desencadeadoras da crise epilética: infecções, traumatismos cranioencefálicos, inflamações no sistema nervoso central, baixa oxigenação no período neonatal, consumo de álcool e drogas ilícitas, distúrbios hidroeletrolíticos e ácido básicos, além de fatores genéticos. Sempre é importante o profissional avaliar o histórico e fatores predisponentes, para auxiliar na compreensão das possíveis causas geradoras. As crises epiléticas em pacientes gestantes precisam ser observadas com cautela, devido aos riscos de trauma e à possibilidade de diminuição do aporte de oxigênio fetal, podendo causar riscos ao feto. Já nos recém- nascidos, essas crisessão caracterizadas como: Focais Contração muscular das extremidades e face. Multifocais Contrações em diversos grupamentos musculares. Mioclônicas Contrações bastante superficiais de membros, movimentos orais e presença de tremores. Veja a seguir os tipos de crises epiléticas e suas manifestações. Crise parcial simples Manifesta-se em uma parte do corpo apenas, devido ao acometimento em um dos hemisférios cerebrais. O indivíduo pode estar consciente. Crise parcial complexa Começa com a crise simples, seguida de desorientação no tempo e espaço. Pode haver perda da consciência e acomete os dois hemisférios cerebrais. Pode ocorrer entre os 3 anos de idade e a adolescência. Provoca alteração do comportamento e amnésia, hipersalivação, com episódios que duram entre 1 e 2 minutos. Crise tônico-clônica generalizada É mais comum em emergências. Provoca descargas neuronais irregulares, com duração média de 30 segundos, comprometendo os dois hemisférios, e com prováveis alterações em exames de eletroencefalograma (EEG). Ocorre com movimentações involuntárias dos quatro membros, aumento da salivação, perda dos controles esfincterianos, perda da consciência e cianose. Mal epilético É caracterizado por uma duração mais longa, em torno de 5 minutos, ou por diversas crises seguidas. Manifesta-se da mesma forma que a crise tônico-clônica generalizada. Com relação aos exames para diagnóstico, podem ser coletados hemograma, bioquímica, glicemia sanguínea, perfis toxicológicos (em suspeitas de usuários de drogas), dosagens medicamentosas (no caso de uso de medicamentos anticonvulsivantes), coleta e análise do líquido cefalorraquidiano, além de exames radiológicos, como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética de crânio. A eletroencefalografia também pode auxiliar na detecção de atividades elétricas irregulares. Atenção Para os medicamentos de escolha, destacam-se os antiepiléticos (como a fenitoína e a carbamazepina) e os benzodiazepínicos (como o diazepan e o clonazepan). Esses medicamentos precisam ser analisados antes de seu uso, pois podem agravar a depressão no sistema nervoso central. Nas crises que ultrapassam 5 minutos, pode haver necessidade dessas drogas, acompanhadas de anestésicos e intubação orotraqueal, devido ao rebaixamento do nível de consciência. Nos casos de atendimento pré-hospitalar, novamente a avaliação da cena é necessária, seguida das avaliações primária e secundária. A possibilidade de início de oxigenoterapia é uma prerrogativa, visto que os pacientes podem passar por períodos de desoxigenação cerebral, sendo um ponto de agravo à saúde. É importante que, durante uma crise, seja providenciada a proteção da cabeça e dos membros, retirando estruturas dos entornos que possam causar algum tipo de trauma. Se possível, retirar próteses dentárias, óculos e próteses auditivas. A avaliação da duração e do modo da crise é importante para melhor compreensão de seu tipo. Após a crise, deve-se realizar aspiração de vias aéreas (se possível) e manter a vítima em posição lateral de segurança. Caso o profissional enfermeiro esteja preparado, poderá realizar uma punção venosa periférica ou punção intraóssea, para a administração medicamentosa direcionada. O transporte para uma unidade de saúde se faz necessário, para avaliar possíveis problemas desencadeados pela crise. Esquema de avaliação intra-hospitalar na crise epilética. Acidente vascular cerebral O acidente vascular cerebral pode estar mais ligado a pessoas com obstruções vasculares, diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica e a idosos. Outros fatores predisponentes relacionados podem ser o uso de cigarro, sedentarismo, acúmulo de gordura abdominal, alimentação rica em gorduras e carboidratos, consumo excessivo de álcool, além do estresse e da depressão. O acidente vascular pode ser classificado de duas formas. Veja a seguir. Isquêmico (AVCi) Pode ocorrer devido à diminuição do fluxo vascular ocasionada por obstruções vasculares de trombos arteriais, placas de ateroma, êmbolos provenientes da bomba cardíaca, além de êmbolos gasosos. Causas: hipertensão arterial não controlada, malformação vascular, alteração da coagulação e medicamentos. Manifestações: Cefaleia, náuseas, vômitos, tonturas, alteração motora, sensitiva, na linguagem, na fala, visão, nível de consciência e hemodinâmica. Hemorrágico (AVCh) Pode ocorrer devido ao aumento da pressão em região cerebral, ocorre o rompimento de algum vaso sanguíneo dessa região. Não somente o aumento da pressão pode ocasionar o rompimento dos vasos, mas também as fragilidades ocasionadas por aneurismas vasculares e malformações arteriais. Causas: trombose de artéria, aterosclerose, microinfartos nos hemisférios ou no tronco cerebral, estreitamento do vaso cerebral e êmbolo proveniente do coração. Manifestações: Os sinais e sintomas perduram por mais de 24 horas, com ou sem sequelas. É possível também a ocorrência do ataque isquêmico transitório, com sinais e sintomas similares aos do acidente vascular isquêmico (alterações da fala, da visão, da coordenação, rebaixamento do nível de consciência, náuseas, vômitos e tonturas). Eles regridem completamente num período inferior a 24 horas, sem deixar sequelas no paciente. Paralisia facial, identificada com o uso da escala de Cincinnati. Para atendimento dessa patologia, o profissional enfermeiro precisa interpretar os sinais e sintomas característicos, pois o rápido atendimento minimiza as sequelas e maximiza a recuperação. O acionamento do serviço de emergência precisa ser ágil, para que a central de regulação possa direcionar uma equipe preparada para o local. A identificação precoce, somada ao transporte rápido, possibilitará diagnóstico e tratamento adequados na unidade hospitalar. Para identificação dos sinais característicos de acidente vascular, é importante utilizar as escalas de reconhecimento e interpretação. Uma escala muito utilizada nos diversos serviços de urgência e emergência é a escala de Cincinnati, que visa identificar sinais precoces de acometimento neurológico, direcionados aos casos de acidente vascular. É uma escala bastante simples, que pode ser utilizada até mesmo por pessoas sem experiência no atendimento em saúde. AVALIAÇÃO AÇÃO SOLICITADA RESPOSTA NORMAL RESPOSTA ANORMAL Queda facial Pedir ao paciente para sorrir. Ambos os lados do rosto se movem normalmente. Desvio da comissura labial. Fraqueza nos membros Pedir ao paciente para elevar os braços, mantendo-os estendidos por 10 segundos. Ambos os braços se movem normalmente. Um dos braços não se levanta totalmente. Fala incoerente Repetir uma frase, ou cantar uma música. Fala normal. Dificuldade ou incapacidade para falar. Escala de Cincinatti. Tobase; Tomasini, 2017, p. 151. Na realização dessa escala, na observação de apenas um dos sinais positivos, pode-se suspeitar do acidente vascular em curso, com mais de 70% de chances de confirmação. Caso os três sinais estejam positivados, essa porcentagem pode subir para 80%. A agilidade na interpretação e na rápida locomoção desse paciente para um serviço de emergência facilita na redução de complicações e sequelas; além disso, se for necessária uma internação, o tempo de permanência será relativamente baixo. Quando se trata do atendimento pré-hospitalar, é preciso sempre iniciar pela avaliação da cena, para diferenciar o acidente vascular de outros agravos ou traumas. As avaliações primária e secundária também são realizadas, com a finalidade de identificar os principais problemas circulatórios e respiratórios. A aplicação da escala de Cincinnati, seguida da escala de coma de Glasgow (ECG), é realizada, avaliando- se principalmente motricidade, responsividade, sensibilidade e reação pupilar. A verificação dos sinais vitais pode auxiliar na identificação de mal funcionamento de algum dos sistemas orgânicos. Em sequência, o enfermeiro devidamente preparado pode realizar um acesso venoso, ou um acesso intraósseo (na dificuldade do primeiro), paraadministração de drogas anti-hipertensivas e volumes. Caso o paciente apresente queda da temperatura, o aquecimento do corpo com cobertor é recomendado, assim como a comunicação com a central de regulação e o transporte até uma unidade de saúde. Uma identificação do quadro, com devido chamamento do serviço de transporte, envio da ambulância específica e destino ao hospital referenciado, com precisão ao tratamento e abordagem que esse paciente receberá na unidade, pode ser representada pelos passos denominados “8 D”: detecção, despacho, destino, departamento de emergência, dados, decisão, droga e disposição (TOBASE; TOMAZINI, 2017, p. 151). Atenção No tratamento intra-hospitalar, a pressão arterial é um sinal vital que precisa ser monitorado. A pressão não deve ser reduzida, a não ser que esta esteja em níveis maiores do que 220mmHg sistólicos ou 120mmHg diastólicos. Casos de lesão em vasos arteriais precisam ser revistos, para que o aumento da pressão não cause outros problemas, como edema agudo pulmonar ou infarto agudo do miocárdico. No acidente vascular isquêmico, a redução precisa ser gradativa, para que a perfusão cerebral se mantenha de forma satisfatória. No acidente vascular hemorrágico, essa redução é mais abrupta, com tratamentos anti-hipertensivos mais agressivos, evitando assim novos sangramentos. O enfermeiro, compondo a equipe multiprofissional da unidade hospitalar, precisa compreender o período crítico de atendimento desse paciente na unidade. Esse período de abordagem se dará com seus respectivos intervalos discriminados: 10 minutos Desde a chegada do paciente até a avaliação geral, e a solicitação do exame radiológico de tomografia computadorizada. 25 minutos Até a avaliação neurológica e realização da tomografia. 45 minutos Para a interpretação da tomografia. 60 minutos Para início da terapia fibrinolítica (nos casos de AVCi). 3 horas Internação em unidade de tratamento intensivo (UTI) ou unidade especializada. Como cuidados gerais a esses pacientes, destacam-se o monitoramento dos sinais vitais, evitando principalmente o ganho de calor corporal e a manutenção da pressão arterial sistólica acima de 160mmHg. A oxigenação precisa manter uma porcentagem maior do que 92% de saturação de oxigênio arterial. Caso a avaliação da escala de coma de Glasgow esteja abaixo de 8, deverá ocorrer intubação orotraqueal. A manutenção de acesso venoso calibroso é necessária, com colocação de solução salina a 0,9% para reposição de volume, assim como a monitorização da glicemia capilar. Além desses procedimentos, um eletrocardiograma deve ser providenciado, atentando para prováveis problemas de arritmias. O jejum precisa ser mantido até que o paciente consiga realizar a ingesta oral sem dificuldades. Se necessário, auxiliá-lo durante a alimentação. A avaliação de um especialista em neurologia pode ilustrar agravamento ou melhora do quadro clínico, se a terapia será voltada à trombólise, ou a necessidade de uma intervenção cirúrgica para drenagem da hemorragia (no caso do AVCh). Trombólise Quebra de um possível trombo, causador do AVCi. Veja a seguir os tipos de diagnóstico de enfermagem para o acidente vascular cerebral. Risco de lesão Resultados esperados: esforços do indivíduo ou do cuidador para controlar comportamentos capazes de causar lesão física. Intervenções principais: Controle de ambiente: segurança. Educação em saúde. Controle da doença. Processo de pensamento perturbado Resultados esperados: estado de alerta, orientação e atenção em relação ao ambiente. Intervenções principais: Monitoramento neurológico. Promoção da perfusão cerebral. Monitoramento da pressão intracraniana. Tratamento e uso de medicamentos. Risco de aspiração Resultados esperados: movimento de entrada e saída de ar nos pulmões. Intervenções principais: Controle de vias respiratórias. Monitoramento respiratório. Precauções contra aspiração. • • • • • • • • • • Comunicação verbal prejudicada Resultados esperados: capacidade para receber, interpretar e expressar mensagens faladas, escritas e não verbais. Intervenções principais: Controle do ambiente. Melhora da comunicação. Redução da ansiedade. Perfusão tissular cerebral ineficaz Resultados esperados: Fluxo sanguíneo unidirecional, livre de obstruções e com pressão adequada nos grandes vasos da circulação sistêmica e pulmonar. Estado de alerta, orientação e atenção em relação ao ambiente. Adequação do fluxo sanguíneo nos vasos cerebrais para a manutenção da função cerebral. Intervenções principais: Promoção da perfusão cerebral. Monitoramento neurológico, oxigenoterapia e posicionamento neurológico. Precaução contra convulsões e reanimação cardiopulmonar. Cuidados de enfermagem ao paciente em emergências neurológicas. Neste vídeo, você conhecerá os tipos principais das emergências neurológicas, assim como o atendimento específico para estes agravos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Identificação da crise epilética Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. • • • 1. 2. 3. 1. 2. 3. Acidente vascular cerebral Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Em uma unidade de urgência e emergência, os profissionais de saúde precisam identificar com brevidade os sinais de uma crise epilética. A característica de uma crise epilética parcial simples é: A Manifesta-se em uma parte do corpo apenas. B Ocorrem movimentos involuntários dos quatro membros. C O indivíduo permanece inconsciente. D Uma das emergências mais comuns. E O paciente apresenta relaxamento esfincteriano. A alternativa A está correta. A crise epilética pode se apresentar de diversas formas, desde as mais simples (crise epilética parcial simples) até as mais complexas, com acometimentos neurológicos mais graves, como queda do nível de consciência e relaxamento esfincteriano (mal epilético, crise tônico-clônica). Questão 2 Aplicar a avaliação correta em uma emergência neurológica faz-se necessário. Entre as escalas para avaliação do acidente vascular, aquela que apresenta mais facilidade de utilização é: A Escala de coma de Glasgow. B Escala de Cincinnati. C Escala de Morse. D Escala de Braden. E Escala de Ramsay. A alternativa B está correta. A escala de Cincinnati é a mais utilizada para a interpretação dos casos de acidente vascular. Ela pode ser utilizada até por pessoas leigas, que não passaram por treinamento em serviços de saúde. As escalas de Morse são utilizadas para risco de quedas em ambientes hospitalares, assim como a escala de Braden, que avalia lesões por pressão. A escala de Ramsay avalia o nível de sedação dos pacientes em UTI. Todas as escalas são utilizadas nos ambientes hospitalares, sendo a de Cincinnati mais específica do AVC. 4. Assistência de enfermagem em emergências renais e metabólicas Emergências renais Os transtornos renais e metabólicos são comuns no atendimento de urgência e emergência, e em alguns momentos se interligam. Podem se apresentar sob a forma de uma sobrecarga do funcionamento urinário por obstrução (calculose renal), paralisação do funcionamento renal (insuficiência renal aguda), causando disfunções metabólicas importantes, como o aumento da acidez sanguínea (acidose) ou da basicidade (alcalose). Veja mais a seguir. Calculose renal Quando um paciente procura o serviço de urgência e emergência devido a problemas urinários, geralmente apresenta maior dificuldade em reter líquidos, dificultando o trabalho adequado da filtração renal. Nesse caso, excretas como cristais de oxalato de cálcio podem se acumular no trajeto urinário, mais especificamente no ureter, ocasionando o que conhecemos como “cálculo renal” ou, em termos técnicos, litíase renal. Outras substâncias que podem se acumular no trato urinário são o ácido úrico e o fosfato de cálcio. Os pacientes procuram os serviços queixando-sede dores intensas em região lombar. Os principais distúrbios responsáveis pela formação desses cálculos são os distúrbios metabólicos, infecções urinárias, além do pH urinário e do volume de diurese. O uso de medicamentos como antirretrovirais (aciclovir e indinavir) e antibacterianos (sulfadiazina) é fator de risco que pode acelerar o agravo, bem como histórias prévias de acúmulos, além de hipertensão, diabetes, obesidade e questões dietéticas. Uma importante alteração na formação da litíase renal é a hipocitratúria, que pode ser determinante em pacientes com acidose metabólica. Nessa situação, o citrato é um importante inibidor de cálculos e sua concentração diminuída promove a formação desse agravo. Em outros casos, o pH extremamente alcalino também auxilia na formação de cálculos renais, pois a urina alcalina contribui para a formação de cristais de fosfato de cálcio nos túbulos renais distais (JAMESON, 2020, p. 7759). O enfermeiro deve estar atento a sinais de obstrução urinária, hematúria, dor abdominal e em flancos, alterações do jato urinário, dor peniana e testicular. Os cálculos menores podem ser assintomáticos, ocasionando hematúria microscópica, que pode ser identificada no exame de urina. O cálculo de maior volume pode ocasionar dor de maior intensidade, hematúria maciça, e até mesmo hidronefrose. Pode haver, também, náusea e vômito. Hematúria Presença de sangue na urina. Saiba mais Hidronefrose: Dilatação renal causada por alguma obstrução. Exames como o Rx de abdome e o ultrassom podem auxiliar na interpretação desse agravo. É importante o diálogo com a equipe multidisciplinar, porque assim o enfermeiro pode sugerir a realização de outros exames, como tomografia computadorizada, que oferece maior probabilidade de identificação da patologia. A avaliação metabólica, com a coleta de exames de sangue, somada a exames de urina, pode orientar melhor o acompanhamento deste paciente. Para o tratamento e acompanhamento desse agravo, recomenda-se a realização de analgesia com opioides (morfina, cloridrato de tramadol) e anti-inflamatórios não esteroidais (AINES), que auxiliam bastante no controle da dor. Pacientes com diagnóstico de gravidez ectópica, aneurisma de aorta, infecção urinária e obstrução severa renal precisam ser acompanhados e monitorizados em tempo integral, evitando complicações que podem se confundir com os sinais e sintomas de ureterolitíase. Atenção A perda da função renal pode ocorrer caso a obstrução não seja controlada. Nos casos mais avançados, em que o cálculo tem um diâmetro maior do que 10mm, será necessária a realização de procedimento cirúrgico para remoção, como a ureterolitotripsia percutânea, com implantação de cateter duplo J, que vai auxiliar na remoção dos cálculos, evitando lacerações durante a passagem das micropartículas de oxalato pelo ureter até a bexiga. Insuficiência renal aguda Nos atendimentos de urgência e emergência há três categorias principais de distúrbio que provocam a insuficiência renal aguda: Pré-renal Hipoperfusão do rim em decorrência de problemas no fluxo sanguíneo, como, por exemplo, hemorragias, desempenho cardiovascular comprometido, obstrução das artérias renais por coágulos sanguíneos, queimaduras e pancreatite aguda (estas duas últimas causam perda volêmica para o terceiro espaço). Intrarrenal Lesão do tecido renal, como nos casos de queimaduras no parênquima renal, esmagamento, infecções renais, reações transfusionais, nefrites tubulares causadas por drogas, além de necrose cortical. Pós-renal Obstrução do fluxo urinário por litíase renal, hipertrofia prostática e estenoses uretrais (MURAKAMI; SANTOS, 2017, p. 206). Para a identificação dos quadros de insuficiência renal aguda nas unidades de urgência e emergência, é necessário determinar as causas que levam a tal problema, corrigi-las e monitorar sua evolução. Inicialmente o paciente pode evoluir de forma assintomática, seguida de mal-estar geral, diarreia e vômitos, tonturas, tremores, dores lombares e problemas neurológicos, como confusão mental, sonolência e letargia. O paciente pode apresentar inicialmente oligúria e, com o agravamento do quadro, anúria. Oligúria Diminuição do volume urinário abaixo de 400ml/24 horas. Saiba mais Anúria: Diminuição do volume urinário abaixo de 50ml/24 horas. O diagnóstico e a classificação das insuficiências renais são realizados por meio de exames laboratoriais, juntamente com anamnese e histórico do paciente. Alterações em exames urinários – glicosúria, proteinúria, hematúria, leucocitúria, bacteriúria, cilindrúria e cristalúria – e bioquímicos – sódio, potássio, bicarbonato e cloro –, além da prova de função renal, que avalia as concentrações sanguíneas de ureia e creatinina, auxiliam a identificar sofrimento renal e a taxa de filtração renal diminuída. Saiba mais Para auxiliar na classificação de gravidade da insuficiência renal e auxiliar o profissional na tomada de decisão quanto aos cuidados ao paciente, há as escalas RIFLE e AKIN (Acute Kidney Injury Network – Rede de Lesão Renal Aguda), utilizadas internacionalmente pela Sociedade Internacional de Nefrologia. Na tabela, a seguir, você poderá ver a classificação do risco de lesão renal. CLASSIFICAÇÃO DO RISCO DE LESÃO RENAL TAXA DE FILTRAÇÃO RENAL (EM NÍVEL GLOMERULAR) DIURESE (EM VOLUME ELIMINADO) Risco (Risk) Aumento da creatinina x 1,5 ou diminuição da TFG > 25% 50% 75% ou creatinina > 4 mg/dL Aumento da creatinina x 3 ou diminuição da TFG > 75% ou creatinina > 4 mg/dL Perda (Loss) IRA persistente: perda completa da função renal > 4 semanas Baixa ( 3 meses) Tabela: Classificação do risco de lesão renal. Murakami; Santos, 2017. p. 208. O tratamento para a insuficiência renal aguda consiste no controle hídrico pela expansão volêmica e hidratação, no uso de medicamentos diuréticos (quando indicado), em não utilização de drogas que agravem o funcionamento do rim, em administração de dietas hipocalêmicas e hipossódicas (quando houver necessidade) e no uso de medicamentos vasopressores em situações de choque. Hipocalêmicas Com baixa concentração de potássio. Saiba mais Hipossódicas: Com baixo teor de sódio. Caso esse tratamento não consiga reverter o quadro clínico instalado, a diálise será o tratamento de escolha, para tentativa de reestabelecimento da função renal. Distúrbios no equilíbrio ácido básico A regulação do balanço de íons hidrogênio no organismo precisa estar alinhada, para que a ingestão e a produção estejam equilibradas com a eliminação e/ou a excreção. Existem diversos mecanismos de regulação e eliminação dos íons H+ no corpo, como, por exemplo, a função renal, que faz esse controle por meio da filtração glomerular. Além disso, existem diversas reações de tamponamento ácido básico envolvendo o sangue, as células e os pulmões, que realizam o controle e a manutenção do equilíbrio da homeostase (GUYTON; HALL 2020, p. 401). Esse equilíbrio é mantido conservando a proporção entre ácidos e bases, e é realizado em conjunto com três principais sistemas: respiratório, renal e metabólico. Veja a seguir. Sistema respiratório O sistema respiratório controla a eliminação do CO2 do corpo, aumentando ou diminuindo as incursões respiratórias, eliminando os excessos do gás e normalizando o pH. Sistema renal O sistema renal é mais vagaroso, pois começa a sua compensação alguns dias depois da alteração, quando o desequilíbrio ácido básico já se iniciou, e pode agir excretando íons hidrogênio ou reabsorvendo íons bicarbonato. Em pacientes críticos com insuficiência renal, é nítida a dificuldade em realizar essa manutenção. Sistema tampão O controle metabólico também é conhecido como sistema tampão, com