Aula 04 Processo orçamentário. Métodos, técnicas e
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Aula 04 Processo orçamentário. Métodos, técnicas e


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AFO E ORÇAMENTO PÚBLICO PARA TRIBUNAIS - FCC 
TEORIA E EXERCÍCIOS \u2013 AULA 4 
PROFESSOR: ERICK MOURA 
Prof. Erick Moura www.pontodosconcursos.com.br 1
AFO E ORÇAMENTO PÚBLICO PARA TRIBUNAIS \u2013 FCC 
TEORIA E EXERCÍCIOS \u2013 AULA 4 
Prof. ERICK MOURA 
Olá pessoal, 
Bom revê-los aqui para mais um encontro. 
Espero que tenham gostado da aula anterior. 
Nessa aula vamos abordar os seguintes tópicos para a disciplina de 
AFO E ORÇAMENTO PÚBLICO PARA TRIBUNAIS - FCC: 
=> Processo orçamentário 
=> Métodos, técnicas e instrumentos do Orçamento Público. 
=> Normas legais aplicáveis ao Orçamento Público. 
=> Noções de Execução Orçamentária e Financeira. 
Eventualmente irei inserir alguns temas relacionados para que 
possamos cercar o assunto da melhor forma possível, assim como questões de 
outras Bancas que se aproximam da técnica da FCC, ok ? 
Todos prontos? 
Ok pessoal, mas antes, uma pequena introdução com a evolução 
histórica do Orçamento. 
INTRODUÇÃO
EVOLUÇÃO HISTÓRICA 
Vamos a um breve resumo histórico sobre os orçamentos públicos. 
Fareoms isso, pois se observa que ultimamente as bancas de prova têm 
colocado questões com o enfoque histórico. 
Houve necessidade de se organizar um orçamento desde que os 
governos, entre outras atribuições, se constituíram como arrecadadores de 
receitas para fazerem frente às exigências demandadas, muitas vezes em 
benefício próprio. 
No entanto, sabe-se que, historicamente, o marco jurídico do 
orçamento público foi o artigo 12 da conhecida Magna Carta de 1215, 
outorgada pelo Rei João Sem Terra da Inglaterra. 
 
 
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Tal artigo dizia assim: 
 \u201cNão lançaremos taxas ou tributos sem o consentimento do 
Conselho Geral do Reino, a não ser para resgate da nossa pessoa, para 
armar cavaleiro o nosso filho mais velho e para celebrar, mas uma única vez o 
casamento da nossa filha mais velha; e esses tributos não excederão limites 
mais razoáveis. De igual maneira se procederá quanto aos impostos da cidade 
de Londres.\u201d 
Neste embrião, percebe-se que já havia certa preocupação em 
limitar o poder discricionário do Rei, por meio do Conselho Comum ou 
Conselho Geral do Reino. Em termos de matéria tributária, percebe-se que o 
enfoque ainda se dava no controle das receitas públicas. 
Isso é a essência do que vemos hoje: o Governo apresenta o 
orçamento e os parlamentares aprovam, emendam ou rejeitam a proposta. 
Esse tipo de controle político do Legislativo sobre o Executivo, 
implica em deixar nas mãos dos representantes do povo a discussão principal: 
O que a sociedade quer desembolsar para atender as necessidades 
do governo ? 
Ainda na Inglaterra, depois do conflito entre o Rei Carlos II e o 
Parlamento na chamada \u201cRevolução Gloriosa\u201d surge o \u201cBill of Rights\u201d ou a 
Declaração de Direitos de 1689. 
Este documento, em seu item 4, veio reforçar o que fora pactuado 
em 1215 pelo Rei João Sem Terra da Inglaterra, senão vejamos: 
 \u201cé ilegal toda cobrança de impostos para a Coroa sem o 
concurso do Parlamento, sob pretexto de prerrogativa, ou em época e modo 
diferentes dos designados por ele próprio.\u201d 
Neste mesmo \u201cBill of Rights\u201d, estabeleceu-se a distinção entre as 
finanças do Estado (no caso, o Reino inglês) e as finanças da Coroa. 
As primeiras passaram a serem organizadas, para o período de 
uma ano, na chamada \u201cLista Civil\u201d sob aprovação do Parlamento. 
 Legal, Erick, mas onde entram as despesas públicas nesse 
assunto ? 
É verdade que até aqui não há uma concepção completa sobre o 
orçamento público, pois só colocamos o assunto sob o enfoque das receitas. 
 
 
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No entanto, em 1822, o Chanceler do Erário da Inglaterra 
apresentou ao Parlamento uma exposição que FIXAVA A RECEITA E A 
DESPESA. 
Segundo a doutrina, temos aí o marco inicial do orçamento público 
desenvolvido em sua plenitude. É também o primeiro registro histórico sobre a 
autorização/controle sobre as despesas públicas. 
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ORÇAMENTO PÚBLICO NO BRASIL 
 Em 1808, com a abertura dos portos no Brasil, foi preciso 
disciplinar a cobrança de tributos alfandegários. Assim se criou o regime de 
contabilidade e o Erário Público ou Tesouro. 
Mas somente com a Constituição de 1824 é que surge a 
obrigatoriedade para a elaboração de orçamentos formais por parte do 
governo. 
Observem quanto que o art. 172 dessa Carta representou um 
preceito avançado para a época: 
 \u201cArt. 172. O Ministro de Estado da Fazenda, havendo recebido 
dos outros Ministros os orçamentos relativos ás despezas das suas 
Repartições, apresentará na Camara dos Deputados annualmente, logo 
que esta estiver reunida, um Balanço geral da receita e despeza do 
Thesouro Nacional do anno antecedente, e igualmente o orçamento 
geral de todas as despezas publicas do anno futuro, e da importancia 
de todas as contribuições, e rendas publicas.\u201d 
Não decorem o texto negritado. Apenas assimilem que o destaque 
se fez com o intuito de se observarem os pontos relevantes para nosso estudo. 
Alguns doutrinadores consideram a Lei de 14/12/1827 como a 
primeira lei orçamentária brasileira, mas que apresentava muitas deficiências 
de comunicação, em razão das longas distâncias entre as províncias. 
Desta forma, a maior parte dos autores considera o Decreto 
Legislativo de 15/12/1830 como o precursor das Leis Orçamentárias no Brasil. 
Neste, se FIXAVA A DESPESA e se ORÇAVA A RECEITA das províncias imperiais 
para o período de 01/01/1831 a 30/06/1832. 
Com a Constituição Republicana de 1891, ocorreram algumas 
alterações relevantes. A primeira delas se refere à elaboração do orçamento 
 
 
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que passou a ser competência privativa do Congresso Nacional, com a 
iniciativa da Câmara dos Deputados. 
Nela também se legitimou a necessidade de Tomada de Contas do 
Poder Executivo, além do surgimento de um Tribunal de Contas, em auxílio ao 
Congresso, com roupagem de controle. E, ainda, os Estados e Municípios 
ganharam autonomia até mesmo no aspecto orçamentário. 
Com o passar do tempo, o costume demonstrou que o Executivo 
precisava auxiliar o Congresso na elaboração do orçamento. Em 1922, sob a 
aprovação do Legislativo, surge o Código de Contabilidade da União. 
Tal peça técnica organizou vários procedimentos de natureza 
contábil, patrimonial, financeiro e orçamentário, além de legitimar o que 
acontecia na prática: o Poder Executivo passava ao Legislativo os subsídios, as 
informações e os dados para elaborar o orçamento. 
 Com a Revolução de 1930, surge a Carta outorgada de 1934 que 
destacou o orçamento em um espaço particular. Esta Constituição Republicana 
colocou o Executivo encarregado pela elaboração do projeto de lei 
orçamentária. 
Ela também colocou o Legislativo livre para propor emendas à 
proposta do Executivo e isso fez com que ambos os poderes participassem em 
conjunto do processo de elaboração. 
Com o Estado Novo, decreta-se uma nova Constituição em 1937 
que, em seu texto, manteve destaque ao tema orçamentário. Pelo caráter 
ditatorial do regime, tirou-se a autonomia dos Estados e Municípios. 
Na prática, durante a égide desta Carta, o orçamento se elaborava 
por um departamento administrativo ligado à Presidência