Prévia do material em texto
Profª Dra. Denise L. Santos Aula FUNGOS E MICOSES Micologia Micologia é o ramo da Biologia que estuda os fungos macro e microscópicos, microrganismos pertencentes ao reino Fungi e são agentes de infecções humanas e animais conhecidas como MICOSES REVISÃO: CRESCIMENTO: Crescimento inicial: células simples Leveduras: formam brotamento Filamentosas: extensões em forma de tubos, também chamadas micélios. Podem ter ou não septos. Dimorfismo: é a capacidade de se desenvolver segundo as condições ambientais. Podem crescer na forma de bolores (quando incubadas de 25°C a 30° C) ou em leveduras (em 35°C a 37°C). Doenças causadas por fungos Alergias Micetismo (ingestão direta) Micotoxicoses (ingestão da toxina) Micoses Superficiais Cutâneas Subcutâneas Sistêmicas Oportunistas MICOSES SUPERFICIAIS e MICOSES CUTÂNEAS Localização da lesão: superficial Penetração: contato direto Normalmente não se dissemina por via sanguínea e/ou linfática Não induz resposta inflamatória Exemplos: Pitiríase versicolor Tinha nigra Piedra branca CLASSIFICAÇÃO DAS MICOSES Acometem qualquer faixa etária; Causam micoses de pele, unha, cabelo, barba, cabeça; As cutâneas em geral afetam as unhas (onicomicose), tem predileção por queratina Micoses superficiais e cutâneas Micoses superficiais desenvolvem alterações apenas na camada do estrato córneo e não induz, na maioria das vezes, qualquer resposta inflamatória no hospedeiro; Ptiríase versicolor – Malassezia furfur Piedra negra – Piedraia hortae Piedra branca – Trichosporon beigelli Tinha nigra – Hortaea werneckii Ptiríase versicolor Geralmente assintomática; Manchas hipo ou hiperpigmentadas descamativas geralmente no tórax, pescoço e braço de adultos, sem distinção de sexo; Fatores endógenos(fatores predisponentes): pele gordurosa, elevada sudorese, fatores hereditários e uso de terapia imunossupressora Piedra negra Geralmente de aparecimento nos cabelos; Nódulos endurecidos e de coloração escura Benigna, baixo contágio, caráter crônico, frequentemente reicidivante e que afeta ambos os sexos; Piedra branca -Nódulos fracamente aderidos aos cabelos ou pelos de cor branco-amarelado; -Predileção por climas tropicais e temperados; -De caráter assintomático, benigno e de baixo contágio; -Acomete cabelos e pêlos das regiões axilares, pubianos, perianal, barba e bigode; Microscópico: visualização de nódulo claro (amarelado) Micoses subcutâneas Em geral causadas por traumatismos (arranhões, lesões); Relacionadas a solo e meio ambiente; Pertencem ao grupo dos dermatófitos, fungos filamentosos, hialinos, septados, algumas vezes e queratinofílicos; Quanto ao habitat: geofílicos, antropifílicos e zoofílicos; Os aspectos clínicos das lesões são bastante variados e resultam da combinação de destruição da queratina associada a uma resposta inflamatória na dependência de parasita/hospedeiro; ESPOROTRICOSE Fungo Sporothrix - Sporothrix brasiliensis e Sporothrix schenckii Transmissão por contato com material vegetal contaminado (espinhos, palhas e lascas de madeira) – transmissão sapronótica OU pela mordida ou arranhadura de animais infectados, sendo o gato o vetor mais comum – transmissão zoonótica; Sintomas variam, incluindo lesões cutâneas (nódulos que podem ulcerar) e, em casos mais graves, podem afetar ossos, articulações ou outros órgãos. Diagnóstico é clínico e laboratorial, e o tratamento é medicamentoso, com duração de alguns meses a um ano, e deve ser realizado sob orientação médica. Esporotricose Formas clínicas da doença: a) Cutânea: Ocorre uma lesão única ou múltiplas lesões no local de inoculação do fungo. b) Linfocutânea: Forma mais comum, onde pequenos nódulos surgem na pele e se espalham seguindo o trajeto dos vasos linfáticos, geralmente nos membros. c) Extracutânea: O fungo atinge outras partes do corpo, como ossos e articulações. d) Disseminada: A infecção se espalha por todo o organismo, podendo comprometer vários órgãos. MICOSES SISTÊMICAS Localização da lesão: acomete órgãos internos Via de penetração: inalatória, afetando principalmente o pulmão Vias de disseminação: sanguínea e linfática Resposta do hospedeiro: inflamatória granulomatosa Exemplos: Paracoccidioidomicose Criptococose Histoplasmose Coccidioidomicose Pneumocistose Micose sistêmica profunda causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis - Micélios: temperatura ambiente e leveduras: cultivo a 37o C - É uma micose sistêmica crônica com foco primário nos pulmões, mas pode atacar outras partes do corpo, como a boca, a garganta e os gânglios linfáticos, formando granulomas ulcerativos em região nasal e boca. Paracoccidiodomicose Cutânea Forma aguda Forma generalizada (AIDS) Tratamento 2 meses de Anfotericina B Difícil isolamento na natureza; Alguns animais (Tatus) são reservatórios do fungos (hospedeiro intermediário ou hospedeiro acidental); Regiões endêmicas: Colômbia, Venezuela, Brasil (Sudeste, Sul e Centro-oeste); Afeta 40 a 60% de trabalhadores rurais (80% dos casos sexo masculino), sendo o homem hospedeiro acidental; Via inalatória e traumática - manejo do solo (inoculação direta) Predomínio da faixa dos 30 a 50 anos; infecção primária nas 2 primeiras décadas - latente por longos períodos Adultos: 13 homens: 1 mulher Crianças: proporções iguais Paracoccidiodomicose brasiliensis Aspecto macroscópico: 25ºC – colônia aveludada, branca, fragmentada (pipoca) e verso castanho claro 37ºC – colônia pastosa, seca, bastante enrugada, de cor creme Paracoccidiodomicose brasiliensis levedura (forma de Mickey Mouse e roda de leme) Histopatológico – Prata metanamina Histoplasmose Agente etiológico: Histoplasma capsulatum; cresce em solos onde há alto teor de nitrogênio. Geralmente ocorre de maneira associada com excretas de morcegos e aves. Solos de galinheiros, viveiros de aves, cavernas de morcegos são altamente propícios para o desenvolvimento desse fungo. No caso dos morcegos há infecção, com excreção do fungo em suas fezes, já no caso das aves, além de fornecer o substrato ideal para o crescimento do fungo no solo, a presença delas possibilita o transporte para outros locais em suas penas, podendo ocorrer disseminação a doença em suas migrações. Principal agente vetor é o vento, responsável pela disseminação dos conídios a longas distâncias. Abre-se um parêntesis para a transmissão por via oral, a qual é controversa e não aceita por todos os autores. Histoplasmose a lesão na histoplasmose caracteriza-se por um infiltrado de macrófagos, células linfoplasmocitárias e eosinófilos, o qual leva à formação de um granuloma que posteriormente necrotiza e se calcifica. Histoplasmose A histoplasmose possui variável manifestação clínica, podendo-se classificá-la em: Formas assintomáticas Formas sintomáticas Histoplasmose pulmonar primária Histoplasmose pulmonar crônica Histoplasmose localizada Histoplasmose disseminada Histoplasmose 25ºC – colônia algodonosa, branca ou creme, sem pigmento no verso; 37ºC – Colônia pastosa, seca e enrugada, em meio enriquecido com sangue Microscópico: Fungo filamentoso hialino, septado, redondos de parede grossa e granulosa (tuberculados). Coccidiodomicose Inalação de esporos do fungo Coccidioides immitis; Solo de regiões áridas e semiáridas da América; Infecção pulmonar leve assintomática (60%) que se resolve espontaneamente ou evoluir para forma crônica (hemoptise) ou para disseminada (5%) que pode atingir pele, ossos e sistema nervoso (meninges) A maioria dos casos no Brasil é registrada na região Nordeste, frequentemente associada a atividades que envolvem escavação dosolo Diagnóstico: raio-x, tomografia ou cultivo de material respiratório. MICOSES OPORTUNÍSTICAS Definição: causadas por fungos que normalmente são sapróbios e que em decorrências de fatores adversos passam a produzir lesões. Indivíduos com ↓ resposta imune Antibioticoterapia prolongada Rompimento de barreira de defesa da pele e/ou de mucosas Exemplos: Criptococose Pneumocistose Criptococose (sistêmica e oportunista) Criptococcus neoformans; C.neoformans var gattii (sorotipos A, D e AD); C.neoformans var neoformans (sorotipos B e C); Isolados do solo, principalmente, contaminados com excreta de pombos Patogenia Inalação; • Infecção assintomática; • Fase pulmonar: estado gripal, com tosse e expectoração, dor torácica, febre, hemoptise; • Neurocriptococose: SNC (cefaléia, náuseas, vertigens, febre e distúrbios visuais (meningite); • Disseminada: disseminação hematogênica e linfática (fígado, rins, baço, supra-renais, ossos) Diagnóstico Laboratorial Leveduras arredondadas com ou sem brotamentos, capsuladas Corada por tinta Nankin ou tinta da China Pneumocistose (Micose Oportunista) Fungo Pneumocystis jirovecii - transmissão via aérea por inalação. Causas e/ou fatores de risco: - Portadores de HIV/AIDS; - Uso de imunossupressores: Pacientes em tratamento de quimioterapia, uso crônico de corticosteroides ou que receberam transplante de órgãos estão em risco - Outras condições: Pessoas com cânceres hematológicos, doenças autoimunes, como lúpus e imunodeficiências primárias; - Sintomas gerais como febre, tosse seca, calafrios, dispneia; - Diagnóstico: Análise de escarro induzido ou lavado broncoalveolar (coletado por broncoscopia) para confirmar a presença do fungo; marcadores enzima Lactato Desidrogenase (LDH) e Beta-D-glucana (BDG)