Prévia do material em texto
SOCIOLOGIA ECONÔMICA E POLÍTICA AULA 3 - MÉTODOS SOCIOLÓGICOS Olá, caro (a) aluno (a)! O rigor do conhecimento científico advém da obtenção de informações confiáveis e do diálogo com outros cientistas que tenham experiência na mesma área de estudo. Na pesquisa social, a metodologia refere-se ao conjunto de práticas e técnicas usadas para coletar dados, organizar informações, processar e interpretar essas informações. Deste ponto de vista, neste capítulo, estudaremos a criação de conhecimento científico, mostrando que a ciência é o resultado de pesquisas teóricas e experimentais que podem ser comprovadas; destalharemos, assim, os métodos sociológicos com base nas teorias estudadas no capítulo anterior. Bons estudos! 3 METODOLOGIA NA PESQUISA SOCIOLÓGICA A sociologia tornou-se ciência no século XVIII e apresentou-se como uma resposta científica às mudanças da sociedade durante o período industrial. Ao longo desse desenvolvimento, abordagens baseadas em teorias para explicar fenômenos sociais emergiram como uma área de especialização. Cada um deles representa uma abordagem distinta da sociedade e dos seus problemas (NAUROSKI, 2018). Dentre essas abordagens, as teorias da ação social têm como base o pensamento de Max Weber (1864-1920), para quem a sociedade é o resultado de um conjunto de ações e interações sociais entre os indivíduos. Weber entende que o social resulta da atividade articulada do indivíduo, com outros indivíduos e com seu meio. Esse ponto de partida o levou a formular uma teoria conhecida como individualismo metodológico, segundo a qual, para compreender uma dada realidade social, é preciso identificar os sujeitos que a ela pertencem e o sentido que lhes atribuem no enfoque de suas diversas atividades e funções. O resultado é um estudo compreensivo e interpretativo, no qual o cientista social constrói sua análise a partir da perspectiva dos sujeitos e dos significados atribuídos às suas ações. Assim, com a sociologia, é possível captar as relações causais entre as ações dos sujeitos e a realidade social mais ampla. Foi assim que Weber tentou explicar o surgimento do capitalismo moderno como um fenômeno decorrente da ética protestante que enfatiza a disciplina, a abnegação e a vocação (NAUROSKI, 2018). A perspectiva funcional, desenvolvida principalmente por Émile Durkheim (1858-1917), toma a sociedade como uma realidade antes do indivíduo. Assim, o conjunto de indivíduos deve adaptar-se à sua estrutura e atividades. Na mesma forma que o corpo humano é formado por membros, órgãos e partes que possuem funções específicas e todos trabalham para o bem do todo, a sociedade é um organismo vivo e em evolução, onde grupos, classes e instituições funcionam da mesma forma e cada um cumpre suas próprias funções, trabalhando para promover a integração social. Um dos problemas centrais do funcionalismo é explicar as causas que influenciam a manutenção ou a decadência da ordem social (NAUROSKI, 2018). Além das abordagens anteriores, existem as teorias do conflito, cujo principal representante é Karl Marx (1818-1883), para quem a sociedade é explicada por situações de conflito e tensões entre classes sociais, ou seja, entre classes que competem pela riqueza produzida e mesmo entre os que possuem os meios de produção (burguesia) e os que possuem apenas seu próprio trabalho (proletários). Outros fenômenos sociais, inclusive a desigualdade, surgem da dinâmica dos conflitos entre capital e trabalho (NAUROSKI, 2018). Dentre essas últimas abordagens, destaca-se o interacionismo simbólico, uma consequência do pensamento marxista, ainda que não possa ser reduzido a perspectiva marxista. Seu interesse analítico é a vida cotidiana concreta e o que acontece com as pessoas na vida cotidiana. Para os interacionistas, as relações sociais refletem como os indivíduos interpretam vários símbolos sociais em atividades comunicativas. O processo interativo da vida social possibilita ao sujeito compreender a realidade em que se insere, proporcionando-lhe representar o mundo e a si mesmo, o que o interacionismo define como self. As identidades, papéis sociais, status e conjuntos de relações sociais, até mesmo instituições e estruturas sociais, são, em última instância, o resultado de interações sociais, que ao mesmo tempo funcionam como fronteiras sociais que moldam o comportamento e as experiências das pessoas (NAUROSKI, 2018). Desse ponto de vista, a sociedade é compreendida como um macrocontexto no qual os sujeitos interagem entre si considerando suas prioridades e formas de representação. Esse contato é mediado pela comunicação e pelo significado dos códigos utilizados, que se traduzem em ações e gestos. Os sujeitos capturam mentalmente o significado da interação e criam representações dela. O resultado desse processo mental ajuda a criar o self, significa uma identidade psicológica e existencial que dá às pessoas unidade e individualidade (NAUROSKI, 2018). 3.1 Descrição da Metodologia de Pesquisa Ao se abordar a ciência sociológica em periódicos, é importante considerar a produção da informação científica. A ciência resulta de pesquisas teóricas e empíricas, que não podem ser feitas por "achismo" ou reprodução pura e simples do conhecimento cotidiano. O rigor no conhecimento científico é obtido por meio da aquisição de informações confiáveis e do diálogo entre os cientistas e seus pares. Cada campo das ciências sociais e cada objeto de pesquisa requer um cuidado teórico e metodológico próprio, com a avaliação da coerência epistemológica das teorias utilizadas e dos objetos estudados (NAUROSKI, 2018). A metodologia de pesquisa social é o conjunto de práticas e técnicas usadas para coletar, organizar e interpretar dados. Ao organizar uma base empírica relacionada a um ou mais objetos, é necessário identificar as variáveis e testar as hipóteses estabelecidas no início do estudo (NAUROSKI, 2018). Ao longo da história da sociologia, discutiu-se o status e a possibilidade de uma ciência social, perguntando-se se a sociologia poderia ser ou não ser considerada uma ciência, tendo em vista que seus métodos e experimentos diferem dos observados no modelo das ciências da natureza, em que a relação de causalidade tenda a ser mais facilmente demostrada (NAUROSKI, 2018). Embora a sociologia tenha sido questionada quanto à sua capacidade de ser considerada uma ciência devido às diferenças em seus métodos e experimentos em relação ao modelo da ciência natural, o modelo epistêmico da análise social pode identificar relações causais plausíveis e demonstráveis. No entanto, o fator humano é muito complexo e não pode ser reduzido a uma relação causal definida, como em um experimento químico em laboratório. Considerações éticas e culturais também impedem a formulação de leis gerais e deterministas para explicar o comportamento social (NAUROSKI, 2018). O caminho metodológico que envolve a pesquisa social pode ser representado no esquema da Figura 6.1. Fonte: NAUROSKI, 2018. Em geral, o caráter científico da sociologia se deve principalmente a três fatores: um conjunto de teorias que sustentam seus conceitos e categorias, uma organização rigorosa e sistemática do conhecimento e métodos processados de pesquisa e os processos de análise que podem ser descritivos, analíticos, dialéticos, funcionalistas ou estruturalistas. Além desses aspectos, deve-se considerar que os fatos sociais são objeto de pesquisa básica em sociologia e que está ciência se caracteriza por se voltar ao conteúdo da vida social em sua configuração imediata e completa (NAUROSKI, 2018). 3.2 Elementos que formam o conjunto teórico na pesquisa social Conforme Nauroski (2018) existem três conjuntos de ferramentas a serem consideradas na pesquisasociológica. As ferramentas são caracterizadas por teorias, hipóteses e dados. As teorias formam um conjunto de ideias sistematicamente organizadas que, respeitando diferentes perspectivas e autores, indicam o que deve ser estudado e quais são as conexões possíveis entre diferentes aspectos da realidade social. As hipóteses, por outro lado, representam uma possível resposta especulativa ao problema sob investigação, enfatizando a relação entre as variáveis do fenômeno, por exemplo, uma hipótese vinculando desigualdade social e criminalidade juvenil. Hipóteses ajudam a orientar a pesquisa e organizar o material para confirmar ou refutar sua formulação. Os dados formam um conjunto pré-selecionado de dados consistentemente relacionados ao objeto de estudo (NAUROSKI, 2018). Com abertura metodológica, a escolha das variáveis é um elemento central na preparação da pesquisa. Por exemplo: se o objetivo é compreender as doenças dos trabalhadores da educação, é importante identificar o sexo, idade, trajetória, carreira e rendimentos dos sujeitos, e assim desenvolver questões e cenários de entrevista que permitam conhecer em detalhe o funcionamento, condições e relações de trabalho desses profissionais (NAUROSKI, 2018). Além disso, criar uma pesquisa requer cuidado. Primeiramente, o pesquisador deve ter algum tipo de proximidade ou afinidade com o tema pesquisado. Este tópico deve estar relacionado ao referencial teórico escolhido pelo pesquisador; caso contrário, explorá-lo e desbloqueá-lo no processamento e análise de dados torna-se uma tarefa que dificilmente terá sucesso (NAUROSKI, 2018). Para quem está dando os primeiros passos na pesquisa científica, recomenda- se escolher temas que já tenham algum aporte teórico e pesquisas já realizadas que possam ser um suporte preliminar. Em uma revisão de literatura sobre um determinado tema, um pesquisador iniciante pode descobrir novos aspectos que ainda não foram investigados ou que requerem uma investigação mais aprofundada (NAUROSKI, 2018). A pesquisa avança ao longo do tempo com resultados futuros e estudos e análises que agregam e geram novos conhecimentos. A escolha do objeto de pesquisa também deve ter um significado social, para que a pesquisa possa contribuir para o aperfeiçoamento da sociedade. Embora nem sempre seja assim, o campo da ciência é o conhecimento em benefício de toda a humanidade. Poderíamos considerar a importância da pesquisa sociológica sobre as causas do crime ou o impacto da mudança tecnológica na vida das pessoas, ou mesmo nos direitos das minorias. Esses e muitos outros temas descrevem a ideia de significado social (NAUROSKI, 2018). Considerando os clássicos, podemos destacar alguns conselhos para quem pretende estudar a realidade social. Max Weber, em sua “Metodologia das Ciências Sociais” (1999), publicada originalmente em 1922, sugere que um cientista social deve ser muito claro sobre seus valores e crenças pessoais, pois são uma escolha de estudo e podem influenciar sua abordagem e análise. Segundo Weber, não há neutralidade na pesquisa, portanto os pesquisadores devem estar atentos às suas visões de mundo pessoais, para evitar que esses aspectos interfiram na pesquisa a ponto de comprometer os seus resultados. Um alerta semelhante foi feito por Émile Durkheim em “As regras do método sociológico” (2007), onde ele recomenda o afastamento de opiniões antecipadas do processo de análise. Em outras palavras, o escritor deve evitar fazer julgamentos de valor; um cientista social deve ser o mais racional, objetivo e imparcial possível. Além dessas ressalvas, há precauções quanto ao método utilizado e ao referencial teórico utilizado nos estudos. A realidade, objeto de estudo, apresenta as orientações metodológicas e as teorias mais adequadas para análise (NAUROSKI, 2018). Os conselhos de Weber e Durkheim está correto porque é importante lembrar que há um lado subjetivo no processo de criação do conhecimento científico. Cada etapa da pesquisa envolve escolhas feitas com base no contexto do pesquisador, visão de mundo, conexões teóricas e princípios éticos. É importante estar atento a esses aspectos, para que o resultado da pesquisa seja o mais fiel possível ao que a realidade estudada revela, e não se torne uma projeção subjetiva do próprio pesquisador (NAUROSKI, 2018). Conforme Nauroski (2018), outros cuidados também podem ser considerados: a) Questionar a origem das hipóteses e verificar sua formulação, considerando se são verossímeis ou baseadas em conhecimento de senso comum, ou preconceito. b) Atender ao alcance da realidade pesquisada, se as conclusões da amostra permitem uma visão ampla do fenômeno ou se trata somente de casos especiais. c) Evitar generalizações, principalmente quando a amostra for pequena ou se tratar de estudos de caso. Nessas situações, os resultados são sempre limitados e precisam ser devidamente contextualizados para não universalizar. d) Analisar minuciosamente a correlação entre as variáveis para não concluir precipitadamente que um evento é a causa de outro. É preciso estar atento à frequência e regularidade dos fenômenos sociais e aos fatores que podem influenciá- los. e) Atender à perspectiva ética em todas as etapas da pesquisa. Ferramentas de coleta de dados como questionários, entrevistas, visitas de observação e outras técnicas devem ser avaliadas e aprovadas pelo comitê de ética. Todas essas recomendações são importantes para que os pesquisadores façam bem o seu trabalho e tenham mais confiança nos resultados de suas pesquisas quando comunicam seus resultados aos colegas por meio de publicações (NAUROSKI, 2018). 3.3 As etapas da pesquisa A fase de pesquisa, que costuma ocupar o silêncio dos pesquisadores é o momento de pensar, preparar e escrever o projeto de pesquisa. Mostraremos que a criação deste projeto não é uma "besta de sete cabeças" seguindo cuidadosamente um procedimento relativamente simples. Com tempo e dedicação, muitos se apaixonam, além de ganharem experiência, e descobrem que são verdadeiros cientistas em formação e dando os primeiros passos na pesquisa social (NAUROSKI, 2018). Deve-se lembrar que o objetivo principal da pesquisa é produzir informações teórico-científicas que permitam compreender algum aspecto ou problema da sociedade. Portanto, toda pesquisa deve contribuir para o avanço do conhecimento sobre uma determinada realidade. Assim, deve ter um significado social, deve apresentar resultados que possam contribuir para a melhoria da sociedade, avançar a teoria e enriquecer o debate científico sobre o assunto (NAUROSKI, 2018). Os elementos a serem considerados na elaboração de um projeto de pesquisa são esquematizados na figura 6.2. Fonte: NAUROSKI, 2018. O primeiro passo é escolher o tema, definir o objeto a ser pesquisado, tarefa em que o pesquisador pode obter ajuda do orientador ou de outros pesquisadores participantes do grupo de discussão, ou estudo. Você deve se perguntar: "O que estou pesquisando?". A resposta a esta pergunta dá direção ao sujeito, a parte da realidade investigada. No entanto, deve-se lembrar que o assunto deve ser limitado, seus limites devem ser definidos para que o foco do trabalho de pesquisa seja bem orientado. Quando você aborda o assunto, você sempre acompanha a realidade problemática, aspectos do cotidiano, discussões recorrentes que aparecem na literatura ou surgem, como já foi dito, de uma direção de pesquisa relacionada a um determinado grupo de pesquisa associado a um programa de pós-graduação. Esses aspectos auxiliam no processo de refinamento metodológico que envolve delimitar o objeto de pesquisa e esclarecer o problema sob investigação (NAUROSKI, 2018). Outra etapa importante é a revisão de literatura. Trata-se de conhecer o estado da arte, entrar em contato com outros autores e pesquisadores relacionadosao assunto e conhecer os resultados já alcançados, aspectos que devem ser observados ou aprofundados. Esse processo ajuda o pesquisador a mensurar os resultados e a produção relacionados ao tema e, assim, identificar os aspectos que ainda merecem atenção e que já foram abordados. Isso evita redundância e repetição e ajuda a criar originalidade na proposta (NAUROSKI, 2018). A justificativa significa identificar as razões que tornam necessária uma proposta de pesquisa. Ressalta-se a importância do tema, a inovação, a originalidade da abordagem do método, a importância de sua contribuição para a área e os resultados almejados (NAUROSKI, 2018). Um passo necessário é formular o problema de pesquisa. Isso pode acontecer por meio da descrição do assunto e do assunto que está sendo estudado. Muitos fazem perguntas relevantes que ajudam a ilustrar a natureza do problema, como ele se relaciona com a realidade social mais ampla e como resolvê-lo (NAUROSKI, 2018). A pesquisa sem objetivos simplesmente não aconteceria, porque não teria sentido. Portanto, é de extrema importância que o pesquisador formule com seriedade os objetivos gerais e específicos do trabalho prospectivo (NAUROSKI, 2018). Os objetivos medem a intencionalidade da pesquisa com a fundamentação e o problema apresentados em uma articulação consistente. O objetivo geral fornece uma síntese mais ampla dos resultados desejados e os detalhes são suas consequências. A elaboração dos objetivos indica as atividades a serem realizadas, portanto, verbos infinitivos como indicar, descrever, discutir, especificar, apresentar, mostrar, classificar e avaliar devem ser usados (NAUROSKI, 2018). A metodologia é uma parte importante de mostrar como a pesquisa é feita. Normalmente, esta etapa descreve o tipo de pesquisa realizada, se qualitativa ou quantitativa, o universo amostral, as ferramentas utilizadas para coletar os dados, a forma como os dados e vieses analítico são utilizados, seja histórico, dialético, comparativo, descritivo, abrangente, etc. Recomendamos uma descrição detalhada dos instrumentos utilizados e suas finalidades. Não se pode esquecer que a metodologia utilizada precisa ser fundamentada teoricamente, mostrando sua compatibilidade com os objetivos propostos (NAUROSKI, 2018). Em seguida é a coleta de dados. Deve-se observar quais fontes são usadas, por exemplo bancos de dados oficiais, outros estudos já realizados e até fontes primárias de amostras, ou seja, se questionários, entrevistas, organização de grupos focais, etc. Com os dados coletados em mãos, os próximos passos exigem esforço, paciência e determinação do pesquisador (NAUROSKI, 2018). A organização e sistematização das informações pode incluir tabelas, gráficos, quadros e tabelas. Com base nessas informações, uma análise teórica é realizada. Dessa forma, o cientista pode gerar novas informações e testar suas hipóteses. É uma etapa fundamental que marca a produção do conhecimento científico e promove um diálogo entre realidade e teoria de acordo com as habilidades analíticas do cientista e daqueles que o apoiam. A etapa final é a elaboração do relatório de pesquisa, que, dependendo do nível da pesquisa, pode ser na forma de resumo de curso, monografia ou tese. O documento produzido é geralmente divulgado ao público, geralmente por meio da biblioteca da instituição à qual o pesquisador está vinculado. Além da biblioteca, é aconselhável publicar pesquisas na forma de artigos, livros e/ou capítulos de livros (NAUROSKI, 2018). Por fim, refira-se que cada projeto inclui a definição de um plano de ação e um plano orçamentário, que contempla os recursos e gastos previstos para a execução do estudo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2007. NAUROSKI, Everson Araújo. Teorias sociológicas e temas sociais contemporâneos. Curitiba: Inter Saberes, 2018. WEBER. M. Metodologia das ciências sociais. Trad. Augustin Wernet, 3. ed. São Paulo: Cortez, 1999.