Prévia do material em texto
Exame físico geral e antropometria Exame físico geral: obtidos dados gerais, independente dos vários sistemas ou segmentos corporais, o que possibilita uma visão do paciente como um todo Preparação para o exame: 1)Colocar os equipamentos necessários para aquele tipo de exame na mesa ou suporte da maca do paciente 2)Ajustar a luz do ambiente (preferível usar a luz do dia como iluminação, pois alterações de cor de pele podem ser mascaradas pela luz artificial) 3)Cortinas do paciente devem estar fechadas desde o começo da entrevista (em caso de consultório, deixar a porta fechada) 4)Posicionar o paciente no ambiente que será necessário para realizar o exame (maca, cadeira) 5)Lavar as mãos Importante: Por convenção o examinador utiliza a mão direita para a maioria das manobras do exame (e se posiciona ao lado do paciente também) OBS: Caso o exame exige que o paciente fique desnudo, fazer o exame expondo somente a área que está sendo examinada naquele momento (com as demais áreas cobertas) Avaliação do estado geral Avaliação subjetiva com base em um conjunto de dados exibidos pelo paciente e interpretado de acordo com a experiência de cada um. Para descrever a impressão obtida, usa-se a seguinte nomenclatura: bom estado geral (BEG), regular estado geral (REG) ou mal estado geral (MEG) Avaliação de orientação de tempo e espaço (nível de consciência) Perguntas de orientação no tempo: “Que dia da semana é hoje?”, “Qual é o mês que estamos? “, “Qual ano estamos?”, “Qual estação do ano estamos?”, “Qual a data de hoje?” Perguntas de orientação no espaço: “Onde o (a) senhor (a) está agora?”, “Qual é o nome deste local?”, “Em que bairro estamos?” Prontuário: Paciente lúcido, orientado no tempo e espaço (LOTEP) Passo a passo: 1)Higienização das mãos (na frente do paciente se possível) 2)Apresente-se e diga o que será feito 3)Posicione o paciente na maca (posição ereta) e fique ao seu lado direito 3)Solicite permissão 4) Faça as perguntas Fala e linguagem Afasia: distúrbio da linguagem, afetando a compreensão, expressão, leitura e/ou escrita Disartria: distúrbio na articulação das palavras Disfonia: alteração no timbre da voz, rouquidão ou voz fanha Dislalia: pequenas alterações na fala, como troca de letras Fala normal: normofonia ou coesa Prontuário: Paciente com fala coerente, coesa, com bom vocabulário, ritmo e volume normal OBS: Este exame geralmente é feito em conjunto com outro, pois quando eu faço perguntas ao paciente, eu já estou analisando de forma indireta a forma que ele fala Fácies O que é: conjunto de dados exibidos na face do paciente. É a resultante dos traços anatômicos mais as expressões fisionômicas OBS: você não faz perguntas diretas sobre as fácies, mas sim observa a face do paciente de forma metódica O que observar: a) Expressão geral: fácies de dor (supercílios franzidos, olhos semi- cerrados) ou fácies ansiosa (olhos arregalados, tensão) b) Simetria: observar a simetria ao sorrir, falar e ao repouso (para detectar paralisia facial) c) Coloração da pele: palidez (anemia), icterícia (amarelamento), cianose (azulamento) ou hiperemia (vermelhidão) d) Edema/ inchaço: inchaço periorbital (ao redor dos olhos) ou difuso na face e) Olhos: exoftalmia (olhos saltados) ou enoftalmia (olhos fundos) f) Boca e lábios: coloração dos lábios, umidade ou presença de lesões Prontuário: Fácies atípica (normal) Exemplos de fácies típicas (patológicas): a) Hipocrática: olhos fundos (enoftalmia), aspecto cadavérico, palidez acentuada, pele fria, nariz afilado, lábios secos e cianóticos b) Mongolóide (síndrome de down): olhos com fendas oblíquas para cima, pregas epicânticas, estrabismo, raiz nasal achatada c) Acromegálica: aumento do volume facial, mandíbula proeminente (prognatismo), aumento do nariz, lábios e língua (macroglossia), arcos superciliares salientes d) Leonina: espessamento e nodulação da pele da face, sulcos profundos, aumento dos lóbulos das orelhas (lembrando a face de um leão) e) Cushingoide: rosto redondo, rubicundo (vermelho), com edema e acumulo de gordura supraclavicular f) Mixedematosa: inchaço e espessamento da pele da face (edema duro), pálpebras inchadas, inexpressividade e cabelos secos e esparsos g) Parkinsoniana: rosto inexpressivo, máscara (hipomimia), pouco piscar, boca entreaberta e sialorreia (baba) Marcha Fornece informações importantes sobre o sistema musculoesquelético e neurológico do paciente Importante: a marcha só pode ser avaliada se o paciente for ambulatorial (capaz de andar) e estiver seguro para tal OBS: nessa etapa se semiologia, os professores não aprofundaram na parte de marcha, portanto olhar o andar do paciente quando ele entrar no consultório Prontuário: Marcha normal e passos simétricos Coloração da pele O registro deve ser feito de maneira objetiva, descrevendo primeiro o achado geral e depois os achados específicos em locais importantes (como mucosas e escleróticas) Passo a passo: 1)Higienizar as mãos, perguntar seu nome e me apresentar 2)Explicação do procedimento (vou avaliar a cor e a integridade da sua pele e mucosas) 3) Ação: 3.1) Inspeção geral: observar a cor da face, pescoço, tórax 3.2) Pálpebras e conjuntivas: peça ao paciente olhar para cima e abaixe a pálpebra inferior. Busca por palidez ou icterícia 3.3) Mucosa oral e língua: peça ao paciente para abrir a boca e mostrar a língua. Busca por cianose central (só ocorre na língua/mucosa quando há oxigenação insuficiente no sangue) e palidez 3.4) Extremidades (mãos e pés): inspecione as palmas das mãos e os leitos ungueais (sob as unhas) e os pés. Busca por cianose periférica ou palidez Nomenclaturas dos achados: Palidez: diminuição da cor rósea/ avermelhada normal, tornando a pele e mucosas mais claras (brancas ou acinzentadas) O que inspecionar: conjuntiva palpebral, mucosa oral, leitos ungueais Classificação em cruzes: + (leve): palidez sutil, difícil de notar, vista apenas em locais de referência (ex: conjuntivas) ++ (moderada): palidez mais evidente, fácil de reconhecer nas mucosas e talvez discretamente na pele +++ (acentuada): palidez intensa e generalizada, facilmente visível nas mucosas e na pele ++++ (máxima): palidez muito intensa, quase branca, que sugere anemia muito grave ou choque circulatório com vasoconstrição máxima Icterícia: coloração amarelada da pele e das mucosas Locais de verificação: escleróticas, mucosa oral e pele Anotação: ictérico ou anictérico Cianose: coloração azul-arroxeada da pele e mucosas Classificação: a) Cianose central: local de observação são as mucosas, língua, lábios e extremidades b) Cianose periférica: local de observação são as extremidades (dedos, unhas) Anotação: acianótico, cianótico Prontuário: Pele e mucosas normocoradas e hidratadas Avaliação do estado de hidratação Exame é realizado por meio de inspeção e palpação, focando em 2 áreas principais: mucosas e pele Passo a passo: 1)Explicação (agora vou avaliar como está a hidratação da sua pele e da sua boca) 2)Posição: o paciente deve estar sentado na maca e ereto 3)Avaliação das mucosas (inspeção): 3.1) Peça ao paciente para abrir a boca e se possível coloque a língua para fora (observar o brilho e a umidade dos lábios, as bochechas e a língua) 4) Inspecione as conjuntivas 5) Avaliação da turgidez e elasticidade da pele (palpação): 5.1) Com o polegar e o indicador faça uma “prega” na pele do paciente (face interna do antebraço). Observe a velocidade com que a pele retorna a sua posição normal Achados: Mucosas: devem ser róseas, úmidas e com brilho discreto (saliva fluida) Conjuntivas: devem ser úmidas Pele: deve ter umidade e com brilho saudável Turgor: pele volta imediatamente (em torno de 1 segundo) OBS: caso a pelevolte em 1 segundo ou menos, o sinal de prega é chamado de negativo ou ausente Prontuário: Pele e mucosas hidratadas, úmidas e brilhante, turgor e elasticidade cutânea preservadas Biotipo Conjuntos de características morfológicas apresentadas pelo indivíduo Classificação: Brevilíneo: pescoço curto e grosso. Tórax alargado e volumoso, membros curtos em relação ao tronco, ângulo de Charpy (costal) maior que 90 graus, musculatura desenvolvida e panículo adiposo espesso, tendência de baixa estatura Mediolíneo: equilíbrio entre os membros e tronco, desenvolvimento harmônico da musculatura e do panículo adiposo, ângulo de Charpy (costal) em torno de 90 graus Longilíneo: pescoço longo e delgado, tórax afilado e chato, membros alongados com predomínio sobre o tronco, ângulo de Charpy (costal) menor que 90 graus, musculatura delgada e panículo adiposo pouco desenvolvido, tendência para estatura elevada Avaliação antropométrica: Deve ser realizada com o paciente em pé e com roupas leves, sem sapatos Passo a passo: 1)Peso (P) e altura (A): 1.1) Instrução (agora vamos medir o (a) senhor (a). 1.2) O paciente deve estar em pé, de costas para a régua, olhando para o horizonte, braços ao longo do corpo e pés unidos (voltados para frente) 2) Altura: 2.1) Baixe o cursor da régua sobre a cabeça do paciente 2.2) Registre a altura em metros (com duas casas decimais) 3)Peso: 3.1) Com a balança vazia, deslize os pesos para o 0 e verifique se o ponteiro está centralizado. Se não estiver, ajuste o botão de calibração 3.2) Mova o peso grande (cursor maior) até um valor aproximado que deixe a balança desequilibrada 3.3) Mova o peso pequeno (cursor menor) lentamente até o ponteiro (agulha) da balança pare exatamente no meio e flutue livremente, sem tocar a base 3.4) Leia o valor exato onde o peso grande e o peso pequeno pararam Índice de massa corporal (IMC) Utilizado como indicador do estado nutricional Classificações: 40,0: obesidade grau III (risco gravíssimo) Circunferência da cintura (CC) Avalia o acúmulo de gordura abdominal (obesidade central), que está altamente correlacionado com o risco cardiovascular e metabólico Passo a passo: 1)Paciente em pé, braços relaxados ao lado do corpo e abdômen relaxado 2)Identifique o ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca (osso do quadril) 3)Use a fita métrica, posicionando-a horizontalmente nesse ponto, sem comprimir a pele. A leitura deve ser feita no final de uma expiração normal 3)Rotacione a fita, sem tirá-lo do ponto médio e circunde quadril até o encontro das extremidades inicial 4)Registre o valor encontrado em cm Interpretação (risco cardiovascular) Homem: >94cm (risco aumentado) e >102cm (risco muito aumentado) Mulher: >80cm (risco aumentado) e >88cm (risco muito aumentado) Circunferência de quadril e relação cintura-quadril É usada primariamente para calcular a relação cintura-quadril, que indica a distribuição da gordura Passo a passo: 1)Pedir para o paciente tirar o máximo de roupa possível e estar em pé 2)Posicione a fita envolta da região mais alta do glúteo 3)Registre o valor em cm Cálculo da RCQ Interpretação (risco central de obesidade) Homens: >1,0 (risco elevado) Mulheres: >0,85 (risco elevado) Prontuário completo: Paciente BEG, lúcido, fácies atípica e biotipo mediolíneo, marcha normal, pele e mucosas normocoradas e hidratadas, fala coerente, IMC x, CCx