Material de Apoio
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DisciplinaDireito Administrativo I61.354 materiais1.086.084 seguidores
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improbidade. 
Improbidade X crime de responsabilidade - 
Alguns agentes políticos respondem, na CF, 
por crimes de responsabilidade (infração de 
natureza civil, política e administrativa). Não dá 
para aplicar as duas leis. 
Hoje, na doutrina e na jurisprudência, o 
presidente da República e os ministros de 
Estado, nos crimes conexos com o Presidente, 
respondem por crime de responsabilidade e 
não respondem com base na improbidade. 
Hoje, em repercussão geral no STF, há uma 
discussão acerca da aplicação da lei de 
improbidade para prefeitos. A princípio a lei de 
improbidade se aplica a prefeitos, 
governadores, ministros do STF. 
 
\uf0b7 SUJETO PASSIVO DO ATO DE 
IMPROBIDADE 
Todos os entes da AD e da AI. Mas a lei ainda 
protege pessoas privadas que recebem 
dinheiro público para formação do patrimônio 
ou custeio. Mas as entidades privadas 
precisam ser analisadas a partir de regras 
específicas. Vejamos. 
Se tem mais de 50% do patrimônio formado 
com dinheiro público, equiparam-se aos entes 
da administração para fins de improbidade. A 
lei se aplica como se fosse para um ente da 
administração. 
Se tem menos de 50% do patrimônio formado 
com dinheiro público, a lei de improbidade se 
aplica somente no que diz respeito às sanções 
patrimoniais, no limite do dinheiro público (o 
restante será objetivo de ação privada). 
 
 
 
 
 
 
 
 
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\uf0b7 OS ATOS DE IMPROBIDADE \u2013 (Arts. 
9º, 10 e 11 define os atos de 
improbidade e o 12 traz as sanções) 
 
9º \u2013 atos de improbidade que geram 
enriquecimento ilícito. MAIS GRAVES 
10 - atos de improbidade que causem dano ao 
erário. MÉDIOS 
11 - atos de improbidade que atentem contra 
princípios. MAIS LEVES 
Com isso percebe-se que a configuração de 
um ato de improbidade não depende de dano 
efetivo ao erário e não depende da aprovação 
ou rejeição de contas pelo Tribunal de Contas. 
Um mesmo ato pode incidir nos três artigos. 
Neste caso a lei determina que sejam 
aplicadas as sanções inerentes às sanções 
mais graves. 
A lei falou dolo e culpa só para o dano ao 
erário. Assim, contrariando parcela da doutrina, 
o STJ entende que nos casos em que a lei não 
diz nada (enriquecimento ilícito ou violação de 
princípios) só há ato de improbidade na 
modalidade DOLOSA (intenção, má-fé). 
Imagine que você causou um dano ao erário 
atuando de maneira culposa, sem querer. Isso 
constitui violação ao princípio da moralidade. 
Não. Até foi negligente, por exemplo, mas não 
foi desleal. É uma improbidade que não 
necessariamente configura uma imoralidade. 
Cada um desses atos traz o rol exemplificativo 
de hipóteses. Vale à pena dar uma lida. Para a 
prova objetiva cai a decoreba mesmo.Para 
cada tipo de ato de improbidade há seis 
sanções. Mas não tem que decorar 18. São as 
mesmas. O que aumenta ou diminui é a 
gradação delas. A tabela é decoreba do art. 12. 
 
Art. 9º Art. 10 Art. 11 
Perda da = = 
função 
Obs1 / Obs2 
Perda dos 
bens 
= 
NÃO HÁ 
PERDA DE 
BENS, POIS 
NÃO HOUVE 
ACRÉSCIMO 
DE BENS 
Ressarcimento 
ao erário 
= 
=, caso haja 
um dano 
reflexo 
Suspensão 
dos direitos 
políticos de 8 a 
10 anos 
Obs3 
=, de 
5 a 8 
anos 
=, de 3 a 5 
anos 
Multa 
(penalidade 
pecuniária) de 
até 3x o valor 
do 
enriquecimento 
ilícito 
=, até 
2 x o 
valor 
do 
DANO 
=, de até 
100x a 
remuneração 
do agente 
Obs4 
Proibição de 
contratar 
(também de 
participar de 
licitação e de 
receber 
incentivos 
fiscais) por 10 
anos 
=, 5 
anos 
=, 3 anos 
 
OBS1 - A perda da função se dá no momento 
em que a pena é aplicada, ainda que o sujeito 
tenha mudado de função (antes era prefeito e 
hoje é auditor). 
OBS2 - O STJ entende que se o sujeito já está 
aposentado a perda da função pode ser 
convertida em cassação de aposentadoria 
como forma de adequação punitiva. 
Ressarcimento, na verdade, é devolução. 
Propriamente não é pena, mas você aceita 
porque está aí. 
OBS3 \u2013 A suspensão dos direitos políticos é de 
8 a 10 anos, mas caso a sentença não 
 
 
 
 
 
 
 
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estabeleça prazo, aplica-se o menor. Neste 
caso, 8 anos. 
OBS4 \u2013 Aos agentes que não recebem 
remuneração a multa se aplica por adequação 
punitiva (mesários, jurados). Para o STJ a 
multa, neste caso, deve ser aplicada com base 
no salário mínimo (e isso não é vinculação nem 
índice de indexação). 
Todas essas sanções devem ser aplicadas 
respeitando-se o princípio da 
proporcionalidade. Assim, a sanção não pode 
ser nem mais intensa nem mais extensa que o 
necessário para punir. 
É por isso que lei diz que o juiz estabelecerá 
quais as sanções que serão aplicadas, isolada 
ou cumulativamente, de acordo com a 
gravidade da infração. É a aplicação do 
princípio da proporcionalidade e do livre 
convencimento motivado. 
E isso o juiz pode fazer mesmo que não haja 
pedido expresso. Ex. O MP na ação não pediu 
multa e o juiz aplicou. Não se trata de decisão 
ULTRA PETITA. Todas as sanções são 
pedidos implícitos a serem aplicadas e 
graduadas a partir do princípio do livre 
convencimento motivado. 
 
PARTE PROCESSUAL 
 
\uf0b7 SUJEITO PASSIVO DA AÇÃO 
É o sujeito ativo do ato = agente público ou 
particular que concorra, induza ou se beneficie 
do ato de improbidade. 
O particular só sofre ação de improbidade em 
litisconsórcio passivo necessário com alguém. 
Ele nunca será réu sozinho em uma ação de 
improbidade. Tem que estar sempre com um 
agente público. 
 
\uf0b7 SUJEITO ATIVO DA AÇÃO (não do 
ato) 
Ou o MP ou a pessoa jurídica lesada pelo ato 
de improbidade. 
Caso o MP seja o autor a pessoa lesada pode, 
se quiser, participar como litisconsorte. É 
obrigatório o convite (intimação) da pessoa 
lesada, mas ela vai se quiser. 
Caso a pessoa proponha a ação, o MP não 
atua como parte, como litisconsorte. Mas ele 
atua como fiscal da lei (custus legis). 
A competência para julgar a ação de 
improbidade é do juiz singular (pode ser justiça 
federal ou estadual). Não há foro privilegiado 
na ação de improbidade. Essa é a atual 
posição, a que prevalece. 
OBS: quando o réu da ação de improbidade for 
um membro da magistratura, necessariamente 
haverá foro privilegiado. Não é possível que um 
juiz singular julgue o Min. do STF. Como forma 
de respeitar a hierarquia escalonada do 
Judiciário, as ações contra membros da 
magistratura devem ser ajuizadas no tribunal 
ao qual o juiz está vinculado. 
Não cabe TAC, nem delação premiada na ação 
de improbidade. Não há nenhuma possibilidade 
de acordo ou transação. Estamos diante de 
direitos indisponíveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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BENS PÚBLICOS 
 
\uf0b7 GENERALIDADES 
Matéria pequena e simples. Tratar dos bens 
públicos é tratar dos bens da administração. 
O art. 98 do CC diz que são bens públicos os 
bens da pessoa jurídica de direito público 
interno. Todos os demais são privados, pouco 
importa a quem pertençam. Aí o que é 
relevante para saber se é bem público é 
apenas a titularidade. Só que é preciso 
interpretar o CC. 
Se cair a literalidade você marca. Mas hoje a 
doutrina diz que os bens das pessoas de direito 
privado que estão vinculados e atrelados à 
prestação