Material de Apoio
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DisciplinaDireito Administrativo I61.502 materiais1.088.629 seguidores
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dos serviços públicos gozam das 
garantias de bens públicos (não podem ser 
penhorados, usucapidos...). 
Assim, a titularidade define e a destinação 
classifica. Por isso, quanto à destinação os 
bens podem ser: 
 
\uf0b7 CLASSIFICAÇÃO DOS BENS 
QUANTO À DESTINAÇÃO 
- de uso comum do povo - Destinação geral: 
praças, ruas, calçadas, avenidas, praias. A 
utilização normal desses bens não precisa de 
autorização do poder público. 
 - de uso especial \u2013 São utilizados para a 
prestação do serviço ou o estabelecimento de 
atividade pública. O Estado utiliza com 
finalidade específica. É de utilização pelo 
próprio Estado (prédio de repartição, carro 
oficial...). 
Os bens de uso especial podem ser de uso 
especial direto ou indireto. Os de uso especial 
direto são aqueles que compõem a máquina do 
Estado e utilizados diretamente pela estrutura 
administrativa (carro, computador). 
Mas em algumas situações o bem não é 
utilizado diretamente pelo Estado, mas ele 
conserva com uma finalidade específica. Ex. 
terras indígenas. Bem de uso especial indireto. 
Não é utilizado diretamente, mas é conservado 
pelo Estado com uma finalidade específica (Ex. 
área de preservação permanente, para 
proteção do meio ambiente). 
- dominicais ou dominiais \u2013 São aqueles que 
não possuem nenhuma espécie de destinação 
pública específica, mas pertencem a uma 
pessoa jurídica de direito público (ao poder 
público). 
Os bens que possuem destinação pública nós 
chamamos de bens afetados (seja uso comum, 
especial, não interessa). 
Desafetados são os bens dominicais, aqueles 
que não tem uma destinação pública. 
Afetar é dar ao bem destinação que ele não 
tinha. Desafetar é tirar a destinação pública 
que o bem originariamente tinha. 
Numa situação ideal todos os bens públicos 
deveriam estar afetados a uma finalidade 
pública. Isso é o que se espera. Por isso, hoje 
se entende que a afetação de um bem não 
depende de formalidade e pode se dar com o 
simples uso. 
 
 
 
 
 
 
 
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Direito Administrativo 
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Já a desafetação não pode se dar pelo simples 
desuso. Tem que ser formal. Até para se evitar 
a desafetação indiscriminada dos bens. 
Depende de lei ou de ato administrativo 
específico. 
Alguns doutrinadores admitem que bens de 
uso especial podem ser desafetados por fatos 
da natureza. Ex. enchente de destrói escola 
pública, incêndio que acaba com hospital (na 
prática não é bem assim, mas na teoria e na 
prova pode marcar). 
 
\uf0b7 USO DE BENS PÚBLICOS POR 
PARTICULARES 
Andar na praia x casar na praia. Andar na 
calçada x colocar mesas na calçada. Essa é 
uma utilização especial de um bem comum. 
Essa utilização especial desse bem é possível, 
mas não pode atrapalhar a utilização normal 
das outras pessoas, por isso ele terá que 
conseguir uma manifestação do Estado, que 
pode se dar de três formas: autorização, 
concessão e permissão. 
Autorização e permissão são atos 
discricionários e precários (pode ser desfeito a 
qualquer tempo sem qualquer direito à 
indenização). O que diferencia a autorização 
da permissão, para o entendimento mais 
moderno é o interesse. É que a autorização é 
feita no interesse só do particular (casar na 
praia), enquanto a permissão é interesse do 
particular e do Estado (banca de revista, feira 
de artesanato). 
Embora a permissão tenha natureza de ato 
(discricionário e precário), se houver mais de 
um interessado na utilização daquele bem tem 
que haver procedimento licitatório (para o 
Estado justificar porque deu a um sujeito e não 
deu a outro). Autorização em nenhuma 
hipótese depende de licitação. 
A concessão é contrato, por isso não é 
precária. É utilizada em situações mais 
permanentes. É feita mediante procedimento 
licitatório regular e significa a concessão de um 
bem público ao particular por prazo 
determinado. 
São situações nas quais o particular vai ter que 
investir um pouco mais na utilização do bem, 
por isso ele vai ter direito à garantia do contrato 
para poder amortizar os investimentos que ele 
fez (box no mercado municipal, restaurante ou 
cantina em universidade ou escola pública, 
quiosque em parque público). 
Em 1967 foi editado o decreto-lei 271/67 
criando a concessão de direito real de uso. Ela 
é feita todas as vezes que o Estado quer fazer 
industrialização ou urbanização de 
determinadas áreas (exemplo, para se instalar 
indústria em terreno público). Aí a garantia será 
ainda maior, pois será uma garantia real. Sem 
alguém esbulhar ele pode reivindicar, se ele 
morrer o bem é passado, ele vai poder se valer 
do direito real de propriedade, pois o direito 
real se atrela ao bem. Depende de licitação na 
modalidade concorrência. A finalidade era 
povoar áreas públicas pouco utilizadas. 
Até hoje ela existe. E tem uma peculiaridade 
(para alguns \u2013 minoritários - não recepcionada 
pela 8.666) que é poder ser realizada com 
prazo indeterminado. 
Vimos que todo contrato administrativo, desde 
93, tem que ter prazo determinado, mas as 
concessões de direito real de uso que já 
haviam sido realizadas antes de 93 podem ter 
sido celebradas com prazo indeterminado sim. 
A 8.666 não retroage para atingir os contratos 
que já tinham sido celebrados antes. 
OBS: nos moldes do direito civil, é possível a 
utilização privada de bens públicos por meio de 
contratos privados (locação, usufruto, 
enfiteuse...). É contrato civil, por isso o estado 
não goza das prerrogativas públicas, mas nem 
 
 
 
 
 
 
 
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por isso deixa de se submeter às limitações 
públicas. 
Vale lembrar que os bens públicos gozam do 
regime jurídico de direito público e de suas 
garantias, pelo simples fato de ser bem público. 
São 4 garantias básicas: imprescritibilidade (o 
STJ vai além e diz que a utilização do bem 
público pelo particular sequer induz posse, 
quanto mais propriedade. É caso de mera 
detenção), impenhorabilidade, não 
onerabilidade, inalienabilidade relativa. 
Obs: o bem público é imprescritível, mas se 
pode usucapir o domínio útil em caso de 
enfiteuse no caso de posse mansa e 
pacífica e de pagamento dos foros. O 
sujeito pode passar a ser o enfiteuta. O 
domínio real continua com o Estado e não 
pode ser objeto de usucapião, mas se 
admite a usucapião do domínio útil e, 
consequentemente, da qualidade de 
enfiteuta. 
Para alienação são requisitos: desafetação, 
declaração de interesse público, avaliação 
prévia e licitação. 
- se imóvel: autorização legislativa 
específica e, sendo da União, precisa de 
permissão do Presidente da República. 
 
 
 
 
 
 
CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO 
\uf0b7 CLASSIFICAÇÃO 
 
1. QUANTO À PESSOA QUE EXERCE: 
EXECUTIVO (Administração) x 
LEGISLATIVO x JUDICIÁRIO. 
Controle executivo é o interno. O judicial e o 
legislativo são controles externos. 
O controle externo, sistema de freios e 
contrapesos, só pode ser estabelecido pela 
Constituição. Nenhuma lei infraconstitucional 
pode consagrar o controle externo. 
 
2. QUANTO À NATUREZA: LEGALIDADE 
x MÉRITO 
Legalidade \u2013 verificar se a administração está 
atuando dentro dos limites que a lei estabelece. 
Mérito \u2013 verifica a conveniência e oportunidade 
da atuação administrativa. 
Judiciário controla legalidade que atinge o 
mérito, mas não controla o mérito do ato 
administrativo. 
 
3. QUANTO AO ÂMBITO DA 
ADMINISTRAÇÃO: POR HIERARQUIA 
x POR VINCULAÇÃO