Material de Apoio
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DisciplinaDireito Administrativo I61.547 materiais1.089.337 seguidores
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A 1ª especial está no art. 182 (desapropriação 
especial urbana). É prevista no art. 182 e 
regulamentada pelo Estatuto da Cidade. 
Aqui se o imóvel urbano não estiver cumprindo 
a função social prevista no plano diretor da 
cidade, esse imóvel sofrerá algumas restrições 
(só o Poder Público municipal pode fazer essas 
restrições). São três medidas a serem tomadas 
gradativamente. 
São elas: 
i) notificação do proprietário para 
parcelamento ou edificação do terreno (para 
dar função social à propriedade). 
Depois de notificado o sujeito tem no máximo 1 
ano para apresentar o projeto e 2 anos para 
dar início às obras. Passado esse prazo sem 
providência, vem a segunda medida. 
ii) IPTU progressivo. Vai se aumentando 
progressivamente a alíquota do IPTU como 
forma de coerção. Isso se chama 
extrafiscalidade, pois a função não é arrecadar, 
e sim dar à propriedade função social. 
Esse IPTU progressivo dura no máximo 5 
anos, desde que a alíquota não ultrapasse 
15%. Mais do que isso é considerado confisco. 
E de um ano pro outro, o máximo que o IPTU 
pode aumentar é o dobro. Passados os 5 anos, 
a alíquota se mantém no máximo até se passar 
para terceira medida. 
iii) Finalmente, terceira medida, 
desapropriação sancionatória. Por isso ela 
não é paga em dinheiro, mas em título da 
dívida pública, resgatáveis em até 10 anos. 
Essa que estudamos agora é a primeira 
desapropriação especial urbana. 
2ª especial - Além da primeira, do art. 184 ao 
art. 186 tem a desapropriação especial rural. 
Ela segue a mesma lógica da urbana, que é a 
função social. 
A urbana é de competência exclusiva do 
município, a rural é de competência exclusiva 
da União. 
Aqui é um imóvel rural, que não cumpre a 
função social da propriedade rural, e por isso 
 
 
 
 
 
 
 
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vai ser desapropriado para fins de reforma 
agrária. 
Aqui a destinação é vinculada à reforma 
agrária por determinação expressa da própria 
CF. Não é possível se fazer tredestinação, 
ainda que pública. Necessariamente o imóvel 
desapropriado deverá ser utilizado para 
reforma agrária. 
E aqui não tem gradação. Direto vem a 
desapropriação. 
Aqui a indenização, a rigor, também não será 
em dinheiro. Será indenização em TDA 
resgatáveis em até 20 anos, a partir do 2º ano 
de emissão (na urbana é direto a partir da data 
da emissão). 
Porém, aqui a indenização não é integralmente 
em títulos, pois a leis estabelece que as 
benfeitorias úteis e necessárias serão pagas 
em dinheiro. 
Aqui, a função social da propriedade rural está 
prevista na própria CF, no art. 186. São 
requisitos cumulativos. 
\u201cArt. 186. A função social é cumprida quando a 
propriedade rural atende, simultaneamente, 
segundo critérios e graus de exigência 
estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: 
I - aproveitamento racional e adequado; 
II - utilização adequada dos recursos 
naturais disponíveis e preservação do 
meio ambiente; 
III - observância das disposições que 
regulam as relações de trabalho; 
IV - exploração que favoreça o bem-
estar dos proprietários e dos 
trabalhadores.\u201d 
 
\uf0b7 Cuidado. A propriedade pode até ser 
produtiva e mesmo assim não cumprir a 
função social (isso porque há outros 
requisitos que devem ser observados). 
 
\uf0b7 Ocorre que mesmo não cumprindo 
função social, se a propriedade é 
produtiva, não vai caber desapropriação 
para fins de reforma agrária. Porque 
aqui tem vedação expressa. 
 
\uf0b7 Aqui temos que lembrar o art. 185. Com 
ele, não cabe desapropriação para fins 
de reforma agrária se a propriedade 
produtiva, assim como (outra situação) 
no caso da pequena e média 
propriedade que seja a única do sujeito. 
Isso só vale para a desapropriação 
especial rural. 
\u201cArt. 185. São insuscetíveis de desapropriação 
para fins de reforma agrária: 
I - a pequena e média propriedade rural, 
assim definida em lei, desde que seu 
proprietário não possua outra; 
II - a propriedade produtiva.\u201d 
 
3ª desapropriação especial: confisco ou 
expropriação. Essa não é indenizada. 
É a chamada desapropriação confisco. 
\u201cArt. 243. As glebas de qualquer região do País 
onde forem localizadas culturas ilegais de 
plantas psicotrópicas serão imediatamente 
expropriadas e especificamente destinadas ao 
assentamento de colonos, para o cultivo de 
produtos alimentícios e medicamentosos, sem 
qualquer indenização ao proprietário e sem 
prejuízo de outras sanções previstas em lei. 
Parágrafo único. Todo e qualquer bem 
de valor econômico apreendido em 
decorrência do tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins será 
confiscado e reverterá em benefício de 
instituições e pessoal especializados no 
 
 
 
 
 
 
 
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tratamento e recuperação de viciados e 
no aparelhamento e custeio de 
atividades de fiscalização, controle, 
prevenção e repressão do crime de 
tráfico dessas substâncias.\u201d 
A CF fala na desapropriação de bens imóveis 
utilizados para cultivo de substâncias 
psicotrópicas, bem como os móveis utilizados 
para o tráfico de drogas. Aqui não há que se 
falar em indenização. 
Aqui a destinação é vinculada também. Os 
móveis serão utilizados para combate ao tráfico 
e recuperação de viciados. Os imóveis serão 
utilizados para assentamento de colonos (que 
vão fazer produção de medicamentos, gêneros 
alimentícios). 
Lembre que a CF fala em desapropriação de 
glebas utilizadas para plantação de 
substâncias entorpecentes. 
Entretanto, se o sujeito planta maconha só em 
10 % do terreno, mesmo assim ele perde o 
terreno inteiro. 
O STF desde 2009 passou a entender assim. E 
por isso gleba deve ser interpretada como 
propriedade de forma ampla. 
 
INTERVENÇÕES RESTRITIVAS 
O bem continua nas mãos do particular, mas 
sujeito a algumas restrições impostas pelo 
Estado. 
São cinco: limitação, servidão, tombamento, 
ocupação temporária e requisição 
administrativa. 
 
\uf0b7 LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA 
É uma intervenção de caráter geral e abstrato. 
Não é uma restrição imposta a um determinado 
bem, mas a todos os bens que estejam na 
mesma situação. 
Ex. em determinada cidade litorânea, todos 
que moram na beira mar só podem ir até oito 
andares. 
Como não se causa um dano específico a 
ninguém, a princípio a limitação não é 
indenizável. 
Por outro lado, há julgados que dizem que se 
você conseguir mostrar que aquela limitação 
lhe causa prejuízos maiores do que os 
causados à coletividade, nesses casos é claro 
que você pode ser indenizado. Mas a regra é a 
não indenização, já que é de caráter geral. 
Como qualquer norma geral, a limitação produz 
efeitos ex nunc (prospectivos). Se você já tinha 
um prédio com mais de oito andares, não vai 
precisar derrubar. 
Dentro da limitação é necessário explicar o 
chamado direito de preempção. 
O art. 25 do estatuto da cidade (Lei 10.257/01) 
criou um direito de preempção público. É um 
direito de preferência público. 
Isso significa que o estatuto estabeleceu que o 
poder público municipal pode definir 
determinadas áreas do município como áreas 
de preempção, áreas de preferência. 
Assim, por meio de um decreto o município 
declara uma determinada área como área de 
preempção. E em virtude desse decreto, 
qualquer pessoa que more na área e que 
queira alienar o bem, primeiro vai ter que 
oferecer ao Estado. 
Isso é o direito de preempção de natureza 
pública. E para a doutrina, o