Material de Apoio
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DisciplinaDireito Administrativo I60.959 materiais1.080.387 seguidores
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ou de ofício 
pela administração. 
Instaura-se o processo por meio de uma 
portaria que vai designar quem são os agentes 
públicos que serão responsáveis pelo 
andamento do processo. 
Expedida essa portaria, o processo está 
instaurado. E aí, está designada a comissão 
que vai ser responsável pelos atos do 
processo. 
A autoridade do órgão não fica responsável 
pelos atos de expediente, isso é feito por uma 
comissão processante. 
Feito isso, temos que analisar agora a FORMA, 
TEMPO e LUGAR dos atos processuais. 
FORMA: todos os atos do processo tem que 
ser em português, e devidamente assinado 
pelo agente público competente para cada ato. 
Além disso, todas as páginas do processo 
devem ser sequenciadas, numeradas e 
rubricadas. 
TEMPO e LUGAR: a regra é que os atos sejam 
praticados no local da repartição e durante o 
horário de funcionamento da repartição. 
Excepcionalmente, desde que devidamente 
justificado, o ato pode ser praticado fora da 
repartição, quando houver necessidade de 
diligências externas. Ex. perícia. 
A regra do tempo também tem exceção: para 
os atos já iniciados cujo adiamento cause 
prejuízo ao andamento do processo ou à 
própria administração é possível que o ato se 
prolongue para além do tempo da repartição. 
Ex. oitiva de testemunha. 
Além disso, é preciso lembrar mais um 
formalismo do processo para a Administração. 
Diz respeito à comunicação dos atos 
processuais, e trata-se de formalismo para 
garantir o interesse do cidadão. Por isso a 
intimação de um ato no processo administrativo 
deve respeitar 6 requisitos básicos 
Um \u2013 identificação do interessado e do órgão 
ou entidade administrativa que está dando 
andamento a este processo (assim, quando 
receber a intimação o interessado tem que ser 
informado em que órgão ele tem que 
comparecer). 
Dois \u2013 finalidade da intimação. Ela tem que ser 
explicativa, informando qual é o processo e a 
finalidade da intimação. Isso em respeito ao 
contraditório. 
Três \u2013 identificação de data, hora e local em 
que tem que comparecer. OBS \u2013 3 dias úteis, 
no mínimo, para comparecimento (não pode 
ser pra amanhã). 
Quatro \u2013 informar se ele deve comparecer 
pessoalmente ou se pode se fazer representar. 
Isso porque em determinados casos o 
comparecimento pessoal é obrigatório (prestar 
informações, fazer depoimento pessoal). 
Cinco \u2013 informar se o processo continua ou 
não independentemente do seu 
comparecimento. Normalmente, o não 
comparecimento dele não impede a 
continuação do processo, mas isso tem que 
está informado. 
Seis \u2013 indicação dos fundamentos legais 
pertinentes (pelo qual ele foi intimado e o 
porquê daquele processo administrativo). 
OBS \u2013 o fato do sujeito não comparecer não 
faz com que sejam tidos por verdadeiros os 
fatos produzidos no processo. É a busca pela 
verdade real. Assim, aqueles efeitos da revelia 
que existem no processo civil não se aplicam 
ao processo administrativo. 
 
 
 
 
 
 
 
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Assim, se ele não aparecer para se defender, 
terá que ser nomeado um defensor dativo. 
 
\uf0b7 FASE II \u2013 INSTRUÇÃO 
Nessa fase de instrução a Administração deve 
produzir todas as provas necessárias à 
comprovação dos fatos. A instrução processual 
no PA é amplíssima, novamente em busca da 
verdade real. Aqui se permite a produção de 
todos os meios de prova admitidos em direito. 
A prova pode ser até emprestada de outro 
processo, desde que ela tenha sido licitamente 
produzida na origem. 
No processo administrativo, em determinadas 
situações será exigido parecer. Quando 
exigido, deve ser apresentado em no máximo 
15 dias, salvo lei específica dispondo o 
contrário. Esse é o prazo que órgãos 
consultivos ou autoridades administrativas 
emitam seu parecer e apresentem ao 
processo. 
Não havendo disposição legal expressa o 
parecer não é obrigatório. Não sendo 
obrigatório, passados os quinze dias o 
processo segue sem o parecer, podendo, 
inclusive, ser proferido o julgamento. Se for 
obrigatório, o processo fica paralisado até a 
emissão do parecer, mesmo que passe os 
quinze dias. Depois responsabiliza quem deu 
causa ao atraso. 
Quando o parecer é obrigatório, mesmo que 
passem os quinze dias o processo não pode 
voltar a correr. 
DEFESA 
Qualquer manifestação do interessado tem que 
ser feita em 5 dias, salvo lei específica 
prevendo o contrário. No PAD, por exemplo, a 
regra é que é de 10 dias o prazo para defesa. 
Lembrando que a não manifestação do 
interessado não gera os efeitos da revelia do 
processo civil. 
 
\uf0b7 FASE III \u2013 JULGAMENTO 
O julgamento no processo depende de uma 
motivação (art. 50). Seria a justificativa do 
julgamento. O julgamento é um ato final do 
processo, e como ato tem que ter motivação. 
Com o art. 50 está admitida inclusive a 
motivação aliunde. É a motivação que remete à 
motivação de atos anteriores (pareceres, 
informações...). 
Além disso, tem-se que o julgamento deve ser 
decidido pela autoridade competente. Vimos 
que essa competência pode ser alterada por 
delegação e avocação. São as duas primeiras 
hipóteses de exceção à competência posta. 
As outras são as hipóteses de impedimento e 
suspeição que prima pela imparcialidade do 
PA. Os casos estão na lei. 
Impedimento: a) todas as vezes que a 
autoridade competente tiver interesse direto ou 
indireto na causa; b) quando a autoridade está 
litigando com qualquer um dos interessados no 
processo (seja na via administrativa seja na via 
judicial); c) quando a autoridade participou de 
alguma etapa do processo (testemunha, perito, 
sindicância prévia \u2013 que é fase pré-processual, 
segundo o STJ). 
Suspeição: a) amizade íntima ou inimizade 
notória (depende de valoração). 
A não informação de impedimento e suspeição 
pela autoridade competente configura falta 
grave para fins disciplinares. 
Proferida a decisão, temos duas hipóteses 
básicas de impugnação: recurso e revisão. 
O recurso é uma instância superior na esfera 
administrativa. Na regra gral, não havendo lei 
específica, o prazo para recurso é de 10 dias. 
 
 
 
 
 
 
 
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Segundo a lei, o recurso é interposto perante a 
autoridade que proferiu a decisão. 
Essa autoridade recorrida pode reconsiderar a 
sua decisão. É o juízo de retratação que é 
admitido no recurso administrativo. Se ela não 
se retratar ela tem 5 dias para encaminha o 
processo para a autoridade superior que vai 
ser responsável pelo julgamento do recurso. 
Lembrando que a decisão do recurso pode 
piorar a situação do recorrente, porque não há 
proibição da reforma para pior em recurso 
administrativo. 
Mesmo depois de passados os prazos para 
recurso, a lei ainda prevê a possibilidade de 
revisão, que não tem prazo. A revisão pode ser 
pleiteada a qualquer tempo, mas depende do 
surgimento de fatos novos. 
Trata-se de um novo processo administrativo 
de revisão. Começa tudo de novo. Mas aqui 
não pode reformar para pior. E não pode piorar 
porque aquele processo já transitou em julgado 
na esfera administrativa. 
Lembrando que os recursos administrativos 
podem tramitar por, no máximo, três instâncias. 
A julgadora e mais duas. Desde que haja, 
claro. 
Finalmente, quando a lei fala de contagem de 
prazo do processo administrativo ela repete a 
regra do processo civil. Os prazos são 
contados exatamente iguais ao CPC. Exclui o 
dia