CAPÍTULO 5 Liderança, Gestão da Mão de Obra e dos Equipamentos2
19 pág.

CAPÍTULO 5 Liderança, Gestão da Mão de Obra e dos Equipamentos2


DisciplinaGerenciamento de Obras367 materiais2.025 seguidores
Pré-visualização4 páginas
Prof. Luciano da Costa Bandeira 
 
 
 1
UNIVERSIDADE PAULISTA \u2013 UNIP 
INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA 
CURSO: ENGENHARIA CIVIL 
DISCIPLINA: GERENCIAMENTO DE OBRAS CIVIS 
PROFESSOR: Msc. Luciano da Costa Bandeira. 
 
CAPÍTULO 5: Liderança, Gestão da Mão de Obra e dos Equipamentos 
 
LIDERANÇA 
 Em um canteiro de obras, o líder funciona como técnico de um time de futebol, ou 
um maestro de orquestra. É ele quem motiva a equipe, quem define os rumos a serem 
seguidos, quem toma as decisões mais difíceis, quem elogia e repreende nos momentos 
necessários. 
 Hierarquicamente, em um canteiro de obras, a estrutura de liderança tradicional 
funciona esquematicamente assim: 
 
 
 
 
 
 
 
 Isso não significa que não existam obras com mais de um mestre de obras, ou 
mais de um engenheiro, ou que não existam obras sem encarregados. Em outros casos, 
ainda existe o líder de equipe, caso o encarregado seja responsável por várias equipes. O 
exemplo acima é só uma estrutura geral e mais comum. 
 O grande problema está no fato de que, apesar de ter a função de liderar, grande 
parte (ou a quase totalidade) dos engenheiros, mestres de obra e encarregados não 
possui a mínima formação no aspecto de relações humanas, e não está preparada para 
liderar. A evolução da liderança acontece de forma pessoal e individual na base da 
tentativa, no acúmulo de experiências de erros e acertos. E, muitas vezes, os erros 
trazem consequências desastrosas. 
 Coordenar pessoas para o alcance de um mesmo objetivo é sinônimo de 
administrar conflitos. O líder precisa saber cobrar, ouvir, se colocar no lugar do outro, 
aceitar opiniões diferentes da sua e elogiar no momento certo. Administrar pessoas 
diferentes, com culturas diferentes, com histórias diferentes, requer muito mais que os 
Prof. Luciano da Costa Bandeira 
 2
conhecimentos técnicos aprendidos em um banco de universidade ou em um curso 
técnico para mestre de obras. 
 NAKAMURA (2013) apresenta em seu artigo algumas características principais 
para o líder em uma obra civil. De acordo com a autora, o líder deve: 
\uf0b7 Ser um bom comunicador: o líder precisa saber expor seus objetivos de forma 
clara para que todos compreendam e aceitem o que ele disser. Antes de tudo, 
deve se comportar de acordo com aquilo que ele fala. 
\uf0b7 Ser equilibrado e justo \u2013 um líder desesperado, afobado, só alastra o pânico na 
equipe. O líder deve ter serenidade e equilíbrio para tomar as decisões, e ser justo 
(não punir nem elogiar quem não merece). 
\uf0b7 Elogiar em público e chamar a atenção em particular \u2013 elogiar e corrigir são 
atitudes importantes para que o operário saiba se está atendendo ao que foi 
solicitado. Um líder que não sabe elogiar fica com fama de carrasco. Um que não 
sabe corrigir fica com fama de fraco. Contudo os locais para o elogio e a correção 
são diferentes: como as pessoas gostam de ser elogiadas e não de ser corrigidas, 
deve-se elogiar em público e corrigir em particular. 
\uf0b7 Ser otimista e entusiasta \u2013 o líder deve acreditar que é possível alcançar os 
resultados e deve fazer com que toda a equipe acredite também. 
\uf0b7 Ser coerente \u2013 o líder deve dar o exemplo: se é importante a limpeza da obra, 
que ele mantenha seu escritório limpo. Pegar um pedaço de papel deixado no 
chão, e colocar na lixeira, é uma atitude que é observada por todos. 
\uf0b7 Comemorar as realizações com a equipe \u2013 os resultados alcançados devem ser 
públicos, e o líder deve se mostrar feliz com o alcance das metas. Isso incentiva a 
equipe a produzir os mesmos resultados no futuro. 
\uf0b7 Quando possível, permitir a tomada de decisões de forma participativa \u2013 a equipe 
se sente valorizada quando participa das decisões e, consequentemente, se sente 
responsável pelo resultado, já que ajudou a decidir o caminho a seguir. 
\uf0b7 Objetivo: Diante dos problemas, não sair imediatamente atrás do culpado. 
Procure resolver o problema primeiro, depois procure descobrir a causa do 
problema, para que ele não aconteça mais. 
\uf0b7 Apresentar conhecimento técnico sobre o assunto \u2013 é muito difícil liderar uma 
equipe que realiza um trabalho sobre o qual não se tem conhecimento. O líder em 
uma obra deve ter conhecimento profundo dos processos de execução do 
trabalho. 
\u201cSer líder não significa ser mandão ou autoritário. O bom líder considera os 
funcionários parceiros e gera neles adesão aos objetivos, política e missão da 
Prof. Luciano da Costa Bandeira 
 
 
 3
organização", afirma o consultor Márcio Silva, professor do curso de pós-graduação 
do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade Industrial (ICTQ). "O líder deve se 
identificar com a visão da empresa e gostar do que faz. Só assim passará confiança 
aos parceiros e fará com que gostem do que fazem e sigam os rumos da 
empresa".(esta última citação também é dele?) 
 
GESTÃO DA MÃO DE OBRA 
A mão de obra na construção civil pode envolver por volta de 30% do total do custo 
de uma obra civil, podendo, contudo, chegar a 50% do total (dependendo do tipo de 
obra). Por esse motivo, quando se fala em gestão da mão de obra, ao mesmo tempo se 
faz uma referência a um fator decisivo no custo e na qualidade do produto final. 
A mão de obra na construção civil tem algumas características marcantes que a 
diferenciam das demais indústrias: 
\uf0b7 Alta rotatividade: como os projetos/obras têm, em sua grande maioria, um curto 
prazo de duração, na construção civil as demissões e contratações ocorrem em 
grandes escalas. O operário da construção civil é, via de regra, um nômade. Uma 
equipe de carpinteiros, por exemplo, já sabe, ao iniciar uma obra, que seu período 
de trabalho compreenderá somente a fase de estrutura. Acabando-a, toda a 
equipe será demitida (ou será deslocada para outra obra). Como o operário já 
sabe que o seu trabalho terá curta duração, muitas vezes, ele mesmo pede para 
ser demitido, à época da finalização de suas atividades. Essa conjuntura, tão 
comum na construção civil, torna-se muito menos traumática que em outras 
atividades. 
\uf0b7 Baixa qualificação/analfabetismo: Se as indústrias do país reclamam da falta de 
pessoal qualificado, na construção civil a situação ainda é pior. Primeiramente, 
porque, sendo um trabalho pesado, só opta por ele, na maioria das vezes, aqueles 
que não tiveram outra escolha. Isto ocorre principalmente nas grandes cidades. 
Em seguida, deparamo-nos com outra questão: devido à dificuldade de se obter 
mão de obra qualificada, as empresas admitem pessoas sem qualquer preparo, 
que entram como ajudante, e logo lhes conferem o status de profissional 
classificado (pedreiro, carpinteiro, armador, pintor, eletricista ou encanador). Tal 
trabalhador recebe como formação um conhecimento empírico, no próprio 
canteiro de obras, muitas vezes sem a devida orientação e sem o mínimo amparo 
técnico. 
\uf0b7 Baixos salários: Apesar dos aumentos dos ganhos salariais provocados pelo 
grande crescimento do mercado de imóveis nos últimos anos, os profissionais da 
Prof. Luciano da Costa Bandeira 
 4
construção civil ainda têm um rendimento médio anual inferior aos profissionais 
de outras indústrias, como as de transformação e a de metalurgia. 
Entretanto, constitui-se uma análise muito simplista atribuir a baixa produtividade da 
mão de obra na construção civil à qualidade do material humano disponível. Isto porque 
é possível organizar-se um sistema de gestão da mão de obra mediante um projeto mais 
bem elaborado, um nível de pré-fabricação mais abrangente, melhor qualidade e 
organização do trabalho e racionalização dos processos. Nessa perspectiva, a atividade 
no canteiro torna-se mais produtiva. 
 SOUZA (2006) define a razão unitária de produção (RUP) como sendo