Mormo fixação
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Mormo fixação


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submandibulares. Pode, ainda, ocorrer cicatrização das úlceras nasais, deixando cicatrizes em
forma de estrela, e em alguns casos observam-se destruição do septo nasal e poliartrites
(LANGENEGGER et al., 1960; WINTZER, 1990; MOTA et a1., 2000).
A forma cutânea inicia-se pelo aparecimento de nódulos endurecidos, principalmente
na face medial dos membros posteriores e no dorso do animal, seguido de flutuação de
abscessos que se rompem e ulceram, deixando áreas de alopecia. Os numerosos abscessos
interligados pelos vasos linfáticos salientes conferem às lesões um aspecto de rosário
(WINTZER, 1990; MOTA et al. 2000; RADOSTITS et al., 2002).
Menninger e Mocsy (1968) relataram a claudicação de um dos membros posteriores,
que se mantém suspenso e semiflexionado, podendo ocorrer edema que se estende por todo
membro.
Casos superagudos têm sido observados, sobretudo em animais já debilitados e
submetidos a estresse (RIET-CORREA et al., 2001).
Nas mulas e asnos, quase sempre, ocorre a forma aguda (RIET-CORREA et al., 2001),
enquanto nos eqüinos, predomina o processo crônico (JUBB et a!., 1993).
Atualmente, o mormo é um sério problema sanitário para o rebanho de eqüídeos dos
Estados da Região Nordeste do País, onde a doença foi notificada, sendo também
diagnosticada em outros Estados da Federação, podendo se estabelecer em todo o país, uma
vez que, as barreiras sanitárias estabeleci das nem sempre são eficazes na fiscalização do
trânsito interestadual de animais.
Considerando a importância que a enfermidade assume para criações de eqüídeos do
país e por tratar-se de uma zoonose, bem como pela grande lacuna existente entre a última
comunicação de focos da enfermidade que culminou com grande escassez de dados na
literatura nacional, objetivou-se estudar os aspectos clínicos de muares naturalmente
infectados pela B. mallei em propriedades rurais do Estado de Pernambuco.
MATERIAL E MÉTODOS
Este estudo foi realizado na Mesorregião da Mata do Estado de Pernambuco, que
apresenta clima quente e úmido, com elevadas temperaturas, chuvas abundantes e solos de
massapé que tornam a região ideal para o desenvolvimento da lavoura canavieira. Os animais
Rabelo, S.S.A. et aI. Indicadores clínicos em muares naturalmente infectados pela Burkholderia mallei. Veto e
Zootec. v.13, n.l, p.54-62. 2006.
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estudados pertenciam a propriedades de engenhos produtores de cana-de-açúcar, pertencentes
a usinas de açúcar e destilarias de álcool. Os muares e eqüinos eram utilizados exclusivamente
como animais de tração ou sela para o trabalho e beneficiamento da cana-de-açúcar, sendo
que os mesmos apresentavam histórico de doença respiratória.
A população alvo foi constituída por unidades animais com caracterização clínica
(com e sem sinais clínicos de mormo) e teste de fixação do complemento (positivo ou
negativo), alocadas em três grupos com trinta animais cada.
Foram utilizados 90 (noventa) muares adultos sem distinção de raça, sexo, criados em
regime semi-intensivo, alimentados com pastagem nativa, capim de corte, broto da cana-de-
açúcar e melaço. Os animais não recebiam suplementação mineral e não eram vermifugados.
Todos os animais estudados provenientes de propriedades com queixa de doença respiratória,
foram submetidos à prova de Fixação de Complemento para diagnóstico sorológico do
mormo, realizado no Laboratório de Apoio Animal (LAPA), na cidade do Recife, credenciado
pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Para realização da pesquisa foram formados três grupos:
-Grupo 1 (Gl): composto por 30 animais sadios e sorologicamente negativos para o
mormo;
-Grupo 2 (G2): composto por 30 animais sorologicamente positivos para o mormo sem
sintomatologia clínica aparente da doença e;
-Grupo 3 (G3): composto por 30 animais sorologicamente positivos para o mormo e
com sintomatologia clínica sugestiva da doença.
O exame clínico dos animais foi conduzido com o preenchimento de fichas com o
emprego da metodologia indicada por Speirs (1999). Houve ênfase para o exame dos sistemas
respiratório, linfático e tegumentar por serem os mais freqüentemente acometidos na doença
(MOTA et al., 2000; REED & BAYLY, 2000; RADOSTITS et aI., 2002).
Os parâmetros analisados foram inicialmente testados quanto à sua distribuição
normal, utilizando-se, para talo teste de Kolmogorov-Smirnov.
As variáveis estudadas foram descritas por meio das respectivas medidas estatísticas:
médias, medianas, desvios-padrão e coeficientes de variação.
Quando a escala original da mensuração das variáveis apresentou um domínio
diferente dos valores, houve a padronização (transformação), com base logarítmica (X + 1)
(Sampaio, 1998).
A verificação do comportamento das variáveis em função da condição clínica, foi
efetuada por análise de variância (Estatística F) e seu respectivo nível de significância (p) para
dados paramétricos, e teste de Kruskall- W allis para dados não-paramétricos, para amostras
independentes.
O teste de Student-Newman-Keuls foi utilizado para a comparação das médias,
avaliando-se, desta forma, a hipótese nula que admitia ausência de diferenças entre os grupos
amostrais (G 1, G2 e G3). O nível de significância adotado foi 0,05.
Para as variáveis relativas ao exame clínico com características qualitativas dos
resultados, foi empregado o estudo de dispersão de freqüência, com aproximação pela
distribuição normal de probabilidade, considerando-se p<0,05 como significativo
(SAMPAIO, 1998).
Foi utilizada estatística de associação entre as variáveis com a determinação do
coeficiente de Pearson (r), para variáveis quantitativas e Coeficiente de Spearman, para
correlação entre ordenadas, para variáveis qualitativas. Por conseguinte, foram estimados os
modelos de regressão linear para determinar as variáveis explicativas nos casos de mormo.
Os dados foram tabulados e processados pelo programa estatístico SAS - Statistical
Analisys Sistem (SAS, 2000).
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na Tabela 1, são apresentadas a freqüência relativa e absoluta e a análise estatística
para os indicadores clínicos observados nos eqüídeos do G3.
Tabela 1. Teste de diferença entre proporções para análise de dispersão de freqüências de
indicadores clínicos de muares acometidos por mormo, estado de Pernambuco - 2003.
Variáveis Clínicas
Sem X2Com Alteração Alteração Calculado*
FA % FA %
Descarga nasal purulenta 20 66,67a 10 33,33 a
Presença de estertores 19 63,33a 11 36,67 a
Dispnéia 09 30,00 b 21 70,00 a
Úlcera nasal 09 30,00 b 21 70,00 a
Cicatriz em estrela na mucosa nasal 11 36,67 a 19 63,33 a
Taquipnéia 06 20,00 b 24 80,00 a
Hiperemia de mucosa nasal 14 46,67 a 16 53,33 a
Nódulos nos vasos linfáticos 06 20,00 b 24 80,00 a
Hipertrofia de linfonodos submandibulares 21 70,00 a 09 30,00 b
Abscesso subcutâneo 07 23,33 b 23 76,67 a
Edema de membros 16 53,33 a 14 46,67 a
Edema de prepúcio 05 16,67 b 25 83,33 a
Edema peitoral 03 10,00 b 27 90,00 a
Claudicação 09 30,00 b 21 70,00 a
Artrite 02 6,67 b 28 93,33 a
Apatia 16 53,33 a 14 46,67 a
Caquexia 21 70,00 a 09 30,00 b
Hipertermia 09 30,00 b 21 70,00 a
Hiperemia de mucosas 11 36,67 a 19 63,33 a
3,34
2,14
4,80
4,80
2,14
10,80
0,14
10,80
4,80
8,54
0,14
13,34
19,20
4,80
22,54
0,14
4,80
4,80
2,14
* X2 Tab. 1GL = 3,84 em nível de 5%; FA - Freqüência absoluta.
Os sintomas mais freqüentes, independentemente da fase da doença, foram descarga
nasal purulenta, presença de estertores, hipertrofia de linfonodos submandibulares, caquexia,
apatia e edema de membros (Gráfico 1).
Todos os indicadores observados no presente estudo foram compatíveis aos citados
por Langenegger et aI. (1960); Lal Krishma et al. (1992) e Mota et