Metodologia do Trabalho Científico - Cleber Cristiano Prodanov, Ernani Cesar de Freitas
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Metodologia do Trabalho Científico - Cleber Cristiano Prodanov, Ernani Cesar de Freitas


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no estudo do caso, ou seja, construir uma análise que explique e preveja o 
fenômeno investigado;
- tempo destinado à pesquisa: temos que os estudos de caso demandam muito 
tempo para ser realizados e que frequentemente seus resultados se tornam 
pouco consistentes. Conforme Yin (2001, p. 29), \u201cessa queixa pode até ser 
procedente, dada a maneira como se realizaram estudos de caso no passado 
[...], mas não representa, necessariamente, a maneira como os estudos de 
caso serão conduzidos no futuro.\u201d Devemos atentar para o fato de que os 
estudos de caso não precisam demorar muito tempo.
Isso confunde incorretamente a estratégia de estudo de caso com um 
método específico de coleta de dados, como etnografia ou observação 
participante. A etnografia, em geral, exige longos períodos de tempo no 
\u201ccampo\u201d e enfatiza evidências observacionais detalhadas. (YIN, 2001, p 
30).
No que diz respeito à observação participante, esta pode não requerer a 
mesma quantidade de tempo, mas ainda sugere um investimento considerável de 
esforços no campo. 
Destacamos, ainda, que existem variações dentro dos estudos de caso como 
estratégia de pesquisa. Entre essas possíveis variações, damos ênfase que a pesquisa 
de estudo de caso pode incluir tanto estudos de caso único quanto de casos múltiplos 
(YIN, 2001). Em relação aos estudos de casos múltiplos, Yin (2001, p. 68) afirma que 
estes costumam ser mais convincentes, \u201ce o estudo global é visto, por conseguinte, 
como sendo mais robusto.\u201d Uma questão essencial para se construir um estudo de 
caso múltiplo bem-sucedido é que este atenda a uma lógica de replicação (YIN, 2001, 
p. 68), e não a da amostragem, que \u201cexige o cômputo operacional do universo ou 
do grupo inteiro de respondentes em potencial e, por conseguinte, o procedimento 
estatístico para se selecionar o subconjunto especifico de respondentes que vão 
participar do levantamento.\u201d (YIN, 2001, p. 70).
Como podemos perceber, Yin (2001) prevê táticas diferenciadas para cada 
tipo de estudo de caso. Em relação ao estudo de caso único, o autor o recomenda 
quando este representa o caso decisivo para testar uma teoria bem formulada, seja 
para confirmá-la, seja para contestá-la, seja ainda para estender a teoria a outras 
situações de pesquisa. Nessa situação, o caso único precisa satisfazer a todas as 
condições para testar a teoria.
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Destacamos cinco características básicas do estudo de caso: é um sistema 
limitado e tem fronteiras em termos de tempo, eventos ou processos, as quais nem 
sempre são claras e precisas; é um caso sobre algo, que necessita ser identificado 
para conferir foco e direção à investigação; é preciso preservar o caráter único, 
específico, diferente, complexo do caso; a investigação decorre em ambiente natural; 
o investigador recorre a fontes múltiplas de dados e a métodos de coleta diversificados: 
observações diretas e indiretas, entrevistas, questionários, narrativas, registros de 
áudio e vídeo, diários, cartas, documentos, entre outros.
Diante da complexidade na investigação de estudo de caso, assevera Yin 
(2001), o pesquisador defronta-se com uma situação particular e, por vezes, incomum, 
na qual existem muito mais variáveis de interesse do que dados fornecidos de forma 
objetiva e imparcial. Para realizar esse desafio, com êxito, o pesquisador também 
deve estar preparado para fazer uso de várias fontes de evidências, que precisam 
convergir, oferecendo, desse modo, condições para que haja fidedignidade e validade 
dos achados por meio de triangulações de informações, de dados, de evidências e 
mesmo de teorias. Para desenvolver sua investigação, o pesquisador deve levar em 
conta um conjunto de proposições teóricas para conduzir a coleta e a análise de dados, 
eventos que ocorrem, paralelamente, ao longo de toda o processo investigativo.
Para finalizar, em relação à triangulação como estratégia de análise de um 
estudo de caso, destacamos que a \u201cconfiabilidade de um Estudo de Caso poderá ser 
garantida pela utilização de várias fontes de evidências, sendo que a significância dos 
achados terá mais qualidade ainda se as técnicas forem distintas.\u201d (MARTINS, 2006, 
p. 80). Aduzimos que a convergência de resultados provenientes de fontes distintas 
oferece um excelente grau de confiabilidade ao estudo, muito além de pesquisas 
orientadas por outras estratégias.
A literatura apresenta e discute quatro tipos de triangulação: de fonte 
de dados \u2013 triangulação de dados \u2013 alternativa mais utilizada pelos 
investigadores -, triangulação de pesquisadores \u2013 avaliadores distintos 
colocam suas posições sobre os achados do estudo - , triangulação 
de teorias \u2013 leitura dos dados pelas lentes de diferentes teorias - , 
triangulação metodológica \u2013 abordagens metodológicas diferentes 
para condução de uma mesma pesquisa. (MARTINS, 2006, p. 80, grifo 
nosso).
Assim sendo, quando há convergência de diversas fontes de evidências, 
temos um fato que poderá ser tratado como uma descoberta e devida conclusão, 
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ou considerado como uma evidência que será somada a outras visando à melhor 
compreensão e interpretação de um fenômeno (MARTINS, 2006).
g) Pesquisa ex-post-facto: quando o \u201cexperimento\u201d se realiza depois dos fatos. A 
pesquisa ex-post-facto analisa situações que se desenvolveram naturalmente 
após algum acontecimento. É muito utilizada nas ciências sociais, pois permite 
a investigação de determinantes econômicos e sociais do comportamento da 
sociedade em geral. Estudamos um fenômeno já ocorrido, tentamos explicá-
lo e entendê-lo.
Podemos definir pesquisa ex-post-facto \u201ccomo uma investigação sistemática 
e empírica na qual o pesquisador não tem controle direto sobre as variáveis 
independentes, porque já ocorreram suas manifestações ou porque são intrinsecamente 
não manipuláveis.\u201d (GIL, 2008, p. 54). 
Nessa pesquisa, buscamos saber quais os possíveis relacionamentos entre 
as variáveis. Ela apresenta uma análise correlacional e é aquela que acontece após 
o fato ter sido consumado, mostra a falta de controle do investigador sobre a variável 
independente, fato que a diferencia da experimental, sendo, também, muito adotada 
nas ciências da saúde.
h) Pesquisa-ação: quando concebida e realizada em estreita associação com 
uma ação ou com a resolução de um problema coletivo. Os pesquisadores e 
os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos 
de modo cooperativo ou participativo.
Ela é entendida como um tipo de 
[...] pesquisa social com base empírica que é concebida em estreita 
associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e 
no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação 
ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. 
(THIOLLENT, 1998, p. 14).
A pesquisa-ação acontece quando há interesse coletivo na resolução de 
um problema ou suprimento de uma necessidade [...] Pesquisadores e pesquisados 
podem se engajar em pesquisas bibliográficas, experimentos etc., interagindo em 
função de um resultado esperado.
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Nesse tipo de pesquisa, os pesquisadores e os participantes envolvem-
se no trabalho de forma cooperativa. A pesquisa-ação não se refere a um simples 
levantamento de dados ou de relatórios a serem arquivados. Com a pesquisa-ação, 
os pesquisadores pretendem desempenhar um papel ativo na própria realidade dos 
fatos observados. 
É considerada também uma forma de engajamento sociopolítico a serviço 
da causa das classes populares, quando voltada para uma orientação de ação 
emancipatória e de grupos sociais que pertencem às classes populares
Renan
Renan fez um comentário
olá querida, onde podemos conseguir em pdf. vc pode nos ajudar?
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Evandro
Evandro fez um comentário
Não consigo abrir.Por quê?
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Fábio
Fábio fez um comentário
Obrigado!!
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