Metodologia do Trabalho Científico - Cleber Cristiano Prodanov, Ernani Cesar de Freitas
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Metodologia do Trabalho Científico - Cleber Cristiano Prodanov, Ernani Cesar de Freitas


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partimos de algo 
particular para uma questão mais ampla, mais geral. Para Lakatos e Marconi (2007, 
p. 86),
Indução é um processo mental por intermédio do qual, partindo de dados 
particulares, suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral 
ou universal, não contida nas partes examinadas. Portanto, o objetivo 
dos argumentos indutivos é levar a conclusões cujo conteúdo é muito 
mais amplo do que o das premissas nas quais se basearam.
Essa generalização não ocorre mediante escolhas a priori das respostas, 
visto que essas devem ser repetidas, geralmente com base na experimentação. Isso 
significa que a indução parte de um fenômeno para chegar a uma lei geral por meio 
da observação e de experimentação, visando a investigar a relação existente entre 
dois fenômenos para se generalizar. Temos, então, que \u201co método indutivo procede 
inversamente ao dedutivo: parte do particular e coloca a generalização como um 
produto posterior do trabalho de coleta de dados particulares.\u201d (GIL, 2008, p. 10).
No raciocínio indutivo, a generalização deriva de observações de casos 
da realidade concreta. As constatações particulares levam à elaboração de 
generalizações. Entre as críticas ao método indutivo, a mais contundente é aquela 
que questiona a passagem (generalização) do que é constatado em alguns casos 
(particular) para todos os casos semelhantes (geral).
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Nesse método, partimos da observação de fatos ou fenômenos cujas causas 
desejamos conhecer. A seguir, procuramos compará-los com a finalidade de descobrir 
as relações existentes entre eles. Por fim, procedemos à generalização, com base na 
relação verificada entre os fatos ou fenômenos. Consideremos, por exemplo:
Antônio é mortal.
João é mortal.
Paulo é mortal.
...
Carlos é mortal.
Ora, Antônio, João, Paulo ... e Carlos são homens.
Logo, (todos) os homens são mortais.
As conclusões obtidas por meio da indução correspondem a uma verdade 
não contida nas premissas consideradas,
[...] diferentemente do que ocorre com a dedução. Assim, se por meio 
da dedução chega-se a conclusões verdadeiras, já que baseadas em 
premissas igualmente verdadeiras, por meio da indução chega-se a 
conclusões que são apenas prováveis. (GIL, 2008, p. 11).
O raciocínio indutivo influenciou significativamente o pensamento científico. 
Desde o aparecimento no Novum organum, de Francis Bacon (1561-
1626), o método indutivo passou a ser visto como o método por excelência 
das ciências naturais. Com o advento do positivismo, sua importância 
foi reforçada e passou a ser proposto também como o método mais 
adequado para investigação nas ciências sociais. (GIL, 2008, p. 11).
Nesse sentido, conforme Gil (2008), não há como deixar de reconhecer e 
destacar a importância do método indutivo na constituição das ciências sociais. Surgiu 
e serviu para que os estudiosos da sociedade abandonassem a postura especulativa 
e se inclinassem a adotar a observação como procedimento indispensável para atingir 
o conhecimento científico. Devido à sua influência é que foram definidas técnicas 
de coleta de dados e elaborados instrumentos capazes de mensurar os fenômenos 
sociais.
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Tanto o método indutivo quanto o dedutivo concordam com o fato de que o fim 
da investigação é a formulação de leis para descrever, explicar e prever a realidade; 
as discordâncias estão na origem do processo e na forma de proceder. Enquanto os 
adeptos do método indutivo (empiristas) partem da observação para depois formular 
as hipóteses, os praticantes do método dedutivo têm como inicial o problema (ou a 
lacuna) e as hipóteses que serão testadas pela observação e pela experiência.
Argumentos dedutivos e indutivos: dois exemplos servem para ilustrar a 
diferença entre argumentos dedutivos e indutivos (LAKATOS; MARCONI, 2007, p. 91):
Dedutivo:
Todo mamífero tem um coração.
Ora, todos os cães são mamíferos.
Logo, todos os cães têm um coração.
Indutivo:
Todos os cães que foram observados tinham um coração.
Logo, todos os cães têm um coração.
Quadro 3 \u2013 Argumentos dedutivos e indutivos
dedutivos indutivos
I. Se todas as premissas são verdadeiras, a 
conclusão deve ser verdadeira.
I. Se todas as premissas são verdadeiras, a 
conclusão é provavelmente verdadeira, mas não 
necessariamente verdadeira.
II. Toda a informação ou o conteúdo fatual da 
conclusão já estava, pelo menos implicitamente, 
nas premissas.
II. A conclusão encerra informação que não 
estava, nem implicitamente, nas premissas.
Fonte: adaptado de Lakatos e Marconi (2007, p. 92)
Lakatos e Marconi (2007) comentam a respeito dessas duas características 
(Quadro 3):
a) Característica I. No argumento dedutivo, para que a conclusão \u201ctodos os cães 
têm um coração\u201d fosse falsa, uma das ou as duas premissas teriam de ser 
falsas: ou nem todos os cães são mamíferos ou nem todos os mamíferos têm um 
coração. Por outro lado, no argumento indutivo, é possível que a premissa seja 
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verdadeira e a conclusão, falsa: o fato de não ter, até o presente, encontrado 
um cão sem coração não é garantia de que todos os cães tenham um coração.
b) Característica II. Quando a conclusão do argumento dedutivo afirma que todos 
os cães têm um coração, está dizendo alguma coisa que, na verdade, já tinha 
sido dita nas premissas; portanto, como todo argumento dedutivo, reformula 
ou enuncia, de modo explícito, a informação já contida nas premissas. Dessa 
forma, se a conclusão, a rigor, não diz mais que as premissas, ela tem de ser 
verdadeira, se as premissas o forem. Por sua vez, no argumento indutivo, a 
premissa refere-se apenas aos cães já observados, ao passo que a conclusão 
diz respeito a cães ainda não observados; portanto, a conclusão enuncia 
algo não contido na premissa. É por esse motivo que a conclusão pode ser 
falsa \u2013 pois pode ser falso o conteúdo adicional que encerra \u2013, mesmo que a 
premissa seja verdadeira.
Conforme Lakatos e Marconi (2007, p. 92), esses dois tipos de argumentos 
têm finalidades distintas \u2013 \u201co dedutivo tem o propósito de explicar o conteúdo das 
premissas; o indutivo tem o objetivo de ampliar o alcance dos conhecimentos.\u201d 
Analisando isso sob outro enfoque, podemos dizer que os argumentos dedutivos 
ou estão corretos ou incorretos, ou as premissas sustentam, de modo completo, a 
conclusão ou, quando a forma é logicamente incorreta, não a sustentam de forma 
alguma; portanto, não há graduações intermediárias.
Contrariamente, os argumentos indutivos admitem diferentes graus de 
força, dependendo da capacidade das premissas de sustentarem a 
conclusão. Resumindo, os argumentos indutivos aumentam o conteúdo 
das premissas, com sacrifício da precisão, ao passo que os argumentos 
dedutivos sacrificam a ampliação do conteúdo, para atingir a \u201ccerteza\u201d. 
(LAKATOS; MARCONI, 2007, p. 92).
Os exemplos inicialmente citados mostram as características e a diferença entre 
os argumentos dedutivos e indutivos, mas não expressam sua real importância para a 
ciência. Dois exemplos ilustram sua aplicação significativa para o conhecimento científico.
2.4.1.3 Método hipotético-dedutivo
O método hipotético-dedutivo foi definido por Karl Popper a partir de críticas 
à indução, expressas em A lógica da investigação científica, obra publicada pela 
primeira vez em 1935 (GIL, 2008). 
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A indução, conforme Popper, não se justifica, \u201cpois o salto indutivo de \u2018alguns\u2019 
para \u2018todos\u2019 exigiria que a observação de fatos isolados atingisse o infinito, o que nunca 
poderia ocorrer, por maior que
Renan
Renan fez um comentário
olá querida, onde podemos conseguir em pdf. vc pode nos ajudar?
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Evandro
Evandro fez um comentário
Não consigo abrir.Por quê?
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Fábio
Fábio fez um comentário
Obrigado!!
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