Brasil em Contra-Reforma
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Brasil em Contra-Reforma


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ElaÍne Rossetti Behring
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Brasjl cm co4hr-re{qr.tna : dçsostruturâsio do Estado c pcnla
dc dü"citos / Êlainc R*sori Bchriit§. 
- 
?. «i. 
- 
são ponl«r : Cortcz,
2008,
Bibliogrrfia.
lsBN 978-85-249-098t.8 
.
l. Brasit 
- 
Condig6e,q ccolfmicas 2. Brusil 
- 
Condiçõel sociais
3. Br$sil .. Folirica c govtirno 4. Crpltalisrno- Brasil 
- 
Hi:ltória
5. Dircios civis 
- 
Brâsil 6- O Eslado l. Tírulo; .
oi-osrc cou.rro,*r,
índiees para eatálogo sl§lemátÍco:
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Contra "Ref orma
desestruturaçâs do Estado e perdô de dirêihs
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y)Brasil: entre o futuro e o passado,
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o piesente dilacerado
Já foram observad.as as transformações do capi.talismo contemporâ_neQ ciue atingem o conj,.'rto do mundo do capitaf impondo orieniiçõespara uma conüa_reform-a 
!o lstajo-na direção àa n".rArfiaà", .ffinn_
;5iliilH:H:T[1: arraüvidade. vi,-,u, ,,u seqüência, alsumas inter-
íX'"".ãT1,11,,:::ffi ili:T:#ffiT:";:;,Tfi *:.:ffi ;'J:*i
nai s avançano" ***jJl rTS #f :",H:,ffi ;. " especirici à ades n a cio -
0", o,Ilrli'j,lt".illc1:i:: a análjse volta-se para o Brasir da úrrima déca-
gjais,sempreÃil,i::="#.'.',flH;:TtiHlJjHffiTlx:,H::
Neste sentidq pro.uro apaú"i" 
1ra-1*" OI**, de mediações e deter-
trHã'IJ:Lffi compreensão da naturÉza do. pro.urro, à;;;;ç"
estruturaisa"uu,u,,se,,l'utift H::*::?#lfl ililIJ".:ffi,"f ,*,,rr:j
l_ot1as 
orientadas pam o mercado,, d,e uma maneira geral e no Brasil emparticular. Assim, compartilho.a^, fr.o*puç0", a" Diniz, quanto aosreducionismos que vêm restringindo á, 
"rruáo, sobre a reforma do Estadoe a exigência de "e,foo resmetodológicos capazes de captar o caráter mui-tidirnensionat' a diversidad. ; ;iãhüJ]ã;i", processos e renômenos
ã"!|.;;.,'*'' 46) preocupação qiie tu*ue*.o*pur"." em vetasco e cruz
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^ ,.ll.u prosseg:uir a pa-rtir deste mirante (Lowy, 79gT), faz-se".".;;expiicitar alg,ns anteceàentes a* rr',,raur,çur'ã.o..idu, na década em ques-tão, os anos 1990, e seus impacros sobre 
"'u;ü;;;;rffi}H,i.L.,i'Jffi }"i :üXT. T.T : l':i: u *'itui" a r oli'u ào iup it"ii, *. ã,"'u'.r,ticurares,*qÀ;;;ITfff 
,Xll:;,fi :ffi::::i:.ffi:H#:tf :conücção de que se {Tatou 
a.e lrata, jrorqi. na enhada do novo século ernilênio esta direção hegemônicar raaã r.rátém, apesar de arguns insu-
::::"r " arranhões flagrantes em sua base política, * de uma verdadeiracontra-reforma.
Mesmo que o terrr-ro 
l.r.f"Trseja apropriado pelo projeto em curso nolll: uo. r"j"to-referir, partirei au pá.rpi.ri'ru;; qru se esrá dianre de urnaapropriação indébita 
. 
l?:r:T:l*ta"àf.;gi.u Ja idéia reformista,r a qual édestituída de seu conteúdo progressistai submeüda ao uso pragmático,como se qualquer mudança significasse *u..tor*u, não importando seusentido' suas conseqüências s"ociair 
" 
o*ü;;ocioporítica. Nesse passo,concordo{ com Nogueira quando afirma: 
I - vvLrvvv'uLa' r\esse Pas
"Não é razoável imaginar que a reforma possa se converter na bandeira tre-
rnulante do neolil'eralismo: há de se tentar, no mínirno, reaÍiÍTnar a consan-
güinidade entre reÍormismo e esquerda e demonsrrar que a concepção de re-
forma que tem a esque'da é a rinica capaz de se pôr a perspectiva àe totüda-
de dos homens, dos iguais e partiorlarmentg dos desiguãis." (199g: 17)
Este argumento fica mais claro ern se considerando a história do sé-
culo XX em nível mundial, na qual o que se pôde.chamar de reforrna asso-
ciava-se ao welfare state 
- 
uma reforma dentro do capitalismq sob a pres-
são dos habalhadores, com uma ampliação sem precedentes do papel do
fundo públicq desencadeando medidas d.e sustentação da u.o*úução, uo
lado da proteção ao emprego e.demandas dos trabalhadores, viabilirada
por meio dos procedimentos democráücos do Estado de direito, sob a con-
dução da social-democracia. É eviclente que "enhegou-se os anéis para não
perder os dedos", já que também havia um verdarreiro pânico burguãs diante
da efstência e do eÍeito 
- 
contágio da união soviética como referência
política, ideológica e econômica de contraponto ao m,ndo do capital, mes-
mo com'suas contradições e limites flagrantes, com destaque para a ques-
tão democráüca. Diante disso, que foi claramente uma refororu 
- 
uma ten-
tativa temporal e geopoliticamente situada de combinação entre acrrmura-
ção e diminuição dos níveis de desigualdade, com arg-uma redistribuição
"(Behring, 1998) 
-, 
o neoliberalismo em níver mundial confisura-se como
uag reagãg. ly§le,tíóorF-erv,;go;ã ã.m.o Íarista dê nátü1êá-Ciáiã*er,iu
f!8.res3iy+,4ent4o da qual.s-e situ1 l iontra-ieforma do fitâft,"Dô pônto de
vista da reforma arunciada na cônstituiçáo de 19gg no Biasi| em atg,.s
aspectos embebida da estratégia socia-l-derriLocrata e do espírito ,rwelÍareano,,
- 
em especial no capítulo da ordem social 
-, 
pode-se ía]ar também de
uma contra-reforma em anrso entre nós, solapando a possibilidade políti-
c4 ainda gue limitad4 de uma reforma democrática,,o puir, que muitã pos_
sivehnente poderia ultrapassar os próprios Iimites da sociar-democrãcia,
realizando inacabadas tarefas democrático-burguesas em combinação com
outras de nahrreza socialista 
- 
ou seja, empreender reformas democráti-
cas/ num país como o Brasil significa a ultrapassagern do Estado de direito
burguês, já que elas tendem a ultrapassar a si mesmas, considerando-se a
cuifura visceralmente antidemocrática d a burguesia brasÍIeir4 conÍorme
se yiu com Fernandes e Prado ]r.
Entãq pelos dois caminhos, o que está em foco é a lógica e a abran-
gência da contra-reforma do Estado no Brasil, cujo sentido é definido por
fatores.eskuturais e conju,ftuais externos e intemos, de forma integrada.
l. para Oliveir4 ,,a hes
que abre, 
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sisniÍica.a criação de ljm. campo de significados uniricadq
:nli.l:i*x*l:"J,"J':i':lHll:ff "T"T*1r;;mm:*;:-:'.:"'i*:i
n*qt*t*;["'q;ltt*4
.:'i';ái;:X:':1"#1'-** porc'oc",;i q,. 
" ",i"1," dos aurores rerere-se à disputa
.'itl"o-ae,,u'.áu*; 
"À;;:i}"ff "ffi ]}::."t" 
às Íormas democráücas, il;;;;;;.p"
2' Certamente' a ereição de Lura representou a de.ota.e_a frahua rleste projeto. contudo, asconcessões íeitas pera esquerda prru ú"gu, a 
"*, "rtor,l.i.u"ral, os compromissos econômicosfirmados para acalmar os oru'"uào', 
" ";.*"diÀ;;;;*"àu, upo, aor" 
"nos 
de contra-reformasnão permitem ainda a.ârmar se rr""*+ a" i"ioÇrir, 
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"r," 
hegemonia a ser empreendidapelo govemo L,Ia, exigindo ,:T1"_:"*ti ,";;il.J];;rrca dos intelectuais e míritanres. os
,ffi : "ff I;T[',ff":Ti:*'^p'rs*i", *l''.ãli, o r,, o, r" o'"',"',0,.',*, 
"*,
-" ,i,Yff":ffffi1T.":i:':y'",* ou.1ei1 (1ee8) que não.iiz respeito apenas a es.se ter-
i9,,1..i;1.ià",.;#iàillTi.";",,:i,"r"#J:fl:_"::t":",1#:i'f*:,[ í::í*i::estratégia porítico-ideológica para a busca de consensos e t"fiti^.iara", tendo em vista assesurara drreção inrelectual e morar e. desra Íorma, , i";;;;;;;:;rojero neoliberal.
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4. E manteúo, em conseqüência, 
"^" *".*Or.l, Orij|.tfg* a necessária reração que a meu yer existe eno".u;::"_p-:"t ar,com Fiori, quandodo, esta é, sem dúüda, *u-r.*,,"*'*--:,-::'.:':"t *rorma e esquerda (1997:26). conru-
r""r, o1 io*..11ürT:#lffi::;"#;.**- à srande i"n,ê.rciu-Je :;,;:;;., 
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