O Assitente Social Como Trabalhador Assalariado
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O Assitente Social Como Trabalhador Assalariado


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em dupla pt:r'spectiva: seja no scnrido oírr."*i, 
"rndições adequadãr.rot, 
-i-t'pleno desenvorvimenro capirarista. r"u, o.o""iroi'ri" u"u,r,uluçào privãdà.ê6....i. :beneficio do grande capitalmonopoli.u; 
., ,ir"iúr;" 
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"";;;;,;;;;;;;.sentido responder' por vezes antecipar-se, às pressões de mobitização e organiza-ção da crasse operária, que exige o atendimento d.1...rsiaua", sociais coretivcse individuais derivadas dos Droc,rss^u ," ^:r,.:^':- 
"""'":*: )uular§ coreuvcs.
outros. Netto,2005). s proccsso'§ de prodrrção e reprodução social (cf. enirc.
Em sua relevante contribuição para a análise do Serviço Social no capitalismomonopolista, Netto sintetiza esse processo:
O cantiúo da profissionalização do Serviço Social é, na verdade, o processo pelo qualseus agenles * ainda qua desenvolvendo 
,rro qrrtoroprorentüção e um <liscursocenü'odoy na aulonomia dos sew vatro, u a&quot; rrrrr&quot;^roO&quot;_ se inserem em ativida_des interventivas cuja dinâmic4 org*iruçaq r.*rosl oU;&quot;tiro, sâo determinadospara além do seu controle. [._], o qre f&quot;rr&quot;f ;J&quot;;&quot;&quot;o altera visceralmenre, con_cretizando a ruprur4 e, objerivamente, 
&quot;..;oü;;;;nre e o significado sociat desua açâo; o agente passa a inscrever-se numarálação dJassaraiiamento e a significa_ção social de sêu fazer passa a ter um sentído novo na malha da reprodução das rela-ções sociais. Em shtese: é com esse giro qrro-S&quot;*ço Social se constitui como
Sery. Soc Soc. São p aulo, r llt, p_ 42Ç431, jtt.lseL ZOt I 423
pÍo'lissão, inserindo-se no mzrccdo de rrabatho,com todss as consequênciru dai de-
rivadas (principarmenre com o seu agente tornando-se vendedor da sua força de tra-
b alho). (Netto, 2005, p. 7 l -72; grifos do autor)
A confomração dessa ordem societáriacria, assim, um novo espaço sócio_osrF
pacional para o assistentc sociar (e para um conjunto de outras profissões) na divi-
são social c técnica do trabalho, constituindo objetivarnente as condições através
das quais a profissão será demandadà e legitimada para a execução de um amplo
leque de atribuiçôes profissionais, notadamente no âmbito das dife;entes politicas
sociais setoriais
contudo, é esse nresmo processo de profissionalização do assistente sociar e
institucionalização da profissâo na divisâo social e técnica do trabarho que circuns-
cre*e as condições 'concretas para que o trabalho do assistente social ingrerse no
pt ocesso de mercantílizaçdo e no universo do varor e da varorizafio .alt capital,
mólel principal da sociedade capihlista-
lsto porque. para além da análise do serviço social como trabalho concreÍo
'(Marx, 1968), dotadi de qualidade.erprcífica que atende a necessidades ,&quot;;i;; ;
. partir de suportes interectuais e máteriais para sua realizaç6o, , ...*i&quot;i&quot; *&quot;r&quot;*i;li, :'
nal do assistente sociai em rcsposta a.damandas sociais passa a ser mecriado peio-
mercado, ou seja, pela produçâo'. trocc c conswno das mercadorias (bens e serviços)
.dentro de unra crescente divisão do trabal.to social.
Iamamoto (2007) extrai daí a anárise sobre a dupla dimensão do trabalho do
asslstente social como um trabarhador assarariado, que vende sua força de traharho
em troca de um salário. Afirma a autora:
Ern deconênci4 o 
'.*áter 
sociar desse trabalho assume uma dupladimensão; a) enquan-
to trâbalho útil atcnde a necessidades sociais (quejustiflcam a reprodução japriipl&quot;
profrssão) e efctiva-se através de Íelaçôes corn oukos home's, i'corporando o'tcguao
mateÍial e ilterectual de gerações passadas, ao tempo enr que se beneficia das conqÃtas
atuais das ciências sociais e h*manas; b) mas sópode atender às necessidades gociuis se
seu trabalho puder scr iguarado a quarquer outro etquanto kabalho abstrator* mero
l' Nos tcnnos de Mârx, rmbarho humam abstraído dc rod§ !s suas quaridades e cmctcÍrsricaJ
particulues, iodiferc&iado, jrrdistiDto, desapueccndo o carálêÍ útil dos prcdulos do tÍabalho c do trabalho
nele corporificado, q poíãlio, tâmüém dcsaparcccm as difercntes foÍmar dc tÍabalho comrelo, *êlas nâo
mâis sc distioe,,cm umâ das ourrâs. mu rcdu,crnsg todõ, a mâ üníca cspaie dc trâbalho, o tÍabârho
htrmâno Âbsrrato (1968, p. 44-45).
coágulo de tempo do trabaiho socirü médio: 
-, 
possibilitando que esse trabalho privado
adquira um carátcr social. (2007, p. 421)
Nesses termos, o agente profissional contratado pelas instituições enrprega_
dcras ingressa no rnercado de trabalho como proprietário de sua força de trauatno
especializad4 conquistacra por meio de formação universitária que o legitima a
cxercsr um trabalho complexo em termos da divisão social do trabalho, dótado de
qualificação específica para o seu desenvolvimento-
Mas essa mercadoria '&quot;força de habarho&quot; só pode entrar em ação se dispuser
de meios e instrumentos de trabatho que, não sendo de propriedade do assistente
social, devem ser colocados a sua disposição peros empregadores institucionais:
recursos materiais, humanos, financeiros, para o desenvolvimento de programas,
projetos, serviços, beneÍicios e de um conjunto de ouhas atribuições e competências,
de atendimento direto orr em niver de gestão e gerenciamento institucicnal.
As implicações desse proccsso são profundas e incidem na autonomia relati- .
vadesseprof,ssiona[,quenãopossui,comovimos,opoderdee!efinirasprioridades
nent o rnodo pelc qual pretende desenvolver o trabalho srtcialtnentelru&quot;r,rrà.ip,
coletivq combincdo e.cooperado corn os demais trabalhadores sociais nos difrien_
tes espaços sóciu-olupacionais que demandam essa capacidade dc trabalho'espc-.
cializada-
Assim, analisar o sig^iricado sociar daprofissâo significa inscrever o kabarho
do assistcnte sociat no âmbito do tnrbalho social coletivo na sociedade brasileira
atual, não apenus destacando sua utilidade social e diferencialidade diante de outras
especializações do trabalho social, mas também, e conlraditoriam ente,,,sua.unida_
de enquanto parte do Í,rabalrro social nrédio. comum ao coqiunto de trabarhadores
assaloiados que produzem valor dou mais-valia,'(Iamamoto, 2009b, p. 3g).
Problematizar o trabalho do assistente social na sociedade contemporânea
supõe pensá'lo como parte alÍquota do tabalho da classe trtbalhador4 que vende
sua força de trabalho em troca de um sarário, submetido aos dilemas e constrargi-
2' Pa,u Mârx (1968, p. 44-46): 'cadâ uma rrcssr forgas individ{âis dc kabarho sc Êquipara às demaiq
na mcdida cm que possua o carátcr dc uma força mêdia dc ,,abâ.lho social, c âruc como rssa força sociar
média, p&cisrndo, porta$to, ap\u20ac»as do aempo dc Írabarho cm médía ncccssário ou socialmente neccssáriopua a produção de uma mrcadoria. Tcrnpo dc tnbalho sociatmc[tc recssáÍio é o tcmpo d. tÍabatho requeÍido parâprod'íÍ-sêumvaror-dauo quarquer, rns mndiçõcs de produção sociarmqrtc nomaís, cxister;cs,
e com o grau social médio du dcstrcza c iniensidadc do rabalbo,,.
Sery. Sc. Soc&quot; Sâo pauto. n 107, p. 42G437. ird,/sct 20 I I 425
424 Sery. Soc. 90c., Sâo Paulo. tr 'tor, p. 42G437. iul/sel 201 l
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mentos comuns a todo§ os trabalhadores assarariados, o que ímprica urtrapassar avisão liberar que apreende a prática do *.i.,&quot;rt. Jur a partir de uma reração duare individual enrre o profissionut 
. o, ,ffi, 
^ü;,, presta serviços.Esta análise crítica da dupla dirnensão do trabalho do assistente social _conio trabarho concreto e. abstrato 
-. 
,, i*pii&quot;&quot;çães da mer&quot;antirização dessaforça de kabarho especiarizada n&quot; r&quot;&quot;i.d&quot;;; ;;;',;;orânea não forarn q[jç1e5 4sproblematização aprofundada na Iiteratrr^ irJrr-,'oío,, ru.,,.* privilegiando osfundamentos de legitimação social da utiuidad&quot; ao assistente sociar como traba-lho concreto' particurarizando sua util.idade *.i&quot;i* r,ivisão social e técn,ica dotrabarho institucional, conro revera ramamoto (zoô2, zoosu) em sua.s úrrirnasproduçôes.
Nesse sentido, a temática da superexploração e do