O Assitente Social Como Trabalhador Assalariado
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O Assitente Social Como Trabalhador Assalariado


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e a amplitude do trabarho técnico realizado pelos assis-
tentes sociais e demais trabalhadores sociais; b) Desloca as relações entre a popu-
lação. suas formas de representâção e a gestão governarnentar, pela intermediação
de empresas e organizações contratadas; c) subordina as aÇões desenvolvidas a
pr^zos contratuais e aos recursos financeiros definidos, implicando descontinuida-
des, rompimento de vínculos com usuários, descrédito da popuração para com as
ações públicas; d) Realiza uma cisão entre prestação de serviço e dircito, pois o que
preside o trabalho não é a lógica pÍrblica. obscurecendo-se a responsabilidade rlo
Estado perante se us cidadãos, comprimindo ainda mais :u possibilidades de inscre-
ver as ações públicas no campo do direito.
É importante também evidenciar o que Dnrck (2009) denomina cle dimensão
qualitativa da terceirização, que cria divisão entre os trabalhadores (os de.,primei-
ra" e "segunda" categorias), além da fragmentaç.ão entrc os trabalhadores conr di-
ferentes formas de contrato e níveis sarariais, muitas vczes na mesma equipe, ge-
rando diflcutdades e constrangimentos para o trabalho social e para a luta coletiva.
outra questão importante que precisa ser mencionada é a crescente infornra-
tização do trabalho, em todos os âmbitos em que ele se desen'olve. No caso rlo
setor público, a exemplo do setor privado, as mudanças tecnorógicas tamhém estão
sendo profundas em todos os níveis. A incorporação da "curtura do ,.gerenciarismo,,
da empresa privada no setor público esvazia os conteúdos mais criativos do traba-
lho, desencadeando o desgaste criado pera atividade mecânica" repetitiv4 que não
instiga a reflexão.
são muitas as pesquisas e estudos que vêm constatando o quanto as tecnolo-
gias de iuformação intensiflcam os processos de trabalho, produzem um efeito mais
controlador sohre o trabalho, organizam e encadeiam as tarefas de modo que desa-
pareçam os tempos mortos. quantificam as tarefas realizadas e permilem a amplia-
ção da avaliação fiscalizatória do desenrpenho do trabalhador.
As estratégias de intensificação do trabalho vão sendo incorporadas gradati-
vamente e talvez não estejam ainda claramente perceptíveis parao conjunto de
trabalhadores, particularmente na esfera estatal. Mas elas ganham concretude no
ritr»o e na velccidade do trabalho, nas cobranças e exigênoias de produtiVidade,
no maior volume de tarefas, nas características do tabalho Lntelectua.l demandado. no
peso rlaresponsabilidade. Ii se amplianr na medida em que também no Estado está
em plena conshução "a ideologia da gerência e da quaridade total. do e,o zero,
do trabalho a tempo justo, da eficiência das metas e dos resultados,'(Dal Rosso,
2008, p. I88).
Por isso, por mais que seja imprescindível a incorporação das novas têcnolo-
gias de informação, é preciso pioblematizar os efeitos dessa re'roluçdo tecnológica
no trabalho do serviço social e na relação dos assistentes sociais conr os usuários.
c a população, via de regra. mediada pelo computador nos espaços rie atendimento
proflssional.
Thmbém é possi'el constatar o crescimento de um tipo de demanda dirigida
aos assistentes sociais em diferentes áreas, que afasta o profissional do trabalho
direto com a população, pois são atividades que dificultam o estabeleoimcnto de
relaçries continuadas,que exigem acompaúamento próximo e sistemático. A título
de exemplct, pode-se citar o preenchimento de formulários.e a realização de cadas-
tramentos cla população, quando assumidos de forma burocrática e repetitiva, que
não agrega coúecimento e reflexão sobre os dados e o trabalho realizado,.
Trata-se de uma dinâmica institucionat que vai transformando insidiosamen-
te a própria natureza da profissão de serviço social, sua episreme de proflssão re-
lacional, Íragilizando o tÍabalho direto com segmentos populares em processos de
mobilização e organizaçâo, e o desenvolvimcnto de trabalho socioeducativo numa
perspectiva emancipatória.
432 Seru. Soc Soc., São Paulo. Â 107, p. 42Hg7,i\tl./set-2011 Scry. Soc Soc- Sào Psulo, Ê 107, p.42G437,iulJseLZO11 433
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Considerações finais
sintetizando nossas reflexões, é possíver retomar a hipótese anarítica quc asorienta As transformações contemporâneas que afetam o mundo do trabarbo, se,sprocessos e sujeitos, provocam redefinições prof,undas no Estado e nas politicassociais, desencadeando novas requisiçôes- demandas e possibiridades ao trabarhodo assistente social no âmbito das políticas sociais.
É inegável o alargamento do mercado de trabalho profissional no campo daspolÍticas sociais, notadamente no âmbito das polÍticas de seguridade socia!, e maisainda na politica de Assistência sociar, com a iarptantaçao do sistema único deAssistência social, recentemente transformaao..ro'r"i oor ronção presidencial.
Ao mesmo tempo e no mesmo processo, contraditoriamcnte, aprofunda-se aprecarização, aberta ou velada, das condiçoes .^ qra arr* trabarho se reariza.considerando o estatulo de rrabathador assalariado d.'^;;;;;,^i ,i.i,íÍ:do.a processos de alienação, restrição de sua autonomia técnica e intensificação dotrabalho a que estão sujeitos os trabalhadores assalariados em seu conjrmto.
Diante desse complexo contexto, como enfrentar o desgaste provocado pelotrabalho e a violação dos direitos do assistenle social?
A luta pela conquista das trinta horas é urn movimento porítico dos rnais rele-vantes, que está pautando incrusive a mobilização de o,tros profissionais, como ospsicólogos. Mesrno diante de uma conjunfuro udr"rso à ampliação dos ,Cireitos dolrabalho, os assistenÍes sociais conseguiram urna significativa vitória com a aprova-
çâo dajomada de trinta horas de trabarho sem red*uçao sarariar. Tarvez este seja omovimento coletivo mais importante desses últimos anos em defesa de direitos doassistente social como trabalhador assarariado. mâs qug como era de esperar. eslásendo objeto de desconstruçâo poÍ parte dos.*pregudores, exigindo da categoriaprofissional e de suas entidades polÍticas a adoçao de"diferentes eshatégias corctivaspara fazer valer esse direito para todos(as) os(as) profissionais do paÍs.
Mas certamente outms pautas devem ser associadas a esta, relacionadas aosdesafios do cotidiano proflssionar do assistente sociar, que trabatha com as maisdramáticas expressões da questão social, lidando ,o* u àuro rãuii;;r. 
"rffi;;pelas classes subattemas na sociedade brasileira.
Trata-se de uma condição de trabarho que produz um dupro proces§o conrra-ditório nos sujeitos assistentes sociais: a) ae umlaao, o prqzerdiante da possibili-dade de realizlar um 'Írabarho comprometido com os dircitos dos sujeitos viorados
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Serí- S@. SoL, São paulo, r í 07. n. 42H37. iutl§el. ZO I i
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:r" direitos, na perspectiva de lôrtarecer seu protagonismo porítico na esr.e.rapública; b) ao rnesmo tempo, o,rofrinen.to, a dor e o desalento diante daexposição
continuada à impotência frente à ausência de meios e recul.sos que possâol efetiva-
mente remo'eÍ as causas esruturais que provocam a pobreza e a desiguardade social.
Para Franco, Drr-rck e Seligman-Silva (2010), profissionais impedidos deexercer sua ética profissiona.r adoecem de fato. Traia-se de urna dinâmica institu_
cional que desencadeia desgaste e adoecimento fisico c me,tar e que, no caso do
assistcnte sociar, precisa ser mais bem conhecido, impondo-se o imperativo dapesquisa sobre a condiçãb assalariada do assistente sociar e o, ..r, i*pu.to, ,u
saúde dos assistentes sociais.Torna_se 
.rgente, pois, a formulaçao d. un u ug"naudo pesquísa que possa produzir co.rh.cim.ntos ,àur. rrr* situações de sofrimentodo assistente social, pois é daí que poderâo resurtar subsídios fundamentais para acontinuidade daur lutas e embasamento de novas reivíndicaçõcs e direitos qr. p*-ticularízem as especÍficas r;ondições de trabalho do assistente social no conjunt.