Farmacologia dos anestesicos gerais
23 pág.

Farmacologia dos anestesicos gerais


DisciplinaAnestesiologia Veterinária1.186 materiais23.516 seguidores
Pré-visualização15 páginas
menores) tendem a reduzir a constante de 
tempo e acelerar o equilíbrio entre a pressão parcial alveolar e 
a pressão parcial inspirada.
A suposição até esse ponto foi de que não há absorção de anes-
tésico pela corrente sangüínea, como ocorreria se a solubilidade do 
anestésico no sangue fosse igual a zero. Na prática, ao mesmo tempo 
em que o anestésico é levado aos alvéolos pela ventilação alveo-
lar, também é removido dos alvéolos por difusão para a corrente 
sangüínea. O equilíbrio entre administração e retirada é análogo ao 
acréscimo de água a um balde furado (Fig. 15.5). O nível de água 
no balde (que representa a pressão parcial alveolar) é determinado 
pela taxa de acréscimo de água (ventilação-minuto) e pelo tamanho 
do furo (a velocidade de absorção do anestésico pela corrente san-
güínea). O aumento da administração de anestésico (por exemplo, 
mediante elevação da freqüência ventilatória ou da pressão parcial 
inspirada) aumenta a pressão parcial alveolar do gás, assim como o 
acréscimo mais rápido de água aumenta o nível de água no balde. 
Ao contrário, o aumento da remoção do anestésico (por exemplo, 
aumentando a taxa de perfusão ou usando um anestésico mais solú-
vel no sangue) diminui a pressão parcial alveolar do gás; isso é 
análogo ao aumento do vazamento no balde. Assim, a absorção de 
anestésico nos alvéolos pela corrente sangüínea é um componente 
negativo para o fluxo (isto é, um fluxo de saída dos pulmões), o 
que torna a constante de tempo maior do que o caso teórico em que 
\ufffd{Palv \ufffd PI} é igual à CRF dividida pela Valv.A magnitude do aumento da constante de tempo em com-
paração com o caso limitante depende da taxa de absorção do 
anestésico pelo sangue, sendo a maior \ufffd{Palv \ufffd PI} resultante da maior absorção. Caso se conheça o débito cardíaco (isto é, o 
volume de sangue bombeado pelo coração em um minuto) e o 
Farmacologia dos Anestésicos Gerais | 223
PI
Palv
% Débito
cardíaco
Grupo
tecidual
% Peso
corporal
Cap. vol.
para N2O à
Palv = 0,8 atm
Cap. vol.
para halotano 
Palv = 0,8 atm
GRV: encéfalo, fígado, rins
GM: músculo, pele
GA: gordura
GPV: osso, cartilagem, ligamentos
GRV
GM
GA
GPV
75% 9%
18% 50%
5,5% 19%
1,5% 22%
2,6 L
16 L
12 L
7,0 L
0,30 L
3,0 L
17 L
1,3 L
PRVM
PGRV
PGM
PGA
PGPV
Part
à
Fig. 15.4 Distribuição do débito cardíaco e da capacidade volumétrica para anestésicos gerais entre os principais compartimentos teciduais. Os tecidos 
do corpo podem ser divididos em quatro grupos de acordo com o nível de perfusão e a capacidade de absorver o anestésico. Estes incluem o Grupo Ricamente 
Vascularizado (GRV), o Grupo Muscular (GM), o Grupo Adiposo (GA) e o Grupo Pouco Vascularizado (GPV). (Em geral, a contribuição do GPV é ignorada na 
maioria dos modelos farmacocinéticos de anestesia.) O GRV, que contém os órgãos internos, inclusive o encéfalo, representa uma pequena percentagem do 
peso corporal total (9%), tem a menor capacidade para anestésico e recebe a maior parte do débito cardíaco (75%). A alta perfusão e a baixa capacidade 
permitem o rápido equilíbrio entre a PGRV e a Part. Além disso, o GRV é o que mais contribui para a pressão parcial do retorno venoso misto PRVM, que é igual 
a (0,75 PGRV + 0,18 PGM + 0,055 PGA + 0,015 PGPV).
valor da diferença instantânea entre a pressão parcial na artéria 
pulmonar (que é igual à pressão parcial sistêmica do retorno 
venoso misto, PRVM) e a pressão parcial venosa pulmonar (que é igual à pressão parcial arterial sistêmica, Part), pode-se calcular a taxa de absorção de um gás nos alvéolos: 
Taxa de absorção {em Lgás/min} = \ufffd(sangue/gás) \ufffd (Part – PRVM) \ufffd DC Equação 15.6
onde DC = débito cardíaco em litros de sangue por minuto. A
Equação 15.7 é deduzida da Equação 15.6 porque a concentra-
ção de anestésico [A]sangue é igual a \ufffd(sangue/gás) \ufffd Psangue (ver Boxe 15.2):
Taxa de absorção = ([A]art – [A]RVM) \ufffd DC Equação 15.7
Se algum componente dessas equações aproximar-se de zero, a 
taxa de absorção torna-se pequena e a administração de anes-
tésico por ventilação aproxima a pressão parcial alveolar da 
pressão parcial inspirada. Em outras palavras, o equilíbrio entre 
a pressão parcial alveolar e a pressão parcial inspirada é mais 
rápido (isto é, \ufffd{Palv \ufffd PI} é menor) quando há menor solubi-lidade do anestésico no sangue [menor \ufffd(sangue/gás)], menor 
débito cardíaco ou menor diferença entre a pressão parcial arte-
rial (\ufffdalveolar) e venosa.
Equilíbrio entre a Pressão Parcial nos Tecidos e a 
Pressão Parcial Alveolar
Além do equilíbrio entre a Palv e a PI, deve haver equilíbrio entre a Ptecido e a Part (que é quase igual à Palv) para que haja equilí-brio entre a Ptecido e a PI. As alterações da Palv são transmitidas rapidamente às arteríolas sistêmicas, porque o equilíbrio através 
do epitélio pulmonar é rápido e o tempo de circulação das veias 
pulmonares até os capilares teciduais costuma ser menor do que 
10 segundos. Assim, a constante de tempo para o equilíbrio 
224 | Capítulo Quinze
entre Ptecido e Palv pode ser aproximada como a constante de 
tempo para o equilíbrio entre Ptecido e Part. Para calcular a cons-
tante de tempo \ufffd{Ptecidual \ufffd Part}, é preciso definir a capacidade 
do compartimento e a taxa de fluxo do meio de administração. 
A taxa de fluxo é simplesmente a taxa de perfusão sangüínea 
do tecido. É preciso lembrar que a capacidade é uma capacida-
de volumétrica relativa ao meio de administração. Especifica-
mente, a capacidade é o volume de que o tecido necessitaria 
para conter todo seu gás se a solubilidade do gás no tecido 
fosse igual àquela no sangue. (Essa definição é semelhante à 
do volume de distribuição de um fármaco; ver Cap. 3):
Capacidade Volumétrica Relativa do Tecido
= ([A]tecido \ufffd Voltecido)/[A]sangue Equação 15.8
onde Voltecido é o volume de tecido. A Equação 15.9 é deduzida da Equação 15.8 porque [A]tecido/[A]sangue em equilíbrio é igual a \ufffd(tecido/sangue) (ver Boxe 15.2):
Capacidade Volumétrica Relativa do Tecido
= \ufffd(tecido/sangue) \ufffd Voltecido Equação 15.9
Então, usando a Equação 15.3, podemos escrever
\ufffd{Ptecido\ufffd Part} \ufffd \ufffd{Ptecido\ufffd Palv}= Cap. Vol. Relativa do Tecido/Qtecido Equação 15.10
\ufffd{Ptecido\ufffd Part}= \ufffd(tecido/sangue) \ufffd Voltecido/Qtecido Equação 15.11
onde Qtecido é a perfusão tecidual em L/min.Os grupos teciduais diferem muito no que se refere à capa-
cidade para anestésico e às constantes de tempo para seu equi-
líbrio com a pressão parcial arterial (e, portanto, alveolar). Com 
um pequeno \ufffd(tecido/sangue) (Quadro 15.2) e um pequeno 
volume (\ufffd 6 L), o GRV tem baixa capacidade para anestésico. 
A combinação de baixa capacidade e elevado fluxo sangüíneo 
(75% do débito cardíaco) resulta em uma constante de tempo 
de equilíbrio muito curta (\ufffd{PGRV \ufffd Palv}) no GRV. Com um 
\ufffd(tecido/sangue) ligeiramente maior, um volume muito maior 
(\ufffd33 L) e fluxo sangüíneo apenas moderado, o GM tem uma 
constante de tempo de equilíbrio (\ufffd{PGM \ufffd Part}) maior. Por fim, com um \ufffd(tecido/sangue) muito alto, um grande volume 
e baixo fluxo sangüíneo, o GA tem uma constante de tempo 
de equilíbrio (\ufffd{PGA\ufffd Part}) extremamente longa (Quadro 15.3 e Fig. 15.6).
Como o anestesiologista busca controlar a PSNC, tem inte-resse especial na constante de tempo para equilíbrio da pressão 
parcial no encéfalo Pencéfalo com a pressão parcial arterial Part(que é quase igual à Palv). O encéfalo tem volume aproximado de 1,4 L, o fluxo sangüíneo é de aproximadamente 0,9 L/min 
e o \ufffd(encéfalo/sangue) médio da maioria dos anestésicos é de 
1,6. Então, como
Capacidade Volumétrica Relativa do Encéfalo
= \ufffd(encéfalo/sangue) \ufffd Volencéfalo Equação 15.12
\ufffd{Pencéfalo \ufffd Part} = \ufffd(encéfalo/sangue) \ufffd Volencéfalo/Qencéfalo
\ufffd{Pencéfalo \ufffd Part} = (1,6 \ufffd 1,4 L)/(0,9 L/min)= 2,5 min Equação 15.13
Palv
A ventilação leva anestésico 
para os alvéolos
O equilíbrio entre 
entrada e saída