O Congresso da Virada e os 30 Anos da Revista
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O Congresso da Virada e os 30 Anos da Revista


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o III CB,4S, o slêncio e a omissão emface
, ae raneiro, 1965),2a quer do I seminário de Teorização do serviço Sociar (Arax4
. 
1967), donde saiu o famoso "Documeito de AÍa,xá,', mosffa a rnais c'ompleta
ptt' alienação em face do quadro polÍtico do paÍs. Alienação que se manrém, hierá-
.íi',' üca, no II sêmináiio deTeonzaqáo (Teresópolis, r9zó) e não sofre modificação
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Ír significativa sequeÍ no IfI, o do Sumaré (Rio de Janeiro, 1978)2s 
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quando é
,,,,.; notório que a crise da autocracia saltava aos olhos dos que queriam enxergar.I Alienação exponenciada que'ie encoflha, inequfvoca, na atuação do conserho
Serv. Soc Soc, S{o Paulo. n. 100, p. 06G878, out./dol 2009
1ii'Í"' 23. Ercluo do Âmblro dossa aflrmação o movimcnto cstudrntil poquc desconheço a rua hislóÍia cntre
l97O c 1978.
24. Recordo're quc até cn6o or congrcraor cram 'Congrasol Brasilciror dc Scrviço Sociat"/CBSS (o
I cm 1947, o tr cm 196l o o Itr cm 1965); nor anos 1970, rsr.-lu-6 a dedgnaçío "Congreraor Braritciroa
. 
dc AssistÊntcr Soclals"trCBA§ (o I cm 1974, o tr om lg76 o o "dr Virada-'cm 1979; a edric prosecguiu, crom
oc sventoc rcallzrdor e crda trCr Bnos; o matr rccantr, do 2O07, fol o Xtr).
25. O PÍfdPâl PromotoÍ dorrcr imporunüor rcrdndrioa fol como ro aabo, o Conro Braailcrro de
. 
Coopcr;aç[o c lntcrcâmbio do serviçor Smlais 
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CBCISS.
. Serv.Soc,Soq§ãoPaulo,n. l00,8§G\u20ac7g,out/dcz.200g 665
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maior.da categoria (o antigo conselho Fedêrat de Assistentes sociais 
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cFAs)'
reproduz-se nos conselho-s regionais (os antigos Conseihos Regionais de'Assis-
.. tentes Sociais 
- 
CRASS) e da qual nào se exiniúam, à época, as convenções
da então Associação Brasileira dà Escolas de Serviço Social 
- 
Abess-
É exatamente na ruptura dessa deletéria alienação que reside iriignificação
essenciâl do III Congres§o 
- 
ruptura que justificâ integramente a'sua carâcte-
r\zaçáo como 'cqngres§o da viradal]. Nã9 é nehhum âkagero assinalar a sua
simátria, no quadro do Serviçq §ocial, à reinserçãg da classe lgefria na arena
política brasiiqira: assim cemg estÂmâfcou umaclivagem na dinâmica política
Lrasileira, o III Congresso operou uma deixiiiva trànsformaçã,o na dinâmica
profissional no país. se o protagonismo operário, guebrando o monopólio do
tomando burguês na frente democrática, impedig a consecução do projeto de
autorreforma-do regime, o III Congresso quàbfôu'ô mciriopóliÔ conservador
nas instância§ I fóruns da categoria profissional 
- 
e, em ambos os câsos, as
consequê4ci4ç fo.ram muito atém do maitô'e§tritÊnsnta político' '
ittp,:"-l.ry«rireelolti"::T:tr:1u1,11Íi::"::o:"q]:
cle plena manifestaçao. ú só (e não minimizqmos egte
lutas ateita!' iia.fosistência denioerática, t{oqxe-o
lÊinocretiCor Aqui â nôvidade e a.rupÊura com a
íi;','eófimi por interrnédio'do III Congregqo, o
iiir ,iqnu políticà oifazcontra a ordem ditatprial
Íà'fl.q'çi,rnrit Quê'iimplementa este ingresso, não há
6i;.'* l!'d'tamÚéiu núateos que articplarn, 4 luta
polÍtiôo conservador no Ser-
que tardiamente, quando da emersão do proletariado na arenapolítica. Contudo,
ele só pôde ser qirebrado porque no interior da categoria profissional existiam
reais potencialidades paÍa tanto.
No curso do ciclo ditatorial ocorreram transformações importantes na
conflguração da categoria profissional e na suâ inserção na estrutura sócio-
-ocupacional:26 a formação sofreu um pÍocesso de laicização e inseriu'se de
fato na acadêmia; criou-se na universidade públicaa crnsha docerte, abrindo
a via à pesquisa, adensada com o surgimento da pós-graduação; o corpo dis-
ceúte envolveu contingentes oriundos de setores das camadas urbanas batxas;
consolidou-se um me:rcado nacional de trabalho paÍa além da demanda estatal,
notadàtriente oom as requisições das grandcs empresas; o assalariamentp se
universalizou. Bstás e outras transformações, postas pela "mode.rniTaçãocon-
servadora", não'detêrininaram apenas a refunciopalização.do tradicionalismo
profissional às suas exicências',J_Sá1g4lg.L4lgpÉm-S§.p?gq1 gg-l-e.§ãq.-9.i,-o-ç1-
"!Bdiçoq§.-qu_ç-9_.I.9_s1*9 99.S§ql9q;m"e,3ie$9,Lr_.qp§9-_s§.?9*"q."q§p_ap_!ê§â9.;.*31ggi1q1g[fSjSq-_v3g11q.|qgr (como §e çomprovou) tq nlomento tsrmigql
da §ua crise; . : ., 
.
- É Ae'tio'ttt ilue os dispositivos coercitivos Cci qegimq não conseguiram'
excluir do corpo p'iufissional.aquqles eu\u20ac -:- tgndo optado firmemente pela
democracia e/ôu'pelo socialismo 
- 
§q founaÍ4gr,ngs irnsdla1og pré e pósó4
(antes dolU-S, portanto) e que,44prisq.do,rqgime, puderam atuarsegundo os
valôrçs que tiveram gue ocultar durante quasg uma década.2l De igual qti{o,
os mêsmos dispositivos não puderam impedir que muitos'assistentes sociais''r-
fbrmodos a4tes e depois do golpe 
- 
tomassem consciência,.no seu exercício
profissional ç em cálrtato 
"o* 
ãr problenias dos usuários dos seus serviços,
. do caráter do regiàe de abql e da nec.essli{ad.9 rfg comtâiê:lo; igualmente, não
forarn capazes de bloquear a interação ente esse's assisüentes sogigtl e sujeitos
de outras categorias.profissionaig já empeúados.na lqta antiditatorial.
T\rdo isso opçra-vacomg um magmasúversivo no Serviço Social brasileiro,
.numa dinâmicamolecular e discreta, distrilg!$o ile§igAilmente por todo o país
e pelos mais distintos espaços socioocupaciônais'-- erarl próces§os sihgulares,
lnlermitençs: lf We teciam uma malhl_je possibiüdade.s. E.tudo isso não só
26. Iá'úalisei o esscncial dessâs transforrneções (Netto, 20[t9, p. I!5-!30) c não cabe rqui senão
mencionÁjlai:
27. Pcnsô cipccialmcntc naqueles que,. ântês do AI-5; tiveram alguma peninência à csquerde católics
oir a partidos/ilovlnentoc ilegalizados oú rcprimldos: . . .
S\u20acrv. Soo Soc, §ão Peulo, n 1 00, 65G678, out/dez 2009 667
's6 pôde ser qu'ebrado; ainda'
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sob a coerção do Estado autocrático burguês 
- 
tambérn sem poder oxigénar-se
pela crosta conservadora que, na superficie da categoria pro;lgglql{harecia
manter-se intangível, posto que assegurada por uma maiori(33:rggl$]8 Que,
conro mencionei acima numa forma pouco diptornática, atravessou aqueles anos
terrÍveis sem tugir nern.mugir.
Ora, o orotagonismo proletáriojá tanto referido propiciou que esse magma
de possibilidades viesse à tona e configurasse a "virada" que constitgiu o Iil
Congresso 
- 
a rebeldia operária criou; ao infletir a dinâmica polÍtica da frente
democrática que resistia à ditadura, as condições para a ruptura, no plano polí-
ticei, com oconservadorismo no Serviço Social.D Masaquele rnagma não veio à
tôna e rompeu a carapaça conseryadora "espontaneamente", dg "modo natural"
- 
úas lutds ê confrontos sociais, nada acontece "naturalmente". A ruptqra, a
"virada", deixou o têiTeno da possibilidade para convertcr-se em realidade graças
ao empgnho, ao esfoiço, à pertinácia e à combatividade de umas pog.cas dqzenas
de assisfentes sociais quejogaram todàs ds suas eneryias em duas frentes: na
criação de alternativas organizacionais ao conservadorismo3o e na articulação
coim ôcilegas qüe, eÍn outrâs'iegiões; movimentavam.se no mpsmo sentido.rr
Graças a esta aüvidade realmente coletiva, de início pouco estrutur4da, porém
' progtessiürnente organiàâda e conducente aô reconhecimento dq lideranças que
poi(er,iorme4te haveriam delconquistar visibilidade nacional, o III Congresso
não'foi o.espâço celebrativo em que a'mesmice dl reverência ao Estado ditato-
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),i, *, n* a[um lugar da. sua o]ra - hojp. larncnlavelmeqte ünonda 
-, 
o grandc-sociólogo norte-
amoficqrrqÇhnrlcs
Hannah
Hannah fez um comentário
tem como me enviar este documento por email????
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