Grau A
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Grau A


DisciplinaDireito Tributário I25.282 materiais284.213 seguidores
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ela só vai para frente, para o futuro.
EXCEÇÕES: lei interpretativa e lei mais benéfica para contribuinte (somente sobre multa, sanção).
\u2022 Lei interpretativa = a lei A instituía imposto sobre frutas. Alguns contribuintes começaram a vender tomate = tomate é fruta ou não? É necessário pagar imposto? O estado para acabar com a dúvida, edita uma lei que esclarece: tomate é fruta (esclarece a interpretação da lei velha). Essa lei nova meramente interpretativa retroage, e todo mundo que comercializou tomate tem que pagar o tributo. Essa lei só explica o que já existe, não gera tributo novo e por isso pode retroagir. 
\u2022 Lei mais benéfica para o contribuinte, somente referente a multa = se a lei for mais benéfica ao contribuinte, ela pode retroagir. Ex. Lei A diz que a alíquota é 10%, sujeito a multa de 50% do inadimplemento. Lei nova: a alíquota nova é 15%, sujeito a multa de 25% = retroage. Retroage só a multa, que for mais benéfica, a alíquota não. Ele vai pagar 10% de tributo e multa de 25%. 
Ex.: Lei A= alíquota = 10%, multa = 50%. Lei nova = Lei B = alíquota 5% e multa 100%. Aplica-se sempre a alíquota antiga (alíquota não retroage), a Lei nova não vai retroagir.
A alíquota não retroage. 
 Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:
 I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;
 II - tratando-se de ato não definitivamente julgado:
 a) quando deixe de defini-lo como infração;
 b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;
 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou:
Anterioridade de exercício - Exercício financeiro no Brasil é igual o ano = começa em janeiro e termina em dezembro. A lei aprovada em um ano passa a valer no ano seguinte (regra geral). Ex.: em 2014, é aprovada lei que altera a tributação do IPVA. Não pode valer em 2014, só vale no exercício financeiro seguinte, no caso em 2015.
c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b:
Antecedência temporal mínima/nonagesimal (90) - A lei nova tem que esperar pelo menos 90 dias para valer. A lei deve ser aprovada no exercício anterior e com antecedência de 90 dias. Ex.: se for aprovada lei dia 28/12/2013, somente vai valer em 2015, pois em 2014 não completou 90 dias de antecedência. 
Anualidade não existe no direito tributário brasileiro. Cai muito em concursos, mas é pega ratão. 
EXCEÇÕES:
§1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I. 
\u2022 Exceção à irretroatividade e anterioridade de exercício (alínea b): imposto de importação, imposto de exportação, IPI (não precisa esperar o ano seguinte, mas precisa esperar 90 dias), IOF, e Imposto Extraordinário de Guerra. 
\u2022 Exceção à anterioridade mínima (alínea c): Imposto de importação, imposto de exportação, Imposto de Renda (precisa esperar o exercício seguinte, mas não precisa esperar 90 dias), IOF, Imposto Extraordinário de Guerra.
Como alguns impostos tem a função de equilíbrio econômico, não tem como esperar o novo exercício ou os 90 dias, por essa razão são justificados as exceções. 
Imposto de Renda tem fato gerador complexo, ou seja, possui uma sucessão de fatos durante o ano, que somente pode ser calculado ao final do exercício. Encerrado o exercício, tem-se um prazo para a entrega da Declaração de Imposto de Renda até o final de Abril do ano seguinte. Assim, esse imposto está em exceção porque é necessário o cálculo da inflação do ano anterior para a alíquota do ano seguinte, e somente se prevê a inflação ao final do ano. Por isso é muito comum à alteração do imposto de renda em dezembro.
Imposto de Importação, Imposto de Exportação, IOF e Imposto E. de Guerra valem imediatamente. IPI precisa esperar imediatamente. Imposto de Renda tem que esperar o ano seguinte, porém não precisa esperar os 90 dias. 
 
STF Súmula nº 584 - Ao imposto de renda calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração.
Esta súmula do STF é inconstitucional, pois se estamos no exercício de 2014, e em outubro é lançada lei de imposto de renda, teria que ser aplicada essa lei de outubro durante o ano inteiro, o que é evidentemente inconstitucional pelo princípio da anterioridade. Ainda está vigente esta súmula, mas nem a receita federal está aplicando-a.
CASO: É possível fazer consulta à Receita a respeito de dúvidas no pagamento de impostos. A receita responde através de Solução de Consulta. Se a Receita responde determinada consulta e diz que NÃO precisa tributar, e depois se arrepende, ela pode revogar o seu ato, mas ressalva-se o direito adquirido de quem não tributou baseada na Solução de Consulta da Receita Federal:
STF Súmula nº 473 - A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
CASO: município edita lei de isenção de impostos durante 10 anos para novas empresas se instalarem na cidade. A empresa se instala, e depois de 2 anos, assume um novo governo e edita uma lei revogando a isenção. Como a isenção e a revogação se deram através de lei, está tudo certo, mas como fica o caso dessa empresa?
Espera-se da administração pública uma conduta de moral e ética (boa fé objetiva) respeitando e honrando os compromissos assumidos com os contribuintes. A jurisprudência tem mantido os benefícios concedidos, protegendo a legítima expectativa criada pelo contribuinte = segurança jurídica, proteção da confiança. 
CASO: a receita federal tem o prazo de 5 anos (decadencial) para verificar os impostos declarados pelo contribuinte. Se há 15 anos eu fiz uma declaração errada, e somente neste ano surtiu efeitos, a receita pode desfazer esse negócio jurídico ocorrido há 15 anos? 
IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS
Imunidade tributária é uma proteção que a Constituição Federal confere aos contribuintes. É uma hipótese de não incidência tributária constitucionalmente qualificada. A imunidade tributária ocorre quando a Constituição impede a incidência de tributação, exigindo que o Estado se abstenha de cobrar tributos (não sofrer a tributação). Ou seja, as entidades ou pessoas contempladas com as imunidades têm o direito de realizarem determinada ação que normalmente configuraria fato gerador de um tributo, mas sem sofrerem a respectiva tributação. Logo, o que é imune não pode ser tributado.
No entanto, a imunidade só atinge a obrigação tributária principal, permanecendo as obrigações acessórias. Trata-se então de uma limitação de poder de tributar. Ex: livros, periódios, entidades filantrópicas, templos, partidos políticos e sindicatos. 
\u201cAs imunidades do art. 150, VI protegem certas pessoas e coisas contra a incidência dos impostos, mas não dos tributos contraprestacionais, que são aqueles que não ferem os direitos da liberdade garantidos naquela norma.\u201d (Ricardo Lobo Torres, 2008).
É de se observar três outros conceitos que ocasionam o mesmo fim da imunidade, qual seja o de não pagar o tributo, no entanto não o são, pois não estão previstos na Constituição Federal. São eles:
Não incidência \u2013 Quando não há tributos não pelo fato de ser imune, e sim pelo fato de que embora possa existir tributo