Grau B
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Grau B


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GRAU B 
FONTES DO DIREITO TRIBUTÁRIO
As fontes do direito tributário são geralmente divididas em duas categorias, materiais e formais:
\u2022 Fontes materiais - As fontes materiais são os fatos do mundo real sobre os quais haverá a incidência tributária. São os fatos geradores da incidência tributária, como os produtos industrializados, as operações de crédito entre outros.
\u2022 Fontes formais - São basicamente os atos normativos que adicionam regras tributárias ao sistema. Podem assim ser consideradas fontes formais de direito tributário as normas constitucionais, emendas constitucionais, leis complementares, leis ordinárias, medidas provisórias, leis delegadas, decretos legislativos e resoluções.
As fontes formais merecem ainda uma subdivisão em principais (ou primárias ou imediatas) e secundárias:
- As fontes formais principais são aquelas que modificam de maneira real o ordenamento jurídico. Exemplos são: Constituição Federal, emenda constitucional, lei complementar, lei ordinária, lei delegada, decreto legislativo, resolução e similares. 
- As fontes secundárias por sua vez não modificam de maneira prática o ordenamento jurídico, estas apenas garantem a executividade das fontes primárias como por exemplo decreto regulamentar, regulamento, instruções ministeriais, ordens de serviço, normas complementares entre outras.
As fontes formais podem ser extraídas do exame conjugado dos artigos 96 e 100 do CTN. E envolvem, leis, tratados e convenções, decretos e normas complementares, conforme esclarece o art. 96 do CTN, que elenca as principais fontes do direito tributário:
Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.
Leis - A lei é fonte por excelência do Direito como um todo, e não só em matéria tributária. A questão fiscal, no entanto, exige que a lei contenha os atributos imanentes à criação, modificação e extinção da obrigação tributária, estabelecendo, inclusive, as punições pelo seu não-cumprimento.
Deverá a lei descrever o fato gerador da obrigação principal, determinar a alíquota e a base de cálculo e os sujeitos (ativo e passivo) dos tributos, competindo-lhe instituir e aumentar tributos. 
Ainda, de acordo com o artigo 59 da Constituição Federal, compreende:
Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis.
 Tratados e convenções internacionais \u2013 Os tratados e as convenções internacionais derivam de atos externos que provocam efeitos na ordem interna, máxime em matéria tributária, tendo em vista que o art. 98 do CTN atribui-lhes, especificamente, o condão revocatório ou modificativo.
O art. 98 do CTN poderia conduzir ao entendimento (equivocado) que sua premissa é autônoma e absoluta.
 
Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.
O artigo, no entanto está incorreto, pois os tratados não revogam a lei interna, apenas prevalecem no momento da aplicação, pois se tornam leis especiais. 
O art. 5§ 3º da CF diz: \u201cOs tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais\u201d. 
	Dessa forma, conclui-se que os tratados e convenções que tratam de direitos humanos equiparam-se à Constituição. Porém, os tratados e convenções a respeito de direito tributário são encarados como norma especial, não revogando as normas gerais do direito tributário, apenas sendo aplicados no caso concreto por equipar-se à lei especial. 
No conflito de normas, prepondera a lei especial sobre a lei geral, desde que seja sobre norma específica. Norma geral somente é modificada por lei complementar.
Equivale-se então a leis ordinárias os tratados e convenções internacionais. 
 Decretos \u2013 Decreto é o ato baixado pelo Poder Executivo aspirando à regulamentação da lei, tendo em vista que esta apenas fixa os pontos primários (básicos) relativos ao assunto sobre o qual trata, cabendo àquele (decreto) a função de tratar de seu detalhamento (complemento). 
O conteúdo e o alcance do decreto encontram-se delineados no art. 99 do CTN, sendo que a vigência da lei que dele depende ocorre somente depois de sua expedição, conforme reiterada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringem-se aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei.
É diferente de decreto-lei que existiu no passado, pois aquele (ainda existente em algumas leis que não foram derrogadas) se equivale à lei ordinária e tem força de lei. Decreto pode ser editado por Presidente da República, Governador e Prefeito, desde que estes o façam dentro dos limites da C.F. e da lei. Decreto serve para regulamentares coisas específicas. 
O decreto não pode extrapolar a zona de competência definida na CF. (poder executivo editando norma).
Ex.: o decreto pode instituir qual sistema será utilizado para entregar imposto de renda, etc. 
Obs: Decreto jamais poderá criar tributo	. 
	
 Normas complementares \u2013 Estão previstas no artigo 100 do CNT, que diz:
 
Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos:
 I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (poder executivo editando norma \u2013 delegado da receita federal, superintendente) (competência ainda mais restrita que o decreto. Ex.: Instrução Normativa, Resolução, Portaria, Ato declaratório... não pode mudar questões gerais do direito tributário ex.: incidência, não incidência, base de cálculo, alíquota, etc..
 II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; (através de processo administrativo \u2013 jurisprudência administrativa - tem a função de orientar, mas não é vinculante - Pode escolher se quer entrar na administrativa ou judiciário, não precisa esgotar o administrativo para dai ingressar no judiciário.)
 III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; (similar aos costumes \u2013 boa-fé proteção à confiança).
 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.
 
 IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Ex: Um município pode ficar com 100% do IPI em um convenio com a União. 
- CONFAZ \u2013 convenio pode ser oposto no STJ.
- ITR \u2013 município e união recolhem o ITR e dividem. Se a união não quer, pode fazer um convenio e passar tudo ao município.
 
 Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.
 
INTERPRETAÇÃO E DIREITO TRIBUTÁRIO
O artigo 108 do Código Tributário Nacional dispõe acerca da integração da legislação tributária e elenca quatro métodos de integração das leis tributárias, com a seguinte redação:
\u201cArt. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada:
I - a analogia;
II - os princípios gerais