Grau B
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Grau B


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ou seja, torna ilimitada a responsabilidade dos sócios. É o caso do art. 134 do CTN. 
Na sociedade de capital a figura dos sócios não é importante, e sim o investimento feito por eles. Ex: Supermercado. O tipo societário nesses casos pode ser S.A., Ltda., etc. Aqui o que importa é se a sociedade é sólida para honrar suas obrigações. A responsabilidade dos sócios é limitada ao capital social. É o caso do art. 135 do CTN. 
Desconsideração da pessoa jurídica - A desconsideração da personalidade jurídica é uma prática de, em certos casos, desconsiderar a separação patrimonial existente entre o capital de uma empresa e o patrimônio de seus sócios para os efeitos de determinadas obrigações, com a finalidade de evitar sua utilização de forma indevida, ou quando este for obstáculo ao ressarcimento de dano causado ao consumidor.
O art. 50 do código civil dá dois requisitos para a desconsideração da personalidade jurídica: abuso de personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou a confusão patrimonial, assim, somente estas situações justificariam a desconsideração, que deve ser reconhecida por decisão judicial. Ainda há um requisito para a desconsideração da personalidade jurídica, mediante a execuções fiscais em todos os ambitos. A desconsideração é limitada aquela causa a que foi pedida, sendo que a pessoa jurídica continua funcionando e respondendo, e para outras situações, ela continua tendo autonomia patrimonial, ou seja, ela é pontual, não engloba tudo. 
No direito tributário há o instituto do redimensionamento, que se opera através da execução fiscal. Para haver o redimensionamento (que é parecido com a desconsideração) tem que haver: infração a lei, contrato ou estatuto. 
	O atraso no pagamento não é infração a lei, conforme súmula 430 do STJ, que diz: 
\u201cSTJ Súmula nº 430 - O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente.\u201d
 
Se o oficial de justiça vai lá citar e não encontra a empresa, e é informado que a empresa fechou irregularmente = o STJ consolidou entendimento na sumula 435, legitimando o redirecionamento da execução fiscal aos sócios = presunção relativa mas quase absoluta. 
\u201cSTJ Súmula nº 435 - Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente.\u201d
Se for feita extinção/dissolução da sociedade de forma regular (fazer um distrato sobre os créditos e os débitos, pagar as dívidas e registrar o distrato na junta comercial), em regra não haverá o redimensionamento (art. 135). 
Responsabilidade solidária - A responsabilidade solidária fundamenta-se na culpa in vigilando e está prevista no artigo 134 do CTN, que dispõe, in verbis:
 Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis:
 I - os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores;
 II - os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados;
 III - os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes;
 IV - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio;
 V - o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário;
 VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício;
 VII - os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas.
 Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. 
Antes de quaisquer considerações, é mister ressaltar que, embora o próprio artigo do CTN faça menção à responsabilidade solidária, a doutrina entende que se trata, na realidade, de responsabilidade subsidiária, tendo em vista que, de acordo com o texto legal, os supostos devedores solidários só responderão em caso de impossibilidade de ser exigido o cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte. 
Ademais, \u201centende-se que os terceiros só responderão pelos tributos devidos pelos contribuintes nos casos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis\u201d. Em outras palavras, é necessário que haja um liame entre o comportamento do terceiro responsável e a obrigação tributária, não se aplicando a regra nos demais casos. 
O parágrafo único do artigo acima transcrito contém mandamento um tanto controverso, prevendo unicamente a transferência da multa moratória, enquanto se mantém silente a respeito da punitiva ou isolada. Neste caso, porém, não é cabível uma interpretação extensiva, devendo-se entender, de fato, que apenas a multa pelo inadimplemento do tributo (multa moratória) é transferida, e não a multa pelo descumprimento da obrigação de fazer (multa isolada).
Responsabilidade pessoal \u2013 A responsabilidade pessoal é comumente conhecida como \u201ctransferência por substituição\u201d ou \u201cresponsabilidade substitutiva\u201d. Ela encontra embasamento legal no controverso artigo 135 do CTN, que reza: 
Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (responsabilidade subsidiária- a própria dívida não configura infração a lei)
 I - as pessoas referidas no artigo anterior;
 II - os mandatários, prepostos e empregados;
 III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
Existem consideráveis divergências doutrinárias no tocante à interpretação do dispositivo ora em comento. Há quem entenda que a responsabilidade, nestes casos, é exclusiva do terceiro; outros defendem que ela é solidária entre o responsável e o contribuinte. 
De qualquer forma, cumpre explicitar que as pessoas mencionadas no artigo devem possuir algum poder de decisão, não se aplicando a regra aos simples empregados subordinados. Estariam abrangidos, dentre outros, profissionais como advogados e contadores, além, é claro, daqueles expressamente listados no dispositivo. 
Importante destacar que a referida responsabilidade alcança apenas o período em que a gerência da sociedade foi exercida pelo sócio, de modo que eventuais dívidas relativas a períodos anteriores não podem afetá-lo, em vista da inexistência de qualquer liame entre a sua pessoa e os respectivos fatos geradores. 
Por fim, todos os devedores, inclusive contribuintes e eventuais responsáveis, devem ser indicados pela Fazenda Pública na certidão de dívida ativa. Tal responsabilização pode, também, ser buscada no decorrer da ação de execução fiscal, através de um redirecionamento desta.
Dica do professor: 1º - Pessoa jurídica responde sozinha.
2º Se incorrer em algum dos problemas do art. 135, se faz a reconsideração.
3º Súmula 435 do STJ.
Obs: Não ter dinheiro não é caso de redimensionar, só de fechar.
O STJ tem entendido no caso da súmula 435 que os sócios respondem ilimitadamente (todos respondem por tudo de forma solidária, até quem tiver apenas 1%) quando a empresa estiver fechada.
Em regra, então, não há responsabilidade solidária, exceto quando verificado o caso da súmula supra referida. 
Responsabilidade por infração - A responsabilidade tributária por infrações é, em regra, objetiva, tendo em vista que o Código Tributário Nacional dispõe, em seu artigo 136, que: \u201csalvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato\u201d. 
Tal responsabilidade alcança apenas as infrações de natureza administrativa, culminando na aplicação de sanções fiscais (multas) pelo descumprimento de obrigações tributárias. Convém