Grau B
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Grau B


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ressaltar que, em casos excepcionais, é possível o cancelamento da multa, nas ocasiões em que reste configurada a boa-fé do contribuinte. 
O artigo 137, CTN, porém, trata de um tipo diverso de responsabilidade, conforme se percebe, abaixo: 
 Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente:
 I - quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito;
 II - quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar;
 III - quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico:
 a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem;
 b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores;
 c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas.
A redação do artigo acima transcrito dá especial relevo à intenção do agente, traduzindo, nitidamente, casos de responsabilidade subjetiva que constituem, desta forma, exceções à regra geral previamente exposta. O inciso I aborda infrações penais, fazendo menção ao exercício regular que \u201cestá relacionado com o elemento subjetivo e com a consciência de antijuridicidade do ato\u201d . Esse caráter subjetivo fica ainda mais evidente nos demais incisos, que aludem ao dolo específico \u2013 afastando, desta forma, o princípio geral contido no artigo 136 do CTN. 
Anotações do caderno: Quem responde é quem fez a multa (pessoa física ou jurídica). 
A multa acompanha a dívida e se responde solidariamente por ela.
A multa qualificada, como exceção, não se transmite. Ex: alterar a matrícula do apê, a multa é aplicada a pessoa, então não acompanha o apê caso ele seja vendido. Nesse caso ainda haverá uma investigação criminal. 
Perder prazo para pagamento constitui infração e acarreta a aplicação de multa. 
O artigo 137 se dá de duas formas:
- MORA: se transmite a todos os casos que estudamos até hoje. Ex.: IPTU é propter rem, o novo comprador passa a ser devedor da multa.
- PESSOAL: é na pessoa, então não acompanha a coisa. 
Ainda na temática da responsabilidade por infrações, cumpre discorrer acerca da denúncia espontânea, que está prevista no artigo 138 do CTN: 
\u201cArtigo 138 - A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. 
Parágrafo único - Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.\u201d
Trata-se, assim, de situação em que o próprio sujeito passivo decide reconhecer e confessar a infração por ele cometida. Esta confissão, como estabelece o artigo, deve ser espontânea e, evidentemente, anterior ao início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização nesse sentido. 
O infrator que confessar espontaneamente será beneficiado com a exclusão das multas administrativas, devendo, porém, pagar o tributo devido, de maneira integral e imediata, acrescido de juros e correção monetária.
	Anotações do caderno: Nesses casos não tem multa, pois se reconhece a dívida antes.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO
No direito civil, o crédito se constitui ao mesmo tempo em que a obrigação. Contudo, no direito tributário, nasce a obrigação com a implementação do fato gerador do tributo e o crédito tributário somente nasce com o lançamento (art. 3 CTN).
Crédito tributário representa o direito de crédito da Fazenda Pública, já devidamente apurado por procedimento administrativo denominado lançamento e, portanto, dotado de certeza, liquidez e exigibilidade, estabelecendo um vínculo jurídico que obriga o contribuinte ou responsável (sujeito passivo) a pagar o tributo ao sujeito ativo (Estado ou ente parafiscal).
O crédito tributário decorre da ocorrência da obrigação tributária principal. Para que o Estado possa exigir o crédito tributário, é necessário que ocorra o fato gerador, e que o Estado individualize e quantifique o valor a ser pago, com o lançamento.
O credito tributário não participa do concurso de credores (ex: inventários e outros), ressaltando ainda que ele possui privilégios e preferências. Como por exemplo, se a Fazenda Pública estiver defendendo um crédito qualquer que posteriormente é colocada pelo magistrado a participar do concurso de credores, percebe-se que a situação será procedente, pois todos poderão participar do concurso de credores uma vez que todos são iguais perante a lei; pois afinal o privilégio é apenas do crédito e não da pessoa jurídica.
LANÇAMENTO \u2013 De acordo com o artigo 142 do CNT, compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
Dessa forma, deve-se:
1 - Verificar a ocorrência do fato gerador;
2 - Determinar a matéria tributável;
3 - Calcular o montante do tributo devido;
4 - Identificar o sujeito passivo;
5 - Ver se tem penalidade cabível;
O lançamento é a ciência ou notificação da existência do crédito, que a partir do lançamento passa a ser exigível. O lançamento é ato administrativo, que independe da coadjuvação do contribuinte e deve ser feito pela autoridade administrativa, por isso não se pode caracterizá-lo como "processo" administrativo, uma vez que não há duas partes e é uma sistemática estanque. Ao judiciário, cabe anular lançamentos errôneos, não podendo, substituí-lo. Toda essa atividade é vinculada, ou seja, inteiramente determinada em lei, e a não execução enseja responsabilidade funcional.
A notificação do contribuinte é obrigatória; só a partir dela o crédito passa a ser exigível. Pela notificação se completa o processo, podendo ser feita de diferentes formas: pessoalmente, via postal, telegráfica, em endereço-eletrônico ou por qualquer meio com prova de recebimento.
\u2022 Há três modalidades de lançamento: o lançamento direto ou de ofício, o lançamento misto ou por declaração e o lançamento por homologação. A escolha da modalidade é feita pela lei que institui o tributo.
a) De Ofício (mais antiga): Nessa modalidade a administração faz tudo sozinha, é a modalidade menos comum. Hoje na prática ocorre quando o contribuinte não declarou, ou quando ele declarou, mas fez errado. É prevista no artigo 149, que diz: 
 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos:
 I - quando a lei assim o determine;
 II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária;
 III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade;
 IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória;
 V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte;
 VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade