Nutrição e Saúde
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intervenção. O segundo apresenta um quadro clínico 
composto por dor, aumento de temperatura corporal, geralmente não ultrapassando os 38ºC e presença de 
mal-estar. As mamas ficam avermelhadas, brilhantes e edemaciadas, os mamilos e aréolas ficam distendidos 
o que dificulta a sucção do bebê e afeta a produção de leite materno. Esta situação é mais comum entre 
mulheres primíparas. Castro e col., em um estudo realizado em João Pessoa (PB), com 145 puérperas, 
encontraram 28,3% dos casos com ingurgitamento mamário. 
Tratamento 
Quando o ingurgitamento é diagnosticado, a nutriz deve receber suporte e tratamento adequados 
para que o mesmo não evolua para mastite e, em caso mais grave, um abscesso mamário. Para um tratamento 
eficaz é essencial dar continuidade ao aleitamento materno, pois a suspensão do mesmo só agrava esta 
complicação e pode, inclusive, interromper a produção láctea. É recomendada a prática de massagem nas 
mamas com movimentos circulares antes das mamadas, pois além de amaciar as mamas auxilia no reflexo 
de ejeção de leite pela síntese de ocitocina, facilitando a pega do bebê e beneficiando a ordenha manual, a 
amamentação deve ser iniciada pela mama menos túrgida, com mamadas frequentes e sem restrição de 
tempo, as mamas devem permanecer bem sustentadas através do uso de sutiãs firmes, algumas vezes é 
necessária a utilização de medicamentos como analgésicos sistêmicos e anti-inflamatórios sempre sob 
prescrição médica e uso de compressas. 
Em relação ao uso de compressas é preciso ter cautela. A compressa quente é contraindicada para 
tratar o ingurgitamento, apesar de beneficiar o processo de vasodilatação, aumentar a vascularização da 
Nutrição e saúde 109SUMÁRIO
mama, facilitar a extração láctea e o alívio momentâneo da dor, provoca um efeito rebote, pois a produção 
de leite aumenta causando o retorno da dor de forma mais intensa dificultando a drenagem e agravando o 
estado materno. 
Segundo o Ministério da Saúde a autorregulação pode ser beneficiada pelo uso de compressa fria 
em situações graves, aplicando a cada duas horas sem ultrapassar vinte minutos. Este tipo de compressa 
provoca uma vasoconstrição passageira gerada pela hipotermia e faz com que o fluxo sanguíneo e o edema 
sejam reduzidos, além de aumentar a drenagem linfática e diminuir a produção de leite, aliviando a dor 
no momento. Deve ser aplicada com cuidado, pois também pode gerar efeito rebote com o aumento do 
fluxo sanguíneo para reparar a redução da temperatura local. O ideal é utilizar compressa em temperatura 
ambiente ou um banho com a temperatura da água morna, para ajudar no relaxamento materno antes da 
amamentação e redução da intensidade do ingurgitamento e do desconforto. Mas, é preciso ter cuidado, 
pois caso seja mal conduzida, a lactação é prejudicada, reduzindo as ações de prolactina e de ocitocina. 
Prevenção
São consideradas medidas preventivas para ingurgitamento mamário a introdução precoce e técnica 
adequada de amamentação, ausência de restrição da duração das mamadas, oferta de leite materno em livre 
demanda e a contraindicação de complementos como outros leites, água e chás. 
MASTITE
Conceito
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define mastite como uma condição inflamatória de um ou 
mais segmentos da mama que pode evoluir ou não para uma infecção bacteriana, geralmente unilateral.
Ocorre frequentemente na segunda e terceira semana de lactação e esporadicamente após a 12ª 
semana, sendo considerada uma importante causa para a interrupção precoce do aleitamento materno. 
Origem
A mastite ocorre quando há uma estagnação do leite na mama que altera a pressão intraductal 
elevando-a e, como consequência, gera um achatamento e formação de espaços entre as células alveolares, 
onde determinados componentes atravessam do plasma para o leite e do leite para o tecido intersticial 
da mama, dando origem a uma resposta inflamatória. O leite acumulado, a inflamação e a lesão tecidual 
contribuem para a instalação de infecção principalmente pelo agente Staphylococcus (aureus e albus) e outros 
micro-organismos como Escherichia coli e Streptococcus (a, b e não-hemolítico), sendo as fissuras mamilares e 
rachaduras consideradas as principais responsáveis pela entrada da bactéria. Quando se tratar de mastite 
é necessário certo cuidado, pois a nutriz que sofre com esta complicação na lactação atual, ou que já sofreu 
em lactações anteriores, pode desenvolver novamente este quadro devido ao rompimento da união entre as 
células alveolares. 
Outros fatores que beneficiam a estagnação láctea são: a obstrução do ducto lactífero e ausência 
de tratamento, presença de ingurgitamento mamário, intervalos grandes entre as mamadas, horários 
preestabelecidos, produção láctea maior que a demanda do recém-nascido, esvaziamento incompleto da 
mama, ausência de mamadas noturnas, baixa resistência a infecções, trabalho materno excessivo, fadiga, 
estresse psicológico, separação do binômio mãe/filho, interrupção repentina da amamentação, uso de 
utensílios como chupeta e mamadeira, recém-nascido com sucção fraca e freio de língua curto. 
Diagnóstico
No exame físico é possível detectar a mastite pela a presença de dor intensa, edema, hiperemia, 
eritema e aumento de temperatura localizados. Quando este quadro evolui para uma infecção ocorrem 
manifestações sistêmicas como mal-estar, febre superior a 38ºC e calafrios, os sintomas são muito parecidos 
com a sintomatologia da gripe. É comum, a recusa do peito pelo recém-nascido pelas alterações que o leite 
materno sofre em relação ao aumento dos níveis de sódio e cloreto e a redução dos níveis de lactose que 
deixam o leite com um sabor mais salgado. 
Nutrição e saúde 110SUMÁRIO
Castro e col. comparam algumas pesquisas realizadas de acordo com World Health Organization 
(WHO), sendo a primeira realizada nos Estados Unidos com 180 mães, destas 33% apresentaram mastite. A 
segunda ocorreu na Austrália com 98 mães onde 50% apresentaram esta complicação. Em uma pesquisa mais 
atualizada com 1.075 mães encontraram cerca de 20% das mulheres com mastite. Essa complicação pode ser 
evitada desde que as puérperas sejam orientadas adequadamente em relação às técnicas de amamentação e 
ordenha.
Tratamento
O Ministério da Saúde orienta que o tratamento deve ser introduzido o mais breve possível para que o 
quadro não evolua para um abscesso mamário, considerada uma complicação grave. A eficácia do tratamento 
é de extrema importância e depende do suporte emocional por parte dos profissionais de saúde e da família. 
É fundamental o encorajamento da nutriz para que não haja interrupção precoce da amamentação, pois o 
leite materno é rico em anticorpos e fatores antibacterianos, e sua manutenção é indicada por não oferecer 
riscos ao recém-nascido a termo sadio, como afirma a American Academy of Pediatrics (2000), sendo essencial 
para manter um fluxo frequente de leite, o repouso materno durante o período mínimo de 24 horas, o início 
da mamada pela mama sadia, oferecendo em livre demanda e sem horários preestabelecidos, a correção da 
técnica de amamentação para garantir uma pega e sucção adequadas e o uso de sutiãs firmes são alguns 
cuidados necessários para o processo de recuperação da mãe. Uma das principais ações para o sucesso deste 
tratamento é esvaziar completamente a mama afetada através da amamentação ou, se necessária, à ordenha 
manual após o final de cada mamada. 
Em algumas situações é preciso fazer uso de medicamentos sob orientação médica, como o uso de 
analgésico fraco para aliviar a dor e de antibiótico para tratar a infecção. A escolha do antibiótico é realizada 
de acordo com seu efeito no recém-nascido. A chamada antibioticoterapia é indicada na presença de sintomas 
graves desde o início do diagnóstico, fissura mamilar e ausência de melhora dos sintomas após 12 a 24 horas 
da retirada do leite acumulado. O tratamento
daiana
daiana fez um comentário
excelente conteúdo!
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Daniella
Daniella fez um comentário
Muito bom!
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Nanda
Nanda fez um comentário
show de bola
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