Nutrição e Saúde
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em livre demanda sem restrições de horários, eliminar os fatores de compressão externa que 
bloqueiam a drenagem do leite materno como o uso de sutiãs e roupas apertadas e evitar o uso de cremes, 
óleos e produtos secantes nos mamilos para que não percam sua proteção natural.
Nutrição e saúde 113SUMÁRIO
CANDIDÍASE (MONILÍASE)
Conceito
A Candida sp. é uma infecção fúngica nos mamilos bastante comum durante o período de puerpério. 
Pode ser apenas superficial, ou seja, na pele do mamilo e aréola ou abranger os ductos lactíferos. 
Origem
Giugliani aponta como fatores predisponentes para o surgimento da infecção mamilos úmidos 
(cândida cresce em meio com carboidrato) e lesionados. A cândida vaginal, a administração de antibióticos, 
contraceptivos orais e esteroides pela nutriz, utensílios como chupeta e bico de mamadeira contaminados 
aumentam o risco de candidíase mamária. Muitas vezes são os próprios recém-nascidos que transmitem o 
fungo de forma assintomática. 
Diagnóstico
O Ministério da Saúde caracteriza esta complicação através da presença de prurido, sensação de 
queimaduras e fisgadas nos mamilos que permanecem após a amamentação. A pele dos mamilos e aréolas 
apresentam aspectos avermelhados, brilhantes, com presença de irritação local podendo apresentar leves 
descamações, raramente aparecem placas esbranquiçadas. Algumas nutrizes relatam fisgadas e ardência 
dentro das mamas. Nos recém-nascidos que ainda não colonizaram sua orofaringe é comum o surgimento 
de crostas brancas orais, denominados como sapinhos, possuem pH baixo facilitando assim, a colonização da 
cavidade oral e é preciso ter cuidado e sensibilidade para diferenciar das crostas de leite que são facilmente 
removidas. 
Tratamento
Nutriz e recém-nascido devem receber o tratamento simultaneamente, mesmo que o lactente não 
apresente sintomas. O início do tratamento é local, com administração de medicamento tópico, na forma 
de creme (Nistadina - algumas espécies de cândida são resistentes à nistadina -, Clotrimazol, Miconazol 
ou Cetoconazol), a aplicação deve ser feita ao final de cada mamada, não é necessária a remoção antes 
da próxima mamada e o tratamento com duração de duas semanas. Violeta de Genciana a 0,5% pode ser 
aplicada nos mamilos, aréolas e boca do recém-nascido uma vez ao dia durante três a quatro dias. Caso, o 
tratamento tópico não obter resultados satisfatórios, recomenda-se Cetoconazol 200 mg/dia no período de 
10 a 20 dias.
Outros cuidados importantes, além do tratamento do fungo, são higiene pessoal adequada, evitar 
sabonete de uso comum, eliminar intermediários de mamilos, os sutiãs devem ser trocados e lavados 
diariamente, enxaguar e secar os mamilos após as mamadas, expô-los à luz por alguns instantes do dia, 
evitar uso de mamadeira e chupeta, pois são fontes de reinfecção, lembrando que interferem diretamente na 
prática do aleitamento materno, se não for possível eliminá-los, devem ser fervidos durante 20 minutos, uma 
vez ao dia. 
Prevenção
As medidas preventivas contra esta complicação são manter os mamilos secos e arejados e expô-los à 
luz por alguns instantes durante o dia.
FENÔMENO DE RAYNAUD
Conceito
O fenômeno de Raynaud ocorre devido a uma isquemia intermitente causada por vasoespasmo que 
comumente ocorre nos dedos das mãos e dos pés, mas que pode acometer os mamilos. 
Nutrição e saúde 114SUMÁRIO
Origem
Esta complicação é consequente da exposição ao frio, compressão anormal do mamilo pela boca do 
bebê ou de trauma mamilar relevante, e nem sempre é possível ter o conhecimento de sua causa.
Diagnóstico
Inicialmente, as características deste fenômeno são a presença de palidez dos mamilos devido à 
ausência de irrigação sanguínea, dor intensa durante ou depois das mamadas. A presença de palidez 
é seguida de cianose e com consequente eritema. É reconhecida através de fisgadas ou por sensação de 
queimação com duração (podendo ser confundida com candidíase) que varia apenas de alguns segundos a 
minutos; em alguns casos, podem levar uma hora ou mais.
Tratamento/Prevenção 
Identificação do fator primário que pode estar colaborando para a isquemia mamilar, adequar a 
técnica de amamentação e fazer uso de compressas mornas nos mamilos para aliviar a dor. São raras as 
situações em que é necessário a prescrição medicamentosa com nifedipina (5 mg) três vezes ao dia, durante 
duas semanas ou 30 a 60 mg uma vez ao dia. Alguns casos é preciso até três ciclos de tratamento para 
eliminar completamente a sintomatologia. Deve ser evitado o consumo de drogas vasoconstritoras como 
nicotina e cafeína.
GALACTOCELE
Conceito
Formação cística nos ductos mamários com constituição de líquido leitoso que, inicialmente, é um 
fluído, e se torna uma consistência viscosa que pode ser exteriorizado pelo mamilo. 
Origem
Pode ser causada por uma obstrução do ducto lactífero.
Diagnóstico
É percebida através de palpação, sendo caracterizada como uma massa lisa e redonda. Diagnosticada 
através de punção aspirativa ou ultrassonografia.
Tratamento
O tratamento é realizado através de aspiração, mas é comum a remoção cirúrgica, pois o cisto volta a 
ser preenchido após aspiração.
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Ministério da Saúde: Saúde da Criança: Nutrição Infantil Aleitamento Materno e Alimentação 
Complementar. Caderno de Atenção Básica, 23, Brasília: Ministério da Saúde 23:37-50, 2009.
BRASIL. Ministério da Saúde: Atenção à Saúde do Recém-Nascido Guia para os Profissionais de Saúde Cuidados 
Gerais, Brasília: Ministério da Saúde 1:133-147, 2011.
CASTRO, K. F. et al. Intercorrências mamárias relacionadas à lactação: estudo envolvendo puérperas de uma 
maternidade pública de João Pessoa, PB. O Mundo da Saúde. 33(4):433-9, 2009.
CORAZZA, D. et al. Assistência de enfermagem à mastite puerperal. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, ano VI, 
n. 16: 48-60, 2008.
EUCLYDES, M. P. Nutrição do Lactente Base científica para uma alimentação saudável. In: Aleitamento materno. 3. 
ed. Suprema gráfica e editora, Viçosa: 243-359, 2005.
Nutrição e saúde 115SUMÁRIO
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA. Manual de Aleitamento 
Materno, 35-42, 2010.
GIUGLIANI, E. R. J. O aleitamento na prática clínica. J. Pediatr. 76 (supl.3): S238-S252, 2000.
GIUGLIANI, E. R. J. Problemas comuns na lactação e seu manejo. J. Pediatr. 80(supl.5):S147-S154, 2004.
LACERDA, E. M. A. et al. Práticas de Nutrição Pediátrica. In: Aleitamento materno. São Paulo: Atheneu, 15-27, 2002.
REGO, J. D. Aleitamento Materno. In: Problemas precoces e tardios das mamas: prevenção, diagnóstico e tratamento. 
São Paulo: Atheneu. p. 175-192, 2002.
VIEIRA, G. O. et al. Factors prediting early discontinuation of exclusive breastfeeding in the first month of life. J. 
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VIEIRA, G. O. Mastite lactacional e a iniciativa Hospital Amigo da Criança, Feira de Santana, Bahia, Brasil. Cad. 
Saúde Pública. 22(6):1193-1200, 2006.
VITOLO, M. R. Nutrição da Gestação ao Envelhecimento. In: Manejo durante o aleitamento materno. Rubio, Rio de 
Janeiro: 135-142, 2008.
Nutrição e saúde 116SUMÁRIO
TÉCNICAS DE AMAMENTAÇÃO
Andreia Rambo
Simone Morelo Dal Bosco
Mesmo sendo um ato reflexo, o bebê precisa aprender a sugar para poder retirar o leite de forma 
eficaz. Para pegar a mama de forma correta, o bebê precisa ter uma ampla abertura da boca, para que desta 
forma não abocanhe apenas o mamilo, e sim parte da aréola. Desta forma o bebê garante a formação do 
vácuo necessário para que o mamilo e a aréola se mantenham dentro da boca do bebê (MINISTÉRIO DA 
SAÚDE, 2009). 
Um estudo realizado em 1992 avaliou 82 duplas mãe-bebê no momento da alta da maternidade 
e observou a técnica de amamentação durante quatro meses. Foi considerada uma técnica adequada de 
sucção o bebê com a boca bem aberta, com a língua sob a aréola e expressando
daiana
daiana fez um comentário
excelente conteúdo!
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Daniella
Daniella fez um comentário
Muito bom!
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Nanda
Nanda fez um comentário
show de bola
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