Manual de Cuidados Paliativos ANCP
340 pág.

Manual de Cuidados Paliativos ANCP


DisciplinaLivros24.149 materiais99.876 seguidores
Pré-visualização50 páginas
o tempo de sobrevida. Em sua fase final de ELA, 
dois fatores são cruciais para determinar o prognóstico: a capacidade de respirar e, em 
menor medida, a capacidade de deglutição(19).
No Quadro 4 encontramos as indicações de Cuidados Paliativos para ELA. Considera-
se que um paciente está em fase terminal de ELA quando apresenta uma das situações 
que se seguem dentro dos últimos 12 meses.
Considerações especiais 
Alguns pacientes idosos apresentam condições de fragilidade intensa, sem diagnóstico 
específico, mas que parecem estar em declínio progressivo de vitalidade e aparentemente 
desenvolvendo trajetória previsível em direção à morte dentro dos próximos meses.
Para esses pacientes, a indicação de Cuidados Paliativos é importante, com o objetivo 
de atingir a condição de bem-estar global. Indicações não-convencionais para Cuidados 
33
Quadro 4 \u2013 Indicações de Cuidados Paliativos para pacientes com ELA
\u2022 Capacidade respiratória diminuída conforme critérios
\u2013 Capacidade vital inferior a 30% do normal
\u2013 Significativa dispneia em repouso
\u2013 Necessidade de oxigênio suplementar em repouso
\u2013 Paciente recusa ventilação artificial
\u2022 Outros critérios para indicação de Cuidados Paliativos
\u2013 Progressão para deambulação dependente de cadeira de rodas 
\u2013 Dificuldade para falar: discurso pouco inteligível ou ininteligível
\u2013 Progressão da dieta normal para pastosa
\u2013 Progressão de dependência na maioria ou em todas as principais AVDs ou 
necessidade de assistência para todas as AVDs
\u2022 Comprometimento nutricional crítico
\u2013 Ingestão de nutrientes e fluidos insuficientes para sustentar a vida
\u2013 Perda de peso continuada
\u2013 Desidratação ou hipovolemia
\u2013 Ausência de métodos de alimentação artificial
\u2022 Complicações com risco de vida
\u2013 Pneumonia aspirativa recorrente
\u2013 Infecção do trato urinário superior
\u2013 Sepse
\u2013 Febre recorrente após a terapia antibiótica
ELA: esclerose lateral amiotrófica; AVDs: atividades da vida diária.
Paliativos, como a síndrome da fragilidade, incluem indivíduos idosos com comprometi-
mento funcional progressivo, perda de peso progressiva e que podem ter várias doenças 
crônicas simultâneas (por exemplo, hipertensão arterial, doença coronariana, diabetes), 
mas sem condição fatal iminente. 
Eles podem ter tido uma aceleração recente dos declínios cognitivo e funcional ou ter 
tomado decisão de não prosseguir com o tratamento agressivo devido a idade avançada, 
má saúde geral, estado cognitivo ou custos excessivos.
Em pacientes idosos, uns dos mais sensíveis nessas condições da síndrome da fragili-
dade, a perda de peso inexplicável de 10% ao longo de um período de seis meses, ou um 
IMC < 22 kg/m2, indica Cuidados Paliativos. 
A combinação de perda de peso progressiva e dificuldades com as atividades da vida 
diária (AVDs) é importante preditor de mortalidade em seis meses, geralmente mais re-
levante do que diagnóstico, estado mental ou admissão em UTI(19). Se essas condições 
estiverem presentes, a comunicação adequada com esses pacientes e suas famílias pode 
facilitar o planejamento das diretrizes avançadas. Isso reduz muito o estresse causado 
pelas condições de agudização e intercorrências clínicas nesses indivíduos.
O Quadro 5 resume as indicações de Cuidados Paliativos.
34
Manual de Cuidados Paliativos da ANCP
Referências
1. ADDINGTON-HALL, J.; FAKHOURY, W.; MCCARTHY, M. Specialist palliative care in nonmalignant 
disease. Palliat Med, v. 12, p. 41\ufffd-2\ufffd, 1998.
2. ALMAGRO, P. et al. Mortality after hospitalization for COPD. Chest, v. 121, n. 5, p. 1441-8, 2002.
3. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Heart and Stroke Statistics \u2013 200\ufffd Update, Dallas, American Heart 
Association, 2005. Disponível em: <http://www.americanheart.org>.
4. ANTHONISEN, N. R.; WRIGHT, E. C.; HODGKIN, J. E. Prognosisin chronic obstructive pulmonary disease. 
Am Rev Respir Dis, v. 133, n. 1, p. 14-20, 198\ufffd.
Quadro 5 \u2013 Considerar a consulta sobre Cuidados Paliativos para pacientes com 
critérios de terminalidade de suas doenças de base(26) 
Câncer Qualquer paciente com câncer metastático ou inoperável
Doenças cardíacas
Sintomas de ICC durante o repouso
FE < 20%
Uma nova disritmia
Ataque cardíaco, síncope ou AVC
Idas frequentes ao PS devido aos sintomas
Doenças pulmonares
Dispneia durante o repouso
Sinais ou sintomas de insuficiência cardíaca direita
Saturação de O2 < 88%
pCO2 > 50
Perda de peso não-intencional
Demência
Incapacidade para andar
Incontinência
Menos de seis palavras inteligíveis
Albumina < 2,5 ou menor ingestão por via oral
Idas frequentes ao PS
Doenças hepáticas
TP > 5 s
Albumina < 2,5
Ascite refratária
Peritonite bacteriana espontânea
Icterícia
Desnutrição ou perda de massa muscular
Doenças renais
Não candidato à diálise
Depuração da creatinina < 15 ml/min
Creatinina sérica > \ufffd
Síndrome da 
fragilidade
Idas frequentes ao PS
Albumina < 2,5
Perda de peso não-intencional
Úlceras de decúbito
Confinamento ao leito/domicílio
ICC: insuficiência cardíaca congestiva; FE: fração ou ejecção; AVC: acidente vascular cerebral; PS: 
pronto-socorro; pCO2: pressão parcial de CO2; TP: tempo de protrombina.
35
5. BARDY, G. H. et al. Amiodarone or an implantable cardioverter-defibrillator for congestive heart 
failure. N Engl J Med, v. 352, p. 225-3\ufffd, 2005.
\ufffd. BERGER, R. et al. B-type natriuretic peptide predicts sudden death in patients with chronic heart 
failure. Circulation, v. 105, p. 2392-\ufffd, 2002.
\ufffd. BOUVY, M. L. et al. Predicting mortality in patients with heart failure: a pragmatic approach. Heart, 
v. 89, p. \ufffd05-9, 2003.
8. BURROWS, B.; EARLE, R. H. Prediction of survival in patients with chronic airway obstruction. Am Rev 
Respir Dis, v. 99, n. \ufffd, p. 8\ufffd5-\ufffd1, 19\ufffd9.
9. CHRISTAKIS, N. A; LAMONT, E. B. Extent and determinants of error in doctors\u2019 prognoses in terminally 
ill patients: prospective cohort study. BMJ, v. 320, p. 4\ufffd9-\ufffd2, 2000.
10. CLAESSENS, M. T. et al. Dying with lung cancer or chronic obstructive pulmonary disease: insights 
from SUPPORT. Study to Understand Prognoses and Preferences for Outcomes and Risks of Treatments. J 
Am Geriatr Soc, v. 48, suppl 5, p. S14\ufffd-53, 2000.
11. COHN, J. N. et al. Acomparison of enalapril with hydralazine-isosorbide dinitrate in the treatment 
of chronic congestive heart failure. N Engl J Med, v. 325, p. 303-10, 1991. 
12. BYOCK, I. Improving palliative care in intensive care units: identifying strategies and interventions 
that work. Crit Care Med, v. 34, suppl 11, S302-5, 200\ufffd.
13. DADOS DE MORTALIDADE BRASIL. Disponível em: <http://w3.datasus.gov.br/datasus/datasus>. 
14. DAUBERT, J. P. et al. Predictive value of ventricular arrhythmia inducibility for subsequent ventricular 
tachycardia or ventricular fibrillation in multicenter automatic defibrillator implantation trial (MADIT) II 
patients. J Am Coll Cardiol, v. 4\ufffd, p. 98-10\ufffd, 200\ufffd.
15. DAVISON, S. N. et al. Nephrologists\u2019reported preparedness for end-of-life decision-making. Clin J 
Am Soc Nephrol, v. 1, p. 125\ufffd, 200\ufffd.
1\ufffd. ELKINGTON, H. et al. Thelast year of life of COPD: a qualitative study of symptoms and services. 
Respir Med, v. 98, n. 5, p. 439-45, 2004.
1\ufffd. EMANUEL, L. L.; BONOW, R. O. Libby: Braunwald\u2019s heart disease: a textbook of cardiovascular 
medicine. 8. ed. Chapter 30 \u2013 Care of Patients with End-Stage Heart Disease. 
18. FABER-LANGENDOEN, K. A multi-institutional study of care given to patients dying in hospitals: 
ethical and practice implications. Arc Intern Med, v. 15\ufffd, p. 2130-\ufffd, 99\ufffd.
19. FINE, P. Hospice referral and care: practical guidance for clinicians. Disponível em: <http://cme.
medscape.com/viewarticle/48\ufffd401>.
20. GUNDA, S.; THOMAS, M.; SMITH, S. National survey of palliative care in end-stage renal disease in 
the UK. Nephrol Dial Transplant, v. 20, p. 392, 2005.
21. HAUPTMAN, P. J.; HAVRANEK, E. P. Integrating palliative care